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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Rubens Casara: Conversar com um fascista, um ato de resistência - Viomundo - O que você não vê na mídia

Rubens Casara: Conversar com um fascista, um ato de resistência

publicado em 28 de outubro de 2015 às 11:37
rubens casaro(1)Conversar com um fascista: um desafio
Em Adorno, a ignorância, a ausência de reflexão, a identificação de inimigos imaginários, a transformação dos acusadores em julgadores (e vice-versa) e a manipulação do discurso religioso são, dentre outros sintomas, apontados como típicos do pensamento autoritário.
Pensem, agora, na naturalização com que direitos fundamentais são afastados e violados no Brasil, na crença no uso da força (e do sistema penal) para resolver os mais variados problemas sociais, na demonização de um partido político (que, apesar de vários erros, e ao contrário de outros partidos apontados como “democráticos”, não aderiu aos projetos a seguir descritos), no prestígio novamente atribuído aos “juízes-inquisidores”, nos recentes linchamentos (inclusive virtuais), no número tanto de pessoas mortas por ação da polícia quanto de policiais mortos e nos projetos legislativos que:
a) relativizam a presunção de inocência;
b) ampliam as hipóteses de “prisão em flagrante” em evidente violação aos limites semânticos da palavra “flagrante” inscrita no texto Constitucional como limite ao exercício do poder;
c) criminalizam os movimentos sociais com a desculpa de prevenir “atos de terrorismo”;
d)  impedem o fornecimento de “pílulas do dia seguinte” para profilaxia de gravidez decorrente de violência sexual e criminalizam médicos que dão informações para mulheres vítimas de violência sexual;
e) eliminam o princípio constitucional da gratuidade na educação pública, dentre outras aberrações jurídicas.
Conclusão? Avança-se na escala do fascismo.
O fascismo recebeu seu nome na Itália, mas Mussolini nunca esteve sozinho. Diversos movimentos semelhantes surgiram no pós-guerra com a mesma receita que unia voluntarismo, pouca reflexão e violência contra seus inimigos. Hoje, parece que há consenso de que existe(m) fascismo(s) para além do fenômeno italiano ou, ainda, que o fascismo é um amálgama de significantes, um “patrimônio” de teorias, valores, princípios, estratégias e práticas à disposição dos governantes ou de lideranças de ocasião (que podem, por exemplo, ser fabricadas pelos detentores do poder político ou econômico, em especial através dos meios de comunicação de massa), que disseminam o ódio contra o que existe para conquistar o poder e/ou impor suas concepções de mundo.
O fascismo possui inegavelmente uma ideologia: uma ideologia de negação. Nega-se tudo (as diferenças, as qualidades dos opositores, as conquistas históricas, a luta de classes, etc.), principalmente, o conhecimento e, em consequência, o diálogo capaz de superar a ausência de saber.
Os fascistas, como já foi dito, talvez não saibam o que querem, mas sabem bem o que não suportam. Não suportam a democracia, entendida como concretização dos direitos fundamentais de todos, como processo de educação para a liberdade e de limites ao exercício do poder. Essa mistura de pouca reflexão (o fascismo, nesse particular, aproxima-se dos fundamentalismos, ambos marcados pela ode à ignorância) e recurso à força (como resposta preferencial para os mais variados problemas sociais) produz reflexos em toda a sociedade.
As práticas fascistas revelam uma desconfiança. O fascista desconfia do conhecimento, tem ódio de quem demonstra saber algo que afronte ou se revele capaz de abalar suas crenças. Ignorância e confusão pautam sua postura na sociedade. O recurso a crenças irracionais ou anti-racionais, a criação de inimigos imaginários (a transformação do “diferente” em inimigo), a confusão entre acusação e julgamento (o acusador – aquele indivíduo que aponta o dedo e atribui responsabilidade – que se transforma em juiz e o juiz que se torna acusador – o inquisidor pós-moderno) são sintomas do fascismo que poderiam ser superados se o sujeito estivesse aberto ao saber, ao diálogo que revela diversos saberes.
Diante dos riscos do fascismo, o desafio é confrontar o fascista com aquilo que para ele é insuportável: o outro. O instrumento? O diálogo, na melhor tradição filosófica atribuída a Sócrates. Talvez esse seja o objetivo do diálogo proposto pela filósofa Marcia Tiburi em seu novo livro, que tive o prazer de apresentar (o prefácio é do sempre excelente Jean Wyllys).
Em “Como conversar com um fascista: reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro” (Rio de janeiro: Record, 2015), a autora resgata a política como experiência de linguagem, sempre presente na vida em comum, e investe nessa operação, que exige o encontro entre o “eu” e o “tu”, apresentada como fundamental à construção democrática. De fato, a qualidade e a própria existência da forma democrática dependem da abertura ao diálogo, da construção de diálogos genuínos – que não se confundem com monólogos travestidos de diálogos – em que a individualidade e os interesses de cada pessoa não inviabilizam a construção de um projeto comum, de uma comunidade fundada na reciprocidade e no respeito à alteridade.
Ao tratar da personalidade autoritária, dos micro-fascismos do dia-a-dia, do consumismo da linguagem, da transformação de pessoas em objetos, da plastificação das relações, da idiotização de parcela da população, dentre outros fenômenos perceptíveis na sociedade brasileira, Marcia Tiburi sugere uma mudança de atitude do um-para-com-o-outro.
Nos diversos ensaios deste livro, a autora conduz o leitor para um processo de reflexão e descoberta dos valores democráticos, bem como desvela as contradições, os preconceitos e as práticas que caracterizam os movimentos autoritários em plena democracia formal.
Mas, não é só.
Ao propor que a experiência dialógica alcance também os fascistas, aqueles que se recusam a perceber e aceitar o outro em sua totalidade, Marcia Tiburi exerce a arte de resistir.
Dialogar com um fascista, e sobre o fascismo, forçar uma relação com um sujeito incapaz de suportar a diferença inerente ao diálogo, é um ato de resistência.
Confrontar o fascista, desvelar sua ignorância, fornecer informação/conhecimento, levar esse interlocutor à contradição, desconstruindo suas certezas, forçando-o a admitir que seu conhecimento é limitado, fazem parte do empreendimento ético-político da autora,  que faz neste livro uma aposta na potência do diálogo e na difusão do conhecimento como antídoto à tradição autoritária que condiciona o pensamento e a ação em terra brasilis.
O leitor, ao final, perceberá que não só o objetivo foi alcançado como também que a autora nos brindou com um texto delicioso, original, profundo sem ser pretensioso. Mais do que recomendada a leitura.
Rubens Casara é Doutor em Direito, Mestre em Ciências Penais, Juiz de Direito do TJ/RJ, Coordenador de Processo Penal da EMERJ e escreve a Coluna ContraCorrentes, aos sábados, com Giane Alvares, Marcelo Semer, Marcio Sotelo Felippe e Patrick Mariano.
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Discordando em parte do argumento central do artigo, embora grosso modo tenha razão na percepção do fenômeno conjuntural. Os setores dominantes forçam o passo atrás em face dos passos a frente que foram dados.

Nessas horas a sociedade de classes se despe de todos os disfarces expostos na vitrine da civilização e expõe as suas entranhas.



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19 gravações raras de autores famosos | Floss Mental

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Diário do Centro do Mundo » Suplicy, Haddad e a imolação voluntária na Livraria Cultura. Por Kiko Nogueira

O PT não pode continuar vestindo a camisa do perfeito cristão que é cobrada por seus algozes para poderem crucificá-lo sem resistência. Ofertar a outra face só vimos dar certo na letra do evangelho. Aliás, quase tudo que nele se diz ser o que deve ser, na práxis cristã, nunca é. Nem Gandhi!



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Gilberto: 'quem vai lavar a honra dos meus filhos?' | Brasil 24/7

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Altamiro Borges: A nova armação contra Lula

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A nova armação contra Lula

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Essa nova armação contra o filho de Lula e, logo, contra Lula é uma das mais grotescas que eu já vi nos últimos tempos.

E olha que a concorrência é braba.

(Na verdade, a armação contra Gilberto Carvalho é pior ainda. Tentam pegar ele porque acharam um papelzinho, onde um empresário anota a tentativa de tomar um café com Gilberto. E um dos empresários diz para levar "duas bonecas" para Carvalho - as bonecas eram mesmo para as duas filhas de Gilberto. Não era linguagem cifrada.)

Pegaram a Zelotes, enterraram toda a investigação original - centrada no Carf e jogadas para reduzir dívidas fiscais - numa gaveta e recomeçaram do zero, com uma coisa que não tem nada a ver, apenas para enfiar o Lulinha na história.

Razão? A empresa de Lulinha recebeu um dinheiro de uma das empresas pescadas na investigação da Lava Jato.

A empresa do Lulinha prestou um serviço, apresentou nota fiscal, ponto.

A mídia fica tentando enganar o povo em relação a valores, sobretudo a classe média udenista, que é miserável na alma, invejosa, problemática, truculenta, preconceituosa.

O filho do FHC ganha mais de R$ 15 milhões do governo federal para fazer uma feirinha na Alemanha, e a mídia vai pra cima de Lulinha, que ganhou quatro vezes menos isso por um serviço prestado para uma empresa privada.

É assim. Tucano pode ganhar milhões de dinheiro público, roubar à vontade, comprar voto.

Petista não pode trabalhar no setor público, nem no privado. Tem de perecer miserável no gueto de Varsóvia.

É muito preconceito!

As acusações - ridículas - contra Lulinha não tem nada a ver com sonegação fiscal ou Carf. A empresa do Lulinha pagou impostos pelos serviços que prestou, muito diferente do que fez Bradesco, RBS, Gerdau, Santander, etc.

Estão tentando vincular - acusação surreal - o recebimento do dinheiro pela empresa do Lulinha a uma medida provisória de Lula concedendo benefício fiscal para montadoras se instalarem em alguns estados.

Pelo menos, agora não mais poderão me acusar de paranoico, quando eu denuncio essas conspirações midiatico-judiciais. Elas mesmo estão se tornando tão contraditórias, que se autodenunciam.

A medida provisória de Lula foi iniciativa política de todos os partidos. Antônio Carlos Magalhães articulava isso desde 1999. Os tucanos foram os principais entusiastas da medida porque ela beneficiava estados governados pelo PSDB, sobretudo Goiás.

Quando foi votada no Congresso, a MP foi relatada por tucanos e demos, que se destacaram pela disciplina com que defenderam a aprovação da medida.

Lobistas tentaram vender um terreno no céu para as montadoras? Não sei, provavelmente sim, eles fazem isso o tempo inteiro, em todos os assuntos. E aí temos que ver o que é crime ou que é apenas o velho e inevitável lobby, que não é necessariamente corrupção - tanto que nos Estados Unidos é legalizado.

O que não podemos permitir é que juízes golpistas e partidários saiam emitindo ordens judiciais de sequestro de bens contra qualquer um, sem nenhuma base. Isso é uma profunda agressão à democracia, às liberdades individuais.

O princípio da nossa Constituição é a liberdade e a democracia, e não o arbítrio de juízes golpistas, reacionários e autoritários!

Eu fico pasmo com a hipocrisia dos nossos liberais. Quando o Estado se torna mais autoritário, quebrando sigilo até de advogados - coisa que nem a ditadura militar ousou - então a gente sente falta de um bom liberal para defender às liberdades civis em nosso país.

E onde os liberais estão?

Estão defendendo o golpe junto com os autoritários, ou seja, explorando o discurso hipócrita e fariseu da luta contra a corrupção, aliam-se aos inimigos da liberdade e da democracia.

Liberais ao lado de defensores da ditadura, eis o retrato patético da direita brasileira, provavelmente a mais provinciana, entreguista e ignorante do mundo.
Altamiro Borges: A nova armação contra Lula: Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho : Essa nova armação contra o filho de Lula e, logo, contra Lula é uma das mais grotescas que eu ...