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segunda-feira, 8 de junho de 2015

SIDEPOL – Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Por que o judiciário e o ministério público são tão lenientes com o PSDB? Talvez o quadro descrito pelo presidente do sindicato dos delegados de polícia do Paraná explique muito acerca desse comportamento,





Excelentíssimos Senhores Delegados de Polícia e demais Servidores da Polícia Judiciária:
Chegamos à um limite e temos que tomar um posicionamento firme em defesa da sociedade e em defesa de uma Polícia Investigativa que seja garantidora dos direitos fundamentais e que atue buscando sempre o aperfeiçoamento da democracia.
Temos acompanhado a luta dos Professores Estaduais e demais Servidores para ver cumprido um direito constitucional que é a reposição dos índices da inflação na data base, que foi estabelecida em 8,17%.
Como bem afirmou o Governador do Estado, “tudo tem limite. O dinheiro vem de um lugar só, não existe no Estado uma fábrica de dinheiro, os recursos são resultado do esforço da sociedade em pagar impostos”.
O Estado não tem verbas para honrar um direito dos Servidores Públicos que nunca deixou de ser cumprido por esta administração, sinal de que verdadeiramente chegamos ao limite.
Em 2010, como se não bastasse o repasse de  18,6% de tudo o que o Estado do Paraná arrecada, no cálculo destes repasses ao Poder Judiciário, legislativo, Tribunal de Contas e Ministério Público foi incluído até mesmo o Fundo de Participação dos Estados.
Segundo dados divulgados durante o debate de ontem na ALEP,acerca dos reajustes dos Servidores, um deputado informou que de 2011 até 2014 a arrecadação do Estado do Paraná saltou de 16 bilhões para mais de 40 bilhões de reais. O mesmo salto foi dado por estes Poderes que recebem um percentual de tudo o que o Estado arrecada.
Não foi por mera coincidência que a partir de 2011 vimos proliferar nos demais poderes a verdadeira farra com dinheiro público, uma clássica corrida de imoralidade, sempre empatada entre os “corredores” com o eufemismo da simetria, auxílios estes que foram aprovados mediante verdadeiro atentado ao regime democrático, conforme notícias recentes da Gazeta do Povo que relatou que Deputados sofreram  constrangimentos em suas votações.
Pois bem, quando acuso o Ministério Público de ter sido o responsável por escancarar as porteiras da corrupção jurídica pela distorção da hermenêutica, muitos tecem críticas alegando que estou errado, mas pergunto: Quem se arvora e faz discursos inflamados alegando que é o fiscal da lei?
Se desde o início da farra da corrupção pela via jurídica o Ministério Público tivesse se posicionado como verdadeiro fiscal da lei, tais abusos com dinheiro público não teriam proliferado como um câncer sem nenhum controle, pois quando o “fiscal” participa ativamente da festa, perde completamente a capacidade moral para impor qualquer freio ou limite aos “fiscalizados”.
Por essa razão, pelo fato do dinheiro público ter um limite e pelo fato do bolso do contribuinte ter um fundo, é que estamos lutando não só para revisão destes índices de repasses, como também pela devolução com incidência de juros e correção monetária, dos valores imorais recebidos à título de “auxílios” por funcionários públicos que já recebem os mais altos salários da administração.
Para que alguns tenham noção, somente os gastos com  auxílio moradia seriam suficientes para contratação imediata de 330 Delegados de Polícia ou 1.025 Escrivães ou Investigadores de Polícia.
Seria cômodo para o SIDEPOL/PR ficar calado em nome do bom relacionamento, que nada mais é do que sinônimo da mais pura e covarde subserviência.
Ou enfrentamos e nos posicionamos com firmeza, ou continuaremos a ver Delegacias de Polícia desabando sobre os nossos Servidores, presos saindo pelas janelas e cumprindo pena em Delegacias em condições desumanas. Ou nos posicionamos ou continuamos a ver os integrantes da Polícia Judiciária viajando sem receber diárias, cumprindo escalas extenuantes e  sem receber nenhuma indenização.
Ou nos posicionamos ou continuaremos a ver Delegados de Polícia respondendo por duas ou três Unidades ou Comarcas, sem recebimento de nenhuma indenização.
Ou nos posicionamos ou nunca conseguiremos corrigir as distorções em nossos subsídios que estabelecem quinquênios somente para as classes Policiais, uma forma ilegal utilizada para achatar os salários de todos os Policiais do Estado.
Ou nos posicionamos ou continuaremos a ser preteridos nos mais básicos direitos de um Servidor Público, que é a correção dos índices inflacionários.
Enquanto isso nos outros Poderes a festa está garantida. O Presidente do STF já está para encaminhar o novo projeto de lei orgânica da magistratura, uma demonstração clara de que a organização criminosa que se corrompe  pela via jurídica é mais nociva do que as organizações criminosas que atuam de forma ostensiva e armada.
Mas podemos nos calar para manter um bom relacionamento com estes poderes e continuar acreditando, por mais longos trinta anos, que nossa omissão, subserviência  e covardia será um dia finalmente recompensada.
Sei que para alguns é difícil entender esta luta, mas basta observar que nenhum governador que tendo condições reais de corrigir os salários dos Servidores deixaria de fazê-lo por simples capricho. Deve haver sim uma impossibilidade real.
O caminho para corrigir estas distorções é a imediata correção destes repasses, pois do contrário continuaremos a ver os nossos mais básicos direitos sendo desrespeitados, enquanto em outros poderes e instituições aumenta-se a cada dia a possibilidade de “turbinar” a festa com os desvios de dinheiro público através dos mais inusitados auxílios.
Como podem ver, o caminho do silêncio, da omissão e da covardia sempre será mais cômodo, porém o resultado disso é que a cada ano que passa torna-se mais difícil para o omisso obter até mesmo o sustento de sua família.
Mesmo que alguns não concordem ou não compreendam, ainda preferimos seguir o  caminho da luta.

Curitiba, 02 de junho de 2015.
Claudio MARQUES Rolin e Silva
Presidente do SIDEPOL/PR 
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SIDEPOL – Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Sobre os benefícios destinados aos juízes

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/juizes-do-parana-devem-receber-aumento-no-auxilio-moradia-apos-decisao-do-stf-ee5yedendw8wv2nuetyhvv61a

O PENSADOR DA ALDEIA: "Mensalão", os dez anos da maior farsa política-ju...

ESSAS INFORMAÇÕES JÁ FORAM EXPOSTAS POR DIVERSAS VEZES, PRINCIPALMENTE NA INTERNET. PRA NÃO DIZER, QUASE EXCLUSIVAMENTE. NO ENTANTO, ATÉ  AGORA NÃO SE VIU NENHUMA RESPOSTA OU ESCLARECIMENTO ACERCA DAS DENUNCIAS QUE SÃO FEITAS, EM PARTICULAR CONTRA O JULGAMENTO ESPETACULOSO DA AP 470. É O CASO CLÁSSICO DO SILÊNCIO QUE CONSENTE.


DOMINGO, 7 DE JUNHO DE 2015




"Mensalão", os dez anos da maior farsa política-jurídica-midiática da história recente do Brasil


MENSALÃO 10 ANOS – Da denúncia infundada ao julgamento de exceção

por Ednilson Machado e Patrícia Cornils


A denúncia do mensalão, feita há 10 anos pelo ex-deputado Roberto Jefferson em entrevista à Folha de S. Paulo, transformou-se nos anos que se seguiram numa implacável perseguição política e culminou num julgamento de exceção marcado por graves erros e distorções da verdade.

Roberto Jefferson, acuado pelas acusações de que seu partido, o PTB, estaria desviando dinheiro dos Correios, partiu para o ataque contra o governo, o PT e em especial José Dirceu. A campanha midiática após a denúncia obrigou o ex-ministro a deixar o governo para se defender e levou, ainda em 2005, à cassação do mandato de Dirceu na Câmara dos Deputados.

Mas por que podemos afirmar que o mensalão terminou em um julgamento de exceção? Porque, diferentemente do que concluiu o Supremo Tribunal Federal diante forte pressão da mídia que induziu a opinião pública contra os réus na última década, nunca houve compra de votos nem desvio de dinheiro público, como demonstra a revista RETRATO DO BRASIL.

As ALEGAÇÕES FINAIS apresentadas pela defesa de Dirceu em 2011 derrubam, com base no depoimento de dezenas de testemunhas, que nunca houve compra de votos e que o ex-ministro nunca se envolveu nos acordos financeiros entre o PT e a base aliada.

O julgamento da AP 470 cometeu erros crassos ao concluir que houve crimes de corrupção e peculato. Os R$ 73,8 milhões supostamente desviados do Fundo Visanet e Banco do Brasil foram, na verdade, integralmente gastos em campanhas de publicidade e de patrocínio do cartão Ourocard. Auditorias do Banco do Brasil e de escritórios independentes confirmam a prestação de serviços, porém toda a farta documentação a respeito foi ignorada ao longo do julgamento.

O dinheiro que o PT repassou aos partidos da base aliada, respeitando as alianças fechadas para as eleições de 2002 e 2004, foi obtido por meio de empréstimos legais junto aos bancos Rural e BMG, que seriam quitados com doações de campanha não declaradas ao TSE. O único erro do PT, assumido publicamente desde 2005, foi recorrer ao chamado caixa dois – dinheiro doado por grandes empresários – para financiar suas campanhas.

O julgamento ainda entra para a história por violar importantes garantias constitucionais e inovar em jurisprudências na Suprema Corte, como o desrespeito à presunção da inocência, à inversão do ônus da prova e à dispensa de atos de ofício para caracterização do crime de corrupção. Os ministros também recorreram equivocadamente à teoria do domínio do fato – tese elaborada na Alemanha para punir crimes da Segunda Guerra Mundial – para, mesmo sem provas, condenar o ex-ministro José Dirceu.

Sem tais ineditismos, a maioria dos ministros, conduzida pelo relator Joaquim Barbosa e pelo então presidente Carlos Ayres Brito, não teria como condenar os réus pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, evasão de divisas e, sobretudo, formação de quadrilha. Em 13 de janeiro de 2014, este blog publicou uma lista com as 14 PERGUNTAS ESSENCIAIS SOBRE AS VIOLAÇÕES E OS ERROS DA AP 470.

Em sua sabatina no Senado em 5 de junho de 2013, Roberto Barroso, hoje ministro relator da ação penal, afirmou que o julgamento do mensalão foi um “ponto fora da curva”. Inúmeros advogados e juristas já haviam se manifestado neste sentido em 2012.

“O processo não tem valor jurídico. Foi influenciado por fatores políticos, sem dúvida alguma, pela insistente campanha de grande imprensa e pelos desequilíbrios emocionais do ministro Joaquim Barbosa”, afirma Dalmo de Abreu Dallari, um dos mais respeitados juristas do Brasil.

Em entrevista à jornalista Monica Bergamo, o jurista Ives Gandra Martins foi enfático ao afirmar que o ex-ministro José Dirceu foi condenado sem provas e que os ministros erraram ao recorrer à teoria do domínio do fato para fundamentar a condenação de Dirceu.

“O domínio do fato é uma novidade absoluta no Supremo. Nunca houve essa teoria. Foi inventada, tiraram de um autor alemão, mas também na Alemanha ela não é aplicada. E foi com base nela que condenaram José Dirceu como chefe de quadrilha”,afirmou Gandra Martins. “Eu li todo o processo sobre o José Dirceu, ele me mandou. Nós nos conhecemos desde os tempos em que debatíamos no programa do Ferreira Netto na TV. Eu me dou bem com o Zé apesar de termos divergido sempre e muito. Não há provas contra ele. Nos embargos infringentes, o Dirceu dificilmente vai ser condenado pelo crime de quadrilha”.


A trajetória da condenação


O ex-ministro foi condenado pelo crime de corrupção ativa em 9 de outubro de 2012, véspera do primeiro turno das eleições municipais, numa forçada coincidência para influenciar o resultado das urnas contra o PT. Naquela noite, José Dirceu divulgou a carta AO POVO BRASILEIROrepudiando a decisão do STF.

Poucos dias depois, em 22 de outubro, véspera do segundo turno das eleições, o Supremo condenou o ex-ministro pelo crime de formação de quadrilha. José Dirceu voltou a se manifestar e publicou a nota NUNCA FIZ PARTE NEM CHEFIEI QUADRILHA.

Em 12 de novembro de 2012, o Supremo calculou a pena de José Dirceu em 10 anos e 10 meses de prisão em regime fechado. Na carta INJUSTA SENTENÇA, o ex-ministro condenou mais uma vez a forma como o julgamento foi conduzido:“A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus”.

Um ano depois, em pleno feriado da Proclamação da República, o ministro Joaquim Barbosa determinou a prisão de Dirceu e outros réus, iniciando um novo capítulo de ilegalidades, agora na execução das penas. O Supremo inovou mais uma vez e decretou o “trânsito em julgado parcial”, isto é, concluiu que o julgamento havia acabado antes mesmo que os embargos infringentes fossem analisados. “Eu nunca imaginei que o Supremo Tribunal Federal fosse tomar o rumo que tomou”, afirmou à época o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello.

Na tarde em que foi preso, o ex-ministro divulgou a CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO. “Como sempre, vou cumprir o que manda a Constituição e a lei, mas não sem protestar e denunciar o caráter injusto da condenação que recebi. A pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça”, afirma o texto. “É público e consta dos autos que fui condenado sem provas. Sou inocente e fui apenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha – contra a qual ainda cabe recurso – com base na teoria do domínio do fato, aplicada erroneamente pelo STF”.

O texto prossegue: “fui condenado sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa, que durante esses oito anos me submeteu a um pré-julgamento e linchamento”.

José Dirceu começou a cumprir sua pena em regime fechado, embora o plenário do Supremo tenha decidido que caberia naquele momento, antes da votação dos embargos infringentes, que ele cumprisse a pena em regime semiaberto. Começaram, então, a série de boatos de que Dirceu e os demais presos do mensalão teriam regalias e privilégios na prisão. A onda de boatos foi alimentada pela imprensa, em especial pelo jornal O Globo.

Em janeiro de 2014, um novo golpe contra a liberdade de Dirceu: a Folha de S. Paulo publicou uma nota mentirosa de que Dirceu teria usado um telefone celular dentro da prisão. Três sindicâncias foram abertas e concluíram que nunca houve qualquer telefonema. No entanto, os boatos sobre supostas regalias e o factoide do telefonema mantiveram Dirceu preso no regime fechado por mais de sete meses.

Somente em julho de 2014, quando Joaquim Barbosa já havia anunciado sua aposentadoria e renunciado à relatoria da AP 470, o ex-ministro teve o seu direito ao trabalho externo reconhecido pelo plenário do Supremo. Uma cronologia, publicada pelo site Conjur em 24 de julho de 2014,REVELOU A FALTA DE MOTIVOS PARA A JUSTIÇA NEGAR O SEMIABERTO A JOSÉ DIRCEU.

Os erros cometidos pelo Supremo em 2012 começaram e ainda precisam ser corrigidos pela história. Em fevereiro de 2014, quando os réus já estavam presos e Dirceu era assediado pelos boatos de privilégios, a previsão do jurista Ives Gandra Martins se confirmou: o plenário do Supremo concluiu que o crime de formação de quadrilha não existiu. O ex-ministro passou a cumprir exclusivamente a pena de 7 anos e 11 meses por corrupção ativa.

Em 13 de maio de 2014, a defesa de José Dirceu apresentou denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), para que o órgão obrigue o Brasil, em respeito ao Pacto de San José, a cumprir o artigo oitavo da Convenção que estabelece o direito constitucional do condenado de recorrer a instância superior da Justiça. Ainda não há prazo para que a CIDH se manifeste sobre o tema.

Ainda no Supremo Tribunal Federal, onde o duplo grau de jurisdição não foi respeitado, o ex-ministro José Dirceu tem direito de pedir a revisão criminal, apresentando novas provas de que não praticou o crime de corrupção ativa.

Se, nos últimos dez anos, uma denúncia infundada e um julgamento de exceção levaram José Dirceu para a prisão, a próxima década terá de servir para que a Justiça brasileira reconheça e corrija os erros que escreveram uma página sombria em nosso Estado Democrático de Direito.


O PENSADOR DA ALDEIA: "Mensalão", os dez anos da maior farsa política-ju...: MENSALÃO 10 ANOS – Da denúncia infundada ao julgamento de exceção por Ednilson Machado e Patrícia Cornils A denúncia do mensalã...

Altamiro Borges: Chico Buarque e o ódio ao PT

NÃO PRECISA SER UM GÊNIO PARA PERCEBER. POR OUTRO LADO, TEM DE SER MUITO ANTA PARA  NÃO...

domingo, 7 de junho de 2015

Chico Buarque e o ódio ao PT

Por Altamiro Borges

No próximo final de semana, em Salvador (BA), o PT realizará o seu 5º Congresso Nacional. Os debates deverão ser intensos e tensos, o que faz parte da democracia, já que há muitas críticas na militância petista aos rumos do governo Dilma e à própria trajetória institucional da sigla. Neste contexto conturbado, a mídia oposicionista tem feito de tudo para desacreditar o partido com o nítido objetivo de sabotar a principal força das esquerdas brasileiras. Nos últimos dias, vários “calunistas” amestrados e bem remunerados decretaram a morte do PT. Em editoriais, Folha, Estadão e O Globo também apresentaram prognósticos sombrios sobre o futuro da sigla, não escondendo a sua torcida política e eleitoreira.

Diante dos “urubólogos”, o presidente da legenda, Rui Falcão, tem viajado o país para debater a real situação do PT. Em encontro realizado nesta sexta-feira (5) em Aracaju (SE), ele contestou a visão negativa da mídia. “De acordo com o dirigente, entre janeiro e junho, a sigla recebeu mais de 17,1 mil novas filiações. Segundo ele, há mais de 139 mil pedidos de filiação aprovados e aguardando as plenárias de confirmação da militância. Além disso, outros 47,2 mil pleitos para ingressar na sigla estão em análise. ‘Ou seja, são quase 200 mil que estão pedindo para ingressar no PT’, reforçou Falcão. O presidente nacional do PT ainda informou que, atualmente, a legenda conta com 1,74 milhão de filiados. ‘Isso não é um partido de crise, como a mídia monopolizada tenta mostrar’, disse” – conforme relato de Mariana Zoccoli, da Agência PT de Notícias.

Estes números, porém, não inibem o furor da imprensa tucana – cada vez mais editorializada e avessa às informações. Em manchetes, editoriais e “reporcagens” os principais jornais do país – Folha, O Globo e Estadão – insistem na tese da “decadência” e “falência” do PT. Nas emissoras de rádio e tevê, o tom é similar e até mais agressivo. Neste sentido, vale registrar o editorial da Folha do final de maio, intitulado “O PT se esvazia”. Com base em dados de São Paulo – antro do tucanato –, o diário relatou as “prováveis defecções” da legenda para comprovar a sua tese sobre a crise. Os motivos da “decadência” seriam o estelionato eleitoral de Dilma e a corrupção – decreta a “ética” famiglia Frias, que conclui:

“Não admira que cada vez menos gente esteja disposta a manter no peito o crachá do PT, ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas que se comprazem com o próprio antipetismo – embora, neste caso, se registrem exageros, como nos episódios em que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi hostilizado. Se houve práticas corruptas, estas devem ser julgadas e condenadas pelos órgãos competentes; quanto às mentiras, elas já começam a cobrar seu preço em termos de prestígio e popularidade – uma fatura que o PT dificilmente deixará de pagar diante das urnas”. A “Folha”, que até ventilou a hipótese de impeachment da Dilma, agora explicita que a batalha se dará na trincheira eleitoral.

Na sua genialidade, o compositor e cantor Chico Buarque disse recentemente, em entrevista ao jornal espanhol “El País”, que o único intento da direita “é acabar com o PT por medo de Lula voltar”. Sem tergiversar nas suas opções políticas, ele explicou: “Eu tomo partido e não tenho qualquer problema em declarar isso. Sempre apoiei o PT, agora a Dilma e antes o Lula. Apesar de não ser membro do partido, de ter minhas desavenças e de votar em outros candidatos e outros partidos em eleições locais. Mas sempre soube que o problema deste país é a miséria, a desigualdade. O PT não resolveu tudo, mas conseguiu atenuar. Isso é inegável. O PT tem melhorado as condições de vida da população mais pobre”.

Com esta leitura da conjuntura política, ele argumenta que a atual onda direitista no país visa “acabar com o Partido dos Trabalhadores... Querem enfraquecer o governo para que, em 2018, o PT chegue desgastado nas eleições. O alvo não é a Dilma, mas o Lula; têm medo que Lula volte a se candidatar”. Chico Buarque acertou novamente!

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Altamiro Borges: Chico Buarque e o ódio ao PT

NÃO PRECISA SER UM GÊNIO PARA PERCEBER. POR OUTRO LADO, TEM DE SER MUITO ANTA PARA  NÃO...

domingo, 7 de junho de 2015

Chico Buarque e o ódio ao PT

Por Altamiro Borges

No próximo final de semana, em Salvador (BA), o PT realizará o seu 5º Congresso Nacional. Os debates deverão ser intensos e tensos, o que faz parte da democracia, já que há muitas críticas na militância petista aos rumos do governo Dilma e à própria trajetória institucional da sigla. Neste contexto conturbado, a mídia oposicionista tem feito de tudo para desacreditar o partido com o nítido objetivo de sabotar a principal força das esquerdas brasileiras. Nos últimos dias, vários “calunistas” amestrados e bem remunerados decretaram a morte do PT. Em editoriais, Folha, Estadão e O Globo também apresentaram prognósticos sombrios sobre o futuro da sigla, não escondendo a sua torcida política e eleitoreira.

Diante dos “urubólogos”, o presidente da legenda, Rui Falcão, tem viajado o país para debater a real situação do PT. Em encontro realizado nesta sexta-feira (5) em Aracaju (SE), ele contestou a visão negativa da mídia. “De acordo com o dirigente, entre janeiro e junho, a sigla recebeu mais de 17,1 mil novas filiações. Segundo ele, há mais de 139 mil pedidos de filiação aprovados e aguardando as plenárias de confirmação da militância. Além disso, outros 47,2 mil pleitos para ingressar na sigla estão em análise. ‘Ou seja, são quase 200 mil que estão pedindo para ingressar no PT’, reforçou Falcão. O presidente nacional do PT ainda informou que, atualmente, a legenda conta com 1,74 milhão de filiados. ‘Isso não é um partido de crise, como a mídia monopolizada tenta mostrar’, disse” – conforme relato de Mariana Zoccoli, da Agência PT de Notícias.

Estes números, porém, não inibem o furor da imprensa tucana – cada vez mais editorializada e avessa às informações. Em manchetes, editoriais e “reporcagens” os principais jornais do país – Folha, O Globo e Estadão – insistem na tese da “decadência” e “falência” do PT. Nas emissoras de rádio e tevê, o tom é similar e até mais agressivo. Neste sentido, vale registrar o editorial da Folha do final de maio, intitulado “O PT se esvazia”. Com base em dados de São Paulo – antro do tucanato –, o diário relatou as “prováveis defecções” da legenda para comprovar a sua tese sobre a crise. Os motivos da “decadência” seriam o estelionato eleitoral de Dilma e a corrupção – decreta a “ética” famiglia Frias, que conclui:

“Não admira que cada vez menos gente esteja disposta a manter no peito o crachá do PT, ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas que se comprazem com o próprio antipetismo – embora, neste caso, se registrem exageros, como nos episódios em que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi hostilizado. Se houve práticas corruptas, estas devem ser julgadas e condenadas pelos órgãos competentes; quanto às mentiras, elas já começam a cobrar seu preço em termos de prestígio e popularidade – uma fatura que o PT dificilmente deixará de pagar diante das urnas”. A “Folha”, que até ventilou a hipótese de impeachment da Dilma, agora explicita que a batalha se dará na trincheira eleitoral.

Na sua genialidade, o compositor e cantor Chico Buarque disse recentemente, em entrevista ao jornal espanhol “El País”, que o único intento da direita “é acabar com o PT por medo de Lula voltar”. Sem tergiversar nas suas opções políticas, ele explicou: “Eu tomo partido e não tenho qualquer problema em declarar isso. Sempre apoiei o PT, agora a Dilma e antes o Lula. Apesar de não ser membro do partido, de ter minhas desavenças e de votar em outros candidatos e outros partidos em eleições locais. Mas sempre soube que o problema deste país é a miséria, a desigualdade. O PT não resolveu tudo, mas conseguiu atenuar. Isso é inegável. O PT tem melhorado as condições de vida da população mais pobre”.

Com esta leitura da conjuntura política, ele argumenta que a atual onda direitista no país visa “acabar com o Partido dos Trabalhadores... Querem enfraquecer o governo para que, em 2018, o PT chegue desgastado nas eleições. O alvo não é a Dilma, mas o Lula; têm medo que Lula volte a se candidatar”. Chico Buarque acertou novamente!

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CLAUDICANDO: O pior erro é achar que é impossível mudar as cois...



"Nesses tempos em que o governo Dilma e o PT – que tantas esperanças despertaram há mais de três décadas – faz seu pouso – forçado? voluntário? prazeroso? – na pista do neoliberalismo e provoca uma decepção vertical, ressurge com força o niilismo." Nesses tempos? E antes, já no governo Lula, acaso  o PSOL. partido de Maringone, denunciava o governo petista de aprofundar o neo liberalismo tucano. O movimento em direção ao niilismo é bem anterior ao início do segundo governo Dilma. Embora concorde com tudo o que diz no restante do artigo, essa base causal do fenômeno  não me parece pertinente. Não sei se coincidência é com a galera niilista que a militância do PSOL se acompanha para atacar ao PT. Em alguns espaços onde me confronto com eles, até escondem sua filiação partidária para não desagradar aos aliados niilistas, pra não dizer proto fascistas; Companheiro o buraco é mais embaixo. Desde alguns anos adquiro regularmente revistas de vulgarização de filosofia. Essas que vendem em bancas de revistas. Não  há um ano sequer sem uma edição especial comemorativa da obra e das ideias da Nietzche e/ou Schopenhauer e até o arqui complicado Heideger. Enfim, pensadores e autores que direta ou indiretamente nadam na correnteza do niilismo. Marx está expurgado da universidade. Gramsci criminalizado junto com o Foro de São Paulo e Olavo de Carvalho está aí com sua escola em expansão. Pelas estradas de fora e pelas de dentro,, persas e espartanos almejam a mesma Atenas a ser destruída.

CLAUDICANDO: O pior erro é achar que é impossível mudar as cois...: Melancolia, de Munch Por Gilberto Maringoni, via DCM Há um sentimento – que ganha concretude – nesses tempos ásperos. Trata...

domingo, 7 de junho de 2015

Rede Globo mentiu sobre envolvimento da mídia no escândalo da FIFA - Carta Maior

07/06/2015 - Copyleft

Rede Globo mentiu sobre envolvimento da mídia no escândalo da FIFA

Contrato da Nike com a CBF rendeu a Ricardo Teixeira US$15 milhões em propina. Outros 15 teriam ido para Hawilla, o afiliado da Rede Globo.


Antonio Lassance

José Cruz/ABr
A mentira de pernas tortasA Rede Globo não apenas escondeu. Fez pior: mentiu deslavadamente ao dizer que a investigação do FBI sobre o esquema de propinas na FIFA não envolvia as empresas de mídia responsáveis pelas transmissões das copas do mundo de futebol.

O drible é facilmente revelado, primeiro, pelo próprio quadro produzido pelo FBI para explicar o fluxo de dinheiro embolsado pelos dirigentes da FIFA e das federações e confederações de futebol dos países.

O esquema, desenhado, mostra a relação íntima e escabrosa entre dirigentes das entidades do futebol, empresas de marketing esportivo, os grupos de transmissão televisiva e os patrocinadores.

Todos são não apenas suspeitos e, portanto, objeto da investigação que está em curso. Mais que isso, já existem grupos de mídia indiciados. O TyC Sports, canal de televisão argentino especializado em esportes, principalmente futebol, teve seu diretor executivo, Alejandro Burzaco, indiciado pela Justiça dos Estados Unidos, assim como Hugo Jinkis, presidente do grupo também argentino Full Play, que além de ser uma empresa que vende direitos de transmissão de eventos é uma empresa de mídia esportiva. 



Outro exemplo é o paulista José Hawilla, dono da empresa Traffic, que tornou-se delator grampeando conversas para o FBI, desde 2013. Hawilla é dono de uma afiliada da TV Globo no interior de São Paulo.

Por que a Globo esconde o jogo? Certamente, porque é muito difícil explicar como a empresa pode estar isenta de qualquer relação com os escândalos sendo, desde décadas, a detentora da exclusividade nas transmissões das Copas do Mundo da FIFA, um dos veios privilegiados da corrupção revelada.

Por essas e por outras é que o jornalista Juca Kfouri diz, com razão, que o mundo das transmissões de futebol na TV pode ser mais sujo e pesado que o das empreiteiras.

Mas há ainda mais caroço nesse angu. A Globo também está interessada em ter a exclusividade de contar a muitos brasileiros, pela enésima vez, uma história que é um conto da carochinha sobre escândalos. Uma ficção em que só há corruptos, mas não corruptores. Os vilões são os que receberam a propina, enquanto os que pagaram se fazem de vítimas.

A moral de uma história imoralO mais importante de qualquer conto da carochinha é a moral e o final da história. O "happy end" preferido pelas grandes corporações é aquele que já vimos em outros escândalos, qual seja, o de que elas seriam empresas grandes demais para quebrarem e caberem em uma prisão. No máximo, trocam-se os dirigentes, mas mantêm-se as práticas.

A única vítima disso tudo é o futebol, os torcedores e os países que recepcionam as copas. A parte do escândalo que envolve a FIFA não é exatamente futebol. É patrocínio esportivo, exclusividade das transmissões e lavagem de dinheiro.

Embora tenha seus próprios vilões, o escândalo da FIFA segue o mesmo script que envolve todo empreendimento capitalista em que a suposta concorrência do livre mercado  não passa de uma fábula. Uma fábula que alguns contam, muitos acreditam, mas nunca vemos acontecer diante de nossos olhos do jeito que se fantasia.

Ao invés de mercado livre, as corporações criam esquemas monopolísticos ou cartelizados, premiando generosamente agentes púbicos e privados que patrocinam seu direito de exploração comercial absoluta e predatória.

Qual a razão de haver propina, seja nesse caso ou de qualquer outro escândalo? A razão está em que o lucro a ser obtido é sempre muito maior do que o que se paga de propina, principalmente se o mercado for dominado por poucos. Não fosse assim, não haveria interesse no negócio azeitado pelas malas pretas.

Outro aspecto importante: o negócio que viabiliza a propina da FIFA não é o futebol, é a lavagem de dinheiro. A propina jamais vai direto para o bolso dos corruptos. Ela precisa ser lavada. O fato da sede da FIFA ser na Suíça não é mera coincidência e nada tem a ver com a qualidade de seus gramados.

Boicote a quem?As investigações apontam que o contrato da Nike com a CBF rendeu a Ricardo Teixeira US$ 15 milhões em propina. Outros 15 teriam ido para Hawilla, o afiliado da Rede Globo. 

São parceiros da Fifa a Adidas, a Coca-Cola, a Budweiser (hoje de propriedade da Ambev, a mesma que patrocina a CBF com o Guaraná Actartica), o McDonald’s, a russa Gazprom, a Visa e a Kia-Hyundai. Todas estão sob suspeita.

A Rede McDonald’s, em 2014, renovou seu contrato anual de U$ 100 milhões por ano com a FIFA. Sua exclusividade vale até a copa de 2022. A Adidas tem contrato com a FIFA desde 1970 e, em 2014, renovou-o até 2030. Não se sabe o valor da parceria com a entidade, mas a empresa fatura cerca de US$2,7 bilhões por ano só no ramo do futebol.

O que fazer diante do escândalo que expõe as entranhas da cartolagem? A resposta mais óbvia é banir corruptos e corruptores. Joseph Blatter, Jérôme Valcke, Ricardo Teixeira e Jack Warner já estão com o nome sujo na praça. Mas e os corruptores? O que iremos fazer com eles? O FBI e a Suíça irão também prendê-los assim que seus CEOs forem passarem por Miami, Boca Ratón ou Genebra?

Nos Estados Unidos e no Reino Unido, se esboça uma ameaça de boicote à Copa na Rússia, por razões geopolíticas, e não éticas, muito menos esportivas. Mas é bom perguntar: o boicote à Rússia se estenderá também à Nike, à Coca-Cola, à Adidas, ao McDonald’s, à Budweiser? Se o Brasil for na mesma onda, que boicote oficial se fará à Ambev e à Rede Globo?

Pensando alto, se boicotarmos a Rússia, vamos trocá-la por quem? Pelos Estados Unidos, terra de Chuck Blazer, o megadirigente do futebol que era conhecido, no “país sério”, como “Mister 10%”? E quem vai entrar no lugar do Qatar? Que tal a França, de Jérome Valcke? Ou talvez a seríssima Suíça, terra natal de Joseph Blatter e dos bancos que são a maior lavanderia de dinheiro sujo do planeta?

Os corruptos da FIFA que foram para o banco dos réus têm um banco de reservas pronto para substituí-los. A FIFA, a CBF, a Concacaf e outras organizações são meros times. Claro que seria bom aproveitar o estrago provocado pelo escândalo para derrubar e substituir toda a cartolagem que controla o futebol.

Mais importante que mudar o time das federações e confederações de futebol seria mudar o jogo da sonegação de impostos e da lavagem de dinheiro que se abriga em paraísos fiscais e que se vale da livre circulação de capitais, sem a mínima regulação.

O que o FBI tem feito é pouco mais do que matar piolho com a unha. Faz barulho, arranca sangue e aplausos, mas não vai além disso, a não ser que acreditemos que, na terra da Disneylândia, os contos de fada realmente acontecem.
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Antonio Lassance é cientista político.
 


Créditos da foto: José Cruz/ABr
Rede Globo mentiu sobre envolvimento da mídia no escândalo da FIFA - Carta Maior

sábado, 6 de junho de 2015

O catastrofismo, uma via para a catástrofe - Carta Maior





O catastrofismo, uma via para a catástrofe

O futuro se constrói abrindo novos horizontes, novas perspectivas, novas utopias, resgatando o que fomos capazes de construir.

por Emir Sader em 05/06/2015 às 08:03




Emir Sader
- Seguir no labirinto ou jogar tudo pela janela? O falso dilema -
 
Quando a história nos coloca dilemas difíceis de resolver, o catastrofismo é um bom consolo: tudo vai para o pior dos mundos. Ou mudamos tudo radicalmente, abandonando tudo o que foi feito até aqui ou despencaremos inevitavelmente no abismo que nos aguarda ali na esquina.
 
Nessas visões coincidem vozes distintas. Por um lado, as bem intencionadas, que acusam como as formas predatórias de vida predominantes dilapidam os recursos naturais, aprofundam formas de vida irresponsáveis, fazem o mundo se aproximar de catástrofes naturais e sociais. São vozes que absolutizam tendências realmente existentes, sem levar em conta as contra tendências. É o problema de todo catastrofismo: isolam tendências e as projetam para o futuro, sem tomar em consideração as outras diretrizes igualmente presentes, de forma contraditória, na realidade concreta. Terminam se refugiando numa visão escatológica, que não capta os movimentos e as contra tendências que disputam a hegemonia no mundo realmente existentes. São vozes que sempre existiram e servem como chamados morais sobre os riscos presentes nos dilemas atuais, sem servir para orientar a construção de vias alternativas nos marcos históricos do mundo real.
 
Por outro, estão as aves de rapina, aquelas que só aparecem quando aparentemente não existem alternativas concretas e eles pretendem apontar para soluções messiânicas, que jogariam tudo pela janela, para aderir a suas visões intelectualistas e sem nenhum vínculo com a realidade concreta. São fabricantes de programas para todo politico que lhe solicite, de distintas tendências, dispostos a contratar seu verbo. São os mesmos que haviam anunciado catástrofes irresolúveis no fim do século passado e nunca se renderam aos avanços que países como o Brasil e outros da região conseguiram avançar, em meio a labirintos que pareciam insolúveis.
 
Simples é abandonar o caminho quando parece que todas as vias apontam para a mesma direção, quando parece que os labirintos nos condenam a repetir caminhos sem saída. Dificil é seguir a sábia orientação: de um labirinto se sai por cima, ao invés de ficar rodando interminavelmente pelos seus meandros de sempre.
 
O ceticismo que corre solto por aí, típico de época em que as alternativas não aparecem claras, joga tudo pela janela.  Como não valoriza a forma espetacular de reação dos governos progressistas latino-americanos a uma situação similar a esta – em que parecia que não se sairia mais nem do neoliberalismo, nem do endividamento com o FMI -,  afirma que nada de importante aconteceu neste século.
 
Senão, teria que valorizar que o continente mais desigual do mundo – e, dentro dele, em especial o Brasil, o pais mais desigual do continente mais desigual – tenha conseguido diminuir a pobreza, a miséria, a exclusão social e a desigualdade. Tendo construído, num marco internacional e recebendo uma herança maldita, um modelo que conseguiu retomar o crescimento econômico intrinsecamente vinculado à maior distribuição de renda que nossa historia já conheceu.
 
O Brasil precisa dar uma virada na sua trajetória. O esquema montado por Lula entrou em crise.  Mas a alternativa não pode desconhecer tudo o que foi construído. Ao contrário, terá como objetivo a forma de preservar e aprofundar tudo o que foi conquistado. Não se trata nem de retroceder ao que havia antes, nem de desconhecer tudo o que foi avançado.
 
O futuro se constrói abrindo novos horizontes, novas perspectivas, novas utopias, mas resgatando o que fomos capazes – contra vento e tempestade, contra todos os ceticismos e os catastrofismos – de construir.
 
Tags: Economia, Política 
O catastrofismo, uma via para a catástrofe - Carta Maior