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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Opera Mundi - Eleições na Andaluzia: No primeiro teste do Podemos, uma vitória e uma derrota

Eleições na Andaluzia: No primeiro teste do Podemos, uma vitória e uma derrota



Podemos foi vitorioso pela votação conseguida, porém, sofreu derrota frente às expectativas geradas: 60% do parlamento será dominado por PSOE e PP
Na noite do domingo (22/03), foram divulgados os resultados das eleições regionais na Andaluzia, no sul da Espanha. A região foi uma das mais afetadas pela crise que assolou a Espanha (além de Grécia, Portugal, dentre outros), com índices altíssimos de desemprego e geral empobrecimento da população.
A região é governada pelo PSOE em aliança com a Esquerda Unida, pese o PP ter sido o mais votado nas eleições anteriores. Curiosamente, o partido castigado pela situação econômica foi o próprio PP, que viu sua maioria de 50 cadeiras ser reduzida a 33, além da Esquerda Unida, parceiros minoritários do PSOE, que perderam mais da metade de cadeiras, baixando de 12 para 5.
Agência Efe

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O grande vencedor das eleições foi o PSOE, que conseguiu se descolar da crise na região e manteve seus 47 lugares no parlamento andaluz. O PSOE foi bem sucedido em colar a crise no PP, partido que governa a Espanha e nacionalizar o problema do desemprego, do empobrecimento além de outras mazelas sociais.
O Podemos acabou conseguindo 15 vagas no parlamento, um número expressivo para um partido nascido há pouco mais de um ano e ainda no processo de se organizar internamente, tendo acabado de levar adiante eleições internas — que terminaram por expor fraturas e conflitos e por vezes alguma claudicância ideológica — e tendo pouco tempo para efetivamente se organizar para uma campanha eleitoral de tamanho considerável.
Apesar da boa votação — o partido pouco mais que dobrou o número de votos conseguidos em maio de 2014 para o Parlamento Europeu, pulando de pouco menos de 200 mil votos para 500 mil — o Podemos acabou ficando aquém das expectativas eleitorais e projeções. Segundo as últimas pesquisas divulgadas o partido conseguiria algo entre 19 e 22 vagas, acabou com apenas 15. O PP, de direita, acabou ficando dentro das previsões, ao passo que a Esquerda Unida ficou abaixo e o PSOE acima.
Em resumo, o Podemos pode se considerar vitorioso pela votação conseguida ainda no início de sua caminha partidária, porém podemos pensar que sofreu uma derrota frente às expectativas geradas. O bipartidarismo que persiste não apenas no parlamento espanhol, mas também em diversas regiões - dentre elas a Andaluzia - permanece, ou ao menos as duas principais forças permanecem as mesmas, ainda que com alguma ameaça pontual. O fato é que mais de 60% do parlamento andaluz será dominado por PSOE e PP, ainda que novos partidos tenham despontado para desafiar esta hegemonia. Se trata-se de um indicativo de algo maior, só o tempo dirá.
Outro partido que surpreendeu nas eleições foi o Ciudadanos-Ciutadans, partido de centro-direita de origem catalã (e que se opõe fortemente ao nacionalismo catalão, adotando uma agenda pró-Espanha), deu seus primeiros passos fora de sua região natal e conseguiu 9 vagas no parlamento local frente à previsão de no máximo 7, chegando a multiplica mais de 5 vezes sua votação anterior para o parlamento europeu (de 46 mil votos para 320 mil).
O partido vem se aproveitando de um certo hype nos primeiros meses do ano, crescendo nas pesquisas em todas as regiões pese não ter até o momento apresentado nada de novo em termos programáticos ou ideológicos, porém o partido acaba agregando eleitores de centro, insatisfeitos com os arroubos conservadores do PP e críticos às políticas do PSOE, numa tática bastante conhecida de buscar adotar um discurso inconsistente e mesmo incoerente para agradar um eleitor de perfil semelhante e que comumente se declara de centro.

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O Ciudadanos surfa na onda criada pelo Podemos, ou seja, de atacar o bipartidarismo histórico espanhol, porém ao contrário do Podemos, sem uma definição ideológica clara — pese, como mencionado, certos recuos e inconsistências do lado do Podemos.
O partido começa a crescer nas pesquisas e demonstrou alguma força possivelmente conseguindo atrair eleitores insatisfeitos do PP e, agora, pode vir a formar a base necessária para que o PSOE possa governar na região.
Agência Efe

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Uma aliança entre PSOE e Podemos com o objetivo de se alcançar a maioria absoluta de 55 cadeiras no parlamento parece impossível dadas as declarações pré-eleitorais de líderes de ambos os partidos e mesmo de inúmeras incompatibilidades ideológicas e práticas, ao passo que mesmo com a Esquerda Unida o PSOE não conseguiria chegar à maioria. Restaria então uma opção improvável de uma coalizão ampla com o PP (o que não seria ideologicamente incompatível, mas difícil em um cenário polarizado em que ambos os partidos irão se enfrentar em eleições nacionais e buscam tirar votos um do outro e tentar pintar o pior quadro possível do adversário), um governo em minoria com apoios pontuais e a aliança com o Ciudadanos, que já se mostrou partidário em outros momentos do arranjo.
Um arranjo que seria muito interessante para o partido, pois este seria absolutamente necessário para garantir as aspirações do PSOE na região e também para usar a Andaluzia como vitrine para as eleições nacionais.
Por fim, é importante ter em mente que a grande vencedora das eleições foi, na verdade, a abstenção. Com 1 milhão e 400 mil votos aproximadamente, o PSOE ficou atrás das 2 milhões e 200 mil abstenções. Curioso que o Podemos surgiu como um partido que seria capaz de fazer o eleitor que costumeiramente se abstém ir às urnas, mas o encanto do partido não foi suficiente para alterar o quadro de apatia frente à classe política e as eleições.
Os próximos dias serão de análises e planejamento por parte dos partidos políticos eleitos a fim de se formar um governo viável, porém pese o pequeno entrave imposto ao bipartidarismo, pouca coisa mudou no cenário eleitoral espanhol. Não se pode dizer que a Andaluzia será o modelo para outras eleições regionais, tampouco para a nacional que deverá acontecer até o fim do ano, mas é um indicativo de que o Podemos deverá trabalhar mais e melhor para conquistar o eleitor indeciso e o que se recusa a votar (ou que não vê razões para tanto), e que o Ciudadanos poderá se mostrar uma pedra no sapato, especialmente pela sua capacidade de se aliar com PP ou PSOE dentro de sua flexibilidade ideológica patente.

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Opera Mundi - Para filha de embaixador morto em 1979, pai foi assassinado após anunciar que denunciaria corrupção em Itaipu

Para filha de embaixador morto em 1979, pai foi assassinado após anunciar que denunciaria corrupção em Itaipu



Após golpe militar, orçamento de projeto inicial do consórcio brasileiro e paraguaio com a multinacional alemã Siemens saltou de 1,3 bilhão para 13 bilhões de dólares; 'meu pai ia fazer essa denúncia', conta filha de José Jobim
Wikimedia Commons

Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída por Brasil e Paraguai entre 1975 e 1982
Em novembro de 2014, o Instituto João Goulart encaminhou denúncia ao MPF- RJ sobre a morte do embaixador José Jobim em 1979. O documento alega que agentes da ditadura assassinaram o político, que declarara publicamente estar escrevendo um livro de memórias no qual denunciaria o esquema de corrupção na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Jobim iniciou sua carreira como jornalista mas logo enveredou para a diplomacia. Foi embaixador do Brasil no Paraguai, Equador, Colômbia, Argélia, Vaticano, Malta e no Marrocos.
O diplomata foi enviado em fevereiro de 1958 para a embaixada do Brasil em Assunção, no Paraguai, sendo responsável pelas negociações para a construção da hidrelétrica binacional. Em 1964, viajou novamente ao país vizinho para articular a compra de turbinas russas para a construção do megaempreendimento. A parceria com a União Soviética, que estava sendo negociada há tempos, foi cancelada por conta do golpe militar e o consórcio brasileiro e paraguaio comprou os equipamentos da multinacional alemã Siemens. O orçamento do projeto inicial “Sete Quedas” saltou de 1,3 bilhão para 13 bilhões de dólares.
Para a advogada Lygia Jobim, filha do embaixador, a declaração de Jobim na posse do presidente Figueiredo, no dia 15 de março de 1979 em Brasília, tem relação direta com sua morte: “Lá, não sei o porquê, ele teve a infelicidade de mencionar que estava escrevendo as suas memórias e que ia fazer essa denúncia. Meu pai sabia demais. Ele voltou pro Rio de Janeiro e, menos de uma semana depois, foi encontrado morto”, conta.
O volume 3 do relatório da Comissão Nacional da Verdade, “Perfis de mortos e desaparecidos políticos”, apresenta o caso de José Jobim. No texto há a indicação do superfaturamento da obra, que foi descrito pelo Coronel Alberto Carlos Costa Fortunato no livro A Direita Explosiva no Brasil, publicado em 1996. “Conhecem a história sobre o aumento de 23% no custo de Itaipu? Pois o negócio foi o seguinte: lá pelas tantas, o governo paraguaio pretendeu (mais adequado seria dizer que condicionou) um aumento de 23%. Os representantes brasileiros articularam um conchavo e combinaram o seguinte: vocês topam aumentar em 46% (metade para cada um)? Então, como o governo do Paraguai sabia que somente o Brasil pagaria a conta, fechou negócio. Quer dizer, pagamos 46% a mais pelo custo da obra. Tudo o que faltava dali para a frente foi reestudado e aumentado. Quem sabia essas coisas não podia fazer nada ou estava com o rabo preso”.

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José Jobim foi sequestrado no bairro do Cosme Velho em março de 1979 e encontrado morto dois dias depois, na Barra da Tijuca. As circunstâncias da morte do embaixador são incongruentes – desde a distância entre os bairros até a disposição da cena na qual Jobim foi encontrado. Na época, o delegado Rui Dourado (o mesmo que ajudou o ex-embaixador Manoel Pio Corrêa a montar o  Ciex – Centro de Informações do Exterior, órgão de espionagem da ditadura) alegou suicídio.
“Os policiais da 9ª delegacia do Catete [responsável pela investigação do caso] comentavam entre si que o meu pai poderia ter se suicidado. E não tinha nem corpo, como eles estavam falando em hipótese de suicídio?”, questiona Lydia. “Ele saiu de casa depois do almoço dizendo à empregada o que queria jantar – coisa que um suicida não vai fazer”, aponta. As investigações foram infrutíferas.
Para Lygia, dada a proximidade de Jobim com Itaipu, o embaixador sabia sim de esquemas de sobrepreços nas obras. Segundo ela, havia em sua casa uma mala que continha a documentação comprobatória do esquema – pouco tempo depois da morte de seu pai “a mala sumiu, desapareceu”. “A caixa preta de Itaipu deve ser uma coisa monstruosa”, diz. “Em Itaipu foi gasto 20 vezes mais concreto do que no Eurotúnel. Ali realmente a corrupção deve ter corrido solta. Essa caixa preta tem que ser aberta. Isso tem que aparecer”.

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Nem a PM nem a Civil escaparam dos calotes de Beto Richa | Blog do Esmael

Nem a PM nem a Civil escaparam dos calotes de Beto Richa

02 ABR 2015 - 10:06 20 Comentários
extrato_pm_holeriteBlog do Esmael vem denunciando os diversos calotes aplicados pelo governador Beto Richa (PSDB) nas mais diversas esferas. Nos últimos anos foram fornecedores, locatários, e até as próprias empresas do Estado, como a Copel e Sanepar, que sofreram com a “passada de perna” do tucano. Mas o que mais dói é a situação dos servidores, muitos deles com baixos salários, vítimas de sucessivos golpes aplicados pelo governo que só preserva a si, os interesses dos parentes, e dos ocupantes de cargos em comissão.
Depois de atingir professores e funcionários de escolas, o calote chegou às polícias Civil e Militar. Nem mesmo a PM nem mesmo a Civil foram preservadas da irresponsabilidade administrativa.
Um policial civil com mais de 30 anos de serviço informou ao Blog do Esmael que solicitou as férias em dezembro para usufruir em fevereiro, ou seja, com tempo hábil para que a burocracia fosse organizada. Acontece que as férias chegaram e o terço não foi pago.
O servidor em questão afirmou que o calote aconteceu com outros colegas de trabalho na Polícia Civil. Em mais de 30 anos de serviço, ele afirmou que foi a primeira vez que houve calote em um pagamento. O medo agora é que esses atrasos cheguem aos salários.
Blog do Esmael também apurou o caso de um soldado da Polícia Militar que usufruiu férias no mês de fevereiro, mas não recebeu. No contracheque de março ele sofreu desconto do período de férias, que figurou como “valor creditado”, sem que houvesse o depósito do dinheiro em sua conta.
Os servidores públicos do Paraná merecem isso?
O governo Beto Richa sofre crise moral, política e de credibilidade. Seus comandados já não mais lhe respondem as suas ordens. Paralelamente, ganha força a vice-governadora Cida Borghetti (PROS), como registrou hoje, na Gazeta do Povo, o jornalista Celso Nascimento.
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Nem a PM nem a Civil escaparam dos calotes de Beto Richa | Blog do Esmael

Opera Mundi - Sobrecarregados e traumatizados por imagens de ataques, pilotos de drones nos EUA pedem demissão em número recorde

Sobrecarregados e traumatizados por imagens de ataques, pilotos de drones nos EUA pedem demissão em número recorde



Profissionais têm abandonado posto em massa devido a excesso de trabalho e de exposição a imagens de destruição e mortes causadas pelos ataques; Força Aérea tem oferecido bônus e buscado voluntários para sanar lacuna
Wikimedia Commons

Piloto realiza missão de treinamento com drone Predator em Holloman (Novo México), uma das bases da Força Aérea dos EUA que forma pilotos de drones
A guerra com drones dos Estados Unidos em parte do Oriente Médio e da África está em crise. Mas não porque civis estão morrendo ou porque Washington está questionando a lista de alvos da guerra ou o direito de levá-la a cabo. Algo bem mais básico está em jogo: pilotos de drones estão pedindo demissão em números recordes.
Há cerca de mil pilotos de drones trabalhando para a Força Aérea dos Estados Unidos, conhecidos no meio como “18X”. A cada ano, 180 pilotos se formam em um programa de treinamento realizado em duas bases da Força Aérea no próprio país. No entanto, durante os mesmos 12 meses em que 180 pilotos se formam, cerca de 240 pilotos treinados pedem demissão, e a Força Aérea não sabe como explicar o fenômeno.
O site norte-americano Daily Beast publicou em janeiro um memorando interno escrito pelo general Herbert Carlisle e direcionado ao chefe da Força Aérea, o general Mark Welsh. Nesse documento ele afirma que “o aumento da saída [de pilotos] prejudicará a capacidade de prontidão e combate do empreendimento MQ-1/9 [que utiliza os drones Predator e Reaper, ‘predador’ e ‘ceifador’ em tradução literal] nos próximos anos". O general disse também estar "extremamente preocupado".
A questão ganhou destaque numa entrevista coletiva especial com o comando da Força Aérea algumas semanas depois. A secretária da Força Aérea, Deborah Lee James, abordou o assunto ao lado de Welsh. "Este efetivo está sob um estresse significativo, devido ao ritmo acelerado das operações", declarou James.
Teoricamente, os pilotos de drones têm uma vida confortável. Ao contrário dos soldados que trabalham em "zonas de guerra", eles vivem com suas famílias nos Estados Unidos, sem trincheiras em meio à lama, nem quartéis em desertos com tempestades de areia e ameaças de ataque. Em vez disso, estes “guerreiros tecnológicos” saem de casa todos os dias para trabalhar como qualquer outro funcionário de escritório e sentam-se em frente a telas de computador manejando joysticks, jogando o que a maioria das pessoas consideraria ser um videogame metido a besta.
Eles normalmente "voam" em missões sobre o Afeganistão e o Iraque, onde a tarefa é coletar fotos e vídeos e cuidar dos soldados norte-americanos no terreno. As missões de execução da CIA no Paquistão, Somália ou Iêmen são delegadas a um grupo seleto, que recebe as ordens para matar do céu "alvos de grande valor". Nos últimos meses, alguns desses pilotos também participaram dos conflitos nas fronteiras da Síria e do Iraque, realizando ataques a militantes do Estado Islâmico.
Cada uma dessas patrulhas aéreas de combate envolvem três a quatro drones, que geralmente são Predators e Reapers armados com mísseis Hellfire, que necessitam 180 funcionários para voar. Além dos pilotos, há operadores de câmeras, especialistas em inteligência e comunicação e funcionários da manutenção.
Atualmente, a Força Aérea segue as ordens de manter abastecidas de funcionários 65 dessas “patrulhas aéreas de combate”. Para isso, o número ideal seria 1.700 pilotos treinados. Ao encarar uma taxa de demissão em crescimento acelerado que baixou esse número para menos de mil, a Força Aérea tem precisado pressionar pilotos de carga normal e de aviões a jato, assim como reservistas, para tornarem-se pilotos de drones da noite para o dia.
A Força Aérea explica a saída desses pilotos com termos simples: eles estão sobrecarregados. Os pilotos dizem ser desprezados por seus colegas da Força Aérea. Alguns também foram a público afirmar que os horrores vistos diariamente nas telas estão levando a versões inéditas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) à distância.
Alguns pilotos de drones se ressentem pelas diferenças frente a outros pilotos da Força Aérea. "Alguns deles pensam que o programa inteiro ou as pessoas por trás dele são uma piada, que somos guerreiros de videogame, lutadores de Nintendo", disse Brandon Bryant, ex-operador de câmera de drones, ao site Democracy Now.
Mas o ritmo de trabalho com drones não é nada engraçado. Os pilotos voam de 900 a 1.800 horas por ano em comparação com as máximas 300 horas anuais dos pilotos comuns da Força Aérea. "Uma pessoa que trabalhou nessa missão nos últimos sete ou oito anos trabalhou seis ou sete dias por semana, doze horas por dia", afirmou o general Welsh à NPR recentemente. "E, no fim das contas, essa folga de um ou dois dias não é suficiente para cuidar da família e do resto da sua vida."
Os pilotos concordam. "É como quando o medidor de temperatura do motor está abaixo da linha vermelha no painel do seu carro, e, em vez de diminuir e aliviar o estresse do motor, você pisa fundo", disse um piloto de drones à revista Air Force Times. "Você sacrifica o motor para ter uma rápida explosão de velocidade sem levar em conta o dano causado."
A Força Aérea propôs uma solução provisória: está planejando oferecer um aumento de cerca de 50 dólares na diária dos pilotos. Mas com tantos deixando o trabalho, somente alguns têm os anos de experiência suficientes para se qualificar para o bônus. A Força Aérea admite que apenas dez poderão pedir a quantia extra este ano.
A maioria dos 18X diz que seu trabalho é mais complicado e significativamente mais pessoal do que o trabalho dos pilotos de jatos. "Um operador de drone está bem mais envolvido no que está acontecendo do que um piloto de um caça de alta velocidade, que nem mesmo verá o alvo", afirmou o tenente-coronel Bruce Black, ex-piloto de drones da Força Aérea. "Um piloto de drone observa o alvo por um tempo, conhece-o bem, sabe o que está ao redor dele."

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Wikimedia Commons

Drone Predator
Alguns pilotos dizem que a guerra com drones levou-os além de seu limite. "Quantas mulheres e crianças você já viu incineradas por um míssil Hellfire? Quantos homens você já viu rastejando enquanto sangram com as pernas decepadas em busca de ajuda?", perguntou Heather Linebaugh, ex-analista de imagens de drones, em artigo publicado no jornal britânico The Guardian. "Quando se é exposto àquelas imagens repetidamente, elas permanecem em looping na sua cabeça, causando uma dor psicológica e um sofrimento que muita gente, espero, jamais vivenciará."
"Foi apavorante descobrir o quão fácil era. Senti-me um covarde porque estava do outro lado do mundo e o cara nem sabia que eu estava lá", contou Bryant. "Senti-me assombrado por uma legião de mortos. Minha saúde mental estava em pedaços. Eu fiquei tão mal que estava prestes a me matar."
No entanto, muitos pilotos de drones defendem o seu papel nas execuções seletivas. "Não matamos pessoas por diversão. Seria a mesma coisa se estivéssemos no terreno", disse a controladora de missões Janet Atkins a Chris Woods, autor do livro Sudden Justice [“Justiça repentina”, em tradução literal]. "É preciso pegar [o inimigo] de qualquer jeito, senão morremos todos."
Outros, como Bruce Black, têm orgulho de seu trabalho. "Eu estava salvando centenas de pessoas, incluindo iraquianos e afegãos", contou ao jornal de sua cidade natal, no Novo México. "Depois saíamos para tomar cerveja e falávamos sobre a missão. Era surreal. Era fácil perceber o quão importante era aquele trabalho. O valor que esse sistema agrega à batalha não é evidente até que você esteja lá."
Uma equipe da Escola de Medicina Aeroespacial da Base da Força Aérea Wright-Patterson, em Ohio, publicou uma série de estudos sobre o estresse dos pilotos de drones. Um estudo de 2011 concluiu que cerca de metade deles tinha um "alto nível de estresse operacional". Parte deles também exibia "angústia clínica", isto é, ansiedade, depressão ou estresse severo o suficiente para afetar a vida pessoal.
Wayne Chappelle, coordenador de alguns desses estudos, concluiu que o problema é, em geral, a sobrecarga de trabalho causada pela escassez crônica de pilotos. Seus estudos mostram que os níveis de estresse pós-traumático são, na verdade, menores entre os pilotos de drones do que entre a população geral.
Outros, no entanto, questionam esses números. Jean Otto e Bryant Webber, do Centro de Vigilância em Saúde das Forças Armadas, advertem que a falta de relatos de estresse pode apenas ser um "reflexo da subnotificação das preocupações dos pilotos devida aos efeitos que os diagnósticos de saúde mental têm em suas carreiras, como a remoção das atividades, a perda do pagamento por voos e menos competitividade nas promoções".
Os pilotos não estão matando somente terroristas, e sabem disso. Como Black aponta, eles veem tudo o que acontece antes, durante e depois do ataque com drone.
A única transcrição detalhada de uma missão de vigilância e execução seletiva divulgada ao público ilustra isso. São gravações de conversas entre operadores de drone na base da Força Aérea em Nevada, o analista de vídeo na sede de operações especiais, na Flórida, e os pilotos da Força Aérea na província de Daikondi, no Afeganistão, todos trabalhando juntos no dia 21 de fevereiro de 2010.
Naquela ocasião, três veículos foram avistados num comboio logo antes do amanhecer, carregando cerca de doze pessoas cada. Acreditando que fossem "insurgentes" saindo para matar soldados norte-americanos que estavam próximos numa missão, a equipe do drone decidiu atacar.
Depois que os sobreviventes do ataque se entregaram, a transcrição gravou a frustração dos pilotos enquanto viam mulheres e crianças no comboio, sem encontrar nenhuma evidência visual de armas.
Uma investigação feita no terreno em seguida estabeleceu que todos os mortos eram simples aldeãos. O major general da Força Aérea James Poss, que supervisionou a investigação, disse depois ao jornal norte-americano Los Angeles Times que "a tecnologia pode, às vezes, dar uma sensação falsa de segurança, de que você pode ver tudo, ouvir tudo, saber de tudo".
Funcionários da administração Obama alegam que episódios como esse são raros. Em junho de 2011, quando o diretor da CIA John Brennan ainda era o conselheiro antiterrorismo da Casa Branca, ele abordou a questão das mortes de civis em ataques de drones com uma afirmação ousada: "[No último ano,] não houve uma única morte colateral devido à proficiência excepcional e a precisão das capacidades que pudemos desenvolver".
Mas segundo um relatório divulgado em novembro de 2014 elaborado por Jennifer Gibson, da organização britânica de direitos humanos Reprieve, alguns homens da "lista de execução" de terroristas suspeitos da Casa Branca "'morreram' até sete vezes": "Encontramos 41 nomes de homens que parecem ter feito o impossível. Isso levanta uma questão urgente: com cada tentativa frustrada em assassinar um dos homens da lista, quem preencheu o saco de cadáver em seu lugar?".
A organização descobriu que, com as repetidas tentativas de eliminar estes 41 "alvos", pelo menos 1.147 pessoas morreram no Paquistão em ataques de drones. Um exemplo é o atual líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri. De acordo com a ONG, em dois ataques contra ele nos últimos anos, 76 crianças e 29 adultos foram mortos, enquanto al-Zawahiri continua vivo.

Tradução: Jessica Grant
Matéria original publicada no site Tom Dispatch.

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Obra do educador Paulo Freire, atacado em faixa de protesto contra Dilma, está disponível para download

Obra do educador Paulo Freire, atacado em faixa de protesto contra Dilma, está disponível para download

Publicado: Atualizado: 
PAULO FREIRE
Chega de doutrinação marxista. 
Basta de Paulo Freire.
Os dizeres estavam em raros cartazes ou faixas vistos nos protestos contra o governo do PT e da presidente Dilma Rousseff.
Entretanto, foram o gatilho para um levante de admiradores do filósofo Paulo Freire, um dos educadores mais respeitados do Brasil e do mundo.
Autor de Pedagogia da Autonomia e uma série de livros que visam ao empoderamento do estudante, dentro de suas singularidades, o intelectual teve sua extensa obra traduzida para diversos idiomas. Inspirou várias linhas de pesquisa mundo afora.
O acervo dele está disponível na internet (clique aqui para acessar).
O professor André Azevedo da Fonseca, da UEL (Universidade Estadual de Londrina), começou uma campanha de crowdfunding para arrecadar recursos para o projeto.
"Decidi dividir o trabalho em 30 vídeos curtos para que o público não especializado tenha mais oportunidades de estabelecer esse primeiro contato com a obra de Paulo Freire", disse ao portal EBC.
Interessados em contribuir podem acessar o site Catarse e fazer sua colaboração até o dia 23 de março.
Falta ainda mais da metade da meta para Fonseca executar a obra de Freire em vídeo.
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Obra do educador Paulo Freire, atacado em faixa de protesto contra Dilma, está disponível para download