O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO E A
VALORIZAÇÃO SALARIAL DOS EDUCADORES
Óbvio que os profissionais da
educação, assim como todo trabalhador, querem e têm direito a um salário
digno. Essa expectativa em seu caso traz embutida o drama de
uma categoria cuja defasagem entre a formação e o vencimento é historicamente
gritante. Tentando corrigir a distorção estabeleceu se a meta 17 no PNE, que
prevê a equiparação do vencimento médio do professor com a dos profissionais de
escolaridade equivalente até o sexto ano da vigência do plano.
Pode parecer um tanto vago, mas quem
exerce a profissão há mais de uma década, sabe que até então estabelecer essa
relação era lidar com algo imponderável, objeto de conversa ociosa em que a
imaginação transcende os horizontes mais impossíveis. Bastante ilustrativo foi
o episódio ocorrido num piquete em uma escola, quando o ainda ativista de base,
professor Anízio¹, em tom de denuncia expunha sobre os salários excessivamente baixos
dos docentes para um atento grupo de
professores, estudantes e mães de alunos. Ao comparar com os motoristas de ônibus
urbanos cujo salário na época era substancialmente superior ao nosso, sem exigir
maior formação, um estudante muito gaiato saltou do meio do público indagando alto
e em tom de reprovação, se por acaso professor
estava querendo ganhar igual a um motorista de ônibus. Breve silêncio seguido
de uma explosão de risos. Realmente foi hilário, apesar de trágico. Para fechar
o quadro da comédia de horrores, colado no vidro do carro estacionado, o
eloquente e trash “Hei de Vencer, mesmo sendo professor”. Mesmo assim, passamos
a tarde rindo e conjecturando se aqueles segundos de suspense não teriam
acontecido por conta de o público hesitar entre ficar chocado com o salário
miserável dos mestres, ou com a pretensão de querer ganhar tal qual um
rodoviário... Um profissional que também merece ser dignamente remunerado.
Nos últimos 20 anos algumas políticas
implicaram em relativa melhora desse quadro. Principalmente depois da
implantação dos chamados fundos constitucionais. O Fundef e mais recentemente,
o Fundeb. No entanto, muito distante ainda do que pretende a meta 17.
O Fundef focava apenas o ensino
fundamental. O Fundeb por sua vez, teve efeitos mais abrangentes e profundos,
já que abarcava todo o ensino básico e teve como um dos principais
desdobramentos a implantação do piso salarial dos professores.
Para isso foi necessário ampliar a
base de financiamento do novo fundo, mais do que dobrando os itens
constantes na cesta de impostos e transferências já existentes no Fundef.
OS ROYALTIES
Mas o Fundeb revela-se cada vez mais
limitado em sua capacidade de atender às novas demandas da educação pública.
Acrescentado o fato de estar previsto no PNE a aplicação de 10% do PIB no setor
ao fim de dez anos, se impõe sua reestruturação, que necessariamente
passa pelo alargamento da base de financiamento. Em estudo do IPEA, foram apontadas
5 possibilidades de financiamento que podem ser acrescentadas às já existentes
na cesta de impostos e transferências. A saber: recursos tributários( um
exemplo é a regulamentação do imposto sobre as grandes fortunas) renda do pré-sal, folga fiscal, outras fontes não tributárias,
melhorias de gestão e controle social dos gastos públicos.
Dentre as cinco possibilidades
apontadas, foi a renda do Pré Sal que apresentou maior avanço em termos de
materialização.
Nesse sentido foi muito positivo o
ato da Presidenta Dilma Roussef ao sancionar a lei dos royalties dando roupagem
formal à promessa feita pelo ex Presidente Lula. Não deixa de ser simbólico do
compromisso com a Pátria Educadora, adotada depois como lema do segundo mandato...
No qual, infelizmente, face às dificuldades que enfrenta, ao contrário da
intenção antes demonstrada, realizou cortes em lugar de acréscimos.
A lei refere-se aos recursos captados
pela União, deixando em aberto a parte relativa a estados e municípios.
A CRISE
Depois de tanta propaganda sobre ela,
ela resolveu dar a cara. Não tá abafando como fez na Europa, mas encontrou
muitos amigos dispostos a patrocinar generosamente o seu espetáculo macabro.
Voltou os olhos para o Brasil no instante de uma manobra geopolítica que
rebaixou vertiginosamente o preço do petróleo. Juntando ao paradoxo eleitoral
que consistiu numa governante se reeleger e seu partido perder a eleição,
criou-se o campo de cultura favorável à instalação do vírus do golpismo. Já
circulava pelo organismo social, sempre à espreita, aguardando a oportunidade que um rebaixamento da imunidade pode proporcionar, para então expandir sua atividade deletéria e agitá-lo até o total esgotamento.
Charlatães e aprendizes de feiticeiro, aplicando o golpe da cura miraculosa em meio ao foguetório do espetáculo e de prece poderosa, vendem a xaropada amarga e tóxica cuja terapêutica consiste em potencializar a doença e introduzir outras tantas, que debilitam o doente até à inação.
Ficam a vontade para promover o saque do espólio.
Charlatães e aprendizes de feiticeiro, aplicando o golpe da cura miraculosa em meio ao foguetório do espetáculo e de prece poderosa, vendem a xaropada amarga e tóxica cuja terapêutica consiste em potencializar a doença e introduzir outras tantas, que debilitam o doente até à inação.
Ficam a vontade para promover o saque do espólio.
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Sem apoio parlamentar o governo
petista assiste ao desmanche de tudo que foi penosamente construído. Na casa de
força, no coração do projeto nacional, o agente viral concentrou seu ataque. Desde
então, a Petrobras veio trabalhando sob o fogo cerrado de CPIs e de uma hiper duvidosa mega operação. Vive a iminência de ver
interrompida a escalada vitoriosa que velhos esquemas de corrupção não
conseguiram impedir. Asfixiam a empresa, paralisam empreiteiras e obras,
causando desemprego que dilata a estatística e faz a alegria das redações.
Enfim, uma situação que ameaça
levá-la para o fundo do poço, muito antes, portanto, de se chegar ao fundo do
primeiro poço perfurado no pré-sal.
Se a esperança já se acha abalada,
desabará por completo se acaso o bloco do entreguismo, dentro e fora do
parlamento, for adiante no banimento ou encolhimento da Petrobras na exploração
do pré-sal. Sem o domínio das receitas, junto com ela encolherão sensivelmente
os valores destinados à saúde e educação.
APEOC E O PRÉ-SAL
Logo quando se deu a confirmação da
existência de petróleo na camada do pré-sal, o presidente Lula proclamou com
euforia, que parte daquela riqueza seria empregada no pagamento da dívida
educacional que o Brasil tem com seu povo.
Vislumbrando a importância do gesto,
o sindicato Apeoc engajou se imediatamente na luta por sua garantia.
Participou ativamente de todas as
etapas dessa jornada, chegando inclusive a colaborar indiretamente com a
feitura da lei, ao sugerir que os legisladores acrescentassem os educadores
como ponto de destino dos recursos. Como tem sido comum acontecer, resumiram se
aos profissionais do magistério.
Também agora, no ambiente de crise
induzida que se formou, firmou posição na resistência ao retrocesso que
ameaça se abater sobre a legislação do pré-sal, cerrando fileira ao lado de
outros movimentos sociais na Frente de Defesa do Pré Sal. É fundamental e
urgente que os trabalhadores em educação, especialmente os professores, tomem
consciência da importância que esta causa tem para a categoria e venham reforçar
esse pacto de unidade na luta com sua presença e apoio.
Se não for agora, de nada vai
adiantar depois ficar chorando o óleo derramado.
Temos muito a perder e muito mais
ainda por conquistar.
¹Professor Anízio Melo preside atualmente o Sindicato APEOC que representa os profissionais da educação básica da rede pública do estado do Ceará.
¹Professor Anízio Melo preside atualmente o Sindicato APEOC que representa os profissionais da educação básica da rede pública do estado do Ceará.
Postado por fabio libertario às 22:58


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