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quinta-feira, 16 de março de 2017

"A rebeldia é importante para a ciência", diz o físico Carlo Rovelli - ÉPOCA | Ciência e Meio Ambiente

ÉPOCA – O senhor foi, por longo tempo, um crítico do sistema italiano de ensino. No país, o ensino médio foi reestruturado pelo governo fascista, de modo que formasse alunos mais especializados em ciências humanas ou ciências exatas, dependendo do percurso escolhido pelo estudante. Por que o senhor acha esse modelo ruim?
Rovelli – 
Esse tipo de separação existe na educação italiana, e também é comum em diversas outras culturas, em muitos outros países. Acho um equívoco. Uma boa educação, que forme cidadãos, deve dar aos alunos instrumentos, tantos quanto forem possíveis, para pensar criticamente. Isso significa aprender sobre filosofia tanto quanto sobre ciências exatas. Um cidadão que não compreende as grandes descobertas científicas dos últimos séculos é um ignorante. O equivalente moderno a alguém que, depois da revolução copernicana, acreditava que a Terra era o centro do Universo. Do outro lado, se as pessoas se tornarem muito técnicas, também serão tacanhas, estreitas. Por isso, defendo que a educação deve ser tão abrangente quanto possível.

"A rebeldia é importante para a ciência", diz o físico Carlo Rovelli - ÉPOCA | Ciência e Meio Ambiente