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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Causa Operária - Luciana Genro: frente única com a direita na Lava Jato

Luciana Genro: frente única com a direita na Lava Jato
A ex-presidenciável do Psol defende a moralização da política por meio da Operação Lava Jato e se lança como alternativa ao PT... para as eleições municipais de 2016. E a direita? Ah, a direita...
A ex-candidata do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) à presidência da República, Luciana Genro, não acredita que a direita está fazendo campanha contra o governo do PT.

Disse, na semana passada, em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, que não acredita "que haja tantos movimentos de direita nas ruas".

A direita, por sua vez, não se preocupa com o que a esquerda pensa: está convocando para o próximo dia 16 mais uma manifestação de rua nacional, para exigir o impeachment de Dilma Rousseff. Se a isso não podemos chamar de "movimento de direita" o que mais seria?

Segundo ela, como não há "movimento de direita", não há ameaça contra o governo. Segundo a ex-candidata do Psol, é pouco provável que Dilma caia, "exceto se surgir algo muito claro que a envolva pessoalmente na corrupção, o que eu não penso que vá ocorrer". Ou seja, Dilma só cairá se for mesmo corrupta. Se for boa, honesta, deverá prevalecer...



Fazendo política com bola de cristal?

Há outro suporte para Dilma no poder além do atestado de boa conduta que só o monopólio da imprensa capitalista e as raposas do Congresso Nacional podem emitir. Segundo Luciana Genro,

"Dilma não vai cair porque a burguesia não tem interesse em derrubá-la, o que traria ainda mais instabilidade e dificuldades para implementar o ajuste econômico. O que eles querem, e já têm, é um governo fraco, rendido e disposto a aplicar as medidas que garantam superávit. Isso para seguir pagando os juros da dívida e sustentando os lucros dos bancos e grandes especuladores".
Mas que falta de imaginação, sra. Genro!

Um governo pode ir muito mais à direita do que foi o PT e, ainda assim, representar interesses conflitantes com os do imperialismo mundial (tal como representa o PT). É justamente esse último conflito o determinante. A campanha da direita visa derrubar o governo do PT para colocar um governo ainda mais à direita no seu lugar, um governo que não tenha que enfrentar as contradições que o PT tem para colocar em prática seu plano de ajustes; um governo capaz de usar a força para impor uma política muito mais agressiva de privatizações, de defesa do capital estrangeiro e de liquidação da indústria nacional em favor do imperialismo mundial.



Uma frente única com a direita na Lava Jato

Tratando do depoimento da advogada responsável por nove de 12 acordos de delação premiada, Beatriz Catta Preta, e a Operação Lava Jato, Luciana Genro declarou que "a Lava Jato não pode parar. A operação tem que seguir e desbaratar todos os esquemas que saqueiam as nossas estatais".

A afirmação, se tomada ao pé da letra, revela uma fé desmedida no funcionamento das instituições do regime político burguês e uma crença inexplicável na sua eficiência.

Mas é preciso analisar as palavras da ex-candidata do Psol à presidência no contexto: ela está elogiando a operação que está sendo conduzida pela direita e que, por meio de acusações arrancadas nas chamadas "delações premiadas" vem servindo para fechar o cerco ao governo, sendo um dos principais instrumentos da campanha política pelo impeachment, com a produção diária de manchetes e denúncias de corrupção contra o governo do PT e seus aliados.

Genro deseja o sucesso dessa operação – que não é conduzida pelo Psol, mas pelo juiz Sérgio Moro e a "República do Paraná", onde mandam os tucanos do PSDB - para o "bem das estatais"... A última coisa em que pensam os senhores que hoje buscam pretextos para condenar membros do governo é o bem das estatais!

Ela não acredita que a direita queira derrubar o governo do PT, segundo ela, é mais provável "que Cunha vai acabar caindo. Ele não é só um homem de direita, mas sim um gângster da política. Ele tem sua serventia para a burguesia, no entanto pode ser descartado quando passa dos limites. Acho que ele já passou". Eis o álibi para justificar a defesa da operação Lava Jato: ela vai acabar derrubando Cunha também...



Em que frente o Psol está?

Luciana Genro rejeita fazer parte de uma "frente de esquerda" contra a direita. Sua justificativa remete à política do "Terceiro Período" dos Partidos Comunistas dirigidos pelo stalinismo nos anos 30. O PT, hoje, assim como a Social Democracia naquele tempo, é de direita. Diz ela:

"De qual frente de esquerda você fala? Frente de esquerda com o PT para mim não existe. Como poderia fazer frente de esquerda com o partido que aplica a política da direita? Que promove o desemprego e a retirada de direitos sociais ao mesmo tempo em que mantém os privilégios dos milionários e dos bancos?"
A solução? A de sempre. A solução que todo partido pequeno-burguês quer oferecer em troca de cargos no Parlamento e, ocasionalmente, até mesmo do Poder Executivo: uma terceira via.

"O PSOL quer construir um terceiro campo, de oposição de esquerda ao governo Dilma e à direita".
Assim, equilibrando-se em cima do muro, o Psol dirigido por Luciana Genro se prepara para repetir o Syriza grego. No discurso, é oposição de esquerda, porque falar é fácil e gratuito, mas quando chega a hora de governar, como faz Clécio na prefeitura de Macapá, é igual ou pior ao PT, negando até mesmo reajuste aos salários dos professores municipais (nesse sentido, é igual ao tucano Alckmin em S. Paulo).

A "terceira via" defendida pelo Psol não é possível, por um lado, por não passar de mera demagogia eleitoral, e é, por outro, apenas uma maneira envergonhada de apoiar a direita e o golpe.



O Psol não teme a direita nas ruas porque quer levar a disputa para as urnas

Perguntada sobre se a esquerda será amedrontada pela direita nas ruas no dia 16, Genro disse não temer. "Se eles querem disputar nas ruas, vamos lá".

Mas não é nas ruas que ela quer disputar. Luciana Genro conclui sua entrevista deixando claro que a ela e seu partido não importa o desfecho da luta política atualmente em curso, da crise política nacional, da luta de classes. O que importa são as eleições e os cargos que podem conseguir: "Eu estarei à disposição do PSOL para concorrer em 2016 à prefeitura de Porto Alegre, mas, se for prefeita, não abandonarei meu mandato para concorrer à Presidência".


Causa Operária - Luciana Genro: frente única com a direita na Lava Jato

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