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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O contragolpe será muito mais forte do que o golpe! | GGN

O contragolpe será muito mais forte do que o golpe!

Fala-se muito num Golpe, fala-se da eliminação de Dilma, Lula e PT da política brasileira, pode-se até num primeiro momento de forma mais ou menos dentro de uma pseudo normalidade democrática as forças da direita atingirem este objetivo sem precisar de um difícil apoio das forças armadas. Porém poder-se-ia chamar esta “revolução” não como uma revolução colorida como as ocorridas em outros países, como a revolução das borboletas.
Por que este nome? Simplesmente porque quem está aparecendo como uma antítese ao governo atual, não tem a mínima noção como se faz um golpe!
Toda esta mobilização tem como mote a volta da situação anterior de domínio completo e único das elites brasileiras, e esquecem que no Brasil há um povo. Querem voltar ao ponto em que não havia um partido que representasse este povo, este deveria seguir os partidos conservadores, que possuíam pequenas nuances, e levavam a um povo inculto e mal informado a discussão a falsos problemas.
Havia um partido sindicalista, que manobrava uma minoria da população sindicalizada brasileira e com isto governava dentro da medida do possível tendo que compor sempre com forças conservadoras.
O fantasma do Comunismo representado, pela outrora e poderosa União Soviética e sua afilhada Cuba, era utilizada por forças conservadoras e forças religiosas como o Satã que vinha para tirar de todos que tinham algo para não dar a ninguém. De outro lado tínhamos charmosos presidentes norte-americanos que propagandeavam a sua estética hollywoodiana cheia de bons mocinhos e escondendo os principais problemas daquela nação. Apesar desta comédia bufa não emocionar os mais escolarizados e conscientes ela servia e encantava a pequena burguesia urbana, enquanto simplesmente o imenso, ignorante e despolitizado campo nem era considerado na equação.
Baseado nesta pequena burguesia urbana, os primeiros governos pós 1964, conseguiram manter a ordem e a esperança através de programas como o BNH e outras estruturas que substituíam outras bem decadentes de um governo sindicalista. Sem mexer muito na estrutura montada nos governos anteriores, como o BNDES, Petrobrás, Eletrobrás, leis sociais, e outras, conservava-se sem evoluir o projeto de desenvolvimento nacional, reprimia-se a oposição, intensava-se cada vez mais a censura e endurecia-se a repressão. Porém as reformas anteriores não foram praticamente mexidas. Não se evoluiu, mas também na maioria dos aspectos não de recuou.
Num primeiro coordenado pela grande imprensa, um simulacro de democracia foi armado, extinguiram-se os partidos, mas estes foram substituídos por uma situação e por uma oposição consentida. Quanto mais amplos setores se davam conta da farsa mais a repressão e a censura evoluiu. Poder-se-ia dizer que não houvesse um recrudescimento da repressão e da censura, o golpe de 1964 teria uma sobrevida máxima de quatro anos.
Baseado na estrutura econômica pré 64, o regime conseguiu sobreviver, contando com o “milagre econômico” criados pela intensificando do mesmo modelo econômica sem o sorriso e a desenvoltura de um JK. Com a crise do petróleo começou o lento e penoso desmonte do regime de 64.
O resumo de quase 15 anos de política dos golpistas de 64 resumido de forma quase que caricatural no texto acima, mostra que para que estes sobrevivam precisam de uma constante política de concessões e uma intensificação maciça da censura e da repressão, sem estas, rapidamente seu apoio cai e eles são derrubados. Isto ocorre mesmo com Generais presidentes e com forças armadas os apoiando sabendo que a principal característica destas forças e serem ARMADAS.
O que os neo-golpistas de 2015 poderão oferecer para manter a sua posição? Muito pouco, pois a característica política dos mesmos nos dias atuais é de uma política neoliberal que retira direitos da ampla massa de trabalhadores, políticas estas que mostram rapidamente a que vieram. A venda do patrimônio remanescente ao capital internacional, rapidamente cobrará os seus lucros.
Não estamos numa situação de polarização ente dois blocos antagônicos nem se tem uma extrema sobra de capital que havia nas décadas de 60 e 70 pronta a fazer concessões aos países credores. Ideologicamente a defesa da luta contra uma sociedade socializante pode trazer mais adeptos a esta opção do que repulsa. A lembrança de um governo de um operário que melhorou a vida de grande parcela da população pode levar a opinião que no momento que um país que estava à beira de um abismo a solução é o próprio abismo.
A intensificação da censura e o incremento da repressão precisa de adeptos armados, que esquecendo o passado recente, se sujeitem a fazer o serviço sujo de coração e mente esta dura e ingrata tarefa. A tarefa de servir como tropas pretorianas de um golpe que claramente não foi gestado no seu próprio meio.
Não se fazem golpistas como antigamente, as respostas dos novos esquecem que suas políticas darão aos anseios populares uma resposta totalmente nula, pois a fórmula econômica do passado se esgotou e qualquer fórmula da nova direita será um contraponto a estes anseios.
Podem golpear, podem prender, podem até eliminar partidos de oposição, mas como se sabe uma das memórias mais duradoras e fiéis ao passado é a memória gustativa, e quem já teve o gostinho de ascender na hierarquia social, poderá facilmente transformar esta memória em desejo e este desejo em ação.
Não se enganem se houver golpe este não durará décadas, mas poderá ser a sua subsistência contada em meses, com uma diferença, o contra golpe será mais forte e radical.
O contragolpe será muito mais forte do que o golpe! | GGN

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