Total de visualizações de página

sábado, 6 de junho de 2015

Negócio da China | Cidadania & Cultura

GANHAR COM A CHINA



Negócio da China

Ranking PIB PPC WB 2013Pelo ranking acima, o BRIC (grandes países emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China), em 2013, não estava tão longe de ganhar posições em relação a algumas economias ícones do capitalismo maduro (EUA, Japão e Alemanha) em termos de PIB PPC.
No Brasil, onde a China substituiu os Estados Unidos como maior parceiro comercial do país, o primeiro-ministro chinês Li assinou acordos de pesquisa conjunta sobre a viabilidade de construir uma ferrovia através dos Andes para ligar o cinturão agrícola do Brasil à costa peruana no Pacífico. Esse antigo e ambicioso projeto, que até agora não saiu do papel, tem a meta de reduzir os custos de transporte das exportações brasileiras para a China. Na Nicarágua, uma empresa chinesa planeja construir um canal interoceânico de 277 quilômetros de extensão que vai comportar grandes navios, num momento em que o Panamá também expande seu canal.
A delegação chinesa também divulgou planos de investir US$ 53 bilhões em projetos de infraestrutura no Brasil, uma muito necessária injeção de capital para um governo tentando equilibrar suas contas com o ajuste fiscal. Para comparação, no ano passado,os financiamentos da China para a América Latina alcançaram US$ 22 bilhões, ultrapassando os empréstimos combinados de instituições tradicionais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, segundo estimativas do Diálogo Interamericano.
Edson Pinto de Almeida (Valor, 19/05/15) resenhou dois novos livros sobre a China. Com o objetivo de registrar para futura leitura, compartilho a resenha abaixo. Por ela, os autores preocupam-se mais em defender a ideologia do Livre Mercado e imaginam a possibilidade de um “equilíbrio de forças” na geoeconomia mundial…
A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2015, exportações e importações movimentaram cerca US$ 21 bilhões, com um superávit de US$ 2,5 bilhões favorável a Pequim. A corrente de comércio entre os dois países alcança US$ 90 bilhões (2014). A ofensiva pela América do Sul faz parte da estratégia da China de ampliar a presença econômica no mundo para além de sua área de influência natural, na Ásia. A investida no Brasil, se concretizada totalmente, dobrará o estoque de investimentos chineses no país.
Em dois livros agora publicados no Brasil, os autores analisam fatores que impulsionaram o crescimento da China e quais são as perspectivas para o futuro do país. O economista russo Ivan Tselichtchev, no livro “China Versus Ocidente“, utiliza uma série de estatísticas e análises quantitativas para demonstrar a tese de que, apesar de seu rápido crescimento e ascensão, a China não deve assumir o papel de predominância semelhante ao que o Reino Unido, no século XIX, e Estados Unidos, do século XX para cá, exerceram de forma unilateral. Para o autor (que leciona na Nigata University of Management, no Japão), a dinâmica da globalização levará a um equilíbrio de forças cujo resultado final passa longe de previsões já desgastadas sobre a derrocada do Ocidente.
 Tselichtchev acredita que a época em que “uma única nação conseguiria despontar como líder global já passou”. Como pano de fundo de sua análise, o economista apontaa fragilidade e o elevado grau de incerteza que caracterizam o atual estágio da globalização. E nota que a crise financeira global afetou basicamente o Ocidente. A China encontrou meios de se fortalecer.
Menos preocupado com a ascensão – termo que rejeita – chinesa, Tselichtchev procura ampliar a análise para desenhar como será o novo equilíbrio econômico global. Sua premissa é de que, por volta de 2030, a maioria das grandes economias do mundo não será ocidental. Segundo suas estimativas, mais da metade das mil maiores corporações mundiais terão origem nos países de economia emergente.
Essa “não ocidentalização” do sistema econômico deverá se traduzir, segundo o autor, por uma maior participação do Estado — algo mais próximo do modelo chinês de Capitalismo Estatal-Privado. Uma de suas observações é que o modelo chinês está adquirindo empresas privadas ocidentais – e de modo nem sempre transparente.
Para contrapor-se à ofensiva da China, o Ocidente, segundo o autor, deveria:
  1. ampliar significativamente as exportações para aquele país, além de
  2. contrabalançar a crescente influência que a China procura estender a países onde possa suprir suas necessidades de recursos naturais.
Tselichtchev é favorável a que o Ocidente dê resposta à política de inovação nativa empregada pela China, que:
  1. estabelece condições desiguais de competição,
  2. viola direitos de propriedade intelectual e
  3. restringe acesso ao mercado.
Por último, o autor defende total simetria no que se refere às aquisições para proibir que grandes empresas ocidentais sejam controladas por estatais chinesas.
Os desafios do crescimento chinês, especialmente na área tecnológica e de sustentabilidade, fazem parte das análises que o analista de mercado Bill Dodson expõe no livro “China em Rápida Aceleração“. Assim como o economista russo, Dodson também faz críticas ao modelo de inovação chinês, que, a seu ver, inibe a criatividade doméstica em nome de incentivar a prática da engenharia reversa sobre tecnologias estrangeiras.
Nesse aspecto, segundo ele, a presença do Estado na economia torna-se um obstáculo, pois agrava a contradição entre
  1. o desejo de controle sobre a sociedade e
  2. a criação de ambientes seguros e criativos.
Para Dodson, “com tantos conflitos de interesses dentro do governo, instituições educacionais e de pesquisa, em todo o território chinês, não surpreende o fato de que as inovações no país fiquem reduzidas ao âmbito da irrelevância.”
“China Versus Ocidente”
Ivan Tselichchev. 288 págs., R$ 68,00 (DVS)
“A China em Rápida Aceleração”
Bill Dodson. 296 págs., R$ 68,00 (DVS)
Negócio da China | Cidadania & Cultura

Nenhum comentário :

Postar um comentário