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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Crise: pré-sal, Irã e juros azedaram relação com EUA, diz professor da UFABC - CUT - Central Única dos Trabalhadores

Crise: pré-sal, Irã e juros azedaram relação com EUA, diz professor da UFABC

Giorgio Romano Schutte, professor de Relações Internacionais da Federal do ABC, fala sobre crise brasileira e interesses estrangeiros

Escrito por: Isaías Dalle • Publicado em: 25/08/2015 - 16:48 • Última modificação: 26/08/2015 - 12:54
Roberto ParizottiRomano: Brasil era queridinho até 2009, antes da legislação do pré-sal
Iniciativas brasileiras desagradaram a comunidade financeira internacional. E setores políticos internos, observando os ventos que vinham de fora, acharam que era hora de tentar derrubar Dilma. A opinião é do holandês Giorgio Romano Schutte. Ele veio ao Brasil no início da década de 1990, para fazer intercâmbio com o movimento sindical brasileiro. Aqui constituiu família e continuou estudando, tornando-se doutor em Sociologia e especialista em Economia Política Internacional.
Leitor assíduo da imprensa internacional e de relatórios e análises financeiras, não titubeia ao apontar alguns momentos em que os governos Lula e Dilma contrariaram interesses e produziram azedume na comunidade financeira internacional: a aprovação do marco regulatório do pré-sal, a tentativa brasileira de mediar um acordo nuclear com o Irã e a tentativa de Dilma, em 2012, de baixar a taxa básica de juros.
Enquanto para ele Lula é pé quente, a atual presidente é pé frio. Mas, segundo ele, talvez um dos maiores problemas de Dilma tenha sido a falta de articulação e de diálogo com a sociedade.
Leia trechos da entrevista:

Professor, antigamente, até os anos 1970, 80, era muito comum associarmos crises internas a interesses estrangeiros. Existem interesses estrangeiros por detrás da crise econômica e política que vivemos hoje?
É um assunto que as pessoas têm evitado porque têm receio de cair na ideia de que há um complô internacional. Não é disso que se trata, isso tem que ficar bem claro.
O que se passa na minha cabeça toda a vez que eu penso no que vem acontecendo depois de 2009? Até então, no meio da crise internacional, o Brasil era o queridinho de todo o mundo. Pela primeira vez, o Brasil era visto como solução, e não mais como parte do problema. Entrou para o G-20, estava à frente dos BRICS. E o que acontece em 2010? O Lula, pela primeira vez em oito anos, toma uma medida que vai diretamente contra os interesses internacionais, que foi a mudança do marco regulatório de exploração do petróleo, do pré-sal. O Lula vinha fazendo o governo que havia prometido, atendendo as camadas populares sem contrariar interesses das elites. Já na questão do pré-sal, isso é uma coisa muito grande – embora alguns digam o contrário e tentem fazer uma mistificação. Quando a gente ficou sabendo dos grampos (grampos telefônicos da agência de segurança dos EUA), eram grampos sobre a Dilma e a Petrobrás. Depois se você observar todas as visitas seguintes, da Hillary Clinton, do ministro da Energia americano, houve época que de três em três meses havia uma delegação americana de alto nível no Brasil, e ia direito para o Rio, nem passava por Brasília, tinham mais interesse em falar com a Graça Foster (ex-presidente da Petrobrás) do que com a própria Dilma. Então, quando o Brasil faz uma legislação que praticamente garante o controle total – é o que eu chamaria de uma reestatização moderada –vai contra interesses muito organizados e poderosos.
E isso passou até com certa facilidade no Congresso. Por quê?
É verdade. Porque o Lula estava com 85% de aprovação, porque era o momento em que ele estava com o queijo e a faca na mão. O Lula também tinha legitimidade internacional. Foi uma estratégia muito ousada, especialmente considerando que não houve essa ousadia antes. Então, esse é um ponto. Outra coisa: em que momento o Brasil deixou de ser o país queridinho? Eu tenho clareza que foi no momento em que o Lula inventou de mexer com o Irã. Porque se encontrar com o Ahmadinejad (Mahmoud, presidente iraniano), você não sabe o que isso significa na cabeça dos conservadores dos Estados Unidos, mas nem só de lá. Irã? Bomba? Quem se sente ameaçado imediatamente é Israel. E eles têm um lobby muito forte. Há interesses muito fortes que se sentiram contrariados com essa atitude do Lula.Faltou articulação para Dilma. Foto de Roberto ParizottiFaltou articulação para Dilma. Foto de Roberto Parizotti
Mas a intenção do Lula e do embaixador Celso Amorim era justamente evitar que a energia nuclear fosse utilizada para a fabricação da bomba.
Mas na visão de Israel, e mesmo agora, depois do acordo costurado pelo Obama, isso é totalmente inaceitável e eles são contra. Eles dizem que é o mesmo erro que Inglaterra e França cometeram em 1938 com o Hitler. Então isso teve um impacto muito grande. Houve claramente um lobby anti-Brasil. Foi muito mal visto pela diplomacia americana e pelo Congresso.
Olhando em perspectiva agora, você acha que aquela atitude do Brasil foi precipitada, errada, ou não?
Eu tenho dúvidas se o Lula e o Celso Amorim sabiam da reação que aquilo provocaria nos Estados Unidos. Havia certa ilusão, porque existia a carta do Obama pedindo a ajuda do Brasil, a interferência. Mas na cabeça dos Estados Unidos o que era para acontecer era o Lula tentar e não dar certo, pois isso seria mais um argumento para convencer os chineses e os russos para impor as sanções. Agora, o Lula ir lá e conseguir, isso não estava no script.
Achavam que o Lula iria fracassar na tarefa.
E ele devia saber que era essa a ideia. O Brasil, então, antes da crise atual, já deixara de ser só o queridinho. Até então, você pegava a imprensa americana, “The Economist”, “New York Times”, “Financial Times”, só coisa positiva sobre o Brasil. E começa a ter uma abordagem um pouco mais crítica. Tem um monte de coisas pequenas que você vai juntando para entender o clima. Isso azedou a relação. Em 2012, houve o golpe no Paraguai. E a reação da Dilma, muito forte, muito surpreendente, os Estados Unidos imaginaram que o Brasil ia dizer “tudo bem”. Então, com o Paraguai fora do Mercosul, na mesma reunião, foi convidada a Venezuela para integrar o bloco. Isso foi a Dilma que fez (a presidência temporal do Mercosul, naquele momento, pertencia ao Brasil). Isso causou também muito mal estar. E aí veio a denúncia da espionagem. A Dilma disse que não ia mais. Isso vai causando atrito, na área de relações internacionais. Voltando à área econômica. O que acontece em 2010? O Brasil, como eu disse, havia reagido muito bem à crise, e era bem visto por todos.
O Brasil passa a ser visto como exemplo.
Isso. Mas o que acontece depois? Os Estados Unidos, para tentar resolver os problemas deles, inundam o mercado de dólares. Esse dinheiro, o famoso relaxamento monetário (...) significa muito dinheiro disponível. Muito dinheiro veio para cá, o que o Guido Mantega classificou como tsunami financeiro. Mas era dinheiro que vinha atrás de oportunidade de especulação, no curto prazo. Isso valorizou o câmbio. A indústria até então conseguiu resistir à concorrência externa e estava importando bens de capital para se qualificar tecnologicamente. Mas a partir de 2010 o Brasil vai registrar déficits enormes na balança de manufatura, chegando a US$ 100 bilhões". Então a Dilma percebe que não dá mais para conviver com aquela taxa de juros que existia, atraindo dólares e valorizando o câmbio. Então, quando ela começa em 2012 a atacar de maneira muito corajosa a taxa de juros, isso se torna uma coisa que contraria a comunidade financeira internacional. Não é que os banqueiros se juntaram num quarto e decidiram: vamos derrubar a Dilma. Mas o que eu acho é que ela não percebeu que estava comprando briga com gente muito poderosa sem explicar. Ela não explicou o que estava fazendo, como um Dom Quixote sozinha lutando. E o Guido Mantega como um Sancho Pança. Mas ela comprou essa briga. Então a partir de 2012 ela passou a ser vista como uma mulher que quebra contratos. Não dá para confiar nessa mulher.
Alguma liderança da comunidade financeira chegou a se pronunciar claramente contra essa política?
Todos os relatórios financeiros começam a questionar a capacidade do governo. Enfim, a credibilidade do governo. Acompanhando as análises internacionais sobre o Brasil, nota-se que começa um clima muito negativo. Tanto é que ela não consegue resistir, ela teve de voltar atrás. Porque ela começou baixando a taxa Selic, depois atacou o spread dos bancos, e depois tem a questão da eletricidade, da redução das tarifas. Há coisas curiosas. Essa foi a única batalha em que ela teve apoio da Fiesp.
Embora a Fiesp defendesse uma nova rodada de licitações no setor.
Sim, mas na questão da redução das tarifas, apoiou. Isso lá fora era visto como quebra de contrato. Não era, mas foi visto como se fosse. É reflexo de interesses muito objetivos, e não subjetivos, como, por exemplo, querer destruir o PT. Nada disso, se o PT não atrapalhar minha rentabilidade, posso conviver com o PT.
A Dilma poderia ter deixado isso mais claro para a população, não?
É o que eu digo. Tanto na questão do Ahmadinejah, que ainda é da época do Lula, esse mal estar que ficou com os Estados Unidos. No caso do Ahmadinejah, eu não estou dizendo que o Lula e o Celso Amorim não deveriam ter feito, mas eu acho que eles subestimaram o que estavam fazendo: comprando uma briga grande. O que eu acho que talvez eles pudessem ter feito? Conversado mais com os amigos. Tinha interlocução com a França, a Rússia, a China. Mas na hora esses países deixaram o Brasil falando sozinho.
Da mesma forma que no caso da Dilma, em 2012, subestimou o que estava fazendo. Porque o setor financeiro não é apenas os bancos, é onde a elite coloca seu dinheiro. Além disso, há um problema estrutural no Brasil. O setor produtivo também tem dinheiro no setor financeiro. Eles pensam em investir o dinheirinho do BNDES, que tem juros baixos, mas o dinheiro deles mesmos eles aplicam no setor financeiro.
Ao mesmo tempo, como você falou, a Dilma, para comprar essa briga necessária, deveria ter articulado, montado uma base de apoio.
Isso começa a criar um clima que desperta forças políticas internas que percebem que o vento está a favor da derrubada da Dilma.
Então você tem um país onde há mais engenheiros no TCU (Tribunal de Contas da União) do que no Ministério do Transporte. Ou seja, o Estado que funciona é o Estado que controla. E tem um fetichismo: na dúvida, para a obra. Um juiz ou promotor que para uma obra é visto como herói
Giorgio Romano
Começam a tentar atrapalhar.
É. E uma coisa que o Lula fez, porque ele é muito pé quente, e a Dilma é muito pré-fria, é que o Lula aproveitou o momento em que ele podia ser bonzinho. Quando ele diz em 2002 que ele ia respeitar contratos, é isso o que essa gente quer ouvir. Agora, o que é importante notar, e isso a imprensa anunciou na semana passada, a taxa de investimentos diretos, que é o dinheiro conhecido como de longo prazo, ainda é muito grande. (A taxa) ao longo do governo Dilma ficou acima dos US$ 60 blhões ao ano, inclusive neste. Quando eu cheguei ao Brasil, em 1990, era de US$ 1 bilhão. Isso tem de explicar: se um país está em tantas dificuldades, como continua atraindo essas taxas de investimento direito?  O Lula pegou um momento muito específico da história, em que pôde dar liberdade ao capital e ainda fazer política social. Já a Dilma é muito pré-fria, pegou a seca, depois vem a Lava Jato, que serve para quem quer derrubar o marco regulatório do pré-sal. A ideia é manter o governo como está e pressioná-lo para mudar a legislação do petróleo.
Isso tudo somado despertou as forças internas que querem derrubar o governo.
Não creio mais que haja muitos setores internos interessados em derrubar o governo. Para quê? Está ótimo assim. É um governo facilmente cooptável para fazer políticas impopulares. O que eles querem é evitar a volta do Lula e desestabilizar a Dilma, impedir que ela possa fazer qualquer guinada à esquerda. Mas nesta movimentação surgiram várias contradições, vários monstros, como o surgimento desse Eduardo Cunha, que é quase como um Collor para a burguesia. Outro monstro que eles criaram é o da intolerância. Isso tudo é extremamente inconveniente para quem tem interesses financeiros.
Você diria que a elite percebeu esse inconveniente e daí o recuo demonstrado pela imprensa mais recentemente?
Com certeza. É só observar editoriais do “Financial Times” e o “New York Times” mais recentes. É de interesse manter o governo. Até porque as políticas que eles querem estão sendo implementadas. Uma coisa é certa: com essa política, eles vão destruir o PT.
Quando você pensa em América Latina, você vê a crise brasileira criando obstáculos para os governos vizinhos?
Veja como são as coisas. Na Argentina, a Cristina Kirchner deu a volta por cima. O candidato dela está na frente das pesquisas.
Será porque ela foi contra o que dizia o mercado?
Não, é porque ela enfrentou a imprensa. Agora é o contrário: a eleição na Argentina vai ser boa para o Brasil. Já na Venezuela a situação é um pouco diferente. O Nicolás Maduro tem muitas dificuldades para governar. Ele não estava preparado. Mas lá também a direita não consegue se apresentar como projeto alternativo.Para professor, Lula ter tido sucesso no acordo com Irã não estava no script. Foto de Roberto ParizottiPara professor, Lula ter tido sucesso no acordo com Irã não estava no script. Foto de Roberto Parizotti
Uma coisa curiosa na crise brasileira é que ela é operada também a partir da máquina do Estado. São agentes públicos cooperando para a crise.
Sim, mas isso não tem nada a ver com a questão internacional. O Estado brasileiro é muito conservador e é estruturado para não fazer políticas em prol da população. Ele faz tudo para a coisa não funcionar.  Se você for a algum evento e perguntar para um professor da Unicamp, por exemplo, o que tem de ser feito, ele vai dizer que é preciso grandes investimentos em infraestrutura. Mas espera aí. Isso não foi tentado com o PAC? Por que está tudo atrasado? A população pensa que isso tem a ver com corrupção. Nada disso. A corrupção se aproveita disso. Há problemas estruturais muito fortes. A refinaria lá em Abreu e Lima (PE), há problemas seríssimos de planejamento, de engenharia. Qual foi a última vez que o Brasil havia construído uma refinaria? Nos anos 1970. Um país que fica mais de 30 anos sem investir nisso, perde sua capacidade. E aí há também o casamento perverso de uma coisa positiva, que é a democracia, a transparência, com o neoliberalismo, onde o Estado não investe. Isso cria a ideia de que tudo que vem do governo é suspeito. Então você tem um país onde há mais engenheiros no TCU (Tribunal de Contas da União) do que no Ministério do Transporte. Ou seja, o Estado que funciona é o Estado que controla. E tem um fetichismo: na dúvida, para a obra. Um juiz ou promotor que para uma obra é visto como herói.

Crise: pré-sal, Irã e juros azedaram relação com EUA, diz professor da UFABC - CUT - Central Única dos Trabalhadores

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Para economista, Petrobras está sob ataque internacional apoiado em forças locais — Rede Brasil Atual

Observações muito precisas de Dowbor.



ESPECULAÇÃO

Para economista, Petrobras está sob ataque internacional apoiado em forças locais

Perda de grau de investimento ou a exclusão do índice Dow Jones de sustentabilidade são fatos que têm de ser vistos num plano geopolítico, diz Ladislau Dowbor: 'É um sistema especulativo planetário'
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 21/03/2015 16:13, última modificação 23/03/2015 10:10
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DIVULGAÇÃO/PETROBRAS
Plataforma
Produção de petróleo e gás natural, em fevereiro de 2015, chegou a 2 milhões e 801 mil barris
São Paulo - A queda do preço das ações da Petrobras e fatos que se originam em entidades do chamado mercado, como a perda de grau de investimento, em 24 de fevereiro, ou a exclusão do índice Dow Jones de sustentabilidade, como na segunda-feira (16), fazem parte de uma estratégia deliberada de ataque à estatal brasileira, com motivações político-econômicas internacionais. A avaliação  é do professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), consultor da ONU e economista Ladislau Dowbor,
“Essas coisas têm que ser vistas num plano geopolítico. Fazem parte da mesma guerra que levou à invasão do Oriente Médio, às tentativas de desestabilização do governo da Venezuela, outra grande fonte de petróleo. No nosso caso, é o pré-sal que desperta interesse internacional”, diz Dowbor. “A Petrobras está num processo de pressão internacional que se apoia em forças locais.”
O preço das ações preferenciais da Petrobras caiu 52%, considerando o preço em real convertido em dólar, na comparação entre o que valia em 19 de março de 2014 e um ano depois, 19 de março de 2015. "Não tem nada de incorreto nessa conta. O que é incorreto é achar que isso significa o que realmente a Petrobras está perdendo em valor”, afirma Dowbor.
O professor vê ingenuidade na crença largamente alimentada pela imprensa tradicional de que é apenas o mercado ou seus mecanismos que promovem fatos como a queda do preço do petróleo, que em junho de 2014 custava US$ 115 o barril e hoje está em US$ 54. Em artigo que publicou em seu blog, Dowbor afirma: “A visão que temos, em grande parte devida aos comentários desinformados ou interessados da imprensa econômica, é que as flutuações de preços da commodities resultam das variações da oferta e da demanda”.
“Não são mecanismos de mercado que fazem cair o preço para a metade. Isso tem que ser visto pela área política, e não pela econômica. É um sistema especulativo planetário. É a mesma coisa que aconteceu com a degradação do grau de investimento (da Petrobras, em fevereiro). Faz parte de um ataque”, completou à Rede Brasil Atual.
A conta do economista se baseia no fato real de que as reservas do pré-sal não se desvalorizaram e o estoque de petróleo continua sendo o mesmo. “Se, com todo o ataque, conseguirem mudar a situação política do país, com a troca de presidente ou o que seja, e conseguirem privatizar a Petrobras, as ações vão explodir e quem tiver comprado na baixa vai ganhar. São os mesmos especuladores. O ataque é esse, é um ataque nacional e internacional. Estão fazendo isso com a Argentina, com a Venezuela, com os países que não se dobraram aos interesses do ‘mercado’.”
O secretário de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes, analisa da mesma forma os fatos gerados por entidades vinculadas ao mercado ou que refletem seus índices. “O Brasil está sob um cerco de ataques. A Petrobras, como maior agente econômico do país, está neste contexto. É uma ação internacional muito bem montada que busca abalar o Brasil.”
Moraes acredita que o governo brasileiro teria como, no mínimo, minimizar os efeitos dos ataques. Para ele, o país deveria se aproveitar do momento em que as ações da Petrobras estão baixas e comprar papeis da companhia. “Essa medida teria dois efeitos: aumentaria o controle do povo sobre a empresa, tão estratégica, e ajudaria a derrubar a tática deles de prejudicá-la.”

Recorde

Mesmo sob ataque especulativo, a produção da companhia na camada pré-sal das bacias de Santos e Campos bateu novo recorde em fevereiro. No dia 26 a produção diária própria chegou a 555 mil barris por dia (bpd).
A produção total de petróleo e gás natural, em fevereiro, foi de 2,801 milhões de barris de óleo. Do total, 2,612 milhões de barris foram produzidos no Brasil, que importou os outros 189 mil barris, segundo a estatal.
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Caros Amigos - Primavera grega foi esmagada não por tanques, mas por bancos, diz Varoufakis

O que representou para a esquerda mundial, particularmente a européia,  a malfadada experiência do Syriza? Em algum momento se fará esse balanço, depois de passado o espasmo. Mas, onde estão os "especialistas" em Syriza, que recomendavam o PT copiar o modelo grego? 

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CHINA – Parte 1 CRISE OU CRESCIMENTO? – Alejandro Acosta

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Por que a Finlândia quer pagar um salário mínimo a todos - BBC Brasil

Na Finlândia é chique. No Brasil seria bolsa vagabundo classe média. Comparando os valores, não duvide que a oposição venha demagogicamente a exercer pressão pela majoração do bolsa família ao mesmo tempo em que atua por cima e por fora do congresso, via TCU, para estrangulá-lo.

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Quase 25% das investigações contra parlamentares prescrevem | Congresso em Foco

Essa matéria é muito sugestiva de uma reflexão rasa, no sentido de que não precisa mergulhar muito fundo para qualquer leigo concluir que a corrupção nem de longe é uma invenção petista. Na verdade a inovação que o PT promoveu tem mais a ver com o combate à corrupção. Daí que o velho sistema se volta todo contra ele, imputando-lhe tudo de podre que promoveram, ainda promovem e querem voltar a promover na escala da impunidade que prosperava em tempos d'antanho. Claro que falta entre os poucos exemplos dados os casos envolvendo os tucanos do PSDB, sempre blindados.

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Xeque-Mate- Notícias: Teorias da conspiração à parte... Mas sobre a crise econômica Mundial, me vem um cheiro de vingança no ar. Parece que essa novela eu já assisti!

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Dilma Rousseff anuncia agenda de visita ao Ceará

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Por que o Facebook mantém no ar páginas que pregam morte a políticos? - BBC Brasil

O FACEBOOK  DIZ ASSIM..

Ataques a figuras públicas: que tipo de proteção figuras públicas recebem no Facebook? 
Permitimos discussões abertas e críticas sobre pessoas que são noticiadas na mídia ou que possuem um público mais amplo devido à profissão ou às atividades de sua escolha. Removemos ameaças reais feitas a figuras públicas, bem como discursos de ódio direcionados a elas, assim como fazemos com indivíduos privados.


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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Por que a direita saiu do armário? - Carta Maior

23/08/2015 - Copyleft 

Por que a direita saiu do armário?

Essas manifestações são a prova mais eloquente que os governos do PT não amaciaram a luta de classes, mas a acirraram.

por Emir Sader em 23/08/2015 às 07:46





Emir Sader
Quando se usa essa expressão, não se está querendo dizer que ela estivesse escondida até recentemente. A direita, na era neoliberal, no Brasil, é representada pelos tucanos e seus aliados e sempre esteve ocupando o campo político como alternativa aos governos do PT.
 
O que há de novo é a consolidação de um setor de extrema direita na classe média, que teria colocado recentemente as manguinhas pra fora, constituindo-se no fator novo no cenário politico nacional. E que parece que veio para ficar.
 
Sem discutir a tese da Marilena Chauí – que esse setor insiste em confirmar – de que a classe média seria fascista, é inegável que pelo menos um setor dela assume teses fascistas e o faz da maneira mais escancarada, quase como um clichê, pelos slogans que exibe, pela atitude agressiva e discriminatória, pelo racismo, pelo antiesquerdismo, pelo anticomunismo.
 
Mas por que agora, há 12 anos do começo dos governos do PT, essa ultra direita sai do armário? Onde estava ela? Por que resolveu sair agora do armário?
 
Essas manifestações são a prova mais eloquente que os governos do PT não amaciaram a luta de classes, mas a acirraram. Caso os governos do PT fossem apenas uma variante do neoliberalismo – como algumas atitudes sectárias, que não conhecem o país e não sabem das profundas transformações operadas no Brasil desde 2003 – a direita só poderia estar satisfeita, teria que estar comemorando a cooptação de um PT tão expressivo do campo popular – o mais importante de toda a trajetória da esquerda brasileira -, para o seu campo. Menos ainda teria por que se empenhar com todas suas forças para tirar o PT do governo e tentar desqualificar o Lula, para inviabilizar seu retorno à presidência.
 
Só mesmo porque sentiram que seus interesses estavam sendo afetados, que já não dispunham do governo a seu bel prazer e correm o risco de ver este período se estender muito mais, com uma eventual volta do Lula à presidência, é que a direita saiu do armário e passou a exibir sua cara de ultra direita. 
 
De que forma esses interesses foram afetados? Em primeiro lugar, na prioridade das políticas sociais e na extensão do mercado interno de consumo de massas, com a distribuição de renda que acompanhou a retomada do desenvolvimento econômico. Se interrompeu a política econômica implantada por Collor e continuada por FHC. Seu fracasso abriu os espaços para governos que romperam com eixos fundamentais do neoliberalismo, em primeiro lugar, a prioridade dos ajustes fiscais e a centralidade do mercado.
 
Em segundo lugar, pela ruptura com o projeto da Área de Livre Comércio das Américas – ALCA -, levado a cabo pelos EUA, em complacência com o governo de FHC, que deu lugar ao fortalecimento dos processos de integração regional, do Mercosul à Celac, passando pela Unasul. Um processo que inclui os estratégicos projetos dos Brics, em que o Brasil tem papel chave, e que desenha um mundo multipolar na contramão dos projetos norteamericanos.
 
Em terceiro lugar, porque a centralidade do mercado deu lugar a espaços para a recuperação da capacidade de ação do Estado, tanto como indutor do crescimento econômico, como da afirmação dos direitos sociais e como ator nos processos de soberania externa.
 
A já clássica frase de que “os aeroportos estão virando rodoviárias” segue sendo a mais significativa da reação de setores da classe média à ascensão de amplos setores populares. Afora exacerbada, desde a Copa do Mundo, em que a vaia à Dilma foi como que a abertura da porteira da falta de qualquer respeito por parte de setores da direita.
 
A campanha eleitoral do ano passado foi um aquecimento em relação ao que se vive agora. Tanto Aécio quanto a mídia, exacerbaram sua linguagem e suas formas de atacar o governo, gerando a ideia de que tudo tinha se tornada insuportável, não apenas a situação das classes privilegiadas, mas o próprio país, pela corrupção e pela suposta incompetência do governo. Pela primeira vez na história do país um candidato a presidente triunfou nas eleições contra praticamente a totalidade do grande empresariado – confirmando como estes consideram que seus interesses fundamentais são afetados profundamente pelos govenos do PT.
 
Para os que nunca aceitaram que os governos do PT tenham sido qualitativamente diferentes dos governos neoliberais, tudo isso é incompreensível. Na sua incapacidade de apreender a realidade concreta, tem que culpar o PT por tudo. Até pela direita ter saído do armário, usado por alguns para atribuir também aí a culpa ao PT.
 
Por isso a ultra esquerda não conseguiu, ao longo destes 12 anos – nem no Brasil, nem nos países com governos posneoliberais na América Latina -, construir uma alternativa e esta está sempre situada à direita dos governos do PT. Porque acredita que o os governos do PT são neoliberais, a ultra esquerda não compreende a realidade do Brasil hoje e não consegue construir raízes no seio do povo.
 
O PT é responsável pela saída da direita – e da ultra direita – do armário, porque afetou profundamente os seus interesses.


Tags: Política

Por que a direita saiu do armário? - Carta Maior

Na hora da crise - Carta Maior

Esses ataques, no entanto, apenas revelam a cada vez mais importante posição geopolítica do Brasil no novo mapa mundial que está se desenhando. Iniciativas como a Organização de Cooperação de Xangai e os Bancos de Desenvolvimento dos BRICS apontam para um mundo cada vez mais bipolar, reminiscente da Guerra Fria, e prenhe de oportunidades de alianças estratégicas e de desenvolvimento. Este mundo contará com a presença relativa cada vez menor da Europa – fustigada pela sua crise interna e pelo malogro absoluto de suas guerras civilizacionais na África e no Oriente Médio – e verá regiões como o Pacífico e a América do Sul cada vez mais disputadas pelos dois blocos principais de poder que caracterizarão as próximas décadas: um liderado pelos Estados Unidos e outro liderado pela China.
 
A América do Sul e o Brasil, em particular, terão, portanto, que decidir se perseguem uma estratégia autônoma ou se aderem às zonas de influência de uma das duas grandes potências. Mas contra toda ideologia, a história nos mostra que não é principalmente a “escolha” por uma potência particular o que promove o desenvolvimento, mas sim a capacidade de se articular uma estratégia nacional que aproveite as oportunidades e saiba exigir as contrapartidas que os sucessivos quadros geopolíticos oferecem, em menor ou maior grau.  


Na hora da crise - Carta Maior

Capital simbólico de Lula é atacado pela direita - Carta Maior

24/08/2015 - Copyleft

Capital simbólico de Lula é atacado pela direita

A pesquisadora Liziane Guazina, da UnB, analisa a 'guerra semântica' da direita para desconstruir a imagem de Lula e acabar com seu capital simbólico.


Darío Pignotti - Página/12

EBC
Fascismo politicamente correto. A garota de 17 anos vestida com uma camiseta verde e amarela contou porque marchou pela queda de Dilma Rousseff, com a mesma superficialidade que descreveria os posters da banda pop One Direction que adornam o seu quarto. “Este é o meu primeiro protesto, claro que quero o impeachment… precisamos de um país melhor”, disse Fernanda, reproduzindo o jargão das centenas de milhares de brasileiros que se mobilizaram no dia 16 de agosto, em favor da quebra institucional, mesmo que seja via intervenção militar, contra a presidenta eleita há dez meses atrás, com 54 milhões de votos. Quando lhe preguntaram se ela é de “direita ou esquerda”, não houve dúvidas: “Sou de direita”. Ao ter que explicar sua opção, vacilou alguns segundos, até pedir auxílio: “mãe, por que eu sou de direita mesmo?”.
 
Depois de ver as respostas de Fernanda, a investigadora Liziane Guazina observou, em entrevista com o Página/12, que “nestas imagens, há muitos elementos que sintetizam o ambiente político de hoje no Brasil”.
 
A direita hegemoniza as ruas
 
Responsável pelo núcleo de estudos de Meios e Política da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, Liziane Guazina constata que a esquerda brasileira perdeu sua influência sobre as ruas, a partir da onda conservadora. “O grande paradoxo do momento atual é que a direita se tornou forte no espaço público que sempre havia sido dominado pela esquerda. Na marcha do dia 16 de agosto, assim como nas de março e abril, todas defendendo a queda de Dilma, vemos uma direita querendo ser e sendo protagonista. A direita brasileira se apropriou da necessidade de participação. A crise de representatividade que existe no Brasil, devido a um sistema político superado, terminou sendo uma bandeira dos conservadores, que estão liderando o processo político, com a anuência dos grandes meios, e tudo isso faz com que os métodos autoritários terminem se legitimando”.
 
“O outro paradoxo é que essa maior participação nos pode levar a menos democracia. Um dos princípios defendidos historicamente pela esquerda era o que dizia que havia que participar mais para ampliar a democracia, para haver mais pluralidade, para conquistar mais direitos. Agora, essa maior participação conservadora faz o contrário. A direita foi às ruas para defender menos liberdade (querem governos mais duros), menos direitos (pela redução da maioridade penal, contra a legalização do aborto), mais exclusão (um discurso contra o Bolsa Família e o programa de saúde Mais Médicos). Se essas manifestações crescem, nos poderiam levar a situações limite, mas ainda é cedo para afirmar que se esse cenário é realmente possível”.
 
Logo após descrever como a frente destituinte tomou conta das grandes iniciativas políticas do país, Guazina retornou ao vídeo da jovem Fernanda, a garota de direita que marchou com a mãe e os grupos de direita, enquanto outros manifestantes faziam selfies junto com os policiais militares armados que escoltavam amavelmente os participantes.
 
“Essa garota é a um exemplo adequado do que vemos nas manifestações atuais, é a personificação da ignorância política, ela ignora suas raízes históricas, ignora o que é o sistema político do país. Mas ela não pode ser considerada inocente, porque está participando da concentração de São Paulo que foi a mais forte do país. Embora ela ignore o que significa de fato a sua opção política, essa participação tê consequências. Pensando melhor, eu a definiria como a personificação da ignorância participativa, não sei se esse caso em si pode ser considerado uma ameaça à democracia. Teria que estudá-lo melhor para fazer essa afirmação.”
 
O capital simbólico de Lula
 
“A voz rouca das ruas”, “Primeiro presidente operário” são definições citadas para evocar Luiz Inácio Lula da Silva, cujos dois governos costumam ser identificados como os da “Bolsa Família”, ou os do “aumento do valor real dos salários”, da “política externa altiva” e o do “fortalecimento da Petrobras”.
 
Após deixar o governo, no dia 31 de dezembro de 2010, com mais de 80% de respaldo, a imagem de Lula voltou a ser um dos alvos prediletos das empresas de comunicação, através de uma fórmula conhecida: produzir notícias que o vinculem com os casos de corrupção, mesmo que não haja indícios, nem menos documentos que comprovem as denúncias. Há poucas semanas, o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) passou a responder os abusos desinformativos da Rede Globo e da revista Veja com processos judiciais, mas isso não acabou com as calúnias.
 
Durante os atos do dia 16 de agosto, um boneco inflável com a imagem de Lula, vestido como presidiário, surgiu em frente ao Congresso nacional, em Brasília, onde houve cânticos ofensivos repetidos tanto na capital como em outros grandes centros brasileiros.
 
As autoridades do PT denunciaram uma campanha que busca neutralizar o ex-presidente como provável candidato presidencial em 2018, projeto cuja viabilização depende e para isso a oposição o qual será necessário dinamitar o capital simbólico do petista. Ou seja, fazer com que o “significante” Lula saia do mar de conotações positivas ao redor da sua figura e se afogue numa cadeia de conceitos negativos, como a corrupção e o tráfico de influências.
 
Guazina menciona a “batalha semântica em torno do símbolo Lula, que ainda tem uma imagem muito boa perante grande e importante parte da população, que sabe que seu legado é real, porque o Brasil de hoje não é o mesmo de antes de 2003 (início da primeira gestão do PT). Esse boneco inflável, e outros elementos usados pelos manifestantes, nos dizem que há um discurso visando o aniquilamento dessa figura. Para esses grupos conservadores, não basta ser adversários de Lula, é preciso fazer ele desaparecer. Essa retórica pode ser vista nos meios de comunicação, nas redes sociais, onde há várias provocações, ressignificações da imagem de Lula através de memes: Lula num caixão, ou Dilma num caixão, e outras coisas do gênero”.
 
“Outra forma de reverter a força simbólica de Lula é afetando a imagem da Petrobras. Muitos recordarão aquela foto de Lula em 2006, vestido com o macacão laranja, numa plataforma da empresa estatal, com os dedos sujos de petróleo. É uma imagem forte. Não sei se essa simbologia desapareceu totalmente, mas se pode observar que está sendo desconstruída essa ideia da Petrobras como uma grande empresa, como a potência de um Brasil que cresce. Agora, nesse novo contexto político, com esse discurso legitimado pelos meios hegemônicos, vai sendo imposto a ideia de que a Petrobras está ligada ao crime, é uma empresa que significa corrupção”.
 
Nesse punto, a doutora Guazina propõe refletir sobre qual seria a interpretação mais apropriada da liberdade de expressão.
 
“Esse é um dos grandes temas que devemos discutir hoje no Brasil, porque esses grupos conservadores reivindicam seu direito de ter liberdade de expressão para incitar o ódio, eliminar o adversário, até para justificar algo contrário à democracia, como a intervenção militar contra as instituições. Estão planteando uma liberdade sem nenhuma responsabilidade, que não respeita os direitos humanos nem a convivência pacífica. Então, devemos nos perguntar se isso realmente é liberdade de expressão”.
 
Tradução: Victor Farinelli

Capital simbólico de Lula é atacado pela direita - Carta Maior

Capital simbólico de Lula é atacado pela direita - Carta Maior

24/08/2015 - Copyleft

Capital simbólico de Lula é atacado pela direita

A pesquisadora Liziane Guazina, da UnB, analisa a 'guerra semântica' da direita para desconstruir a imagem de Lula e acabar com seu capital simbólico.


Darío Pignotti - Página/12

EBC
Fascismo politicamente correto. A garota de 17 anos vestida com uma camiseta verde e amarela contou porque marchou pela queda de Dilma Rousseff, com a mesma superficialidade que descreveria os posters da banda pop One Direction que adornam o seu quarto. “Este é o meu primeiro protesto, claro que quero o impeachment… precisamos de um país melhor”, disse Fernanda, reproduzindo o jargão das centenas de milhares de brasileiros que se mobilizaram no dia 16 de agosto, em favor da quebra institucional, mesmo que seja via intervenção militar, contra a presidenta eleita há dez meses atrás, com 54 milhões de votos. Quando lhe preguntaram se ela é de “direita ou esquerda”, não houve dúvidas: “Sou de direita”. Ao ter que explicar sua opção, vacilou alguns segundos, até pedir auxílio: “mãe, por que eu sou de direita mesmo?”.
 
Depois de ver as respostas de Fernanda, a investigadora Liziane Guazina observou, em entrevista com o Página/12, que “nestas imagens, há muitos elementos que sintetizam o ambiente político de hoje no Brasil”.
 
A direita hegemoniza as ruas
 
Responsável pelo núcleo de estudos de Meios e Política da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, Liziane Guazina constata que a esquerda brasileira perdeu sua influência sobre as ruas, a partir da onda conservadora. “O grande paradoxo do momento atual é que a direita se tornou forte no espaço público que sempre havia sido dominado pela esquerda. Na marcha do dia 16 de agosto, assim como nas de março e abril, todas defendendo a queda de Dilma, vemos uma direita querendo ser e sendo protagonista. A direita brasileira se apropriou da necessidade de participação. A crise de representatividade que existe no Brasil, devido a um sistema político superado, terminou sendo uma bandeira dos conservadores, que estão liderando o processo político, com a anuência dos grandes meios, e tudo isso faz com que os métodos autoritários terminem se legitimando”.
 
“O outro paradoxo é que essa maior participação nos pode levar a menos democracia. Um dos princípios defendidos historicamente pela esquerda era o que dizia que havia que participar mais para ampliar a democracia, para haver mais pluralidade, para conquistar mais direitos. Agora, essa maior participação conservadora faz o contrário. A direita foi às ruas para defender menos liberdade (querem governos mais duros), menos direitos (pela redução da maioridade penal, contra a legalização do aborto), mais exclusão (um discurso contra o Bolsa Família e o programa de saúde Mais Médicos). Se essas manifestações crescem, nos poderiam levar a situações limite, mas ainda é cedo para afirmar que se esse cenário é realmente possível”.
 
Logo após descrever como a frente destituinte tomou conta das grandes iniciativas políticas do país, Guazina retornou ao vídeo da jovem Fernanda, a garota de direita que marchou com a mãe e os grupos de direita, enquanto outros manifestantes faziam selfies junto com os policiais militares armados que escoltavam amavelmente os participantes.
 
“Essa garota é a um exemplo adequado do que vemos nas manifestações atuais, é a personificação da ignorância política, ela ignora suas raízes históricas, ignora o que é o sistema político do país. Mas ela não pode ser considerada inocente, porque está participando da concentração de São Paulo que foi a mais forte do país. Embora ela ignore o que significa de fato a sua opção política, essa participação tê consequências. Pensando melhor, eu a definiria como a personificação da ignorância participativa, não sei se esse caso em si pode ser considerado uma ameaça à democracia. Teria que estudá-lo melhor para fazer essa afirmação.”
 
O capital simbólico de Lula
 
“A voz rouca das ruas”, “Primeiro presidente operário” são definições citadas para evocar Luiz Inácio Lula da Silva, cujos dois governos costumam ser identificados como os da “Bolsa Família”, ou os do “aumento do valor real dos salários”, da “política externa altiva” e o do “fortalecimento da Petrobras”.
 
Após deixar o governo, no dia 31 de dezembro de 2010, com mais de 80% de respaldo, a imagem de Lula voltou a ser um dos alvos prediletos das empresas de comunicação, através de uma fórmula conhecida: produzir notícias que o vinculem com os casos de corrupção, mesmo que não haja indícios, nem menos documentos que comprovem as denúncias. Há poucas semanas, o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) passou a responder os abusos desinformativos da Rede Globo e da revista Veja com processos judiciais, mas isso não acabou com as calúnias.
 
Durante os atos do dia 16 de agosto, um boneco inflável com a imagem de Lula, vestido como presidiário, surgiu em frente ao Congresso nacional, em Brasília, onde houve cânticos ofensivos repetidos tanto na capital como em outros grandes centros brasileiros.
 
As autoridades do PT denunciaram uma campanha que busca neutralizar o ex-presidente como provável candidato presidencial em 2018, projeto cuja viabilização depende e para isso a oposição o qual será necessário dinamitar o capital simbólico do petista. Ou seja, fazer com que o “significante” Lula saia do mar de conotações positivas ao redor da sua figura e se afogue numa cadeia de conceitos negativos, como a corrupção e o tráfico de influências.
 
Guazina menciona a “batalha semântica em torno do símbolo Lula, que ainda tem uma imagem muito boa perante grande e importante parte da população, que sabe que seu legado é real, porque o Brasil de hoje não é o mesmo de antes de 2003 (início da primeira gestão do PT). Esse boneco inflável, e outros elementos usados pelos manifestantes, nos dizem que há um discurso visando o aniquilamento dessa figura. Para esses grupos conservadores, não basta ser adversários de Lula, é preciso fazer ele desaparecer. Essa retórica pode ser vista nos meios de comunicação, nas redes sociais, onde há várias provocações, ressignificações da imagem de Lula através de memes: Lula num caixão, ou Dilma num caixão, e outras coisas do gênero”.
 
“Outra forma de reverter a força simbólica de Lula é afetando a imagem da Petrobras. Muitos recordarão aquela foto de Lula em 2006, vestido com o macacão laranja, numa plataforma da empresa estatal, com os dedos sujos de petróleo. É uma imagem forte. Não sei se essa simbologia desapareceu totalmente, mas se pode observar que está sendo desconstruída essa ideia da Petrobras como uma grande empresa, como a potência de um Brasil que cresce. Agora, nesse novo contexto político, com esse discurso legitimado pelos meios hegemônicos, vai sendo imposto a ideia de que a Petrobras está ligada ao crime, é uma empresa que significa corrupção”.
 
Nesse punto, a doutora Guazina propõe refletir sobre qual seria a interpretação mais apropriada da liberdade de expressão.
 
“Esse é um dos grandes temas que devemos discutir hoje no Brasil, porque esses grupos conservadores reivindicam seu direito de ter liberdade de expressão para incitar o ódio, eliminar o adversário, até para justificar algo contrário à democracia, como a intervenção militar contra as instituições. Estão planteando uma liberdade sem nenhuma responsabilidade, que não respeita os direitos humanos nem a convivência pacífica. Então, devemos nos perguntar se isso realmente é liberdade de expressão”.
 
Tradução: Victor Farinelli

Capital simbólico de Lula é atacado pela direita - Carta Maior

A economia da China abala o mundo — CartaCapital

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A PM-SP revela sua ideologia em nota oficial — CartaCapital

ALGUMA DÚVIDA SOBRE UMA POLÍCIA IDEOLOGICAMENTE COMPROMETIDA COM O RETROCESSO?

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Dowbor: ausência de reformas bloqueou lulismo

A articulação do rentismo com a mídia
O maior jornal econômico do país, por exemplo, em fevereiro publicou uma matéria que contém um quadro com as projeções de inflação, com o título: “O que os economistas esperam”. E são listadas 21 “apostas” em índices inflacionários feitas por economistas de instituições. Entre eles, não tem nenhum Amir Khair, um Luiz Gonzaga Belluzzo, uma Tânia Bacelar, um Rubens Ricúpero, um Bresser Pereira ou um Márcio Pochmann; sequer um IBGE ou um DIEESE. Apenas de bancos ou consultorias ligadas ao mercado financeiro – e ambos ganham com a inflação. Esses economistas geram expectativas inflacionárias que se autocumprem, pois os agentes econômicos acompanham as expectativas e elevam preventivamente os preços.
Existe um trabalho de chantagem e contaminação pelo aceno do “risco inflacionário” – e todos sabem que a inflação é um golpe mortal em termos políticos. Esse tipo de chantagem segura o governo pelo pescoço. A inflação virou arma ideológica.
Dowbor: ausência de reformas bloqueou lulismo

Arundhati Roy: 'tragédia indiana é que sistema de castas tornou a injustiça algo sagrado' - Geledés

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A lenta democratização da universidade pública

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Programação completa do 21º Curso Anual do NPC | NPC - Núcleo Piratininga de Comunicação

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