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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Foucault arde na Inquisição da PUC-SP | Brasil 24/7

Foucault arde na Inquisição da PUC-SP | Brasil 24/7

PT, há futuro? - Brasileiros

SEM PT, HAVERÁ FUTURO PARA O BRASIL?



PT, há futuro?

Resgatar antigos valores e seguir adiante, integrado a uma frente política, é a alternativa mais viável para o partido que embalou esperanças ao ser criado, ficou parecido com os outros no decorrer da trajetória e vive um momento sem precedentes de inflexão após 12 anos à frente do Palácio do Planalto. Entre os temas em debate, o ajuste do governo focado no corte de gastos. Nas páginas seguintes, a proposta do ex-ministro Tarso Genro, a análise do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia e a crítica das esquerdas no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro
Em um cenário de economia estagnada e pouca perspectiva de futuro, o cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, mostrou a expectativa em torno da criação de um novo partido em um cartum do começo dos anos 1980. Na obra, a personagem Graúna, ave usada por Henfil para criticar as mazelas do Brasil, tem melhor visão do horizonte, por estar encarapitada sobre dois companheiros. Acontece então o seguinte diálogo entre um desses personagens e a ave:
– Graúna, está vendo alguma esperança?
– Tô, é o PT.
Desde então, passaram-se 35 anos. Fundado no domingo 10 de fevereiro de 1980, em reunião no Colégio Sion, em São Paulo, o PT embalou esperanças e fez a diferença no decorrer de sua trajetória. A marca histórica se deu em 12 anos na Presidência da República – os dois governos de Lula e o primeiro de Dilma Rousseff. Nesse período de prosperidade econômica, registraram-se conquistas sem precedentes, a começar pelo fato de 36 milhões de brasileiros saírem da pobreza extrema. No segundo governo Dilma, tudo mudou. Se prospectasse o horizonte por esses dias, a personagem Graúna ficaria desolada.
Como não poderia deixar de ser, o problema passa pela economia. Passa em particular pela determinação do ministro Joaquim Levy em fazer um ajuste fiscal focado no corte de despesas de impacto social. Uma das medidas, aquela que endurece as regras do seguro-desemprego e do abono salarial, está aprovada. Seis dias antes da votação no Senado, um documento – Manifesto pela Mudança na Política Econômica e Contra o Ajuste – já alertava que o ajuste, além de insuficiente, “pode deteriorar ainda mais o quadro econômico brasileiro”.
Onze senadores, entre eles os petistas Paulo Paim (RS) e Lindbergh Farias (RJ), assinam o manifesto pedindo mudanças no rumo da política econômica. Também apoiam a iniciativa entidades ligadas ao PT, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e personalidades ligadas ao partido, entre elas o economista Marcio Pochmann, e os ex-ministros Samuel Pinheiro Guimarães Neto, José Gomes Temporão e Tarso Genro. Em vez de arrocho fiscal associado a aperto monetário, eles defendem iniciativas para aumentar a arrecadação, como a taxação sobre grandes fortunas. Na prática, apostam que o crescimento econômico é imprescindível para a recuperação das contas públicas.
“O ajuste não ajusta, mas desajusta”, afirma o economista Marcio Pochmann. Na sua opinião, a origem da crise está na política. Até 2010, lembra Pochmann, encerrado o período eleitoral, oposição e situação desmobilizavam suas máquinas. A oposição refluía por alguns meses, enquanto a situação tratava de formar o governo. “Em 2014, a oposição não aceitou o resultado eleitoral. Continuou a utilizar sua máquina em campanha, para fazer pressão, manifestações, encaminhamentos ao Tribunal Superior Eleitoral”, diz o economista. “Por outro lado, o governo entrou em uma fase de fragmentação de sua base política, econômica e social. Em primeiro lugar, pela própria montagem do governo, que não agradou a ninguém.”
Na sequência, veio a desarticulação com o Congresso Nacional, que ajudou a enfraquecer ainda mais o governo. “Nesse quadro, decisões políticas levaram à crise da economia.” Para Pochmann, a decisão do governo de promover um profundo corte de gastos agrava ainda mais o cenário. Daí, seu alinhamento com o Manifesto Contra o Ajuste. “As causas do desequilíbrio foram a desoneração fiscal de mais de R$ 100 bilhões, concedida pelo governo às grandes empresas, as elevadas taxas de juros Selic, que transferem recursos para o sistema financeiro, e a queda da arrecadação devido ao baixo crescimento no ano passado”, registra o manifesto. Análises e manifestações similares devem pontuar o 5o Congresso do PT, que acontece neste mês em Salvador.
No momento em que o partido passa pela crise mais aguda de sua história, 800 delegados de todo o País buscam alternativas para a legenda. Entre as bases para o debate estão sete teses apresentadas pelas diferentes correntes do PT. A perplexidade diante do panorama é comum a todas as teses, assim como as críticas ao ajuste do governo. Até o documento da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), à qual pertence Lula, registra indignação com o fato de o peso do ajuste ter “recaído mais sobre os trabalhadores do que sobre outros setores das classes dominantes”. E destaca que a tarefa do PT, como partido da presidenta, é complexa: “Apoiar o Governo e, ao mesmo tempo, empurrá-lo para que cumpra o Programa sob o qual os governantes foram eleitos”.
O detalhe importante é saber se o PT consegue reconquistar o que já foi o seu maior patrimônio: a militância. Aguerrida no passado, ela está cada vez mais afastada da legenda. No partido desde a fundação, Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, ficou chocado com o esvaziamento do encontro preparatório para o congresso realizado em São Paulo. Diante de fileiras e fileiras de cadeiras desocupadas, Garcia reconheceu que nunca havia visto uma reunião do PT tão vazia: “É um sintoma grave de uma crise que nos atinge de forma objetiva e subjetiva” (leia mais à página 60). 
Para a socióloga Maria Victoria Benevides, o momento do PT não é só de desânimo: “É de depressão”. Filiada desde os tempos da fundação, ela acredita que a diferença entre o que foi dito na campanha de Dilma e o que aconteceu imediatamente depois da posse “chegou ao limite do suportável”. Na sua opinião, os parlamentares petistas deveriam votar contra as medidas provisórias do ajuste fiscal que atingem os interesses dos trabalhadores: “O partido tem de preservar Dilma, mas se colocar contra o ajuste fiscal como está sendo proposto”. A bancada petista não se articula para pressionar o governo, acredita a socióloga, porque falta uma liderança que coordene o movimento. Além disso, os parlamentares estariam ligados a interesses econômicos de seus financiadores.
A referência ao financiamento do partido e de campanhas eleitorais remete a outro ponto nevrálgico no PT, por causa das práticas investigadas durante o escândalo do Mensalão, em 2005, e dez anos depois, da operação Lava-Jato. Recentemente, o PT anunciou que o partido não receberá mais doações de empresas. O historiador Valter Pomar, da corrente Articulação de Esquerda, acredita que a medida é acertada, mas insuficiente. “Não basta decidir que o partido não receberá financiamento de empresários. É preciso que as candidaturas do PT também não recebam”.
A saída que Pomar e Maria Victoria visualizam para o PT é a mesma apontada pelo ex-ministro Tarso Genro: construir uma frente de esquerda, que una diferentes partidos, sindicatos, intelectuais e movimentos sociais (leia entrevista à página 54). Para eles, da forma como está configurado, o PT não é mais capaz de dar os rumos para a esquerda no Brasil.
Aglutinado no movimento O PT Não Vai Matar o Petismo, um grupo independente de ativistas sociais também apoia a formação de uma frente, pois parte do princípio de que o partido não consegue mais acompanhar as mudanças da sociedade “que ele próprio ajudou a transformar”. Por outro lado, defende que o petismo teria uma cultura política superior à estrutura partidária do PT, que, devidamente renovado, tem potencial para protagonizar uma “ressurreição”.
Com mais de uma centena de apoiadores, o movimento recém-criado reúne diferentes adeptos do petismo, entre simpatizantes e filiados. “Tem uma nova geração de esquerda no País, que também se conecta com as revoltas globais”, diz o cientista político Jean Tible, professor da USP,um dos organizadores do movimento. “Uma frente de esquerda precisa dialogar com essa geração, que se organiza por meio de coletivos e outras iniciativas.” Eles reconhecem como positivo o discurso pela renovação feito pela cúpula do partido, mas acreditam que os dirigentes têm dificuldade em tomar medidas concretas.
O processo de renovação pode começar pela própria forma de escolha dos dirigentes. Acabar com o sistema de eleições diretas para a direção do partido é proposta de seis dos sete documentos preparados para o congresso. A CBN, corrente majoritária, responde pela exceção, embora um de seus integrantes, o ministro Patrus Ananias, tenha defendido a mudança em artigo publicado no site do próprio PT: “Aparentemente mais democrático e participativo, o Processo de Eleições Diretas não trouxe os resultados esperados. Tornou-se, pelo contrário, um fator de manipulação. Levamos para o interior do partido os mesmos procedimentos condenáveis dos processos eleitorais.”
O cientista político Aldo Fornazieri, que atuou na organização do 1o Congresso do PT, em 1991, afirma que um dos fatores que conduziu a legenda à crise atual está ligado à organização interna. “Até o PT chegar ao poder, a dinâmica interna do partido era dada pelas correntes, que pensavam estrategicamente o País. Elas não se vergavam ao imediatismo”, diz Fornazieri, que é professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. “Depois, quem passou a controlar de fato o partido foram os mandatos e quem tinha cargo nas máquinas públicas.”
Ao declarar seu ceticismo quanto ao futuro da legenda, Fornazieri lembra que, há pouco tempo, o próprio Lula lamentou o fato de o “PT ter se tornado um partido cada vez mais igual aos outros”. Por outro lado, ele chama a atenção para o fato de o ex-presidente ter voltado a fazer uma maior movimentação política. “Ao mesmo tempo em que não afirma que é candidato, Lula se expõe mais e quase age como se fosse. Com isso, cria uma perspectiva de poder”, diz o cientista político. “Essa pode ser, em parte, uma saída para o partido. Isso não significa que o PT não pagará um preço altíssimo nas eleições municipais do ano que vem e também em 2018.”
Apesar do horizonte turbulento, o presidente do PT, Rui Falcão, não joga a toalha. Conta que, de janeiro até a primeira quinzena de maio, o PT registrou 15.954 novos filiados. “Enquanto tem gente que sai, como a Marta, está cheio de gente entrando”, diz Falcão, referindo-se à senadora Marta Suplicy. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o PT é o segundo maior partido do Brasil, atrás apenas do PMDB. Tem hoje quase 1,6 milhão de filiados. O número, no entanto, pouco representa se a antiga e atuante militância estiver perdida para sempre.
De imediato, não há saída para o partido de forma isolada. O presidente do PT também aposta na união com “forças mais amplas” para seguir em frente. Sabe que os temas da corrupção e do futuro do PT estarão em alta em Salvador. Nesse momento de inflexão para o partido, propõe discutir também o modelo para o Brasil: “Vamos continuar com um modelo que corta, mas não arrecada? Que não faz a reforma tributária? Que não mexe com o imposto de renda regressivo, concentrador? Que não institui uma forma de reduzir desigualdade, o imposto sobre grandes fortunas?”
Como Lula, Rui Falcão integra a CNB, corrente que fez um registro pouco auspicioso no documento que preparou para o congresso de Salvador: “Os partidos não são eternos”. Não são eternos, mas podem durar muito. O Partido Social-Democrata da Alemanha, por exemplo, existe desde maio de 1875. Filiado à Internacional Socialista, sobreviveu até à perseguição nazista. O PT teve vida mais fácil. Agora, porém, enfrenta suas próprias mazelas. 

PT, há futuro? - Brasileiros

“A direção do partido é um condomínio de boa vontade” - Brasileiros

“A direção do partido é um condomínio de boa vontade”

Cinco meses após deixar o governo gaúcho, Tarso Genro se divide entre Porto Alegre e Rio de Janeiro, articula a criação de uma frente política sem o PMDB e defende
uma renovação profunda em seu partido: “O futuro do PT passa por fulminar o financiamento empresarial das campanhas”
Tarso Genro, à frente da imagem do filósofo Antonio Gramsci, em seu escritório em Porto Alegre: o PT precisa intensificar o diálogo com a sociedade civil - Foto: Ricardo Chaves
Tarso Genro, à frente da imagem do filósofo Antonio Gramsci, em seu escritório em Porto Alegre: o PT precisa intensificar o diálogo com a sociedade civil – Foto: Ricardo Chaves

Tarso Genro está em movimento.
 E procura imóvel para comprar no Rio de Janeiro. Cinco meses depois de deixar o governo gaúcho, ele aproveita a temporada sem mandato nem planos de disputa eleitoral para colocar em prática um desejo antigo: morar um pouco no Rio, outro tanto em Porto Alegre. A ideia é ter uma “residência secundária” no Rio, para ele e suas “gurias”, conta Tarso, referindo-se à mulher, Sandra Krebs, e às filhas Luciana e Vanessa.
No Rio, Tarso já provoca barulho, por questionar a coalizão com o PMDB no plano estadual e defender que o PT tenha candidato próprio à prefeitura, em 2015. No âmbito federal, foi ele mesmo quem ajudou a costurar a aliança, a pedido do então presidente Lula, de quem foi ministro (Educação, Relações Institucionais e Justiça).
Embora ressalte que hoje o PMDB é a força que dá equilíbrio para a governabilidade, Tarso afirma que esse cenário não vai durar para sempre. “Para o futuro, o PMDB está namorando a centro-direita”, diz. De olho em 2018, ele tenta articular a criação de uma frente de esquerda que possa sustentar um “programa ainda mais ousado de mudanças” no País. Quanto ao futuro de seu próprio partido, Tarso acredita que depende de uma “renovação profunda” e do fim do financiamento empresarial das campanhas políticas.
Brasileiros – Em 2005, no auge do escândalo do Mensalão, o senhor assumiu a Presidência do PT e chegou a defender a refundação do partido. O que mudou de lá para cá?
Tarso Genro – Essa questão ficou cada vez mais atual. Quando falávamos de refundação, estávamos dizendo que o PT tinha de sustentar sua ação e vida pública, ética e política em novos fundamentos. O que mudou de lá para cá foi que aquela proposta de refundação do partido, hoje chamada de renovação profunda, ficou ainda mais correta. Aliás, ela corresponde não só a problemas nacionais que enfrentamos, mas também a uma crise geral da ideia de socialismo, dos partidos sociais-democratas, dos partidos socialistas e dos partidos comunistas em todo mundo. É necessário inovar, portanto. 
Inovar como?
Trata-se de constituir no partido métodos mais democráticos de direção, de expandir o processo decisório de maneira permanente, para toda a militância, para todos os filiados. Significa envolvimento maior do partido com a sociedade civil. E um diálogo do partido, de forma mais profunda também, com setores da intelectualidade, da área científica, do mundo do trabalho que está se expandindo, para que se crie novas políticas públicas e novas formas de participação popular.
No decorrer desses 35 anos, o PT perdeu o contato com a base?
O PT é o partido que mais modernizou o País, tanto do ponto de vista democrático, como do ponto de vista socioeconômico. E esse processo de modernização e de surgimento de novos sujeitos sociais em função das mudanças no poder econômico criou novas exigências da sociedade sobre o Estado. Então, não estamos mais tratando daquela intelectualidade, fundamentalmente da USP, da época de criação do PT, que se integrava ao mundo do trabalho para criar um partido popular e socialista.
Do que se trata?
Estamos falando de uma constelação de novas identidades de inteligência, de novos intelectuais, de novos cientistas, do mundo do trabalho que surgiu nos últimos 30 anos, com os quais nenhum partido tem ligação. Tanto é verdade que a ampla maioria dos intelectuais e dos trabalhadores do novo mundo de trabalho não é partidarizada. O PT permanece com uma ligação positiva com o mundo do trabalho tradicional, da segunda Revolução Industrial, do mundo do trabalho assalariado, do setor público. Só que essas ligações hoje são insuficientes para um novo projeto democrático socialista.
Quando fala em novo mundo do trabalho, o senhor está se referindo ao contingente que está no mercado como terceirizado?
No entorno do mundo do trabalho tradicional há um conjunto de serviços cada vez mais desqualificados do ponto de vista salarial. No cerne da fábrica moderna tem hoje um conjunto de trabalhadores altamente qualificados, que também surgiu nesse processo. Portanto, o capitalismo mudou a sua forma de expropriação do trabalho e isso gerou uma nova correlação entre as classes sociais.
Esse pessoal não está inserido em nenhum partido?
Na verdade, esse pessoal se vincula às questões políticas de maneira contingente nas eleições, ou fica alienado das grandes movimentações sociais que estão ocorrendo. Na minha opinião, isso é um desafio não só para o PT, mas para qualquer partido de esquerda ou qualquer partido progressista.
Recentemente, o senhor começou a articular a criação de uma frente de esquerda, que fosse do economista Bresser-Pereira ao deputado Jean Wyllys. Como seria?
Essa é uma posição que visualiza o futuro. O atual tipo de coalizão, pelo qual sou responsável a partir de orientação do presidente Lula, teve uma grande importância para o País. Ela permitiu que se realizassem grandes transformações da estrutura da sociedade brasileira. A coalização com o PMDB deu estabilidade para que essas transformações ocorressem. Agora, o PMDB está mudando de função na sociedade brasileira.
Qual é essa nova função?
O PMDB agora está em uma função conservadora. Para o futuro, não está namorando o Partido dos Trabalhadores, a esquerda. Está namorando a centro-direita. Então, é necessário pensar em um novo conceito de frente para o futuro. Não se trata de interromper agora a frente com o PMDB, até porque é impossível fazer isso em função dos compromissos assumidos pelo governo. É necessário pensar em direção a 2018, em uma frente política que dê sustentação para um programa ainda mais ousado de mudanças.
Como andam essas articulações? O senhor tem ido muito ao Rio.
No Rio, estou discutindo com o partido, com a academia, com intelectuais e com outros setores da sociedade. Não estou liderando nada. Não tenho a estatura política de Brizola para chegar no Rio e liderar alguma coisa. Na verdade, estou participando de um movimento dentro do partido para discutir o futuro do sistema de alianças no Rio e no Brasil.
Esse debate envolve apoiar a candidatura do deputado Marcelo Freixo, do PSOL, para a prefeitura do Rio em 2015?
Não é a minha posição. Defendo que o PT tenha uma candidatura própria no Rio. E se não tiver, que o PT converse com as demais forças de esquerda e de centro-esquerda, para verificar qual a melhor candidatura. Sou um militante do partido. Sou um dirigente nacional, ligado à Mensagem (a corrente Mensagem ao Partido), e tenho discutido com a Mensagem esses temas.
A ideia seria tentar levar mais para a esquerda a corrente majoritária, a CNB (Construindo um Novo Brasil)?
Na verdade, o partido hoje não tem uma corrente hegemônica. A própria CNB foi muito abalada, como foi todo partido durante esse processo que atravessamos. Hoje, a direção do partido é um condomínio de boa vontade para mantê-lo e levá-lo de maneira positiva até o 5o Congresso. Não há dentro do partido a quem se opor. Eu vou me opor a Rui Falcão, que é o presidente do partido e representa a CNB? Não. O Rui, inclusive, foi uma solução política consensual. O que nós temos de fazer nesse congresso, e eu não tenho muitas expectativas sobre ele, é um grande acordo político para abordar alguns temas importantes e continuar o debate em direção ao futuro.
E qual o futuro do partido?
Para mim, o futuro político do partido passa por essa democratização das decisões internas, da relação com sociedade civil e com a base do partido. Passa por fulminar o financiamento empresarial das campanhas e também por uma nova concepção de frente, que deve nos nortear em direção a 2018. Já existe a proposta de o partido não receber mais financiamento de empresa, independentemente da lei. Está correto, mas sou também a favor de que se faça uma modificação na lei para que nenhum candidato receba financiamento empresarial.
Valendo para todos os partidos?
Para todos. A política do Brasil hoje é endinheirada. E 90% desses escândalos estão relacionados com o fenômeno de uma política cada vez mais vinculada ao dinheiro, cada vez mais estetizada por caros programas de televisão, que escondem em vez de apresentar os conteúdos programáticos verdadeiros. É uma política que, inclusive, requer uma contrapartida depois do financiamento. Terminar com o financiamento empresarial das campanhas eleitorais é uma questão-chave não só para o PT. É chave para a democracia brasileira.
O senhor falou há pouco tempo que o PT vem se tornando cada vez mais um acessório no governo Dilma. Essa situação pode ser revertida?
Dificilmente, porque hoje o PMDB é a força principal no Congresso Nacional e é uma força que dá equilíbrio para a governabilidade. Dificilmente o PMDB vai deixar de ser um partido dominante do governo atual. Agora, isso não obriga que o PT assista a tudo de maneira passiva.
O que o PT pode fazer?
O PT tem de fazer exigências políticas para o governo, inclusive para moldar o seu comportamento no Congresso Nacional. Não é justo que o PT seja apenas um partido passivo de aprovação das coisas que o governo manda. O PT tem o direito e tem o dever de fazer exigências para se manter, como deve se manter, como base do governo.
Voltando à questão do Rio, o senhor está procurando imóvel na cidade?
Sim. Tenho imóveis em Porto Alegre que estou vendendo para comprar no Rio. Na verdade, estou fazendo uma transferência de patrimônio para ter uma residência secundária para mim e para as minhas gurias, para a minha mulher. É um velho sonho que estou aproveitando para realizar agora que não tenho mandato. O meu plano é ficar oito, dez dias por mês no Rio e o resto do tempo no Rio Grande do Sul.
No Rio, fica mais fácil articular politicamente.
É claro que isso vai me atrair mais para uma relação política com os meus companheiros do Rio. Sou uma pessoa que tem uma ligação histórica com a Academia, embora eu nunca tenha sido professor universitário, a não ser professor convidado. Recentemente, estive na  Universidade Estadual do Rio de Janeiro em um debate que tinha em torno de 700 pessoas. Vou aumentar o meu regime de colaboração intelectual com a Fundação Getúlio Vargas. E fazer de novo contato com intelectuais que fazem trabalhos isolados, com quem tenho relação histórica de amizade.
Quem por exemplo?
Um dos intelectuais que eu tinha proximidade desde o fim da década de 1980 é o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. É um exemplo. São muitos outros, como Gaudêncio Frigotto, José Luís Fiori, a professora Leda Paulani e Bresser-Pereira. Então, vou restabelecer o relacionamento com essa intelectualidade e continuar militando no meu partido.
Observando a sua movimentação, alguns analistas chegam a sugerir que poderia estar se articulando para deixar o PT. Faz sentido?
Isso não faz nenhum sentido. Ou é desejo ou má informação. Meu partido fez uma grande transformação no País. Tenho companheiros de todas as correntes do PT. Tenho uma relação de respeito, de trabalho comum, com o presidente Lula. Não tenho nenhum motivo para sair do PT. Não vejo nenhum partido fora do PT que tenha a possibilidade de dar uma contribuição maior para o futuro do Brasil. Pessoas do PT cometeram ilegalidades? Sim. Qual o partido que não tem pessoas que cometeram ilegalidades? Aliás, partido, religião, empresa.
No PT, há dirigentes reclamando de sua movimentação.
Alguns companheiros fazem críticas às minhas posições, dizendo que a aliança com o PMDB no Estado está muito firme. Se está tão firme, por que eles estão tão preocupados? Mas está longe de mim qualquer possibilidade de concorrer a cargo público. Então, se tem alguém no Rio preocupado com a possibilidade de eu apresentar minha candidatura, pode esperar sentado. 
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“A direção do partido é um condomínio de boa vontade” - Brasileiros

Entre gangsters, esquerdistas e até roqueiros | Paulo Moreira Leite

ENTRE GANGSTERS, ESQUERDISTAS E ATÉ ROQUEIROS

blatter13
Antes de chegar a FIFA, FBI investigou John Lennon, prendeu sindicalistas e conspirou contra políticos

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A hipótese de que nem todas as motivações do FBI para investigar a FIFA sejam legítimas nem louváveis não deve surpreender a ninguém. O FBI funciona como uma polícia secreta do governo norte-americano, funciona para servir seus interesses e tem um currículo nem sempre admirável.
Por exemplo: a investigação que deu origem a renuncia do presidente Richard Nixon, em 1974. teve um dirigente do FBI, Mark Felt, como a principal fonte dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernestein, do Washington Post. Felt foi preterido na luta interna por promoções, ficou inconformado e decidiu vingar-se do governo Nixon. Suas análises e informações abriram o caminho para que as investigações chegassem ao Salão Oval da Casa Branca, o que levou Nixon a renúncia para evitar o impeachment.
Nós aprendemos a ter péssimas opiniões sobre Nixon, transformado em alvo predileto da juventude que se mobilizava contra o Vietnã. Mas a retaliação interna de autoridades policiais, que representam um poder armado, é sempre preocupante.
Imagine se em 1999, quando foi impedido de assumir a direção da Polícia Federal por uma questão da grande relevância — a denúncia de que se envolveu em torturas durante o regime militar — o delegado João Batista Campelo decidisse investigar — com ajuda da imprensa — o presidente Fernando Henrique Cardoso, responsável pela indicação e, mais tarde, pelo seu cancelamento.
Todas as proporções guardadas e as imensas distancias políticas e geográficas ocorridas, foi isso o que ocorreu.
John Edgard Hoover, que dirigiu o FBI entre 1935 e 1972, construiu um sistema de poder pessoal que lhe permitia intimidar autoridades diversas, inclusive aquelas eleitas pelo voto popular. Entrou na organização no início da década de 1930, com o país em depressão, dedicando-se a perseguir e prender lideranças operárias envolvidas na luta sindical. Também era responsável pela preparação de dossiês que permitiam expulsar lideranças estrangeiras.
Ao longo dos anos, acumulou tamanha força que transformou o FBI na maior polícia do planeta, com 16 000 funcionários. Pouco antes de Hoover deixar o posto, a organização possuía dados –inclusive impressões digitais — de 200 milhões de pessoas, o equivalente a 7% da população mundial na época.
Depois de perseguir líderes de trabalhadores, o FBI passou a ir atrás de políticos considerados inconvenientes pela direita norte-americana, da qual Hoover era uma força ativa e reconhecida. Nos últimos anos, espionava e bisbilhotava estrelas do cinema e do rock. Um filme biográfico sobre John Lennon revela as vergonhosas tentativas da instituição para impedir que o ex-Beatle conseguisse um visto permanente de residência nos EUA. O argumento nada tinha de criminoso ou coisa parecida. Sua base eram as ideias de Lennon, naquela época um autor de belíssimas canções de protesto.
Num movimento que acompanha a expansão militar dos Estados Unidos nos últimos anos, o FBI tem sido uma força auxiliar para transmitir a outros países opções de trabalho e linhas de atuação típicas do sistema judiciário norte-americano.
A partir de acordos bilaterais entre governos, em várias partes do mundo têm sido aprovadas legislações — anti-corrupção e antiterrorismo, por exemplo — que tem como base as leis em vigor nos Estados Unidos.
A organização costuma oferecer cursos de formação e treinamento à policiais e promotores de vários países do mundo — inclusive o Brasil — que assim aprendem a agir e atuar de acordo com métodos e tradições da justiça dos EUA.
Nos meios jurídicos, atribui-se a essa influencia o uso cada vez mais frequente de prisões preventivas na detenção de suspeitos — uma banalidade nos EUA, uma novidade em vários lugares, inclusive no Brasil. O mesmo ocorre com as delações premiadas.
A maioria dos brasileiros conhece o FBI dos seriados sobre mafiosos dos tempos da Lei Seca, que a televisão exibia já na década de 1960 — e que tem atualizado em versões que hoje dominam a TV a cabo.
A operação no futebol prendeu executivos da FIFA, cuja periculosidade dificilmente se pode negar. O histórico da organização e seu lugar essencial nas instituições do Estado norte-americano recomenda que se preste atenção aos interesses políticos e econômicos envolvidos.
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Entre gangsters, esquerdistas e até roqueiros | Paulo Moreira Leite

APP se reúne com a superintendente de Educação

10/6/2015

APP se reúne com a superintendente de Educação

A reunião foi para discussão do calendário escolar e sobre o envio e dos Relatórios Mensais de Frequência
Na tarde desta quarta-feira (10), diretoras da APP-Sindicato se reuniram com a nova superintendente de Educação do Estado, Fabiana Campos. A reunião foi para discussão do calendário escolar e sobre o envio dos Relatórios Mensais de Frequência, os RMFs. Pelo sindicato, estavam presentes Marlei Fernandes de Carvalho (Finanças), Walkíria Mazeto (Educacional), Nádia Brixner (Funcionários) e Vanda do Pilar (Geral).
O primeiro debate foi sobre o calendário escolar. A APP apresentou a necessidade de se fazer um calendário único, com as adequações necessárias para cada escola. Em síntese, a proposta da entidade é: cumprimento de 800 horas em 2015, para atender o efetivo calendário com os(as) alunos(as). Isto significa a possibilidade deseis aulas de 45 minutos/dia, para manhã e tarde. E, para o período noturno, quatro aulas de 45 e duas de 40 minutos.
Há amparo legal para esta proposta no Artigo 23, § 2º da LDB. “O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei”. E, também, no Artigo 3º e Parágrafo Único da Deliberação 002/2002, do Conselho Estadual de Educação. “O estabelecimento deverá organizar o ano letivo de modo que os alunos tenham garantidas as oitocentas (800) horas de efetivo trabalho escolar previstas em lei”.
Além disso, para que o calendário seja concluído, em 2015, será necessário trabalhar todo o recesso de julho e além de 12 sábados. Também foi apresentada a possibilidade do cumprimento de 54 horas, no período noturno, com projetos de complementação de carga horária, em substituição aos sábados. De acordo com a secretária de Finanças da APP, professora Marlei, a APP argumentou que encerrar o ano letivo em fevereiro de 2016 acarretará prejuízos pedagógicos.
“A superintendente de Educação disse que levará o tema para o debate com a secretária Ana Seres e, então, retomará o debate com o sindicato”, informou. “Todas as demais adequações serão feitas conforme a realidade de cada escola. A única preocupação da Seed explicitada, na reunião, pela superintendente, foi com os 12 sábados, em virtude dos valores do transporte escolar”, explicou Marlei.
Sobre os RMFs - Para sair do impasse causado, neste momento, sobre este tema, Fabiana Campos se comprometeu em enviar uma nova circular para todos os Núcleos Regionais de Educação (NREs) e escolas, esclarecendo que os referidos relatórios deverão ser enviados todos os meses para a Secretaria de Educação. Vale enfatizar que os RMF é um relatório mensal de frequência, não de faltas.
“Portanto, os diretores deverão enviar os mesmos até a sexta-feira, dia 12, caracterizando o período como GREVE ou AUSÊNCIA/GREVE. Ou mesmo um relatório com esta justificativa”, destacou a secretária Educacional da APP, professora Walkíria Mazeto. E ela também reitera: “A necessidade do envio é para que as faltas de abril sejam RETIRADAS. Há compreensão, na Seed, de que não são FALTAS e, sim, ausência por motivo de greve”, destacou.
APP se reúne com a superintendente de Educação