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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Autoridade Fiscal Independente ampliará déficit de democracia no país, diz Sicsú - Carta Maior

18/11/2015 - Copyleft

Autoridade Fiscal Independente ampliará déficit de democracia no país, diz Sicsú

Para o professor, proposta de Renan Calheiros está no bojo de várias outras que visam retirar dos governos a prerrogativa de conduzir a política fiscal.


Najla Passos

Lula Marques
O plenário do Senado pode votar nesta quarta (18) mais uma matéria legislativa que visa sequestrar a prerrogativa do governo de conduzir a política fiscal do país. Trata-se da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 83/2015, de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que cria a Autoridade Fiscal Independente (AFI), um órgão de assessoramento do Congresso que se apresenta sobre a pecha de técnico, isento e independente, mas tende a se tornar mais um instrumento de luta política. 
 
De acordo com o professor do Instituto de Economia da UFRJ, João Sicsú, a AFI funcionará nos mesmos moldes que o Tribunal de Contas da União (TCU), criado para funcionar apenas como um órgão consultivo do governo, mas que na prática paralisa obras, quebra cronogramas, provoca demissões e, nas manchetes dos grandes jornais, ainda aparece como algo positivo.
 
Para o professor, tanto o TCU, que foi propositadamente batizado de ‘tribunal’ para ganhar ares mais pomposos, quanto à AFI, que leva os termos ‘autoridade’ e ‘independente’ no nome, encontram grande espaço na agenda pública, especialmente na midiática. “Este órgão vai fazer política. E não é política fiscal, mas política mesmo. E isso terá um grande impacto não só para o Congresso, mas para toda a sociedade”, sustenta. 
 
Sicsú lembra que a AFI terá um diretor indicado pelo presidente do Congresso - portanto alguém da sua confiança -, além de autonomia institucional e financeira para colocar uma lupa sobre a atividade fiscal do governo. “Não podemos ter órgãos paralelos fazendo política contra a política fiscal do governo, qualquer que seja ele. Não podemos ter um órgão com uma capa de isento, de independente, de autoridade, dando opinião sobre a política fiscal do governo, como se o governo não tivesse sido eleito com milhões de votos para tomar essas decisões”, denuncia. 
 
Para o professor, se um governo está tomando decisões erradas, ele tem que ser punidos nas urnas, porque esta é a regra da democracia. “A gente troca de projeto no voto, e não a partir do debate provocado por um órgão paralelo que tenta sufocar a atuação do governo”, alerta.
 
Tendência internacional
 
Sicsú afirma que o projeto de criação da AFI no Brasil está dentro do bojo de uma corrente cada vez mais forte, que busca aprisionar as políticas fiscais dos governos, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Segundo ele, esse movimento começou com o aprisionamento das políticas monetárias e cambiais, que geraram, por exemplo, a tese de Banco Central Independente, um dos temas de destaque nas eleições de 2014. 
 
O professor, entretanto, sustenta que, mesmo com as limitações das políticas cambiais e monetárias, muitos países conseguiram avançar na geração de crescimento e qualidade de vida, trabalhando apenas com a margem de manobra permitida pela política fiscal. Como exemplo, citou o governo do ex-presidente Lula, que fez isso especialmente entre 2007 e 2010. 
 
“O Brasil é um grande exemplo de que é possível fazer avanços sociais e investimentos só com a política fiscal, ainda que a monetária e cambial sejam insuficientes ou até contrárias a ela. Aliás, o que a história tem mostrado é que a política fiscal consegue se sobrepor à monetária e a cambial”, esclarece.
 
Ele denuncia, ainda, que o projeto de criação da AFI se alia a outros em tramitação no Congresso, como o do senador José Serra (PSDB-SP) que propõe limites rígidos para o endividamento da União, com fixação, inclusive, de patamares mínimos de superávit primário. “Até a ideia de liberar taxas de juros altas serve para causar constrangimento da política fiscal, porque quanto mais juros nós temos, menos capacidade fiscal o governo tem para realizar gastos”, acrescenta.
 
Déficit de democracia
 
Sicsú denuncia que este movimento mundial para retirar dos governos a capacidade de gerir a política fiscal dos países em benefício da acumulação de recursos para o pagamento das dívidas públicas ameaça a democracia, porque possibilita que os técnicos indicados para órgãos como a AFI governem, em detrimento dos políticos que contam com o aval das urnas para fazê-los. 
 
“Todo esse movimento que está em curso retira dos governos a capacidade de governar. E isso gera um déficit de democracia. Governantes são eleitos para governar, e não o contrário como tem acontecido em muitos países da Europa. E, se as políticas desses governos não dão certo, temos que mudar os governantes. E não ter menos democracia em nome de mais eficiência do Estado. Se é só para seguir regras, nós precisamos é de um computador. E não de governantes e nem mesmo de democracia” argumenta. 
 


Créditos da foto: Lula Marques
Autoridade Fiscal Independente ampliará déficit de democracia no país, diz Sicsú - Carta Maior

Opera Mundi - Após atentados, França usa discurso do 'ataque à liberdade' para aumentar militarização, diz Judith Butler

PELA LIBERDADE, RESTRINJE-SE A LIBERDADE.



Logo aparecem as vozes justificadoras das restrições à liberdade imposta aos cidadãos franceses, no caso, alegando serem por conta dos atentados verificados no país recentemente, sendo necessária rigidez e forte vigilância para coibir outras iniciativas dessa natureza.

Nos EUA ao tempo da queda das torres, também adotaram-se medidas excepcionais pelas mesmas razões e objetivos.

E não se pode dizer que estejam errados. Afinal, nessas circunstâncias a liberdade pode até custar a vida do cidadão.

Acontece que muitos dos que argumentam assim, e não discordo de todo dessa posição, não tem a mesma compreensão quando acontece ser necessário adotar iniciativas desse caráter em outras nações. Principalmente se acontece do governo ser hostil ou avesso ao domínio hegemônico das potências econômico militares globais. Será fustigado por anos a fio, sem relaxo para gozo, em total desrespeito à sua soberania e direito de auto determinação. Espionagem, sabotagem, suborno, assassinatos e conspiração, estarão presentes no cotidiano dessa nação como o café da manhã. que se toma  assistindo se à previsão do tempo na TV. Enfim, viverão na iminência perpétua de sofrerem ataques terroristas. Esses governos muitas vezes se obrigam a manter aquele estado de exceção por prazo muito largo, contribuindo para que seus poderosos inimigos consigam lhes impingir o estigma da "ditadura".
Opera Mundi - Após atentados, França usa discurso do 'ataque à liberdade' para aumentar militarização, diz Judith Butler

'Há uma operação de enfeitiçamento em curso', diz sociólogo - Carta Maior

Quantas e quantas vezes esse fato tem sido constatado pelos próprios internautas no interior das redes? Faz-se necessário uma maior organicidade na batalha pela internet, um espaço em disputa que a velha mídia e seus intelectuais orgânicos procuram desvalorizar e criminalizar, ao mesmo tempo em que marcam sua presença pela saturação de informações editadas visando consolidar interpretações distorcidas da realidade. 



17/11/2015 - Copyleft

'Há uma operação de enfeitiçamento em curso', diz sociólogo

Em seminário do Fórum 21, professor denuncia que as versões da velha mídia reverberadas pelas redes sociais abalaram a relação entre verdade e ficção


Najla Passos

reprodução
“A mídia não cobre mais os acontecimentos. Ela gera versões e tenta transformá-las em verdade”, alertou o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, professor titular do Departamento de Sociologia da Unicamp e membro do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP, que participou da mesa Comunicação e Novas Tecnologias, durante os “Seminários para o avanço social”, promovido pelo Fórum 21, em São Paulo de 9 a 13 de novembro.
 
De acordo com ele, mesmo após o advento das redes sociais e dos 13 anos de governos petistas, o sistema da comunicação no Brasil é ainda extremamente concentrador e preocupante porque, historicamente, o PT não soube avaliar o real poder da mídia e a esquerda não conseguiu formular uma análise crítica do seu potencial de formação de consensos.
 
Santos afirma que, desde a década de 80, o PT já contava que, quando chegasse ao poder, teria a velha mídia brasileira ao seu lado, devido à postura dos oligopólios, como as Organizações Globo, de sempre se posicionarem a serviço dos governos de plantão. Mas não foi o que aconteceu. Para agravar, as redes sociais amplificaram o potencial da mídia de repetir versões para transformar fatos em verdade, o que gerou o quadro atual.
 
“A esquerda não tem uma visão crítica em relação aos meios de comunicação. E se ela não consegue ter essa relação em relação à velha mídia - se o máximo que consegue é propor a democratização e ponto - imagina com as novas mídias”, criticou.
 
Para o professor, o quadro é de tamanha gravidade que a relação entre verdade e mentira, entre verdade e ficção, está completamente abalada. “Nós chegamos a um ponto em que os ladrões gritam ‘pega ladrão’ para os não-ladrões. E isso cola! É uma inversão de valores gigantesca”, ironizou.
 
Linguagens totalitárias
 
O sociólogo sustenta que a dimensão totalitária que a linguagem da velha mídia, reverberada pelas redes sociais, adquiriu no país só encontra precedentes no período pré-nazista e na Guerra Fria. “A mídia é uma parte não só ativa na definição do que acontece, mas é parte ativa na criação de ficções, de versões do que ocorre”, ressaltou.
 
Para piorar o quadro, a esquerda não consegue sequer reagir aos sucessivos ataques, porque seus instrumentos são poucos e de curto alcance, enquanto os dos oligopólios que dominam a mídia no país vão longe e promovem uma espécie de “enfeitiçamento” contínuo. “Se você coloca só um pouquinho de voz de um lado, não é suficiente para fazer contraponto. A assimetria é enorme”, destacou.
 
O resultado, conforme ele, portanto, é um campo de versões e mentiras deliberadas, programadas por uma máquina poderosa, que tem uma capacidade de mobilização das mentes das pessoas bastante importante. “Não só a classe média já foi ganha, como também existe a uma capilaridade em setores beneficiados pelas políticas desse governo que começam a se submeter a este enfeitiçamento. Há uma operação de enfeitiçamento em curso”, denunciou.
 
Como exemplo, Santos cita as pequenas manifestações por impeachment ou a favor de “intervenção militar” que reúnem meia dúzia de manifestantes e um boneco, mas ganham um espaço enorme no noticiário e na agenda política do país, em detrimento de outras muito maiores organizadas pelos movimentos sociais. “Há todo um encadeamento de redes de transmissão que fazem com que não-acontecimentos se tornem acontecimentos, com o objetivo de manter no ar permanentemente a perspectiva de golpe”, alertou.
 
O não-diálogo
 
Para o professor, este enfeitiçamento está na base da falta de diálogo que domina o país. “Todo mundo aqui já tentou argumentar com uma dessas pessoas de direita, no sentido de demonstrar os absurdos que ela está dizendo, e bateu em um muro. O esclarecimento não resolve. Não há possibilidade de diálogo nem de discussão, porque o irracional surge. Elas não querem ser esclarecidas. São movidas pelo ódio e o ódio é visceral. E esse ódio é alimentado o tempo todo pela mídia e pelas redes sociais”, argumentou.
 
Para o professor, o mais grave é que o governo sequer reage a essa ofensiva, tratando essa explosão da linguagem totalitária no país como natural ou próprio da democracia. “Nem corte de grana para emissoras houve. A reação do governo é de submissão e isso estimula o avanço conservador”, acrescentou. Santos sustenta que as forças de esquerda precisam compreender os sinais de perigo e agir. “A linguagem não é só sentido e produção de conteúdo. A linguagem também é ação. E a ação da linguagem totalitária é mobilizar o negativo das pessoas”, denunciou.
 
O mercado da atenção
 
Professor de Sistemas de Informação da USP, Mário Moreto Ribeiro, fez uma comparação entre o ambiente do mundo do trabalho e o das redes sociais, que hoje exigem a atenção total do trabalhador/internauta, em uma desgastante briga por sua atenção. “Na internet hoje, o que está em disputa é essa atenção total. Não só o tempo [do internauta], mas a atenção”, afirmou.
 
Segundo ele, o capital se apropriou do que deveria ser espaço de interação e lazer para os trabalhadores e o transformou em mais uma mercadoria. É por isso que ele classifica o esforço exercido por milhares de usuários das redes sociais para formularem comentários e disputar a atenção de seus seguidores, gratuitamente, é um tipo de trabalho voluntário que contribui para valorizar a marca da empresa, e gerar lucro para o capital.  
 
“Escrever no facebook também é um trabalho. Você gasta tempo, valoriza a empresa. E disputa a atenção dos colegas. Existe um mercado da atenção nas redes sociais. E a gente está disputando esse mercado quando escreve no Facebook. Mas não é um mercado aberto. Ele é controlado por uma empresa”, alertou.




Créditos da foto: reprodução




'Há uma operação de enfeitiçamento em curso', diz sociólogo - Carta Maior

Igual ao Estado Islâmico: França responde e mata dezenas de inocentes e crianças indefesas





O ataque terrorista à França visou causar esse efeito. Foi o pretexto que se criou para o imperialismo voltar a atacar Assad que é combatido pelo mesmo Estado Islâmico que promoveu o atentado no país europeu. A população inocente é quem sofre as consequências. Todos eles, do EI a OTAN, estão inconformados com a intervenção russa que imprimiu a primeira derrota significativa ao terrorismo que avassala o estado sírio desde alguns anos. Bancados cinicamente pela Arábia Saudita, sionismo e potências ocidentais. A esquerda esqueceu as grandes campanhas internacionais de solidariedade e defesa da autodeterminação dos povos, o que é bastante contraditório com uma ordem dita globalizada.
Igual ao Estado Islâmico: França responde e mata dezenas de inocentes e crianças indefesas

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Rui Falcão: Coletiva do Diretório Nacional do PT - 29/10/2015

POR QUE DIRCEU CONTINUA PRESO? QUEM RESPONDERÁ A ISSO E POR ISSO?



Nizan Guanaes

Nizan Guanaes diz que Dirceu lhe prestou consultoria econômica

POR JULIA AFFONSO, FAUSTO MACEDO E RICARDO BRANDT
17/11/2015, 16h59
   
À Justiça Federal, publicitário contou que pagou R$ 20 mil mensais entre 2008 e 2012 à empresa do ex-ministro José Dirceu: 'absolutamente dentro da lei'

nizan-guanaes
Foto: Reprodução
O publicitário Nizan Guanaes afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, nesta terça-feira, 17, que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula) prestou consultoria econômica às suas empresas. Um dos dono do grupo ABC, holding composta por 14 empresas nas áreas de publicidade, Nizan Guanaes relatou que pagou a Dirceu R$ 20 mil mensais entre o fim de 2008 e 2012.
https://youtu.be/Hm1M_H3adoY
Nizan foi questionado pelo Ministério Público Federal sobre o tipo de consultoria prestado pela JD Assessoria e Consultoria, de propriedade de Dirceu. “Sobretudo de cenário econômico. Embora, evidentemente, sempre você pergunta sobre aquelas coisas do político que vão refletir em você”, disse.
A Lava Jato investiga se contratos de consultoria da JD serviram para “esquentar” dinheiro de propina. José Dirceu está preso desde 3 de agosto quando foi deflagrada a Operação Pixuleco, 17ª fase da Lava Jato. Nizan depôs como testemunha de defesa do ex-ministro.
Durante o depoimento, o publicitário afirmou que os pagamentos a Dirceu foram feitos ‘absolutamente dentro da lei, declarados’. Nizan Guanaes disse que Dirceu não ofereceu vantagens indevidas a ele.
À Justiça, o publicitário contou que conheceu Dirceu em um jantar na casa do ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia (Governo Lula). “Começamos a conversar, tínhamos uma relação bastante distante, porque militamos em partidos diferentes. E foi aí que nós começamos a ter um convívio.”
Segundo Nizan Guanaes, as consultorias de José Dirceu foram feitas da mesma maneira com que são realizadas outras assessorias ao grupo. “Como os outros consultores que a gente tem. São eventuais e são apresentações em que a pessoa mostra, faz uma exposição e te dá orientações. A gente perguntava muito sobre mercado interno, sobre a expansão que a gente queria na América Latina, sobre esse nível de questão. Nós temos hoje uma série de consultores, é importante ter, consultor de cultura, consultor na área de gente, também consultor na área de cenário.”
O publicitário afirmou também que Dirceu não angariou clientes para suas empresas. “De jeito algum, de jeito algum. Esse não é nosso estilo, nossa cultura e isso é público, seo juiz. O sr, inclusive, pode questionar isso no mercado. Não está nem na nossa cultura. A vida inteira nós somos eminentemente voltados para o mercado de clientes privados.”

Não é Estado, nem é islâmico, é organização criminosa

Artigo

Não é Estado, nem é islâmico, é organização criminosa

POR ALI MAZLOUM*
17/11/2015, 04h00
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Em uma noite de pânico e terror, atentados simultâneos atingiram na sexta-feira, 13, pontos distintos de Paris e deixaram pelo dezenas de mortos e centenas de feridos. Foto: Philippe Wojazer/Reuters
Em uma noite de pânico e terror, atentados simultâneos atingiram na sexta-feira, 13, pontos distintos de Paris e deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos. Foto: Philippe Wojazer/Reuters
Para quem ainda não entendeu, uma frase atribuída ao ex-presidente venezuelano Carlos Andrés Péres Rodriguez pode bem sintetizar o que é o Estado Islâmico (ISIS): “Nem uma coisa nem outra, mas muito pelo contrário”. Nestes termos, década de 1970, Péres respondeu à consulta de reportagens sobre se o regime de seu governo na economia seria capitalista ou comunista.
Assim é o Estado Islâmico: não é Estado, nem é Islâmico, pelo contrário, é uma organização criminosa e como tal deve ser tratada. Seus adeptos são delinquentes que devem ser caçados e capturados onde quer que estejam. Por isso, às ações do ISIS, poderá incidir o princípio da extraterritorialidade da lei penal brasileira, pelo qual, crimes praticados no estrangeiro podem aqui ser punidos (art. 7º do CP).
Em nosso sistema penal, espacialmente, têm relevância os princípios da territorialidade, da nacionalidade, da defesa, da justiça penal universal e da representação. Por estes, punem-se quaisquer delitos praticados em território brasileiro (art. 5º), alcançando a lei penal pátria também o nacional que comete crime no exterior (art. 7º, II, b), ou delitos perpetrados contra nacionais no estrangeiro, sob certas condições (art. 7º, § 3º), e, ainda, sempre que o Brasil, por tratado ou convenção, obrigou-se à repressão, independente do lugar ou nacionalidade do agente.
No recente atentado em Paris, com explosões perto ao Stade de France e ataques à casa de show Bataclan, em que o ISIS teria vitimado mais de uma centena de pessoas, havia dentre elas pelo menos três cidadãos brasileiros.
O Brasil é signatário da Convenção Internacional para a Supressão do Financiamento do Terrorismo (1999), Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (2003), dentre outros importantes instrumentos de combate a esse tipo de criminalidade, lembrando, ainda, a eventuais simpatizantes internos, que o Código Penal Brasileiro pune a apologia de crime ou criminoso e a incitação ao crime nos termos dos artigos 286 e 287.
A organização criminosa ISIS não constitui Estado. Segundo a melhor doutrina, nacional e internacional, para que haja Estado, três requisitos devem coexistir: território, povo e governo. Referida organização não está estabelecida em território algum, achando-se ora aqui, ora acolá, ora em lugar algum; não é formada por povo nenhum, senão guerrilheiros, quiçá mercenários financiados para espalhar o terror, protagonistas de cenas produzidas no melhor estilo hollywoodiano; por fim, esse grupamento não tem governo, possuindo no máximo uma estrutura hierarquizada de chefia e divisão de tarefas em planos inferiores.
O grupo ISIS não é Islâmico, nada tendo que ver com a religião muçulmana. Basta atentar para o fato de que as maiores vítimas dessa organização criminosa estão situadas em Estados de maioria muçulmana, como é o caso de Síria, Iraque, Líbia e Líbano. O islamismo tem mais de um bilhão e meio de seguidores, e apenas néscios acreditariam que esse fabuloso contingente poderia estar apoiando alguma organização criminosa.
Vincular organicamente a violência ao Islã é fruto de ignorância, que muito tem contribuído para disseminar a islamofobia pelo mundo, inclusive aqui em nosso País. Sem relações pessoais com muçulmanos, fica ainda mais difícil ao homem comum aquilatar a situação ou contextualizar os fatos ocorridos em Paris ou em Beirute – apenas para ficar nestes últimos dias – diante das brutais incursões do ISIS.
Interesses estratégicos, políticos e econômicos centrados no Oriente Médio podem estar na raiz do surgimento do ISIS, bem como na difusão da falsa conexão entre essa organização criminosa e o islamismo, cujo objetivo é, sem dúvida, espalhar o ódio, a discriminação racial e religiosa. Esse repetido patrulhamento ideológico tem fortalecido grupos islamofóbicos e autorizado, consequentemente, com aplausos da opinião pública, o uso da força naquela região.
É preciso não cair nessa armadilha. O Islamismo tem como princípio central a proteção da vida, a busca da paz e da felicidade, não diferindo das diretrizes fundamentais do judaísmo, catolicismo ou outra de religião qualquer. Não se deixe iludir! ISIS, não é Estado, nem é Islâmico, é uma organização criminosa que está sujeita aos rigores da lei.
*Ali Mazloum é juiz federal, Professor de Direito Constitucional e Mestre em Ciências Jurídico-Criminais pela Universidade Clássica de Lisboa.
Não é Estado, nem é islâmico, é organização criminosa

Canal Livre - O Estado Islâmico

'Há uma operação de enfeitiçamento em curso', diz sociólogo - Carta Maior

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Takfirismo, Salafismo, Wahabismo. Mas o que é isso? - Portal Vermelho

Takfirismo, Salafismo, Wahabismo. Mas o que é isso? - Portal Vermelho

O que a Guerra da Argélia revela sobre os ataques em Paris - Carta Maior

17/11/2015 - Copyleft

O que a Guerra da Argélia revela sobre os ataques em Paris

Sempre que o ocidente é atacado, nossa memória é apagada. Esquecemos das atrocidades que cometemos e que apoiamos a Arábia Saudita.


Robert Fisk
reprodução
Não foi apenas um dos agressores que sumiu depois do massacre de Paris. Três nações cuja história, ação - e inação - ajudam a explicar o abate do EI escapam dos holofotes dessa resposta quase histérica pros crimes contra a humanidade que ocorreram em Paris: Argélia, Arábia Saudita e Síria.
 
A identidade franco-argelina de um dos agressores demonstra o quanto a selvagem guerra da França na Argélia (1956-1962) segue influenciando as atrocidades de hoje. A recusa absoluta de considerar o papel da Arábia Saudita como fornecedora da seita Wahabi-sunita, a mais extremista do Islã, na qual o EI acredita, mostra como nossos líderes ainda se recusam a reconhecer ligações entre o reino e a organização que atingiu Paris. E nossa relutância total em aceitar que a única força militar oficial em constante combate com o EI é o exército sírio - que luta por um regime que a França também deseja destruir - significa que não podemos entrar em contato com os impiedosos soldados que estão em ação contra o EI, ainda mais ferozmente do que os curdos.
 
Sempre que o ocidente é atacado e nossos inocentes são mortos, nosso banco de memória é apagado. Assim, quando os repórteres nos dizem que os 129 mortos em Paris representam a pior atrocidade na França desde a Segunda Guerra Mundial, eles não mencionam o massacre em Paris de até 200 argelinos que participavam de uma marcha ilegal contra selvagem guerra colonial da França na Argélia. A maioria foi assassinada pela polícia francesa, muitos foram torturados no Palais des Sports, tendo seus corpos lançados no rio Sena. Os franceses apenas assumem 40 mortos. O oficial de polícia encarregado era Maurice Papon, que trabalhava para a polícia colaboracionista de Pétain na Segunda Guerra Mundial e deportou mais de mil judeus para a morte.
 
Omar Ismail Mostafai, um dos assassinos suicidas em Paris, tem origem argelina - e também podem ter os demais suspeitos nomeados. Cherif e Said Kouachi, os irmãos que mataram os jornalistas da Charlie Hebdo, eram também de ascendência argelina. Eles vieram da comunidade argelina de cinco milhões de pessoas na França, para muitos dos quais a guerra da Argélia nunca terminou, e que vivem hoje nas favelas de Saint-Denis e outros bairros argelinos de Paris. No entanto, a origem dos 13 assassinos de novembro - e a história da nação de onde seus pais vieram - tem sido largamente suprimida da narrativa em torno dos acontecimentos horríveis de sexta-feira. Um passaporte sírio com um selo grego é mais interessante, por razões óbvias.
 
Uma guerra colonial que ocorreu há 50 anos não é justificativa para assassinatos em massa, mas fornece um contexto sem o qual nenhuma explicação do porquê dos ataques terem ocorrido na França faz qualquer sentido. Assim, também, a seita Wahabi-sunita da Arábia Saudita, que é uma fundação do "califado islâmico" e de seus assassinos. Mohammed ibn Abdel al-Wahab era o clérigo purista e filósofo cujo desejo de expurgar os xiitas e demais infiéis do Oriente Médio levou aos massacres cruéis do século XVIII em que a original dinastia al-Saud estava profundamente envolvida.
 
O atual reino da Arábia, que regularmente decapita supostos criminosos após julgamentos injustos, está construindo um museu Riyadh dedicado aos ensinamentos de al-Wahab, e a raiva do velho prelado contra os idólatras e a imoralidade encontrou expressão na acusação do EI, dizendo que Paris é um centro de "prostituição". Muito do financiamento do EI veio de sauditas - embora, mais uma vez, este fato tenha sido apagado da terrível história do massacre de sexta-feira.
 
E depois vem a Síria, cujo regime está na mira do governo francês há muito tempo. Ainda assim, o exército de Assad, ultrapassado em homens e em poder de fogo - embora tenham retomado algum território com auxílio dos ataques aéreos russos - é a única força militar treinada enfrentando o EI. Durante muitos anos, os americanos, os britânicos e os franceses disseram que os sírios não lutavam contra o EI. O que é visivelmente uma mentira; Tropas sírias foram expulsas de Palmyra em maio, depois de tentar impedir que comboios suicídas furassem o bloqueio até a cidade - comboios que poderiam ter sido atingidos por aeronaves francesas ou americanas. Cerca de 60.000 entre as tropas sírias já foram mortos, muitos nas mãos do EI e dos islamitas Nusrah - mas o nosso desejo de destruir o regime de Assad é prioridade sobre a necessidade de esmagar o EI.
 
Os franceses agora se vangloriam de terem atingido Raqqa, a "capital" do EI na Siria, 20 vezes - um ataque de vingança, se é que alguma vez possa ter existido algum. Se este foi um ataque militar sério para liquidar o aparato do EI na Síria, por que os franceses não o fizeram duas semanas atrás? Ou há dois meses? Mais uma vez, infelizmente, o ocidente - e especialmente a França - responde ao EI passionalmente, e não pela razão, sem qualquer contexto histórico, sem reconhecer o papel sombrio que os nossos "moderados" aliados na Arábia representam nessa história de terror. E tem gente que pensa que vamos destruir o EI.
 
Tradução por Allan Brum
Créditos da foto: reprodução

O que a Guerra da Argélia revela sobre os ataques em Paris - Carta Maior

Cientista política adverte para riscos de plebiscitos e Constituinte em um ambiente conservador « Sul21

Cientista política adverte para riscos de plebiscitos e Constituinte em um ambiente conservador « Sul21

WEBGUERRILLERO: "Idiotas": El Estado Islámico responde a la amenaz...

Forçado a concordar

WEBGUERRILLERO: "Idiotas": El Estado Islámico responde a la amenaz...: Foto ilustrativa El Estado Islámico ha tachado de 'idiotas' a los activistas del grupo 'hacktivista' Anonymous, que an...

Forum ZN

Forum ZN

Parlamento russo propõe sanções da ONU contra países que apoiam terrorismo

O INQUESTIONÁVEL GÊNIO POLÍTICO DE PUTIN !


Foi um gancho certeiro para deixar o imperialismo de queixo caído. E é também um tapa na cara do mundo. Não é possível entender como a humanidade se permite ser conduzida novamente pára o abismo por meio de uma pura e simples tapeação promovida pelas elites hegemônicas do planeta, se não levar em consideração o poder devastador de sua arma de destruição de massa cefálica: a mídia. Ela tem se mostrado ainda capaz de desvirtuar a realidade de modo que esta se apresenta absolutamente invertida para o público.
Quem disse combater, na verdade está patrocinando.  

Parlamento russo propõe sanções da ONU contra países que apoiam terrorismo

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

As ligações de atores com policiais do porão da ditadura - Jornal Opção

Ligações Perigosas



As ligações de atores com policiais do porão da ditadura - Jornal Opção

Como a mídia e os países ocidentais subestimaram o poder do Estado Islâmico? | Outros Livros

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Conheça o Estado Islâmico - Globo News

De onde vem a misteriosa frota de Toyotas do Estado Islâmico? - Médio Oriente - Sábado

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De onde vem a misteriosa frota de Toyotas do Estado Islâmico?
Observando a propaganda que os apoiantes do auto-proclamado Estado Islâmico (EI) partilham nas redes sociais, com os desfiles vitoriosos a cada nova conquista do grupo, é fácil perceber que elegeram a Hilux, uma pick-up da Toyota, como mais uma forma de exibir poder. Mas de onde vêem todos esses carros?
A versão oficial é que os 43 jipes Toyota Hilux que os Estados Unidos forneceram em 2014, a título de ajuda não letal, aos rebeldes da Frente al-Nusra (também chamado al-Qaeda da Síria) que combatiam o regime do Presidente Bashar al-Assad, integrados no Exército Livre da Síria, acabaram nas mãos do EI. Ou seja, os contribuintes americanos acabaram por patrocinar o transporte aos mesmos fundamentalistas que querem ser os seus carrascos.


Uma pergunta que se impõem é: se eram só 43, como se explicam as paradas quase intermináveis desses veículos, com que se exibem não só na Síria, mas no Iraque, na Líbia e em todos os locais onde conseguiram implantar-se.
Podia dizer-se que são sempre os mesmos, mas então como se explicam as diferentes cores,  acessórios e até modelos? Há beges, dourados, brancos, encarnados, pretos e prateados, com ou sem o logótipo do grupo, uns têm suportes para metralhadoras, outros sirenes. A variedade é impressionante, as explicações nem por isso.


E como conseguem mantê-los sempre com o aspecto imaculado de um carro que acabou de sair do stand? Afinal, são usados como veículos de guerra ou só aparecer nos desfiles?


Uma coisa é certa, o Toyota Hilux tem sido o transporte escolhido pelos grupos de insurgentes em África e na Ásia - os talibãs usavam-nos, os piratas na Somália também e até os líderes da al-Qaeda o escolhiam como meio de transporte no Paquistão.
Há várias razões para que estas pick-ups estejam em toda a parte onde há um conflito. Em primeiro lugar, a sua resistência – como provou o famoso programa da BBC, Top Gear, é quase impossível destruí-las.


Depois, a versatilidade. Embora não sejam de origem, nem a marca os fabrique, é possível instalar acessórios que os transforma em máquinas de guerra, suportes para metralhadoras e lança-granadas são os mais comuns.
A força, o espaço para carga e passageiros, e a capacidade de andar em quase todos os tipos de terreno, assim como a longevidade, são outros dos motivos para a sua popularidade entre os insurgentes.


Diz-se que não há má publicidade, mas será que a Toyota vai querer continuar a ver a sua marca associada a todas as atrocidades praticadas pelo EI, ou acabará por sacrificar o Hilux, retirando-o do mercado? Afinal, o modelo original pretendia ser recreativo, servir para que as pessoas se divertissem e não para fins militares.
De onde vem a misteriosa frota de Toyotas do Estado Islâmico? - Médio Oriente - Sábado

A revolução que não faz barulho — Conversa Afiada

Nordestino, filho de um servido público federal lotado no DNOCS e de família fortemente ligada ao sertão, tive a oportunidade de conviver e conhecer intimamente os problemas históricos que afetavam a região e para os quais não se vislumbrava qualquer possibilidade de superação em médio prazo.

Apreciador da literatura regionalista de 30, pude verificar que desde lá, quando já denunciavam o caráter imutável daquela dura realidade, marcada pela carência e pela violência, quase nada mudara. A esperança era uma miragem sob o sol causticante do semi árido e o azedume na garapa da cana plantada no agreste.  

Em razão disso, concordo com o título da matéria no que se refere ás mudanças profundas e radicais que se operaram no NE durante os governos petistas. Uma verdadeira revolução na vida de seus habitantes que desde então deixaram de fugir em debandada para outras regiões e capitais nordestinas. Nem precisava de seca para isso. Gerações cumpriram esse inevitável destino. Bastava chegar o período da estiagem que segue a quadra chuvosa, para muitos correrem para as cidades maiores onde saqueavam armazéns ou plantavam-se nos semáforos com as mãos estendidas a suplicar pela caridade pública. Os que não retornavam com as chuvas, fixavam se nas favelas e nas periferias, onde levavam vida tão ou mais precária do que tinham em seus rincões de origem.

O voto era o que se dava em função do vínculo de dependência em favor da elite local ou da troca por prebendas supérfluas e de pouco valor para sua sobrevivência. Menos ainda podia significar alguma efetiva melhora de vida. Em seguida, os eleitos fatalmente viravam lhes as costas, dedicando se a promover políticas que visavam garantir a manutenção daquele estado de coisas.

A massa de miseráveis disponível a toda hora e a todo momento para a realização de qualquer tarefa e serviço era o grande capital econômico e político de que dispunha a elite nordestina e para além dela, as de outras regiões, especialmente a sudestina. Era a certeza de se contar com um exército de reserva que no plano mais geral garantia o salário rebaixado de toda a mão de obra nacional.

Era nordestino o operário da construção civil a levantar os gigantescos edifícios nas economias mais prósperas do Sul/Sudeste. Era o garçom. a doméstica e o lixeiro. Era também o escravo nas grandes propriedades do Centro Oeste e a prostituta nos cabarés e na beira das estradas disponibilizando seu corpo para o prazer alheio,  a preço aviltado.

O nordestino não vendeu seu voto ao PT. Muito pelo contrário, foi o PT que proporcionou a essa população a dignidade do voto consciente, depositado em função do fato concreto e inegável de que esse governo mudou de modo determinante a vida do povo.  

A revolução que não faz barulho — Conversa Afiada

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Confira a íntegra do documento em defesa do PT, da verdade e da democracia

EM DEFESA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

Desfazendo mentiras. Embora  um tanto tardio, mas nunca é tarde para a verdade se revelar.

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Pela Classificação Indicativa dos Programas “Policiais” | Policial Pensador

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