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segunda-feira, 21 de março de 2016

Ataque a Lula se apoia em técnica stalinista | Brasil 24/7

Ataque a Lula se apoia em técnica stalinista


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Trinta e três anos depois de publicado, o premiado romance A Insustentável Leveza do Ser, do checo Milan Kundera, contém ideias de grande utilidade para se entender o Brasil de 2016.
A leitura do romance ensina que é preciso retornar a um dos piores momentos das ditaduras stalinistas para encontrar a matriz da operação que uniu o juiz Sérgio Moro e a TV Globo no esforço de destruição da imagem pública de Luiz Inácio Lula da Silva, horas depois de o Planalto confirmar sua nomeação como ministro-chefe da Casa Civil.
Estou falando da divulgação de conversas gravadas de Lula ex-presidente, oferecidas num pacote que inclui desde diálogos monitorados sem autorização devida do STF -- como a conversa com Dilma Rousseff -- até momentos nos quais sua mulher dona Marisa conversa com o filho Fábio Luiz.
Em diversas ocasiões, Lula é exibido em diálogos que, pela forma e pelo conteúdo, só costumam ocorrer na intimidade, quando uma pessoa faz críticas, cobranças e comentários em tom abusado, grosseiro e até mais do que isso porque conta com a garantia da privacidade, direito fundamental que deveria ser o pão nosso de cada dia de todo país onde vigoram direitos democráticos. Nossa Constituição diz no artigo 5, inciso X, que "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação." Embora as escutas telefônicas sejam autorizadas em lei -- é indispensável que seja assim -- a mesma regra diz que toda interceptação que não interessa "à prova" deve ser "inutilizada." Isso quer dizer que não deve ser armazenada nem, muito menos, distribuída. Dever ser destruída.
A leitura de A Insustentável Leveza do Ser mostra que a divulgação dos diálogos de Lula foi um exercício covarde e totalitário, típico de uma situação em que os direitos das pessoas deixaram de merecer o devido respeito. Não por acaso, este tratamento foi padronizado pela ditadura que assumiu o poder da Tchecoslovaquia após a derrota da Primavera de Praga, em 1968, após uma experiência de seis meses em que se procurou criar um socialismo com liberdades democráticas, ou com "face humana", como se dizia.
Na construção de uma tirania que sobreviveu por longos 22 anos, as gravações telefônicas -- divulgadas publicamente, em trechos selecionados pelo serviço secreto -- tiveram um papel essencial na consolidação de um regime de perseguição e terror. Através dos grampos -- envolvendo comentários privados, de natureza pessoal e mesmo íntima -- a ditadura stalinista fazia seu serviço sujo, que consistiu na destruição da imagem pública dos adversários, muito mais eficaz, do seu ponto de vista, do que o debate aberto e franco a partir de ideias políticas e confrontos doutrinários.
Nessa situação de força, não se queria debater, nem negociar, nem ceder. Pela força absoluta do Estado, o que se promovia era a desmoralização integral e sem remédio dos adversários do momento, impedindo antigos líderes e personalidades da sociedade civil de mover-se no espaço público, perversamente atingidos em sua credibilidade. Traduzido em português lusitano, aqui está a Quarta Parte do romance, intitulada O Corpo e a Alma. Convém prestar atenção às passagens em que Kundera se refere a Jan Prochaska (1929-1971), escritor e roteirista premiado:
"A rádio estava a dar um programa sobre a emigração checa. Era uma montagem de gravações clandestinas  de conversas privadas feitas por um espião checo que se infiltrara entre os emigrantes e depois regressara em  triunfo ao país. Eram conversas anódinas e entrecortadas, de quando em vez, por insultos contra o regime de  ocupação e por frases em que os emigrantes se qualificavam uns aos outros como cretinos e impostores. A emissão insistia sobretudo nestas últimas passagens: com efeito, era preciso provar que aquela gente  não só dizia mal da União Soviética (o que já não punha ninguém indignado) como também que não hesitava em mimosear-se com os piores insultos. O que é curioso é que dizemos palavrões de manhã à noite, mas basta ouvirmos na rádio um tipo conhecido e respeitado pontuar o seu discurso com uns estou-me bem a cagar para eles para, inconscientemente, nos sentirmos algo desapontados.     
A primeira vítima de uma coisa destas foi Prochazka!, disse Tomas, sem deixar de prestar atenção  àquilo que estava a ouvir. Jan Prochazka era um romancista checo de cerca de quarenta anos, forte como um touro, que, ainda muito  antes de 1968, começou a criticar em voz alta a situação do país. Era um dos homens mais populares da Primavera  de Praga, essa vertiginosa liberalização do comunismo que terminou com a invasão russa. Pouco depois da  invasão, todos os meios de comunicação social lhe davam o toque de rendição, mas quanto mais encurralado se  encontrava maior era a sua popularidade. Por isso, em 1970, a rádio começara a transmitir à maneira de um  folhetim as conversas privadas que, dois anos antes (portanto, na Primavera de 1968). Prochazka tivera com um  certo professor universitário. Nenhum dos dois suspeitava que havia um sistema de escuta montado em casa do  professor e que, há muito tempo já, todos os gestos que faziam eram espiados até ao mais ínfimo pormenor! Prochazka punha sempre os amigos bem-dispostos com as suas hipérboles e as suas ousadias. E, agora, essas  suas inconveniências eram regularmente transmitidas pela rádio! A polícia secreta, que montara o programa, tivera  o cuidado de dar um relevo especial a uma passagem em que o romancista fazia troça dos amigos, entre os quais  se contava, por exemplo, Alexandre Dubcek. As pessoas não perdem uma ocasião de dizer mal dos amigos, mas, coisa curiosa, ficaram mais indignadas contra o seu bem-amado Prochazka do que contra a polícia secreta, unanimemente detestada! Tomas desligou o aparelho e disse:   Todos os países do mundo têm uma polícia secreta. Mas só cá é que  ela transmite as gravações que faz pela rádio! É uma coisa inaudita! - Não tanto como isso!, disse Tereza. Aos catorze anos, eu tinha um diário. Tinha medo que alguém o lesse. Escondia-o no sótão. A minha mãe acabou por descobri-lo. Um dia, ao almoço, enquanto estávamos a comer a sopa, tirou-o da algibeira e disse: "Ora ouçam todos com muita atenção!", e pôs-se a lê-lo em voz alta,  desmanchando-se a rir a cada frase. Toda a família se desmanchou também a rir e se esqueceu de comer."
Diante das críticas que a divulgação dos grampos recebeu, em particular em função de um diálogo entre Lula e Dilma, Sérgio Moro chegou a assinar, num despacho, uma referência às gravações telefônicas de Richard Nixon no caso Watergate. Ficou no ar a sugestão de que um caso era semelhante a outro. É uma comparação indevida, ainda que possa ser útil para quem deseja embelezar os movimentos pelo impeachment de Dilma. 
Para começar, os diálogos que permitiam apontar o envolvimento de Nixon com o acobertamento de operadores do serviço secreto envolvidos no esquema de espionagem do Partido Democrata não foram gravados pelo FBI nem por qualquer outra ramificação do serviço secreto. Faziam parte do sistema de gravação e filmagem de diálogos criado pela presidência dos Estados Unidos na década de 1960, pela qual toda conversa mantida pelo presidente dos EUA em aposentos oficiais é registrada, gravada e liberada pelo prazo definido em lei para publicação de documentos históricos. Graças a esse sistema, os brasileiros puderam saber, quase quatro décadas depois, que em 1962 o presidente John Kennedy deu sinal verde para o golpe de 64 no Brasil, durante uma conversa em companhia do embaixador Lincoln Gordon. Não houve grampo nem vazamento. Apenas o cumprimento da lei e dos prazos regulamentares.
Respeitando, escrupulosamente, as prerrogativas do presidente dos Estados Unidos, nem o FBI nem a Justiça liberaram as fitas que continham as conversas que -- supunha-se corretamente -- comprometiam Richard Nixon. Quando ficou claro que ali havia um caso de interesse da Justiça, a Suprema Corte determinou, em votação unânime, que o próprio Nixon entregasse as gravações que correspondiam ao período sob investigação. Era uma forma de garantir o avanço de uma investigação sem desrespeitar os direitos do presidente. Foi aí que, em vez de entregar as fitas, Nixon decidiu renunciar.
Uma boa diferença, vamos combinar.


Ataque a Lula se apoia em técnica stalinista | Brasil 24/7

Contexto Livre: Nassif comenta o Xadrez da semana que começa

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'Estado de exceção' criado por Moro incendeia debate sobre democracia no Tuca - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

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Ator que teve musical interrompido acredita que Lula vai convocar as Farc; veja a reação do público; Chico Buarque proíbe o uso de suas músicas - Viomundo - O que você não vê na mídia

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NOTA DE REPÚDIO A DECISÃO DO CONSELHO FEDERAL DA OAB EM FAVOR DO IMPEACHMENT DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA DILMA ROUSSEFF (Pela prevalência do Estado Democrático e de Direito) : Petição Pública Brasil

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"Eu estou protegendo você, seu filho da puta" - Ciro Gomes - Escrevinhador

“Eu estou protegendo você, seu filho da puta” – Ciro Gomes

CiroO DataFolha acaba de publicar uma pesquisa que, se estiver correta, mostra o risco do momento em que vivemos: 80% dos brasileiros apóiam a medida de condução coercitiva adotada contra Lula pelo juiz da Lava-Jato, Sergio Moro.
Não importa que seja ilegal, abusiva, não importa que signifique a utilização do aparato de Estado para intimidar uma (e apenas uma) das forças políticas em disputa. Contra o PT, vale-tudo, parece dizer a Lava-Jato, com apoio da Globo, e sob os aplausos de uma maioria entorpecida pelo clima de “prende e arrebenta”.
Ciro
A tradição justiceira do Brasil mostra as caras. A Constituição é jogada no lixo. Em nome de combater a corrupção (só contra o PT, porque o PSDB jamais é incomodado pela Lava-Jato), o juiz grampeia de forma ilegal a presidenta da república e escuta ilegalmente  25 advogados (numa clara afronta ao direito de defesa).
Mas Moro pode tudo. E o povo aplaude. Faltou ao PT a fibra para encarar esse debate de frente desde o início. E agora o resultado está às nossas portas.
Moro pode tudo.
Se instalar uma guilhotina em Curitiba, será aplaudido pela malta. Quem se levanta contra os abusos do juiz das camisas negras é apontado como “petralha”, “protetor de bandido”, “canalha”, “desocupado petista” (são os adjetivos que colho nas redes sociais, contra mim, nas últimas semanas).
Não importa. Quanto mais popular for Moro, mais necessário é enfrentar esse debate, para dizer: Moro deixou de ser um juiz, e virou um projeto de ditador. Moro deixou de ser um juiz, e virou um baderneiro das leis. 
Ao dizer isso, não protejo o PT, nem Lula, nem Dilma – em quem votei nas últimas eleições. Não. Protejo meus adversários, protejo o futuro, protejo a democracia. Protejo meus filhos, e os filhos de meus adversários. Protejo até o Moro, ainda que não mereça.
De forma um pouco estúpida, Ciro Gomes mostrou outro dia a importância de se encarar de frente esse debate. Num vídeo que viralizou nas redes, Ciro bota pra correr um bando de desocupados que se plantou na porta do prédio onde vive.
Ciro foi duro, destemperado. Mas a razão está com ele. Talvez tenhamos que ser cada vez mais duros e destemperados, para barrar o fascismo. Com boas maneiras, não vamos derrotar esse monstro que bate às nossas portas.
É o que mostra o texto do jornalista Airton Centeno, que reproduzimos abaixo (Rodrigo Vianna)
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-Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
por Airton Centeno, no Sul21
Dita no calor da hora, a frase dura de um possesso Ciro Gomes carrega um desaforo dos mais evidentes, tradicionais e utilizados para aquele momento em que a temperatura sobe e a cusparada retórica se projeta com sua missão de destratar. Era madrugada do dia 17 e um grupelho de jovens ululantes e disfuncionais fazia barulho diante da casa do ex-governador e ex-ministro de Itamar e Lula.
-Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
Mas, no caso, o mais importante não é o insulto saído da boca de um político notório pelo temperamento explosivo. Junto, traz um ensinamento sábio. Com sua validade confirmada pela história recente.
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
A última vez que tal conselho deixou de ser ouvido custou 21 anos de ditadura ao Brasil.
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
Em 1964, no momento em que articulava o golpe contra Jango, o arquiconspirador Carlos Lacerda desconsiderou a possibilidade de reversão do que urdia. Embora sagaz, não imaginou que a usurpação de um presidente eleito, que parecia abrir-lhe o caminho para a presidência, viesse a ser, como foi, o começo do fim de suas próprias ambições presidenciais. Aos 50 anos, vivia o auge de sua carreira. Foi preso e cassado pelos novos inquilinos do poder que ajudou a implantar. Morreria em 1977 sem recuperar seus direitos políticos. Provavelmente lamentaria não ter sido admoestado — antes da vitória que se transformaria em derrocada — por um adversário mais atrevido que lhe dissesse nas fuças:
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
Outro conspirador, Adhemar de Barros, também não ouviu a voz da razão. Ele e a mulher, Leonor, puxaram a edição paulista da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Também sonhava com o Planalto ao qual já fora duas vezes candidato. Seu problema era semelhante aos dos demais conjurados: falta de voto. Quando veio o golpe que pediu, Adhemar avisou: “Agora, caçaremos os comunistas por todos os lados do país”. Dono de cadeia de rádios e jornais que hoje compõem a Rede Bandeirantes, Adhemar levou uma rasteira do destino: foi caçado e cassado. A exemplo de Lacerda, morreu sem recuperar os direitos políticos.
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
O mesmo aconteceu com parcela dos jornais embarcados na conspirata, caso do Correio da Manhã, o mais destemperado dos inimigos de Jango, que feneceu destroçado pela censura e a perseguição dos militares. Claro que isso não se aplica às Organizações Globo, que somente se viabilizaram como um dos maiores impérios de comunicação do mundo através de suas relações carnais com um governo de assassinos. Sem vacilar diante da mentira, quando o poder constitucional foi derrubado, O Globo proclamou na sua manchete de capa em 2 de abril de 1964: “Ressurge a democracia”. Para o Globo, a democracia golpeada era a ditadura, enquanto a ditadura que chegava era a democracia.
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
Quando o golpe deu seus primeiros vagidos, a Ordem dos Advogados do Brasil, através de seu conselho federal, correu a embalar aquele sinistro berço de renda negra. Enalteceu “os homens responsáveis desta terra” que baniram “o mal das conjuras comuno-sindicalistas”. E, paradoxalmente, o estupro se dera “sob a égide intocável do Estado do Direito”. Sob a mesma égide e de tal estado, em 27 de agosto de 1980, uma carta-bomba na sede da Ordem matou a secretária Lyda Monteiro da Silva, de 59 anos. A carta era dirigida ao presidente do conselho federal da Ordem, Eduardo Seabra Fagundes. Ocorre que, após apoiar a implosão da Constituição, a OAB percebera seu erro. E mudara.
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
O Supremo, para vergonha dos pósteros, agiu igual. Sob o pitoresco olhar do STF, tudo estava em seu lugar: o golpe era legítimo, a democracia estava preservada e a constituição idem. Seu presidente, Álvaro Moutinho da Costa, saudou o general Castello Branco em visita à corte. Porém, após o AI-5, três ministros, os mais independentes, foram aposentados compulsoriamente.
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
Filha de coronel do Exército, a adolescente Sônia Moraes foi levada pelo pai e a mãe à versão carioca da marcha da família com deus pela liberdade. Era 1964 e os Moraes festejavam a queda do governo constitucional. O tempo passou, o regime mostrou seus dentes e Sônia desapareceu. Engajara-se na luta armada contra a ditadura. Presa, teve os seios arrancados e foi chacinada até a morte. Desesperado, o pai procuraria durante anos pela filha. Um dia recebeu um presente sem sentido, enviado pelo seu desafeto, o general Adyr Fiúza de Castro, comandante do DOI-Codi, no Rio. Era um cassetete da Polícia do Exército. Descobriria depois que aquilo representava uma advertência e um escárnio. Com aquele cassetete sua filha, Sônia Maria de Moraes Angel Jones, fora estuprada antes de morrer em suplicio.
– Eu estou protegendo você, seu filho da puta!
Talvez da explosão de Ciro fique mais o destempero do que o aviso. Mas é este que conta e tudo resume. Não é o mandato de Dilma que está em jogo. Quando a comandante suprema das forças armadas é grampeada, o recado é sucinto: ninguém está livre, hoje foi ela, amanhã serão vocês. Por isso, a violência ilegal, absurda e flagrante que se abate sobre a atual e o ex-presidente é apenas uma fachada. Atrás dela vem o estado de exceção.
Quando diz ao aprendiz de fascista “Eu estou protegendo você, seu filho da puta!”, Ciro expressa o que acontece após a ruptura do Estado Democrático de Direito quando até o guarda da esquina sente-se investido de superpoderes.
Como imensos contingentes da militância golpista limitam seu vocabulário a meia dúzia de chavões e não sabem bem o que estão fazendo ali e a História mostra que o que está acontecendo é somente um revival dos tempos de 1954 e de 1964, e tem muito a lhes ensinar, talvez a melhor resposta ao rancor não seja a de Ciro mas a do ministro Jaques Wagner.
Aborrecido num restaurante com o glossário golpista de um cidadão que o importunava, reagiu de maneira sintética: “Vá estudar!” Estudo é uma arma de exterminar fascistas. E ainda poderemos dizer a quem seguir a sugestão: “Estamos protegendo você”.
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domingo, 20 de março de 2016

Jorge André Irion Jobim: LULA NAS MÃOS DE BANDIDOS DE TOGA. Por Osvaldo Ber...



domingo, 20 de março de 2016

LULA NAS MÃOS DE BANDIDOS DE TOGA. Por Osvaldo Bertolino

É quase impossível que exista no mundo algum outro país em que juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores e integrantes do Poder Judiciário em geral apareçam tanto na mídia como acontece hoje no Brasil. Não é um bom sinal com certeza, sobretudo quando se considera o tipo de noticiário em que costumam aparecer. Ou é porque estão envolvidos em alguma trama política, como no julgamento da farsa do “mensalão”, ou ameaçando alguém com politicagem barata como fizeram os três patetas que pediram a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio da Silva.

Agora, dois chicaneiros conhecidos do Judiciário, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, um famoso jagunço da direita, e o juiz midiático de primeira instância Sérgio Moro, estão ameaçando nada mais, nada menos do que o governo com ações que serão julgadas por colegas nas instâncias acima deles. O primeiro, um chicaneiro de longa data e conhecido golpista de carteirinha, suspendeu a posse de Lula no cargo de ministro-chefe da Casa Civil, atendendo à manobra dos partidos direitistas PPS e PSDB, devolvendo o caso para as mãos do segundo, um fascista empedernido.

Algozes do Judiciário

O Judiciário, se fosse democrático e comprometido com os brasileiros, deveria levar em conta a realidade econômica e social do país. Mas o que se tem são chicanas e mais chicanas. Vivem, através das suas associações de classe, publicando manifestos a favor de si próprios. Vão a resorts de luxo, com despesas pagas por gente de quem deveriam estar longe, e ficam revoltados quando se divulga informações sobre isso. Com frequência inquietante, e pelo país inteiro, saem notícias sobre magistrados investigados ou processados por ofensas ao Código Penal. Episódios de conduta incompatível com a função judicial tornam-se cada vez mais comuns.

Brasília, então, é um capítulo à parte. Juízes das mais altas instâncias do país vivem em estado de aberta promiscuidade com advogados dos grandes escritórios do Rio de Janeiro, de São Paulo e de lá mesmo, políticos envolvidos em processos de corrupção e grandes empresários enrolados com a Justiça - para não falar de réus com processos em andamento. Cruzam-se em festas de aniversário, casamentos, feijoadas, torneios de golfe. Em vez de esconderem, advogados exibem em público sua amizade com magistrados, deixando correr a impressão de que podem ganhar qualquer causa; seus honorários não sofrem nada com isso.

Diante de tudo isso, é natural a reação de Lula às chicanas contra ele - sua inclinação a falar exatamente o que pensa e sua pouca paciência para adoçar o que fala têm sido insidiosamente usadas pela mídia para jogá-lo contra seus algozes do Judiciário. Mas ele tem inteira razão. O Judiciário vive sendo acusado de gravissímos problemas causados pela infiltração de bandidos escondidos atrás da toga, um fato notório uma vez que a todo momento, e em todo o Brasil, vêm a público denúncias de corrupção entre juízes, desembargadores ou ministros dos tribunais superiores.

Conduta criminosa

O que existe de real é que a situação do Judiciário brasileiro nunca foi tão calamitosa como hoje - o que realmente ameaça a democracia é a impunidade para juízes criminosos. Isso deveria ser dito pelos que saem em defesa das maracutaias de Gilmar Mendes e Sérgio Moro. Mas é claro que isso não é dito. Como acontece com tantos outros magistrados hoje em dia, eles contam com a conduta de pares tão anti-éticos como eles, que acreditam que seus deveres de solidariedade com a categoria vêm antes de seus deveres como juiz. É uma pena que esse apoio não se estenda aos milhares de juízes honestos que existem no Brasil e que podem perder a vida por causa de sua integridade.

Sérgio Moro cometeu evidentes violações da legalidade com seus grampos e vazamentos de conversas privadas para a mídia. Não adianta o procurador-geral da República, Rodrigo Jonot, dourar a pílula ao dizer que o grampo era no alvo - Lula - e não na presidenta da República, Dilma Rousseff, porque a lei define o cargo, não a circunstância. Vista de outro ângulo, a ilegalidade de Sérgio Moro aparece também no conluio com a mídia, especialmente a revista Veja e a TV Globo.

Além da conhecida conduta criminosa desses veículos, é preciso levar em conta que liberdade de expressão não é um direito hierarquicamente superior aos demais direitos e garantias individuais e coletivas. Na Constituição está no mesmo patamar o direito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas. Todos igualmente invioláveis e indispensáveis. É preciso haver um equilíbrio entre eles. A defesa da liberdade de expressão exige protegê-la contra abusos como estes. Na democracia, são tarefas conciliáveis.

Linha política

Moro violou claramente a Constituição ao vazar para quadrilhas midiáticas conteúdos de gravações feitas com o intuito de atingir a imagem pública de acusados sem nenhuma (umazinha sequer) possibilidade de prova de qualquer ato ilícito. Ilações, suposições, calúnias e perseguições políticas não podem substituir qualquer denúncia que se preze. Essa conduta do juiz paranaense não está dissociada da denunciamania golpista recente da mídia, quando não faltaram teorias sem fatos - matéria-prima indispensável a qualquer informação séria -, uma combinação quase macabra entre interesses de correntes político-ideológicas e grupos que controlam a circulação de informações com mão de ferro.

Desde o início da crise política, há basicamente dois tipos de país: aquele que entrou de cabeça na denunciamania e aquele que não o fez. No primeiro time, estão quase todos os pregoeiros do projeto político da direita. No segundo, estão aqueles que querem que o Brasil mude efetivamente. O caso “mensalão” foi o grande deflagrador da denunciamania da mídia golpista. Não que a gritaria não existisse antes, mas com aquela farsa ela chegou a um paroxismo histérico que nunca mais se desprendeu do noticiário. Depois disso, vieram “escândalos” em série e todos se revelaram capazes apenas de degradar a palavra “escândalo”, dada sua miserável insignificância.

Diante desses dois tipos de país, o que interessa saber é o seguinte: a linha política que vem sendo executada pelo governo está indo na direção certa? Muito mais importante do que saber se a bolsa vai subir ou cair, se as reações do mercado financeiro foram favoráveis ou não, se o fluxo de câmbio fechou o dia com superávit ou déficit, é ver se os atos do governo estão tentando acrescentar mais respostas “sim” ao questionário que a maioria dos brasileiros tem apresentado diante da crítica situação do país. Sem o foguetório da mídia, a reposta é sim, sim e sim. Óbvio que muita coisa precisa de concerto, mas aí são outros quinhentos.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/03/lula-nas-maos-de-bandidos-de-toga.html?spref=tw

Jorge André Irion Jobim: LULA NAS MÃOS DE BANDIDOS DE TOGA. Por Osvaldo Ber...: É quase impossível que exista no mundo algum outro país em que juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores e integrantes...