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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Uma aventura para orgulhar o Brasil - TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”





Uma aventura para orgulhar o Brasil

desafio
Não é novo, tem quatro anos.
Mas me passou e deve ter passado a muita gente despercebido.
O documentário dirigido por Rodrigo Astiz e Marcello Bozzini, produzido pela Mixer para o Discovery Channel é algo que deve ser assistido e divulgado nestes tempos em que tentam reduzir a Petrobras a um amontoado de corruptos e ineptos.
É a prova que a nossa maior empresa vai sacudir a poeira que alguns de seus ex-integrantes atiraram sobre ela e continuar a ser a grande ferramenta de libertação econômica do Brasil.
Com narrativa técnica que não esconde a emoção dos homens e mulheres que tornaram possível descobrir e explorar em tempo recorde a maior jazida de petróleo do novo século.
Assista, chame a família para ver.
A TV brasileira não fez nada parecido, como era de seu dever.
Mas está aí, jorrando 1 milhão de petróleo por dia e crescendo a cada mês.
Coisa de gente que acredita no Brasil, coisa que irrita os que nos querem eternamente uma colônia.

Uma aventura para orgulhar o Brasil - TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

domingo, 25 de outubro de 2015

Direito de resposta é aprovado na Câmara - Carta Maior

Direito de resposta é aprovado na Câmara - Carta Maior

DE TUDO UM POUCO: Um ano da reeleição de Dilma e 70 de vida de Lula

DE TUDO UM POUCO: Um ano da reeleição de Dilma e 70 de vida de Lula: Por L.E.Cartaxo de Arruda Jr , Memorialista e Diretor de Comunicação do MOVASE e Fátima de Deus, Professora e Ati...

Quem foi o terrível Amin al Husayni, a quem Netanyahu atribui o Holocausto? - Carta Maior

Quem foi o terrível Amin al Husayni, a quem Netanyahu atribui o Holocausto? - Carta Maior

Eleições na Argentina: o que é que está em disputa? - Carta Maior

23/10/2015 - Copyleft

Eleições na Argentina: o que é que está em disputa?

Continuar com o legado de Néstor e Cristina significa continuar derrubando os mitos e crenças preparadas pelas elites e pelos tecnocratas internacionais.


Amílcar Salas Oroño e Lucio Salas Oroño

wikimedia commons
Neste domingo, 25 de outubro, acontecem as eleições presidenciais argentinas. Há boas possibilidades de que tudo seja resolvido no mesmo dia, já que sistema eleitoral determina duas alternativas de triunfo já no primeiro turno: se um candidato obtém mais de 40% dos votos, desde imponha uma diferença de mais de 10% sobre o segundo colocado – ou se um candidato consegue mais de 45%, sem depender de nenhum outro fator. Todas as pesquisas de opinião apontam que uma vitória de Daniel Scioli, candidato da Frente para a Vitória (FpV), já no primeiro turno é um cenário possível, embora a margem de erro não permita considerá-la uma certeza.
 
Scioli é um dirigente que integra a FpV desde o seu princípio. Em 2003, foi eleito vice-presidente, junto com Néstor Kirchner. Em 2007 e 2011, foi eleito e reeleito governador da Província de Buenos Aires. Ele tem outro perfil e carisma que os Kirchner. Em suas palavras e em seus atos se constata uma fidelidade à tradição do peronismo.
 
Entre os concorrentes opositores estão o conservador Mauricio Macri, um empresário neoliberal, ex-presidente do Boca Juniors e prefeito da Cidade de Buenos Aires, cujos assessores econômicos se assemelham bastante a Pedro Malan, Elena Landau e companhia, e Sergio Massa, um político cujo perfil pode ser definido como uma versão argentina do PMDB: dono de uma moral sinuosa e disposto a reivindicar todo tipo de interesses específicos.
 
Mais Estado e mais mercado
 
O que está em disputa é uma orientação geral do processo político, econômico e cultural. A continuidade do que foi feito durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner, significa administrar derrubando os mitos e crenças preparadas pelas elites e pelos tecnocratas internacionais. Por exemplo, acabar com o mito da autonomia do Banco Central permitiu regular o mercado cambial, fazer uso de suas reservas para o pagamento da dívida externa e orientar parte do crédito outorgado pela banca privada às atividades produtivas.
 
Nestes 12 anos, o Estado tem atuado na regulação dos preços relativos, promovendo as exportações industriais e principalmente o consumo interno. Essa política de “mais Estado e mais mercado” é o que permitiu que o poder de compra dos argentinos tenha aumentado, apesar da inflação. Também contribuiu para isso o estabelecimento de um salário mínimo anual – o mais alto em dólares e capacidade de compra da região –, as convenções de trabalhadores para negociações paritárias anuais de fixação dos salários – das 5 realizadas em 2003, se passou a 1,3 mil em 2015 –, no mesmo período em que o desemprego caiu de 25% a 7%.
 
A indústria argentina gerou ao menos 3 milhões de postos de trabalho nesta última década, e viu entrar em funcionamento centenas de novos parques industriais disseminados por todo o país. A expansão das pequenas e médias empresas foi fundamental para aumentar a criação de empregos, assim como a diminuição da estrangeirização, com a nacionalização de algumas das grandes empresas públicas que foram privatizadas nos Anos 90: Correios, as empresas de serviços de água e saneamento, a Aerolíneas Argentinas e, fundamentalmente, a YPF (sigla em espanhol para Jazidas Petrolíferas Fiscais).
 
Por sua parte, o que fariam Macri ou Massa? Eles mesmos disseram durante a campanha: se desprender dos ativos “ociosos” do Estado, “equilibrar as contas fiscais”, “garantir a confiança dos investidores”…
 
Durante os governos kirchneristas, foi estabelecida a Bolsa Universal por Filho (AUH, por sua sigla em espanhol), o principal programa de proteção social do país, que ajuda a desempregados e trabalhadores informais. Atualmente, o país entrega quase 3 milhões de AUHs por mês. Para dar continuidade ao programa – a bolsa é entregue desde a gravidez até os 18 anos dos filhos –, se criou o Plano Progredir, que subsidia jovens entre 18 e 25 anos, para que continuem seus estudos.
 
Também foi lançado o Plano Procriar, para que os setores médios pudessem construir ou melhorar suas casas, enquanto continuam as construções de novas moradias sociais para os setores de baixa renda. Foram construídos 2 mil escolas em todo o país e se criaram 15 universidades nacionais novas. Graças às sucessivas moratórias por falta de recursos, 97% dos argentinos maiores de 65 anos estão aposentados, recebendo mensalmente uma quantia que por lei nacional, é ajustada duas vezes por ano.
 
Foram criados ou reciclados centenas de centros culturais em todo o país – em muitos casos, velhas salas cinematográficas – as produções teatrais e cinematográficas foram apoiadas ativamente, fazendo de Buenos Aires a cidade de fala espanhola com mais apresentações. Se recuperou o conceito de turismo social, quase gratuito, e se promoveu o turismo interno – sem diminuir o turismo regional: o Brasil continua sendo o principal destino turístico dos argentinos.
 
Integração ou dependência
 
Desde o começo do seu projeto, a FpV promoveu a ideia da integração entre seus líderes e militantes de origem não peronista. Entre os candidatos que se apresentam nesta eleição pela FpV há dirigentes vindos da União Cívica Radical (UCR), socialistas, comunistas, independentes e das diferentes variantes do próprio peronismo.
 
Neste 12 anos, a liberdade de imprensa foi respeitada como de forma paciente na Argentina – apesar da disputa contra as corporações midiáticas, que se transformaram na verdadeira oposição política do país. Não houve intervenção do Poder Executivo em nenhuma província. As decisões parlamentárias sempre foram respeitadas, mesmo nos tempos em que a FpV ficou em minoria. Também se garantiu a autonomia do Poder Judicial, que, em muitas oportunidades foi abertamente hostil ao kirchnerismo.
 
Houve uma integração política e territorial, com uma visão federal do processo histórico: dezenas de milhares de quilômetros de estradas construídas, o dobro das pistas existentes até 2003, a reparação de vias e a compra de material para as ferrovias – que estavam totalmente abandonadas –, além da recuperação da Aerolíneas Argentinas, que agora voa diariamente a todas as capitais de províncias – estabelecendo entre elas pontes aéreas que já não passam pela cidade de Buenos Aires. A integração nacional permitiu o florescimento saudável da identidade nacional. Como disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante o funeral de Néstor Kirchner: “ele foi quem devolveu a autoestima aos argentinos”.
 
A integração econômica regional é de ainda maior importância estratégica. A FpV e seu candidato estipularam que a relação com o Brasil e os países do Mercosul é vital para o seu próprio destino. A poucos dias do aniversário da histórica decisão tomada em conjunto por Hugo Chávez, Lula e Néstor Kirchner, de terminar com a ALCA – em Mar del Plata, em novembro de 2005 –, Scioli reafirmou essa orientação fundamental, sustentando que só a partir de um Mercosul fortalecido se poderá, eventualmente, serem desenvolvidas relações frutíferas com a União Europeia. O candidato da FpV estabeleceu relações pessoais com todos os líderes regionais e já recebeu o apoio do governo venezuelano, dos ex-presidentes Lula e Pepe Mujica, da presidenta Dilma Rousseff e do mandatário equatoriano Rafael Correa.
 
O que se pode dizer a respeito de Mauricio Macri e Sergio Massa? Os telegramas do Wikileaks revelam que ambos são visitantes habituais da Embaixada dos Estados Unidos, bastante habituais, além de serem abertamente partidários de uma aproximação com a Aliança do Pacífico, e de uma economia argentina que deve “se abrir ao mundo” – o que deve ser lido também como se fechar para a região.
 
No fim das contas, os termos das disputas eleitorais na América Latina continuam sendo bastante similares desde que Hugo Chávez deu o pontapé inicial do novo ciclo político, em 1998. Neste domingo, a Argentina não será uma excepção.
 
Amílcar Salas Oroño é um cientista político argentino.
 
Lucio Salas Oroño é escritor argentino.
 
Tradução: Victor Farinelli



Créditos da foto: wikimedia commons
Eleições na Argentina: o que é que está em disputa? - Carta Maior

Conheça as diferenças entre monografia, dissertação e tese | Canal do Ensino | Guia Gratuito de Educação

Conheça as diferenças entre monografia, dissertação e tese | Canal do Ensino | Guia Gratuito de Educação

sábado, 24 de outubro de 2015

Lula, a estudantes do Piauí: a educação é a maior herança

Lula, a estudantes do Piauí: a educação é a maior herança

Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Uma grande verdade o que diz Lula. Não dá mesmo. Mas já faz tempo que não. Embora retardada, é o início de uma reação. No entanto, temos de nos perguntar, foi correto silenciar por tanto tempo? Foi correto, deixar  os companheiros largados á própria sorte e assistir passivamente ao seu suplício na jaula dos leões?

Não foi tanto culpa de Lula, talvez não tão diretamente como se pode pensar, dado a posição sensível que ocupava e continua ocupando. Mesmo assim, arriscou em alguns momentos após o mandato, tecer críticas à AP 470. Mais do que a Lula ou a Dilma, cabe ao partido defender seus militantes, dirigentes ou não, diante de qualquer situação até onde sejam defensáveis. Não se chegou nem perto dessa situação e o PT, refiro me à direção principalmente,  jogou pra escanteio todo o sentido da palavra COMPANHEIRO.





Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Uma grande verdade o que diz Lula. Não dá mesmo. Mas já faz tempo que não. Embora retardada, é o início de uma reação. No entanto, temos de nos perguntar, foi correto silenciar por tanto tempo? Foi correto, deixar  os companheiros largados á própria sorte e assistir passivamente ao seu suplício na jaula dos leões?

Não foi tanto culpa de Lula, talvez não tão diretamente como se pode pensar, dado a posição sensível que ocupava e continua ocupando. Mesmo assim, arriscou em alguns momentos após o mandato, tecer críticas à AP 470. Mais do que a Lula ou a Dilma, cabe ao partido defender seus militantes, dirigentes ou não, diante de qualquer situação até onde sejam defensáveis. Não se chegou nem perto dessa situação e o PT, refiro me à direção principalmente,  jogou pra escanteio todo o sentido da palavra COMPANHEIRO.





Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Ciddad de São Paulo: Prefeito Haddad eleva piso e abre 3,5 mil vagas de professor | bloglimpinhoecheiroso

Coerente com a capacidade de pagamento da maior capital do país. Alckimin não considera isso em sua política educacional.



Ciddad de São Paulo: Prefeito Haddad eleva piso e abre 3,5 mil vagas de professor | bloglimpinhoecheiroso

Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior

18/10/2015 - Copyleft

Iraque Ano Zero: Como destruir um país

O filme mostra as consequências dessa invasão americana no dia-a-dia. Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema.


Léa Maria Aarão Reis*

A penúltima imagem seguida da noite da tela negra e de um tiro seco, no filme do monumental documentário de quase seis horas (dividido em duas partes), Terra Natal/Iraque ano Zero: Antes da Queda e Depois da Batalha, do cineasta franco-iraquiano Abbas Fahdel, é um soco no rosto do espectador. Tão violenta a situação filmada, que o diretor, depois daquele instante trágico, durante dez anos não conseguiu tocar no material com o qual filmou a sua própria família, em Bagdá, a partir de fevereiro de 2000. 


Agora, depois de recusado por exibidores e produtores europeus pela sua duração fora dos padrões comerciais, o filme de Fahdel inicia, enfim, um circuito de apresentações em festivais. Em Tribeca, em Nyon, na Suiça, Locarno e em três sessões,  na Mostra Fronteiras, no Festival do Rio, este mês. Homeland está sendo mostrado também no New York Film Festival. Na primavera de 2016 estreia na França com distribuição da produtora árabe Nour.
 
No Festival de Tribeca foi recebido como “documentário fundamental para se compreender o Oriente Médio do passado e do presente.%u20B Não é preciso mostrar uma vez mais o que a gigantesca máquina de guerra norte-americana é capaz de fazer. Para isso existe o jornalismo, as séries de televisão e os filmes de Brian de Palma, Kathryn Bigelow e Clint Eastwood que parecem frívolos diante de Terra Natal,” escreveu o crítico Victor Guimarães, durante o Festival de Nyon.
 
Sem narração em off nem comentários de qualquer espécie, até para preservar a segurança familiar, a primeira parte, Antes da Queda, antecede a invasão americana. Foi realizada durante a censura feroz da ditadura de Saddam Hussein. As imagens dessas crônicas familiares de Fahdel têm uma força tal que levam o espectador a acompanhar, escorregando para ela até desapercebido, a vida cotidiana sem maquilagem e quase nada conhecida, de uma família - a do diretor - de classe média, da capital do Iraque, culta, educada, bem posta, de intelectuais, profissionais liberais, moças e rapazes estudantes universitários, originada da cidade de Hit, cerca de 150 quilômetros de Bagdá, à beira do Eufrates – ocupada atualmente pelo exército do Estado Islâmico.
 
Abbas Fahdel aposta na alegria de viver, nessa primeira parte, apesar da vida difícil, e rejeita o sentimentalismo. Não há uma nota musical na trilha sonora que seja externa à cena. Tudo é aparentemente tranquilizador na confortável casa com chão forrado de tapetes. As mulheres trabalham na cozinha, o fogareiro no meio da sala aquece, a televisão ligada (e censurada) nos seguidos discursos ridículos de Saddam. O terraço árabe, o pomar do vizinho, a sombra das macieiras, a placidez. Mas os takes insistentes no relógio de mesa parecem lembrar que o tempo está se esgotando para mais uma guerra começar, depois das guerras do Irã e do Golfo – é fevereiro de 2002.  
 
Um dos sobrinhos de Fahdel assume o protagonismo. Menino de 12 anos, carismático, perspicaz e inteligente, amadurecido antes do tempo, Haydar será um fio condutor, no filme, de várias situações apresentadas: na feira, no mercado, no sebo de livros antigos, nas férias com os colegas em Hit. A nova guerra que está por vir não assusta. ”Guerra é o nosso destino,” diz um professor cujo parco salário de 15 dólares em escolas na capital o faz retornar para trabalhar na propriedade da família, em Hit.
 
Lá, galos cantam nos jardins e os meninos brincam no Tigre. Judeus convertidos ao islamismo na década dos anos 80 são entrevistados. Outros, comunistas declarados, também. “A vida era melhor antes do petróleo”, diz um. “O embargo (N.R. econômico) já uma guerra,” diz outro, comentando a falta de medicamentos, o racionamento de alimentos e os estoques de pão e cestas básicas distribuídas pelo governo que começam a serem providenciados (mais uma vez) pelas famílias. 
 
Um comunista, na segunda parte, lembra: Saddam converteu o povo iraquiano em uma multidão de esquizofrênicos. A censura fazia com que a pessoa fosse uma no trabalho e outra em casa; uma pessoa por fora e outra por dentro, diz ele. 
 
Antes da queda, no entanto, as crianças falam, com naturalidade, sobre  guerras, bombas e mísseis.
 
Em Depois da Batalha (que não houve) da capital e da invasão americana não há mais, é claro, militantes do partido Baath, nos bairros, percorrendo regularmente as residências para fiscalizar o retrato de Sadam pendurado na sala. As ruínas estão por toda parte. Vê-se prédios públicos incendiados depois de bombardeados; um deles, os estúdios do antes avançado cinema iraquiano, com todos os seus arquivos. “Pode-se vingar de um regime político, mas não de uma cultura; e transformar a memória de um povo em pó,” diz, desolado, um parente de Abbas.
 
Os americanos chegaram, e o filme mostra as consequências dessa invasão no dia-a-dia dos personagens. A poderosa crônica do cotidiano do Iraque mostra a tragédia do povo e ganha momentos mais intensos. 
 
Um grupo de garotos mostra um companheiro com as pernas atrofiadas, que seria alvo do deboche de soldados americanos. O irmão do cineasta explica que a guerra criou um exército de saqueadores, sempre dispostos a agir no imenso caos da violência cotidiana da cidade dos ladrões e da dilapidação sem trégua. Todos devem se armar e guardar munição em casa para tentar garantir a segurança familiar. Não há polícia nem ao menos guardas para ordenar o salve-se quem puder do trânsito. As moças não saem de casa, sozinhas, porque correm o risco permanente de estupro. Se tudo mudou é apenas para continuar igual. A ameaça que antes se dirigia aos adversários do governo anterior, baathista, persiste agora sobre os acusados (muitos, injustamente) de terem pertencido ao partido de Saddam, e estão condenados ao desemprego permanente e ao desespero.
 
Um homem muito pobre, revoltado, recolhendo lixo em uma carreta, se pergunta por que os soldados sempre apontam suas armas, gratuitamente, contra ele. E se antes eram as valas comuns da ditadura, depois da invasão, é a bala que mata um jovem carregando a peça sobressalente de um automóvel para ajudar o vizinho. Um crime que nunca será investigado porque não há ninguém para investigar. 
 
“Um documentário meu, Back to Babylon, foi exibido em um canal de TV francês. Uma indagação perturbadora, no artigo publicado em jornal, sobre o filme, me deixou abalado,” diz Abbas Fahdel. ”Seremos os últimos a ver aquelas pessoas vivas?" perguntava o autor do texto. A pergunta me chocou.  A idéia de que os membros da minha família, meus amigos e as pessoas desconhecidas que eu filmei poderiam não sobreviver à próxima guerra era quase insuportável para mim. Sob a pressão de certa superstição não admitida, decidi voltar ao Iraque e continuar a filmar a parte dois. Fui levado pela esperança, também supersticiosa, de que poderia salvá-los do perigo iminente. Infelizmente, a espiral de violência que tomou o país, em breve mergulharia a minha família no luto.” 
 
O sobrinho de Fahdel, o menino Haydar, de 12 anos, foi alvejado e morto por uma bala perdida, dentro do carro que atravessava uma avenida de Bagdá. Em sua companhia estavam o tio e o próprio Fahdel com a sua câmera na mão. Terra natal/Depois da Batalha termina com o grito de Haydar. Em seguida, a tela negra.
 
“Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema,” escreveu um crítico suíço. Mesma sensação nós experimentamos, deixando o cinema do Instituto Moreira Salles, na Gávea, no Rio de Janeiro.
 
(Abbas Fahdel é autor dos docs Back to Babylon e We Iraquis. Nasceu na região da antiga Babilônia e vive na França desde os 18 anos. Estudou cinema em Paris com Jean Rouch e mora na cidade com a mulher e a filha. Com o seu passaporte europeu conseguiu entrar e sair do Iraque com o material filmado de Homeland/Iraq Year Zero - e com a ajuda de amigos da capital iraquiana e de um diplomata francês. Atualmente filma Bagdah.)
 
*Jornalista.
Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior

Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior

18/10/2015 - Copyleft

Iraque Ano Zero: Como destruir um país

O filme mostra as consequências dessa invasão americana no dia-a-dia. Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema.


Léa Maria Aarão Reis*

A penúltima imagem seguida da noite da tela negra e de um tiro seco, no filme do monumental documentário de quase seis horas (dividido em duas partes), Terra Natal/Iraque ano Zero: Antes da Queda e Depois da Batalha, do cineasta franco-iraquiano Abbas Fahdel, é um soco no rosto do espectador. Tão violenta a situação filmada, que o diretor, depois daquele instante trágico, durante dez anos não conseguiu tocar no material com o qual filmou a sua própria família, em Bagdá, a partir de fevereiro de 2000. 


Agora, depois de recusado por exibidores e produtores europeus pela sua duração fora dos padrões comerciais, o filme de Fahdel inicia, enfim, um circuito de apresentações em festivais. Em Tribeca, em Nyon, na Suiça, Locarno e em três sessões,  na Mostra Fronteiras, no Festival do Rio, este mês. Homeland está sendo mostrado também no New York Film Festival. Na primavera de 2016 estreia na França com distribuição da produtora árabe Nour.
 
No Festival de Tribeca foi recebido como “documentário fundamental para se compreender o Oriente Médio do passado e do presente.%u20B Não é preciso mostrar uma vez mais o que a gigantesca máquina de guerra norte-americana é capaz de fazer. Para isso existe o jornalismo, as séries de televisão e os filmes de Brian de Palma, Kathryn Bigelow e Clint Eastwood que parecem frívolos diante de Terra Natal,” escreveu o crítico Victor Guimarães, durante o Festival de Nyon.
 
Sem narração em off nem comentários de qualquer espécie, até para preservar a segurança familiar, a primeira parte, Antes da Queda, antecede a invasão americana. Foi realizada durante a censura feroz da ditadura de Saddam Hussein. As imagens dessas crônicas familiares de Fahdel têm uma força tal que levam o espectador a acompanhar, escorregando para ela até desapercebido, a vida cotidiana sem maquilagem e quase nada conhecida, de uma família - a do diretor - de classe média, da capital do Iraque, culta, educada, bem posta, de intelectuais, profissionais liberais, moças e rapazes estudantes universitários, originada da cidade de Hit, cerca de 150 quilômetros de Bagdá, à beira do Eufrates – ocupada atualmente pelo exército do Estado Islâmico.
 
Abbas Fahdel aposta na alegria de viver, nessa primeira parte, apesar da vida difícil, e rejeita o sentimentalismo. Não há uma nota musical na trilha sonora que seja externa à cena. Tudo é aparentemente tranquilizador na confortável casa com chão forrado de tapetes. As mulheres trabalham na cozinha, o fogareiro no meio da sala aquece, a televisão ligada (e censurada) nos seguidos discursos ridículos de Saddam. O terraço árabe, o pomar do vizinho, a sombra das macieiras, a placidez. Mas os takes insistentes no relógio de mesa parecem lembrar que o tempo está se esgotando para mais uma guerra começar, depois das guerras do Irã e do Golfo – é fevereiro de 2002.  
 
Um dos sobrinhos de Fahdel assume o protagonismo. Menino de 12 anos, carismático, perspicaz e inteligente, amadurecido antes do tempo, Haydar será um fio condutor, no filme, de várias situações apresentadas: na feira, no mercado, no sebo de livros antigos, nas férias com os colegas em Hit. A nova guerra que está por vir não assusta. ”Guerra é o nosso destino,” diz um professor cujo parco salário de 15 dólares em escolas na capital o faz retornar para trabalhar na propriedade da família, em Hit.
 
Lá, galos cantam nos jardins e os meninos brincam no Tigre. Judeus convertidos ao islamismo na década dos anos 80 são entrevistados. Outros, comunistas declarados, também. “A vida era melhor antes do petróleo”, diz um. “O embargo (N.R. econômico) já uma guerra,” diz outro, comentando a falta de medicamentos, o racionamento de alimentos e os estoques de pão e cestas básicas distribuídas pelo governo que começam a serem providenciados (mais uma vez) pelas famílias. 
 
Um comunista, na segunda parte, lembra: Saddam converteu o povo iraquiano em uma multidão de esquizofrênicos. A censura fazia com que a pessoa fosse uma no trabalho e outra em casa; uma pessoa por fora e outra por dentro, diz ele. 
 
Antes da queda, no entanto, as crianças falam, com naturalidade, sobre  guerras, bombas e mísseis.
 
Em Depois da Batalha (que não houve) da capital e da invasão americana não há mais, é claro, militantes do partido Baath, nos bairros, percorrendo regularmente as residências para fiscalizar o retrato de Sadam pendurado na sala. As ruínas estão por toda parte. Vê-se prédios públicos incendiados depois de bombardeados; um deles, os estúdios do antes avançado cinema iraquiano, com todos os seus arquivos. “Pode-se vingar de um regime político, mas não de uma cultura; e transformar a memória de um povo em pó,” diz, desolado, um parente de Abbas.
 
Os americanos chegaram, e o filme mostra as consequências dessa invasão no dia-a-dia dos personagens. A poderosa crônica do cotidiano do Iraque mostra a tragédia do povo e ganha momentos mais intensos. 
 
Um grupo de garotos mostra um companheiro com as pernas atrofiadas, que seria alvo do deboche de soldados americanos. O irmão do cineasta explica que a guerra criou um exército de saqueadores, sempre dispostos a agir no imenso caos da violência cotidiana da cidade dos ladrões e da dilapidação sem trégua. Todos devem se armar e guardar munição em casa para tentar garantir a segurança familiar. Não há polícia nem ao menos guardas para ordenar o salve-se quem puder do trânsito. As moças não saem de casa, sozinhas, porque correm o risco permanente de estupro. Se tudo mudou é apenas para continuar igual. A ameaça que antes se dirigia aos adversários do governo anterior, baathista, persiste agora sobre os acusados (muitos, injustamente) de terem pertencido ao partido de Saddam, e estão condenados ao desemprego permanente e ao desespero.
 
Um homem muito pobre, revoltado, recolhendo lixo em uma carreta, se pergunta por que os soldados sempre apontam suas armas, gratuitamente, contra ele. E se antes eram as valas comuns da ditadura, depois da invasão, é a bala que mata um jovem carregando a peça sobressalente de um automóvel para ajudar o vizinho. Um crime que nunca será investigado porque não há ninguém para investigar. 
 
“Um documentário meu, Back to Babylon, foi exibido em um canal de TV francês. Uma indagação perturbadora, no artigo publicado em jornal, sobre o filme, me deixou abalado,” diz Abbas Fahdel. ”Seremos os últimos a ver aquelas pessoas vivas?" perguntava o autor do texto. A pergunta me chocou.  A idéia de que os membros da minha família, meus amigos e as pessoas desconhecidas que eu filmei poderiam não sobreviver à próxima guerra era quase insuportável para mim. Sob a pressão de certa superstição não admitida, decidi voltar ao Iraque e continuar a filmar a parte dois. Fui levado pela esperança, também supersticiosa, de que poderia salvá-los do perigo iminente. Infelizmente, a espiral de violência que tomou o país, em breve mergulharia a minha família no luto.” 
 
O sobrinho de Fahdel, o menino Haydar, de 12 anos, foi alvejado e morto por uma bala perdida, dentro do carro que atravessava uma avenida de Bagdá. Em sua companhia estavam o tio e o próprio Fahdel com a sua câmera na mão. Terra natal/Depois da Batalha termina com o grito de Haydar. Em seguida, a tela negra.
 
“Foi o silêncio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema,” escreveu um crítico suíço. Mesma sensação nós experimentamos, deixando o cinema do Instituto Moreira Salles, na Gávea, no Rio de Janeiro.
 
(Abbas Fahdel é autor dos docs Back to Babylon e We Iraquis. Nasceu na região da antiga Babilônia e vive na França desde os 18 anos. Estudou cinema em Paris com Jean Rouch e mora na cidade com a mulher e a filha. Com o seu passaporte europeu conseguiu entrar e sair do Iraque com o material filmado de Homeland/Iraq Year Zero - e com a ajuda de amigos da capital iraquiana e de um diplomata francês. Atualmente filma Bagdah.)
 
*Jornalista.
Iraque Ano Zero: Como destruir um país - Carta Maior

Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula

Lula participou de Plenária pela Educação, organizada pelo Partido dos Trabalhadores, em Salvador (BA). Ele criticou a ofensiva contra a presidenta Dilma e saiu em defesa da educação
Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critica Lula
Foto: Instituto Lula
Por: Agência PT, em 24 de outubro de 2015 às 10:11:08
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, na noite de sexta-feira (23), o processo de criminalização do Partido dos Trabalhadores. “Não dá pra gente ver ladrão chamando a gente de ladrão”, disse.
Para Lula, o Brasil vive, atualmente, “quase em um Estado de exceção”. “Nós temos que levantar a cabeça, porque nós nascemos para mudar esse país. A gente não pode ter medo nem permitir que joguem nas nossas costas a pecha daquilo que nós não somos”, pediu o ex-presidente.
“Não dá pra gente viver em uma sociedade onde prevalece a suspeição, onde as pessoas são condenadas antes de serem julgadas. O que condena hoje não é a decisão do juiz, mas a manchete do jornal”, criticou.
Lula participou de Plenária pela Educação, organizada pelo Partido dos Trabalhadores, em Salvador (BA). Na quarta-feira (21), ele também fez parte de um ato pela educação em Teresina (PI).
Durante o ato, Lula também criticou a ofensiva contra a presidenta Dilma Rousseff. “O que eles fazem com a Dilma é uma coisa nojenta, porque é o preconceito contra a mulher”, criticou.
Sobre as denúncias de corrupção, Lula defendeu que aqueles que erraram, que paguem pelos erros.
“Nós achamos que quem errar, tem que pagar. Parece que os empresários tinham dois cofrinhos: o do dinheiro bom e o do dinheiro ruim. E parece que pro PT só ia o dinheiro ruim. O bom era o do PSDB. É uma coisa insana”, ironizou.
“Nós precisamos lembrar a eles que o PT não é feito por meia dúzia de pessoas. O PT são milhões e milhões de homens e mulheres desse país, que trabalham e vivem do salário”, afirmou.
Além disso, ele defendeu a aplicação efetiva das metas do Plano Nacional de Educação (PNE).
“Temos obrigação de mudar o nosso comportamento com relação a educação. Precisamos educar as pessoas para serem cidadãs em sua plenitude”, disse o ex-presidente.
“Este país nunca será o país que nós sonhamos se a gente não acreditar que a educação é o único instrumento que garante igualdade de oportunidades”, defendeu o ex-presidente.
Lula questionou, durante o discurso, o `ódio` ao PT. Para ele, essa raiva se deve às conquistas sociais. “Vocês acham que esse ódio contra nós é por causa de denúncia de corrupção, se eles corromperam esse país a vida inteira?”, indagou.
Da Redação da Agência PT de Notícias
Não dá pra ver ladrão chamar o PT de ladrão, critic

a Lula

Governo Alckmin esconde dados de homicídios causados por policiais

Governo Alckmin esconde dados de homicídios causados por policiais

No mês de agosto, foram registrados mais de 50 assassinatos cometidos por policiais em São Paulo
Governo Alckmin esconde dados de homicídios causados por policiais
Foto: Agência Brasil
Por: Agência PT, em 23 de outubro de 2015 às 17:22:34
A gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) omitiu informações sobre os dados de homicídios causados por policiais militares, ao divulgar as estatísticas nesta quinta-feira (22). A Secretaria de Segurança Pública do Estado desmembrou as informações e só divulgou os homicídios causados por PMs em folga no último trimestre e as mortes causadas por policias civis após um pedido do jornal ‘Folha de S. Paulo’, que solicitou novos números.
Nos nove primeiros meses deste ano, as polícias militares de Alckmin em serviço mataram 469 pessoas. Esses dados não contabilizam o assassinato de 19 pessoas, também no mês de agosto, nas cidades de Osasco e Barueri. Policiais militares são suspeitos de terem participado da chacina.
Já o número de mortes causadas por PMs de folga, foi maior no terceiro trimestre do ano, com o total de 55 vítimas. No segundo semestre, foram 47.
Só em setembro, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) registrou 37 casos de morte por policiais no estado. Porém, este número foi maior em agosto, quando o número de assassinatos passou de 50.
O deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) disse que não se pode esconder dados só porque eles não são positivos para a população. “As informações são claras e mostram que a violência por parte dos policias que estão de folga está aumentando. Existem também muitos indícios da participação de policias em grupo de extermínio”, afirma.
Para ele, o sigilo dos dados ou a tentativa de manipulá-los mostra o estilo de condução de São Paulo que é completamente diferente do que o governador Geraldo Alckmin costuma dizer que funciona no estado.
“Não é surpresa ter ele ter tentado omitir parte dessas informações. Isso já é tradicional de seu governo”, lembra.
“Esse é o estilo PSDB e do Alckmin de governar. Sempre tentando esconder a realidade dos fatos. Não se trata de divulgar notícia boa e esconder notícia ruim, mas de divulgar o que efetivamente corresponde a realidade da segurança pública de São Paulo”, conclui.
Por Danielle Cambraia, da Agência PT de Notícias
Governo Alckmin esconde dados de homicídios causados por policiais

Agora é oficial: FHC sabia e não fez nada! | Brasil 24/7

Agora é oficial: FHC sabia e não fez nada!



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Ao registrar em seu livro de memórias a confissão de que tinha todos os meios para investigar um esquema de corrupção na direção da Petrobras e não tomou nenhuma providência a respeito, Fernando Henrique Cardoso prestou um inestimável serviço ao país.
Embora o caso possivelmente possa ser considerado prescrito, se tivesse sido descoberto e denunciado durante seu mandato, entre 1995 e 2002, o então presidente poderia ter sido enquadrado no crime de prevaricação, tipificado no artigo 319 do Código Penal ("Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal").
Se fosse um funcionário público comum, uma condenação poderia dar em pena de prisão, de  três meses a um ano, mais multa. Como era presidente da República, FHC poderia ser alvo de um processo que poderia levar ao impeachment. Mais fácil que o penoso trabalho de Helio Bicudo e Miguel Reale Jr. Imaginou? 
Para além de eventuais consequências jurídicas, resta a questão política atual. 
Informado pelo empresário Benjamin Steinbruch sobre quem comandava o esquema na maior empresa brasileira, Fernando Henrique nada fez. Isso permite questionar a credibilidade de quem, no início de 2015, enchia o peito para falar da Lava Jato. FHC disse no início do ano que era preciso chegar aos "altos hierarcas" envolvidos nas investigações -- uma referência a Lula e Dilma.
Mas quando podia fazer sua parte, Fernando Henrique preferiu ficar quieto.
"Por que FHC cruzou os braços?", perguntei aqui neste espaço, em fevereiro, num texto que debatia o silêncio tucano sobre uma denúncia de Paulo Francis, em 1996. Agora sabemos por que.
Conforme O Globo, Fernando Henrique tenta justificar a postura com o argumento de que pretendia fazer mudanças nas regras da Petrobras e não queria atrapalhar um debate que julgava necessário. Como se sabe, seu governo que tomou medidas favoráveis a privatização da exploração do petróleo, enfrentando uma vigorosa greve de resistência de petroleiros que não permitiu que fosse até o fim em seus planos. Até tanques do Exército foram a rua para tentar intimidar os petroleiros.
Mas o argumento não ajuda o ex-presidente.
FHC assinou, no Planalto, o decreto 2745, que eliminou a necessidade de licitação nos investimentos da Petrobras -- uma porteira aberta para a formação do clube de empreiteiras que iria dividir as obra da empresa em conversas entre amigos, sem disputa real.
O decreto 2745 é obra da assessoria jurídica do Planalto no governo de Fernando Henrique, cujo chefe era Gilmar Mendes, mandado ao Supremo no último ano de governo tucano. Hoje no TSE, Gilmar foi o ministro que mandou investigar possíveis ligações entre o esquema da Petrobras e a campanha de Dilma, abrindo ali uma das estradas da oposição para tentar chegar ao impeachment de qualquer maneira.
É até gozado, não?
O que se expressou, na atitude de FHC, foi uma moral de ocasião, de quem desperdiçou uma ótima oportunidade para estimular um debate honesto sobre a corrupção no Estado brasileiro. Comprova-se, agora, que  ele não só conheceu a situação de perto durante seu governo. Tinha informações de primeira mão. Também tomou a decisão de não investigar.
É uma postura que, pelo exemplo, só ajuda a desmoralizar -- confesso que isso não me deixa nem um pouco incomodado -- gravatões tucanos que estimulavam atitudes fascistas nas diversas CPIs da Petrobras. 
Não custa lembrar que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, abriu seu depoimento na CPI com um power point didático, onde exibia as quantias que cada partido -- PT e PSDB à frente -- havia recebido de cada uma das grandes empreiteiras denunciadas na Lava Jato. No mesmo dia, o líder do PSDB Carlos Sampaio defendeu a extinção legal do PT, logo depois que um provocador soltou um grupo de ratos na sala de depoimentos. Vaccari foi preso no dia seguinte pela manhã e encontra-se detido até hoje.
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