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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Uma justiça para a família Vaccari. Outra para a família Cunha - Carta Maior

O JUIZ FARSANTE

26/10/2015 - Copyleft

Uma justiça para a família Vaccari. Outra para a família Cunha

Por que Sérgio Moro pediu a prisão da cunhada do petista com base em uma falsa imagem e mantém livre a esposa de Cunha, titular de contas ilegais na Suíça?


Najla Passos

ABr e internet
Coordenadora financeira do Centro Sindical das Américas, Marice Corrêa de Lima estava no Panamá, participando de um congresso da entidade, no dia 15 de abril deste ano, quando tomou ciência de que sua prisão temporária havia sido decretada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Foi quando ela soube também que seu cunhado, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, havia sido preso e sua irmã e esposa dele, Giselda de Lima, cumprira mandado de condução coercitiva. 
 
Dada como foragida, Marice só soube das provas que pesavam contra ela dois dias depois, quando retornou ao país e se apresentou espontaneamente à Polícia Federal: o Ministério Público Federal (MPF) a identificou como a mulher que aparecia em imagens cedidas pelo Banco Itaú efetuando depósitos na conta de sua irmã, Giselda, em duas agências da capital paulista. Foi o suficiente para o juiz Sérgio Moro acatar a tese de que ela estaria ajudando Vaccari a lavar o dinheiro oriundo da corrupção.  
 
No dia 20, o MPF chegou a pedir a conversão da sua prisão temporária em preventiva, para que ela ficasse detida por tempo indeterminado. "Tudo indica que Giselda [mulher de Vaccari] recebe uma espécie de 'mesada' de fonte ilícita paga pela investigada Marice, sendo que os pagamentos continuam sendo feitos até março de 2015. Nesse contexto, a prisão preventiva de Marice é imprescindível para a garantia da ordem pública e econômica, pois está provado que há risco concreto de reiteração delitiva", sustentaram os procuradores.
 
Marice negava. Mas o juiz Sérgio Moro estendeu a prisão temporária dela, que vencia no dia 20, por mais cinco dias. Ele teve que voltar atrás no dia 23, liberar a investigada e reconhecer o erro primário: uma perícia feita pela PF comprovou que não era Marice que aparecia nas imagens, mas a própria Giselda. A frágil prova jurídica apresentada pelo MPF, acatada pelo juiz e amplamente divulgada pela imprensa caíra por terra. “Elas são muito parecidas”, desculparam-se procuradores e juiz. 
 
Dois pesos e uma medida
 
Situação bem diversa vive a família do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também acusado de envolvimento no mesmo esquema da Petrobrás, investigado pela mesma Operação Lava Jato. No dia 20 de agosto, a Procuradoria Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de investigação contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de receber pelo menos US$ 5 milhões em propinas de uma empresa contratada pela estatal. 
 
Na denúncia, a PGR pede que ele seja condenado por dois crimes de corrupção passiva e 60 operações de lavagem de dinheiro. Isso mesmo: 60 operações de lavagem de dinheiro.  E não se tratam de depósitos fracionados em agências bancárias do Itaú, aqui mesmo no Brasil, mas de um esquema sofisticado que envolve contas em paraísos fiscais, empresas offshores e até a utilização de doações à igreja Assembleia de Deus de Madureira, no Rio de Janeiro, frequentada por Cunha. 
 
Quatro das contas utilizadas por Cunha e seus familiares estão registradas no banco suíço Julius Baer. Três delas em nome de empresas offshores ligadas diretamente ao presidente da Câmara. Uma quarta aparece com o nome fantasia KOEK, mas um dossiê encaminhado pelo Ministério Público Suíço às autoridades brasileiras comprova que sua titular é a ex-apresentadora da TV Globo, Cláudia Cruz, esposa de Cunha. Uma das filhas do casal é registrada como dependente. Conforme o MP suíço, as quatro contas registraram entrada de cerca de R$ 31,2 milhões e saídas de R$ 15,8 milhões, entre 2007 e 2015, em valores corrigidos.
 
A conta movimentada por Cláudia vem sendo usada para sustentar, com o dinheiro da corrupção, alguns luxos pouco comuns à imensa maioria dos brasileiros. De janeiro de 2013 a abril de 2015, ela cobriu US$ 525 mil em débitos de um cartão de crédito. Outros US$ 316,5 mil foram destinados ao pagamento de um segundo cartão, em quatro anos. Uma famosa academia de tênis da Flórida, a IMG Academies, recebeu US$ 59,7 mil do montante. A família destinou US$ 8.400 à escola inglesa Malvern College e transferiu US$ 119,7 mil para a Fundacion Esade, da Espanha.  
 
O processo contra Cunha foi parar no STF porque ele tem direito a foro privilegiado, o que não é o caso de Cláudia. As investigações contra ela, se é que já foram transformadas em denúncia, continuam na justiça comum, ou seja, nas mãos de Sérgio Moro, aquele rápido o suficiente para mandar prender a cunhada de Vaccari antes de saber se era ela, de fato, nas imagens que sustentavam a decisão. 
 
O curioso é que mesmo com todas as provas enviadas ao Brasil pelas autoridades da Suíça, não se tem notícia de que ele sequer a tenha convocado para depor. Antes da PGR receber o dossiê do MP suíço sobre o casal, nenhuma acusação contra ela foi vazada para a imprensa. Será que o juiz que decretou a prisão da cunhada de Vaccari no afogadilho, com base em imagens que nem eram delas, não quer se arriscar a incomodar a mulher do poderoso chefe da Câmara?
 
Debate jurídico
 
Os erros, atropelos e excessos cometidos no âmbito da Operação Lava Jato têm suscitado um amplo debate jurídico no país. Há quem aplauda e quem condene o estilo do juiz Sérgio Moro de conduzir o processo. O que ninguém discorda é que - para usar um termo que se tornou bastante usual no mundo jurídico desde o chamado mensalão – ele esteja “inovando” em matéria legal. E o caráter seletivo de suas ações é, sem dúvida alguma, parte fundamental desta “inovação”. 
 
Em palestra na capital norte-americana, no último dia 19, o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, declarou que a Lava Jato é uma “revolução” no país. “As investigações têm sido muito bem conduzidas. Nós temos algumas sentenças, sentenças muito duras, alguns dos altos executivos do Brasil já foram condenados a passar 15 ou 20 anos na cadeia. É realmente algo novo", disse ele. 
 
Mas há também quem conteste o estilo Moro. No dia 10 de outubro, em seminário promovido pela OAB, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Sebastião Reis, criticou duramente a banalização de uma das principais “inovações” introduzidas pela operação: a utilização da delação premiada como jamais visto antes no país. “A delação está sendo banalizada. Tem mais colaborador do que réus na ‘lava jato’”, afirmou.
 
Ele também destacou que o instrumento gera seletividade nas condenações. “O Estado está abrindo mão do direito de punir em troca da condenação de três, quatro pessoas”, ressaltou. E condenou o vazamento seletivo das delações para a imprensa que, segundo ele, prejudica a defesa dos citados e pressiona os juízes que atuam no caso a condenarem os acusados.
 
Uma pesquisa realizada pela revista Consultor Jurídico e divulgada no último dia 15 mostrou que todas as delações firmadas no âmbito da Lava Jato violam a Constituição e as leis penais. A revista analisou 23 acordos homologados por Moro e descobriu que eles preveem, por exemplo, que nem mesmo os advogados de defesa tenham acesso às transcrições dos depoimentos do delator, que ficam restritas ao Ministério Público Federal e ao juiz, o que viola o principio do contraditório e o direito à ampla defesa. 
 
O estudo também mostra que os acordos impedem os delatores contestarem suas sentenças judicialmente, o que viola o direito de ação (artigo 5º, XXXV), que assegura que nenhuma lesão ou ameaça a direito pode ser excluída da apreciação do Judiciário. E ainda que, tal como o Ato Institucional nº 5, editado durante a ditadura militar, os acordos da Lava Jato vedam completamente aos réus a possibilidade de impetração de habeas corpus, entre outras críticas apontadas.
 
Operadores do direito têm criticado também a mão pesada e seletiva do juiz Sérgio Moro para determinar prisões, ainda que de forma diferente para os diferentes envolvidos,  no país que vive o dilema de possuir a quarta maior população carcerária do mundo e desrespeita com frequência as garantias individuais previstas pela própria Constituição. Não por acaso, por conta da sua atuação na Lava Jato, Moro virou o garoto-propaganda de um projeto de lei apresentado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) ao Senado que prevê a prisão de réus condenados em 2ª instância antes mesmo da conclusão do devido processo legal. 
 
Em audiência pública realizada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para debater a proposta, ele foi rechaçado por seus pares, que defenderam é possível avançar no combate à corrupção sem reduzir as garantias individuais previstas na Constituição. No debate, o juiz Rubens Casara, especialista em direito processual penal, que citou diretamente a Lava Jato ao operar suas críticas ao projeto defendido por Moro, lembrou que tanto no fascismo clássico italiano, quanto no nazismo alemão e no stalinismo soviético, a presunção de inocência foi relativizada. 
 
O magistrado não tocou no episódio que envolveu Marice e nem em nenhum outro, mas sustentou que a presunção da inocência é importante porque os juízes erram muito e por motivos diversos. Entre eles, citou, inclusive, a pressão da mídia e o medo de serem tarimbados como “petralhas”. “Falta coragem para decidir contra a opinião pública, que muitas vezes não passa da opinião publicada pela imprensa”, ressaltou. 
 
Elmir Duclerc Ramalho Junior, promotor na Bahia e professor de direito processual penal, reforçou que o projeto - inspirado na atuação de Moro na Lava Jato – está impregnado pelo autoritarismo. “Há uma tendência autoritária perigosa que lembra, sim, períodos autoritários da história da humanidade”, afirmou. Ele destacou que a população carcerária brasileira cresceu 16 vezes mais do que a população do país. “Não há malabarismo hermenêutico possível para dizer que não há a incorporação de um pensamento autoritário neste projeto”, disse. 
 
Professor de Criminologia da Faculdade de Direito da USP, Maurício Stegemann Dieter fez uma das críticas mais agressivas ao projeto e ao seu garoto-propaganda. De acordo com ele, o projeto está centrado em uma espécie de “populismo midiático”, que dispensa o conhecimento científico para se calcar no senso comum. Ele lembrou que nunca se prendeu tanta gente na história do país, inclusive gente do andar de cima, como políticos e donos de empreiteiras. Por isso, ele classifica como delírio a premissa que embasa o projeto e o discurso de  Moro: a de que o “Brasil é o país da impunidade”.  
 
Um quase epílogo
 
No dia 20 de setembro passado, João Vaccari Neto foi condenado por Moro a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, pelo recebimento de pelo menos R$ 4,26 milhões em propina de contratos da Petrobras. Mas como os processos da Lava Jato correm em segredo de justiça e a imprensa só tem acesso ao que convém para seus condutores, ainda é difícil saber se há, de fato, provas contra Marice e Giselda, como sustentava o MPF em abril deste ano. 
 
Pode ser que sim. A revista Veja, um dos veículos presenteados com vazamentos seletivos do processo, diz que, entre 2008 e 2014, entraram R$ 322,9 mil na conta de Giselda, em vários depósitos parcelados. Segundo O Estado de S. Paulo, outro destinatário dos vazamentos seletivos, Marice teria recebido, em dezembro de 2013, propina da empreiteira OAS, alvo da investigação sobre corrupção e desvios na Petrobrás. Mas ambos os veículos também disseram que Marice era a mulher que aparecia fazendo depósitos nas agências do Itaú. Então, fica difícil ter certeza de qualquer coisa.
 
Mesmo atolado em denúncias de corrupção, manobras e desmandos de todo tipo, Cunha continua presidindo a Câmara dos Deputados do país. É o segundo na linha de sucessão da presidenta Dilma Rousseff e o homem que irá decidir se o parlamento acolherá ou não seu pedido de impeachment, como pleiteia a oposição.  O processo contra ele continua a tramitar no STF, agora sob sigilo. Partidos como o PSOL, Rede, PT e PSB já pediram a cassação do seu mandato, mas ele se recusa, inclusive, a deixar a presidência da Câmara. De Cláudia Cruz, não se tem nenhuma noticia. Continua livre, leve e solta.
 


Créditos da foto: ABr e internet




Uma justiça para a família Vaccari. Outra para a família Cunha - Carta Maior

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Por que cervejeiro é empresário e dono de “boca de fumo” é traficante?

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SUS faz mais e melhor com menos recursos que a saúde privada

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Ricardo Rodrigues Teixeira é médico.
Prof. do Dpto de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP.
Nova pesquisa DataFolha indica (publicada na Folha de São Paulo do dia 13 deste mês), mais uma vez, a péssima avaliação da saúde no país. Mas há aspectos importantes dessa pesquisa que, ao apresentar e analisar os dados, o jornal Folha de São Paulo faz contorcionismos para ocultar. Por exemplo, que a saúde privada é pior avaliada que o SUS. Vejamos.
Lendo os dados divulgados notamos que seis em cada dez brasileiros (ou seja, 60%), acham a saúde péssima. Quando só se avalia apenas o SUS, o numero cai para 54% de péssimo.
Quando se avalia a “saúde em geral”, 24% dá nota zero; quando se avalia apenas o SUS, 18% dá nota zero.
A matéria evita comentar (mas pode ser lido nos dados que disponibiliza) que 2% dá nota 10 para a “saúde em geral” e 3% dá nota 10 quando se avalia só o SUS.
E a diferença mais notável: 11% dá nota maior que 7 para a “saúde em geral” e 18% dá nota maior que 7 para o SUS.
Conclusão óbvia, cuidadosamente evitada pela Folha na análise dos resultados: a saúde privada puxa significativamente a avaliação da “saúde em geral” para baixo!
Mas, excetuando o esclarecimento no primeiro parágrafo de que o levantamento envolve a rede pública e privada, no resto da matéria a expressão “saúde privada” nem é mencionada. A comparação é sempre entre a “saúde em geral” e o SUS. Afinal, o objetivo é sempre o mesmo: associar a “péssima avaliação da saúde” ao nome SUS e evitar, a todo custo, de associá-la ao setor privado, mesmo quando é ele que mais contribui para a má avaliação da saúde no país.
Se fosse um jornalismo sério e honesto, lembraria ainda o quanto o setor privado gasta para prestar um mal atendimento a 25% da população (parcela aproximada da população brasileira que tem plano de saúde privado e que gasta 52,5% de todos os recursos gastos com saúde no país, segundo dados recentes da Organização Mundial de Saúde; ou ainda, cerca de R$ 2.200 per capita) e o quanto o setor público tem de recursos para dar atendimento a 83% da população (percentual que referiu ter utilizado o SUS segundo dados deste levantamento do DataFolha) e garantir a saúde coletiva através de medidas que beneficiam indistintamente toda a população (vacinas, vigilância epidemiológica etc.) e, mesmo assim, conseguir ser melhor avaliado (47,5% do total de recursos gastos com saúde no país ou aproximadamente R$ 1.000 per capita).
Outro fato que se pode deduzir dos dados, e que também não é destacado pela Folha, é que se 25% têm plano de saúde e 83% utilizaram o SUS, então o SUS acaba sendo utilizado por muita gente que tem plano de saúde. E aí, se fosse um jornalismo sério e honesto, ela também faria questão de destacar o conhecido calote que os planos de saúde aplicam no SUS, referente aos atendimentos de urgência e emergência, ao tratamento de câncer, transplantes, hemodiálise, entre outros, que os planos negam cobertura e o SUS acaba assumindo (apenas 25% dos valores devidos são ressarcidos ao Sistema Único de Saúde, dessa parte 20% se perde com recursos da justiça, tramitação, prescrição etc.).
Explicitar esses dados reais daria ainda maior dramaticidade à melhor avaliação do SUS comparada à avaliação geral da saúde no país. E nesse caso, a chamada mais justa para matéria seria: “SUS faz mais e melhor com menos recursos que a saúde privada”.
Mas, aparentemente, este jornalismo não é sério nem honesto. Ele não pode ser quando tem compromissos claros com os setores que fazem da saúde um lucrativo ramo de negócios e não um bem público e um direito universal.
Fonte: Carta Maior
SUS faz mais e melhor com menos recursos que a saúde privada

Putin explica como os EUA criaram o ISIS (Estado Islâmico) « Sul21

DESMASCARA E PÕE A NU A POLÍTICA DE PROMOÇÃO DO CAOS NA SÍRIA PELOS EUA.



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Argentina: Scioli venceu o primeiro turno e enfrentará Macri no segundo - Carta Maior

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O litígio Bolívia-Chile em Haia | Mundo | O POVO Online

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Pensava que o exército sírio estava morto? Dê uma olhada agora - Carta Maior

Essa é a Rússia que à frente da URSS, garantiu por muito tempo a soberania de Cuba. Que serviu de contra peso ao Imperialismo norte americano no período que se convencionou chamar de "Guerra Fria". Sua retirada do Afeganistão  significou Pensava que o exército sírio estava morto? Dê uma olhada agora - Carta Maior

Rui Falcão, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) | RedeTV! - É Notícia

Excelente entrevista do presidente do PT Rui Falcão. la libertação dos companheiros presos arbitrariamente na Operação Lava Jato. E o José Dirceu não é um problema do José Dirceu, como deu a entender o presidente Rui Falcão.  Não sei qual o grau da relação de Dirceu com o PT. S e ainda permanece e considerasse petista. Mas se está na situação em que está, com suas atividades privadas de profissional liberal que é, profundamente abaladas e provavelmente comprometidas, foi devido à sua atividade pública. E esta se deu nesse período, integralmente no PT, do qual é um dos fundadores. A elite quer destruir Dirceu pessoalmente. Deixá-lo a míngua, depois de desmoralizá-lo e expô-lo a um Bullying coletivo. E é nessa hora que muitos que por anos a fio o trataram amigavelmente por companheiro, vão lhe dar as costas, o negarão pela terceira vez?

Rui Falcão, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) | RedeTV! - É Notícia

Uma aventura para orgulhar o Brasil - TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”





Uma aventura para orgulhar o Brasil

desafio
Não é novo, tem quatro anos.
Mas me passou e deve ter passado a muita gente despercebido.
O documentário dirigido por Rodrigo Astiz e Marcello Bozzini, produzido pela Mixer para o Discovery Channel é algo que deve ser assistido e divulgado nestes tempos em que tentam reduzir a Petrobras a um amontoado de corruptos e ineptos.
É a prova que a nossa maior empresa vai sacudir a poeira que alguns de seus ex-integrantes atiraram sobre ela e continuar a ser a grande ferramenta de libertação econômica do Brasil.
Com narrativa técnica que não esconde a emoção dos homens e mulheres que tornaram possível descobrir e explorar em tempo recorde a maior jazida de petróleo do novo século.
Assista, chame a família para ver.
A TV brasileira não fez nada parecido, como era de seu dever.
Mas está aí, jorrando 1 milhão de petróleo por dia e crescendo a cada mês.
Coisa de gente que acredita no Brasil, coisa que irrita os que nos querem eternamente uma colônia.

Uma aventura para orgulhar o Brasil - TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

domingo, 25 de outubro de 2015

Direito de resposta é aprovado na Câmara - Carta Maior

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DE TUDO UM POUCO: Um ano da reeleição de Dilma e 70 de vida de Lula

DE TUDO UM POUCO: Um ano da reeleição de Dilma e 70 de vida de Lula: Por L.E.Cartaxo de Arruda Jr , Memorialista e Diretor de Comunicação do MOVASE e Fátima de Deus, Professora e Ati...

Quem foi o terrível Amin al Husayni, a quem Netanyahu atribui o Holocausto? - Carta Maior

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Eleições na Argentina: o que é que está em disputa? - Carta Maior

23/10/2015 - Copyleft

Eleições na Argentina: o que é que está em disputa?

Continuar com o legado de Néstor e Cristina significa continuar derrubando os mitos e crenças preparadas pelas elites e pelos tecnocratas internacionais.


Amílcar Salas Oroño e Lucio Salas Oroño

wikimedia commons
Neste domingo, 25 de outubro, acontecem as eleições presidenciais argentinas. Há boas possibilidades de que tudo seja resolvido no mesmo dia, já que sistema eleitoral determina duas alternativas de triunfo já no primeiro turno: se um candidato obtém mais de 40% dos votos, desde imponha uma diferença de mais de 10% sobre o segundo colocado – ou se um candidato consegue mais de 45%, sem depender de nenhum outro fator. Todas as pesquisas de opinião apontam que uma vitória de Daniel Scioli, candidato da Frente para a Vitória (FpV), já no primeiro turno é um cenário possível, embora a margem de erro não permita considerá-la uma certeza.
 
Scioli é um dirigente que integra a FpV desde o seu princípio. Em 2003, foi eleito vice-presidente, junto com Néstor Kirchner. Em 2007 e 2011, foi eleito e reeleito governador da Província de Buenos Aires. Ele tem outro perfil e carisma que os Kirchner. Em suas palavras e em seus atos se constata uma fidelidade à tradição do peronismo.
 
Entre os concorrentes opositores estão o conservador Mauricio Macri, um empresário neoliberal, ex-presidente do Boca Juniors e prefeito da Cidade de Buenos Aires, cujos assessores econômicos se assemelham bastante a Pedro Malan, Elena Landau e companhia, e Sergio Massa, um político cujo perfil pode ser definido como uma versão argentina do PMDB: dono de uma moral sinuosa e disposto a reivindicar todo tipo de interesses específicos.
 
Mais Estado e mais mercado
 
O que está em disputa é uma orientação geral do processo político, econômico e cultural. A continuidade do que foi feito durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner, significa administrar derrubando os mitos e crenças preparadas pelas elites e pelos tecnocratas internacionais. Por exemplo, acabar com o mito da autonomia do Banco Central permitiu regular o mercado cambial, fazer uso de suas reservas para o pagamento da dívida externa e orientar parte do crédito outorgado pela banca privada às atividades produtivas.
 
Nestes 12 anos, o Estado tem atuado na regulação dos preços relativos, promovendo as exportações industriais e principalmente o consumo interno. Essa política de “mais Estado e mais mercado” é o que permitiu que o poder de compra dos argentinos tenha aumentado, apesar da inflação. Também contribuiu para isso o estabelecimento de um salário mínimo anual – o mais alto em dólares e capacidade de compra da região –, as convenções de trabalhadores para negociações paritárias anuais de fixação dos salários – das 5 realizadas em 2003, se passou a 1,3 mil em 2015 –, no mesmo período em que o desemprego caiu de 25% a 7%.
 
A indústria argentina gerou ao menos 3 milhões de postos de trabalho nesta última década, e viu entrar em funcionamento centenas de novos parques industriais disseminados por todo o país. A expansão das pequenas e médias empresas foi fundamental para aumentar a criação de empregos, assim como a diminuição da estrangeirização, com a nacionalização de algumas das grandes empresas públicas que foram privatizadas nos Anos 90: Correios, as empresas de serviços de água e saneamento, a Aerolíneas Argentinas e, fundamentalmente, a YPF (sigla em espanhol para Jazidas Petrolíferas Fiscais).
 
Por sua parte, o que fariam Macri ou Massa? Eles mesmos disseram durante a campanha: se desprender dos ativos “ociosos” do Estado, “equilibrar as contas fiscais”, “garantir a confiança dos investidores”…
 
Durante os governos kirchneristas, foi estabelecida a Bolsa Universal por Filho (AUH, por sua sigla em espanhol), o principal programa de proteção social do país, que ajuda a desempregados e trabalhadores informais. Atualmente, o país entrega quase 3 milhões de AUHs por mês. Para dar continuidade ao programa – a bolsa é entregue desde a gravidez até os 18 anos dos filhos –, se criou o Plano Progredir, que subsidia jovens entre 18 e 25 anos, para que continuem seus estudos.
 
Também foi lançado o Plano Procriar, para que os setores médios pudessem construir ou melhorar suas casas, enquanto continuam as construções de novas moradias sociais para os setores de baixa renda. Foram construídos 2 mil escolas em todo o país e se criaram 15 universidades nacionais novas. Graças às sucessivas moratórias por falta de recursos, 97% dos argentinos maiores de 65 anos estão aposentados, recebendo mensalmente uma quantia que por lei nacional, é ajustada duas vezes por ano.
 
Foram criados ou reciclados centenas de centros culturais em todo o país – em muitos casos, velhas salas cinematográficas – as produções teatrais e cinematográficas foram apoiadas ativamente, fazendo de Buenos Aires a cidade de fala espanhola com mais apresentações. Se recuperou o conceito de turismo social, quase gratuito, e se promoveu o turismo interno – sem diminuir o turismo regional: o Brasil continua sendo o principal destino turístico dos argentinos.
 
Integração ou dependência
 
Desde o começo do seu projeto, a FpV promoveu a ideia da integração entre seus líderes e militantes de origem não peronista. Entre os candidatos que se apresentam nesta eleição pela FpV há dirigentes vindos da União Cívica Radical (UCR), socialistas, comunistas, independentes e das diferentes variantes do próprio peronismo.
 
Neste 12 anos, a liberdade de imprensa foi respeitada como de forma paciente na Argentina – apesar da disputa contra as corporações midiáticas, que se transformaram na verdadeira oposição política do país. Não houve intervenção do Poder Executivo em nenhuma província. As decisões parlamentárias sempre foram respeitadas, mesmo nos tempos em que a FpV ficou em minoria. Também se garantiu a autonomia do Poder Judicial, que, em muitas oportunidades foi abertamente hostil ao kirchnerismo.
 
Houve uma integração política e territorial, com uma visão federal do processo histórico: dezenas de milhares de quilômetros de estradas construídas, o dobro das pistas existentes até 2003, a reparação de vias e a compra de material para as ferrovias – que estavam totalmente abandonadas –, além da recuperação da Aerolíneas Argentinas, que agora voa diariamente a todas as capitais de províncias – estabelecendo entre elas pontes aéreas que já não passam pela cidade de Buenos Aires. A integração nacional permitiu o florescimento saudável da identidade nacional. Como disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante o funeral de Néstor Kirchner: “ele foi quem devolveu a autoestima aos argentinos”.
 
A integração econômica regional é de ainda maior importância estratégica. A FpV e seu candidato estipularam que a relação com o Brasil e os países do Mercosul é vital para o seu próprio destino. A poucos dias do aniversário da histórica decisão tomada em conjunto por Hugo Chávez, Lula e Néstor Kirchner, de terminar com a ALCA – em Mar del Plata, em novembro de 2005 –, Scioli reafirmou essa orientação fundamental, sustentando que só a partir de um Mercosul fortalecido se poderá, eventualmente, serem desenvolvidas relações frutíferas com a União Europeia. O candidato da FpV estabeleceu relações pessoais com todos os líderes regionais e já recebeu o apoio do governo venezuelano, dos ex-presidentes Lula e Pepe Mujica, da presidenta Dilma Rousseff e do mandatário equatoriano Rafael Correa.
 
O que se pode dizer a respeito de Mauricio Macri e Sergio Massa? Os telegramas do Wikileaks revelam que ambos são visitantes habituais da Embaixada dos Estados Unidos, bastante habituais, além de serem abertamente partidários de uma aproximação com a Aliança do Pacífico, e de uma economia argentina que deve “se abrir ao mundo” – o que deve ser lido também como se fechar para a região.
 
No fim das contas, os termos das disputas eleitorais na América Latina continuam sendo bastante similares desde que Hugo Chávez deu o pontapé inicial do novo ciclo político, em 1998. Neste domingo, a Argentina não será uma excepção.
 
Amílcar Salas Oroño é um cientista político argentino.
 
Lucio Salas Oroño é escritor argentino.
 
Tradução: Victor Farinelli



Créditos da foto: wikimedia commons
Eleições na Argentina: o que é que está em disputa? - Carta Maior

Conheça as diferenças entre monografia, dissertação e tese | Canal do Ensino | Guia Gratuito de Educação

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sábado, 24 de outubro de 2015

Lula, a estudantes do Piauí: a educação é a maior herança

Lula, a estudantes do Piauí: a educação é a maior herança

Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Uma grande verdade o que diz Lula. Não dá mesmo. Mas já faz tempo que não. Embora retardada, é o início de uma reação. No entanto, temos de nos perguntar, foi correto silenciar por tanto tempo? Foi correto, deixar  os companheiros largados á própria sorte e assistir passivamente ao seu suplício na jaula dos leões?

Não foi tanto culpa de Lula, talvez não tão diretamente como se pode pensar, dado a posição sensível que ocupava e continua ocupando. Mesmo assim, arriscou em alguns momentos após o mandato, tecer críticas à AP 470. Mais do que a Lula ou a Dilma, cabe ao partido defender seus militantes, dirigentes ou não, diante de qualquer situação até onde sejam defensáveis. Não se chegou nem perto dessa situação e o PT, refiro me à direção principalmente,  jogou pra escanteio todo o sentido da palavra COMPANHEIRO.





Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

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Uma grande verdade o que diz Lula. Não dá mesmo. Mas já faz tempo que não. Embora retardada, é o início de uma reação. No entanto, temos de nos perguntar, foi correto silenciar por tanto tempo? Foi correto, deixar  os companheiros largados á própria sorte e assistir passivamente ao seu suplício na jaula dos leões?

Não foi tanto culpa de Lula, talvez não tão diretamente como se pode pensar, dado a posição sensível que ocupava e continua ocupando. Mesmo assim, arriscou em alguns momentos após o mandato, tecer críticas à AP 470. Mais do que a Lula ou a Dilma, cabe ao partido defender seus militantes, dirigentes ou não, diante de qualquer situação até onde sejam defensáveis. Não se chegou nem perto dessa situação e o PT, refiro me à direção principalmente,  jogou pra escanteio todo o sentido da palavra COMPANHEIRO.





Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Ciddad de São Paulo: Prefeito Haddad eleva piso e abre 3,5 mil vagas de professor | bloglimpinhoecheiroso

Coerente com a capacidade de pagamento da maior capital do país. Alckimin não considera isso em sua política educacional.



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Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior

18/10/2015 - Copyleft

Iraque Ano Zero: Como destruir um país

O filme mostra as consequências dessa invasão americana no dia-a-dia. Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema.


Léa Maria Aarão Reis*

A penúltima imagem seguida da noite da tela negra e de um tiro seco, no filme do monumental documentário de quase seis horas (dividido em duas partes), Terra Natal/Iraque ano Zero: Antes da Queda e Depois da Batalha, do cineasta franco-iraquiano Abbas Fahdel, é um soco no rosto do espectador. Tão violenta a situação filmada, que o diretor, depois daquele instante trágico, durante dez anos não conseguiu tocar no material com o qual filmou a sua própria família, em Bagdá, a partir de fevereiro de 2000. 


Agora, depois de recusado por exibidores e produtores europeus pela sua duração fora dos padrões comerciais, o filme de Fahdel inicia, enfim, um circuito de apresentações em festivais. Em Tribeca, em Nyon, na Suiça, Locarno e em três sessões,  na Mostra Fronteiras, no Festival do Rio, este mês. Homeland está sendo mostrado também no New York Film Festival. Na primavera de 2016 estreia na França com distribuição da produtora árabe Nour.
 
No Festival de Tribeca foi recebido como “documentário fundamental para se compreender o Oriente Médio do passado e do presente.%u20B Não é preciso mostrar uma vez mais o que a gigantesca máquina de guerra norte-americana é capaz de fazer. Para isso existe o jornalismo, as séries de televisão e os filmes de Brian de Palma, Kathryn Bigelow e Clint Eastwood que parecem frívolos diante de Terra Natal,” escreveu o crítico Victor Guimarães, durante o Festival de Nyon.
 
Sem narração em off nem comentários de qualquer espécie, até para preservar a segurança familiar, a primeira parte, Antes da Queda, antecede a invasão americana. Foi realizada durante a censura feroz da ditadura de Saddam Hussein. As imagens dessas crônicas familiares de Fahdel têm uma força tal que levam o espectador a acompanhar, escorregando para ela até desapercebido, a vida cotidiana sem maquilagem e quase nada conhecida, de uma família - a do diretor - de classe média, da capital do Iraque, culta, educada, bem posta, de intelectuais, profissionais liberais, moças e rapazes estudantes universitários, originada da cidade de Hit, cerca de 150 quilômetros de Bagdá, à beira do Eufrates – ocupada atualmente pelo exército do Estado Islâmico.
 
Abbas Fahdel aposta na alegria de viver, nessa primeira parte, apesar da vida difícil, e rejeita o sentimentalismo. Não há uma nota musical na trilha sonora que seja externa à cena. Tudo é aparentemente tranquilizador na confortável casa com chão forrado de tapetes. As mulheres trabalham na cozinha, o fogareiro no meio da sala aquece, a televisão ligada (e censurada) nos seguidos discursos ridículos de Saddam. O terraço árabe, o pomar do vizinho, a sombra das macieiras, a placidez. Mas os takes insistentes no relógio de mesa parecem lembrar que o tempo está se esgotando para mais uma guerra começar, depois das guerras do Irã e do Golfo – é fevereiro de 2002.  
 
Um dos sobrinhos de Fahdel assume o protagonismo. Menino de 12 anos, carismático, perspicaz e inteligente, amadurecido antes do tempo, Haydar será um fio condutor, no filme, de várias situações apresentadas: na feira, no mercado, no sebo de livros antigos, nas férias com os colegas em Hit. A nova guerra que está por vir não assusta. ”Guerra é o nosso destino,” diz um professor cujo parco salário de 15 dólares em escolas na capital o faz retornar para trabalhar na propriedade da família, em Hit.
 
Lá, galos cantam nos jardins e os meninos brincam no Tigre. Judeus convertidos ao islamismo na década dos anos 80 são entrevistados. Outros, comunistas declarados, também. “A vida era melhor antes do petróleo”, diz um. “O embargo (N.R. econômico) já uma guerra,” diz outro, comentando a falta de medicamentos, o racionamento de alimentos e os estoques de pão e cestas básicas distribuídas pelo governo que começam a serem providenciados (mais uma vez) pelas famílias. 
 
Um comunista, na segunda parte, lembra: Saddam converteu o povo iraquiano em uma multidão de esquizofrênicos. A censura fazia com que a pessoa fosse uma no trabalho e outra em casa; uma pessoa por fora e outra por dentro, diz ele. 
 
Antes da queda, no entanto, as crianças falam, com naturalidade, sobre  guerras, bombas e mísseis.
 
Em Depois da Batalha (que não houve) da capital e da invasão americana não há mais, é claro, militantes do partido Baath, nos bairros, percorrendo regularmente as residências para fiscalizar o retrato de Sadam pendurado na sala. As ruínas estão por toda parte. Vê-se prédios públicos incendiados depois de bombardeados; um deles, os estúdios do antes avançado cinema iraquiano, com todos os seus arquivos. “Pode-se vingar de um regime político, mas não de uma cultura; e transformar a memória de um povo em pó,” diz, desolado, um parente de Abbas.
 
Os americanos chegaram, e o filme mostra as consequências dessa invasão no dia-a-dia dos personagens. A poderosa crônica do cotidiano do Iraque mostra a tragédia do povo e ganha momentos mais intensos. 
 
Um grupo de garotos mostra um companheiro com as pernas atrofiadas, que seria alvo do deboche de soldados americanos. O irmão do cineasta explica que a guerra criou um exército de saqueadores, sempre dispostos a agir no imenso caos da violência cotidiana da cidade dos ladrões e da dilapidação sem trégua. Todos devem se armar e guardar munição em casa para tentar garantir a segurança familiar. Não há polícia nem ao menos guardas para ordenar o salve-se quem puder do trânsito. As moças não saem de casa, sozinhas, porque correm o risco permanente de estupro. Se tudo mudou é apenas para continuar igual. A ameaça que antes se dirigia aos adversários do governo anterior, baathista, persiste agora sobre os acusados (muitos, injustamente) de terem pertencido ao partido de Saddam, e estão condenados ao desemprego permanente e ao desespero.
 
Um homem muito pobre, revoltado, recolhendo lixo em uma carreta, se pergunta por que os soldados sempre apontam suas armas, gratuitamente, contra ele. E se antes eram as valas comuns da ditadura, depois da invasão, é a bala que mata um jovem carregando a peça sobressalente de um automóvel para ajudar o vizinho. Um crime que nunca será investigado porque não há ninguém para investigar. 
 
“Um documentário meu, Back to Babylon, foi exibido em um canal de TV francês. Uma indagação perturbadora, no artigo publicado em jornal, sobre o filme, me deixou abalado,” diz Abbas Fahdel. ”Seremos os últimos a ver aquelas pessoas vivas?" perguntava o autor do texto. A pergunta me chocou.  A idéia de que os membros da minha família, meus amigos e as pessoas desconhecidas que eu filmei poderiam não sobreviver à próxima guerra era quase insuportável para mim. Sob a pressão de certa superstição não admitida, decidi voltar ao Iraque e continuar a filmar a parte dois. Fui levado pela esperança, também supersticiosa, de que poderia salvá-los do perigo iminente. Infelizmente, a espiral de violência que tomou o país, em breve mergulharia a minha família no luto.” 
 
O sobrinho de Fahdel, o menino Haydar, de 12 anos, foi alvejado e morto por uma bala perdida, dentro do carro que atravessava uma avenida de Bagdá. Em sua companhia estavam o tio e o próprio Fahdel com a sua câmera na mão. Terra natal/Depois da Batalha termina com o grito de Haydar. Em seguida, a tela negra.
 
“Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema,” escreveu um crítico suíço. Mesma sensação nós experimentamos, deixando o cinema do Instituto Moreira Salles, na Gávea, no Rio de Janeiro.
 
(Abbas Fahdel é autor dos docs Back to Babylon e We Iraquis. Nasceu na região da antiga Babilônia e vive na França desde os 18 anos. Estudou cinema em Paris com Jean Rouch e mora na cidade com a mulher e a filha. Com o seu passaporte europeu conseguiu entrar e sair do Iraque com o material filmado de Homeland/Iraq Year Zero - e com a ajuda de amigos da capital iraquiana e de um diplomata francês. Atualmente filma Bagdah.)
 
*Jornalista.
Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior

Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior

18/10/2015 - Copyleft

Iraque Ano Zero: Como destruir um país

O filme mostra as consequências dessa invasão americana no dia-a-dia. Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema.


Léa Maria Aarão Reis*

A penúltima imagem seguida da noite da tela negra e de um tiro seco, no filme do monumental documentário de quase seis horas (dividido em duas partes), Terra Natal/Iraque ano Zero: Antes da Queda e Depois da Batalha, do cineasta franco-iraquiano Abbas Fahdel, é um soco no rosto do espectador. Tão violenta a situação filmada, que o diretor, depois daquele instante trágico, durante dez anos não conseguiu tocar no material com o qual filmou a sua própria família, em Bagdá, a partir de fevereiro de 2000. 


Agora, depois de recusado por exibidores e produtores europeus pela sua duração fora dos padrões comerciais, o filme de Fahdel inicia, enfim, um circuito de apresentações em festivais. Em Tribeca, em Nyon, na Suiça, Locarno e em três sessões,  na Mostra Fronteiras, no Festival do Rio, este mês. Homeland está sendo mostrado também no New York Film Festival. Na primavera de 2016 estreia na França com distribuição da produtora árabe Nour.
 
No Festival de Tribeca foi recebido como “documentário fundamental para se compreender o Oriente Médio do passado e do presente.%u20B Não é preciso mostrar uma vez mais o que a gigantesca máquina de guerra norte-americana é capaz de fazer. Para isso existe o jornalismo, as séries de televisão e os filmes de Brian de Palma, Kathryn Bigelow e Clint Eastwood que parecem frívolos diante de Terra Natal,” escreveu o crítico Victor Guimarães, durante o Festival de Nyon.
 
Sem narração em off nem comentários de qualquer espécie, até para preservar a segurança familiar, a primeira parte, Antes da Queda, antecede a invasão americana. Foi realizada durante a censura feroz da ditadura de Saddam Hussein. As imagens dessas crônicas familiares de Fahdel têm uma força tal que levam o espectador a acompanhar, escorregando para ela até desapercebido, a vida cotidiana sem maquilagem e quase nada conhecida, de uma família - a do diretor - de classe média, da capital do Iraque, culta, educada, bem posta, de intelectuais, profissionais liberais, moças e rapazes estudantes universitários, originada da cidade de Hit, cerca de 150 quilômetros de Bagdá, à beira do Eufrates – ocupada atualmente pelo exército do Estado Islâmico.
 
Abbas Fahdel aposta na alegria de viver, nessa primeira parte, apesar da vida difícil, e rejeita o sentimentalismo. Não há uma nota musical na trilha sonora que seja externa à cena. Tudo é aparentemente tranquilizador na confortável casa com chão forrado de tapetes. As mulheres trabalham na cozinha, o fogareiro no meio da sala aquece, a televisão ligada (e censurada) nos seguidos discursos ridículos de Saddam. O terraço árabe, o pomar do vizinho, a sombra das macieiras, a placidez. Mas os takes insistentes no relógio de mesa parecem lembrar que o tempo está se esgotando para mais uma guerra começar, depois das guerras do Irã e do Golfo – é fevereiro de 2002.  
 
Um dos sobrinhos de Fahdel assume o protagonismo. Menino de 12 anos, carismático, perspicaz e inteligente, amadurecido antes do tempo, Haydar será um fio condutor, no filme, de várias situações apresentadas: na feira, no mercado, no sebo de livros antigos, nas férias com os colegas em Hit. A nova guerra que está por vir não assusta. ”Guerra é o nosso destino,” diz um professor cujo parco salário de 15 dólares em escolas na capital o faz retornar para trabalhar na propriedade da família, em Hit.
 
Lá, galos cantam nos jardins e os meninos brincam no Tigre. Judeus convertidos ao islamismo na década dos anos 80 são entrevistados. Outros, comunistas declarados, também. “A vida era melhor antes do petróleo”, diz um. “O embargo (N.R. econômico) já uma guerra,” diz outro, comentando a falta de medicamentos, o racionamento de alimentos e os estoques de pão e cestas básicas distribuídas pelo governo que começam a serem providenciados (mais uma vez) pelas famílias. 
 
Um comunista, na segunda parte, lembra: Saddam converteu o povo iraquiano em uma multidão de esquizofrênicos. A censura fazia com que a pessoa fosse uma no trabalho e outra em casa; uma pessoa por fora e outra por dentro, diz ele. 
 
Antes da queda, no entanto, as crianças falam, com naturalidade, sobre  guerras, bombas e mísseis.
 
Em Depois da Batalha (que não houve) da capital e da invasão americana não há mais, é claro, militantes do partido Baath, nos bairros, percorrendo regularmente as residências para fiscalizar o retrato de Sadam pendurado na sala. As ruínas estão por toda parte. Vê-se prédios públicos incendiados depois de bombardeados; um deles, os estúdios do antes avançado cinema iraquiano, com todos os seus arquivos. “Pode-se vingar de um regime político, mas não de uma cultura; e transformar a memória de um povo em pó,” diz, desolado, um parente de Abbas.
 
Os americanos chegaram, e o filme mostra as consequências dessa invasão no dia-a-dia dos personagens. A poderosa crônica do cotidiano do Iraque mostra a tragédia do povo e ganha momentos mais intensos. 
 
Um grupo de garotos mostra um companheiro com as pernas atrofiadas, que seria alvo do deboche de soldados americanos. O irmão do cineasta explica que a guerra criou um exército de saqueadores, sempre dispostos a agir no imenso caos da violência cotidiana da cidade dos ladrões e da dilapidação sem trégua. Todos devem se armar e guardar munição em casa para tentar garantir a segurança familiar. Não há polícia nem ao menos guardas para ordenar o salve-se quem puder do trânsito. As moças não saem de casa, sozinhas, porque correm o risco permanente de estupro. Se tudo mudou é apenas para continuar igual. A ameaça que antes se dirigia aos adversários do governo anterior, baathista, persiste agora sobre os acusados (muitos, injustamente) de terem pertencido ao partido de Saddam, e estão condenados ao desemprego permanente e ao desespero.
 
Um homem muito pobre, revoltado, recolhendo lixo em uma carreta, se pergunta por que os soldados sempre apontam suas armas, gratuitamente, contra ele. E se antes eram as valas comuns da ditadura, depois da invasão, é a bala que mata um jovem carregando a peça sobressalente de um automóvel para ajudar o vizinho. Um crime que nunca será investigado porque não há ninguém para investigar. 
 
“Um documentário meu, Back to Babylon, foi exibido em um canal de TV francês. Uma indagação perturbadora, no artigo publicado em jornal, sobre o filme, me deixou abalado,” diz Abbas Fahdel. ”Seremos os últimos a ver aquelas pessoas vivas?" perguntava o autor do texto. A pergunta me chocou.  A idéia de que os membros da minha família, meus amigos e as pessoas desconhecidas que eu filmei poderiam não sobreviver à próxima guerra era quase insuportável para mim. Sob a pressão de certa superstição não admitida, decidi voltar ao Iraque e continuar a filmar a parte dois. Fui levado pela esperança, também supersticiosa, de que poderia salvá-los do perigo iminente. Infelizmente, a espiral de violência que tomou o país, em breve mergulharia a minha família no luto.” 
 
O sobrinho de Fahdel, o menino Haydar, de 12 anos, foi alvejado e morto por uma bala perdida, dentro do carro que atravessava uma avenida de Bagdá. Em sua companhia estavam o tio e o próprio Fahdel com a sua câmera na mão. Terra natal/Depois da Batalha termina com o grito de Haydar. Em seguida, a tela negra.
 
“Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema,” escreveu um crítico suíço. Mesma sensação nós experimentamos, deixando o cinema do Instituto Moreira Salles, na Gávea, no Rio de Janeiro.
 
(Abbas Fahdel é autor dos docs Back to Babylon e We Iraquis. Nasceu na região da antiga Babilônia e vive na França desde os 18 anos. Estudou cinema em Paris com Jean Rouch e mora na cidade com a mulher e a filha. Com o seu passaporte europeu conseguiu entrar e sair do Iraque com o material filmado de Homeland/Iraq Year Zero - e com a ajuda de amigos da capital iraquiana e de um diplomata francês. Atualmente filma Bagdah.)
 
*Jornalista.
Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior