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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Inês Nassif: Nossa democracia vai levar décadas para se livrar do pesado legado de JB - Viomundo - O que você não vê na mídia

I N analisa com precisão cirúrgica os efeitos da gestão de J B no STF, demonstrando como os procedimentos de S Moro na operação lava jato obedecem à mesma lógica inquisitorial e parcialidade que caracterizou o julgamento da AP 470.



Inês Nassif: Nossa democracia vai levar décadas para se livrar do pesado legado de JB

publicado em 27 de março de 2015 às 19:08
joaquim-barbosa
O pesado legado que Joaquim Barbosa deixou para a democracia brasileira
Em vez de servir para punir exemplarmente culpados, o “mensalão”, com seu domínio do fato, transformou a Justiça em parte do terceiro turno eleitoral
Na briga política com “P” maiúsculo,  quando se traça estratégias de disputa com grupos oponentes, define-se um limite além do qual não se deve ultrapassar, por razões éticas ou para não abrir precedentes que, no futuro, possam se voltar contra o próprio grupo que não observou esse limite. Em ambos casos, a preservação dos instrumentos de luta democrática é a preocupação central.
O Supremo Tribunal Federal (STF), a partir do caso chamado Mensalão,  arvorou-se em fazer política com “p” minúsculo, sem pensar nos precedentes que abria nos momentos em que jogava para a plateia, escolhia inimigos e relativizava a Constituição. Ao fazer jogo político sem que fosse qualificado para isso, pois não é um poder que decorre da livre escolha popular, não mediu as consequências e deixou uma lista de precedentes com potencial de corroer a democracia brasileira.
O primeiro mal exemplo que deu foi o de que um poder não deve obedecer limites. Ao longo do período pós-ditadura, a Corte maior do país se dedicou a uma crescente militância. A nova composição do Supremo, pós-Mensalão, é muito mais jurista do que política, mas é ela que vai ter que pagar pelo erro dos seus antecessores.
No julgamento do Mensalão, em vez de manter-se acima de um clima de comoção artificialmente criado por partidos de oposição e uma mídia avassaladoramente monopolista, o STF fez parte da banda de música. O que se tocava era um mantra  segundo a qual qualquer que fossem as provas, quem deveria pagar com a cadeia era a banda governista envolvida no escândalo. Se as provas não corroborassem, que se danassem as provas. Era uma onda de pânico tão típica de momentos aterrorizantes da história mundial – como a ascensão do nazismo e do fascismo, com a repetição de “verdades” construídas sobre afirmações mentirosas, mas fáceis de atrair ódio sobre grupos políticos adversários – que a inclusão da Corte Suprema do país nesse tipo de armação foi de tirar noites de sono de quem já viveu o pesadelo de ditaduras.
O STF abraçou entusiasticamente a tese do domínio do fato para justificar a condenação, por exemplo, de Henrique Pizzolatto (acusado de desviar um dinheiro da Visanet, empresa privada de cartões de débito, que comprovadamente foi destinado para veiculação de anúncios nos próprios veículos de comunicação que o acusavam de corrupção), ou de José Genoíno (que foi condenado porque assinou um empréstimo bancário que comprovadamente entrou na conta bancária do PT e foi quitado pelo partido), ou de José Dirceu (que se supôs ser o mentor do esquema sem que nenhuma prova disso fosse apresentada à  Justiça). Com isso, a Corte deu satisfações a uma parcela da população que advogava a prisão a qualquer custo, mas por este prazer de momento legou ao país a dura herança da condenação sem provas e do espetáculo midiático em vez do julgamento justo. O STF alimentou o senso comum de que lugar de adversário político é na cadeia. A democracia brasileira vai levar anos, décadas, uma era, para se livrar desse legado.
O juiz Sérgio Moro forçou a mão nas suas decisões de indiciamento das pessoas mais ligadas ao PT e ao governo, no curso da Operação Lava Jato, e provavelmente condenará a todos eles, com provas ou, se não consegui-las, por suposição. Mas não se pode acusá-lo de ter inventado a roda. A insegurança jurídica provocada pela teoria do domínio do fato – que aproxima a Justiça da democracia brasileira dos famigerados Inquéritos Policiais Militares (IPMs) da ditadura, responsáveis pela “investigação” e “julgamento” de adversários políticos por suposições de corrupção – é obra do ex-ministro Joaquim Barbosa, corroborada pela maioria do plenário do STF, no bojo de uma histeria coletiva artificial provocada por uma pressão direta da oposição e dos meios de comunicação, on line, na medida em que o julgamento se desenrolava nas telas das TVs. Barbosa continuará produzindo condenações altamente questionáveis mesmo depois de ter ido embora para casa tuitar palpites sobre uma democracia que ele não cuidou quando era ministro do Supremo.
Daí que o precedente Joaquim Barbosa gerou Sérgio Moro, que forçou a mão nas peças jurídicas que levaram ao indiciamento de uns, e deixaram passar culpas de seus oponentes.
O precedente Joaquim Barbosa condenou Pizzolatto por contratos do Banco do Brasil com a Visanet que são anteriores à sua posse na diretoria da Marketing da estatal. O tesoureiro do PT, João Vaccari, foi indiciado por financiamentos legais de campanha feitos ao seu partido pelas empresas implicadas no escândalo Petrobras desde 2008 – sem que Moro tenha se importado com o detalhe de que Vaccari assumiu a tesouraria da legenda a partir de fevereiro de 2010. Se a intenção fosse a de fazer justiça, o juiz teria no mínimo feito referência ao tesoureiro anterior. Usou, todavia, o domínio do fato, para argumentar uma responsabilidade telepática de Vaccari sobre fatos que aconteceram mesmo antes de ele assumir o cargo.
O juiz argumenta, ao aceitar a denúncia, que João Vaccari “tinha conhecimento do esquema criminoso [de pagamento de propinas por empresa fornecedoras da Petrobras] e dele participava”, fiando-se em delações premiadas de participantes do esquema que tinham interesse pessoal em responder aos anseios das autoridades policiais e judiciárias que jogavam para uma plateia – e que fizeram isso de forma mais intensa no período eleitoral, com fartos vazamentos seletivos sobre um inquérito que envolveu Deus e o diabo na terra do sol.
Moro tomou como fato inquestionável – e confundiu isso com prova – que o esquema envolveu exclusivamente os últimos governos, e que o financiamento dado oficialmente ao PT era, na verdade, produto de propina. E traçou uma lógica segundo a qual a cada fechamento de contrato pelas empresas envolvidas resultava numa doação legal para o PT, ou para uma campanha do PT.
Quando se toma a doação dessas mesmas empresas para o PSDB e para o PMDB, todavia, fica um grande vazio. Existem duas ordens de doações privadas para partidos e candidatos, segundo Moro: uma, recebida por determinados partidos, que são propina; outra, captada por outros partidos, que não são crimes.
Se tomados os dados de doação registrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as 16 empresas envolvidas no Caso Lava Jato (Galvão Engenharia, Oderbrecht, UTC, Camargo Correa, OAS, Andrade e Gutierrez, Mendes Júnior, Iesa, Queiroz Galvão, Engevix, Setal, GDK, Techint, Promon, MPE e Sranska) contribuíram com R$ 135,5 milhões para as eleições de 2010 e R$ 222,5 para as eleições de 2014.
Nas eleições de 2010, o PMDB, que não tinha candidato presidencial, recebeu a maior parcela, de R$ 32,85 milhões; o PT, R$ 31,4 milhões e o PSDB, R$ 27 milhões. Foram os três maiores agraciados, com 24%, 23% e 20% das doações totais dessas empresas, respectivamente. Todavia, o PSB, o PP, o PRB e o PSC conseguiram também quantias consideráveis: R$ 19,5 milhões, R$ 6,5milhões,  R$ 4,95 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente. PDT, PC do B, DEM, PTB, PTN, PTC, PTdoB e PMN receberam entre R$ 150 mil e R$ 1,8 milhão.
No ano passado, PT e PSDB mantiveram, de novo, arrecadação muito próxima dessas mesmas empresas. O partido de Dilma conseguiu R$ 56,38 milhões junto a essas fontes, mas o PSDB de Aécio não ficou muito atrás: obteve R$ 53,73 milhões. O PMDB ficou em terceiro em arrecadação, mas rivalizando com os dois partidos que disputaram a Presidência no segundo turno: conseguiu levantar R$ 46,62 milhões dessas empresas. O PSB de Marina Silva ganhou R$ 15,8 milhões; o DEM, R$ 12 milhões; o PP, R$ 10,25 milhões; o PSD, R$ 7,13 milhões; e o PR, R$ 6,85 milhões. Os demais partidos arrecadaram entre R$ 3,3 milhões e R$ 100 mil.
Esses números certamente não querem dizer que todos os partidos que receberam dinheiro dessas empresas tenham, na verdade, recebido propina por serviços prestados a elas. Mas indicam que a simples existência de doações legais ao PT não comprova propina. É preciso que existam provas do ilícito, e que elas sejam mais consistentes do que a delação de implicados que são réus confessos e que foram premiados pela Justiça.
É esse legado que o país carrega do caso Mensalão. Em vez de servir para punir exemplarmente culpados, o Mensalão abriu o precedente de incluir a Justiça com parte de um terceiro turno eleitoral. A Justiça brincou de fazer política e não olhou para os precedentes que abria. A insegurança jurídica que isso causa pode levar no mesmo rodo, no futuro, a água dos que encenaram o espetáculo da condenação sem provas.
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Pílulas Diárias: Há 20 anos, Florestan Fernandes já temia pelo PT

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Há 20 anos, Florestan Fernandes já temia pelo PT

Perdemos Florestan Fernandes em agosto de 1995. O filho de empregada doméstica que foi engraxate, ajudante de alfaiate, garçom, tornou-se um cientista social respeitado mundialmente. Mas jamais esqueceu sua origem proletária.

Em 1991, auge do neoliberalismo, a esquerda marxista estava sob forte ataque. Foi organizado um Ato em Defesa do Marxismo em São Paulo, do qual Florestan participou como convidado de honra. Em um trecho de seu discurso que merece destaque, ele se mostrava preocupado com:

...partidos de esquerda que, depois de alguns anos, ficam encantados com sua posição. Deixam de ser revolucionários e trabalham pelo social-reformismo, não pela revolução. O social-reformismo significa a reprodução da ordem existente. É um processo reacionário pelo qual a burguesia cede parcelas de riqueza, de cultura e de poder em troca de obediência, subalternização e aumento da exploração.

Eleito deputado federal duas vezes pelo PT, Florestan dizia que a experiência não foi nada agradável, mas serviu para mostrar-lhe como funcionavam as entranhas da dominação burguesa.

Ao mesmo tempo, em seu livro “Democracia e desenvolvimento”, de 1994, ele se mostrava preocupado com os rumos de seu partido:

Quanto ao PT, existem dentro dele várias tendências e a sua riqueza reside na confiança que conseguiu despertar nas massas trabalhadoras – primeiro em algumas cidades e, em seguida, numa extensão mais ampla da sociedade brasileira, inclusive no campo. Agora, se o PT ficar numa posição não socialista, não fará sequer uma revolução dentro da ordem, será apenas instrumental para essa modernização dirigida a partir de fora e de cima!

Nem todos os que têm raízes nas lutas proletárias foram fiéis a elas como Florestan.

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João Paulo Rillo: Plano de Alckmin reflete falta de compromisso com a Educação - Viomundo - O que você não vê na mídia

João Paulo Rillo: Plano de Alckmin reflete falta de compromisso com a Educação

publicado em 17 de setembro de 2015 às 22:35
João Paulo RilloCom educação, sem ruptura democrática
por João  Paulo Rillo
Para um país cuja elite defende historicamente rupturas democráticas, a educação é indispensável para criar uma sociedade livre, consciente e crítica. Este salto para o futuro inevitavelmente trilha o caminho da escola, do conhecimento e deve ser alavancado pelos recursos cobiçados internacionalmente do Pré-Sal, como já conseguimos assegurar com a legislação do regime de partilha e a criação do Fundo Social do Pré-Sal.
Porém, embora São Paulo seja um dos 11 estados do país que ainda não sancionaram seus planos, a proposta apresentada pelo governo de Geraldo Alckmin para o Plano Estadual de Educação na Assembleia Legislativa não foi recebida com entusiasmo. Estados e municípios deveriam ter seus planos locais sancionados até o dia 24 de junho, com um ano de vigência do PNE (Plano Nacional de Educação).
O projeto de Lei do governo chega à Assembleia sem o apoio do Fórum Estadual de Educação (FEE), órgão criado em 2013 pela Secretaria Estadual de Educação (SEE) para, exatamente, “elaborar proposta de Plano Estadual de Educação”  e acompanhar e avaliar a implementação da proposta. Composto por mais de 70 ONGs, sindicatos, órgãos de pesquisa e movimentos educacionais, o Fórum, entre 2014 e março deste ano, elaborou diagnóstico sobre a Educação em São Paulo e aprovou um texto com metas e estratégias. Pressionada, a Secretaria de Educação criou uma instância especial e apresentou outra proposta à Assembleia. Diante do descaso com o trabalho coletivo, a bancada do PT subscreveu a sugestão do Fórum.
A proposta do governador Geraldo Alckmin reflete os compromissos conservadores e desobrigados com a Educação, característicos das administrações tucanas. Desde 1995, quando Mário Covas (PSDB) assumiu, os desafios diários dentro da sala de aula só vêm se aprofundando. Alunos chegam às séries finais sem saberem ler e escrever ou realizarem as quatro operações básicas em matemática. A progressão continuada, tortamente implantada, trouxe consequências graves para o desenvolvimento da educação.
Alckmin pretende dar continuidade a estas situações insustentáveis. No Plano, com metas para os próximos 10 anos, além de desprezar o trabalho do Fórum, diverge em várias metas, como as de financiamento da educação, sobre a melhoria da qualidade da educação, a educação nos presídios e a promoção da igualdade de gênero. A proposta do governo é acanhada em relação ao financiamento, sequer cita a palavra gênero e tem metas frouxas para aprimorar a qualidade da educação.
Entendo que a proposta elaborada pelo Fórum é resultado de um debate coletivo e transparente e, por isso, mais representativo. O Plano Nacional de Educação prevê 20 metas para até 2024 melhorar significativamente a Educação no Brasil, articulando os governos federal, estadual e municipal.
Articulados, os Planos de Educação e os recursos do Pré-Sal podem consolidar uma revolução social, garantir a grande transformação da qual o país reclama, sem rupturas democráticas e sem violência. É a etapa indispensável nas conquistas sociais a ser enfrentada e superada para um futuro de inclusão e justiça social.
 João  Paulo Rillo é deputado estadual (PT-SP)
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Medida que aumenta a taxação de lucro dos bancos é aprovada no Senado | Brasil de Fato

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Contra a recessão, diálogo e mudanças, sem virada de mesa — Rede Brasil Atual





CONGRESSO DA CUT

Contra a recessão, diálogo e mudanças, sem virada de mesa

CUT realiza o seu 12º congresso de olho no governo, de quem cobra ações, principalmente em relação à política econômica, e reafirma a defesa das instituições democráticas
por Vitor Nuzzi publicado 13/09/2015 14:03, última modificação 14/09/2015 11:41
AUGUSTO (CAU) COELHO/COMUNICAMERA/CUT
capa
SEM RETROCESSO: Ato em Brasília contra o projeto da terceirização
Três anos atrás, quando realizou o seu 11º congresso nacional, a CUT se preocupava com um possível cenário desfavorável na economia e esperava mais disputas dentro do governo, à esquerda e à direita. A crise na economia veio, acompanhada de um furacão político, temas que estarão mais do que presentes no próximo congresso, de 13 a 17 de outubro, em São Paulo. Enquanto procura influenciar o governo para mudanças nas diretrizes econômicas, a central tromba com um Congresso de perfil mais conservador e critica a falta de reação de dirigentes partidários, particularmente do PT. E ao mesmo tempo em que cobra ações do Planalto, principalmente em relação à política econômica “errática e recessiva”, vai à rua para defender o mandato presidencial, ou as instituições.
A ofensiva não se limita ao Brasil, vale para a América Latina, diz o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, coordenador do congresso e da Articulação Sindical­, maior tendência interna da central, apontando um “projeto da direita” na região e alertando para riscos. “Se você perde a democracia, não avança em direitos. Também não estamos felizes com o governo, e deixamos isso muito claro. Podem ir à rua, se manifestar, mas têm de respeitar o mandato da presidenta (Dilma Rousseff)”, afirma Sérgio Nobre, destacando a presença de uma grande delegação internacional no evento. “Uma guinada à direita no Brasil influenciaria toda a região”, afirma.
Nobre cita um exemplo, no movimento, sindical da importância que o país assumiu no mundo: a eleição de João Felício, dirigente da CUT, para a Confederação Sindical Internacional. Para ele, o PT é o alvo da vez, mas não o único. O movimento sindical também será objeto de uma política contínua de desqualificação. “É um cenário que nos preocupa.”
ROBERTO PARIZOTTI-CUT / RODRIGO FÉLIX LEAL-FUTURA PRESSFreitas_CUT.jpg
Expectativa é recondução de Vagner Freitas à presidência; Atos da CUT e movimentos sociais, como os de 20 de agosto, cobram governo, mas defendem instituições
As forças políticas que atuam na CUT convergem na avaliação de que o governo Dilma decepcionou no início de seu segundo mandato, adotando medidas que contrariaram o discurso da campanha eleitoral. Naquele momento, de acordo com documento de análise feito pela central, o estafe de Dilma “optou por convencer o eleitor fazendo uma guinada à esquerda, apresentando possibilidades para um quarto mandato de maior aprofundamento das políticas sociais e de democratização do Estado”. Não foi o que aconteceu, frustrando os sindicalistas e provocando insatisfação nas bases sociais. Esse debate deverá dar o tom do congresso, que reunirá 2.300 delegados. Com perspectiva de formação de chapa única, eles deverão reconduzir Vagner Freitas à presidência.
A questão, segundo Sérgio Nobre, é mudar a agenda. Para ele, hoje o Brasil discute Lava Jato ou inflação, mas não o crescimento, e é preciso denunciar os efeitos da operação que “parou a economia brasileira” e criminalizou empresas importantes. Mas é necessário também mudar rumos no Executivo. “Nenhum governo consegue se sustentar se não despertar esperança no seu povo. O problema é que a agenda do governo está distante de seu eleitorado. Tem de mexer no time, e mudar o centro da política. A agenda não é combate à inflação, é voltar a crescer. A crise começou na política, contaminou a economia e agora está contaminando o social.”
LULA MARQUES-AGÊNCIA PT / MARCELO CAMARGO-AGÊNCIA BRASILCUT_atos.jpg
Para a central, é preciso ampliar a agenda e incluir crescimento do país no dia a dia da população
Mas não é só o comportamento do Executivo o problema. Para Nobre, o financiamento empresarial de campanhas eleitorais distorce a correlação de forças. “O povo olha para o Congresso Nacional e não vê a sua agenda lá.”
Isso não significa aceitar propostas de interrupção do mandato. “As nossas críticas não são para apear Dilma do poder, porque não tem elemento nenhum para isso. Isso é golpe, não tem outro nome. Não é defesa da Dilma, mas das instituições”, afirma Nobre. A opção Aécio, diz ele, significaria privatização, criminalização dos movimentos sociais, falta de negociação. “Não é da tradição deles. Eles não dialogam. O governo Dilma pode ter todos os problemas do mundo, mas os espaços de negociação estão preservados.”

Base social

O secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, lamenta a nomeação de Joaquim Levy – “filho da escola de Chicago” –, para a Fazenda, convocado para dar um “tranco” na economia. “O governo erra ao botar a economia acima da política. E perde base social”, afirma o dirigente, ligado à corrente Articulação de Esquerda. Ele lamenta oportunidades perdidas de crescimento e acredita que a política econômica estará no centro da discussão durante o congresso.
“O país tinha todas as condições de ter a segunda década de crescimento, sem parar. A tendência era de crescimento chinês mesmo. Para isso, a política está na frente de tudo. A política tem de dizer para onde vai a economia”, diz Solaney, ao comparar a gestão anterior e a atual. “Lula estava dizendo ao empresário brasileiro para investir. Dilma incorpora a tese da inflação de demanda”, afirma o dirigente. Ele também critica opositores: “Nenhum país merece uma elite dessa, que prefere quebrar o país, suas próprias empresas, para derrubar um governo e um projeto de país”.
ADONIS GUERRA/SMABCSérgio Nobre
Mudanças: “A agenda do governo se distanciou de seu eleitorado”, diz Sérgio Nobre
Faltou também discutir reformas (política, dos meios de comunicação, urbana) quando o cenário era mais propício, acredita Solaney. Para ele, com uma política de aliança de classes desde o governo Lula, prevaleceu a tese “antes uma péssima negociação do que uma boa briga”. E lamenta: “Não fizemos as boas brigas, possíveis e necessárias, com chance de êxito”.
Ele lembra que, antes mesmo da posse, o governo causou surpresa ao anunciar, sem discussão, as medidas provisórias 664 e 665, que restrigiam acesso a benefícios sociais. No início do ano, surgiu o debate sobre abertura de capital da Caixa Econômica Federal, “uma empresa histórica, que tem função estratégica”. “O governo foi eleito para aprofundar as políticas (sociais), com mais investimento, mais presença do Estado”, diz Solaney, que também considera um erro a “reestratificação” da classe trabalhadora como classe média.
As críticas também vão para o PT, que para ele não discutiu estrategicamente o programa histórico a ser aplicado no governo. “Não está defendendo a sua própria história, e corre o risco perder o legado histórico.” Solaney cita o porto de Suape, em Pernambuco, como exemplo de desenvolvimento a partir de uma visão estratégica, com uma carteira de 22 navios encomendados, dos quais cinco foram produzidos. “Eram 22 mil trabalhadores, agora tem 6 mil. Havia um processo de transferência de tecnologia, emprego, renda, cadeia produtiva, portos interligados com a Transnordestina­ (para escoamento de produtos). Isso é decisão política.”
AUGUSTO (CAU) COELHO/COMUNICAMERA/CUTJúlio Turra
Autoridade: Para Júlio Turra, quem trabalhou para eleger tem de cobrar

Defensiva

O diretor-executivo Júlio Turra (da corrente CUT Independente e de Luta) lembra de um encontro em março com o secretário-geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, quando a central deixou clara a sua posição contrária à política econômica, segundo ele semelhante a medidas de austeridade aplicadas na Europa, “fazendo superávit para remunerar bancos e credores da dívida pública, contenção de salários, da demanda e do consumo popular”, e se desvencilhando das responsabilidades do Estado em infraestrutura.
Ele também critica a falta de posição do governo em relação ao projeto de lei sobre terceirização, aprovado na Câmara e agora em tramitação no Senado. “É uma espada de Dâmocles, uma espada permanente sobre a cabeça do trabalhadores.” E vê o PT “na defensiva, sem tomar iniciativas” – em crise que não se sabe quando acabará.
Para Turra, a queda de popularidade se explica, em parte, pelo distanciamento do governo de suas bases sociais. “Só não está em uma posição mais difícil porque a CUT polarizou esse movimento de resistência. Isso forjou uma grande unidade dentro da CUT. Quem tem autoridade para cobrar mudanças são aqueles que o elegeram”, afirma. “Sem mudanças na política, o governo vai de olhos vendados para o abismo.” Ele também avalia que, em 12 anos, nenhuma reforma estrutural foi feita. “Estão todas pendentes”, diz, lamentando o “arremedo de reforma política” feito pelo Congresso. “O que não é mais do mesmo, piora.”

Burrice

A secretária de Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane da Silva, critica a mudança de uma política “desenvolvimentista”, até 2012, para uma de “viés neoliberal”, que prejudica setores mais vulneráveis da sociedade. “A gente não tem como explicar aos trabalhadores por que o governo mudou o calendário do PIS. É uma burrice inexplicável, uma economia burra”, exemplifica Rosane, da corrente CUT Socialista e Democrática (CSD).
Ela também identifica uma mudança, para pior, na condução da economia. “No início de seu (primeiro) governo, Dilma enfrentou os bancos”, diz Rosane. “Havia um ânimo muito forte (em relação ao governo), que iria enfrentar problemas estruturais.” Diante de uma direita mais organizada, querendo ver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão e o PT na ilegalidade, a dirigente acredita que o partido deveria ter mais iniciativa política. “O PT fica esperando os movimentos sociais, não consegue ser esse fio condutor de aglutinação da esquerda.”
Rosane espera que o congresso da CUT dê novo fôlego para o próximo período – permitindo apresentar e discutir uma agenda positiva, em vez de reativa. Mas espera mais do governo. “Quem pode dar sustentação ao governo da Dilma é a classe trabalhadora, são os movimentos sociais. Até agora, o nosso projeto, vitorioso em 2014, não foi executado.”
ROBERTO PARIZOTTI/CUTSolaney
Decisão: Solaney lamenta chances perdidas
Sérgio Nobre vê um “choque natural” na relação entre o PT e o governo, mas identifica falta de diálogo entre o Planalto e a bancada do partido. “Acho que a guinada do governo na politica econômica aumentou a diferença.” Mas ele espera renovação no próximo congresso do partido, com maior presença de representantes dos movimentos sociais. Para ele, a criação de uma frente de esquerda abre oportunidade para uma discussão estratégica sobre o país. Algo que a CUT está pensando, ao trabalhar em um projeto econômico alternativo.
Para o dirigente, é preciso pensar em reforma política que aprimore a democracia, em valorização da negociação coletiva, política industrial, fortalecimento de um empresariado nacional, “com interesse no desenvolvimento do país”. O “momento mágico” de 2010 passou. A conjuntura muda rápido, observa Nobre.
Segundo seus dirigentes, a CUT quer preservar a visão crítica em relação ao governo, de quem espera mais diálogo, e nos rumos na economia, que já mostra seus efeitos no mercado de trabalho. Sem fechar os olhos para setores da sociedade que, em vez de discutir o país, apostam no caos.
Paridade e mandato maior
Uma das novidades deste congresso nacional da CUT será a aplicação, pela primeira vez, do conceito de paridade de gêneros. Os cargos na diretoria serão divididos entre homens e mulheres. A alteração foi aprovada em 2012, em um dos principais debates daquele congresso. 

A secretária da Mulher Trabalhadora da central, Rosane da Silva, destaca o esforço conjunto para concretizar a mudança. “Não tem sido uma tarefa só das mulheres. Tem um envolvimento e um compromisso coletivo pela paridade”, afirma.

Concretizada a mudança, a executiva nacional da CUT deverá ter 16 homens e 16 mulheres, ante as dez atuais. Nas origens da entidade, era apenas uma (Rosiver Pavan).

Outra alteração a ser aprovada no Concut trata da duração do mandato, de três para quatro anos. A decisão saiu de plenária nacional realizada em 2014.

Durante o congresso, também será entregue o relatório da Comissão Nacional Memória, Verdade e Justiça da CUT, organizado pelo Centro de Documentação (Cedoc) da entidade. “Tem nomes de trabalhadores mortos em conflitos que não foram citados no relatório da Comissão Nacional da Verdade. Queremos que sejam validados pela Comissão de Anistia”, diz o secretário de Políticas Sociais, Expedito Solaney, que representou a central no grupo de trabalho sobre o movimento sindical da CNV. “É uma forma de resgatar a memória da classe trabalhadora, que foi quem pagou mais caro no golpe e ao longo do regime militar”.
ROBERTO PARIZOTTI/CUTRosane Box
Rosane: “Esforço pela paridade é coletivo”
Contra a recessão, diálogo e mudanças, sem virada de mesa — Rede Brasil Atual

Falcão: 'Não tenho informação de que Casa Civil terá ministro que não é do PT' — Rede Brasil Atual

ENTREVISTA

Falcão: 'Não tenho informação de que Casa Civil terá ministro que não é do PT'

Após reunião da executiva nacional do partido, em São Paulo, presidente do PT disse que Aloizio Mercadante "deveria ser mantido nas funções estritas da Casa Civil"
por Eduardo Maretti publicado 17/09/2015 19:49, última modificação 17/09/2015 22:14
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RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA
rui_falcao_sede.jpg
Rui Falcão: “As decisões de composição de ministério são prerrogativas da Presidência da República”
São Paulo – Em entrevista coletiva no início da noite de hoje (17), o presidente do PT, Rui Falcão, foi cauteloso ao falar sobre especulações, veiculadas nos últimos dias, de que haveria mudanças na área política (leia-se Casa Civil) do ministério do governo Dilma Rousseff. Falcão disse que as decisões de composição de ministério são prerrogativas da Presidência da República, e desconversou sobre os boatos de que a ministra Kátia Abreu (Agricultura) ou Ricardo Berzoini (Comunicações) venham a ocupar o cargo que hoje é de Aloizio Mercadante.
“Não recebi nenhuma informação de que a Casa Civil vá ser ocupada por algum ministro que não seja do PT”, afirmou. Segundo ele, Kátia Abreu é aliada e vem desenvolvendo atividades na Agricultura com desenvoltura e dialogado com vários setores, "mas não me consta que vá ser designada para essa função”. O presidente falou à imprensa após reunião da executiva nacional do partido em São Paulo.
Segundo ele, Mercadante tem cumprido as funções "estritas" da Casa Civil e, nesse papel, deveria ser mantido, podendo a presidenta destacar outro ministro para cumprir as funções mais próprias de articulação política com o Congresso Nacional. A fala pode indicar que as funções de Mercadante estão próximas de se resumir às atividades mais burocráticas da Casa Civil.
Sobre os boatos citando Berzoini como possível responsável pela área política, Falcão deixou a dúvida no ar. “Tem toda trajetória e competência para exercer qualquer função no governo. Se a presidenta entender, e ele aceder que deve cumprir um papel de articulação politica, é decisão dela, não tenho nenhuma restrição.”
Quase no fim da entrevista, clima de suspense. Falcão foi atender um telefonema que afirmou ser da presidenta Dilma. Cerca de cinco minutos depois, voltou dizendo que não era Dilma, mas Lula, que, segundo ele, cobrava um posicionamento do partido sobre Gilmar Mendes. Falcão contou que esclareceu o ex-presidente dizendo que o PT já havia divulgado uma nota.
Antes da coletiva, o partido divulgou uma resolução da comissão executiva nacional na qual afirma que “a oposição conservadora prossegue na sua investida para desestabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff”.

Apoio ao ajuste

No documento, o partido admite a necessidade das “medidas emergenciais” de ajuste orçamentário anunciadas pelo governo no início da semana “para minorar os impactos da crise mundial” na economia brasileira.
Ao mesmo tempo em que propõe “reorientar a política econômica”, pede colaboração dos parlamentares petistas no Congresso “com novas propostas e eventuais correções da proposta do Executivo”. Falcão disse que a resolução reafirma as posições que o partido já havia resolvido no 5° Congresso em Salvador, em junho.
Segundo o dirigente, “a taxa de juros não é rebaixada por uma ordem presidencial simplesmente”. Ele afirmou que o partido defende uma redução dos juros “progressivamente”.
A resolução repete argumentos de artigo escrito esta semana pelo presidente do partido. Afirma que “a nova investida” da "oposição conservadora" tem como senha a redução da nota do Brasil pela agência de rating Standard & Poor's. “Sem esconder suas intenções, atuam também, dentro e fora do parlamento, para derrogar a Lei do Pré-Sal, a política de conteúdo nacional, o regime de partilha e a condição de operadora única da Petrobras nas reservas petrolíferas”.
O documento defende o compromisso do PT com os trabalhadores e declara apoio à recriação da CPMF, incluindo uma faixa de isenção, defende a abertura de negociações com as entidades sindicais dos servidores federais e o diálogo para se regulamentar a Convenção 151 da OIT.
O economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, participou da reunião do diretório, mas não quis falar com a imprensa.

Falcão: 'Não tenho informação de que Casa Civil terá ministro que não é do PT' — Rede Brasil Atual

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Manifestantes impedem aprovação de 'plano vazio' de Alckmin para Educação — Rede Brasil Atual

Manifestantes impedem aprovação de 'plano vazio' de Alckmin para Educação

Presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB) assumiu compromisso de realizar audiências públicas sobre o plano
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 16/09/2015 18:51
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"Não existe avanço na educação se não se aumenta a verba", defendeu Bebel, presidenta da Apeoesp
São Paulo – Professores e estudantes impediram hoje (16) a aprovação do Plano Estadual de Educação na comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo, reivindicando que o projeto, encaminhado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e que tramita em regime de urgência, seja discutido com a sociedade. Os manifestantes ocuparam o plenário José Bonifácio e forçaram a presidenta do colegiado, deputada Rita Passos (PSD), a suspender a sessão, que foi convocada de última hora unicamente com objetivo de aprovar o relatório do deputado Roberto Engler (PSDB).
Para os educadores, o principal problema é o condicionamento do cumprimento das metas do plano à disponibilidade financeira do estado, conforme define o artigo 7º do plano, e o aumento do financiamento da educação relacionado ao aumento da verba nacional para até 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos (Meta 20). “O texto da meta esvazia toda possibilidade de cumprir as demais metas. Não existe avanço na educação se não se aumenta a verba”, defendeu Maria Izabel Noronha, presidenta da Apeoesp – sindicato dos professores.
As entidades defendem que o estado deve garantir a verba para execução das metas e condicionar o aumento do financiamento à sua própria arrecadação de impostos, inclusive reformando o sistema tributário para destinar mais verba à educação.
O relator, no entanto, ignorou as 150 emendas propostas pelos educadores, por meio da bancada do PT, e o projeto substitutivo apresentado pelo Psol, acatando somente uma proposta, que trata da instituição de aposentadoria especial de diretores, coordenadores pedagógicos e outras classes do setor.
Os deputados João Paulo Rillo, Antônio Mentor e Márcia Lia (PT), Carlos Gianazzi e Raul Marcelo (Psol) propuseram a suspensão da sessão porque a única audiência pública sobre o projeto foi convocada para o dia 22. E perderia a função se o projeto fosse aprovado. A deputada Rita afirmou que havia acordo para não ser iniciada sessão plenária até que houvesse a votação do projeto. E que se o projeto não fosse aprovado, seria encaminhado direto para o plenário da casa, sem apreciação da comissão.
“O plano não pode ser constituído pela assembleia e o governo. É uma construção coletiva. O projeto hoje é um verdadeiro retrocesso”, afirmou Gianazzi. Os manifestantes passaram a cantar palavras de ordem em coro, tornando impossível a continuidade dos trabalhos, que foram cancelados pela deputada do PSD. “Não vai ter golpe” e “democracia”, gritavam.
Docentes e alunos estavam participando de uma audiência pública convocada por deputados petistas, com objetivo de articular os opositores do projeto de Alckmin, que encaminhou um texto que não foi discutido com o Fórum Estadual da Educação, órgão que agrega professores, estudantes, empresários do setor, entre outros.
Após a suspensão dos trabalhos, o presidente da Assembleia, Fernando Capez (PSDB), conversou com os manifestantes na sala em que ocorria a audiência convocada pelos petistas. E se comprometeu a convocar audiências públicas, inclusive regionais, para discutir o Plano Estadual de Educação.
“O regimento diz que o projeto em regime de urgência tem de ser votado em dois dias na comissão. Se não ocorrer, o presidente pode nomear um relator especial para redigir o relatório, que será levado ao plenário. Eu assumi o compromisso desde que assumi a presidência, de não nomear esse relator especial. Esse projeto não vai ser votado sem audiência pública”, afirmou.
Capez propôs ainda a criação de uma comissão para analisar as propostas que surgirem das audiências. “Nós vamos discutir. Para discutir precisamos ouvir. Montar grupos para sistematizar as propostas. Não é para aprovar vapt-vupt”, disse.
Para Rillo, a pressão popular rendeu uma vitória importante, mas vai ser preciso muita pressão para melhorar o plano. “É preciso reduzir danos no plano, porque não será possível apresentar um substitutivo. O que vai tramitar é o projeto do governador”, avaliou. Na próxima terça-feira (22) será realizada a audiência da Comissão de Educação.

O projeto

O texto enviado pelo governo foi elaborado pela Secretaria da Educação, que criou uma Instância Especial para elaborar o plano. E convidou um grupo de especialistas definido pelo governo. Em 2014, o Fórum Estadual da Educação já havia apresentado uma proposta de plano ao governo Alckmin. Mas o projeto nunca foi encaminhado ao Legislativo.
"Este ano o secretário criou uma Instância Especial para validar o que fora definido no plano. Isso foi feito e depois o documento foi colocado em consulta pelo sistema interno da educação estadual. Porém, o projeto que foi encaminhado à Assembleia tem 23 metas e não as 20 definidas pela instância. As três últimas metas foram criadas sem participação de nenhum representante do ensino ou da sociedade", relatou o professor João Palma, coordenador do Fórum Estadual da Educação.
As três metas finais dizem respeito à municipalização do ensino básico (Meta 21) – que deixaria o governo estadual somente com o ensino médio –; a reforma do ensino médio (Meta 22), com a organização de um currículo flexível e escolhido pelos estudantes; e a criação de um novo modelo de formação para os professores (Meta 23). Os educadores reivindicam a exclusão total desses itens.
O fórum também aponta como problemática a ausência de proposta de plano de carreira para o professor e a universalização da educação para o ensino básico e médio. O governo Alckmin defende meta de 95% e 85% das crianças atendidas, respectivamente. O fórum propõe que a meta seja de 98% de atendimento para considerar a universalização.
Os estudantes reivindicam a unificação dos vestibulares das universidades estaduais, bem como a reserva de vagas para estudantes de escolas públicas. “As universidades estaduais precisam ter reserva de vagas, para garantir o acesso dos estudantes da rede pública paulista à USP, Unesp, Unicamp. Hoje os estudantes têm de pagar taxas altas para fazer os vestibulares das três universidades. Por que não desenvolver um vestibular unificado? Isso já auxiliaria na democratização do acesso”, afirmou a presidenta da União Estadual dos Estudantes, Flávia Stéfanny. A entidade apresentou outras 13 propostas como emendas às bancadas do PT e do Psol.
Entidades de defesa dos direitos das mulheres e de LGBT – sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e outras orientações sexuais e identidades de gênero – também estavam presentes reivindicando a inclusão de discussões de gênero e diversidade sexual no plano. O projeto de Alckmin não tem nenhuma referência ao combate à discriminação por homofobia, transfobia ou ao machismo.

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