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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Lula deve denunciar ao mundo a perseguição que sofre | Brasil 24/7

Lula deve denunciar ao mundo a perseguição que sofre



Ricardo Stuckert/ Instituto Lula: <p>Brasília- DF- Brasil- 29/06/2015- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se reúne, com as bancadas do PT no Senado e na Câmara. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula</p>
Por contarem com a fidelidade canina do monopólio midiático, os líderes da oposição, embora ostentem altos índices de rejeição, são figuras conhecidas pela população brasileira. No jogo da política internacional, no entanto, são ilustres desconhecidos.
 
Como não têm projetos para o Brasil e são incapazes de formular uma ideia original que seja, suas reputações entre presidentes, primeiro-ministros , parlamentares e partidos de outros países não são nem negativas nem positivas. Simplesmente eles não existem, não contam, não são levados em consideração.
 
O mesmo acontece  no âmbito  da sociedade civil . Alguém já ouviu  ou leu algum elogio ou crítica de um intelectual europeu ou norte-americano a Aécio Neves, Serra, Alckmin e congêneres ? No que tange às organizações não governamentais o panorama é idêntico.
 
Lula, ao contrário, goza do respeito e da admiração de formadores de opinião e da população de países de todos os continentes. Bem antes de se tornar presidente da República, Lula, primeiro como destacado dirigente sindical, e depois como líder da oposição do Brasil, ele se desdobrava para atender aos convites para falar ao redor do planeta.
 
Logo que se elegeu presidente  virou autoridade e referência mundial no combate à fome e na formulação e aplicação de políticas vitoriosas de inclusão social. Atração nas reuniões de chefes de Estado e de governo, chegou a ofuscar o brilho dos mandatários das nações mais ricas e desenvolvidas.
 
Dono desse inegável patrimônio político, o que Lula está esperando para convocar uma coletiva com todos os correspondentes da imprensa internacional radicados no Brasil, para denunciar a autoritária, vergonhosa e sórdida campanha de perseguição que sofre no Brasil ?
 
O mundo precisa saber que em pleno regime democrático a mídia do nosso país orquestra uma campanha de criminalização da maior liderança popular do país, um ex-presidente honrado, contra quem não cabe nenhuma acusação consistente e que não responde a qualquer processo na justiça. Tudo é baseado em ilações, conjecturas imbecis, distorções, manipulações grosseiras, mentiras e calúnias.
 
No afã de atingir Lula e tudo que ele representa, não hesitam em envolver os filhos de Lula criando atalhos e desvirtuando operações e processos cujos alvos são os poderosos sonegadores do fisco brasileiro. 
 
No afã de atingir Lula e tudo que ele representa, enxergam tráfico de influência numa ação diplomática necessária e patriótica, adotada por reis, rainhas e governantes , que é  a promoção de empresas nacionais no exterior.
 
No afã de atingir Lula e tudo que ele representa, querem enlamear a biografia do maior líder de massas da história do país. 
 
Imagina a repercussão nos veículos de mídia estrangeiros  de uma denúncia feita de viva voz por Lula mostrando que esse jogo sujo, antirrepublicano e antidemocrático conta com braços atuantes dentro de instituições do Estado brasileiro, tais como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário ?
 




Situações graves e extraordinárias só podem ser enfrentadas com atitudes ousadas e contundentes. Quem sou eu para dar conselhos pára alguém com o talento e a genialidade do Lula. Mas, que alguma coisa de impacto precisa ser feita antes que seja tarde, ah isso precisa.  
Por contarem com a fidelidade canina do monopólio midiático, os líderes da oposição, embora ostentem altos índices de rejeição, são figuras conhecidas pela população brasileira. No jogo da política internacional, no entanto, são ilustres desconhecidos.
 
Como não têm projetos para o Brasil e são incapazes de formular uma ideia original que seja, suas reputações entre presidentes, primeiro-ministros , parlamentares e partidos de outros países não são nem negativas nem positivas. Simplesmente eles não existem, não contam, não são levados em consideração.
 
O mesmo acontece  no âmbito  da sociedade civil . Alguém já ouviu  ou leu algum elogio ou crítica de um intelectual europeu ou norte-americano a Aécio Neves, Serra, Alckmin e congêneres ? No que tange às organizações não governamentais o panorama é idêntico.
 
Lula, ao contrário, goza do respeito e da admiração de formadores de opinião e da população de países de todos os continentes. Bem antes de se tornar presidente da República, Lula, primeiro como destacado dirigente sindical, e depois como líder da oposição do Brasil, ele se desdobrava para atender aos convites para falar ao redor do planeta.
 
Logo que se elegeu presidente  virou autoridade e referência mundial no combate à fome e na formulação e aplicação de políticas vitoriosas de inclusão social. Atração nas reuniões de chefes de Estado e de governo, chegou a ofuscar o brilho dos mandatários das nações mais ricas e desenvolvidas.
 
Dono desse inegável patrimônio político, o que Lula está esperando para convocar uma coletiva com todos os correspondentes da imprensa internacional radicados no Brasil, para denunciar a autoritária, vergonhosa e sórdida campanha de perseguição que sofre no Brasil ?
 
O mundo precisa saber que em pleno regime democrático a mídia do nosso país orquestra uma campanha de criminalização da maior liderança popular do país, um ex-presidente honrado, contra quem não cabe nenhuma acusação consistente e que não responde a qualquer processo na justiça. Tudo é baseado em ilações, conjecturas imbecis, distorções, manipulações grosseiras, mentiras e calúnias.
 
No afã de atingir Lula e tudo que ele representa, não hesitam em envolver os filhos de Lula criando atalhos e desvirtuando operações e processos cujos alvos são os poderosos sonegadores do fisco brasileiro. 
 
No afã de atingir Lula e tudo que ele representa, enxergam tráfico de influência numa ação diplomática necessária e patriótica, adotada por reis, rainhas e governantes , que é  a promoção de empresas nacionais no exterior.
 
No afã de atingir Lula e tudo que ele representa, querem enlamear a biografia do maior líder de massas da história do país. 
 
Imagina a repercussão nos veículos de mídia estrangeiros  de uma denúncia feita de viva voz por Lula mostrando que esse jogo sujo, antirrepublicano e antidemocrático conta com braços atuantes dentro de instituições do Estado brasileiro, tais como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário ?
 
Situações graves e extraordinárias só podem ser enfrentadas com atitudes ousadas e contundentes. Quem sou eu para dar conselhos pára alguém com o talento e a genialidade do Lula. Mas, que alguma coisa de impacto precisa ser feita antes que seja tarde, ah isso precisa.  
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RJTV 1ª Edição - Anthony Garotinho dá entrevista ao RJTV - 1ª Edição | globo.tv

O DIA EM QUE GAROTINHO HONROU A MEMÓRIA DE BRIZOLA



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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O que o Jornal Nacional não está noticiando sobre a Operação Zelotes: quem pagou propina de R$ 11,7 milhões? - Viomundo - O que você não vê na mídia

O que o Jornal Nacional não está noticiando sobre a Operação Zelotes: quem pagou propina de R$ 11,7 milhões?

publicado em 29 de outubro de 2015 às 12:30
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Sirotski, da RBS (esquerda) e Marinho: o que não interessa a gente esconde…
23/10/2015 – Copyleft
RBS, afiliada da Globo, pagou R$ 11,7 milhões para conselheiro do CARF
A Operação Zelotes apura o envolvimento de funcionários públicos e empresas no esquema de fraude fiscal que pode ter causado um prejuízo de R$ 19,6 bilhões
Documentos sigilosos vazados nesta quinta (22) comprovam que o Grupo RBS, o conglomerado de mídia líder no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, pagou R$ 11,7 milhões à SGR Consultoria Empresarial, uma das empresas de fachada apontadas pela Operação Zelotes como responsáveis por operar o esquema de tráfico de influência, manipulação de sentenças e corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que julga administrativamente os recursos das empresas multadas pela Receita Federal.
A SCR Consultoria Empresarial é umas das empresas do advogado e ex-conselheiro do CARF, José Ricardo da Silva, indicado para compor o órgão pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal mentor do esquema.
Os documentos integram o Inquérito 4150, admitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na  última segunda (19), que corre em segredo de justiça, sob a relatoria da ministra Carmem Silva, vice-presidente da corte.
Conduzida em parceria pela PF, Ministério Público Federal (MPF), Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda e Receita Federal, a Operação Zelotes, deflagrada em março, apurou o envolvimento de funcionários públicos e empresas no esquema de fraude fiscal e venda de decisões do CARF que pode ter causado um prejuízo de R$ 19,6 bilhões aos cofres públicos.
Segundo o MPF, 74 julgamentos realizados entre 2005 e 2013 estão sob suspeição.
As investigações apontam pelo menos doze empresas beneficiadas pelo esquema. Entre elas a RBS, que era devedora em processo que tramitava no CARF em 2009.
O então conselheiro José Ricardo da Silva se declarou impedido de participar do julgamento e, em junho de 2013, o conglomerado de mídia saiu vitorioso.
Antes disso, porém, a RBS transferiu de sua conta no Banco do Rio Grande do Sul, entre setembro de 2011 e janeiro de 2012, quatro parcelas de R$ 2.992.641,87 para a conta da SGR Consultoria Empresarial no Bradesco. 
 
Dentre os documentos que integram o Inquérito 4150 conta também a transcrição de uma conversa telefônica entre outro ex-conselheiro do Carf, Paulo Roberto Cortez, e o presidente do órgão entre 1999 e 2005, Edison Pereira Rodrigues, na qual o primeiro afirmava que José Ricardo da Silva recebeu R$ 13 milhões da RBS.
“Ele me prometeu uma migalha no êxito. Só da RBS ele recebeu R$ 13 milhões. Me prometeu R$ 150 mil”, reclamou Cortez com o então presidente do Carf.
 
Suspeitos ilustres
 
Os resultados das investigações feitas no âmbito da Operação Zelotes foram remetidos ao STF devido às suspeitas de participação de duas autoridades públicas com direito a foro privilegiado: o deputado federal Afonso Motta (PDT-RS) e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes.
O deputado foi vice-presidente jurídico e institucional da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul. Os termos de sua participação no esquema ainda são desconhecidos.
 
Nardes, mais conhecido por ter sido o relator do parecer que rejeitou a prestação de contas da presidenta Dilma Rousseff relativa ao ano de 2014, por conta das polêmicas “pedaladas fiscais”, é suspeito de receber R$ 2,6 milhões da mesma SGR Consultoria, por meio da empresa Planalto Soluções e Negócios, da qual foi sócio até 2005 e que ainda hoje permanece registrada em nome de um sobrinho dele.
Processo disciplinar
Nesta quinta (22), a Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda anunciou a instalação do primeiro processo disciplinar suscitado pelas investigações da Operação Zelotes. Em nota, o órgão informou que o caso se refere a uma negociações para que um conselheiro do CARF pedisse vistas de um processo, sob promessa de vantagem econômica indevida, em processo cujo crédito tributário soma cerca de R$ 113 milhões em valores atualizados até setembro.
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Leia também:
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CPI do Lula: As dez mentiras que a direita disseminou sobre o BNDES nas redes sociais e a mídia faz de conta que não vê - Viomundo - O que você não vê na mídia

CPI do Lula: As dez mentiras que a direita disseminou sobre o BNDES nas redes sociais e a mídia faz de conta que não vê

publicado em 24 de outubro de 2015 às 14:54
IMG_2323Lula na Feira da Reforma Agrária, no Parque da Água Branca, em São Paulo
por Luiz Carlos Azenha
Vamos considerar que tudo tenha sido uma imensa coincidência: a Polícia Federal desvenda um megaesquema de corrupção na Petrobras, a maior empresa brasileira.
Ao esquema é atribuído o financiamento da coalizão governista: PT, PMDB e PP.
Vítima, a Petrobras, que controla o pré-sal, sai fortemente enfraquecida do escândalo. Vende parte de bens estratégicos: Gaspetro, BR Distribuidora, Transpetro.
Foca no petróleo.
Assume, por decisão do próprio governo Dilma — conforme denunciou aqui o Sindipetro – a estratégia que interessa aos grandes consumidores globais de petróleo, Estados Unidos e China: o Brasil como grande exportador de óleo cru.
Os tucanos — inclusive os que habitam o governo Dilma — querem fazer ainda mais: tirar da Petrobras a participação mínima de 30% nos campos do pré-sal, o que impulsiona o conteúdo nacional; abandonar o sistema de partilha e retomar o de concessões, pelo qual a empresa concessionária paga um fixo à União e fica com todo o petróleo extraído.
Só no Brasil: “concessão” — que em tese implica riscos para o capitalista que tira dinheiro do bolso — de um petróleo já descoberto!
A quem interessa acelerar a exploração do pré-sal? Aos grandes consumidores, para derrubar o preço do barril; aos acionistas internacionais que — graças a Fernando Henrique Cardoso — controlam metade do capital da Petrobras, que querem lucro rápido às custas do patrimônio finito dos brasileiros.
É o mesmo modelo já aplicado ao manganês da Serra do Navio, à energia elétrica gerada por Tucuruí e ao minério de ferro de Carajás, que deixaram um rastro de destruição ambiental para os locais e enormes lucros para os estrangeiros.
Como nos disse Lúcio Flávio Pinto a respeito de Carajás, controlada pela Vale: “Ritmo de exploração do minério é crime de Lesa Pátria”. Vale, aliás, privatizada a preço de banana pelo mesmo FHC, que também produziu a Lei Kandir, que isenta de ICMS a exportação de produtos primários.
Enfraquecida a Petrobras, o Estado brasileiro perde força não apenas para evitar a pilhagem ora em curso, mas para impor suas próprias políticas públicas.
Coincidência: simultaneamente à Petrobras é atacado o BNDES, o grande financiador dos capitalistas nacionais. Atacado, por exemplo, com uma CPI que deveria se chamar a “CPI do Lula”, já que o objetivo é enquadrar o ex-presidente como lobista no molde dos assassinatos de reputação em série da revista Época, das Organizações Globo.
É um ataque em três frentes: na CPI, que gera notícias diárias; na mídia, que cria “escândalos”; nas redes sociais, onde a direita espalha dezenas de mentiras sobre o BNDES.
Se não fosse apenas uma “coincidência”, a gente diria tratar-se de algum plano urdido pela direita neoliberal, associada ao capital financeiro internacional, para eliminar qualquer traço da tênue soberania brasileira que sobrevive na Petrobras e no BNDES, varrendo do mapa mesmo o “reformismo fraco” em curso, através de um ataque que enfraquece os principais instrumentos de intervenção do Estado na economia. A quem interessa o resultado final?
Focamos aqui em dez mentiras:
1. O BNDES ajudou Cuba às custas do trabalhador brasileiro, fazendo o porto de Mariel lá fora enquanto nossa infraestrutura está em pandarecos:
O BNDES é um banco que financia empresas exportadoras desde muito antes de Lula assumir o Planalto, assim como existem bancos similares em todos os países que disputam o mercado internacional de bens e serviços. Da carteira total de empréstimos do banco, os feitos a Cuba representam algo como 0,001%. A crítica à esquerda é de que o BNDES chegou a emprestar a Cuba com um spread de 7%, uma taxa escorchante padrão-Bradesco. Ao emprestar a empresas brasileiras que fizeram negócios em Cuba, o banco gerou empregos no Brasil e marcou um golaço a 150 km da Flórida. Compare os valores de incentivo à exportação na tabela abaixo:
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2. O BNDES é um ralo porque escorre dinheiro do contribuinte brasileiro, principalmente do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador):
A taxa de inadimplência nos empréstimos do BNDES para comércio exterior é 0%. O dinheiro destinado pelo banco aos exportadores brasileiros e importadores estrangeiros é uma pequena fração dos investimentos totais do banco, que majoritariamente se destinam a projetos de infraestrutura no Brasil. O seguro de crédito à exportação rendeu U$ 1 bi ao Tesouro brasileiro entre 2003 e 2015, enquanto pagou prêmios de U$ 23 milhões. O lucro do BNDES no primeiro semestre deste ano foi de R$ 3,5 bilhões.
3. Lula mandou investir em Cuba, Venezuela e Angola com o objetivo de tirar proveito pessoal:
Os três mercados são altamente disputados por exportadores externos. Em Angola, o Brasil compete com China, Coreia do Sul e Estados Unidos. Na Venezuela, com China e Espanha. Em Cuba, com Canadá e Espanha. As decisões de aprovação de empréstimos do banco são tomadas por pelo menos 50 pessoas. A esmagadora maioria dos funcionários do banco é de carreira, concursados. Não houve um só caso em que a diretoria do BNDES tenha atropelado os pareceres das equipes de análise.
4. O BNDES é uma caixa preta:
Relativamente a outros bancos que têm o mesmo papel em outros países, o BNDES se considera o mais transparente, sob controle externo do TCU, da CGU e do Bacen. Dados de TODAS as operações do BNDES podem ser encontrados aqui. A crítica à esquerda é de que transparência neste nível compromete a atuação do BNDES, fornecendo dados que deveriam ser sigilosos não só aos competidores externos, mas aos bancos privados que trabalham para minar a atuação do banco público.
5. O BNDES se arrebentou junto com Eike Batista:
A perda do BNDES com os negócios de Eike Batista foi de R$ 0,00. A taxa de inadimplência do BNDES é inferior à média do sistema financeiro nacional.
6. O BNDES beneficiou as empreiteiras envolvidas na Lava Jato a pedido do Lula:
O mercado mundial de exportação de serviços bateu em 2013 em U$ 544 bilhões. É uma enormidade. Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Correa e OAS de fato fizeram obras no exterior financiadas pelo BNDES. Imaginar que a Andrade Gutierrez foi beneficiada pelo PT é gozação (veja o que os executivos dela falaram sobre Dilma na véspera da eleição mais recente). O fato é que, como provam os dados abaixo, há intensa competição internacional nos serviços de engenharia, que são mais concentrados ainda fora do Brasil em um pequeno número de empresas.
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7. Lula escolheu empresários amigos para beneficiar através do BNDES, favorecendo os grandes exportadores:
74% de todo o dinheiro emprestado pelo BNDES foi para pequenas e médias empresas, beneficiando ao todo 3.749 exportadores.
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8. Lula usou o BNDES para financiar a Friboi, empresa que pertence ao filho dele, Lulinha.
O verdadeiro dono da Friboi, Wesley Batista, diz que só conhece Lulinha por “fotos na internet”. O BNDES, sim, é dono de 12% da Friboi através do BNDESPAR.
9. O BNDES perdeu dinheiro na Copa, principalmente ao financiar o estádio privado do Corinthians a pedido do Lula.
O banco fixou em R$ 400 milhões o teto dos empréstimos dados para as obras dos estádios da Copa. Até agora não houve atraso no pagamento de uma parcela sequer, seja do Itaquerão, seja da Arena da Amazônia em Manaus. Ou seja, a perda foi de R$ 0,00.
10. O BNDES privilegia países “comunistas” aliados do PT em suas exportações.
O principal destino dos bens da exportação financiada pelo banco são os Estados Unidos. Mas sempre é bom checar direitinho, pois o ocupante da Casa Branca tem o suspeito sobrenome “Hussein” e dizem que nem nasceu nos Estados Unidos. Vai que o governo do PT anda financiando o terrorismo islâmico através do Barack Obama…
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 Leia também: 
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Flávia Biroli: Quem ganha com a onda ultra-conservadora que ameaça a democracia no Brasil? - Viomundo - O que você não vê na mídia

Flávia Biroli: Quem ganha com a onda ultra-conservadora que ameaça a democracia no Brasil?

publicado em 27 de outubro de 2015 às 19:34
Eduardo Cunha
Retrocessos nos direitos e obscurantismo: quem ganha com a onda ultra-conservadora que ameaça a democracia no Brasil?
Publicado em 26/10/2015
Um conjunto de retrocessos nos direitos das pessoas está em curso no Congresso Nacional hoje. Baseados em visões contrárias aos direitos dos trabalhadores, aos direitos humanos e aos direitos individuais que concernem à expressão, à sexualidade e à autonomia das mulheres, poderão anular décadas de conquistas e os passos dados para a construção de uma sociedade mais democrática e mais justa.
É para esse retrocesso, para a urgência de se fazer frente a eles em defesa da democracia e da cidadania, que procuro chamar a atenção neste texto.
Mesmo sendo diárias as investidas contra direitos fundamentais, não é disso que fala o noticiário político dos jornais e telejornais de maior circulação e público brasileiros. Neles, duas temáticas dão contorno à crise atual, a corrupção e a economia.
A primeira, apresentada de maneira seletiva, acaba expondo até certo ponto problemas de base das democracias contemporâneas. Isso ocorre a despeito de os noticiários serem restritos e alinhados a interesses que não são alheios a essa forma de realização da política.
Embora sirvam para alimentar reações à própria democracia e, pela forma seletiva como são apresentados, alimentem setores golpistas e desonestos da oposição, os casos de corrupção denunciados e noticiados expõem o fato de que o exercício de influência nas democracias é desigual e corresponde a padrões bem definidos. Fica claro quem tem acesso ao Estado, quais interesses se fazem valer e como são construídas as carreiras políticas em circunstâncias nas quais o financiamento privado é a ponta mais visível da colonização da política pelo capital.
É preciso muito esforço, mesmo para os mais aguerridos anti-petistas, para ver nos desvios de recursos e formas de financiamento das campanhas a obra de um partido ou de um punhado de atores políticos. Por outro lado, é preciso suspender a visão e os demais sentidos para acreditar que alguma transformação mais profunda poderá se dar sem que se rompa com a dinâmica pela qual o capital faz valer seus imperativos, investindo de protagonismo seus operadores e definindo os limites do possível na política.
A segunda temática que mencionei, predominante nos noticiários, é a economia. O discurso contra a corrupção no debate público brasileiro hoje se acomoda bem à ideia de que o deficit da política não seria de democracia, mas de gestão competente e de honestidade. A ligação com o problema da corrupção aparece na forma da crítica à amplitude do Estado e a concepções de desenvolvimento que lhe dão protagonismo.
O mercado, espaço de relações regido pelos imperativos do lucro e organizado numa lógica que potencializa as assimetrias, não é colocado em xeque na análise dos fatores que comprometeriam a democracia. A gestão política da economia é medida, por sua vez, não pelos efeitos que tem sobre as pessoas, mas pela avaliação que dela é feita pelos próprios agentes de mercado, em um círculo vicioso do exercício de influência desses agentes que é apresentado como um dado da natureza. As notas que orientam investimentos pelas agências “de classificação de risco” e as avaliações das consultorias de “gestão de investimentos”, com o peso dado a elas na construção do ambiente político-econômico, mostram isso claramente.
Chamo a atenção para o fato de que ao mesmo tempo que essas temáticas e enquadramentos são destacados, há uma dimensão da dinâmica política atual que tem sido negligenciada. Está em curso no Congresso Nacional uma investida contra os direitos que compromete as conquistas democráticas das últimas décadas.
Os grupos mais atingidos pelos retrocessos propostos ou já produzidos são trabalhadoras/es, indígenas, jovens, em especial a juventude negra, mulheres, lésbicas, gays. São os alvos preferenciais em um Congresso que desde a eleição de 2014 sabíamos mais conservador.
Sobretudo na Câmara dos Deputados, as alianças entre os setores conservadores têm sido mobilizadas para reduzir o tipo de regulação do Estado que permite ampliar os direitos, a dignidade e as condições para o exercício da liberdade.
É assim que vem atuando a aliança apelidada de BBB, feita de acordos entre as bancadas da bala, do boi e da bíblia, e apadrinhada pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha – apadrinhamento que tem surtido efeito, vale dizer, uma vez que a apresentação sucessiva de provas contra ele, que incluem contas bem documentadas na Suíça para depósito de recursos provenientes de corrupção e o fato de ter mentido à CPI quando perguntado sobre essas contas, não foi até o momento que escrevo este texto suficiente para retirá-lo da presidência da Câmara.
Faço uma pausa para falar de Cunha. Patrono do financiamento de muitas campanhas, apoiado por partidos como PSDB e DEM, que vêm nele o fiador possível do impeachment de Dilma Rousseff, ele é um exemplo bem acabado de um tipo político que chega hoje com sucesso à Câmara dos Deputados. Apoia-se em redes de financiamento e influência que têm por base partidos (no caso de Cunha, o PMDB) e empresas que fazem apostas certas naqueles que, eleitos, lhes garantirão influência e lucros e em igrejas que se tornaram uma base renovada para a realização dessas carreiras.
As bancadas conservadoras que mencionei têm seus interesses específicos, mas convergem na defesa de menos Estado na regulação da economia e dos recursos naturais, na defesa da redução de políticas e de subsídios públicos para os setores mais vulneráveis da população. Ao mesmo tempo, querem mais Estado para ampliar os controles, reduzir a autonomia e criminalizar grupos específicos da população.
Do casamento entre neoliberalismo e moralismo ultra-conservador de base religiosa, tomam forma iniciativas que atingem de maneira direta mulheres e LGBTs, embora seus efeitos sejam abrangentes e não se restrinjam a esses grupos. A atuação de religiosos fundamentalistas confronta a laicidade do Estado e ganha identidade política justamente por meio de ações coordenadas para a retirada dos direitos desses setores da população.
A linha de frente de seu discurso público é uma ideia restrita e excludente de família, acompanhada de uma compreensão conservadora dos papéis desempenhados por mulheres e homens na sociedade. Na sua atuação, corroboram a redução de recursos para a saúde pública, para o desenvolvimento da educação pública de qualidade, para a garantia de direitos para os trabalhadores que permitiriam maior segurança para suas famílias.
Sua defesa da família atinge especialmente lésbicas e gays quando promove um Estatuto da Família (falo do PL 6583/2013, em tramitação na Câmara e já aprovado na Comissão Especial constituída para sua discussão) que os exclui diretamente.
Mas é importante compreender que se trata da promoção de privilégios, em uma sociedade na qual a vivência cotidiana dos afetos, da paternidade e da maternidade, da vida familiar é diversa e continuará a ser. O PL 6583/2013 exclui um enorme conjunto de famílias e de relações afetivas do reconhecimento público e do acesso aos direitos usufruídos pelas pessoas que se encaixam na concepção restrita de família que procura chancelar. Caso venha a ser aprovado, pessoas de todas as idades, inclusive as crianças, pessoas de diferentes orientações sexuais, e não apenas aquelas que estão unidas por afeto a outras do mesmo sexo, ficam potencialmente excluídas de direitos e do acesso a políticas públicas.
Outro projeto que mostra o que está em curso nessa suposta defesa dos valores familiares é o PL 5069/2013, de autoria de Eduardo Cunha, que pretende criminalizar a divulgação de informações e o auxílio às mulheres que desejem abortar “ainda que sob o pretexto de redução de danos”, isto é, em casos previstos na nossa legislação.
Trocando em miúdos, o projeto cria obstáculos para que a mulher que foi estuprada recorra ao SUS para interromper uma gravidez resultante da agressão. Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados no dia 21 de outubro e, caso siga adiante, revogará o atendimento integral no SUS para mulheres que sofreram violência sexual (Lei 12.845/2013).
Em outra frente, estão em curso ataques abertos à educação e aos professores. Nesse caso, convergem os grupos religiosos, que reagem a diretrizes que promovem a igualdade de gênero e o respeito à diversidade, e grupos ditos liberais, que reagem à maior presença do pensamento de esquerda e de reflexões favoráveis à justiça social e à equidade nas escolas e universidades brasileiras.
Nenhum desses grupos veio à disputa política a passeio. O primeiro, apoia-se no “pátrio poder”, na ideia de que famílias, como unidades privadas, devem definir o que é melhor para seus filhos. Seria assim, legítimo, considerarem inadequada uma educação que privilegia a tolerância e o respeito à diferença e educarem seus filhos para a homofobia ou para o que vem sendo chamado de “orgulho heterossexual”, numa fórmula que não disfarça a ironia calcada na violência contra a população LGBT.
Sua defesa de valores que seriam familiares nega a muitas e muitos a condição de pessoas. Por isso nada têm a dizer sobre a violência contra meninas e mulheres alimentada pelo machismo, que produz como legado índices vergonhosos de assassinatos contra mulheres no país; também não têm nada a dizer sobre a violência cotidiana contra pessoas identificadas como desviantes por serem lésbicas, gays, travestis ou transexuais. Que tipo de democracia permite essas diferenciações, entre quem merece respeito e garantias para sua integridade física e quem não merece? O que resta, quando essas exclusões são chanceladas, é um sistema político e de direitos muito distante mesmo de ideais democráticos pouco exigentes.
O segundo grupo, o dos que pretendem limpar a educação do esquerdismo, nem sempre está de acordo com os objetivos do primeiro. Mas estão se somando neste momento. A escola sem partido que defendem é prima-irmã da escola sem reflexão sobre gênero. Nos dois casos, definem como ideologia aquilo que não está na sua agenda. Esta seria neutra do ponto de vista partidário – embora claramente defenda a retração do Estado, dos direitos sociais e a ampliação do que definem como economia de mercado, expressão que lhes permite sonegar a informação de que se trata de ampliar os lucros de quem já está em situação privilegiada, reduzindo direitos dos trabalhadores e ampliando a liberdade das grandes corporações e agentes financeiros. Também seria neutra da perspectiva de gênero.
Essa afirmação ilógica seria risível em outros tempos, mas o que buscam é justamente caracterizar como neutra uma concepção excludente de como devem viver as pessoas para que eu as respeite. Esta concepção, que querem apresentar como não marcada, embora só pare de pé amparada por crenças religiosas e preconceitos, é que estaria então definindo o ensino “neutro”, orientando conteúdos educacionais e as falas dos professores.
Eu dizia há pouco que não vieram a passeio. Nesse segundo grupo, fica clara a intenção presente em iniciativas do primeiro. Trata-se de criminalizar os professores, exigindo que conteúdos, posições e reflexões sobre cidadania e igualdade sejam banidos das escolas.
O PL 1411/2015, proposto por um deputado do PSDB do Rio Grande do Norte, é um dos projetos em tramitação que assumem essa agenda. Ele “tipifica o crime de assédio ideológico”. Seu relator na Comissão de Educação é o deputado, também do PSDB, autor do Requerimento de Informação dirigido ao MEC em maio de 2015 que solicita a exclusão do que foi definido como “ideologia de gênero” do Plano Nacional de Educação, com os desdobramentos que já conhecemos – em uma ação coordenada em diferentes estados e municípios do país, foram retirados dos planos de educação as diretrizes para a igualdade e o respeito à diversidade de gênero. Este último é, ainda, o autor do PL 867/2015, contra o que define como ensino ideológico nas escolas, que vem sendo apelidado por educadoras e educadores de todo o Brasil de PL da Mordaça.
No texto do PL 1411/2015, a “defesa dos avanços nos direitos sociais”, assim como a defesa da igualdade de gênero e de raça e dos direitos da juventude, aparece como exemplo do que o deputado identifica como uma ação totalitária que seria comandada pelo PT. Com base nessas “ideologias” está presente neste projeto algo que é também a espinha dorsal do PL 867/2015: professoras e professores são identificados como manipuladores.
Assim, os avanços lentos nos direitos humanos e sociais no Brasil nas últimas décadas são colocados em questão. Cerca de três décadas depois da transição da ditadura para um regime democrático que preserva a liberdade de expressão, a análise crítica bem informada teórica e empiricamente, que pode permitir educar para a cidadania e estimular as reflexões sobre os problemas do país e do mundo, é vista como motivo para criminalizar professoras e professores.
Trata-se, de uma certa perspectiva, de política tout court, isto é, da disputa pela hegemonia, pelo acesso ao Estado, para fazer valer alguns interesses e reduzir o peso de interesses concorrentes. Deputados e senador do PSDB apresentam projetos para constranger e calar movimentos sociais e indivíduos que identificam como esquerdistas e como base política do petismo. Igrejas evangélicas definem estratégias, como vêm documentando estudos feitos nos últimos anos, para eleger parlamentares que defendam seus interesses institucionais – isenção de impostos, manutenção e ampliação de concessões de rádio e TV.
Mas há mais do que isso implicado nesses projetos. No primeiro caso, estão em questão a liberdade de cátedra e de crítica, a liberdade de expressão e, com ela, a democracia.
No segundo caso, não se trata apenas de negócios das igrejas, mas de uma reação conservadora e obscurantista, articulada a ações da Igreja Católica, contra transformações ocorridas nas sociedades nas últimas décadas.
Daí a definição de mulheres e da população LGBT como alvos. Mudanças profundas e a ampliação da legitimidade das lutas desses grupos por direitos transformaram a correlação de forças no Brasil e no mundo. É às transformações que assim foram produzidas que reagem os ultraconservadores, ainda que sem dúvida procurem mobilizar essa reação para fins eleitorais. O moralismo conservador serviria não apenas para angariar votos, mas também para ocultar ou ofuscar outras dimensões da sua atuação política. Algo semelhante pode estar se dando quando políticos do PSDB encontram em fórmulas fascistas de atuação política um caminho para angariar votos em um momento de polarização política, em que a oposição violenta ao PT e aos que são identificados como petistas é afirmada.
Parece-me necessário qualificar com clareza a agenda dos parlamentares vinculados a igrejas evangélicas e à católica e de seus aliados ultra-conservadores no Congresso hoje: combatem décadas de luta por respeito às pessoas independentemente do seu sexo e da forma como vivem sua sexualidade e seus afetos. Investem contra a construção lenta e difícil de processos educativos que promovam nas escolas um conhecimento atrelado à cidadania, visando a construção de uma sociedade na qual possamos reduzir a violência, promover a igualdade com respeito às diferenças e abrir caminhos para garantir mais dignidade para as pessoas.
Pergunto-me sobre o que pensam do “PL da Mordaça” os que são de fato liberais. Pergunto-me, também, se cidadãs e cidadãos religiosos, evangélicos ou católicos, estão cientes de que suas lideranças no Congresso promovem hoje retrocessos nos direitos humanos, criando leis e difundindo preconceitos que levarão a mais violência contra homossexuais e mulheres, a menos capacidade para a tolerância e a solidariedade, a uma sociedade que não vai se tornar menos plural, mas menos justa.
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Para aprofundar a reflexão sobre as questões de gênero, o impacto do feminismo na teoria política e as diferentes matizes e debates em torno da luta e da teoria da emancipação das mulheres, recomendamos a leitura de Feminismo e política: uma introdução, de Flávia Biroli e Luis Felipe Miguel, que oferece um inédito e didático panorama do feminismo hoje.
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Flávia Biroli é professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, onde edita a Revista Brasileira de Ciência Política e coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades – Demodê, que mantém o Blog do Demodê, onde escreve regularmente. É autora, entre outros, de Autonomia e desigualdades de gênero: contribuições do feminismo para a crítica democrática (Eduff/Horizonte, 2013), Família: novos conceitos (Editora Perseu Abramo, 2014) e, em co-autoria com Luis Felipe Miguel, Feminismo e política: uma introdução (Boitempo, 2014).

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Rubens Casara: Conversar com um fascista, um ato de resistência - Viomundo - O que você não vê na mídia

Rubens Casara: Conversar com um fascista, um ato de resistência

publicado em 28 de outubro de 2015 às 11:37
rubens casaro(1)Conversar com um fascista: um desafio
Em Adorno, a ignorância, a ausência de reflexão, a identificação de inimigos imaginários, a transformação dos acusadores em julgadores (e vice-versa) e a manipulação do discurso religioso são, dentre outros sintomas, apontados como típicos do pensamento autoritário.
Pensem, agora, na naturalização com que direitos fundamentais são afastados e violados no Brasil, na crença no uso da força (e do sistema penal) para resolver os mais variados problemas sociais, na demonização de um partido político (que, apesar de vários erros, e ao contrário de outros partidos apontados como “democráticos”, não aderiu aos projetos a seguir descritos), no prestígio novamente atribuído aos “juízes-inquisidores”, nos recentes linchamentos (inclusive virtuais), no número tanto de pessoas mortas por ação da polícia quanto de policiais mortos e nos projetos legislativos que:
a) relativizam a presunção de inocência;
b) ampliam as hipóteses de “prisão em flagrante” em evidente violação aos limites semânticos da palavra “flagrante” inscrita no texto Constitucional como limite ao exercício do poder;
c) criminalizam os movimentos sociais com a desculpa de prevenir “atos de terrorismo”;
d)  impedem o fornecimento de “pílulas do dia seguinte” para profilaxia de gravidez decorrente de violência sexual e criminalizam médicos que dão informações para mulheres vítimas de violência sexual;
e) eliminam o princípio constitucional da gratuidade na educação pública, dentre outras aberrações jurídicas.
Conclusão? Avança-se na escala do fascismo.
O fascismo recebeu seu nome na Itália, mas Mussolini nunca esteve sozinho. Diversos movimentos semelhantes surgiram no pós-guerra com a mesma receita que unia voluntarismo, pouca reflexão e violência contra seus inimigos. Hoje, parece que há consenso de que existe(m) fascismo(s) para além do fenômeno italiano ou, ainda, que o fascismo é um amálgama de significantes, um “patrimônio” de teorias, valores, princípios, estratégias e práticas à disposição dos governantes ou de lideranças de ocasião (que podem, por exemplo, ser fabricadas pelos detentores do poder político ou econômico, em especial através dos meios de comunicação de massa), que disseminam o ódio contra o que existe para conquistar o poder e/ou impor suas concepções de mundo.
O fascismo possui inegavelmente uma ideologia: uma ideologia de negação. Nega-se tudo (as diferenças, as qualidades dos opositores, as conquistas históricas, a luta de classes, etc.), principalmente, o conhecimento e, em consequência, o diálogo capaz de superar a ausência de saber.
Os fascistas, como já foi dito, talvez não saibam o que querem, mas sabem bem o que não suportam. Não suportam a democracia, entendida como concretização dos direitos fundamentais de todos, como processo de educação para a liberdade e de limites ao exercício do poder. Essa mistura de pouca reflexão (o fascismo, nesse particular, aproxima-se dos fundamentalismos, ambos marcados pela ode à ignorância) e recurso à força (como resposta preferencial para os mais variados problemas sociais) produz reflexos em toda a sociedade.
As práticas fascistas revelam uma desconfiança. O fascista desconfia do conhecimento, tem ódio de quem demonstra saber algo que afronte ou se revele capaz de abalar suas crenças. Ignorância e confusão pautam sua postura na sociedade. O recurso a crenças irracionais ou anti-racionais, a criação de inimigos imaginários (a transformação do “diferente” em inimigo), a confusão entre acusação e julgamento (o acusador – aquele indivíduo que aponta o dedo e atribui responsabilidade – que se transforma em juiz e o juiz que se torna acusador – o inquisidor pós-moderno) são sintomas do fascismo que poderiam ser superados se o sujeito estivesse aberto ao saber, ao diálogo que revela diversos saberes.
Diante dos riscos do fascismo, o desafio é confrontar o fascista com aquilo que para ele é insuportável: o outro. O instrumento? O diálogo, na melhor tradição filosófica atribuída a Sócrates. Talvez esse seja o objetivo do diálogo proposto pela filósofa Marcia Tiburi em seu novo livro, que tive o prazer de apresentar (o prefácio é do sempre excelente Jean Wyllys).
Em “Como conversar com um fascista: reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro” (Rio de janeiro: Record, 2015), a autora resgata a política como experiência de linguagem, sempre presente na vida em comum, e investe nessa operação, que exige o encontro entre o “eu” e o “tu”, apresentada como fundamental à construção democrática. De fato, a qualidade e a própria existência da forma democrática dependem da abertura ao diálogo, da construção de diálogos genuínos – que não se confundem com monólogos travestidos de diálogos – em que a individualidade e os interesses de cada pessoa não inviabilizam a construção de um projeto comum, de uma comunidade fundada na reciprocidade e no respeito à alteridade.
Ao tratar da personalidade autoritária, dos micro-fascismos do dia-a-dia, do consumismo da linguagem, da transformação de pessoas em objetos, da plastificação das relações, da idiotização de parcela da população, dentre outros fenômenos perceptíveis na sociedade brasileira, Marcia Tiburi sugere uma mudança de atitude do um-para-com-o-outro.
Nos diversos ensaios deste livro, a autora conduz o leitor para um processo de reflexão e descoberta dos valores democráticos, bem como desvela as contradições, os preconceitos e as práticas que caracterizam os movimentos autoritários em plena democracia formal.
Mas, não é só.
Ao propor que a experiência dialógica alcance também os fascistas, aqueles que se recusam a perceber e aceitar o outro em sua totalidade, Marcia Tiburi exerce a arte de resistir.
Dialogar com um fascista, e sobre o fascismo, forçar uma relação com um sujeito incapaz de suportar a diferença inerente ao diálogo, é um ato de resistência.
Confrontar o fascista, desvelar sua ignorância, fornecer informação/conhecimento, levar esse interlocutor à contradição, desconstruindo suas certezas, forçando-o a admitir que seu conhecimento é limitado, fazem parte do empreendimento ético-político da autora,  que faz neste livro uma aposta na potência do diálogo e na difusão do conhecimento como antídoto à tradição autoritária que condiciona o pensamento e a ação em terra brasilis.
O leitor, ao final, perceberá que não só o objetivo foi alcançado como também que a autora nos brindou com um texto delicioso, original, profundo sem ser pretensioso. Mais do que recomendada a leitura.
Rubens Casara é Doutor em Direito, Mestre em Ciências Penais, Juiz de Direito do TJ/RJ, Coordenador de Processo Penal da EMERJ e escreve a Coluna ContraCorrentes, aos sábados, com Giane Alvares, Marcelo Semer, Marcio Sotelo Felippe e Patrick Mariano.
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Discordando em parte do argumento central do artigo, embora grosso modo tenha razão na percepção do fenômeno conjuntural. Os setores dominantes forçam o passo atrás em face dos passos a frente que foram dados.

Nessas horas a sociedade de classes se despe de todos os disfarces expostos na vitrine da civilização e expõe as suas entranhas.



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O PT não pode continuar vestindo a camisa do perfeito cristão que é cobrada por seus algozes para poderem crucificá-lo sem resistência. Ofertar a outra face só vimos dar certo na letra do evangelho. Aliás, quase tudo que nele se diz ser o que deve ser, na práxis cristã, nunca é. Nem Gandhi!



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