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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Financial Times: um jornal vendido - Carta Maior

Disseram que o Brasil vivia um filme de terror, mas aterrorizados estavam eles.



27/07/2015 - Copyleft

Financial Times: um jornal vendido

O Financial Times é mais uma vítima da internet - e também da queda de credibilidade da imprensa tradicional.


Altamiro Borges

reprodução
O jornal britânico “Financial Times”, considerado a bíblia do capitalismo, acaba de ser vendido ao grupo japonês Nikkei, o maior conglomerado de mídia da Ásia. A Editora Pearson, responsável pela publicação, há muito tempo já dava sinais da decadência do diário econômico. A transação comercial, anunciada na quinta-feira (23), foi efetuada por £ 844 milhões (R$ 4,32 bilhões). O negócio também envolve o site "FT.com" e a revista “The Banker”, mas não inclui a luxuosa sede do Financial Times na beira do Tâmisa, em Londres, nem os 50% de ações que a editora tem no Economist Group, que edita a revista “The Economist”. O futuro dos jornalistas do diário ainda é uma incógnita.
 
Segundo relato da Folha, “a divulgação do acordo interrompeu os trabalhos na redação do jornal. Por volta das 16 horas (12h, horário de Brasília), pouco depois de o mercado ser informado do negócio, o editor-chefe, Lionel Barber, reuniu a equipe para comunicar a venda. ‘O FT é um ativo de nível mundial. Estou confiante de que vamos trabalhar juntos com nosso novo proprietário para garantir que assim permaneça’, afirmou. No cargo desde 2013, o presidente da Pearson, John Fallon, disse que o grupo decidiu vender o jornal, do qual era dono desde 1957, para priorizar o setor educacional, responsável por 90% da receita”. A queda constante dos lucros é a razão principal da transação.
 
O Financial Times é mais uma vítima da internet – e também da queda de credibilidade da imprensa tradicional. “Atingimos um ponto de inflexão na mídia, levado pelo crescimento explosivo do mobile e das redes sociais. Nesse novo ambiente, a melhor formar de assegurar o sucesso comercial e jornalístico do FT é ser parte de uma companhia digital global”, argumentou John Fallon. Lançado em 1888, o Financial Times possui uma equipe de cerca de 500 jornalistas. Já o grupo Nikkei, criado em 1876, tem 3.000 funcionários e é a maior corporação de mídia da Ásia. Edita um jornal que leva o mesmo nome, concentrado em economia e negócios, com tiragem diária de 3 milhões de exemplares.
 
O presidente-executivo do grupo Nikkei, Tsuneo Kita, garante que manterá a linha editorial “independente” do Financial Times. “Juntos, vamos lutar para contribuir para o desenvolvimento da economia global”, afirma. Nas três últimas décadas, o FT virou a bíblia do neoliberalismo, com suas teses regressivas e destrutivas do “Estado mínimo” e da precarização do trabalho. Como aparelho ideológico do capital, o jornal contribuiu para a atual tragédia da economia mundial, na mais prolongada e sistêmica crise do capitalismo. O diário também virou um instrumento venal do imperialismo no combate aos governos antineoliberais no planeta, principalmente da América Latina.
 
Nesta semana mesmo, quando já era vendido, o Financial Times publicou um duro editorial contra o governo Dilma, intitulado “Recessão e corrupção: a podridão no Brasil”, comparando o país “a um filme de terror sem fim”. A mídia colonizada nativa, com o seu complexo de vira-lata, repercutiu o artigo partidarizado, que chegou a afirmar que os problemas econômicos e políticos brasileiros seriam “suficientes para o impeachment” da presidenta. Na ocasião, o ministro Jaques Wagner, da Defesa, rebateu a ingerência indevida. “Esse jornal nunca olhou para o Brasil com bons olhos. A adjetivação deles eu prefiro que eles guardem com eles”, afirmou. De fato, o FT é um jornal vendido!


Créditos da foto: reprodução
Financial Times: um jornal vendido - Carta Maior

Brasil atingiu metas de redução de pobreza da ONU - Carta Maior



27/07/2015 - Copyleft

Brasil atingiu metas de redução de pobreza da ONU

Especialista afirma que o Brasil não só conseguiu atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio como buscou metas 'bem mais ambiciosas'.


Edgard Júnior - EBC (via Revista Fórum)

EBC
A especialista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, Renata Rubian, afirmou que o Brasil conseguiu atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, em relação à pobreza e à fome.
 
Em Nova York, Rubian disse em entrevista à Rádio ONU que o país buscou metas bem mais ambiciosas do que as determinadas pelas ODMs.
 
Erradicação 
 
"Por exemplo, a meta de redução da pobreza no Brasil não é de 50%, a meta de redução do Brasil que o governo adotou é de reduzir a 25% a incidência da pobreza extrema. A meta de redução da fome no Brasil também não é de redução de incidência de 50%. É uma meta de erradicação da fome".
 
Em relação aos países de língua portuguesa, ela citou resultados mistos. Rubian falou sobre a situação em Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste, que registrou avanços no setor de saúde.
 
"O Timor-Leste ainda não atingiu a meta de redução de pobreza, mas a genete vê que o Timor é um sucesso, na verdade, na redução da mortalidade infantil e na melhoria da saúde materna. No caso dos países africanos, é uma situação complexa. A gente vê, por exemplo, Angola e Moçambique que têm um crescimento econômico astronômico. Angola, a gente sabe muito bem de todas as riquezas naturais, como diamantes e petróleo. Mas infelizmente, no caso de Angola e Moçambique, esse crescimento econômico não se traduziu numa redução da pobreza."
 
No caso da Guiné-Bissau, Rubian disse que o país enfrentou mais desafios devido a instabilidade política e acabou não registrando avanços na redução da pobreza.
 
No geral, a especialista do Pnud afirmou que o mundo conseguiu reduzir a taxa de pobreza de 36% em 1990, para 15% atualmente.
 
Segundo ela, os grupos mais afetados pela pobreza extrema são as mulheres, os idosos, as pessoas com deficiências e as minorias étnicas.
 
Dados
 
Rubian disse que houve um avanço no plano global, em termos absolutos, mas quando analisados os dados agregados, os desafios continuam em várias áreas.
 
No caso do objetivo 8, da parceria para o desenvolvimento global, Rubian explica que ele propõe mudanças em vários setores como o financeiro, principalmente no comércio internacional.
 
Ainda na lista estão negociações para o perdão da dívida externa de países, acesso a medicamentos e à tecnologia.
 
"Em termos de tecnologia a gente pode dizer que essa é uma área de tremendo sucesso. A gente até compara… em vários países uma pessoa pobre tem acesso a um telefone celular mas não tem acesso a um banheiro, a um vaso sanitário. É um dado estatístico triste mas é a realidade. Em relação à telefonia celular foi um momento enorme e temos 95% da população, a gente calcula, com acesso a um telefone celular."
 
Agenda Pós-2015
 
Renata Rubian falou também sobre como a luta contra a pobreza e a fome e os esforços para o desenvolvimento se encaixam na nova agenda sustentável pós-2015, que será aprovada em setembro.
 
A especialista do Pnud chamou a atenção para os princípios de sustentabilidade que vão estar incluídos no novo documento.
 
Ela citou o princípio da integração entre os fatores sociais, econômicos e ambientais e também o da universalidade, que tem duas dimensões.
 
Rubian explicou que a agenda será aplicada a todos os países: desenvolvidos e em desenvolvimento e trará metas universais, como por exemplo, acabar mundialmente com a pobreza e a fome até 2030.


Créditos da foto: EBC
Brasil atingiu metas de redução de pobreza da ONU - Carta Maior

Agronegócio tem 10 vezes mais verba que a agricultura familiar em SP - Carta Maior

Não é de causar admiração em se tratando de PSDB



Agronegócio tem 10 vezes mais verba que a agricultura familiar em SP - Carta Maior

Globo 1989 2015: 26 anos de campanhas sujas contra Lula - Carta Maior

Globo 1989-2015: 26 anos de campanhas sujas contra Lula

Um promotor com folha de serviços judiciais que destacam 245 advertências por desempenho negligente protocolou uma acusação contra Lula em tempo recorde


Dario Pignotti

reprodução
Brasília - Pastas vazias. Em dezembro de 1989, as intenções de voto do candidato Luiz Inácio Lula da Silva cresciam em ritmo constante, enquanto o favorito Fernando Collor de Melo ficava estacionado, e para que esse quadro se revertesse e Collor pudesse finalmente ser eleito presidente, seria necessária uma importante ajuda da Rede Globo de Televisão. Era preciso desconstruir a imagem de Lula, ou melhor, a sua legitimidade, através de notícias negativas e da famosa montagem no debate final, em um estúdio de televisão, quando Collor chegou com uma volumosa pasta, na que assegurava conter provas irrefutáveis dos ilícitos cometidos por seu rival. Vinte anos depois, um ex-diretor da Globo, José Bonifacio Sobrino, o Boni, admitiu ter planejado o espetáculo de Collor posando como justiceiro, diante das câmeras, com um portfólio cheio de papéis em branco.
 
Estudos posteriores demonstraram que essa fraude eletrônica, complementada pela reedição igualmente tendenciosa dos melhores momentos do debate entre os candidatos, reverteu a curva de aprovação ascendente de Lula. Três dias depois, no dia 17 de dezembro de 1989, o petista sofreria sua primeira derrota presidencial contra a Globo, a única força política que sobreviveu impune aos 21 anos de ditadura, que obstruiu a transição democrática (censurando as mobilizações massivas por eleições diretas), e vem prolongando seu status de partido hegemônico até hoje.
 
Há duas semanas, um fiscal substituto, com currículo acadêmico mediano e uma folha de serviços judiciais na que se destacam 245 advertências por desempenho negligente e/ou demorado, protocolou uma acusação contra o ex-presidente e líder histórico do PT em tempo recorde, segundo ele, porque suspeitava do delito de “tráfico de influências internacional”.
 
O funcionário suplente, conhecido na comarca judicial de Brasília (integrada por vários procuradores e juízes anti-lulistas) por sua velocidade de tartaruga, iniciou o procedimento investigativo atropelando o prazo previsto pela promotora titular, que expirava em setembro.
 
Fez isso baseado nos artigos publicados pelo grupo Globo, nos que se associavam as viagens de Lula ao exterior, entre 2011 e 2014 com supostas manobras dolosas a favor da construtora Odebrecht – que atua em vários países e se beneficia há décadas das gestões de governantes civis e militares.
 
Em artigo ilustrado com a imagem de Lula com um gesto intrigante, a revista Época, das Organizações Globo, o define como um “operador” das empresas construtoras, e associa, sem nexo documental nem testemunhal, sua agenda internacional com o tráfico de influências.
 
O semanário global mostra mensagens de fax que confirmam as viagens, o que é redundante, porque os eventos no qual participou foram públicos, e se insinua que o grosso desses encontros não se realizaram com a participação da Odebrecht. Para completar a desinformação, a nota evita explicar devidamente que várias dessas viagens internacionais foram para receber prêmios e títulos de doutorados honoris causa, na Espanha, Estados Unidos e México, ou para manter reuniões com ex-presidentes, como as duas que teve com Bill Clinton.
 
Quem leu os quase 20 mil caracteres da reportagem principal, publicada no dia 30 de abril – a que foi citada pelo promotor para fundamentar suas suspeitas – chegará à conclusão de que contém tantos indícios contra Lula como os que guardavam as pastas em branco que levaram Collor à presidência em 1989, com cumplicidade da mesma Globo.
 
O vazio informativo da Globo nessa e em outras matérias similares, se transformou em escândalo mundial em questão de horas: agências internacionais e cadeias televisivas do mundo inteiro replicaram a notícia de que Lula estaria envolvido numa trama suspeita. A bola de neve se tornou gigante com o passar das semanas, e aquela notícia oca conseguiu inspirar análises mal-intencionados, especialmente da imprensa anglo-saxônica, e mais ainda dos meios financeiros como o Financial Times, que escreveu na semana passada um editorial sobre o “filme de terror” de um Brasil que se afunda na corrupção, e que só se salvaria com um plano de ajuste exemplar. Seria, por acaso, um plano como o imposto à Grécia? Possivelmente sim.
 
Aliás, as teses extremamente neoliberais do Financial Times costumam ser tomadas como próprias pela Globo, para o que imagina ser um futuro próximo pós-Lula e pós-Dilma Rousseff – também a querem fora do Planalto, apesar das políticas ortodoxas de seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, um ex-funcionário do FMI e do banco privado Bradesco.
 
A urgência do grupo midiático mais concentrado da América Latina em virar a página da era “lulopetista” foi bem resumido na semana passada, num artigo de opinião cujo título – “Sem tempo” – não deixa lugar a dúvidas, trazendo argumentos a favor de uma saída antecipada de Dilma e a continuidade do ortodoxo ministro Levy numa gestão de transição, após um hipotético golpe institucional.
 
Como os nazistas
 
Poucos jornalistas conhecem a lógica política da Globo como Tereza Cruvinel, que trabalhou durante mais de uma década como colunista política para os meios da empresa, antes de seguir sua carreira em outros veículos. Cruvinel assegura que o plano editorial para acabar com o capital simbólico e político de Lula tem um capítulo crucial com sua chegada ao poder, em 2003.
 
"O enredo que vem sendo rabiscado desde 2003 agora começa a tomar forma. No epílogo desejado por seus autores, o ex-presidente Lula sai da História, do lugar assegurado por sua trajetória e por oito anos de governo que mudaram o Brasil, tomba como réu em um processo desonroso, torna-se inelegível e o povo brasileiro não repete a ousadia de colocar na Presidência alguém saído de onde ele saiu: da pobreza, do Nordeste, da classe operária, do compromisso com os mais pobres e com um Brasil de todos", analisa Cruvinel.
 
De sua parte, Lula respondeu aos ataques nesta sexta-feira (24/7): “tenho a impressão de que o que vemos na televisão se parece com o que os nazistas faziam, criminalizando o povo judeu, ou o que os romanos faziam, criminalizando os cristãos. Estou cansado de ver esse tipo de criminalização contra as esquerdas”.
 
Em encontro com sindicalistas da região industrial de São Paulo, o ex-presidente reforçou sua indignação enaltecendo a honestidade de Dilma, caluniada diariamente com insinuações sem provas. Vestido com o velho macacão de militante, o ex-presidente viaja pelo Brasil denunciando a tentativa de golpe branco contra Dilma, reivindicando a política econômica distribucionista dos governos petistas, assim como da continuidade da política externa voltada à América Latina.
 
Apesar das campanhas negativas contra si, Lula mantém uma agenda de encontros internacionais que, nos últimos meses, incluiu eventos com os presidentes Evo Morales e Cristina Fernández, o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, e o presidente do Parlamento venezuelano Diosdado Cabello, encontro que ocorreu pouco antes da missão de senadores opositores brasileiros, que viajaram à Venezuela para se encontrar com os referentes golpistas.
 
Lula é o único sobrevivente da troica sul-americana formada por ele, Néstor Kirchner e Hugo Chávez – a que, em 2005, acabou com o projeto de “anexação” da ALCA, na cara de George Walker Bush, que foi àquela Cúpula das Américas de Mar del Plata com a certeza de que ninguém se atreveria. Tinha como aliado o corpulento presidente mexicano Vicente Fox, que mostrou ser um anão político de incapacidade diplomática singular.
 
O eventual retorno do líder petista nas eleições de 2018 é uma hipótese contra a qual a família Marinho, dona da Rede Globo, trabalha determinada, junto com seus sócios políticos locais. Esse bloco contrário ao regresso de Lula conta, possivelmente, com o aval dos grupos de interesse estrangeiros, “provavelmente norte-americanos”, comprometidos com a restauração de um projeto de livre mercado hemisférico, comentou a este diário o chefe do bloco de deputados do PT, Sibá Machado.
 
Tradução: Victor Farinelli
Globo 1989 2015: 26 anos de campanhas sujas contra Lula - Carta Maior

Catta Preta subiu no telhado. Por quê? - Carta Maior

27/07/2015 - Copyleft

Catta Preta subiu no telhado. Por quê?

No escritório de advocacia dos Catta Preta militam ativos membros da confraria digital dos apoiadores de Aécio e militantes anti-Dilma


Redação

reprodução do Jornal I9
A saída abrupta da advogada Beatriz Catta Preta da Lava Jato, e a sua anunciada intenção de morar em Miami, gerou inúmeras interrogações pouco ou nada contempladas pelo furor investigativo da mídia isenta.
 
Catta Preta ocupou papel decisivo na trama, tendo sido parceira e braço direito do juiz Moro na condução das delações premiadas --que alguns preferem denominar de delações chantageadas. O rumo do processo responsável por alvejar  a Petrobras, fragilizar o pré-sal e alimentar o cerco golpista ao governo Dilma possivelmente não seria o mesmo sem a sua azeitada parceria com o juiz Moro, que saiu em sua defesa contra a tentativa de integrantes da CPI da Petrobras de convocá-la a depor.
 
A nebulosa motivação da renúncia, repita-se,pouco investigada pela mídia sempre tão operosa em outras pautas, envolveria uma mudança no depoimento de um de seus clientes no caso, Júlio Camargo. A contragosto da Catta Preta e de suas orientações, Camargo teria mudado a delação ao juiz Moro, para acrescentar a denúncia do achaque de US$ 5 milhões de Eduardo Campos, presidente da Câmara e assumido operador do cerco para a derrubada do governo Dilma.
 
A decisão da advogada, tudo indica, envolve portanto mais do que a determinação de desfrutar uma vida de fastígio, sombra e água fresca em Miami, flutuando nos R$ 22 milhões que faturou na Lava Jato como responsável por nove das 18 delações consumadas na operação.
 
Sejam quais forem as suas razões, Beatriz Catta Preta é uma pauta quente da República  e o fato de não ser tratada assim nas redações do dispositivo conservador apenas reforça essa percepção.
 
Um pouco do que se sabe dela, para além do semblante contido pelo aro de óculos de secretária-executiva, foi publicado no site do jornal i9 , em novembro do ano passado. A advogada pertence a uma família influente em Minas Gerais, tendo um primo nomeado desembargador pelo governo do PSDB. No escritório de advocacia dos Catta Preta, em Belo Horizonte, militam ativos membros da confraria digital dos apoiadores de Aécio e militantes anti-Dilma e anti-PT. É um direito legítimo. Assim também como é legítimo arguir o que isso tem a ver com as induções, manipulações, vazamentos e, sobretudo, com a seletividade das denúncias e delações na Lava Jato.


Créditos da foto: reprodução do Jornal I9



Catta Preta subiu no telhado. Por quê? - Carta Maior

A variável Lula - Carta Maior

A variável Lula

É Lula que pode ser o eixo da recomposição das forças de esquerda, democráticas e populares, recomposição que deve ser feita com novas plataformas.

por Emir Sader em 27/07/2015 às 07:12





Emir Sader
Lula foi situado no centro da vida política brasileira. Todos os holofotes se concentram sobre ele: ou será abatido no voo pela direita, tirando-o, no tapetão, da vida política, ou exercerá seu papel de eixo da recomposição da esquerda brasileira e conseguirá dar continuidade ao processo iniciado em 2002, com todas as adequações necessárias.

Em um marco de crise de credibilidade das instituições, das forças políticas e sociais, das lideranças, a exceção fica com Lula. Não fosse assim, ele não seria alvo dos ataques concentrados da direita. Se acreditasse nas suas pesquisas, bastaria a direita esperar até 2018 e derrota-lo com qualquer um dos seus candidatos.

O destino da direita depende de conseguir inviabilizar juridicamente a candidatura do Lula e ter assim o caminho aberto para reconquistar a presidência da república. Caso contrario, teria que se consolar com um novo mandato do Lula, limitando-o pela revogação da reeleição.

Do lado do campo popular, Lula também é a referência, é o grande patrimônio, com ele pode contar. O maior líder popular da história do Brasil, Lula mantém vínculos profundos com a massa da população, seus governos ficaram marcados na consciência e na memoria das pessoas, Lula representa a auto estima dos brasileiros. Por tudo isso, apesar da brutal campanha contra sua imagem, ela permanece arraigada no seio do povo.
 
Mas ele não se limita a estar na memória do povo, ele representa também sua esperança. Ninguém tem o carisma e a mística que a liderança de Lula possui.

Desde a crise de 2005, quando a imagem do PT passou a ser afetada negativamente, a imagem do Lula foi se descolando do partido, conforme o governo foi ganhando prestigio, com o sucesso das politicas sociais. Mesmo quando a imagem do governo de Dilma e a do PT sofrem com a mais dura das campanhas da oposição, a imagem de Lula resiste e as próprias pesquisas que dão resultados muito ruins para o PT e Dilma, tem que revelar que Lula teria pelo menos 33% de apoio.

Mas o Lula de agora precisa propor ao país novas utopias, novos objetivos, continuidade e aprofundamento do que foi feito a partir do seu governo, precisa diálogo com novos setores sociais, especialmente os jovens, tanto os da periferia quanto os da classe média, precisa surgir como quem reivindica não só a visibilização desses setores, como os espaços das mulheres, rejeitadas nas suas reivindicações. Em suma, Lula tem que representar, ao mesmo tempo, a retomada do que foram seus governos, da forma de fazer política que unifique as forças que apoiem os programas propostos nos seus governos, como também renovador. Nas reivindicações, na linguagem, na interpelação e integração de setores até aqui marginalizados.

É Lula que pode ser o eixo da recomposição das forças de esquerda, das forças democráticas e populares, recomposição que tem que ser feita com novas plataformas, novos programas, que deem vida a um amplo movimento social, político, econômico, cultural, que consolide os avanços, altere profundamente as relações de poder que resistem a esses avanços e aponte para o Brasil a que Lula abriu o caminho com seus governos e sua liderança.
 
Qualquer especulação política sobre o futuro do Brasil que não leve em consideração a variável Lula, está equivocada, está fora da realidade, não considera o fator determinante do futuro político do país. Candidatos tucanos já conhecidos, nomes sem nenhuma viabilidade popular do PMDB ou outros nomes que aventuras políticas apontam, se chocam com essa realidade incontornável. Uma vez mais, quem não decifra o enigma Lula é devorado por ele, como tem acontecido reiteradamente. 


Tags: Política 

A variável Lula - Carta Maior

Democracia & Política: A CAMPANHA PARA DESTRUIR A ODEBRECHT

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A CAMPANHA PARA DESTRUIR A ODEBRECHT


         Sede da empresa em São Paulo

A campanha para destruir a Odebrecht

"Pode parecer irônico um blogueiro de esquerda defender a Odebrecht. Mas eu defendo. Quem olhar a conjuntura, entenderá perfeitamente que a defesa da nossa principal empresa de engenharia é uma questão estratégica. É algo que vai muito além das disputas ideológicas.

Por Miguel do Rosário, no blog "Cafezinho"

Se perdermos a Odebrecht, perderemos boa parte do que investimos na África, por exemplo.

Se lembrarmos que a Odebrecht é a principal detentora nacional de tecnologias militares, através de sua participação em projetos como o submarino nuclear, satélites, projetos tecnológicos, balística, pode-se entender melhor quem são os patrocinadores interessados em sua destruição.

A Odebrecht não será defendida por EUA ou China, ambos com interesses em avançar sobre seus despojos, na África, nas Américas, na Ásia, em toda parte.

A grande mídia brasileira em peso, a começar pela "Globo", iniciou uma grande campanha para destruir a Odebrecht.

Esses ataques internos já começaram a alimentar ataques lá fora, e agora ambos se retroalimentam.

A mídia brasileira quer destruir a Odebrecht para derrubar o governo. Se a Odebrecht for destruída, ela terá dificuldade para completar as obras em andamento e pagar os financiamentos contraídos junto ao BNDES.

Essa é a bomba que os golpistas querem explodir para aniquilar Lula.

Agem como terroristas da Al Qaeda: não se importam com a destruição promovida, até porque os seus patrocinadores pagam justamente na proporção do estrago. Quanto mais destruição, melhor o pagamento.

O jogo é pesado, brutal e a gente está cansado de saber que a mídia não joga ao lado do Brasil.

A destruição da Odebrecht faz parte da conspiração Lava Jato, na qual, além dos incontáveis arbítrios, violências, inovações processuais, existem elementos estranhíssimos.

Desde as revelações do Wikileaks e, em seguida, do Snowden, adquirimos o direito, quase a obrigação, de sermos paranoicos.

Quem está abastecendo a conspiração com a íntegra de emails, whatsapps, celulares, todo o tipo de informação sigilosa, necessária para promover a destruição da Odebrecht?

Tudo isso foi apreendido pela PF, ou foi repassado a ela por agências de espionagem?

Se o Estado sabe tudo, e se vaza seletivamente, então não estamos diante de uma busca pela justiça - e sim diante de uma operação de guerra que visa destruir a empresa, obviamente para beneficiar outros agentes.

Quem se beneficia da destruição da Petrobrás, do BNDES, da Odebrecht, do PT?

O interesse nacional tem de estar acima de tudo.

Não podemos permitir que a luta contra a corrupção seja manipulada para destruir nossas principais empresas, nem nossos principais partidos políticos.

Essas instituições fazem parte da nossa infraestrutura econômica, energética, financeira, política.

Atacar nossa infraestrutura é estratégia de guerra geopolítica. Quem se beneficia com isso são outros países.

E beneficia a mídia bandida.

A mídia brasileira, além de ser um braço do imperialismo em nosso país, é uma ave de rapina que se alimenta de destruição, morte e carniça.

A corrupção tem que ser combatida permanentemente, mas as instituições devem ser preservadas.

Os corruptos devem ser presos - após um processo, após uma sentença, após uma condenação, após terem o direito a todos os recursos.

É chato, mas é a democracia.

Aprendam com a Suécia, o país menos corrupto do mundo: a melhor maneira de combater a corrupção é aumentar a transparência e a vigilância.

"Last, but not least", temos que tomar muito cuidado com pesquisas de popularidade.

Isso também é uma tentativa de burlar o sufrágio universal.

Isso também faz parte do golpe.

A mídia faz campanhas negativas pela manhã, e divulga pesquisa à noite.

Ora, se a mídia passasse duas semanas falando bem da Dilma, ajudando-a a governar, ajudando o governo a harmonizar os interesses conflitantes no Congresso e na sociedade, a popularidade de Dilma cresceria uns dez ou vinte pontos.

Dilma e o governo cometem muitos erros. A incompetência oficial em matéria de política e comunicação já é algo lendário, mas a campanha negativa da mídia responde por boa parte de sua baixa popularidade.

Além disso, em seu afã para derrubar o governo e fazer o jogo imperialista, a mídia está criando uma sociedade fascista.

Temos que organizar a resistência.

Abaixo, os advogados da Odebrecht denunciam os arbítrios da Lava Jato: 



FONTE: escrito por Miguel do Rosário, no seu blog "O Cafezinho", Transcrito no portal "Vermelho"  (http://www.vermelho.org.br/noticia/268030-1).
Democracia & Política: A CAMPANHA PARA DESTRUIR A ODEBRECHT

Lei de Cotas para pessoas com deficiência criou 27,5 mil empregos | (D)Eficiente

Lei de Cotas para pessoas com deficiência criou 27,5 mil empregos | (D)Eficiente

Altamiro Borges: O embrião fascista no Brasil

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O embrião fascista no Brasil


Por Marco Weissheimer, no site Sul-21:

O Brasil está assistindo ao crescimento de uma onda conservadora e autoritária, de cunho fascista, que pode lançar o País em um grave retrocesso político, econômico e social nos próximos anos. Toda vez que o país se deixou dominar pelo pensamento de direita, acabou sendo tomado pelos valores do autoritarismo, que vem das raízes escravocratas das nossas chamadas elites, preguiçosas, incultas e profundamente perversas. A advertência é do cientista político, escritor e um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, que esteve em Porto Alegre na última sexta-feira para lançar e debater seu mais recente livro, “A serpente sem casca. Da crise à Frente Popular” (Altadena Editorial) . O lançamento ocorreu no início da noite de sexta-feira, no auditório do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região, reunindo lideranças políticas e sindicais, jornalistas, estudantes e professores universitários.

O fio condutor do livro de Roberto Amaral tem a forma de um alerta. A escolha do ovo da serpente como metáfora para falar da atualidade brasileira, enfatizou, é pela possibilidade de enxergamos a gestação de um embrião fascista no Brasil. “O fascismo não começa pela sua exasperação, ele começa lento, com ofensas verbais, e depois evolui para agressões físicas e coletivas. Esse conservadorismo é tão mais perigoso na medida em que ele está presente em todos os meios de comunicação e é destilado dia e noite junto à população”.

Para Amaral, a sociedade brasileira está sendo preparada diariamente para a interrupção do governo Dilma. “Já estamos vivendo uma série de golpes. Essa eleição vai se resolver em cinco ou seis turnos”. Neste contexto, ele defende a necessidade de formar uma frente popular, de caráter amplo e democrático, capaz de erguer uma barragem ao avanço do pensamento de direita no País.

Autor da apresentação do livro, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, destacou a existência hoje no Brasil de um conjunto de movimentos frentistas que partem de uma mesma constatação: a forma pela qual se estabeleceram as coalizões políticas no País nos últimos anos está esgotada, o que exige pensar uma nova forma de organização, mais programática e que tenha uma estrutura frentista clara. Na mesma linha, Raul Carrion, da direção estadual do Partido Comunista do Brasil, assinalou que o momento é para avançar na direção da construção de uma frente popular e democrática ampla no Brasil, em torno de objetivos programáticos e não meramente eleitorais.

A coisa mais importante dessa frente, disse a cientista política Céli Pinto, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é que ela precisa dar conteúdo à palavra “esquerda”. “Não podemos mais ficar dizendo que somos de esquerda porque estamos à esquerda da direita. Precisamos retomar algum conteúdo importante. Nós perdemos a nossa condição de esquerda e precisamos reconstruir isso”.

Ao final do encontro no Sindicato dos Bancários, Céli Pinto leu um manifesto em defesa da construção de uma frente dessa natureza e colocou-o aberto para receber assinaturas de apoio.

Roberto Amaral conversou com o Sul21 sobre o seu novo livro e sobre o atual momento político do País. A seguir, um resumo dessa conversa e de alguns dos principais pontos apresentados pelo autor durante sua fala no SindBancários:

O ovo da serpente e o embrião fascista

“O ovo da serpente tem uma característica especial: ele não tem casca, mas sim uma película muito fina e transparente que permita que se veja o embrião se desenvolvendo. O que quero dizer com essa metáfora é que nós estamos vendo o desenvolvimento de um embrião fascista no Brasil. Está em nossas mãos a decisão. Podemos deixar esse embrião crescer, sair desse ovo e amanhã picar o nosso calcanhar, ou podemos esmagá-lo agora. O ovo da serpente permite que vejamos à frente. Estou tentando chamar a atenção, não só da esquerda, mas das forças progressistas e democráticas em geral, para a ameaça de um grave retrocesso político e ideológico no País. Esse retrocesso não se mede apenas pela crise dos partidos, em particular pela crise dos partidos de esquerda e, de modo mais particular ainda, pela crise do PT. Tampouco se mede apenas pela crise do governo Dilma. Ele se mede, fundamentalmente, pela ascensão de uma opinião, que já está se tornando orgânica, de retrocesso conservador.”

“Já há um baluarte institucional perigosíssimo desse processo, que é a Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha não foi colocado ali pelo acaso, ele representa um núcleo pensante conservador brasileiro. Esse núcleo, na Câmara, está representado pela chamada bancada BBB, ou seja, os grupos do boi, do agronegócio atrasado, da bala e da Bíblia, que reúne os evangélicos primitivos e midiáticos. Isso tudo se juntou”.

Esquerda não levou a sério o tema da comunicação

“Mas é preciso dizer que a grande responsabilidade por isso é da esquerda e dos nossos governos de centro-esquerda. Há mais de 40 anos, eu e outras pessoas – aqui no Rio Grande do Sul havia uma pessoa que lutava muito por isso, o Daniel Herz – viemos alertando sobre o poder dos meios de comunicação de massa no Brasil, sobre o monopólio da informação e a cartelização das empresas. A esquerda nunca acreditou nisso.”

“A primeira eleição do Lula serviu para mascarar esse problema. Nós metemos na cabeça que essa gente não formava mais opinião. Nos descuidamos e ficamos assistindo à construção de um monopólio ideológico, destilando conservadorismo de manhã, de tarde e de noite. Aqui, não estou me referindo apenas à Rede Globo, ao Globo, Estadão e Folha de São Paulo. Pior do que isso talvez sejam as rádios evangélicas, as rádios AM e FM, despejando diariamente xenofobia, racismo, machismo, homofobia e tudo o que é atrasado. Paralelamente a isso, nós não construímos uma imprensa nossa. E nem estou falando de uma imprensa nossa para falar com a sociedade. Não construímos uma imprensa nossa sequer para falar conosco mesmo. Os militantes do movimento sindical e dos partidos se informam das teses de suas lideranças pela grande imprensa. Nem criamos uma imprensa de massa, nem criamos uma imprensa própria.”

“Nos anos 50 e 60, nós tínhamos O Semanário, que circulava no Brasil inteiro defendendo as teses do Petróleo é Nosso e da Petrobras, tínhamos Novos Rumos, do Partido Comunista, a imprensa sindical e circulava também a Última Hora. Havia, então, um esforço para garantir um mínimo de debate. Isso tudo desapareceu e nada foi colocado no seu lugar. Com a chegada de Lula ao governo, os principais quadros do PT foram transferidos da burocracia partidária para a burocracia estatal e o partido acabou se esfacelando. Os principais quadros do movimento sindical também foram transferidos para os gabinetes da Esplanada”.

“A grande dificuldade que temos hoje para promover a defesa do governo Dilma é que perdemos o diálogo com a massa. Eu conversava dias atrás com uma ex-presidente da UNE e ela me dizia: ‘Professor, como é que eu posso entrar em sala e chamar os estudantes para uma passeata quando o governo está reduzindo as verbas para as bolsas de estudo’. Há um paradoxo entre a nossa política e a nossa base social. A Dilma não foi eleita pela base com a qual está governando. Ela atende os interesses dessa base com a qual está governando e não tem o apoio dela. Por outro lado, ela contraria os interesses da base progressista, a qual nós temos dificuldade de mobilizar para defendê-la. Esse paradoxo precisa ser enfrentado.”

“Não devemos nos iludir com os compromissos democráticos da direita”

“Ninguém deve se iludir com os compromissos democráticos e legalistas da direita brasileira. É uma direita que sempre apelou para o golpe e para o desvio democrático. Está aí a história dos anos 50 e 60 repleta de exemplos disso. Ela não tem compromisso com a democracia. Seu único compromisso é com seus interesses de classe. E, lamentavelmente, parece que a burguesia no Brasil tem mais consciência de classe do que muitos setores proletários.”

“Há um segundo paradoxo, que é difícil explicar a não ser que você use aparelhos ideológicos. Nós já sofremos, de fato, dois golpes nos últimos meses. A direita perdeu as eleições, mas ganhou a política. Esta política econômica que está sendo aplicada é a política da direita. O segundo golpe foi a implantação de uma nova forma de parlamentarismo, que vive de subtrair poderes do Executivo. E há ainda um terceiro golpe em curso que consiste em refazer a Constituição sem ter poder originário para tanto, retirando da Carta de 88 conquistas que levamos décadas para aprovar e consolidar”.

Sobre a construção de uma frente ampla, popular e democrática

“Diante deste cenário, precisamos articular a formação de uma frente ampla, de uma frente popular que reúna os setores progressistas e democráticos do País. Eu não estou falando de uma frente de esquerda, pois com isso estaríamos nos encerrando em um casulo, voltando a ser ostra. Precisamos retomar um discurso para a classe média, que perdemos em função dos desvios éticos do PT. Nós não estamos pagando o preço de erros de governo, mas sim dos desvios éticos. Precisamos retomar um discurso que fale para os trabalhadores, para os setores médios, para as forças progressistas, que não são necessariamente de esquerda, falar com a empresa nacional que, neste momento, está sendo destruída neste País. Há uma tentativa de acabar com as principais empresas brasileiras, detentoras de know how, não por uma questão moral, mas para colocar no lugar delas empresas espanholas, chinesas e americanas.”

“Não estou pensando a constituição desta frente com objetivos imediatos e de caráter eleitoral, mas sim na perspectiva da reconstituição das forças progressistas. O ponto de partida para essas forças é construir uma barragem para conter o avanço do pensamento e da ação da direita. Para isso, precisamos voltar às ruas e voltar a debater com a população. Na minha opinião, o modelo no qual devemos nos inspirar não é o da Frente Ampla uruguaia. Esta tem algo que nós temos, partidos. É uma frente de partidos. Nós temos que construir uma frente de movimentos, da sociedade, preparada para receber os partidos e oferecer a eles um novo discurso, uma nova alternativa. Mas não trabalho com a ideia de um modelo pronto e acabado. O que vai decidir isso, como sempre, é o processo histórico”.

A ameaça do impeachment

“Irrita-me o fato de nossas forças estarem acuadas por fantasmas. O nosso governo está acuado, enquanto ele tem o que dizer. Em face disso, como não há espaço vazio, a direita vem avançando e preparando ideologicamente a ideia do impeachment. Precisamos por isso a nu e exigir que a direita assuma publicamente se é golpista ou não. O senhor Fernando Henrique Cardoso tem que ser chamado às favas. O PSB e o PMDB têm que ser questionados a assumir se são golpistas ou não. Creio que a melhor forma de enfrentar a ameaça do impeachment, seja ela pequena ou grande, é dizer que ela existe. Dizer que ela não existe é perigoso. E o objetivo principal nem é mais a Dilma, é o Lula. Querem liquidar o Lula e o PT. Não se iludam. Se isso acontecer, não atingirá só o PT, mas toda a esquerda brasileira. Temos responsabilidades distintas pelo que está acontecendo, mas estamos todos no mesmo barco”.
Altamiro Borges: O embrião fascista no Brasil: Por Marco Weissheimer, no site Sul-21 : O Brasil está assistindo ao crescimento de uma onda conservadora e autoritária, de cunho fasci...