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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Sem a Petrobrás, o país não volta a andar - Revista Instigada

Sem a Petrobrás, o país não volta a andar


O impacto do encolhimento da Petrobrás nas cadeias naval e petroquímica é absolutamente devastador e pode se tornar irreversível se algo não for feito urgentemente. Os estaleiros brasileiros, por exemplo, já demitiram milhares de trabalhadores, e alguns estão em estado pré-falimentar


 por João Antônio de Moraes





Em texto publicado no Le Monde Diplomatique Brasil (mar. 2015) discutimos os impactos da Operação Lava Jato e da ofensiva midiática que a acompanhava (e acompanha) na política de conteúdo local. Deixamos claro naquele artigo que, assim como todo brasileiro que se preze, somos favoráveis à apuração de ilícitos e, se comprovados, à punição dos culpados. Ressaltamos, porém, que nossa maior empresa deveria e deve ser preservada, e estamos em luta para a defesa da Petrobrás e de nossa nação.

A luta se intensificou, e o capital internacional, articulado com as forças retrógradas do país, escancarou seu papel na disputa política. Dessa maneira, apresentaremos nossa visão sobre a situação atual da Petrobrás.

Após verdadeiro cerco e boicote internacional imposto pelo mercado por meio da Price (PricewaterhouseCoopers), que inexplicavelmente resolveu não chancelar o balanço do terceiro e quarto trimestres de 2014 da Petrobrás, o governo foi obrigado a trocar a diretoria e o conselho de administração da empresa, tirando os ministros e colocando pessoas de absoluta subserviência ao mercado, uma vez que a não assinatura da Price poderia significar a completa insolvência da empresa naquele momento. Essa movimentação levou a Petrobrás a agir não mais como uma empresa pública estratégica para nosso desenvolvimento, e sim como uma companhia privada que procura resolver seus problemas financeiros (endividamento) e dar lucro aos acionistas. Além disso, é evidente que esse cerco encontrou ambiente propício em razão do preço internacional do óleo cru.

Atualmente, a empresa se encontra refém do mercado e, apesar de a Operação Lava Jato apontar supostos desvios de R$ 6 bilhões, ela se propõe a vender ativos e reduzir investimentos em valores cem vezes maiores. Essas medidas trouxeram de volta à empresa o clima de desmonte e sucateamento que vivíamos nos tempos do tucanato. Planos de demissões voluntárias podem reduzir o número de trabalhadores de 65 mil para 40 mil; em 2002, éramos 32 mil trabalhadores.

Em seus balanços, a Petrobrás tem aplicado desde 2014 premissas muito mais conservadoras que suas concorrentes internacionais, os chamados impairment, que têm causado prejuízos contábeis de R$ 22 bilhões (2014) e R$ 35 bilhões (2015), destruindo os excelentes resultados operacionais obtidos.

Com relação à dívida acumulada, a principal solução imposta pelo mercado – vendas de ativos rentáveis – somente agrava o problema. Uma alternativa seria buscar fontes de financiamento, como os bancos chineses, vinculadas ao cumprimento de produção futura; é um tipo de saída muito melhor, mas que precisaria ser feita de maneira mais planejada e estruturada, com atuação do próprio Estado brasileiro, o que é efetivamente rejeitado pela atual gestão da companhia.

O impacto do encolhimento da Petrobrás nas cadeias naval e petroquímica é absolutamente devastador e pode se tornar irreversível se algo não for feito urgentemente. Os estaleiros brasileiros, por exemplo, já demitiram milhares de trabalhadores; alguns estão em estado pré-falimentar e outros já fecharam as portas.

No setor petroquímico, nossos polos, à frente o de São Paulo, estão em extrema dificuldade por falta de novos investimentos. Até mesmo obras como a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), localizada em Três Lagoas (MS), que está 80% concluída, foram paralisadas. Contudo, seu funcionamento é fundamental para nossa soberania alimentar, livrando-nos da importação de fertilizantes nitrogenados.

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, também foram impactados. O primeiro recebeu mais de US$ 14 bilhões de investimentos, tem 80% de sua obra concluída, porém se encontra paralisado. E a Refinaria Abreu e Lima está operando apenas o primeiro trem (cerca de 50%); a segunda parte também teve as obras paralisadas. A direção da Petrobrás diz que, para concluir essas construções, vai procurar estabelecer parcerias, mas essa saída, além de prejudicada pela retração do mercado internacional, pode ferir interesses estratégicos de nosso país ao priorizar o mercado (capital privado e internacional) em detrimento de nossa soberania energética.

Quanto ao pré-sal, por enquanto não tivemos alterações, pois a empresa diz ser sua absoluta prioridade nos próximos anos. Mas nós, trabalhadores, pensamos que até mesmo essa área pode ser impactada pela saída de profissionais altamente qualificados (geólogos, geofísicos, engenheiros e técnicos de diversas áreas) em virtude do Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV), lembrando que são profissionais não disponíveis com facilidade no mercado, pois sua função exige muitos anos de formação.

O Fundo Social do pré-sal vem sendo formado e alcança valores próximos de R$ 7 bilhões (dez. 2015), mas, certamente, a uma velocidade menor do que se a Petrobrás estivesse atuando a plena carga, mantendo os investimentos previstos inicialmente. Para ter uma ideia, no planejamento estratégico de 2013 a empresa projetava uma produção de 4,5 bilhões de barris em 2020; em 2016, esse número caiu para 2,8 bilhões. Ademais, essa produção viria na maior parte do pré-sal e, assim, iria compor o Fundo Social. A queda do valor do barril também contribuiu para diminuir o fundo, sendo parcialmente compensada pela elevação do dólar.

Por fim, com o Projeto de Lei do Senado de autoria de José Serra, o PLS 131/2015, a Petrobrás perderia a condição de operadora exclusiva, o que talvez lhe permitisse planejar melhor sua atuação e manutenção da tecnologia por nós desenvolvida. No entanto, o maior prejuízo seria do Brasil, pois o PLS arranca do país a possibilidade de aproveitar as imensas reservas do pré-sal em benefício de um novo ciclo desenvolvimentista. O controle privado da operação do pré-sal determinará a produção. Dessa maneira, empresas com sede estrangeira priorizariam compras em sua nação de origem. Além disso, normalmente essas companhias colocam nos postos de trabalho mais estratégicos trabalhadores nacionais, não permitindo nosso acesso ao conhecimento e tecnologia. Também perderemos soberania energética, pois pode haver exploração predatória, como a espanhola Repsol praticou ao assumir os ativos da YPF argentina. Nossos vizinhos até hoje não se recuperaram desse prejuízo e se veem às voltas com a necessidade de importação de insumos energéticos. Outro risco sério de tirar da Petrobrás a condição de exploradora exclusiva é sermos fraudados nos custos de produção (que o Estado tem de repor em óleo para a operadora, assim como nos volumes produzidos). Ao longo da história, existem inúmeros exemplos de nações que detiveram recursos naturais em abundância, mas que, ao submeterem esses ativos a agentes econômicos externos, foram literalmente surrupiadas, restando-lhes apenas o dano ambiental, como ocorreu durante a atuação da Chevron no campo de Frade, no litoral fluminense. Em 2011, após realizar uma perfuração predatória (acelerada e com equipamentos ultrapassados), a petroleira norte-americana causou uma fissura e um enorme vazamento.

Portanto, se não quisermos repetir com o pré-sal a mesma tragédia de outros ciclos econômicos do país, como os do pau-brasil e do ouro, quando perdemos o recurso natural e não estruturamos uma nação desenvolvida e justa, precisaremos manter na íntegra o modelo de partilha, com a Petrobrás como operadora exclusiva, e se possível aumentar o controle da sociedade nessa área estratégica.

João Antônio de Moraes

*João Antônio de Moraes é diretor de relações internacionais e movimentos sociais da FUP/CUT.



Ilustração: Daniel Kondo
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terça-feira, 19 de julho de 2016

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

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Opera Mundi - O que aconteceu na Turquia? Por que os militares tentaram tomar o poder?

Apesar de divergir em essência da perspectiva adotada pelo site na análise dos acontecimentos turcos, reproduzimos para efeito de apreciação dos leitores.

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A insurgência popular e a liderança do governo derrotaram o golpe na Turquia - Carta Maior

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AÉCIO NEVES É O MAIOR CENSURADOR PÓS DITADURA!

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domingo, 17 de julho de 2016

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Lançada Frente Nacional contra o Projeto Escola sem Partido | Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio

Lançada Frente Nacional contra o Projeto Escola sem Partido

Entidades e movimentos sociais se unem contra projeto que está sendo considerado como "lei da mordaça" na educação. EPSJV/Fiocruz participa da iniciativa
Cátia Guimarães - EPSJV/Fiocruz | 14/07/2016 14h27 - Atualizado em 14/07/2016 16h23
Foto: Samuel Costa
“Estudante na escola tem direito de pensar. Escola sem Partido é ditadura militar”. Puxado por grupos de alunos e militantes de diversas entidades do movimento estudantil, foram vários os momentos do encontro em que o grito tomou conta do ambiente. Eram centenas de pessoas espremidas num auditório lotado. Passavam de cem também as instituições e movimentos sociais representados — entre eles, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz). Com enfoques os mais diversos, os discursos convergiam no apelo à unidade em prol de uma causa comum: o combate, nos parlamentos e nas ruas, ao projeto de lei que quer limitar conteúdos e práticas escolares para acabar com uma suposta “doutrinação” na educação brasileira. Batizado de ‘Escola sem Partido’ pelo movimento que o criou, por onde passa o projeto tem recebido outros nomes. Em Alagoas, por exemplo, foi aprovado na Assembleia Legislativa como ‘Escola Livre’. No evento que reuniu educadores, estudantes, sindicalistas e militantes da educação no Rio de Janeiro no último dia 13 de julho, o nome adotado foi um pouco diferente: ‘lei da mordaça’. (Leia mais sobre o projeto)
O encontro marcou o lançamento de uma Frente Nacional contra o projeto Escola sem Partido, que foi identificado pela maioria dos presentes como uma das maiores ameaças colocadas à educação pública na atual conjuntura brasileira. Destacando a presença cada vez mais visível de discursos conservadores em relação às famílias, associados a uma mercantilização da religião, o professor Gaudêncio Frigotto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que fez a fala de abertura do encontro, foi direto: “Não podemos deixar esse projeto ser aprovado porque, com ele, a direita fascista terá não só a persuasão mas também a guilhotina”. Isso porque o texto do projeto de lei — que foi elaborado pelo movimento Escola sem Partido e distribuído a parlamentares nas esferas nacional, estadual e  municipal — prevê que os professores que incorrerem em prática de "doutrinação", descumprindo alguma das proibições que o PL estabelece, devem ser denunciados ao Ministério Público. Entre os seis pontos que o projeto impõe como obrigações ou proibições legais ao trabalho em sala de aula estão questões imprecisas e polêmicas, como a garantia de que o professor não “cooptará” os alunos para correntes políticas ou ideológicas (além de partidárias) e de que ele “respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. Afirmando a importância da reação coletiva e a necessidade de resistir às ameaças institucionalizadas que o projeto representaria, Gaudêncio brincou: “Haja cadeia!”.
Fundamentalismos
“Por que não estamos contando boas piadas sobre esse projeto?”. Essa é, na avaliação de Roberto Leher, professor, pesquisador e reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que fez a fala de encerramento do encontro, a pergunta que o campo da educação precisa se fazer neste momento. Isso porque, segundo ele, alguns anos atrás, quando o movimento Escola sem Partido foi criado, ele seria, no máximo, alvo de ridicularização, pelo seu caráter “risível” e “inconstitucional”. “Mas hoje estamos aqui”, ressaltou, destacando o espaço que essa iniciativa ganhou nos parlamentos, o que, no nível federal, se expressa, por exemplo, na presença de vários representantes de setores ultraconservadores na Comissão de Educação da Câmara. O mais “preocupante”, destacou, é que esse projeto agora encontra espaço num governo que carece de “legitimidade e legalidade”. “Ele começa a entrar de forma capilarizada no governo central do país”, alertou, lembrando que o ministro interino da educação, Mendonça Filho, se reuniu com o ator Alexandre Frota e representante do Movimento Revoltados On Line para ouvir sugestões sobre política educacional e que, nesta semana, o mesmo ministro nomeou como seu assessor especial Adolfo Sachsida, um pesquisador que já se declarou defensor do Escola sem Partido e, segundo Leher, já teria se manifestado em redes sociais não só pela criminalização da liberdade de pensamento mas também por iniciativas como a ‘cura gay’. Como outros casos que marcaram a curta trajetória do governo  interino, o assessor foi exonerado menos de 24 horas depois da nomeação.
Para Leher, a peculiaridade deste momento, no Brasil e no mundo, é o fato de — como nem sempre acontece — a “aliança econômica da burguesia” precisar estar associada com a pauta da ultradireita. Segundo ele, essa tem sido a principal saída encontrada para a crise, o que, na sua leitura, significa um caminho para retomar as taxas de lucro do grande empresariado.  “Para isso, foi preciso destituir um governo com o apoio da bancada ultrafundamentalista. Portanto ,a relação do governo com essa bancada é intrínseca, um depende do outro”, disse. E alertou: “Estamos diante do que Walter Benjamin chamou de ‘aviso de incêndio’”.
Gaudêncio também localizou o Escola sem Partido na origem de um “golpismo” que, nas suas palavras, atingiu não apenas ou principalmente o governo Dilma Rousseff, mas sim o que ele chamou de “parca sociedade democrática” brasileira. A gênese mais imediata desse processo estaria, segundo o professor, num certo “estado de exceção” imposto pelo neoliberalismo quando, no Brasil e no mundo, os bancos centrais se tornaram “ad hoc” dos governos, substituindo as decisões do conjunto da sociedade.
Mas, no que diz respeito à escola pública, Gaudêncio identificou o Escola sem Partido como herdeiro também de um processo de “desautorização” e privatização que vem se dando desde a década de 1980. Segundo ele, esse ataque à autonomia da escola começou pela gestão, crescentemente contaminada por uma lógica privada, muitas vezes até com gestores privados. Em seguida, disse, mirou-se nos professores, que passaram a ser alvos de “especialistas que dão as regras do bem ensinar”, processo que culminou com a disseminação de apostilas e sistemas de ensino padronizados produzidos por entidades ligadas a grandes grupos empresariais que são vendidos para as secretarias de educação. Nesse trajeto, destacou Gaudêncio, assistiu-se a um  “sequestro paulatino da função do mestre”. “Agora querem tomar a palavra do professor, dizer o que ele pode dizer”, resumiu.
Qual partido?
Seja nas palestras de abertura e encerramento, de Gaudêncio Frigotto e Roberto Leher, seja nas falas das entidades e movimentos sociais, o encontro marcou um consenso em torno da ideia de que o que o projeto de lei visa instituir não é uma escola sem partido, mas uma escola de partido único ou que atenda a interesses de partidos específicos. O primeiro destaque da fala do reitor da UFRJ foi exatamente o fato de o deputado que apresentou o PL na Câmara ser do PSDB, do qual faz parte também o deputado Rogério Marinho, que submeteu projeto de teor semelhante, tipificando o crime de “assédio ideológico”, com foco nos professores.
Mas, para as entidades que compõem a recém-criada Frente, a caracterização do ‘partido’ que orientaria o movimento vai além das siglas eleitorais. “É o partido único da xenofobia, da não-controvérsia, da ideologia única do mercado”, descreveu Gaudêncio. “É, na verdade, a escola de um partido só, que reproduz o racismo e o machismo em sala de aula”, classificou a representante da Federação Nacional dos Estudantes de Escolas Técnicas (Fenet). “É a versão acabada do fascismo”, apontou o representante da Intersindical. Mesmo antes do encontro, o manifesto que convocou a construção da Frente resumia: “Defender a escola sem partido é defender a escola com apenas um partido. Partido daqueles que são contra uma educação laica e contra o debate sobre gênero, fortalecendo assim a cultura do estupro e a LGBTTIfobia presente em nosso país. Defendemos a escola crítica sim, a educação libertadora, a pluralidade de ideias e a liberdade de expressão e pensamento”, diz o texto.
Frente de atuação
Samuel Costa
Foto: Samuel Costa
A iniciativa de construir uma Frente Nacional contra o projeto Escola sem Partido nasceu durante o 2º Encontro Nacional de Educação (ENE), realizado entre 16 e 18 de junho — na mesma data e no mesmo local em que o ENE acontecia, alunos da Universidade de Brasília foram alvo de ataques racistas e homofóbicos de um grupo de manifestantes de ultradireita. O manifesto de convocação é assinado por mais de cem entidades, que envolvem sindicatos e centrais sindicais, partidos políticos e mandatos de parlamentares, entidades estudantis e movimentos sociais em geral, entre outros. Da publicização do manifesto até o lançamento da iniciativa, muitas outras organizações se juntaram para compor a Frente.

Segundo informações do professor Fernando Penna, da Universidade Federal Fluminense, apresentadas em debate realizado na EPSJV/Fiocruz no último dia 8 de julho, o PL do Escola sem Partido tramita hoje em dez estados e vários municípios brasileiros, além do distrito federal e da Câmara dos Deputados. Recentemente, foi aprovado em Alagoas. Alegando que o professor em sala de aula não tem direito à liberdade de expressão, mas apenas à liberdade de cátedra, para o movimento Escola sem Partido a “doutrinação ideológica” pode estar  expressa na ideia de que a escola dever “formar para a cidadania”; no debate de acontecimentos atuais promovido pelo professor em sala de aula; no tratamento de questões ligadas à “moralidade”, que envolvam cultura religiosa ou discussões de gênero, por exemplo; ou na simples leitura de autores considerados “doutrinadores” de esquerda – entre eles, estão Antonio Gramsci e Paulo Freire. Diante dessa amplitude, a ideia da construção de uma Frente, expressa no seu manifesto de convocação, é que, para combater a ofensiva desse projeto, “não são mais suficientes as iniciativas isoladas”.

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Golpes e golpes, Brasil e Turquia: que diferença o PT faz? – O Cafezinho

Concordo com o rechaço ao comportamento do PT no contexto do golpe que não se resume ao episódio da câmara. As vacilações do partido são notórias desde o julgamento da AP470. Desde antes mesmo quando abandonou todo o protagonismo que detinha nos movimentos sociais para abraçar um pragmatismo letal. Mas tão vulgar quanto o cretinismo parlamentar do PT, é a alegação que o golpe foi feito para barrar a lava jato. 
Francamente, ainda tem quem se iluda com Sérgio Moro.


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Reginaldo Nasser: "França esteve envolvida na criação do Estado Islâmico" | GGN

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sábado, 16 de julho de 2016

Precisamos falar sobre o jornalismo que só julga puta, preto e petista, diz Xico Sá | GGN

Precisamos falar sobre o jornalismo que só julga puta, preto e petista, diz Xico Sá

Jornal GGN - "Como pode, por exemplo, o golpe [do impeachment] seguir com esse silêncio todo? O golpe parlamentar sem um editorial contra essa safadeza, sem um jornal digno contra essa escrotidão toda. (...) O Brasil vive o maior golpe de Estado silencioso de todos os tempos..."
Essa é a avaliação do cronista Xico Sá, em artigo publicado nesta sexta (15) no El País.
Em "Precisamos falar sobre o golpe", Xico Sá também denuncia a preferência da mídia em "julgar puta, preto e petista", deixando de lado outras pautas e escândalos de corrupção que têm outros partidos políticos envolvidos.
A imparcialidade da imprensa já consolidade perante a opinião pública tem esvaziado os protestos contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, avaliou. Para ele, só os movimentos sociais compostos por "brasileiros reais", como o povo sem terra, têm ocupado as ruas para contrariar os interesses dos grupos dominantes.
Por Xico Sá
No El País
Precisamos falar sobre o jornalismo brasileiro que só julga puta, preto e petista, quase sempre atendendo um juiz moral de primeira instância. O resto é só tornozeleira eletrônica ou, se for tucano, inimputável, jamais cadeia. Resta uma pergunta sobre a ideia de justiça: todos iguais perante a lei, não sei?
Rapaz, que prendam os petistas, mas por que só os petistas? Por que o juiz Sérgio Moro, o mesmo do escândalo do Banestado, rombo maior que o Petrolão, nunca prendeu um tucano, ave tão envolvida quanto? O Banestado talvez seja o maior roubo de todos os tempos no Brasil, mas quem diz que isso interessa à imprensa brasileira!
Chega de pergunta. Para. Parei. Moro deve ter suas razões nesse caso, que se explique.
Precisamos falar sobre o jornalismo brasileiro que só julga puta, preto e petista Não sou puta, quem dera...
Não sou porra nenhuma, mas já votei com muito gosto em Lula, o maior presidente da República do Brasil de todos os tempos, o cara que botou o Nordeste na bonita roda da ciranda do avanço, só Luiz Inácio fez a grandeza, repito, que fodido (sic), com todo respeito.
Só há uma ideia de justiça: a que vale para todos. Se não for assim, não há justiça, a humanidade toda sabe disso. Não adianta a TV foder só e sempre um lado, minha mãezinha tá de olho e sabe das coisas da vida, caro Vonnegut. Não adianta.
Deixa quieto, fica a provocação de fato, meu meu amado Kurt? Sofreria deveras se me interessasse, por exemplo, sobre como o jornalismo brasileiro cobre a realidade. Deixa o sorvete da vida popular sem cobertura. Não cobre.
Sim, andei lendo o “número zero”, livro de Umberto Eco, que porrada no jornalismo mentiroso, mas deixa quieto. Prefiro falar sobre outro tipo de ficção. O amor de fato, por exemplo, se vinga, moçada.
Golpe do golpe
Assim como no amor e na vida, o Brasil que se vê na tevê e nos jornais, ave, é um país que escolheu a fantasia do golpe político. Que triste. Óbvio que a esquerda brasileira, de tão desunida, nossa!, acaba referendando, a maior sacanagem de direita, com ajuda midiática golpista, de todos os tempos.
Deixa quieto um caralho. Epa! Sem palavrão, seu cronista. Cadê o lirismo de Paulo Mendes Campos, cadê?
Yes, sempre careço da ajuda do velho Kurt Vonnegut. Ele que me deixa instigado. Também me segura. Já iria mandar a direita pra puta q o...
Como pode, por exemplo, o golpe seguir com esse silêncio todo? O golpe parlamentar sem um editorial contra essa safadeza, sem um jornal digno contra essa escrotidão toda.
O Brasil vive o maior golpe de Estado silencioso de todos os tempos...
O que mais intriga é que o golpe, com ajuda midiática, não tenha mais ninguém nas ruas contra essa barbárie.
Perdão. Tem sim. Os brasileiros de verdade, os sem-teto e os sem terra, num país que não conseguiu fazer reformar agrária desde 1500, estão na peleja. Estou com eles, sempre.
Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de “Big Jato” (editora Companhia das Letras), e comentarista do “Redação Sportv”.
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Mino Carta diz que Dallagnol pode ser o candidato da Lava Jato à presidência | Brasil 24/7

A insustentável torpeza da alma sebosa.

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Diário do Centro do Mundo A maior lição do golpe na Turquia para os brasileiros. Por Paulo Nogueira

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Noticias ao Minuto - Diretor transforma Arquivo Nacional em ‘igreja evangélica’

O Arquivo Nacional em risco.

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Projeto Escola sem Partido é mais autoritário que currículo educacional da ditadura — Rede Brasil Atual

LEI DA MORDAÇA

Projeto Escola sem Partido é mais autoritário que currículo educacional da ditadura

Para professor, em vez de disciplinas, o projeto está criando uma ideologia que propõe voltar a cultivar valores nacionalistas
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 14/07/2016 11:58
VITOR / CB/DA PRESS
escoladitadura.jpg
Hasteamento da bandeira em escola pública do DF, em 1975, quando o nacionalismo era disciplina obrigatória
São Paulo – O projeto Escola sem Partido, que alega combater a doutrinação de esquerda nas escolas e defender uma educação supostamente neutra, tem um viés mais autoritário que o currículo educacional desenvolvido durante a ditadura (1964-1985), na avaliação do professor Alexandre Pianelli Godoy, doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Por incrível que pareça, embora no período da ditadura houvesse os guias curriculares e certa vigilância sobre o professor e o conteúdo que seria dado, os docentes não eram pressionados a ensinar desta ou daquela maneira”, afirmou.
O Escola sem Partido foi idealizado em 2004, pelo procurador do estado de São Paulo Miguel Nagib, que enxergou conteúdo ideológico após um professor de sua filha citar que o revolucionário argentino Che Guevara e o santo católico São Francisco de Assis, abandonaram a riqueza pela causa que acreditavam.
O projeto determina que sejam afixados em salas de aula cartazes com os deveres do professor. Os principais pontos do projeto são impedir qualquer afronta às convicções religiosas ou morais dos pais e dos alunos e impedir a apresentação de "conteúdo ideológico" para os estudantes – nesse caso há uma evidente partidarização, pois somente conteúdos considerados de esquerda são citados.
Para Godoy, ao definir o que não pode ser dito em sala de aula, impondo as convicções morais e religiosas das famílias tradicionais sobre o conteúdo das disciplinas, o Escola sem Partido expõe sua própria partidarização. “Há um retrocesso e uma visão autoritária que estão se voltando contra os conteúdos. Viver em uma democracia com práticas autoritárias acaba com o debate de ideias e com a própria democracia. É preciso que o professor tenha uma prática plural, diversa e que dê espaço para o livre debate e que os alunos se posicionem e discutam”, afirmou.
No período ditatorial, os alunos do primário – atual ensino fundamental I – conviviam com uma disciplina chamada Educação Moral e Cívica, que basicamente exaltava a nação por meio de eventos festivos e afirmação dos símbolos nacionais. No ginásio e no colegial – que hoje correspondem aos fundamental II e ensino médio – os estudantes recebiam conteúdos de Organização Social e Política do Brasil (OSPB), que reunia disciplinas da área de ciências humanas (geografia e história), com o mesmo objetivo da matéria anterior.
“A Educação Moral e Cívica pretendia moldar os alunos, mas não dispunha de atividades pedagógicas competentes”, argumentou o professor. Desse modo, os professores tinham certa “liberdade para trabalhar”, já que não havia modelos rígidos de como atuar em sala de aula. Diferentemente  do que pretende o Escola sem Partido.
“Em vez de uma disciplina, o Escola sem Partido está criando uma ideologia que propõe voltar a cultivar valores nacionalistas, mas que na verdade escondem como se formou o nosso país: por meio de lutas, de conquistas, da dizimação de indígenas, escravidão dos negros. Não se pode tomar a história brasileira por meio de eventos festivos (como se fez na ditadura), é preciso problematizar”, avaliou.
Segundo o doutor em Educação e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Antônio Cunha, a ditadura não fez grandes mudanças em relação ao modelo educacional que vinha sendo implementado no país desde o Estado Novo (1937-1945). "Não houve necessidade de um projeto, porque o que eles queriam já estava sendo aplicado: esvaziamento das matérias, unificação do ensino fundamental, adoção do modelo americano", disse.
A OSPB, inclusive, fora criada em 1962 pelo educador Anísio Teixeira (1900-1971), com o objetivo de discutir os processos democráticos, os direitos políticos e deveres do cidadão constantes da Constituição, baseado em modelos franceses e estadunidenses. A principal ação implementada pela ditadura foi a vigilância sobre os professores e a ideologização da educação como um instrumento moralizante.
Para Cunha, os valores defendidos pelo Escola sem Partido não diferem daqueles promovidos nos conteúdos de Educação Moral e Cívica, porém são mais rígidos. "Saímos de uma proposta que não era exatamente religiosa, mas sofria influência, para uma ideia de educação objetivamente religiosa. Além disso, incentivam alunos e pais a delatarem professores. O que mais vão fazer? Colocar polícia em sala de aula? Criar tribunais ideológicos?", questionou.
O professor ressaltou ainda que é preciso observar que o Escola sem Partido esvazia a escola, mas algo deve, obrigatoriamente, preencher o espaço vago. "Esta é uma perna de um projeto mais amplo. Não basta calar, é preciso colocar algo no lugar. Quem mais que está agindo para educar dentro da escola pública, nessa perspectiva que evite a crítica de fato? São aqueles grupos que pretendem desenvolver o ensino religioso", afirmou.
Hoje existem quatro propostas baseadas no Escola sem Partido em 12 Câmaras Municipais e sete Assembleias Legislativas. Na Câmara dos Deputados, há quatro projetos. E no Senado, um.
Projeto Escola sem Partido é mais autoritário que currículo educacional da ditadura — Rede Brasil Atual