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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O poder supremo dos “sem-voto”TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

Uma verdadeira palhaçada o processo de judicialização da política no Brasil. Estão rindo da nossa cara e brincando com as nossas vidas.


O poder supremo dos “sem-voto”

juiz
Outro dia escrevi aqui sobre o que é, para mim, a maior ameaça à democracia no Brasil: a distorção do papel do Judiciário (e dos organismos que a ele se vinculam), que hoje, sensivelmente, vai assumindo o papel tutelar que, até bem próximo ao final do século passado, os militares tiveram sobre o Estado democrático e que, seja pelo exercício direto do poder, seja pela situação de temor criado sobre governos eleitos, circunscrevia a autonomia dos governantes.
Disse que os juízes, excitados pelo Ministério Público, como os generais empolgados pelo oficialato jovem e ansioso, vão se dando a arreganhos de poder.
E tal como dos fardados, não raramente nem se pode discordar dos togados nas boas intenções, aquelas que lotam o Inferno, como dizia minha avó. Mas, igualmente, jamais se pode deixar de ver que isso altera o fundamento da autoridade popular, que se exerce pelos eleitos ao Executivo e ao Legislativo, entregando-a corporações nas quais, ao contrário das outras, não há confronto de ideias, mas a obediência hierárquica como dever.
Óbvio que governantes e parlamentares não devem estar fora do controle do Judiciário – estamos em uma república – mas é essencial que este controle seja previsível, aberto, prudente; jamais surpreendente e ousado. Ousadia, aliás, é a negação da harmonia que prescreve os poderes  a Constituição.
Juízes não são, nem podem ser – como não podem ser os militares ativos – protagonistas do processo político. E, como há décadas ocorria com os dólmãs, agora a toga projeta sua sombra incontestável sobre os legitimados pelo voto, o qual  mídia – com apoio na mediocridade que construiu na política – encarrega-se de desmoralizar e o dinheiro de comprar.
Porque deles, ao contrário dos integrantes dos demais poderes, não pode o cidadão recorrer senão à própria corporação, onde em geral não há – e há cada vez menos – senão a ratificação do que os membros da corporação decidem.
Ontem, no Facebook, o professor Nílson Lage indica a leitura de um ótimo artigo que, à noite, André Araújo publica no GGN.
Reproduzo-o, com a mesma introdução do velho mestre, que já observou todos estes movimentos da História, desde a segunda metade do século passado:
(O poder) cabe, agora, ao Judiciário.
No momento, é Moro, o Príncipe das Araucárias, Visconde do Lava-jato, que dá uma de Simão Bacamarte e se dispõe a corrigir os pecados do sistema, irracional e corrupto.
Sem quem o dose, remédio perigoso. 
Pode resultar numa ditadura um milhão de vezes pior do que a mais assustadora ditadura militar: ditadores de língua empolada, que se auto-avalizam, auto-remuneram lautamente sem sentimentos de culpa, leem as leis de frente para trás e de trás para a frente, inventam princípios jurídicos convenientes com base em ciência esotérica e, sobretudo, protegem uns aos outros.
Para avaliar até onde podem chegar em matéria de equilíbrio e desprendimento, podem-se lembrar figuras emblemáticas, de Joaquim Barbosa a Gilmar Mendes.

A mudança do eixo de poder

André Araújo, no GGN
Pela primeira vez na República, o eixo determinante do Poder, aquele que rege o Estado, sai do Executivo-Legislativo e passa para o aparelho Judiciário, ai incluída a Polícia Federal, hoje parte desse aparelho e a ele completamente agregado.
A mudança foi pouco percebida pela classe politica, entretida em suas brigas internas de baixa altitude.
Quem manda é quem pode prender qualquer membro dos poderes Executivo e Legislativo a qualquer momento, através de narrativas arbitradas pelo aparelho Judiciário, sem contraste e sem possibilidade de defesa prévia para evitar a prisão, a devassa, o bloqueio de bens, a humilhação, o escracho, a liquidação de empresas tradicionais.
Quem pode prender pode ameaçar de prender e essa ameaça é o Poder de Fato.
Qualquer político hoje pode ser preso a qualquer momento pelo aparelho Judiciário conhecido como “força-tarefa”, que inclui, na prática, não só o juiz federal de Curitiba mas também os Tribunais Superiores que lhe dão aval.
No desenho do Estado Democrático que vem dos clássicos pensadores e operadores, como Charles Louis de Secondat (barão de Montesquieu), Alexis de Tocqueville, Thomas Jefferson e Alexander Hamilton, esse tipo de Estado que se contrapõe ao Estado Autoritário exige o mecanismo conhecido como checks and balances –  que seria “controles e contrapontos” – cada Poder deve ser controlado pelos outros dois, de modo a um fiscalizar o outro.
No momento atual, o governo da força tarefa não se submete ao controle dos outros dois Poderes, é absolutamente autônomo em relação a eles, é o verdadeiro poder de fato e o Estado deixa de ser democrático para ser autoritário.
O Poder Executivo e o Poder Legislativo são hoje menores e mais fracos que o governo da força tarefa que é que dá a agenda da vida política do País. Todos estão na dependência do que é resolvido em Curitiba, nova capital política do Brasil. O domínio do poder não se dá pela lei, mas pela interpretação da lei.
A garantia tradicional do Direito Positivo que é o conjunto de regras escritas que fundamenta o espirito do Estado de Direito no modelo brasileiro herdado dos princípios do Direito Romano transformado pelo Direito Civil francês foi substituído, pela falta de atenção dos outros poderes, por princípios completamente alheios ao direito positivo que é a base do arcabouço do Estado Democrático brasileiro por regras importadas de outro sistema de direito, o anglo-americano e essas Regras são implantes não assimiláveis pelo corpo legal legitimador do Estado Democrático brasileiro.
Regras como domínio do fato e delação premiada são do direito anglo-americano mas lá são aplicadas com muito maior prudência que no Brasil, a delação não se faz com réu preso e nem se vaza imediatamente o teor das delações, por exemplo. Importamos sem critério e sem cuidados, importamos como peça pirata para encaixar no mecanismo original de um sistema jurídico sólido e consolidado, hoje estraçalhado por vírus invasores.
A culpa se deve a incultura, à ignorância , à falta de bons filtros que examinem essas importações exóticas antes que virem leis e jurisprudência. Agora é um pouco tarde e só um novo regime autoritário pode expurgar esses principios estranhos que aboliram as garantias constitucionais, base do Estado Democratico de Direito.
poder de fato, hoje, não tem ” controles e contrapontos”. Os Poderes Executivos e Legislativo não podem indagar por exemplo como se estabelecem metodos e criterios de concursos para juízes e procuradores, quais os mecanismos de promoção na carreira. No entanto o Poder Judiciario pode indagar, investigar e mudar regras dentro dos Legislativos e do Executivo, punir seus membros, mudar procedimentos, dizer o que pode e o que não pode nos outros Poderes.

O poder supremo dos “sem-voto”TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

domingo, 23 de agosto de 2015

Pré-sal: o milhão de barris/dia está chegandoTIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

É esta a empresa que estava carcomida e infestada de corrupção?

Pré-sal: o milhão de barris/dia está chegandoTIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

Estágio meteorológico da informação cria presunção da catástrofe ~ Cinema Secreto: Cinegnose

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'A América Latina começou uma nova história, que eu considero irreversível' - Carta Maior

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Dinheiro do pré-sal começa a chegar ao governo em 2016 - Economia - Estadão

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O Movimento Popular acende seu pavio | Brasil 24/7

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614 ossadas de possíveis desaparecidos na ditadura são recebidas pelo MPF

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Em novas inserções, Dilma e Lula prometem retomada | Brasil 24/7

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Reunião no Clube Militar frustra quem foi a Copacabana pedir volta da ditadura - Brasil - O Dia

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WEBGUERRILLERO: El Gobierno estadounidense paga a guías e intermed...

Africanos para a Europa, haitianos para o Brasil

Em breve, face às dificuldades que o país enfrenta, a população de haitianos imigrados para o Brasil poderá se converter em um foco de instabilidade em futuro próximo. Ao menos assim esperam os interessados em promover o caos.



WEBGUERRILLERO: El Gobierno estadounidense paga a guías e intermed...: Después de crear el caos en el norte de África, los EEUU centran sus esfuerzos en tumbar Europa, según escribe el periodista francés Nico...

Polarização política no Brasil: “A ridicularização joga para a direita quem critica a corrupção” | Brasil | EL PAÍS Brasil

Coxinha & Caviar
Muito emblemático do dilema que vive o PSOL mergulhado em sua pauta de esquerda udenista. A distopia moralista que infecta os críticos na esquerda anti petista tem raiz na luta que o PT teve de empreender contra a corrupção e impunidade generalizadas no bojo do desmanche do estado promovido pelo neo liberalismo. O PT já estava então impregnado pelas camadas pequeno burguesas da classe média vinculada ao setor estatal que sofriam diretamente os efeitos da política deletéria do PSDB.
Com a vitória petista, a oposição passou a empunhar a bandeira da ética. Forçou a situação de modo a colocar o PT na posição em que não se viram nos anos 90, contando para isso com a preciosa ajuda da mídia. Imputou ao PT as práticas criminosas que forjaram em 8 anos de governo tucano.
Criminalizando o PT garantiram a impunidade dos atos cometidos durante seu governo. Assim conseguiram sensibilizar franjas da esquerda petista que agregaram à sua perspectiva mais extremada o moralismo que acreditaram ser o próprio sentido da existência do partido. O que é um equívoco. Se a pauta ético moralista deveria ter sido objeto da crítica desses agrupamentos ao setor majoritário do PT por significar um desvio do foco da luta de classes, agora era o centro de sua intervenção, principalmente o PSOL. E este aprofundou de tal maneira o moralismo que, não raro, recrutou ativistas conservadores como o líder grevista da polícia baiana, que transferiu-se em seguida para o PSDB. Ou o candidato a prefeito de uma cidade do interior paulista que pregava a intervenção militar e aquele de maior repercussão, o cabo Darciolo.
Ao fazer sua avaliação a professora desconhece o investimento que o governo petista fez em termos de combate á corrupção, assim como o crescimento de sua percepção. Seu discurso em nada se distingue daquele do demo tucanato. Isso apesar de, caso se perpetre o golpe que a elite não cansa de ameaçar, provavelmente não haverá distinção entre os diversos tons de vermelho.

Polarização política no Brasil: “A ridicularização joga para a direita quem critica a corrupção” | Brasil | EL PAÍS Brasil

Samuel Guimarães: Ofensiva conservadora não é para lutar contra corrupção, e, sim, derrubar o governo e recuperar a hegemonia - Viomundo - O que você não vê na mídia

Samuel Guimarães: Ofensiva conservadora não é para lutar contra corrupção, e, sim, derrubar o governo e recuperar a hegemonia

publicado em 18 de agosto de 2015 às 15:52
Por Ramiro Furquim/Sul21Foto: Ramiro Furquim/Agência Brasil
A ofensiva conservadora e as crises
O diplomata brasileiro, Samuel Pinheiro Guimarães, em artigo especial para o Brasil de Fato, faz uma análise da crise no Brasil, o avanço de setores conservadores e o papel do governo federal; bem como aponta as saídas e desafios das forças progressistas.
18/08/2015
1. A sociedade brasileira está diante de uma ofensiva conservadora que se aproveita de entrelaçadas crises na economia, na política, nas instituições do Estado, na imprensa e nos meios sociais para fazer avançar seus objetivos;
2. A suposta crise econômica ofereceu pretexto para implantar um programa neoliberal de acordo com o Consenso de Washington: privatização, abertura comercial e financeira, ajuste orçamentário, flexibilização do mercado de trabalho, redução do Estado, tudo com a aprovação do sistema financeiro nacional, por um Governo eleito pela esquerda;
3. A crise da corrupção, cujo maior evento é a Operação Lava Jato, mas também a Operação Zelotes, esta inclusive de maior dimensão, está servindo para destruir a engenharia de construção, onde se encontra o capital nacional de forma importante, com atuação internacional, e para preparar a destruição de organismos do Estado tais como a Petrobras, o BNDES, a Caixa Econômica, a Eletrobrás etc. a pretexto de que os eventos de corrupção neles investigados seriam apenas o resultado de serem estas entidades estatais;
4. Sua privatização, que corresponderia a sua desestatização/desnacionalização, eliminaria, segundo eles, a possibilidade de corrupção;
5. A crise do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal se desenvolve em várias esferas;
6. O Supremo Tribunal Federal tolera que um de seus membros interrompa, há mais de um ano, sob o pretexto de vista, uma ação, cujo resultado já está definido por 6 votos a 1, sobre a ilegalidade do financiamento privado de campanhas, fenômeno que está na origem da corrupção do sistema eleitoral em todos os Partidos e veículo para o exercício da influência corruptora do poder econômico na política e na Administração;
7. O objetivo deste juiz é aguardar até que o Congresso aprove emenda constitucional, já em tramitação por obra do Presidente da Câmara, que torna legal o financiamento privado de campanhas;
8. A teoria do domínio do fato, uma aberração jurídica, acolhida pelo STF, reverte o ônus da prova e, mais, torna qualquer indivíduo responsável pelos atos de outrem sob suas ordens sem que o acusador ou o juiz tenha necessidade de provar que o acusado conhecia tais fatos;
9. O sistema do Ministério Público permite a qualquer Procurador individual desencadear processos com base até em notícias de jornal contra qualquer indivíduo, vazar de forma seletiva estas acusações para a imprensa, que as reproduz, sem nenhum respeito pelos direitos dos supostos culpados e sem nenhuma perspectiva de reparação do dano causado pelas denúncias do Procurador nem pela imprensa que as divulgou, caso se verifique a improcedência das acusações;
10. A Polícia Federal exerce suas funções com extrema parcialidade, de forma midiática, criando, na sociedade a presunção de alta periculosidade de indivíduos que prende para investigação e se arvorando em poder independente do Estado;
11. Segundo depoimento do Presidente das entidades da Polícia Federal na Câmara dos Deputados, a Polícia Federal recebe recursos regularmente da CIA, do FBI e da DEA, no montante de USD 10 milhões anuais, depositados diretamente em contas individuais de policiais federais;
12. A crise política decorre da decepção e do inconformismo do PSDB e de seus aliados com a derrota nas urnas em 2014 o que o leva a procurar, por todos os meios, erodir a credibilidade e a legitimidade do Governo Dilma Rousseff e, por via transversa, do Governo Lula e assim minar as possibilidades de vitória de uma eventual candidatura de Lula em 2018;
13. Contam os partidos e políticos conservadores com a campanha sistemática da televisão, jornais e revistas, com base em denúncias vazadas, com a campanha de intimidação na Internet, com as manifestações populares, com o desemprego crescente causado pela política de corte de investimentos e de elevação estratosférica de juros, os maiores do mundo, para fazer baixar os índices de aprovação do Governo e da Presidenta e poder argumentar com a legitimidade e a necessidade de depô-la pelo impeachment;
14. A crise na imprensa e nos meios de comunicação se desenvolve em um ambiente em que as televisões, rádios, jornais e revistas recebem paradoxalmente enormes recursos do Governo para a ele fazer oposição sistemática, erodir a confiança da população no sistema político e nos partidos, em especial nos partidos progressistas, de esquerda, poupando os partidos conservadores tais como o PSDB, que recebeu tantas doações para sua campanha de 2014 quanto o PT e das mesmas empresas ora acusadas pelo juiz Moro;
15. A crise social se desenvolve na Internet, onde circula todo tipo de ofensa racista, homofóbica, antifeminina, antiprogressista e fascista, contra os políticos e partidos de esquerda, gerando um clima de hostilidade e ódio e estimulando a agressão física
16. No Congresso, os setores mais conservadores elegeram grande número de deputados e, tendo conquistado a Presidência da Câmara dos Deputados, fazem avançar, a toque de caixa, sem nenhuma atenção à necessidade de debate pelos parlamentares e pela sociedade, uma ampla pauta de projetos conservadores que inclui, entre os principais, a redução da maioridade penal, a ampliação do uso de armas, o financiamento privado das campanhas;
17. O objetivo máximo desta grande ofensiva política e econômica conservadora é a tomada do poder através do impeachment da Presidenta Dilma e/ou a desmoralização do PT que leve à sua derrota fragorosa nas eleições de 2016, a qual preparará sua derrota final e “desaparecimento” nas eleições de 2018;
18. O processo político do impeachment da Presidenta Dilma não avança por estarem o PSDB e PMDB divididos quanto a sua conveniência no atual momento do calendário político e econômico;
19. Os três possíveis candidatos do PSDB à Presidência da República, quais sejam, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra têm opiniões diferentes sobre sua conveniência;
20. A Aécio Neves interessa o impeachment de Dilma Rousseff e de Michel Temer por crime eleitoral, declarado pelo TSE, logo que possível pois isto levaria a uma eleição em 90 dias onde espera que, como presidente nacional do PSDB e candidato que teria perdido a eleição devido a “fraude”, agora se beneficiaria devido a sua campanha persistente pela ilegitimidade dos resultados eleitorais de 2014, o que o faria o candidato do PSDB com melhor perspectiva de vitória;
21. A Geraldo Alckmim interessa que o processo político, econômico e social desgaste longa e duradouramente o Governo Dilma e o PT até que as eleições municipais se realizem em 2016, com fragorosa derrota do PT e do PMDB e que tenha tempo de construir sua candidatura, com base no Governo de São Paulo, enquanto a candidatura de Aécio se enfraqueceria com o tempo como resultado de eventuais denúncias;
22. A José Serra interessa também que o impeachment não ocorra agora, que o Governo se desgaste para que tenha tempo de reconstruir sua imagem e eventualmente possa se candidatar pelo PSDB em 2018 ou até mesmo pelo PMDB, que insiste em ter candidato próprio mas sem nome hoje viável. Afinal, Serra foi fundador do PMDB e voltaria a sua casa, construindo sua candidatura junto à classe média nacional, através de sua atuação no Senado, com toda cobertura favorável da imprensa;
23. Para o PMDB, o impeachment da Presidenta representa o fim de um Governo onde ocupa a Vice-Presidência e ao qual dá apoio enquanto que um longo processo de desgaste da Presidenta, do Governo e do PT também o atingiria como partido aliado, enquanto a imprensa desgasta sua imagem na opinião pública como partido oportunista e corrupto;
24. Os interesses de Michel Temer, de Renan Calheiros e de Eduardo Cunha são divergentes. Cunha acredita poder ser o candidato do PMDB à Presidência, assumindo a liderança da ofensiva conservadora no Congresso e o papel de defensor do Congresso, mas enfrenta o desgaste das denúncias de corrupção. Michel Temer sabe que a condenação por crime eleitoral de Dilma Rousseff pelo TSE também o arrastaria enquanto que a condenação de Dilma pela rejeição das contas de 2014 pelo TCU e pelo Congresso o levariam à Presidência. Renan disputa com Temer influência no PMDB e imagina poder ser candidato em 2018 com o enfraquecimento dos demais;
25. No PT, a situação é talvez ainda mais grave;
26. O programa econômico conservador, ao cortar investimentos públicos e as despesas de custeio do Governo, aumenta o desemprego e afeta a demanda o que reduz as perspectivas de lucro, contrai os investimentos privados, estabelece a desconfiança nos “mercados” e reduz as receitas normais tributárias, aumentando o déficit público;
27. Ao aumentar a taxa de juros, o Governo (Banco Central) aumenta as despesas do Governo e a relação dívida/PIB, reduz a atividade econômica e as perspectivas de lucro e provoca a queda da arrecadação. Ao não conseguir o aumento de receitas normais pela dificuldade em elevar tributos, passa a apelar para a venda de ativos o que é uma forma disfarçada de privatização, com resultados apenas temporários;
28. Ao provocar o desemprego, ao apoiar medidas desfavoráveis aos trabalhadores como alterações no seguro desemprego, no abono salarial e outras, e ao provocar a redução do crescimento o Governo mina a sua base de apoio social e político e as bases sociais e políticas do PT;
29. A retração da demanda, o aumento das taxas de juros, a contração das atividades do BNDES, a redução das oportunidades de investimento, a perspectiva de aumento de tributos afetam os interesses dos empresários e aumenta o seu descontentamento com o Governo e sua política;
30. Não há liderança no PT além de Lula que, por seu lado, não vê como abandonar o programa econômico do Governo Dilma sem acelerar sua queda, mas reclama da incapacidade da Presidenta para o exercício da política;
31. As pesquisas de opinião podem vir a revelar níveis de rejeição muito superiores aos que ocorreram na véspera do impeachment de Collor. Caso os níveis de aprovação caiam abaixo de 5%, o desânimo e a desmobilização dos movimentos sociais e dos sindicatos, a perplexidade dos congressistas, a posição dos candidatos a prefeito em 2016, as contínuas denúncias do Ministério Público (na realidade de procuradores individuais) contra políticos vinculados ao PT e contra o próprio Lula, a agressividade social e intimidatória conservadora podem gerar situação de gravíssimo perigo político para sobrevivência da democracia;
32. O Governo, apático, atordoado e intimidado, parece acreditar em sua pureza que fará que, ao final, sobreviva, único puro, à tempestade de denúncias que atingem políticos e partidos sem compreender que o objetivo da ofensiva conservadora não é lutar contra a corrupção e moralizar o país mas sim derrubá-lo e recuperar a hegemonia completa na sociedade e no Estado;
33. O Governo se retrai, não age politicamente nem mobiliza os movimentos sociais e os setores que poderiam apoiá-lo no enfrentamento a esta ofensiva conservadora que fará o Brasil recuar anos em sua trajetória de luta contra as desigualdades e suas vulnerabilidades, e de construção de um país mais justo, menos desigual, mais democrático, mais próspero e mais soberano;
34. É urgente a mobilização de todas as forças sociais progressistas para combater o desemprego causado pelo programa de ajuste, que está, isto sim, gerando imensa crise econômica e social, para defender a democracia e seus representantes legítimos, para defender as conquistas dos trabalhadores, para defender a empresa nacional, para defender o desenvolvimento do país, para defender a soberania nacional e a capacidade de autodeterminação da sociedade brasileira;
35. Para defender o Brasil.
*Diplomata brasileiro, foi secretário-geral das Relações Exteriores do Ministério das Relações Exteriores e ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Governo Lula.
Veja também:
Samuel Guimarães: Ofensiva conservadora não é para lutar contra corrupção, e, sim, derrubar o governo e recuperar a hegemonia - Viomundo - O que você não vê na mídia

sábado, 22 de agosto de 2015

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A inocência de José Dirceu — CartaCapital

2012 A inocência de José Dirceu — CartaCapital

Movimentos celebram unidade em ato por democracia e 'saída pela esquerda' — Rede Brasil Atual





EM SÃO PAULO

Movimentos celebram unidade em ato por democracia e 'saída pela esquerda'

Lideranças de movimentos sociais enfatizam defesa da democracia e reagem a protestos que pregam o golpe. Mas condenam ajuste fiscal e cobram de Dilma “pacto com o povo” para sair da crise
por Redação RBA publicado 20/08/2015 19:48, última modificação 20/08/2015 23:24
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MARCIA MINILLO/RBA
manifestação 20 de agosto
Cerca de 60 mil pessoas, segundo a PM, fazem caminhada entre bairro de Pinheiros, zona oeste, e Avenida Paulista
São Paulo – “Que bonito. É muito diferente do último domingo”, afirmou a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, diante de um público estimado pela PM em 60 mil pessoas, que deixava o Largo da Batata, no bairro paulistano de Pinheiros, em direção à região da Avenida Paulista. A líder estudantil compara a manifestação de hoje (20), apoiada por mais de 50 entidades ligadas a movimentos populares “por mais direitos, por avanços e sem retrocessos” com os protestos que chamou de “golpistas” promovidos por organizações que pregam a derrubada do governo Dilma. “Viemos defender a democracia. Intervenção militar acontece todos os dias nas periferias deste país, matando pretos e pobres.”
Carina não deixou de acentuar críticas à condução da política econômica e ao ajuste fiscal: “O governo federal tem de estar mais conectado com o povo. Viemos trazer a agenda da juventude, dos trabalhadores, dos direitos sociais. O ajuste fiscal já retirou R$ 10 bilhões da educação.”
A presidenta da UNE protestou contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, que reduz a maioridade penal, aprovada ontem pela Câmara em segundo turno. “Estão querendo encarcerar a juventude pobre. A juventude precisa de salas de aula, e não de celas.” Ela concluiu elogiando a união das forças progressistas em torno da manifestação: “Viva a unidade dos movimentos sociais”.
FOTOS: ROBERTO PARIZOTTI/CUTManifestação 20 de agosto SP
Movimento sindical, estudantil, de moradia e outras dezenas de organizações populares foram às ruas nesta quinta
A defesa da democracia temperada com críticas à política econômica permeou também as falas de lideranças da CUT, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e da Central de Movimentos Populares (CMP). O presidente da CUT, Vagner Freitas, enfatizou que a manifestação defende um projeto nacional de desenvolvimento, com geração de empregos e renda e redução das desigualdades. “Queremos respeito à democracia. Quem perdeu as eleições tem de parar com esse negócio de terceiro turno e se preparar para 2018”, afirmou Vagner.
“Mas não concordamos com essa política neoliberal nefasta para os trabalhadores. É preciso taxar as grandes fortunas. Quem ganha mais que pague mais. Também não concordamos com enfrentar a inflação com essa política de juros altos. O mercado não pensa nos trabalhadores”, disse o presidente da CUT. “Estamos aqui por reforma agrária, por uma reforma política que acabe com o financiamento empresarial de campanhas, por uma reforma tributária que reduza as desigualdades e por uma reforma de mídia que combata a concentração e o oligopólio dos meios de comunicação.”
A “indignação seletiva” dos protestos de domingo passado foi observada por Guilherme Boulos, do MTST. “Estamos aqui para rechaçar esse moralismo seletivo de quem foi à Avenida Paulista dizer que é contra a corrupção, mas aplaude Eduardo Cunha e Aécio Neves”, disse, referindo-se ao presidente da Câmara, que acaba de ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República por crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro, e ao senador tucano e presidente do PSDB.
Cunha também foi alvo do discurso de Raimundo Bonfim, coordenador estadual da CMP: “Estranho que o nome de um dos maiores corruptos do país não foi visto em nenhum cartaz. Aquela elite que foi à Paulista domingo não quer acabar com a corrupção, quer é acabar com os programas sociais”.
Boulos foi contundente também ao criticar o governo federal: “Nós não estamos aqui para defender nenhum governo. Viemos também rechaçar o ajuste fiscal que corta investimentos sociais, e essa Agenda Brasil”, ressaltou, referindo-se a propostas apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
A pretexto de instalar uma negociação que ponha fim à crise de governabilidade, Renan propõe medidas como aprovação do projeto que libera as terceirizações, a flexibilização de regras para concessão de licença ambiental, a alteração do tempo de contribuição para aposentadorias, entre outras, que abrem caminho para novas privatizações e atacam as terras indígenas. “Não aceitamos nenhum pacto sem povo. Isso é saída pela direita. E defendemos a saída pela esquerda. E ajuste fiscal no lombo dos ricos. Isso aqui é só o começo.”
O vice-presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, disse que os jovens da periferia merecem educação e que o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) só responde com violência. No início do ato, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio em memória dos 18 mortos na chacina na Grande São Paulo no último dia 13.
Moisés Ribeiro, coordenador e integrante da direção do Movimento dos Atingidos por Barragens, disse que a luta que está acontecendo no país é pelo pré-sal e afirmou que quem ameaça essa conquista do Brasil é o PSDB, referindo-se a projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que diminui a participação da Petrobras na exploração dessa área.
A militante da Marcha Mundial de Mulheres Mara Lúcia da Silva considera que o atual momento de ascensão do conservadorismo é um risco duplo para as mulheres, que já hoje com todos os avanços ocorridos continuam sendo discriminadas, continuam sofrendo violência doméstica, continuam sofrendo violências nas ruas e ainda com diferenças salariais e péssimas condições para conseguir trabalho. Para ela, o avanço conservador com a retirada de direitos tende a ser duplamente prejudicial para as mulheres.
O professor Alex Antunes, militante do PCO, vê nas manifestações – de domingo e de hoje – momentos de “definição de interesses de classe” que estão em jogo na sociedade. “Temos visto grupos liberais e conservadores alinhados com interesses norte-americanos saindo às ruas. A esquerda, enfim, está reagindo. O Brasil inteiro está fazendo história hoje”, disse. O ativista considera que o governo Dilma não deve resistir às tentativas de golpe ou de enfraquecimento apenas "com manobras no Legislativo ou no Judiciário". “A única força capaz de dar sustentação de fato ao governo é a dos trabalhadores.”
Com reportagem de Eduardo Maretti e Rodrigo Gomes
Movimentos celebram unidade em ato por democracia e 'saída pela esquerda' — Rede Brasil Atual

Movimentos celebram unidade em ato por democracia e 'saída pela esquerda' — Rede Brasil Atual





EM SÃO PAULO

Movimentos celebram unidade em ato por democracia e 'saída pela esquerda'

Lideranças de movimentos sociais enfatizam defesa da democracia e reagem a protestos que pregam o golpe. Mas condenam ajuste fiscal e cobram de Dilma “pacto com o povo” para sair da crise
por Redação RBA publicado 20/08/2015 19:48, última modificação 20/08/2015 23:24
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MARCIA MINILLO/RBA
manifestação 20 de agosto
Cerca de 60 mil pessoas, segundo a PM, fazem caminhada entre bairro de Pinheiros, zona oeste, e Avenida Paulista
São Paulo – “Que bonito. É muito diferente do último domingo”, afirmou a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, diante de um público estimado pela PM em 60 mil pessoas, que deixava o Largo da Batata, no bairro paulistano de Pinheiros, em direção à região da Avenida Paulista. A líder estudantil compara a manifestação de hoje (20), apoiada por mais de 50 entidades ligadas a movimentos populares “por mais direitos, por avanços e sem retrocessos” com os protestos que chamou de “golpistas” promovidos por organizações que pregam a derrubada do governo Dilma. “Viemos defender a democracia. Intervenção militar acontece todos os dias nas periferias deste país, matando pretos e pobres.”
Carina não deixou de acentuar críticas à condução da política econômica e ao ajuste fiscal: “O governo federal tem de estar mais conectado com o povo. Viemos trazer a agenda da juventude, dos trabalhadores, dos direitos sociais. O ajuste fiscal já retirou R$ 10 bilhões da educação.”
A presidenta da UNE protestou contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, que reduz a maioridade penal, aprovada ontem pela Câmara em segundo turno. “Estão querendo encarcerar a juventude pobre. A juventude precisa de salas de aula, e não de celas.” Ela concluiu elogiando a união das forças progressistas em torno da manifestação: “Viva a unidade dos movimentos sociais”.
FOTOS: ROBERTO PARIZOTTI/CUTManifestação 20 de agosto SP
Movimento sindical, estudantil, de moradia e outras dezenas de organizações populares foram às ruas nesta quinta
A defesa da democracia temperada com críticas à política econômica permeou também as falas de lideranças da CUT, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e da Central de Movimentos Populares (CMP). O presidente da CUT, Vagner Freitas, enfatizou que a manifestação defende um projeto nacional de desenvolvimento, com geração de empregos e renda e redução das desigualdades. “Queremos respeito à democracia. Quem perdeu as eleições tem de parar com esse negócio de terceiro turno e se preparar para 2018”, afirmou Vagner.
“Mas não concordamos com essa política neoliberal nefasta para os trabalhadores. É preciso taxar as grandes fortunas. Quem ganha mais que pague mais. Também não concordamos com enfrentar a inflação com essa política de juros altos. O mercado não pensa nos trabalhadores”, disse o presidente da CUT. “Estamos aqui por reforma agrária, por uma reforma política que acabe com o financiamento empresarial de campanhas, por uma reforma tributária que reduza as desigualdades e por uma reforma de mídia que combata a concentração e o oligopólio dos meios de comunicação.”
A “indignação seletiva” dos protestos de domingo passado foi observada por Guilherme Boulos, do MTST. “Estamos aqui para rechaçar esse moralismo seletivo de quem foi à Avenida Paulista dizer que é contra a corrupção, mas aplaude Eduardo Cunha e Aécio Neves”, disse, referindo-se ao presidente da Câmara, que acaba de ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República por crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro, e ao senador tucano e presidente do PSDB.
Cunha também foi alvo do discurso de Raimundo Bonfim, coordenador estadual da CMP: “Estranho que o nome de um dos maiores corruptos do país não foi visto em nenhum cartaz. Aquela elite que foi à Paulista domingo não quer acabar com a corrupção, quer é acabar com os programas sociais”.
Boulos foi contundente também ao criticar o governo federal: “Nós não estamos aqui para defender nenhum governo. Viemos também rechaçar o ajuste fiscal que corta investimentos sociais, e essa Agenda Brasil”, ressaltou, referindo-se a propostas apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
A pretexto de instalar uma negociação que ponha fim à crise de governabilidade, Renan propõe medidas como aprovação do projeto que libera as terceirizações, a flexibilização de regras para concessão de licença ambiental, a alteração do tempo de contribuição para aposentadorias, entre outras, que abrem caminho para novas privatizações e atacam as terras indígenas. “Não aceitamos nenhum pacto sem povo. Isso é saída pela direita. E defendemos a saída pela esquerda. E ajuste fiscal no lombo dos ricos. Isso aqui é só o começo.”
O vice-presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, disse que os jovens da periferia merecem educação e que o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) só responde com violência. No início do ato, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio em memória dos 18 mortos na chacina na Grande São Paulo no último dia 13.
Moisés Ribeiro, coordenador e integrante da direção do Movimento dos Atingidos por Barragens, disse que a luta que está acontecendo no país é pelo pré-sal e afirmou que quem ameaça essa conquista do Brasil é o PSDB, referindo-se a projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que diminui a participação da Petrobras na exploração dessa área.
A militante da Marcha Mundial de Mulheres Mara Lúcia da Silva considera que o atual momento de ascensão do conservadorismo é um risco duplo para as mulheres, que já hoje com todos os avanços ocorridos continuam sendo discriminadas, continuam sofrendo violência doméstica, continuam sofrendo violências nas ruas e ainda com diferenças salariais e péssimas condições para conseguir trabalho. Para ela, o avanço conservador com a retirada de direitos tende a ser duplamente prejudicial para as mulheres.
O professor Alex Antunes, militante do PCO, vê nas manifestações – de domingo e de hoje – momentos de “definição de interesses de classe” que estão em jogo na sociedade. “Temos visto grupos liberais e conservadores alinhados com interesses norte-americanos saindo às ruas. A esquerda, enfim, está reagindo. O Brasil inteiro está fazendo história hoje”, disse. O ativista considera que o governo Dilma não deve resistir às tentativas de golpe ou de enfraquecimento apenas "com manobras no Legislativo ou no Judiciário". “A única força capaz de dar sustentação de fato ao governo é a dos trabalhadores.”
Com reportagem de Eduardo Maretti e Rodrigo Gomes
Movimentos celebram unidade em ato por democracia e 'saída pela esquerda' — Rede Brasil Atual

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

André Singer: "Os Sentidos do Lulismo". Qual o futuro do PT?

Direita aposta no surgimento de um 'Berlusconi brasileiro' - Carta Maior

WADITH DAMOUS, UM DOS MAIS LÚCIDOS E COMBATIVOS PARLAMENTARES DO PT. DIAGNÓSTICO IMPECÁVEL DA CONJUNTURA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES.

21/08/2015 - Copyleft

Direita aposta no surgimento de um 'Berlusconi brasileiro'

Wadih Damous acredita que o governo recuperou a iniciativa política e que as mobilizações da direita a favor do impeachment esmoreceram.


Darío Pignotti, para o Página/12

Evan Schneider/ UN
Brasília - Deputado do PT e ex-presidente da regional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Wadih Damous defende que as mobilizações pró impeachment, como a ocorrida no domingo passado, são “uma aposta no surgimento de um Silvio Berlusconi brasileiro” e opinou que é a possibilidade de que Dilma renuncie é “nula”.
 
– Poderíamos dizer que a pessoa mais celebrada no domingo foi o juiz Sérgio Moro.
 
– É compreensível que esses grupos se entusiasmem com alguém como o juiz Moro, que está criminalizando toda a atividade política, e isso leva a saídas fascistas, do tipo de Silvio Berlusconi na Itália. A Rede Globo, conhecida por apoiar o golpismo, o transformou numa celebridade televisiva, num salvador da pátria.
 
– Moro diz se inspirar na Mani Pulite – Operação Mãos Limpas, realizada na Itália, nos Anos 90.
 
– E foi depois da Mãos Limpas que surgiu o Berlusconi. Moro tem veleidades injustificadas, ele não pode se comparar com o promotor (Antonio) Di Pietro (que liderou as investigações na Itália), ou com a Mãos Limpas. Ele não tem reputação jurídica, nem elaboração doutrinária: ele ganhou fama trilhando o caminho autoritário, através da violação da Constituição, dos direitos de defesa e inclusive dos direitos humanos. Ganhou os elogios da Globo porque só investiga suspeitos do PT. Quando aparecem indícios sérios sobre o PSDB, ele não os investiga.
 
– E quem seria o Berlusconi brasileiro?
 
– Quem sabe se esse Berlusconi brasileiro não termina sendo o próprio juiz Moro. Ele se fez muito popular entre os grupos mais reacionários. E está cercado por um grupo de promotores fanáticos, uns jovens sem nenhum saber jurídico, que se assumem como se fossem predicadores do bem contra a política. Isso a nível jurídico. A nível parlamentário, Moro também está ganhando apoio. Hoje no Brasil nós temos a Câmara dos Deputados mais reacionária das últimas décadas. Uma casa composta por muitos policiais exercendo cargo de deputados, policiais que vêm às sessões vestidos com uniforme, e eles enaltecem o trabalho de Moro, as leis repressivas e o estado de exceção com aspecto republicano.
 
– Como foi o desempenho de Moro na causa do Petrolão?
 
– Creio que o juiz Moro não tem a exata dimensão das consequências do Petrolão, ou seja, do processo da Lava Jato, e que isso está causando estragos à Petrobras e à economia brasileira, para favorecer não sei quem. Esse processo já comprometeu 2,5% do PBI, isso gera desemprego, a quebra de empresas estratégicas.
 
– O que você acha do uso das delações premiadas?
 
– O uso das delações premiadas é abusivo e autoritário. É curioso, mas nestes momentos, quando não há chance de um retorno dos militares, o fascismo brasileiro atua através das armas, atua através dos órgãos do Estado, como o Poder Judiciário.
 
– Através de delações como essa foi decretada a prisão de José Dirceu, ex-homem-forte do governo de Lula.
 
– É verdade, não me aprofundei no tema, mas não tenho visto nada consistente na acusação contra ele, de quem eu tenho o orgulho de ser amigo.
 
– Dirceu é corrupto ou chefe de uma quadrilha?
 
– José Dirceu é o melhor quadro político do Brasil, um homem com uma biografia de compromisso político e militância, ele foi estigmatizado injustificadamente, não é um corrupto. Existe uma perseguição política contra Dirceu, principalmente na imprensa e entre esses promotores fanáticos. Mas não é verdade que ele montou uma organização para delinquir.
 
– Dilma pode renunciar?
 
– Considero que a presidenta tem muitos defeitos, como o de não gostar de política. Ela foi militante da luta armada, nunca foi líder estudantil, nem de partido, ocupou cargos de quadro técnico. Ela não gosta do jogo da política, esse é um defeito, mas ela tem a virtude de ser aguerrida, valente, tem um carácter forte, até em excesso, ela não vai a fraquejar por causa das pressões.
 
– Qual é a probabilidade de que aconteça o impeachment?
 
– Se me perguntassem há uma semana atrás, eu teria dito que o impeachment estava avançando. Depois de todos esses movimentos bem sucedidos feitos por Dilma e Lula, a situação melhorou, porque o governo recuperou a iniciativa política. Conseguiu atrair o senador Renan Calheiros de volta à base governista, houve diálogo com o Supremo Tribunal Federal. Creio que o governo saiu das cordas, está mais atuante. Agora eu sou mais otimista. Medindo de 1 a 100, na semana passada, o impeachment tinha 60% ou mais de chances, agora tem menos de 30%, capaz que 20%. O impeachment se desinflou.
 
– A oposição insiste na tese de que Dilma não termina o mandato.
 
– A oposição é boa para ganhar pesquisas, mas não consegue eleger um presidente há quatro eleições. Não nos esqueçamos que Dilma ainda tem três anos e meio de mandato por diante. Ninguém ignora o fato de que este é o pior momento dos governos do PT, a economia vai mal, a política também, mas existem chances reais de melhorar.
 
– 66% da população está a favor do juízo político, segundo uma pesquisa.
 
– Teríamos que saber como foram formuladas as perguntas dessa pesquisa. As pessoas estão insatisfeitas com o governo, mas não vejo que exista um 66% querendo impeachment. Talvez haja 66% em São Paulo, mas São Paulo não é o Brasil, São Paulo é um caso atípico, mas é só um Brasil. Nelson Rodrigues, um importante escritor brasileiro, já dizia que “a pior forma de solidão é a companhia de um paulista”.
 
– Lula deveria assumir algum ministério?
 
– Até o mês passado, eu defendia que Lula deveria assumir um ministério político, para melhorar a articulação do governo, mas analisando melhor agora, mudei de ideia. Se estivesse num ministério, eclipsaria Dilma, seria um erro acabar com a figura da presidenta. Além disso, Lula sendo ministro carregará com o desgaste do governo, afetando sua imagem para ser candidato à presidência, em 2018. É o maior líder popular do país, temos que preservá-lo.
 
– O PT é um dos principais alvos dos manifestantes?
 
– O PT está numa encruzilhada, até a sua própria existência está em jogo, e o partido perdeu boa parte da credibilidade que já teve. Deveríamos reconquistar os movimentos sociais, reconquistar a juventude, que também perdemos. Hoje, a juventude vai às ruas com a direita, como se vê nas marchas desestabilizadoras, ou se identifica mais com o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade, nascido de uma dissidência do PT). Lamentavelmente, já não somos uma opção para os jovens, e hoje há muitos jovens conservadores, golpistas, estão nos ganhando nas ruas. Temos que reconhecer, infelizmente, que o PT perdeu a capacidade de mobilização que tinha, terá que reconstruir esse poder, para resistir a esse golpismo. Creio que isso poderá ser reconquistado em algum momento. Precisamos reconhecer que hoje é muito difícil o PT convocar uma mobilização em defesa de um governo que está fazendo um ajuste econômico como este, gerando mais desemprego.
 
– É uma situação irreversível?
 
– É reversível porque o PT é um partido com mais de um milhão de filiados, com uma base muito forte. Hoje não temos capacidade de pedir à sociedade que defenda um governo impopular. Mas temos a possibilidade real de pedir à sociedade que vá às ruas para defender a democracia.
 
Tradução: Victor Farinelli



Créditos da foto: Evan Schneider/ UN



Direita aposta no surgimento de um 'Berlusconi brasileiro' - Carta Maior