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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Por que a Globo ainda precisa da Dilma | Conversa Afiada





Publicado em 10/08/2015

Por que a Globo
ainda precisa da Dilma

Enquanto o Google não googla a Globo …


Percebe-se aqui e ali uma certa dificuldade para entender por que um dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – avisou que chega de furdunço, num intervalo daquela patética solenidade em que o Senado se curvou ao poder da Globo, com um Ministro da Dilma na mesa dos trabalhos solenes…

(Não deixe de votar em trepidante enquete.)

O esvaziamento do poder da Globo se dá com a velocidade que se observa over the top …

A rapidez com que o Trabuco, presidente do Bradesco, troca de série na Netflix (ele deve estar ansioso pelo Wagner Moura no papel de Pablo Escolar…)

Naquela celebre entrevista, em que sugeriu acabar com o furdunço, o Trabuco revelou:


“O presidente do Bradesco consegue ter vida pessoal?
É um cargo que me exige 24 horas sete dias por semana. As responsabilidades são grandes e as pessoas precisam encontrar suas formas de sair do estresse. 


E como o sr. faz isso? Aqui no banco dizem que o sr. virou fã das séries de TV…
Sempre gostei muito de cinema. O cinema, a biblioteca e a leitura dos jornais ajudaram na minha formação lá em Marília (SP) e mudaram minha vida. Vejo isso quando comparo com meus colegas, meus irmãos, parentes. 

A descoberta do Netflix foi fabulosa. Hoje ele sabe tanto dos meus hábitos que vive me dando sugestões de séries. E tem umas formidáveis. “Breaking Bad”, é apaixonante. Atualmente estou vendo a primeira temporada do “Downton Abbey”. Tem umas série geniais. 

“Game of Thrones” está no período de vazante, mas estou ansioso para que volte com os novos episódios.”


O Presidente do Bradesco não assiste a Babilônia !

Nem os filhos do Roberto Marinho, provavelmente …

Devem preferir Os Dez Mandamentos, muito melhor !

(Quá, quá, quá !)

Uma minuciosa navegação na Bloomberg e na World Screen revelará que as ações dos conglomerados abrangentes de media nos Estados Unidos, como a Fox, CBS, Discovery, USA Network, Time, 21st Century etc se aproximam daquele ponto em que, na Bolsa brasileira, em certo tempo, se chamava de “merposa”.

Warren Buffett acabou de comprar por US$ 37 bilhões uma empresa que produz peças para indústrias aeroespaciais e de energia.

Não chega nem perto das Globos …

No Brasil, a Globo não pode permitir que o país mergulhe no furdunço do Gilmar, Cunha e Pauzinho do Dantas, naquele conspiratório café da manhã.

O Globope da Globo, o Globope ! , desaba consistentementeirremediavelmente.

A Globo precisou do inflexível, implacável relator Fux para tentar sufocar o Google no Supremo Tribunal, como se o Brasil fosse uma Coreia do Norte !

Ela pode atrapalhar os planos do YouTube da Google no Brasil, mas, inevitavelmente, o Google vai googlar a Globo.

O Google já é o segundo e breve será o primeiro destino da verba publicitária no Brasil !

A Globo vai precisar, ainda, regular a regulamentação do vídeo na internet, mesmo que seja necessário sufocar as telefônicas que se instalaram no Brasil – e que dão acesso aos vídeos que concorrem com a Globo !

De quem a Globo precisa, desesperadamente ?

Do Governo Dilma !

(Sim, porque aquela preciosa fonte do Conversa Afiada, o Valdir Macedo não se cansa de dizer que não se interessa pela Globo, porque a audiência não cobre mais os custos com a folha de salários. Só salário do Ataulpho (ver no ABC do C Af) já é uma fortuna !)

A quem o empresario capitalista, livre-mercadista, neolibelês brasileiro recorre quando a água bate nos joelhos ?

Ao Estado !

E depois dá entrevista à Urubóloga para esculhambar o Estado !

Pois, os filhos do Roberto Marinho não podem esperar muito tempo.

A Dilma tem que ajuda-los.

E isso é tarefa para ontem !

E não haverá nenhum constrangimento político.

A primeira coisa que o Presidente Lula fez, depois de eleito em 2002, foi ancorar o jornal nacional com a Fátima Bernardes, antes de ela vender salsicha da Friboi.

Lula passou oito anos no Governo e, aos 45′ do segundo tempo, já nos acréscimos, fez uma Ley de Medios que o Bernardo Plim Plim jogou no lixo.

Dilma disse aos blogueiros que o país já estava maduro para uma Ley de Medios.

De tão maduro apodreceu na mãos de um bernardizado que ocupa o Ministério das Comunicações.

A Dilma vai salvar a Globo, também, com a “mídia técnica” da SECOM, que enche o saco da Globo de dinheiro !

E, segundo o Requião, no Barão de Itararé, é uma mídia muito boa para os grandes conglomerados de mídia – ou seja, a Globo !

A Globo precisa do apoio do Governo para ferrar o Google !

E precisa do apoio do Governo para ferrar as telefônicas e interditar o acesso do Trabuco à Netflix !

(Quem mandou o Wagner Moura fazer serie para a Netflix e não trabalhar em Babilônia !)

Há muito mais interesses em jogo do que imaginam os gilmares, cunhas e pausinhos !

Ou os nardes e seus colegas do tribunal das contas – que o Ricardo Melo chama de Tribunal Criminoso da União !


Paulo Henrique Amorim

Por que a Globo ainda precisa da Dilma | Conversa Afiada

Exército reforçará presença na Amazônia, diz o comandante Vilas Bôas ao Fato Online - Fato Online

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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Disputa pela Petrobras contribuiu para golpe de 1964

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/MARCHA DAS MARGARIDAS 2015 – PORQUE MARCHAMOS!

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O que levou a Globo a desistir do golpe | Brasil 24/7

O ABRAÇAÇO
Sucederá Dilma quem vencer as eleições em 2018, sentenciou J.R. Marinho.
Grandes merdas ele disse: uma obviedade, uma tautologia, um lugar-comum, uma ululância; uma bobagem, em suma.
Certo? Errado.
Até aqui o certo era o golpe, a abreviação do mandato da mandatária, o impeachment.
Mas com mil diabos.
Como dar um golpe sem o apoio da Globo? Quando digo Globo, quero dizer O Grande Irmãos, três cabras.
Sem a Globo, Joaquim Barbosa jamais teria a visibilidade repentina e a repentina invisibilidade posterior que teve.
A capa da revistaveja com o menino pobre foi só a confirmação de uma imagem já criada.
Sem o timbre da Globo, Merval seria um mero mortal.
Sem a Globo, Moro não teria tanta blindagem nem tanta coragem.
Sem a Globo, o helicóptero dos Perrella não tinha caído na esparrela e no esquecimento.
Sem a Globo, Aécio e um monte de gente já estava em cana.
Sem a conivência da Globo, Cunha já teria caído; derrubaram Severino por causa de uns salgadinhos.
E por que a Globo pulou fora?
Porque sentiu que o povo caiu pra dentro. Ou melhor, por três motivos:
1 – Banqueiros e grandes empresários - o capital - chegaram a conclusão de que é melhor o país procurar um rumo seguro do que se perder de vez nas mãos de aventureiros irresponsáveis e incompetentes.
Com eles, perderão todos.
O Bradesco sacou seu Trabuco e atirou: "precisamos sair desse ciclo do quanto pior, melhor. Melhor para quem? Para o Brasil, não é. As pessoas precisam ter a grandeza de separar o ego pessoal do que é o melhor para o país".
2 – Imagem. A Globo (O Grande Irmãos) sabe que Dilma só sairá de lá se for arrancada a força, dentro da lei e da ordem não há nada a fazer. Mas como enfrentar 54 milhões de eleitores e passar impune?
O Manchetômetro já fez mal demais à imagem da platinada, a cada dia cresce a certeza de que O Grande Irmãos mente e manipula.
Uma hora isso cansa.
É só observar, suas novelas despencam, Tom & Jerry dão surras seguidas em Fátima Bernardes, o Jornal Nacional agoniza em praça pública, colocaram Bonner para caminhar, câmeras em movimento, uma negra para narrar o tempo e nada.
Uns dizem, mas deixaram de ver a Globo para ir pra internet. Cara, isso é uma meia verdade. Fátima Bernardes tá perdendo para um desenho animado, batidíssimo, de uma emissora concorrente e não para o Netflix.
Calma aí.
3 – Começou a reação contra o golpe, e tudo indica que ela vi se agigantar.
Saímos das cordas. Quem assistiu Rocky sabe do que tô falando. No filme, o gigante branco espancava o baixinho, massacrava Balboa.
Quase triturado, ele arrancou forças do fundo de seu âmago e passou a reagir; o resultado final todos sabem.
Veja agora o rockysmo, MST e CUT botaram o bloco na rua.
Intelectuais orgânicos e artistas do primeiro time reapareceram indignados: Jô Soares, Aldir Blanc, Fernando Morais, Maria Rita Khell, Viviane Moisé, Paulo Betti, Pedro Cardoso, Marieta Severo, Zé de Abreu, Jorge Furtado, Luis Fernando Veríssimo... e pela porta dos fundos vieram Gregório Duvivier, Tico Santa Cruz, Emicida...
Cara, até o Barack Obama entrou dando uma voadora na repórter da Globo.
Parece uma reedição do Lula-lá.
O maravilhoso e correto programa do PT, com mudança de tom e a fala firme da presidenta "ninguém vai tirar a legitimidade dos meus 54 milhões de votos", sinaliza a mudança do Zeigeist.
O abraçaço ao Instituto Lula é mais um sinal.
Observe com atenção, está sendo construída uma nova narrativa.
Até pouco tempo nós, progressistas, estávamos sendo chacoalhados em cadeiras de rodas, acuados nas ruas, xingados nas redes sociais, achincalhados em restaurantes, casamentos, estádios...
Nunca mais vi uma estrela vermelha no peito de seo Ninguém.
O golpe parecia iminente.
Mas eles – O Grande Irmãos - esticaram a corda demais, nenhum funâmbulo se equilibra em cima dela.
Exageraram na crise política, anabolizaram exageradamente a crise econômica, deram corda a toda sorte de aloprados e perderam o controle sobre eles, atiram no próprio pé.
E já sentem os sinais do fracasso.
A caminhada frustrada do Pequeno Kim foi uma mostra disso. O panelaço gourmet definhou e o abraçaço é só o começo.
O Grande Irmãos viu que terá que arcar com as consequências de apoiar inconsequentes como o nosso Napoleão de Hospício, o Pequeno Kim, o descerebrado Cunha e o alucinado Moro.
Viram que é uma burrice trocar o lulismo pelo kataguirismo.
Os kataguiris já falam à boca grande que vão meter Lula, à força, dentro de uma jaula.
Acham que podem matar Cecil, o grande leão, e irem amanhã comprar pão na padaria.
Imagina Lula num camburão e uma multidão atrás abrindo as portas da viatura e libertando-o.
Por isso, a Globo recuou.
E porque são solidários, o bloco hegemônico da grande mídia tende a seguir O Grande Irmãos.
Hoje a Folha editorializou com as mesmas tintas da irmandade, condenou o golpe deu chineladas na bunda os golpistas.
Agora é hora de multiplicarmos os abraçaços: abraçaços nas estatais, no Congresso, nos tribunais, nas nossas instituições democráticas... sairemos em defesa do nosso país.
O Grande Irmãos já sentiu o primeiro golpe, agora é usar a tática lango-lango, e golpear até o bicho cair.
Depois a gente abre o zíper e mija em cima da carcaça.
Palavra da salvação.
O que levou a Globo a desistir do golpe | Brasil 24/7

Vídeo Popular - 30 anos depois: Além de trabalhador, negro

Políticas invisíveis, redistribuição perversa e “politização” pela direita — Brasil Debate

Políticas invisíveis, redistribuição perversa e “politização” pela direita

O 'estado submerso' é o conjunto de políticas públicas que funcionam por meio de incentivos, subsídios ou repasses a organizações privadas. Sua invisibilidade faz com que os beneficiários desdenhem o gasto social e ignorem serem seus beneficiários
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Suzanne Mettler, uma cientista política americana, escreveu, faz pouco tempo, um livro provocador. The Submerged State: How Invisible Government Policies Undermine American Democracy.
Não vou resenhá-lo nem resumi-lo. Ele se refere às políticas federais americanas.Vou dizer algumas coisas que ele sugere pensar sobre as políticas de nossos governos “populares” que são ou pretendem ser redistributivas.
O “estado submerso” é o conjunto de políticas públicas que funcionam por meio de incentivos, subsídios ou repasses a organizações privadas.
Nos últimos 30 anos, o discurso político tem sido invadido por uma filosofia pública conservadora, que defende as virtudes do governo mínimo. Ironicamente, no entanto, a mudança mais dramática ao longo deste período foi o florescimento das políticas do estado submerso.
Os governos – nos três níveis – estão inseridos em toda a vida diária, da saúde à casa própria, da educação ao transporte. Mas permanecem invisíveis porque operam indiretamente, através de atores privados.
É essa invisibilidade que faz com que os beneficiários desdenhem o gasto social, ignorem serem seus beneficiários. Sequer reconhecem esses programas como programas sociais.
Alguém reconhece uma dedução fiscal – para saúde, educação e previdência privada – como programa social?
Esse é um forte motivo para que as pessoas sejam seduzidas por plataformas políticas de ‘menos governo’, menos impostos e outras macumbas ultraliberais.
Hospitais e escolas privadas são construídas com dinheiro público ou com empréstimos altamente subsidiados. O BNDES simplesmente construiu essa rede, nos últimos 30 anos, com a sua linha “S”. Catedrais do setor privado de educação foram erguidas desse modo, graças a um programa criado por sugestão do ministro de educação de FHC.
Não apenas os hospitais são montados e equipados assim. Estudantes de medicina e enfermagem são formados por escolas públicas ou publicamente subsidiadas. Custosas e seletivas (seletivas pelo nível de renda, claro).
O sistema privado de ensino não vive apenas de crédito para investir. Precisa deter demanda estável. Segura. Daí… o crédito estudantil. Os “empreendedores” do ramo, de fato, ganham um subsídio para cada empréstimo que fazem, quando “selecionam” um estudante. São estimulados a emprestar mais… sob qualquer circunstância.
No caso americano isso já levou a um sistema fraudulento e enganoso similar ao das hipotecas imobiliárias, aquelas que vendiam palacetes a vendedores ambulantes que nunca teriam condições de pagar. E depois repassavam o papel podre a um fundo, a um banco, este repassava a um fundo de aposentados. E, no final da conta, o banco que quebrava tinha o socorro do governo.
O empréstimo estudantil é, de fato, garantido pelo contribuinte. O intermediador está sempre ganhando. Não importa o que venda. A lógica não é muito diferente, não é?
Clique para contribuir!
Não por acaso, esses segmentos – seguradoras de saúde, mantenedoras de escolas – gastam muito em lobby e contribuição para campanhas.
Uma verdadeira montanha de dinheiro aparece nos relatórios da Receita, quando olhamos para a coluna das deduções fiscais para educação, saúde, previdência privada. Somadas, hoje, devem dar mais do que o orçamento do Ministério da Educação. Ou da saúde.
Nos EUA, as deduções incluem dívidas com hipotecas, as mortgages. Gastos “itemizados”, isto é, declarados e identificados. Mas… a quem beneficiam? Além de serem invisíveis, perversamente invisíveis, essas políticas são redistributivas… para cima.
De fato, deduções fiscais e outras válvulas de escape fiscal só beneficiam os extratos superiores das pessoas físicas. Nem falar das jurídicas. Transfira isso pro Brasil: a quem beneficiam as deduções dessa natureza? No campo das pessoas físicas, rigorosamente, só à faixa mais alta dos declarantes.
E, claro, como essas deduções sangram os cofres do tesouro, implicam perdas fiscais para as políticas que operam … para baixo. Não tem dinheiro para pobre, porque rico não paga. Simples como o sermão da montanha.
Alguém já tentou dizer a um beneficiário de deduções que ele recebe vários “bolsas família” desde a criação do recolhimento de IR na fonte, em 1969? Inútil. Nem os beneficiários da política “submersa” veem esses benefícios como resultantes de políticas de governo. Continuarão berrando que “governo só atrapalha”.
Quem recebe benefício direto (seguro-desemprego, Bolsa Família etc.) vê o programa como a mão do governo. Mas dedução fiscal não é vista assim. Até o “bilhete único”, um programa de transferência de renda, deixa ser visto desse modo porque nós não dizemos isso.
O “estado submerso” não estimula a cidadania – inculca a passividade e o ressentimento. Um cientista político, Schattschneider, uma vez sintetizou isso numa frase: “new policies create a new politics.” Quer dizer: a forma como as políticas são executadas determinam o terreno da política, dos sentimentos políticos, dos valores e das atitudes políticas. O marqueteiro e o demagogo apenas colhem o que nesse terreno frutifica.
Dedução fiscal não estimula reconhecimento. Estimula passividade e posição anti-governo. Idem para tudo aquilo que acima se disse, a título de exemplo.
Nosso problema, então, é avaliar as políticas públicas pelos seus resultados. Mas não apenas pelo quanto atendem e pelo quanto perdem no caminho, a avaliação usual. É preciso definir outros critérios. O modo de execução dessas políticas redistributivas, politizou? Organizou? Aumentou o nível de consciência e organização política do andar de baixo? Se não o fez, perdemos tempo. E perderemos o governo.
Como se vê, nosso problema não é apenas uma questão de comunicação, embora esta também seja importante (e frequentemente mal feita). É um problema …de política.
Crédito da foto da página inicial: EBC
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Políticas invisíveis, redistribuição perversa e “politização” pela direita — Brasil Debate

Contragolpe — Brasil Debate

Contragolpe — Brasil Debate

A crise política e econômica atual e suas conexões internas — Brasil Debate

A crise política e econômica atual e suas conexões internas — Brasil Debate

'Não é justo propagar o câncer em nome do lucro de meia dúzia' - Carta Maior

10/08/2015 - Copyleft

'Não é justo propagar o câncer em nome do lucro de meia dúzia'

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o brasileiro consome, em média, 7,5 litros de veneno por ano em consequência da utilização de agrotóxicos.


Luís Eduardo Gomes - Sul21

Wikimedia Commons
Por iniciativa do deputado estadual Edegar Pretto (PT-RS) e do deputado federal Dionilso Marcon (PT-RS), a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizou nesta sexta-feira o seminário “A realidade e as consequências do uso de Agrotóxicos no RS”, voltado para expor os malefícios da utilização de compostos químicos nas lavouras gaúchas. No evento, que contou com a participação de mais de 800 pessoas e teve a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também foi lançada a Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável.
 
Segundo estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o cidadão brasileiro consome, em média, 7,5 litros de veneno por ano em consequência da utilização de agrotóxicos. No Rio Grande do Sul, este nível é ainda mais elevado, chegando a 8,3 litros. Na região noroeste do Estado, é ainda pior, superando os 16 litros por ano.
 
Em sua exposição inicial, o deputado Edegar Pretto criticou o que considerou uma campanha de desinformação da sociedade sobre o impacto real dos agrotóxicos ao meio-ambiente e à saúde.
 
“Durante anos, foi colocado para a sociedade que defender a agroecologia (culturas livres de agrotóxicos) era coisa para alguns bichos-grilos, era atrasado, enquanto o moderno era gerar muito lucro jogando veneno de avião”, disse o deputado. “Não permitiram que a população soubesse que o Brasil é o maior consumidor de veneno do mundo”, acrescentando que mais de 20 marcas de agrotóxico proibidas nos Estados Unidos e na Europa são comercializadas livremente no Brasil.
 
Para combater essa realidade no Estado, Pretto afirmou que foram protocolados na AL três projetos.
 
O primeiro deles diz respeito à proibição do 2,4-D, que é um agrotóxico feito a partir do ácido diclorofenoxiacético, o mesmo componente do Agente Laranja, que foi utilizado como arma química na Guerra do Vietnã e atualmente é liberado no Brasil. “Comprovadamente é um dos venenos mais tóxicos do mundo e, dependendo das condições do tempo, não respeita a cerca, vai quilômetros em direção a outras plantações e à saúde humana”, disse o deputado.
 
O segundo defende a proibição da pulverização aérea. “Os estudos que nos foram apresentados mostram que apenas 30% do veneno jogado de avião alcança o seu alvo e 70% vai para onde o vento leva”, disse Pretto. “Não achamos que é justo permitir isso em nome do lucro de meia-dúzia de fazendeiros, não é justo propagar o câncer em nome dessa meia dúzia”, complementou
 
O terceiro projeto visa obrigar a indústria a colocar no rótulo dos produtos informações sobre os agrotóxicos que foram utilizados na produção. “O consumidor tem direito de saber”, afirmou.
 
Segundo Pretto, os projetos já foram protocolados na Assembleia e no momento tramitam na Comissão de Constituição de Justiça da Casa. O deputado disse saber que “pagará um preço político muito caro” pela defesa deles, mas afirmou que eles podem ser aprovados se a sociedade se mobilizar nessa direção e pressionar a Casa e que esse é um dos objetivos da frente parlamentar lançada nesta sexta. “As leis se movem conforme a população se move. Nós queremos que a sociedade discuta e opine sobre isso”, afirmou.
 
Por sua vez, a ministra Izabella Teixeira salientou que o Brasil tem uma lei que autoriza o uso de agrotóxicos mediante avaliações e para determinados usos. “O Brasil tem lei que diz como funciona e nós temos que cumprir a lei. E temos que entender quais são os caminhos tecnológicos e o conhecimento técnico-científico para fazer com que essa lei incorpore produtos que sejam cada vez menos impactantes tanto à saúde quanto ao meio-ambiente”, disse a ministra.
 
Ela afirmou que o governo federal entende que é preciso aumentar a produção de agricultura orgânica, aumentar a produção agro ecológica, rever e banir o uso dos produtos mais tóxicos e realizar um processo de reavaliação de vários produtos atualmente liberados.  “Esse debate tem que ser feito abertamente. De maneira que, se tivermos que usar agrotóxicos em algumas culturas, utilizemos os produtos menos tóxicos e com os métodos de manejo mais apropriados”, disse a ministra.
 
Lobby do agronegócio 
 
O deputado federal Marcon lembrou que há um grande lobby na Câmara de Deputados em defesa do agronegócio, que é contrário a qualquer discussão sobre a redução do uso de agrotóxicos.
 
“Na Comissão de Agricultura, quando se fala em reforma agrária, eles ficam vermelhos, mas não ficam brabos. Mas se a gente fala em agrotóxicos, eles vêm pra cima”, afirmou Marcon. “Não deixam nem falar que agrotóxico é veneno, falam em remédio de planta, porque sabem que todo mundo entende que veneno faz mal. O Eduardo Cunha (presidente da Câmara, do PMDB) não quer nem ver esse debate”, complementou.
 
Um dos palestrantes do evento, Leonardo Melgarejo, presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), salientou que existem vários mitos difundidos a cerca da utilização de agrotóxicos que precisam ser desmentidos, como alegações que os compostos químicos respeitam limites seguros, que os habitantes das cidades não são afetados, etc.
 
 
Impactos na saúde 
 
 
Melgarejo salientou que o glifosato, um dos ingredientes ativos de agrotóxicos mais usados no Brasil e principal componente do Roundup, produto fabricado pela Monsanto, é extremamente tóxico e está sendo utilizado em 18 milhões de hectares de plantação de soja do País, o que gera um grande risco à saúde das pessoas. “Estes herbicidas provocam a multiplicação de bactérias que não morrem com antibióticos”, disse.
 
Melgarejo afirmou que não existe limite seguro para a utilização de agrotóxicos. “Uma molécula de agrotóxico pode provocar uma alteração no organismo que venha a provocar o câncer. Sentir o cheiro de veneno significa estar envenenado”, disse.
 
Virginia Dapper, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) da Secretária de Saúde do RS, afirmou que um grande problema relacionado ao acompanhamento das doenças causadas pela utilização de agrotóxico é a subutilização.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 500 mil pessoas são contaminadas anualmente no Brasil. Contudo, segundo Dapper, para cada caso notificado de doenças causadas pelos agrotóxicos, há outros 50 não notificados, porque os sintomas são os mesmos de outras doenças.
 
Dapper afirmou que a OMS reconhece que os efeitos crônicos dos agrotóxicos são desconhecidos, porque as pesquisas na área são insuficientes. Contudo, ela cita que estudos comprovam que estes compostos químicos, além de provocar câncer, são responsáveis por alterações neurocomportamentais, podendo causar déficit de atenção, Mal de Alzheimer, autismo, depressão e outras tantas doenças.
 
Segundo ela, há pesquisas que demonstram que a região de plantio do fumo, cultura que se utiliza muito de agrotóxicos, no Estado tem taxa de suicídio maior. “Quanto maior é o uso de agrotóxicos, mais suicídios acontecem”, disse.
 
 
Agrotóxicos contrabandeados potencializam o problema
 
 
Emerson Giacomelli, coordenador nacional da Via Campesina, salientou que, na realidade, o consumo de agrotóxicos por habitante é muito maior, porque os números apresentados pelo Inca dizem respeito apenas à utilização registrada dos compostos químicos, não levando em conta a utilização ilegal. “O veneno contrabandeado é usado massivamente nas fazendas”, disse.
 
A ministra Izabella Teixeira reconheceu que o contrabando de agrotóxicos banidos é um problema grave no País.”Tem muita gente usando agrotóxico banido, que é comercializado ilegalmente no País, que vem fruto de contrabando de países da fronteira”, afirmou.
 
Ela salientou que dois outros problemas são a venda de produtos supostamente orgânicos, mas que contêm misturas com agrotóxicos, e a utilização em excesso de produtos liberados.
 
“Tem muita gente comercializando insumos para a agricultura orgânica, que muitas vezes são insumos que estão contaminados ou misturados com elementos tóxicos que foram banidos do País”, afirmou a ministra. “Tem gente usando agrotóxico em excesso. Tem gente que não é instruída a usar ou às vezes é instruída a usar erradamente. São coisas no sistema que precisam ser aperfeiçoadas”, complementou.
 
A ministra afirmou que enfrentar esses problemas passa por uma mudança na política ambiental do governo federal e que é preciso desenvolver políticas públicas que coloquem a transmissão de informações corretas ao agricultor como foco. “A grande discussão central aqui é a necessidade de mudança”, disse.


Créditos da foto: Wikimedia Commons
'Não é justo propagar o câncer em nome do lucro de meia dúzia' - Carta Maior

Cresce no Brasil o número de escolas básicas públicas geridas pela PM - 10/08/2015 - Educação - Folha de S.Paulo

MAIS UM INDÍCIO PREOCUPANTE



Cresce no Brasil o número de escolas básicas públicas geridas pela PM - 10/08/2015 - Educação - Folha de S.Paulo

Causa Operária - Luciana Genro: frente única com a direita na Lava Jato

Luciana Genro: frente única com a direita na Lava Jato
A ex-presidenciável do Psol defende a moralização da política por meio da Operação Lava Jato e se lança como alternativa ao PT... para as eleições municipais de 2016. E a direita? Ah, a direita...
A ex-candidata do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) à presidência da República, Luciana Genro, não acredita que a direita está fazendo campanha contra o governo do PT.

Disse, na semana passada, em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, que não acredita "que haja tantos movimentos de direita nas ruas".

A direita, por sua vez, não se preocupa com o que a esquerda pensa: está convocando para o próximo dia 16 mais uma manifestação de rua nacional, para exigir o impeachment de Dilma Rousseff. Se a isso não podemos chamar de "movimento de direita" o que mais seria?

Segundo ela, como não há "movimento de direita", não há ameaça contra o governo. Segundo a ex-candidata do Psol, é pouco provável que Dilma caia, "exceto se surgir algo muito claro que a envolva pessoalmente na corrupção, o que eu não penso que vá ocorrer". Ou seja, Dilma só cairá se for mesmo corrupta. Se for boa, honesta, deverá prevalecer...



Fazendo política com bola de cristal?

Há outro suporte para Dilma no poder além do atestado de boa conduta que só o monopólio da imprensa capitalista e as raposas do Congresso Nacional podem emitir. Segundo Luciana Genro,

"Dilma não vai cair porque a burguesia não tem interesse em derrubá-la, o que traria ainda mais instabilidade e dificuldades para implementar o ajuste econômico. O que eles querem, e já têm, é um governo fraco, rendido e disposto a aplicar as medidas que garantam superávit. Isso para seguir pagando os juros da dívida e sustentando os lucros dos bancos e grandes especuladores".
Mas que falta de imaginação, sra. Genro!

Um governo pode ir muito mais à direita do que foi o PT e, ainda assim, representar interesses conflitantes com os do imperialismo mundial (tal como representa o PT). É justamente esse último conflito o determinante. A campanha da direita visa derrubar o governo do PT para colocar um governo ainda mais à direita no seu lugar, um governo que não tenha que enfrentar as contradições que o PT tem para colocar em prática seu plano de ajustes; um governo capaz de usar a força para impor uma política muito mais agressiva de privatizações, de defesa do capital estrangeiro e de liquidação da indústria nacional em favor do imperialismo mundial.



Uma frente única com a direita na Lava Jato

Tratando do depoimento da advogada responsável por nove de 12 acordos de delação premiada, Beatriz Catta Preta, e a Operação Lava Jato, Luciana Genro declarou que "a Lava Jato não pode parar. A operação tem que seguir e desbaratar todos os esquemas que saqueiam as nossas estatais".

A afirmação, se tomada ao pé da letra, revela uma fé desmedida no funcionamento das instituições do regime político burguês e uma crença inexplicável na sua eficiência.

Mas é preciso analisar as palavras da ex-candidata do Psol à presidência no contexto: ela está elogiando a operação que está sendo conduzida pela direita e que, por meio de acusações arrancadas nas chamadas "delações premiadas" vem servindo para fechar o cerco ao governo, sendo um dos principais instrumentos da campanha política pelo impeachment, com a produção diária de manchetes e denúncias de corrupção contra o governo do PT e seus aliados.

Genro deseja o sucesso dessa operação – que não é conduzida pelo Psol, mas pelo juiz Sérgio Moro e a "República do Paraná", onde mandam os tucanos do PSDB - para o "bem das estatais"... A última coisa em que pensam os senhores que hoje buscam pretextos para condenar membros do governo é o bem das estatais!

Ela não acredita que a direita queira derrubar o governo do PT, segundo ela, é mais provável "que Cunha vai acabar caindo. Ele não é só um homem de direita, mas sim um gângster da política. Ele tem sua serventia para a burguesia, no entanto pode ser descartado quando passa dos limites. Acho que ele já passou". Eis o álibi para justificar a defesa da operação Lava Jato: ela vai acabar derrubando Cunha também...



Em que frente o Psol está?

Luciana Genro rejeita fazer parte de uma "frente de esquerda" contra a direita. Sua justificativa remete à política do "Terceiro Período" dos Partidos Comunistas dirigidos pelo stalinismo nos anos 30. O PT, hoje, assim como a Social Democracia naquele tempo, é de direita. Diz ela:

"De qual frente de esquerda você fala? Frente de esquerda com o PT para mim não existe. Como poderia fazer frente de esquerda com o partido que aplica a política da direita? Que promove o desemprego e a retirada de direitos sociais ao mesmo tempo em que mantém os privilégios dos milionários e dos bancos?"
A solução? A de sempre. A solução que todo partido pequeno-burguês quer oferecer em troca de cargos no Parlamento e, ocasionalmente, até mesmo do Poder Executivo: uma terceira via.

"O PSOL quer construir um terceiro campo, de oposição de esquerda ao governo Dilma e à direita".
Assim, equilibrando-se em cima do muro, o Psol dirigido por Luciana Genro se prepara para repetir o Syriza grego. No discurso, é oposição de esquerda, porque falar é fácil e gratuito, mas quando chega a hora de governar, como faz Clécio na prefeitura de Macapá, é igual ou pior ao PT, negando até mesmo reajuste aos salários dos professores municipais (nesse sentido, é igual ao tucano Alckmin em S. Paulo).

A "terceira via" defendida pelo Psol não é possível, por um lado, por não passar de mera demagogia eleitoral, e é, por outro, apenas uma maneira envergonhada de apoiar a direita e o golpe.



O Psol não teme a direita nas ruas porque quer levar a disputa para as urnas

Perguntada sobre se a esquerda será amedrontada pela direita nas ruas no dia 16, Genro disse não temer. "Se eles querem disputar nas ruas, vamos lá".

Mas não é nas ruas que ela quer disputar. Luciana Genro conclui sua entrevista deixando claro que a ela e seu partido não importa o desfecho da luta política atualmente em curso, da crise política nacional, da luta de classes. O que importa são as eleições e os cargos que podem conseguir: "Eu estarei à disposição do PSOL para concorrer em 2016 à prefeitura de Porto Alegre, mas, se for prefeita, não abandonarei meu mandato para concorrer à Presidência".


Causa Operária - Luciana Genro: frente única com a direita na Lava Jato