Michel Temer manda suspender todas as vagas do Pronatec, Prouni e do Fies
Postado por Simone de Moraes
23/05/2016 13:57
Uma das vitrines da área social da gestão petista, programas de incentivo à educação e à profissionalização – como Pronatec, ProUni e Fies – não devem abrir novas vagas neste ano. São efeitos imediatos das medidas de contingenciamento previstas para o Ministério da Educação na gestão do presidente interino Michel Temer. A revisão é parte do que no novo governo se chama de “herança maldita” da administração da presidente afastada Dilma Rousseff.
Apesar de em alguns períodos da era petista ser comandada por ministros de outros partidos, o Ministério da Educação sempre foi controlado pelo PT. Dentre os titulares que estiveram à frente da área estão os petistas Tarso Genro, Aloizio Mercadante e o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Interlocutores do novo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que ele pretende honrar até o fim as vagas que já foram contratadas, mas a perspectiva de abrir novas inscrições é apenas para o ano que vem – com otimismo, para os últimos meses de 2016. O novo governo assumiu o compromisso de dar continuidade aos programas educativos iniciados ou fortalecidos na Era PT, mas considera que tem um desafio ao que afirma ser um dos legados deixados por seus antecessores: o orçamento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) já estaria zerado para este ano, a mais de sete meses do fim.
A decisão de abrir ou não novas vagas – e, se sim, quantas – para Pronatec, Fies e ProUni depende exclusivamente de um balanço financeiro que deverá ser realizado pelo ministro. Novos gestores do MEC têm afirmado que a pasta tem “musculatura” para administrar grandes projetos, mas esse potencial estaria sendo mal aproveitado.
Um dos pilares do slogan Pátria Educadora, escolhido para o segundo mandato de Dilma, é o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), em que o governo financia o estudo de alunos de baixa renda em universidades particulares, “emprestando” dinheiro que, após a formatura, é devolvido pelos beneficiados.
Em 2015, 2 milhões de estudantes estavam matriculados em instituições privadas graças ao programa, no qual foram investidos R$ 17,8 bilhões.
Um ponto, contudo, preocupa o ministro, conforme seus interlocutores: a taxa bancária anual que o MEC paga às instituições para a administração do programa, hoje na casa do R$ 1,3 bilhão. Mendonça Filho não estaria disposto a manter esse gasto para o ano que vem – e tem dito aos colegas que pretende “renegociar” o valor, com a intenção de reverter parte dele para outros programas em 2017.
Bolsas
Outra crítica que os funcionários ouvem do ministro é uma suposta “desorganização e pulverização” dos sistemas de bolsas oferecidas a estudantes socialmente vulneráveis. Mendonça, de acordo com eles, gostaria de unificar os critérios de seleção para as bolsas e, no caso do Programa Universidade Para Todos (ProUni) – menina dos olhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, intensificar o que chama de premissa da meritocracia. Ou seja: para o ministro, a contrapartida do estudante que recebe dinheiro público para estudar deve ser “apresentar resultados”. Hoje, o ProUni exige apenas que o bolsista tenha aproveitamento mínimo de 75% das disciplinas cursadas no semestre.
Mais Médicos
Na área da saúde, o programa Mais Médicos, lançado por Dilma Rousseff, também deverá cada vez mais reduzir o número de médicos estrangeiros contratados. Assim que assumiu o posto de ministro da Saúde, o deputado federal Ricardo Barros (PP) já tinha uma ideia em mente: reduzir a participação de profissionais estrangeiros no Programa Mais Médicos. De olho numa aproximação com entidades de classe, Barros avisou que deverá dar prioridade para profissionais formados no Brasil.
As mudanças, no entanto, somente terão início a partir do próximo ano, depois das eleições municipais. Isso porque Barros não quer se indispor com prefeitos. Médicos estrangeiros – sobretudo cubanos – são campeões de aprovação dos administradores municipais.
Há vários motivos para isso: eles estão sempre presentes, o grau de abandono dos cargos é baixo e, principalmente, não fazem sombra no campo político aos administradores locais.
Identificar os golpistas é fácil. Temer, a Rede Globo, os parlamentares, o judiciário deixaram claro suas intenções e métodos. Com discurso aparentemente diferente, com justas críticas ao governo do PT, muitas das quais compartilhamos e fizemos mais por sua aplicação, houve aqueles que sem ser os golpistas, constituíram uma verdadeira sociedade dos amigos do golpe. Nela participaram várias correntes da esquerda brasileira, mas a mais destacada é o PSTU.
A FIESP, a Globo, os tucanos, boa parte da oligarquia política está fortalecida com a derrubada de Dilma. Seu fortalecimento não significa que a classe trabalhadora e a juventude estejam derrotados. Os golpistas se apressam a tomar medidas para tentar derrotá-los, pois seu fortalecimento nas instituições não significa automaticamente um fortalecimento no terreno da luta de classes.
As principais forças em movimento para se enfrentar com este fortalecimento são a juventude, suas ocupações e greves, e setores da classe trabalhadora que começam a se mobilizar para resistir ao golpe e aos ajustes. O desenvolvimento destas tendências depende de identificar inimigos, aliados, e desenvolver decididamente táticas que levem o proletariado a se colocar como um sujeito independente contra os golpistas, ajustadores e este regime do suborno.
Para uma esquerda que se deleitou encontrando heróis no Judiciário e em sua Lava Jato, como o PSTU, os primeiros movimentos do governo Temer tiraram o chão de sob seus pés. Alexandre de Moraes, novo encarregado do ministério da Justiça, autorizou nacionalmente reintegrações de posse sem mandado judicial, apoiado por juízes golpistas e em sua experiência em SP. Disse que terá mão duríssima contra os protestos, e não tolerará ocupações de prédios ou imóveis. Desde seu antigo governo, operou repressão brutal aos secundaristas das Etesps para evacuá-los das escolas.
Faz isso porque é de fundamental importância para Temer derrotar aqueles que hoje são a vanguarda na luta contra os ajustes dos governos, para que seu exemplo não contagie a entrada em cena do movimento operário e seus principais batalhões, capazes de paralisar os principais centros da economia. Enxergar o óbvio avanço da direita não significa dizer que os trabalhadores "estão derrotados", como pensam os morenistas. Justamente porque a relação de forças entre as classes não foi ainda à direita e as forças da classe trabalhadora seguem intactas, é que derrotar os secundaristas de São Paulo constitui parte do plano estratégico desse novo governo, que tem plena consciência de como a juventude pode ser a faísca que incendeia a classe trabalhadora. Como dissemos, o fortalecimento do Judiciário aplaudido pelo PSTU e pelo PSOL está a serviço de deixar mais vulnerável a esquerda e "pacificar a nação", ou seja, impor a ferro o fim das lutas em curso para poder colher os frutos do golpe.
Já antes da consumação do golpe, o PSTU fracassou fragorosamente no teste da independência de classes, patrocinando um "Fora Todos" que começava com o "Fora Dilma" de Bolsonaro, Feliciano e a direita asquerosa do Congresso e da FIESP, que adornava seu acampamento com os cartazes do PSTU. A continuidade da política do PSTU ruma a um fracasso ainda maior. O PSTU aplaude, cada dia mais efusivamente, os resultados do golpe. Não escreve ou organiza uma linha contra a repressão aos secundaristas em São Paulo, se constituem como uma verdadeira sociedade dos amigos do golpe, primeiro pela omissão em combatê-lo, depois por comemorá-lo.
Uma lente muito especial para ver a realidade que distorce não só os golpistas. mas também o PT
Poucas horas após a consumação do golpe institucional no Senado, Eduardo Almeida, um dos principais dirigentes do PSTU, escrevia em sua conta pessoal em uma rede social “O proletariado não está derrotado. Ao contrário, se sente fortalecido com a queda de um governo odiado.” Na sede de seu partido pode ser que este seja o sentimento. Na sede do MBL, do PMDB e nas redações dos grandes jornais com certeza este era o clima . No Brasil real não há derrota, mas apreensão, dúvida como agir. "E agora como derrotamos a direita"? Dúvida esta semeada em primeiro lugar pela inação completa da principal central sindical do país, a CUT. À qual o PSTU apenas agora começa a exigir um "plano de luta à CUT", depois de concluído o plano da direita e sem qualquer denúncia de como estas centrais petistas recusaram opor qualquer resistência ao golpe com os métodos da luta de classes, tendo mais medo da radicalização das bases operárias do que serem atropeladas pela direita. E nesta exigência, deixam um pé de fora caso a CUT denuncie o golpe, não deixando claro se for assim se o PSTU se recusará a frente-única.
Um dia depois desta “análise” do fortalecimento dos trabalhadores com o golpe, com sua filosofia de Polyana segundo a qual toda queda de governo é boa para os trabalhadores (o que já os levou a aplaudir a tomada do poder pelos militares no Egito), chegava a negação da realidade que houve um golpe institucional e negar seus agentes, em texto polêmico com o governismo mas também com todas correntes que se posicionaram contra o golpe, como o MRT, diziam: “A esquerda governista afirma que há um golpe institucional em curso, articulado pela maioria do Congresso, do Judiciário, da Polícia Federal e dos meios de comunicação. Por isso, se mobilizou em torno de slogans como “Não vai ter golpe!”(...)”.
Este texto foi saudado na internet pelo MBL, estes sim golpistas. Para o MBL haver correntes identificadas com a esquerda que defendem teses similares às suas é algo muito positivo, semeia confusão, ajuda a consolidar o golpe. Sem ser golpista é possível ser amigo do golpe e da sociedade de golpistas.
Qual prova oferecem a sua tese de que não houve golpe e que não critica nenhuma destas instituições reacionárias e golpistas? “Basta ver quais foram os métodos de luta do governo e do PT para tentar evitar o tal golpe: a utilização da máquina estatal para distribuição de ministérios, cargos e todo o tipo de favores. A principal política do campo governista para enfrentar um suposto golpe foi, e continua sendo, a de utilizar os métodos de corrupção do Estado burguês”.
Sua prova dos nove que não houve golpe é que o PT é conciliador.
Esta constatação inédita e profunda é incapaz de esconder que o PSTU defendeu uma política que fortaleceu a direita e confundiu os trabalhadores com a demagogia de que o "impeachment é trocar seis por meia dúzia", quando está claro que enquanto o PT abriu o caminho ao fortalecimento da direita, esta direita aplicará golpes ainda mais duros do que vinha aplicando Dilma. Não orientou a que se movesse uma força real contra a direita que o PT tanto concilia derrotando-o nos locais de trabalho e estudo, opondo a vontade de resistir ao golpe de amplos setores da juventude e dos trabalhadores a conciliação de sua direção. Não, esta não era política do PSTU, com suas lentes muito especiais, usam o que deveria ser o ponto de partida para uma política decidida às bases da CUT como ponto final. Grande ou pequena, uma política de seita, para consumo interno e não para influir na realidade, salvo se o objetivo for conseguir aplauso de MBL e consortes, e que gerou questionamento de um amplo setor da juventude e dos trabalhadores que corretamente desconfiavam do golpe apesar de não defenderem o PT.
Voltando à “prova” que não foi golpe porque o PT não resistiu (extrapolando esta mesma lógica 1964 não existiu já que nem Jango nem o PCB moveram um palha). Recorramos a algo infantil para ilustrar o absurdo desta ideia funcional a sua política observadora da realidade para capitular aos golpistas. Pensemos em um conflito físico entre duas crianças em uma escola. Enquanto uma ameaça de bater na outra, esta segunda apela a divindades, às regras da escola, a que “tia” irá aparecer a salva-la, à razão da agressora. E a agressor agride. Posteriormente a estes fatos a criança agredida chega em casa machucada e vai conversar com sua mãe, esta pergunta se ela resistiu, se tentou bater de volta, a criança nega, logo a mãe conclui que não houve agressão por mais que os machucados estejam aparentes.
PSTU: Falo ‘sou contra o impeachment’ mas na verdade o aplaudo entusiasticamente
No mesmo texto polêmico, o PSTU dizia:
“Nós, do PSTU, somos contra o impeachment, não porque o governo não tenha cometido crimes, mas porque esse instrumento é uma maneira de a classe dominante substituir o fusível queimado (no caso, o governo Dilma) que não funciona mais por outro (o de Temer), tão ou mais corrupto que o anterior e que vai continuar atacando nossos direitos.”
Sua política nunca foi contra o impeachment. Pelo contrário. Agitavam “Fora Dilma, Fora Temer, Fora Cunha, Fora Renan, Fora Aécio, Fora Todos!”. Dizíamos que esta política não existia na realidade, que o único movimento real era “Fora Dilma” e pelas mãos do congresso, do MBL, etc. Uma política que sempre limpava a barra da direita que nunca era mencionada com alguma importância em seus artigos. A nova agitação, na capa de seu novo jornal, “esquece” Aécio e comemora o resultado do afastamento (mas não eram contrários?, claro que não!).Eduardo Almeida, dirigente do PSTU, ainda escreveque "Se o governo petista caiu, não foi pela força da burguesia". É a continuidade da narrativa de Zé Maria e de diversos redatores do Opinião Socialista, que escrevem literalmente que "esse impeachment é do povo pobre e da classe trabalhadora". Entusiastas (inconscientes?) do fortalecimento da direita.
“Dilma rodou”. Se isto não é aplaudir os fatos de como “rodou”, não se sabe o que é.
Uma vez mais sobre sujeito, programa e estratégia
Todos trabalhadores e jovens com algum nível de consciência política viram com que métodos e sujeitos Dilma foi derrubada, seu programa (tal como o de Dilma) não tinham nada a ver com a defesa dos interesses da classe trabalhadora. Muito pelo contrário. Eram claros inimigos e suas medidas de ataque ainda mais duros que os de Dilma já se fazem sentir. São mais duros os ataques e não "para continuar atacando nossos direitos". Igualando o diferente para comodamente, com discurso vermelho ficar em casa (trata-se crescentemente de um desafio encontrar a militância do PSTU inclusive em atos da juventude paulista). Os ataques maiores e diferentes, já se mostraram com a repressão ilegal em SP agora tornada norma nacional pelo ministro da justiça, tucano, do golpista Temer. A constituição que dizem defender era interpretada e rasgada para fins do golpe. Alertamos sistematicamente que isto cedo ou tarde se voltaria contra a classe trabalhadora. Não demorou com a inovação sobre as “reintegrações de posse” sem consulta à justiça. Prometem ataques maiores.
Uma boa parte da esquerda brasileira não quis ver isto. Aplaudia a Lava Jato. Dizia, como fazia o MES de Luciana Genro que a Lava Jato era uma “revolução política” que o único golpe em curso era a tentativa de freá-la (posição compartilhada com o arqui-direitista Merval Pereira d’O Globo). Da maioria do PSOL a esta corrente, chegando ao PSTU, todos se uniam para exigir “queremos Lava Jato até o final”. Como se fosse possível separar seus objetivos (pró-imperialistas, ignorados por esta esquerda), seus métodos (autoritários) de objetivos ‘nobres”, supostamente de combate à corrupção. É uma posição de princípio opor-se a todo e qualquer fortalecimento de instituições repressivas do Estado pois sempre se voltarão contra os trabalhadores. Mas a esta esquerda não importam princípios, a ela trata-se de buscar estar junto de alguma corrente anti-governista não importa se junto da FIESP e ajudando (ou no mínimo não combatendo os métodos que agora se voltam contra os secundaristas).
Outras correntes foram mais longe do que aplaudir a Lava Jato. Não aplaudiram só um dos instrumentos chave do golpe institucional e de fortalecimento da justiça e forças repressivas brasileiras, como diretamente se postaram de “neutras” sobre o impeachment evoluindo a aplaudir seus resultados. Este foi o caso do PSTU como já mostramos.
Seu programa segue sendo o de "eleições gerais". Um expediente que toda grande mídia imperialista concorda. A Folha também. Marina então, a líder das pesquisas, nem falar. Porque a burguesia gosta desta tese esgrimida pelo PSTU, MES/PSOL e outros? Porque pode servir para substituir Temer se este enfrentar maiores dificuldades por um outro governo ajustador, agora com a credibilidade das urnas.
Um programa funcional a consolidar uma correlação de forças mais favorável aos golpistas e seus ajustes. O PSTU aprofunda-se dia a dia em um "marxismo" sem sujeito já que as ações progressistas para eles podem ser tomadas pelo STF, pelo Parlamento, com um programa funcional aos ajustes, que não questiona um átomo deste regime político brasileiro do suborno. A estratégia de um marxismo, sem sujeito e com um programa como este? Não me alcança decodificar. Me faltam as lentes especiais que seus articulistas usam.
No mundo real há um sujeito tomando as ruas e suas escolas e faculdades. No Opinião Socialista, jornal desta corrente, este sujeito mal existe.
Ele é a juventude e um setor dos trabalhadores da educação. Desde aí, com sua força, pode-se enfrentar os golpistas e seus ajuste. Estas lutas podem ser coordenadas e construir uma greve geral da educação como força viva para arrancar as burocracias sindicais de seu imobilismo e erguer a classe trabalhadora brasileira. Não para que "volte Dilma" como quer o PT, ou que entre Aécio ou Marina como quer o PSTU, o MES e outros desta sociedade dos amigos do golpe, mas para desenvolver a contestação a todo este podre regime, lutando por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Este programa "democrático radical" de uma nova Constituinte que questione todo o regime político burguês - e não tente relegitimá-lo, como farão as eleições do PSTU - é a maneira de ,em base à mobilização e enfrentando a democracia dos ricos, lutarmos para que a classe trabalhadora e a juventude avance a nossa perspectiva estratégica de um governo dos trabalhadores que rompa com o capitalismo e o imperialismo.
Não querem nada. Sem causa e manipulados em obediência a interesses politiqueiros e golpistas. Em São Paulo, os estudantes foram movidos por motivos concretos e evidentes. Não foram as bandeiras vagas e genéricas que alegam no Ceará.
A oposição mostra a todo instante sua face golpista. A pantomima ensaiada que promoveram na sexta feira 13 durante a reunião do comando
demonstra a que ponto são capazes de chegar para alcançar seus objetivos. O comando de mobilização foi constituído visando dar
efetividade às decisões da assembleia. Ficou acertado que, no caso de propostas surgidas dentro do próprio comando, somente se encaminhariam as que fossem aceitas em consenso. As divergências, por sua vez, remetidas para deliberação da assembleia.
Feito isso, a oposição insistiu em pautar uma nova
manifestação no cambeba em paralelo à reunião. A direção
do sindicato discordou prontamente. E tinha fortes motivos para isso. Não havia tempo hábil para uma convocação eficaz. Como era maior a probabilidade de ser reduzido o efetivo de grevistas, fazendo o contraste, se teria a impressão de que a greve estivesse enfraquecendo. Além do mais, o dia 11 foi decisão de assembleia, o que em grande parte explicava seu sucesso. Que a mobilização ajuda. reforça, e até possibilita a negociação, não há dúvida quanto a isso...Não quer dizer, no entanto, que necessariamente deva ocorrer no mesmo horário e local.
Mal o sindicalista termina a fala, já foi surpreendido pela reação intempestiva de um dirigente da oposição que sob a alegação absurda de se tratar de "opinião pessoal" (sic), conclamou seu grupo a deixar o recinto e fazer outra reunião fora do auditório da CUT. Parece que estavam só aguardando o sinal... Gravaram um vídeo que circulou pelas redes. Até bem feito, em se tratando de um improviso. E se tiver sido, conforme querem dar a entender, então tem de se reconhecer que a Globo está perdendo talentos para a escola pública. Se não a Globo, ao menos o circo está! Fazendo uso do pastelão armado passaram o final de semana enxovalhando o sindicato e convocando para o protesto na Seduc, mesmo não tendo sido autorizado pelo comando. Fizeram uso inclusive de recurso criminoso, postando um banner com o logotipo do sindicato como se ele estivesse convocando. Àquela altura o governo, inteiramente a par do que acontecia, tratou de mudar o local do encontro para o Abolição.. Na segunda pela manhã realizou se a reunião preparatória com os integrantes da comissão proposta pelo sindicato na sede CUT. Fazia se necessário um breve estudo preliminar da pauta e acertar o passo na mesa de negociação, principalmente pelo fato de terem sido acrescentados mais quatro companheiros indicados pela base no comando. Uma sugestão da Apeoc acatada pelo governo. Aproveitando o caráter aberto da reunião, também proposto pela Apeoc, um bloco da oposição se fez presente. Embora contasse com representantes na comissão, mesmo assim, tentou aplicar um golpe. Com descaramento somente possível no ambiente golpista que vive o país, quiseram impor a substituição dos colegas escolhidos pela base, mas não diretamente ligados à oposição, por seus militantes. Ao agir dessa maneira demonstram o quanto é demagógica e vazia a palavra democracia que usam mais como propaganda enganosa do que como coisa que saibam praticar. Obviamente que o sindicato descartou qualquer concessão a mais esse golpe. No intervalo muito curto de tempo atentaram ao menos 2 vezes contra o comando de greve. Da mesma maneira com que golpistas em Brasilia rasgam a constituição, a oposição rompe as regras estabelecidas em comum acordo com a base. . Não a toa resistem a fazer qualquer debate sobre as imensas perdas e grandes derrotas que ameaçam os trabalhadores em educação no plano nacional. Um subterfúgio que oculta o apoio tácito, ou nem tanto, que dedicam ao golpe aplicado na democracia brasileira. Indo mais amiúde na descrição do lamentável episódio, provocavam os membros do sindicato e filmavam sua reação para viralizarem nas redes, divulgando uma
versão em que se pintam como vítimas dos "gangsteres" do sindicato.
Ultrapassando os limites da desfaçatez e do mau caratismo tentaram promover outra farsa, e dessa vez, usando de crueldade inominável. Ainda na tarde de segunda feira faziam circular mensagens nas redes sociais em que imputavam ao governador a responsabilidade por triste fatalidade que vitimara um colega professor pela manhã. O fato não tinha a menor relação com a greve. Faltando com a verdade desrespeitaram a dor dos familiares,
amigos e amigas, colegas, alunos e alunas do companheiro repentinamente falecido. Sórdido!
Assim são as pessoas que integram a oposição e com as quais o sindicato está obrigado a lidar. Falam de democracia e unidade, mas desde que se aceite incondicionalmente suas teses e se atenda a todos os seus caprichos. Não se permitem o diálogo e não se educaram para a convivência democrática. Serão capazes de educar cultivando esses valores?
OBA! Finalmente um governo que vai proporcionar o reajuste do piso extensivo a toda a carreira dos professores, a descompressão da carreira, vale refeição para os temporários, ampliação definitiva de carga horária e, finalmente receberá a categoria para negociação sem precisar que se faça greve para isso. E que também, caso haja uma greve, não vai reprimir com força policial nem promover massacres em praça pública como esse governo do Ceará faz.
VIVA MICHEL TEMER, O LIBERTADOR DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA;
PF de Minas persegue professora italiana por 'militância política' - Portal Vermelho: O Ministério Público Federal (MPF) em Belo Horizonte, Minas Gerais, obteve nesta terça-feira (17) um habeas corpus favorável à professora italiana Maria Rosaria Barbato, professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), garantindo a imediata suspensão de inquérito policial instaurado contra ela, assim como sua dispensa de comparecer a interrogatório designado para o próximo dia 20 de julho.
Lula e o PT pagam o preço por tirarem o partido do foco da luta de classes e iludir se com o pacto social a ponto de permitir o ingresso de quadros da elite. A onda de repressão se abate sobre Dirceu, Lula, Gilberto Carvalho, e muitos outros dirigentes, mas não se vê nenhuma reação organizada do PT. Se havia algo que metia medo na burguesia, esse era o PT. Sua capilaridade e inserção nos movimento social organizado, causava assombro por sua capacidade de mobilizar milhões em favor de um projeto de classe que fizesse estremecer as estruturas de dominação. Mas esvaziaram no de quadros e de pensamento crítico. Aderiu ao cretinismo parlamentar e renunciou à militância na sua base social. Dominado por burocratas e carreiristas, só contabilizam votos e alianças espúrias, despreocupando se até mesmo da sobrevivência do partido.
Esse PT não representa a classe trabalhadora e não faz justiça à sua história.
O golpe começou com a aplicação do domínio do fato para condenar Dirceu. Até hoje, mesmo sofrendo nova investida contra sua pessoa, o PT nunca emitiu sequer uma nota de apoio ao seu grande dirigente. Para se resistir com êxito ao golpe é necessário saber com quem se pode contar. Essa direção do PT não representa sua história e suas lutas. O partido está tomado por traidores.
Para o golpe funcionar, três líderes do PT precisam ser destruídos; o primeiro é Dirceu
Essa é uma das conclusões essenciais da campanha movida pela plutocracia em nome da “moralidade” da qual resultou o golpe.
Dirceu, condenado hoje por Moro a 23 anos de prisão, foi uma das vítimas dessa perversão de justiça.
Três líderes petistas tinham que ser destruídos para o golpe plutocrático funcionar. Lula, Dilma e ele, Dirceu.
O primeiro da fila foi Dirceu. A imprensa, sobretudo a Veja, abandonou qualquer fundamento jornalístico para assassinar sua reputação e colocá-lo na prisão.
Transformaram-no no que ele definitivamente não é: um monstro. Esquarteje-se esse monstro.
Na perseguição, a Justiça foi cúmplice da mídia. Primeiro foi Joaquim Barbosa, durante o Mensalão. Barbosa sabia que quanto mais espezinhasse Dirceu mais seria louvado pela imprensa.
Depois, Moro com a Lava Jato completaria o serviço sujo. A condenação absurda de Dirceu a 23 anos é o fecho da obra de Moro contra um dos grandes arquitetos do PT.
Uma sessão de interrogatório de Moro contra Dirceu é exemplar. Moro revelou, ou fingiu, uma ignorância desumana em relação a atividades que renderam dinheiro a Dirceu.
Com seus relacionamentos com líderes internacionais, Dirceu era o consultor ideal para empresas interessadas em fechar negócios em outros países.
É uma atividade comuníssima no mundo globalizado e capitalista. A Ambev, para ficar num caso, tinha uma pendência na Venezuela. Quem melhor que Dirceu, amigo de Chávez e de Maduro, para auxiliar a Ambev nessa tarefa?
É um serviço sempre remunerado. Dependendo dos valores em questão, muito bem remunerado.
Foi constrangedor ouvir as questões de Moro, com sua voz fina tão contrastante com a fantasia de super-heroi que a imprensa tentou lhe por.
A única manifestação de decência, naquele interrogatório, veio do interrogado. Pacientemente, Dirceu explicou ponto por ponto das questões que Moro lhe fez. Num gesto de altivez e lealdade, quando lhe foi indagado se tinha algo a dizer a mais no final, afirmou que “o presidente Lula” jamais participara de nada que pudesse incriminá-lo.
O real crime de Dirceu, neste país que deixa um psicopata ladrão como Eduardo Cunha roubar durante décadas, é ser um inimigo da plutocracia.
O resto é encenação.
A sentença de 23 anos lavrada por Moro é o ápice dessa antijustiça. É uma coisa tão patética e abstrusa quanto os exercícios de “dosimetria” que fixaram as penas do Mensalão.
Na Noruega, uma sociedade imensamente mais avançada que o Brasil construído pelos plutocratas predadores, 21 anos de cadeia foi a sentença de Anders Breivik, o fanático de direita que matou dezenas de jovens de um partido para ele complacente contra a “estratégia” de dominação muçulmana. Dois anos menos que Dirceu, portanto.
Ou a Noruega está errada ou Moro e a Justiça brasileira estão errados. Faça sua escolha. (Breivik, caso se mostre perigoso ao fim da sentença, poderá ficar preso mais tempo.)
Mais que tudo, a decisão de Moro sobre Dirceu é uma evidência mais do que justiça parcial é ainda pior do que justiça nenhuma.
Na justiça parcial, você autoriza determinado grupo – a plutocracia – a esmagar o resto da sociedade. Na justiça igualmente falha, você estabelece ao menos uma meritocracia darwiniana: vence quem melhor se adapta às circunstâncias, não importa o dinheiro em jogo.
Moro vai passar para a história como um servo da plutocracia. Dirceu, como uma vítima dela.