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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Carlos Lessa: Serra e a gosma que nos devora - Carta Maior

28/10/2015 - Copyleft

Carlos Lessa: Serra e a gosma que nos devora

'Se existe um déficit você tem que equacioná-lo buscando recursos onde há superávit. Quem tem sobra, as famílias assalariadas ou os bancos e rentistas?'


Saul Leblon

Geraldo Magela/Agência Senado
O que faz um intelectual apaixonado pelo Brasil que aos 80 anos, financeiramente resolvidos, convence-se de que seu caso de amor mergulhou em ‘uma gosma’, como ele classifica a situação atual do país?  
 
Talvez jogasse a toalha para desfrutar o conforto privado e merecido. 
 
Talvez, se o seu nome não fosse Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa, ou Carlos Lessa, como é conhecido e respeitado o economista em quem, mesmo adversários de ideias, reconhecem uma das inteligências mais provocantes do país, ademais de um frasista demolidor.
 
Lessa está angustiado, aflito com o Brasil. ’Eu e as torcidas de todos os brasões da nação’, começa.
 
Signatário de um manifesto encampado por alguns dos principais intelectuais brasileiroscontrários ao projeto do senador José Serra, de engessamento fiscal do Estado, Lessa, a exemplo de Maria da Conceição Tavares, foi tratado com desdém pelo tucano. 
 
Entre outros vitupérios, o ex-governador de São Paulo, classificou seus críticos de ‘desinformados e pseudo-marxistas’. 
 
‘Mas foram seus professores’, protestou inutilmente o senador petista Lindberg Farias, no dia 20/10, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado  --que voltará a examinar o assunto dia 3 de novembro, em sessão decisiva e ainda mais tensa.
 
‘Serra não precisava se diminuir tanto’, fuzila o professor emérito da UFRJ e ex-presidente do BNDES. 
 
’Ofender pessoas com as quais ele teve reconhecida proximidade intelectual no passado, é ofender a si próprio. Lamento que tenha chegado a isso’.
 
No exílio chileno, nos anos 70, Serra conviveu intimamente com a família Lessa. A residência do economista, agora fustigado por ele, era um espaço da rotina do tucano, que então atribuía ao dono da casa seu aprendizado em economia.
 
‘Elogio em boca própria é vitupério’, desconversa o autor de ‘Quinze anos de política econômica’ (a industrialização do pós-guerra aos anos 60)’, obra apontada como uma continuação proposital de outro clássico –‘Formação Econômica do Brasil’, de Celso Furtado.
 
‘Mas desmerecer Conceição?’, indigna-se Lessa.
 
Uma das principais referências dos economistas heterodoxos, ‘Conceição’ deu a Serra, inclusive  --lembra Lessa-- a parceria em um texto famoso. ‘Além da estagnação’, obra de 1972, tornou-se um clássico, ao decifrar a perversidade intrínseca à acumulação capitalista no Brasil, harmoniosamente integrada à concentração de renda, contratada em 1964 à ditadura militar pelas elites golpistas de então.
 
‘Desfazer de Conceição?’, escande Lessa, como se dissesse: ‘quanta indignidade’.
 
‘Ver o destino do país jogado nessa goma da qual o projeto de Serra é um espessante, me aflige’, diz a voz grave.
 
O denominador comum da ‘gosma’, na visão do economista, é a panaceia do ‘corte’. 
 
‘Cortar é tudo o que o discurso pantanoso tem a dizer sobre o nosso futuro, que assim deixa de existir’, desacorçoa.
 
Serra propõe 15 anos de retalhamentos. 
 
‘O mais risível’, detona, ‘é que a esperteza quer sempre cortar do outro, nunca de si mesmo. Chegamos a essa situação pegajosa, na qual a nação chafurda e pode se perder’.
 
Cortar o quê, de quem, como e para quê?  
 
Carlos Lessa cobra coerência nas respostas que não enxerga em nenhuma das tesouras mobilizadas para esquartejar e salgar as chances do desenvolvimento brasileiro. 
 
‘Claro que eu também quero equilíbrio fiscal’, fustiga em direção a Serra. ‘Ninguém quer ver o Brasil caminhar para o encilhamento. Mas o que falta a Serra, e outros, é coragem para admitir o óbvio’, observa agora de forma pausada e pedagógica.
 
‘Se existe um déficit você terá que equacioná-lo buscando recursos onde há superávit. Estou certo?’, pede ajuda antes de uma pausa para respirar.
 
Em seguida metralha sem piedade: ‘Quem, afinal,  é superavitário hoje no Brasil; quem?’, esgrime a pergunta com repetidas estocadas. ‘Diga-me quem?’
 
Por certo não é a família assalariada, responde o economista agora de forma compassiva. ‘Tampouco o investimento, que há anos sequer resvala a mínima necessária ao crescimento sustentável, uma taxa da ordem de 20% do PIB, pelo menos’. 
 
Depois de descartar o arrocho sobre a dívida pública – ‘uma ferramenta necessária, mas que no Brasil só cresce para pagar juro, ‘não para investir’, Lessa chega ao ponto do qual acusa Serra e outros de se afastarem covardemente.
 
‘Quem é superavitário nesta sociedade hoje, e há muito, são os bancos e os rentistas. Essa gente precisa ter brio e admitir um pacto, na forma de uma taxa,  para ajustar as contas fiscais, sem esmagar o emprego, o investimento público e os direitos sociais. Ou então afundaremos na gosma’, arremata o conferencista experiente, cujas frases hipnotizaram centenas de plateias acadêmicas e não acadêmicas por todo o Brasil.
 
Nascido em uma família da elite carioca, mas num tempo em que o futebol de rua conectava o berço rico à infância pobre da favela, Carlos Lessa não se dispensa do que cobra dos endinheirados institucionais.
 
‘Eu também acho que devo ter meus investimentos cortados para que se possa baixar a despesa do Estado com juros; hoje elas só servem para engordar a minoria e esmagar a capacidade fiscal do país’, sentencia sem concessão à hipocrisia.
 
O professor emérito da UFRJ, porém, não é ingênuo. 
 
Lessa sabe que a repactuação política para a retomada do desenvolvimento não virá da generosidade dos detentores da riqueza financeira.
 
‘Falta bom senso para o Brasil sair da gosma. A legião do ajuste, na verdade, não se interessa pelo Brasil’, desfere para em seguida adotar um tom grave: ‘Dilma sabe onde está o problema. Já demonstrou isso. O que lhe falta é coragem. Um presidente precisa saber tomar paulada e persistir: existem condições para cortar os juros. Mas é forçoso ir além da esfera técnica’, observa agora em um tom de confidência: ’Um presidente precisa abraçar a discussão política do problema, e assim abrir espaço ao protagonismo da sociedade’. 
 
O professor Carlos Lessa discorda dos que enxergam no mercado mundial uma atalho para o Brasil voltar a crescer, à margem dos seus interditos e impasses domésticos.
 
‘A globalização jaz em estado pantanoso’, avalia. Disputas e pendências históricas, no seu entender, estão sendo acirradas pela crise mundial. As tensões geopolíticas se avolumam. ‘O que vejo é a antessala de acirramentos bélicos, em uma palavra: guerra’, pontua com palpável angústia na voz.
 
O economista enxerga dois blocos em rota conflitiva: de um lado, os EUA e seus acordos transpacífico e transatlântico; de outro a China e sua diáspora de desembarques estratégicos em diferentes pontos do planeta. ‘A recuperação norte-americana fraqueja e a Europa definha’, acrescenta Lessa agregando peças ao seu painel de formações em marcha conflitiva pelo globo. ‘A Rússia está viva e quer ser o elo entre a eurásia e a Europa. Há um cheiro de pólvora no ar. Imigrantes são cerceados nas fronteiras; a extrema direita acaba de vencer na Polônia, a sexta economia da Europa... O Brasil pode se dar ao luxo de desperdiçar o mercado interno para se ancorar nessa areia movediça traiçoeira e carregada de minas?’, argui com gravidade.
 
A voz grave evidencia cansaço; a conversa precisa acabar. Não, porém, antes que esse brasileiro apaixonado pelo seu país, possa sinalizar linhas de passagem que, no seu entender, ainda resgatariam a economia da gosma espessada por ideias como as de Serra. ‘Nosso padrão de consumo melhorou inequivocamente’, pondera, ‘mas a qualidade de vida se deteriora. O país tem condições de escapar da gosma sufocante erguendo casas dignas para milhões de famílias, civilizando uma urbanização que concentrou 50% da população em 11 regiões metropolitanas conflagradas, erradicando de vez a fome na vida de nossa gente’, lista com realismo para fincar a estaca de esperança no meio da pasta disforme que desfigura seu sonho de Brasil: ‘Nada disso pressiona as contas externas. Estou falando de melhorar a qualidade de vida, gerar empregos e renda, mobilizando a única indústria realmente nacional que restou: a da construção. É isso ou a gosma; eu prefiro apostar nas possibilidades nacionais’, conclui e se despede agradecido, como se tivesse cumprido um dever: ’Obrigado’.



Carlos Lessa: Serra e a gosma que nos devora - Carta Maior

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

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Scioli não se escreve com K - Carta Maior

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Para implantar a ditadura, faça a democracia parecer uma imundície - Fernando Brito | Folha Diferenciada

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O mais impressionante na pesquisa Ibope que circulou hoje, embora no noticiárioas chamadas se voltem para os 55% que não votariam em Lula “de jeito nenhum” é que o mesmo conceito, em percentual semelhante, com diferença insignificante, se aplica a José Serra ( 54%), Geraldo Alckmin (52%), Ciro Gomes (52%), Marina Silva ( 50%) e Aécio Neves (47%).



É obvio que a rejeição a Lula, se é que é esta, é resultado de uma campanha de insultos, acusações e ataques que já completou até aniversário, sem falhar um dia sequer. Mas, margem de erro para cá, para lá ou “ajudinhas”, o fato é que metade da população foi levada a rejeitar todos os políticos de maior expressão do país.

E não é por razões ideológicas, o que explicaria rejeições consideradas altas, na faixa do 30-35%, normais em qualquer época.

Duas instituições têm papel importante nesta nesta generalização da política: a imprensa e o Ministério Público.

Semearam e regaram, diariamente, o “ninguém presta”.

O MP, esmerando-se em fuçar à procurar de irregularidades, seja das grandes, seja das miudezas, sempre com a preocupação em rebrilhar como “a esperança da Nação”, ungidos em semideuses porque passaram em um concurso público e, meritocratas, são melhores que qualquer um.

Sob o aplauso da mídia a que alimentam com a violação dos seus deveres funcionais de prudência e sigilo, transformaram ladrões delatores em oráculos da verdade e quem é citado por eles é que tem de provar inocência, isso quando adianta prová-la.

Não é apenas em grandes casos, rumorosos, nem com a ajuda do juiz Sérgio Moro e seu siderado desejo de ser o “Mãos Limpas” tupiniquim.

Chegamos ao cúmulo de verem ser movidas ações, até, contra eleitores que doaram quantias irrisórias ( 15, 30, 50, 100 reais) a candidatos, algo que só poderia ser saudado como legítimo e cívico e é apontado como crime.

Como escreveu hoje Nilson Lage, no Facebook, é efeito do “denuncismo, promoção do ódio, jornalismo de calúnia e imprensa de merda” que está nos levando ao paroxismo:

– Estamos perto do que se vayan todos, que tomou conta da Argentina depois da queda de (Fernando) De la Rúa e da semana em que o país teve três presidentes da República e nenhuma moeda.

Essa é a obra dos fanáticos, que se iniciou – sob a tolerância geral, aliás – há pouco mais de dois anos, quando se saudou a marcha dos “sem partido, sem bandeira”, de um padrão Fifa (que logo se mostraria, ironicamente, campeão em corrupção) e de uma folclórica carnavalização das manifestações políticas.

Hoje, os arreganhos fascistas que assistimos, com grupelhos provocando e agredindo atos, debates e até velórios, não são, evidente, apenas fruto disso, mas de interesses de muita gente engravatada e de bons modos.

Mas o método, este sim, é filhote do “pode tudo” que se começou a entender como legítimo quando se tratava de falar de “os políticos”, todos num saco só.

Pensando assim, não só eles ficam todos mais parecidos na mediocridade, pois se desacredita do voto, como ficamos mais perto de uma ditadura, pois se desacredita da política.

TIJOLAÇO
Para implantar a ditadura, faça a democracia parecer uma imundície - Fernando Brito | Folha Diferenciada

Pimenta: Globo mente descaradamente ao dizer que a Zelotes é para investigar compra e venda de Medidas Provisórias para o setor automobilístico

Pimenta: Globo mente descaradamente ao dizer que a Zelotes é para investigar compra e venda de Medidas Provisórias para o setor automobilístico: Edição dos telejornais da Rede Globo sobre a Zelotes é criminosa, denuncia Pimenta da assessoria ...

'Um factoide contra Lula na véspera de seus 70 anos' | Brasil 24/7

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PT fará ato de desagravo ao ex-presidente Lula | Brasil 24/7

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Alunos e professores vaiam Alckmin contra fechamento de escolas | Brasil 24/7

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Paraguaios convocam greve em solidariedade aos trabalhadores crucificados da linha 49 - Carta Maior

Tem esquerdinha anti PTista, e até mesmo petista, subestimando o que pode resultar de um golpe paraguaio no Brasil.

Paraguaios convocam greve em solidariedade aos trabalhadores crucificados da linha 49 - Carta Maior

Capitalismo e Armas: uma história de amor - Carta Maior

26/10/2015 - Copyleft

Capitalismo e Armas: uma história de amor

A violência se tornou um princípio estruturante da sociedade norte-americana, que agora começa a revelar uma guerra contra si mesma.


Mar Harris - Counterpunch

CounterPunch
Em fevereiro de 2008, eu escrevi o editorial de um jornal de Illinois intitulado "O que faz de alguém um assassino do campus?". O comentário foi motivado pelas mortes na Northern Illinois University (NIU) de cinco pessoas e 21 feridos nas mãos de um ex-aluno armado.
 
Na época, eu me lembrei da visita que fiz ao campus de DeKalb, Illinois, nos dias após o episódio de violência. Por ter sido um estudante naquela universidade anos antes, eu conhecia muito bem Cole Hall, onde o tiroteio ocorreu. Lembro do tempestuoso e frígido inverno daquele dia, enquanto dirigia para a cidade. Senti o peso da tristeza, sensação devidamente adequada à nevasca de angústia que então varria o campus.
 
Mesmo que o incidente da NIU não tenha sido o primeiro tiroteio em escolas, havia a sensação de que algo completamente fora do comum tinha acabado de acontecer. Como poderia ser de outra forma? Por mais rotineira que seja a violência armada neste país, há algo especialmente grotesco sobre o ímpeto de um suicida que atira indiscriminadamente em pessoas inocentes, independente das queixas e aflições que motivam sua mente enferma.
 
As raizes da violência 


Desde 2008 vem ocorrendo vários outros massacres igualmente deploráveis. Infelizmente, o que mais choca talvez não seja a particularidade desses assassinatos em massa, mas a sua regularidade. O que está na raiz desses espetáculos “insanos” de violência pública? A menos que nós acreditemos que um comportamento tão abominável e destrutivo seria de alguma forma inexplicável, como alguns moralistas religiosos poderiam concluir, há sempre uma explicação.
 
Ao investigar histórias dos muitos assassinos, o neurologista Jonathan Pincus escreveu em seu livro, "Base Instincts: What Makes Killer Kill", ser previsível uma combinação de doença mental, danos neurológicos e abuso infantil. Na verdade, pobreza, perda do emprego ou outros fatores estressantes da vida não são em si aquilo que tipicamente faz de alguém um assassino. É necessário que exista uma espécie de semente psicológica corrosiva que já existe anteriormente no individuo. A psicóloga e escritora Alice Miller, assim como outros autores, fazem a discussão sobre as consequências sociais do trauma infantil, identificando as feridas emocionais que muitas vezes fermentam comportamentos patologicamente violentos em adultos.
 
Como Miller descreve em seu ensaio, "The Roots of Violence", a necessidade ou impulso de matar não é resultado de uma "natureza humana" maleável per se, mas resulta de danos infligidos sobre o cérebro em desenvolvimento. "As pessoas cuja integridade não foi danificada na infância, que foram protegidas, respeitadas e tratadas com honestidade pelos seus pais, serão, tanto em sua juventude como na vida adulta - inteligentes, sensíveis e empáticos", escreve Miller. "Eles vão ter prazer na vida e não vão sentir qualquer necessidade de matar ou mesmo de machucar os outros ou a si próprios. Eles vão usar o seu poder para se defender, não para atacar os outros".
 
Em outras palavras, os assassinos são moldados. Não nascem assim.
 
Mas assassinos também não são feitos no vácuo. Essa brutalidade armada em larga escala representa um fenômeno cujo entendimento exige contextualização. Além de um histórico de abuso infantil e comportamentos violentos também estão frequentemente relacionados ao abuso de drogas e exposição crônica a ambientes violentos, como Jeffrey Swanson, uma cientista comportamental da Universidade de Duke conclui em uma recente entrevista.
 
Swanson afirma que a taxa de criminalidade nos Estados Unidos não é muito diferente daquela de outros países da Europa Ocidental, do Reino Unido, do Japão e da Austrália. Mas a taxa de homicídios é muito superior. Uma razão óbvia é a fácil disponibilidade de armas. Considere um incidente recente em Nova York em que duas jovens ficaram feridas e uma terceira foi morta fora de uma boate de Manhattan. Uma briga de fim de noite dentro do clube levou seguranças a expulsarem um jovem que estava no local local. Irritado, esse indivíduo pegou uma arma no seu carro e tentou entrar no clube, mas foi barrado. Em seguida, cruzou a fachada do clube com seu carro e atirou em um inocente. Foi relatado que o atirador tinha como alvo os seguranças que haviam entrado em confronto com ele.
 
Tais incidentes em países onde a prevalência de armas é menor do que nos Estados Unidos são apenas menos suscetíveis a terminar com sangue derramado por uma arma. Já nos Estados Unidos, incidentes mesquinhos têm mais propabilidade de se tornarem violência armada ou homicídios. Isto é completamente inesperado? De acordo com dados do governo, os Estados Unidos têm 4,4% da população do mundo, porém mais de 40% de todo armamento civil. Em 2013 havia cerca de 357 milhões de armas de fogo nesta nação de 319 milhões de pessoas.
 
Nos EUA, portar armas é um direito constitucional. No entanto, o país também é marcado por um tipo de violência desenfreada e corrosiva que se infiltra nas raízes da sociedade, aquele cujo ponto de exclamação é o acesso generalizado às armas letais. Na verdade, as manchete de assassinatos em massa são apenas a ponta do iceberg da violência armada nos Estados Unidos. Como The Washington Post relatou, cerca de 10.000 pessoas foram mortas em incidentes de violência armada nos Estados Unidos até agora só durante esse ano.
 
Algumas pessoas atribuem o agravamento dos níveis de violência armada ao crime organizado. A realidade, no entanto, é mais complexa. Na verdade, as armas têm proliferado em muitas comunidades pobres e interiores das cidades como uma consequência da política de guerra às drogas. É uma consequência de décadas de lei e de ordem a desmando dos democratas e dos republicanos.
 
Como bem explica a historiadora da Universidade de Temple, Heather Ann Thompson, em um ensaio de 2014, no The Atlantic, "Esta nova guerra às drogas criou um mercado ilegal que é perigoso e necessita que não haja uma contenção de armas e violência".
 
Em muitas comunidades urbanas vulneráveis, a Guerra às Drogas se traduz em uma realidade cotidiana de assédio racial, perseguição e matança conduzidos pela polícia. Em vez de tratar o abuso de drogas como uma questão de saúde pública, diz Thompson, fez dele um subterfúgio penal para brutalizar as comunidades urbanas.
 
O Individualismo
 
Em certo sentido, a violência armada generalizada na sociedade americana reflete o célebre individualismo da vida americana voltado contra si mesma. Em uma sociedade que oblitera os laços comunitários e o tecido de infra-estrutura social (incluindo os recursos públicos mínimos de saúde mental), devemos realmente nos surpreender quando muitas pessoas despencam dos limites dessa realidade do faz-de-conta?
 
"Quando a violência se torna um princípio estruturante da sociedade, as rachaduras da democracia norte-americana começam a revelar uma guerra contra si mesma", escreve Henry A. Giroux, da Universidade de McMaster, em um recente ensaio pro CounterPunch. Giroux está certo. Nós vivemos em uma sociedade definida e sustentada pela violência. A mesma semana em que ocorrem tiroteios em Oregon, militares dos EUA realizam ataques aéreos sobre um hospital em Kunduz, Afeganistão, que matou pelo menos 22 pessoas e feriu outras dezenas.
 
Aparentemente, nós nos acostumamos com a economia da guerra permanente e com a militarização da política externa, que podemos agora declarar o fim de guerras mesmo quando elas não acabam. Com um orçamento militar que se iguala à metade de todos os gastos militares do restante do mundo combinados, a nossa presença militar global demarca a mensagem de que a violência é a última solução para qualquer disputa. Esta é uma mensagem que, invariavelmente, se infiltra no subsolo da psique e da cultura americana.
 
Evidentemente que o direito de portar armas, previsto na Segunda Emenda, não se opõe a regulamentação razoável sobre distribuição de armamentos. Por sinal, as armas já estão sujeitas a muitos regulamentos. Ao contrário do clichê paranoico da Associação Nacional do Rifle (NRA), medidas para evitar a venda extraoficial de armas a indivíduos com histórico de violência não se resumem a um debate limitado do direito à posse de armas. Assim como inovações tecnológicas "inteligentes", que podem impedir o disparo de armas sem verificação de identidade.
 
"Uma arma é apenas uma ferramenta, tão boa ou tão ruim quanto o homem que a carrega", declarou o ator Alan Ladd, enquanto pistoleiro Shane, no clássico faroeste de 1950. Tal qual uma sociedade que chafurda num lamaçal de interminável violência, segregada por extremos de riqueza e pobreza e fundamentalmente concebida para enriquecer o 1% (ou menos) que detém a maior parte das indústrias e dos recursos da nação. Com efeito, essa realidade constitui uma forma de violência econômica contra a maioria da população trabalhadora do país, cuja rede incipiente de seguridade social e a deterioração das condições socioeconômicas servem como pano de fundo e favorecem uma epidemia de violência armada.
 
Pode-se notar que, mesmo na década de 1930, no auge da Grande Depressão, as ruas permaneceram relativamente a salvo de violência armada, pelo menos mais do que hoje. Mesmo na década de 1940, com o mundo sob as chamas da guerra, desajustados não entravam nas escolas para atirar indiscriminadamente em pessoas inocentes. Mas essas comparações só falam aos efeitos consumidores da alma que a ordem social capitalista arcaica instaurava sobre a condição humana. Os últimos cem anos constituem um dos séculos mais violentos da história da humanidade. Este fato não é relevante para qualquer discussão sobre a violência armada como uma questão de saúde pública?
 
Em certo sentido, o espectro da violência armada nos EUA é reflexo de uma sociedade atomizada e militarista que respira os fumos da democracia, insensível à violência e ao sofrimento humano e que agora tosse uma alienação e uma amargura por vezes mortal entre as fileiras dos cidadãos mais marginalizados.
 
Se existe um antídoto para essa realidade tóxica, ele será encontrado, a longo prazo, menos em novas leis ou regulamentos sobre as armas e mais na visão radical de um novo tipo de sociedade. Falo da perspectiva de uma democracia de massas genuína, como melhor encarna os ideais históricos do movimento socialista. O antídoto permanece, como sempre, no ar fresco da solidariedade social, em relações humanas enraizadas nos valores de cooperação e de carinho, na garantia das necessidades sociais e de desenvolvimento de cada criança, asseguradas desde o início da vida.
 
Tradução por Allan Brum


Créditos da foto: CounterPunch
Capitalismo e Armas: uma história de amor - Carta Maior

Para Stephen Hawking, não devemos temer máquinas ou robôs, e sim o capitalismo - Yahoo Notícias


HAWKING, UM SOCIALISTA!

Para Stephen Hawking, não devemos temer máquinas ou robôs, e sim o capitalismo


Por  | Yahoo Notícias – ter, 13 de out de 2015
Para Hawking, o destino está nas mãos dos donos dos meios de produção. (AP)Para Hawking, o destino está nas mãos dos donos dos meios de produção. (AP)
As máquinas não serão responsáveis pelo fim do mundo – e nem por uma guerra, como aquelas vistas nos filmes de Hollywood. A maior ameaça que a humanidade deve temer vem, na verdade, do dinheiro (e da ambição que ele desperta nas pessoas).
Quem disse isso foi ninguém menos que o físico britânico Stephen Hawking. Durante uma sessão de perguntas e respostas no fórum Reddit, na última quinta-feira (8), ele previu que a desigualdade econômica poderá disparar nas próximas decadas, ao passo que os empregos vão ficando automatizados, uma vez que os meios de produção serão cada vez mais controlados pelos mais ricos – e estes, por sua vez, tenderão a se recusar a compartilhar a sua riqueza.
“Se as máquinas produzirem tudo que a gente precisa, o resultado vai depender de como as coisas serão distribuídas”, explicou Hawking aos internautas.
“Todo mundo poderá desfrutar da tecnologia, do luxo e do lazer se o que for produzido por máquinas de fato for compartilhado com todos. Ou a maioria das pessoas poderá ficar miseravelmente pobre se os donos desses robôs conseguirem fazer ‘lobby’ contra a redistribuição de riqueza”, completou.
Isto é, os proprietários das máquinas se tornariam uma espécie de burguesia da nova era, em uma sociedade na qual os patrões não precisariam nem da mão de obra barata dos humanos reais. Essa tendência já é vista no mundo atual, no qual o fluxo do capital, cada vez mais financeirizado e volátil, acumula valor de maneira muito mais rápida do que o crescimento das economias mundiais.
“Até o momento, a tendência parece que será a segunda opção, com a tecnologia crescendo de forma desigual”, concluiu o físico, um dos principais cientistas modernos.

Para Stephen Hawking, não devemos temer máquinas ou robôs, e sim o capitalismo - Yahoo Notícias

A subversiva esperança no Brasil - Carta Maior

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Richa repete Alckmin e fecha escolas estaduais | Brasil 24/7

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Coletânea de textos: Lula, o melhor presidente da história do Brasil | bloglimpinhoecheiroso

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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

“A política deve ser uma atividade pública, não pode ser financiada por dinheiro privado”, diz ativista | Plebiscito Constituinte

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Quem são os agressivos fascistas? - Carta Maior

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O dia em que vi o fascismo de perto, por Daniel Valença | GGN

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Você não entenderá o Isis se não conhecer a história do wahabismo na Arábia Saudita | Alastair Crooke

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Obrigado, direita!, por Rafael Castilho | GGN

Obrigado, direita!, por Rafael Castilho

Por Rafael Castilho*
Obrigado, direita por mostrar tão nitidamente a sua face mais destrutiva e violenta.

Obrigado, direita por tornar visíveis os seus preconceitos e o desejo de restauração das velhas hierarquias.

Obrigado por deixar a olho nu o seu autoritarismo. Por mostrar o seu desprezo pelas escolhas alheias. Por desconsiderar uma visão de mundo que não seja a de vocês.

Obrigado por nos xingar de desinformados, ignorantes, acomodados, preguiçosos, corruptos. Obrigado por não nos acolher e nos deixar de fora deste camarote VIP eleitoral onde só entra quem se supõe mais esclarecido e iluminado que os outros.

Senhores reacionários, agradeço por defenderem tão explicitamente a ditadura militar e a tortura. Ficou muito mais fácil para identificar o real projeto político de vocês e encorajou muito mais as nossas escolhas.

Damos graças aos eleitores conservadores que despejam ódio nos fóruns de internet. Vocês explicitaram tudo aquilo que fica oculto numa candidatura oficial e escancararam os desejos mais inconfessáveis.

Agradecemos até mesmo as perseguições. Os ataques de fúria. As agressões físicas em praça pública aos companheiros que usavam camiseta vermelha. Foi bom que vocês fizeram isso antes da eleição. Pensando bem, até que vocês foram honestos. Normalmente as candidaturas nos afagam e depois do pleito nos enchem de porrada. Vocês não! Já nos dão mostras grátis do tamanho da opressão que iríamos sofrer. Prometem justamente o que iriam cumprir.

Obrigado direita pela Guerra Fria requentada. Por mostrar como vocês estão atrasados. Que não superaram nem o fim da escravidão, que dirá a ameaça de "golpe comunista". Obrigado por defender tão ardorosamente o neoliberalismo. Ficou mais fácil perceber qual seria o nosso futuro olhando para as grandes economias, agora decadentes, sem potencial econômico e sem vitalidade social.

Obrigado por criticarem tanto os programas sociais. Ficou fácil perceber o egoísmo e indiferença de vocês frente à fome e a miséria.

Direitona, obrigado por revelarem ao grande público estes humoristas yuppies tão ruins. Que reivindicam o direito de fazer piada sobre qualquer barbaridade, violência e exploração. Por serem emissários, através de suas "piadas", do preconceito e do servilismo de vocês. Por não deixarem oculto o desejo de reestabelecer os velhos privilégios e colocar novamente os negros, as mulheres, os gays e os pobres em seu "devido lugar".

Obrigado por resgatarem alguns antigos "astros do rock". O problema é que eles ressurgiram meio carcomidos e caquéticos. Fazendo Cover de si mesmos. Muito bobos e imaturos, mas foi legal perceber como a mídia pode colocar as pessoas no esquecimento ou dar uma canja final, desde que os palhaços estejam dispostos a servir o rei.

Obrigado, direita pelas machetes, noticias e capas escandalosas. Por não deixar nenhuma dúvida que não há nada na velha imprensa que não seja entreguismo e interesses corporativos.

Aliás, obrigado por divulgarem em capa aquela foto da Dilma presa, encaminhada para a tortura nos porões da ditadura. Eu sei que a intenção de vocês era escandalizar a sociedade e causar pânico. Mas vocês humanizaram ainda mais a figura da presidenta. Mostraram ao grande público uma Dilma jovem, corajosa e combativa, que inspira milhões de pessoas que não se conformam diante da injustiça. Agora, aquela imagem ficou eternizada e se tornou uma grande bandeira.

Por tudo isso que foi dito, agradecemos muito a direita!

Seremos eternamente gratos por não nos roubar ilusões e fazer com que a gente entenda de uma vez por todas que não se pode confiar em vocês nem um tantinho assim, nada!

Porque nunca estivemos tão unidos e tão fortes. Porque a truculência de vocês nos mobilizou e nos fez agir.

Vocês aproximaram todos aqueles que não fecham com este discurso violento, rancoroso, preconceituoso, homofóbico e cruel.

Nos unimos num fraterno abraço. Um abraço tão gostoso que promete durar décadas.

Dessa vez, o crédito pela vitória não será de nenhuma aliança espúria com vocês. Pois vocês tiveram que arrancar a máscara, sujar a mão de graxa para no final das contas engolir mais uma derrota.
*Rafael Castilho é sociólogo da FESPSP, Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais e em Gestão Pública pela FESPSP. É Consultor e Coordenador de Projetos da FESPSP.
Obrigado, direita!, por Rafael Castilho | GGN