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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A quem interessa criminalizar o usuário de drogas? — CartaCapital

A quem interessa criminalizar o usuário de drogas?

por Paulo Teixeira e Cristiano Maronna* — publicado 12/08/2015 16h57
O País e a sociedade só têm a ganhar se o STF confirmar a inconstitucionalidade das punições a quem usa drogas
Tomaz Silva / Agência Brasil
Marcha da Maconha
Marcha da Maconha no Rio de Janeiro: por que o usuário é punido?
encarceramento em massa de usuários de drogas, muitos deles enquadrados como traficantes, é uma das razões da superlotação do sistema prisional brasileiro. O Brasil tinha 607.700 presos em meados do ano passado. A estatística do Ministério da Justiça coloca o País em quarto lugar no ranking mundial de população encarcerada, tanto em números absolutos – atrás apenas de Estados Unidos, China e Rússia –, como em números proporcionais – atrás de Estados Unidos, Rússia e Tailândia. Um em cada quatro prisioneiros cumpre pena por tráfico de drogas. Entre as mulheres, esse percentual chega a 63%. 
Este cenário é absurdo em diversos aspectos. O principal deles talvez seja a ausência de critérios razoáveis para a tipificação do crime de tráfico. Há quem esteja preso por ter sido flagrado com 0,1 grama de maconha.
Segundo a Wikipedia, no verbete “baseado”, um único cigarro de maconha contém tipicamente entre 0,25 grama e 1 grama da erva. Condenar alguém por tráfico por portar uma “ponta” com menos de um terço do volume de um único cigarro da droga denota a incapacidade da nossa Justiça em lidar com a questão.
São abusos que contam com o respaldo da lei, uma vez que, no Brasil, cabe ao policial, em um primeiro momento e, posteriormente, ao juiz, decidir quem é usuário e quem é traficante. Na prática, a regra é clara: branco rico de bairro nobre é usuário; preto pobre da periferia é traficante.
Um segundo aspecto, primo do anterior, é a anacrônica criminalização do usuário. Apesar da compreensão, hoje disseminada no mundo todo, de que o consumidor de drogas deva ser objeto de políticas de saúde pública, e não tratado como caso do sistema de justiça criminal, a Lei de Drogas ora em vigor mantém a possibilidade de condenação daqueles que portam pequenas quantidades, para uso individual.
O usuário já não responde com privação de liberdade desde 2006, mas continua sancionado. Isso significa, em rápidas palavras, que o jovem que traz consigo um baseado pode não ser preso, mas poderá ser julgado, condenado à prestação de serviços comunitários e, incongruência maior, deixará de ser réu primário. É o que diz o artigo 28 da Lei 11.343, de agosto de 2006. Sua incidência abrange “quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar” e também “quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica”.
Quem define, em conformidade com a lei, se o destino da droga (ou da planta) é o consumo pessoal? O juiz. De que jeito? Ele “atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente”.
No Brasil, não é preciso muita abstração para notar que droga no morro é tráfico, na agência de publicidade é uso pessoal; nas mãos do skatista negro é tráfico, nas mãos do operador do mercado financeiro é uso pessoal. 
Na semana em que o Supremo Tribunal Federal (STF) discute a legitimidade da criminalização do porte de drogas para uso pessoal, é preciso estar atento às deformidades provocadas pela lei e agir de modo a corrigi-las.
Recentemente, a alta corte da Argentina decidiu pela inconstitucionalidade da criminalização do uso. Na Colômbia aconteceu o mesmo. O legislador e o juiz dispostos a aprender com a jurisprudência, com a prática adotada em outros países e, sobretudo, com o espírito do tempo, entenderão as muitas inconsistências na criminalização do uso.
Um dos elementos é a compreensão de que não compete ao Estado interferir em práticas individuais que não causam prejuízo a terceiros. Foi esse o entendimento da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que moveu recurso no STF em 2011, depois que um homem foi condenado a prestar serviços comunitários por ter sido flagrado com 3 gramas de maconha.
Segundo esse entendimento, o Estado se porta como ente tutelar ao buscar impedir que um cidadão adulto faça uso de algo que lhe poderá fazer mal à saúde. Quem vende incorre em crime por induzir outra pessoa a risco, o que não acontece com quem apenas planta, cultiva, colhe, porta, detém ou compra para uso pessoal.
O passo seguinte, não menos urgente, é diferenciar de forma objetiva os usuários e os traficantes, algo que escapa à lei atual. Se isso não for feito, o sistema judicial vai continuar considerando pobre traficante e rico usuário. O médico Drauzio Varella chamou atenção recentemente para a posição de outros países em relação a isso. Segundo ele, tomando como exemplo a maconha, é permitida a posse de 5 gramas no México, 10 gramas no Paraguai, 15 gramas na Austrália, 25 gramas em Portugal, 28 gramas nos Estados Unidos e 200 gramas na Espanha. Na Espanha, também são permitidos até 7,5 gramas de cocaína. Se vigorassem no Brasil leis semelhantes às espanholas, o número de presos por tráfico de drogas seria um terço do atual.
Difícil saber a quem interessa criminalizar o usuário.
Certamente, não interessa ao sistema prisional brasileiro, a não ser aos que se entusiasmam com a ideia de privatizar os presídios e instituir remuneração à empresa concessionária conforme o número de detentos. Também não interessa à sociedade, na medida em que toda prisão por posse de pequena quantidade de droga só contribuirá para aproximar o usuário das facções criminosas que dominam os presídios. Tampouco a Justiça é beneficiada pela obrigação de julgar cidadãos detidos com 0,1 grama de maconha. E menos ainda o usuário, submetido de forma recorrente à arbitrariedade policial e à judicialização de uma questão de saúde.
A descriminalização do porte para uso pessoal, ao contrário, será um aceno importante, um passo fundamental para cuidar de quem deve ser cuidado e penalizar quem deve ser penalizado. Ao pensarmos a segurança pública e a urgência de uma nova política de drogas, é cada vez mais evidente que devemos nos concentrar no tráfico. O resto é fumaça.
*Paulo Teixeira é deputado federal (PT-SP). Cristiano Maronna é vice-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e secretário-executivo da Plataforma Brasileira de Política de Drogas
A quem interessa criminalizar o usuário de drogas? — CartaCapital

O contragolpe será muito mais forte do que o golpe! | GGN

O contragolpe será muito mais forte do que o golpe!

Fala-se muito num Golpe, fala-se da eliminação de Dilma, Lula e PT da política brasileira, pode-se até num primeiro momento de forma mais ou menos dentro de uma pseudo normalidade democrática as forças da direita atingirem este objetivo sem precisar de um difícil apoio das forças armadas. Porém poder-se-ia chamar esta “revolução” não como uma revolução colorida como as ocorridas em outros países, como a revolução das borboletas.
Por que este nome? Simplesmente porque quem está aparecendo como uma antítese ao governo atual, não tem a mínima noção como se faz um golpe!
Toda esta mobilização tem como mote a volta da situação anterior de domínio completo e único das elites brasileiras, e esquecem que no Brasil há um povo. Querem voltar ao ponto em que não havia um partido que representasse este povo, este deveria seguir os partidos conservadores, que possuíam pequenas nuances, e levavam a um povo inculto e mal informado a discussão a falsos problemas.
Havia um partido sindicalista, que manobrava uma minoria da população sindicalizada brasileira e com isto governava dentro da medida do possível tendo que compor sempre com forças conservadoras.
O fantasma do Comunismo representado, pela outrora e poderosa União Soviética e sua afilhada Cuba, era utilizada por forças conservadoras e forças religiosas como o Satã que vinha para tirar de todos que tinham algo para não dar a ninguém. De outro lado tínhamos charmosos presidentes norte-americanos que propagandeavam a sua estética hollywoodiana cheia de bons mocinhos e escondendo os principais problemas daquela nação. Apesar desta comédia bufa não emocionar os mais escolarizados e conscientes ela servia e encantava a pequena burguesia urbana, enquanto simplesmente o imenso, ignorante e despolitizado campo nem era considerado na equação.
Baseado nesta pequena burguesia urbana, os primeiros governos pós 1964, conseguiram manter a ordem e a esperança através de programas como o BNH e outras estruturas que substituíam outras bem decadentes de um governo sindicalista. Sem mexer muito na estrutura montada nos governos anteriores, como o BNDES, Petrobrás, Eletrobrás, leis sociais, e outras, conservava-se sem evoluir o projeto de desenvolvimento nacional, reprimia-se a oposição, intensava-se cada vez mais a censura e endurecia-se a repressão. Porém as reformas anteriores não foram praticamente mexidas. Não se evoluiu, mas também na maioria dos aspectos não de recuou.
Num primeiro coordenado pela grande imprensa, um simulacro de democracia foi armado, extinguiram-se os partidos, mas estes foram substituídos por uma situação e por uma oposição consentida. Quanto mais amplos setores se davam conta da farsa mais a repressão e a censura evoluiu. Poder-se-ia dizer que não houvesse um recrudescimento da repressão e da censura, o golpe de 1964 teria uma sobrevida máxima de quatro anos.
Baseado na estrutura econômica pré 64, o regime conseguiu sobreviver, contando com o “milagre econômico” criados pela intensificando do mesmo modelo econômica sem o sorriso e a desenvoltura de um JK. Com a crise do petróleo começou o lento e penoso desmonte do regime de 64.
O resumo de quase 15 anos de política dos golpistas de 64 resumido de forma quase que caricatural no texto acima, mostra que para que estes sobrevivam precisam de uma constante política de concessões e uma intensificação maciça da censura e da repressão, sem estas, rapidamente seu apoio cai e eles são derrubados. Isto ocorre mesmo com Generais presidentes e com forças armadas os apoiando sabendo que a principal característica destas forças e serem ARMADAS.
O que os neo-golpistas de 2015 poderão oferecer para manter a sua posição? Muito pouco, pois a característica política dos mesmos nos dias atuais é de uma política neoliberal que retira direitos da ampla massa de trabalhadores, políticas estas que mostram rapidamente a que vieram. A venda do patrimônio remanescente ao capital internacional, rapidamente cobrará os seus lucros.
Não estamos numa situação de polarização ente dois blocos antagônicos nem se tem uma extrema sobra de capital que havia nas décadas de 60 e 70 pronta a fazer concessões aos países credores. Ideologicamente a defesa da luta contra uma sociedade socializante pode trazer mais adeptos a esta opção do que repulsa. A lembrança de um governo de um operário que melhorou a vida de grande parcela da população pode levar a opinião que no momento que um país que estava à beira de um abismo a solução é o próprio abismo.
A intensificação da censura e o incremento da repressão precisa de adeptos armados, que esquecendo o passado recente, se sujeitem a fazer o serviço sujo de coração e mente esta dura e ingrata tarefa. A tarefa de servir como tropas pretorianas de um golpe que claramente não foi gestado no seu próprio meio.
Não se fazem golpistas como antigamente, as respostas dos novos esquecem que suas políticas darão aos anseios populares uma resposta totalmente nula, pois a fórmula econômica do passado se esgotou e qualquer fórmula da nova direita será um contraponto a estes anseios.
Podem golpear, podem prender, podem até eliminar partidos de oposição, mas como se sabe uma das memórias mais duradoras e fiéis ao passado é a memória gustativa, e quem já teve o gostinho de ascender na hierarquia social, poderá facilmente transformar esta memória em desejo e este desejo em ação.
Não se enganem se houver golpe este não durará décadas, mas poderá ser a sua subsistência contada em meses, com uma diferença, o contra golpe será mais forte e radical.
O contragolpe será muito mais forte do que o golpe! | GGN

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

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Marcelo Zero: A quem interessa a campanha contra o BNDES - Viomundo - O que você não vê na mídia

Marcelo Zero: A quem interessa a campanha contra o BNDES

publicado em 12 de agosto de 2015 às 17:27
bombardier-job-cuts
A quem interessa a campanha contra o BNDES
por Marcelo Zero, via e-mail
Em 1996, a EMBRAER participou de sua primeira grande concorrência internacional.
Tratava-se do fornecimento de 150 aeronaves para as empresas americanas de aviação regional ASA e Comer. A Embraer entrou na concorrência com o seu ERJ-145, um jato regional moderno e eficiente. Era o melhor avião e ainda tinha a grande vantagem de ser o mais barato.
Contudo, a EMBRAER perdeu. Perdeu para a Bombardier, que oferecia melhores condições de financiamento para os compradores, pois contava com forte apoio governamental para a comercialização de suas exportações.
Pouco tempo depois, a gigante American Airlines lançou concorrência de US$ 1 bilhão para a compra de jatos regionais. Era a grande oportunidade que a Embraer tinha de pagar o custoso desenvolvimento do ERJ-145 e de se lançar no promissor mercado internacional de aviação regional, que crescia exponencialmente.
Mas a Embraer sabia que não tinha a menor condição de ganhar a concorrência, mesmo tendo o melhor avião, se não contasse com condições de financiamento semelhantes às que dispunham as suas concorrentes.
Resolveu, então, bater na porta do BNDES. A Embraer tinha de oferecer um financiamento à American Airlines que contemplasse não apenas taxas de juros baixas e amortização de longo prazo, mas também a garantia da devolução das aeronaves, caso houvesse algum problema com os equipamentos.
Para o BNDES, era uma aposta de risco considerável. A Embraer era novata nesse mercado e, caso ocorresse algum problema com as suas aeronaves, o banco ficaria em maus lençóis. Nenhum banco privado, nacional ou internacional, queria assumir esse risco.
O BNDES, entretanto, resolveu confiar na Embraer e ofereceu o financiamento com todas as garantias exigidas pela American Airlines.
Resultado: a Embraer ganhou a concorrência e, com isso, iniciou uma carreira vitoriosa no mercado internacional de aviação regional e executiva.
Hoje, a Embraer oscila entre a terceira e a quarta maior empresa mundial do setor. Apenas em 2013, entregou 90 aeronaves comerciais e 119 de aviação executiva, obtendo uma receita líquida de R$ 13, 64 bilhões. É, de longe, a empresa brasileira que mais exporta produtos de alto valor agregado, gerando altos rendimentos e empregos muito qualificados no Brasil.
Assim, a Embraer e o Brasil aprenderam a lição. Não se faz exportações volumosas de bens e serviços, no concorridíssimo mercado internacional, sem apoio financeiro governamental e bancos públicos de investimento.
A Embraer da qual tanto nos orgulhamos simplesmente não existiria, caso não tivesse contado com o apoio do BNDES.
Ironicamente, o orgulho justificado que dedicamos à Embraer não se estende ao banco público que financiou o seu sucesso e o de tantas outras empresas brasileiras.
Ao contrário, há, atualmente, uma grande campanha contra esse estratégico banco público de investimentos.
Uma campanha bem sórdida, por sinal. A desonestidade intelectual que cerca o debate sobre a atuação desse grande banco público de investimentos é assustadora. A bem da verdade, ou é desonestidade intelectual assustadora ou é ignorância abissal.
Com efeito, divulgou-se uma série de mentiras deslavadas sobre esse banco.
Disseram, por exemplo, que o BNDES investe muito em obras na Venezuela, Cuba, Angola, etc., em detrimento dos investimentos imprescindíveis para o Brasil.
Ora, como bem assinalou o presidente Luciano Coutinho, entre 2007 e 2014, as operações de apoio à exportação de serviços do BNDES corresponderam a apenas cerca de 2% do total dos financiamentos que foram oferecidos pelo banco.
Portanto, o BNDES investe ao redor de 98% de seus recursos no Brasil.
Mesmo assim, há gente que, iludida pelas mentiras divulgadas, quer simplesmente proibir o BNDES de dar apoio financeiro à exportação de serviços. A natureza obviamente beócia da proposta deveria saltar aos olhos até do reino mineral, caso lá houvesse olhos, mas há gente que a leva a sério, mesmo no Congresso Nacional.
Da mesma forma, alegou-se que as taxas usadas pelo BNDES para a exportação de serviços constituíam “subsídios indevidos” às empreiteiras. Argumento muito parecido ao usado pelo governo canadense, quando nos acionou na OMC quanto às exportações da Embraer. Ora, o uso das taxas Libor nessas operações foi estabelecido em 1996, pois, para ser competitivo no mercado mundial, é necessário praticar financiamentos com base em taxas internacionais.
Insinuaram também que o sigilo envolvido nas operações financeiras de exportação de serviços destinava-se a ocultar ilícitos e favorecimentos ideológicos a governos “comunistas” e “bolivarianos”, lançando uma suspeita indigna sobre o BNDES, banco que opera com critérios técnicos rigorosos e no qual a análise da concessão de um grande empréstimo demora, em média, 450 dias.
Ora, o BNDES não pode divulgar os detalhes dessas operações financeiras não porque não queira, mas simplesmente porque não pode. Ele é proibido por lei de fazê-lo.
A Lei Complementar nº 105, de 2001, ratificada no segundo governo tucano, protege o sigilo do tomador de empréstimo, independentemente do banco ser público ou privado. Não interessa se o empréstimo foi obtido junto ao Itaú, ao Bradesco, ao Banco do Brasil ou ao BNDES: a proteção jurídica é a mesma.
Há quem argumente, entretanto, que, no caso de banco público, não deveria haver nenhum sigilo. Bom, nesse caso, a lei tucana teria de ser modificada.
O problema maior, porém, não é esse. Leis podem ser modificadas. A dura realidade do concorrido mercado internacional de bens e serviços não pode.
Imaginemos o cenário idealizado pelos que propugnam pela total transparência dessas operações financeiras. Caso a Embraer precisasse do apoio do BNDES para fazer uma grande exportação de aeronaves, esse banco estaria obrigado a divulgar ao público informações sensíveis e estratégicas da empresa, como nível de endividamento, capacidade de pagamento, nível de exposição ao risco, probabilidade de êxito na concorrência, competitividade do bem a ser exportado, estratégia de atuação da empresa no mercado mundial, etc.
Bonito, não? Bonito, e por certo, muito inteligente também. A Bombardier e outras empresas concorrentes das empresas brasileiras lá fora concordam inteiramente.
É por isso que nenhum banco que financia exportações no mundo divulga detalhes sensíveis dessas operações. Os americanos não o fazem, os alemães e os chineses, tampouco. Ninguém faz. É fácil imaginar a razão. Menos no Brasil.
Na realidade, conforme a Open Society Foundations, principal ONG mundial dedicada à transparência, o BNDES já é o banco de investimentos mais transparente do mundo. E essa transparência não adveio de pressões recentes. Ela já fazia parte da linha de atuação do banco há bastante tempo. Conforme o testemunho da Open Society, que participou de muitas reuniões com o BNDES, o programa de crescente transparência do banco avançou por iniciativa da própria gestão do BNDES.
Há muito que o BNDES disponibilizava informações sobre essas linhas de crédito que praticamente nenhum banco semelhante do mundo fornecia. Junto com o Eximbank dos EUA, o BNDES era o único banco que, há anos, oferecia ao público informações como relatórios detalhados anuais, portal de transparência com possibilidade requisição de informações e estatísticas detalhadas online.
O novo portal apenas ampliou a transparência já existente.
Tudo isso deveria ser motivo de orgulho em qualquer país do mundo. Menos no Brasil.
Aqui continuam as acusações parvas contra o banco e as iniciativas para submeter o BNDES a uma CPI. Sempre com argumentos desonestos e mal informados.
Quando a Embraer começou a incomodar a Bombardier com sua concorrência, o governo canadense logo tratou de questionar o financiamento de suas exportações na OMC. Não bastasse, acabou levantando suspeitas de que o gado “verde” brasileiro poderia estar contaminado com o mal da vaca louca. Um golpe desonesto, que, por iniciativa do então deputado Aloizio Mercadante, provocou a pronta resposta do Congresso Nacional, o qual sustou a tramitação dos atos internacionais firmados com o Canadá. Assim, o Legislativo brasileiro defendeu o Brasil, a Embraer e, por tabela, o banco que financiou seu sucesso mundial.
Agora, setores desse mesmo Congresso perseguem o BNDES, com argumentos tão toscos e desonestos quanto o usado pelo governo canadense.
Não se sabe ao certo no que isso vai dar.
Uma coisa, porém, é certa: a Bombardier agradece.




Haja vaca louca!
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CLAUDICANDO: Médicos Populares se solidarizam com estudante ata...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Médicos Populares se solidarizam com estudante atacada por discurso sobre políticas de saúde


Via Contexto Livre

Após discursar sobre as mudanças que o Governo Dilma proporcionou para sua vida, a estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sofreu várias ofensas em sua página do Facebook

A estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), denunciou, em seu perfil no Facebook, as ofensas sofridas após discurso na cerimônia de dois anos do Programa Mais Médicos, em Brasília. Luiza falou sobre as transformações que a educação provocou na sua vida, a partir da oportunidade de estudar medicina por políticas públicas do governo Dilma Rousseff.

“Vadia”, “ignorante”e “médica vagabunda pobre” foram alguns dos adjetivos usados por médicos e estudantes para ofendê-la. “Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por médicos e futuros médicos, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara”, escreveu Luiza. A Rede Nacional de Médicas e Médicas Populares divulgou nota nesta terça-feira (11) em solidariedade à jovem.

Confira, integralmente, a nota da Rede:

Nota de Desagravo da Rede de Médicas e Médicos Populares à Ana Luiza Lima

A onda de ódio não passará!

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares vem, através desta nota, prestar solidariedade à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima, que recentemente comoveu todo o país com seu discurso na comemoração dos dois anos do Programa Mais Médicos. Seu discurso emocionado, por meio do qual agradece as recentes políticas educacionais que permitiram “a neta de um agricultor sonhar em ser doutora” (nas próprias palavras dela) inspirou milhões, mas provocou a ira de um setor reacionário e conservador, que encontra em parte da nossa categoria uma das suas mais perversas formas de expressão.

A onda conservadora dentro da categoria mostrou sua face logo após o anúncio da vinda de médicas e médicos cubanos para atender áreas de difícil provimento destes profissionais por parte do governo federal. Erigiu funerais da Presidenta Dilma e do Ministro Alexandre Padilha e perpassou por cenas nefastas como o “corredor polonês” contra os médicos cubanos no Ceará, com direito a ovos arremessados e xingamentos que não merecem mais ser repetidos. Vários colegas foram perseguidos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs) Brasil afora por se posicionarem favoráveis ao Programa Mais Médicos e não se alinharem com o discurso corporativista, permanecendo as ameaças dos CRMs sobre os médicos que contribuem com o programa (supervisores e tutores) até hoje.

Agora a vítima é uma estudante de Medicina que cometeu o pecado de falar a verdade. Uma estudante oriunda de família humilde que ousou entender que seu sucesso hoje foi fruto de uma política pública e ousou agradecer à Presidenta Dilma pelo esforço de manter políticas voltadas aos mais pobres deste país. O ódio contra Ana Luiza manifestou-se não apenas sob a forma de machismo — numa das regiões do país onde as mulheres mais sofrem com violência e onde o patriarcado se mantém firme e forte — mas, fundamentalmente, como ódio de classe, ódio ao que representou o seu discurso, ódio ao agradecimento à Presidenta, ódio de quem não suporta ver seus privilégios ameaçados.

Por tudo isto e muito mais, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares denuncia a ofensiva conservadora que se materializa no ódio à Ana Luiza e presta irrestrita solidariedade à nossa futura colega. Saiba, Ana Luiza, que assim como você, existem médicas e médicos que se preocupam com o povo brasileiro, que respeitam sua diversidade étnica, sexual, religiosa e ideológica, que se preocupam com a conformação do SUS como sistema de direitos sociais, público, gratuito, integral e de qualidade. Assim como você, existem médicas e médicos que sonham e que fundamentalmente lutam por um futuro onde este tipo de agressão à você fique num passado distante.

Todo apoio à Ana Luiza Lima

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

Leia o relato de Ana Luiza na página pessoal dela no Facebook:

QUEM QUER A CABEÇA DA ESTUDANTE DE MEDICINA?

“Me pergunta, que tipo de sentimento é o medo? Te respondo — dos outros! O meu é o mesmo há várias luas…Deixa os verme falar pelos cotovelos eu ainda falo pelas ruas!!!!” – Emicida.


Vim aqui pra deixar coisas claras. Vim falar porquê a minha garganta não aguenta o nó que se formou. E eu NUNCA fui de calar. Fui convidada a falar sobre a transformação que a educação causou na minha vida e sobre a alegria de cursar medicina. E assim escrevi um texto, de coração e de peito aberto. E hoje penso em tudo que eu disse e tudo que eu queria ter dito mas não foi ouvido. Minhas palavras ecoaram. Porém nunca foram direcionadas à NENHUM partido político. Foi o reconhecimento de um acerto e uma reafirmação do que eu acredito e luto. Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA. De novo. Está tudo guardado, não para dar respostas. Mas porque aprendi desde cedo a não responder ódio com violência. Não. Eu NÃO tenho a SUA sede de sangue.


Mas eu tenho uma novidadinha pra essa classe COVARDE de profissionais. A mesma classe que eu já vi combinando entre si no MESMO grupo, de “tratar mal os negros, as feministas e os gays que chegassem nos consultórios médicos, pra que esse povinho aprendesse seu devido lugar”. A novidade é que minhas palavras não foram em nenhum momento pra vocês. Vocês que ignoram a realidade cruel vivida todos os dias nos hospitais públicos. Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis. Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.


Eu não fui nenhuma heroína, e eu conheço mil médicos que são verdadeiros heróis. Que não precisaram de mais NADA além de força de vontade pra vencer na vida. Mas me desculpa, é que eu penso além. Eu sonho com o dia em que vamos cobrar das nossas crianças, apenas COMPETÊNCIA pra vencer, e não mais heroísmo.


Eu tô falando com aqueles meninos que você tem medo quando para no sinal, tô falando daqueles com fuzil na mão vigiando um fio de vida nos morros das grandes cidades. Tô falando daquela menina que mora na rua e cata latinha, daquele nos campos com enxada na mão cortando cana. Daquela que perde a infância nas esquinas da prostituição. Tô falando daqueles que você insiste em dizer que não existem. Por quê quando você percebe que ELES EXISTEM, coça em você uma ferida podre de 515 anos. Te dá um medo na espinha quando aparece alguém pra defender uma educação por eles e para eles. Te gela a alma a chegada do dia em que o povo não vai mais esquecer seus Amarildos e suas Cláudias Silvas….


Eu já consigo imaginar muitos de vocês rindo, pensando na reeleição garantida, enquanto veem no jornal o povo gritando por mais prisões e menos escolas. E apesar de me doer, eu entendo esse grito.


Eu engoli meu medo porque sei que toda luta pode ser desmerecida. Eu dei minha cabeça à prêmio, e voltei pra casa com a esperança real de um hospital universitário pra minha região onde muita gente tem sorte de ter a esperança de ter um prato de comida.


Eu recebi um agradecimento da prefeita de uma das maiores cidades do país, dizendo que graças às minhas palavras, um novo plano pra educação pública vai ser pensado, e que ela se encheu de esperança e disposição para lutar com unhas e dentes pelos professores da rede pública e pelos jovens em situação de risco. Isso já me curou de todos os medos e de todo o ódio que me foi jogado.


Esperança. Vontade de mudar. EMPODERAMENTO de um povo PELO seu povo.


Eu sei que eu não sou nada nesse sistema corrompido e intricado. Eu sei que não sou ninguém diante dos poderosos desse país. Mas eu tenho outra novidade, eu não estou sozinha, e gente como eu, é quem te causa os piores pesadelos à noite.


E eu vou seguir, mesmo frágil, mesmo com medo, mas sempre acreditando.

“Então serra os punhos, sorria. E jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia.”

Assista aqui ao discurso de Ana Luiza na cerimônia do Mais Médicos:



No Saúde Popular



O motivo pelo qual uma médica cubana faz muito sucesso no semiárido de Alagoas

Madelyn em ação
O UOL fez uma reportagem sobre o Mais Médicos, programa que completou dois anos.

A reportagem citou uma pesquisa recente feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Foram entrevistadas 14 mil pessoas em 700 municípios entre novembro e dezembro de 2014.

Os médicos do programa (os cubanos são 11.429 do total de 14.462 ) receberam, em média, nota 9 pelo atendimento.

55% dos entrevistados deram nota máxima ao programa. Outros 77% garantiram que tiveram boa comunicação com os médicos e 87% elogiaram a atenção e qualidade do atendimento ao paciente.

O UOL foi a Girau do Ponciano, no semiárido de Alagoas. O município foi um dos primeiros a receber cubanos do programa Mais Médicos, em setembro de 2013.

No posto de saúde onde a médica Madelyn Guerra Sanchez trabalha em Girau do Ponciano, diz a reportagem, a procura é maior que de outras unidades da cidade.

O UOL ouviu Celiane Ferreira Gomes, técnica de enfermagem da unidade para entender o sucesso do posto de Madelyn.

O depoimento de Celiane: “As pessoas vêm à procura do atendimento dela, não querem mais os brasileiros. Os brasileiros sempre saem mais cedo, faltam ao trabalho. Ela, não. Examina sempre, atende com mais proximidade. É diferente.”

Alguma surpresa?
CLAUDICANDO: Médicos Populares se solidarizam com estudante ata...: Via Contexto Livre Após discursar sobre as mudanças que o Governo Dilma proporcionou para sua vida, a estudante de medicina Ana Luiza ...

CLAUDICANDO: Médicos Populares se solidarizam com estudante ata...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Médicos Populares se solidarizam com estudante atacada por discurso sobre políticas de saúde


Via Contexto Livre

Após discursar sobre as mudanças que o Governo Dilma proporcionou para sua vida, a estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sofreu várias ofensas em sua página do Facebook

A estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), denunciou, em seu perfil no Facebook, as ofensas sofridas após discurso na cerimônia de dois anos do Programa Mais Médicos, em Brasília. Luiza falou sobre as transformações que a educação provocou na sua vida, a partir da oportunidade de estudar medicina por políticas públicas do governo Dilma Rousseff.

“Vadia”, “ignorante”e “médica vagabunda pobre” foram alguns dos adjetivos usados por médicos e estudantes para ofendê-la. “Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por médicos e futuros médicos, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara”, escreveu Luiza. A Rede Nacional de Médicas e Médicas Populares divulgou nota nesta terça-feira (11) em solidariedade à jovem.

Confira, integralmente, a nota da Rede:

Nota de Desagravo da Rede de Médicas e Médicos Populares à Ana Luiza Lima

A onda de ódio não passará!

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares vem, através desta nota, prestar solidariedade à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima, que recentemente comoveu todo o país com seu discurso na comemoração dos dois anos do Programa Mais Médicos. Seu discurso emocionado, por meio do qual agradece as recentes políticas educacionais que permitiram “a neta de um agricultor sonhar em ser doutora” (nas próprias palavras dela) inspirou milhões, mas provocou a ira de um setor reacionário e conservador, que encontra em parte da nossa categoria uma das suas mais perversas formas de expressão.

A onda conservadora dentro da categoria mostrou sua face logo após o anúncio da vinda de médicas e médicos cubanos para atender áreas de difícil provimento destes profissionais por parte do governo federal. Erigiu funerais da Presidenta Dilma e do Ministro Alexandre Padilha e perpassou por cenas nefastas como o “corredor polonês” contra os médicos cubanos no Ceará, com direito a ovos arremessados e xingamentos que não merecem mais ser repetidos. Vários colegas foram perseguidos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs) Brasil afora por se posicionarem favoráveis ao Programa Mais Médicos e não se alinharem com o discurso corporativista, permanecendo as ameaças dos CRMs sobre os médicos que contribuem com o programa (supervisores e tutores) até hoje.

Agora a vítima é uma estudante de Medicina que cometeu o pecado de falar a verdade. Uma estudante oriunda de família humilde que ousou entender que seu sucesso hoje foi fruto de uma política pública e ousou agradecer à Presidenta Dilma pelo esforço de manter políticas voltadas aos mais pobres deste país. O ódio contra Ana Luiza manifestou-se não apenas sob a forma de machismo — numa das regiões do país onde as mulheres mais sofrem com violência e onde o patriarcado se mantém firme e forte — mas, fundamentalmente, como ódio de classe, ódio ao que representou o seu discurso, ódio ao agradecimento à Presidenta, ódio de quem não suporta ver seus privilégios ameaçados.

Por tudo isto e muito mais, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares denuncia a ofensiva conservadora que se materializa no ódio à Ana Luiza e presta irrestrita solidariedade à nossa futura colega. Saiba, Ana Luiza, que assim como você, existem médicas e médicos que se preocupam com o povo brasileiro, que respeitam sua diversidade étnica, sexual, religiosa e ideológica, que se preocupam com a conformação do SUS como sistema de direitos sociais, público, gratuito, integral e de qualidade. Assim como você, existem médicas e médicos que sonham e que fundamentalmente lutam por um futuro onde este tipo de agressão à você fique num passado distante.

Todo apoio à Ana Luiza Lima

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

Leia o relato de Ana Luiza na página pessoal dela no Facebook:

QUEM QUER A CABEÇA DA ESTUDANTE DE MEDICINA?

“Me pergunta, que tipo de sentimento é o medo? Te respondo — dos outros! O meu é o mesmo há várias luas…Deixa os verme falar pelos cotovelos eu ainda falo pelas ruas!!!!” – Emicida.


Vim aqui pra deixar coisas claras. Vim falar porquê a minha garganta não aguenta o nó que se formou. E eu NUNCA fui de calar. Fui convidada a falar sobre a transformação que a educação causou na minha vida e sobre a alegria de cursar medicina. E assim escrevi um texto, de coração e de peito aberto. E hoje penso em tudo que eu disse e tudo que eu queria ter dito mas não foi ouvido. Minhas palavras ecoaram. Porém nunca foram direcionadas à NENHUM partido político. Foi o reconhecimento de um acerto e uma reafirmação do que eu acredito e luto. Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA. De novo. Está tudo guardado, não para dar respostas. Mas porque aprendi desde cedo a não responder ódio com violência. Não. Eu NÃO tenho a SUA sede de sangue.


Mas eu tenho uma novidadinha pra essa classe COVARDE de profissionais. A mesma classe que eu já vi combinando entre si no MESMO grupo, de “tratar mal os negros, as feministas e os gays que chegassem nos consultórios médicos, pra que esse povinho aprendesse seu devido lugar”. A novidade é que minhas palavras não foram em nenhum momento pra vocês. Vocês que ignoram a realidade cruel vivida todos os dias nos hospitais públicos. Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis. Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.


Eu não fui nenhuma heroína, e eu conheço mil médicos que são verdadeiros heróis. Que não precisaram de mais NADA além de força de vontade pra vencer na vida. Mas me desculpa, é que eu penso além. Eu sonho com o dia em que vamos cobrar das nossas crianças, apenas COMPETÊNCIA pra vencer, e não mais heroísmo.


Eu tô falando com aqueles meninos que você tem medo quando para no sinal, tô falando daqueles com fuzil na mão vigiando um fio de vida nos morros das grandes cidades. Tô falando daquela menina que mora na rua e cata latinha, daquele nos campos com enxada na mão cortando cana. Daquela que perde a infância nas esquinas da prostituição. Tô falando daqueles que você insiste em dizer que não existem. Por quê quando você percebe que ELES EXISTEM, coça em você uma ferida podre de 515 anos. Te dá um medo na espinha quando aparece alguém pra defender uma educação por eles e para eles. Te gela a alma a chegada do dia em que o povo não vai mais esquecer seus Amarildos e suas Cláudias Silvas….


Eu já consigo imaginar muitos de vocês rindo, pensando na reeleição garantida, enquanto veem no jornal o povo gritando por mais prisões e menos escolas. E apesar de me doer, eu entendo esse grito.


Eu engoli meu medo porque sei que toda luta pode ser desmerecida. Eu dei minha cabeça à prêmio, e voltei pra casa com a esperança real de um hospital universitário pra minha região onde muita gente tem sorte de ter a esperança de ter um prato de comida.


Eu recebi um agradecimento da prefeita de uma das maiores cidades do país, dizendo que graças às minhas palavras, um novo plano pra educação pública vai ser pensado, e que ela se encheu de esperança e disposição para lutar com unhas e dentes pelos professores da rede pública e pelos jovens em situação de risco. Isso já me curou de todos os medos e de todo o ódio que me foi jogado.


Esperança. Vontade de mudar. EMPODERAMENTO de um povo PELO seu povo.


Eu sei que eu não sou nada nesse sistema corrompido e intricado. Eu sei que não sou ninguém diante dos poderosos desse país. Mas eu tenho outra novidade, eu não estou sozinha, e gente como eu, é quem te causa os piores pesadelos à noite.


E eu vou seguir, mesmo frágil, mesmo com medo, mas sempre acreditando.

“Então serra os punhos, sorria. E jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia.”

Assista aqui ao discurso de Ana Luiza na cerimônia do Mais Médicos:



No Saúde Popular



O motivo pelo qual uma médica cubana faz muito sucesso no semiárido de Alagoas

Madelyn em ação
O UOL fez uma reportagem sobre o Mais Médicos, programa que completou dois anos.

A reportagem citou uma pesquisa recente feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Foram entrevistadas 14 mil pessoas em 700 municípios entre novembro e dezembro de 2014.

Os médicos do programa (os cubanos são 11.429 do total de 14.462 ) receberam, em média, nota 9 pelo atendimento.

55% dos entrevistados deram nota máxima ao programa. Outros 77% garantiram que tiveram boa comunicação com os médicos e 87% elogiaram a atenção e qualidade do atendimento ao paciente.

O UOL foi a Girau do Ponciano, no semiárido de Alagoas. O município foi um dos primeiros a receber cubanos do programa Mais Médicos, em setembro de 2013.

No posto de saúde onde a médica Madelyn Guerra Sanchez trabalha em Girau do Ponciano, diz a reportagem, a procura é maior que de outras unidades da cidade.

O UOL ouviu Celiane Ferreira Gomes, técnica de enfermagem da unidade para entender o sucesso do posto de Madelyn.

O depoimento de Celiane: “As pessoas vêm à procura do atendimento dela, não querem mais os brasileiros. Os brasileiros sempre saem mais cedo, faltam ao trabalho. Ela, não. Examina sempre, atende com mais proximidade. É diferente.”

Alguma surpresa?
CLAUDICANDO: Médicos Populares se solidarizam com estudante ata...: Via Contexto Livre Após discursar sobre as mudanças que o Governo Dilma proporcionou para sua vida, a estudante de medicina Ana Luiza ...