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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Futebolítica: Maradona, Blatter e a Geopolítica da FIFA | GGN

QUEM AINDA DUVIDA DE QUE A FIFA MANIPULOU CAMPEONATOS DE ACORDO COM OS INTERESSES DE QUEM PUDESSE PAGAR MAIS OU LHES COBRAR "FAVORES "!



Futebolítica: Maradona, Blatter e a Geopolítica da FIFA

reprodução
Enviado por Antonio Ateu
Da Carta Maior
Maradona sempre acusou e continua acusando os chefes da FIFA: 'A FIFA odeia o futebol e a transparência temos que recuperar o futebol de verdade.'
 
por Dario Pignotti - 1/06/2015
 
Para Diego Armando Maradona, é pouco provável que Joseph Blatter consiga concluir seu quinto mandato na FIFA, para o qual foi eleito recentemente. A opinião vem de alguém que prometeu enfrentar apaixonadamente a Cosa Nostra do futebol mundial, e que o vem fazendo há 25 anos.
Em 1990, após a derrota Argentina para a Alemanha na final da Copa do Mundo, o baixinho Diego, com seus 1,67 m de estatura, desafiou os 1,90 m de João Havelange, negando-lhe um aperto de mão diante de 800 milhões de telespectadores.

Um gesto inédito nesse mundo do futebol que recentemente entrava, em 1990, em sua fase de globalização. Mais que isso, foi uma atitude quase heróica.

Até então, nenhum jogador havia desafiado dessa maneira o poder da FIFA, que se agigantava cada vez mais, graças às transmissões televisivas, seus acordos comerciais com a Coca-Cola, com a Nike, seus negócios obscuros e sua convivência com os mais importantes chefes de Estado.

Neste fim de semana, Maradona voltou a atacar Havelange, como nos velhos tempos. Mas desta vez foi mais enfático ao falar de Joseph Blatter, o atual presidente e herdeiro político de Havelange.

Reeleito na sexta-feira passada (29/5), em meio a esse escândalo de corrupção sem precedentes, Blatter inicia seu novo mandato político fisicamente debilitado, segundo o ex-jogador.

Blatter está “muito velho”, e se aferra ao poder com uma teimosia própria de alguém que aparenta “não estar bem” psicologicamente, disparou Maradona, com seu estilo direto e um pouco indigesto para a etiqueta do futebol global.

Nas entrevistas divulgadas pela mídia argentina, Diego considerou que a Blatter terá dias difíceis, e que seu destino é incerto, pois o FBI provavelmente não o deixará em paz.

“Esse sujeito (Blatter) utilizou o futebol para fazer negócios, mas isso agora acabou, porque chegou o FBI, e o FBI não se dedica a investigar roubos de bicicletas, eles se metem quando há bilhões de dólares em jogo”, disse o ex-camisa 10 da Seleção Argentina, em debate com o jornalista uruguaio Víctor Hugo Morales, no qual concordaram que o mais provável é que as investigações continuem, e novas denúncias sejam reveladas.

“Joseph Blatter não vai aguentar (o mandato inteiro como presidente da FIFA), é impossível que se mantenha no poder tendo toda a Europa contra ele” sentenciou Morales.

Irreverente, o maior jogador argentino de todos os tempos declarou estar “pronto para entrar em campo”, em referência à sua batalha constante contra “os ladrões do futebol, como Blatter”, que controlam o esporte a nível planetário.

“É um absurdo que esse homem, esse ditador, possa permanecer” no comando da entidade até 2019, lamentou Diego, lembrando que as denúncias contra a entidade que ele comanda “são inaceitáveis em qualquer país democrático, e na ONU”.

“A FIFA odeia o futebol e a transparência… temos que recuperar o futebol de verdade” sintetizou o argentino, nascido na favela de Villa Fiorito, que fez campanha a favor do príncipe jordaniano Alí Bin Al-Hussein, derrotado por Blatter na semana passada. O “Pibe”, como é conhecido, prometeu que se algum dia fosse chamado para trabalhar na FIFA, seu trabalho consistiria em construir campos de futebol para crianças pobres, dando como exemplo o Haiti e regiões mais remotas do interior da Argentina.

Devido à sua guerra contra máfia que tomou conta da FIFA, Maradona tem sido excluído sistematicamente das grandes cerimônias, geralmente montadas com um típico mal gosto hollywoodiano. “Estou há quase 30 anos fazendo isso (denunciar a FIFA)… todos sabem, e no começo muitos não queriam acreditar” nas acusações.

CLINTON E KISSINGER

Maradona sempre acusou, e continua acusando os chefes da FIFA, especialmente João Havelange, de ter organizado um complô para excluí-lo da Copa do Mundo de 1994. Naquele ano, Havelange já tinham em Blatter sua mão direita dentro da entidade.

Quando o jogador argentino denunciou os dirigentes mais altos da FIFA, os principais líderes internacionais se fizeram de desentendidos. Importantes chefes de Estado simplesmente se omitiram diante das acusações, e pactuaram com Havelange, Blatter, Ricardo Teixeira e Julio Grondona, entre outros chefões da bola.

Alguém acha, por exemplo, que o resultado das Copas de 2002 (especialmente a chegada da Coreia do Sul às semifinais) e de 1994 estão completamente livre de suspeitas?

Seria recomendável seguir o conselho da presidenta Dilma Rousseff, que aceitou que se investigue o ocorrido no Mundial de 2014, mas propôs que também façam o mesmo com as copas anteriores.

Uma das mais escandalosas foi, sem dúvidas, a de 1978, sob o comando do ditador Jorge Rafael Videla e com a cumplicidade de Henry Kissinger (chefe do Departamento de Estado dos Estados Unidos) e João Havelange, que foram convidados de honra nas tribunas dos estádios argentinos, enquanto o país sofria com o genocídio que deixaria mais de 30 mil desaparecidos.

Curiosamente, Kissinger e Havelange voltaram a estar juntos na tribuna do estádio de Chicago, em 1994, dessa vez acompanhando Bill Clinton, na partida inicial da Copa, que seria conquistada pelo Brasil de Romário, a grande estrela daquele time, com Maradona sendo expulso do torneio por um suposto consumo de efedrina.

“Cortaram as minhas pernas” disse o astro argentino, na coletiva de imprensa dada pouco depois de anunciado o laudo do laboratório e a decisão da FIFA de impedir sua continuidade no torneio – que chegou ao ponto de os Estados Unidos lhe retirarem o visto para ingressar no país, o que foi um evidente castigo político à sua rebeldia.


“INVESTIGAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO LIGADOS À FIFA”


Durante a Copa do Mundo de 2014, Maradona pediu insistentemente o fim do reinado de Blatter, além de denunciar as quantias volumosas embolsadas pela FIFA com o evento, durante o programa De Zurda, também junto com seu amigo Víctor Hugo Morales. Maradona e Morales começaram a conduzir De Zurda (“De Canhota”), programa emitido pelo canal internacional TeleSur, durante o torneio, e logo iniciaram a segunda temporada este ano, visando a Copa América do Chile, que começa em duas semanas.

Morales é autor do livro Mentime que me gusta (“Mente que eu gosto”), lançado este ano, no qual desconstrói as operações de intoxicação informativa montadas pelo grupo Clarín, equivalente argentino das Organizações Globo.

Para Morales, a “comoção mundial” causada na semana passada devido às detenções dos hierarcas da FIFA é animadora. Porém, ele prefere conter um otimismo maior, pois alerta que “não se deve perder de vista que é preciso investigar as manobras dos meios de comunicação privados”.

“É bem possível que os grandes conglomerados midiáticos estejam implicados com as máfias que subornaram e lavaram dinheiro”, disse Morales.

Morales falou das conhecidas relações entre o Grupo Clarín e a produtora TyC (Torneos y Competencias, ou “Torneios e Competições”), que está sendo investigada agora pelo Departamento de Justiça estadunidense.

Clarín, TyC e Julio Grondona, ex-presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), formaram a troica que controlou o negócio futebolístico no país durante muitos anos.

Falecido dias depois do fim da Copa de 2014, Julio Grondona foi um personagem próximo a Blatter, e também ao próprio João Havelange. O chefão do futebol argentino se manteve no poder desde a ditadura de Videla até o governo de Cristina, entre 1979 e 2014, 35 anos de mandato que o igualam a figuras como o ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989). “Não podemos nos esquecer, pelo amor de Deus, de Grondona. O FBI está investigando Joseph Blatter, mas também deveria investigar o Grondona” afirmou Maradona, que logo completou: “assim como Blatter levava a maleta dinheiro para Havelange, Grondona era quem levava a maleta para Blatter (para comprar votos para suas reeleições)”.

Morales continuou ressaltando a dimensão política do escândalo, ao esclarecer como as grandes corporações midiáticas se comportaram antes e como se comportam agora, e mencionou o Clarín, que além dos vínculos com os negócios obscuros do futebol, que estão sendo investigados, também é responsável pelas campanhas de difamação contra o governo de Cristina Kirchner, em resposta à Ley de Medios, iniciativa que acabou com alguns privilégios dos magnatas da imprensa.

ARGENTINA QUER INTERVIR NA PRODUTORA

O governo de Cristina avalia a possibilidade de intervir na produtora privada TyC, cujos escritórios receberam uma diligência da Polícia Federal argentina na última sexta-feira (29/5), ação ligada à ordem de detenção contra três empresários argentinos solicitada pela Justiça dos Estados Unidos. A TyC, junto com uma empresa de marketing argentina, realizou negócios com a brasileira Traffic, de propriedade de José Hawilla.

Hawilla está livre graças a um acordo de delação premiada, que o levou a entregar os nomes dos argentinos buscados pela Interpol – e que consistiu também numa multa de 100 milhões de dólares.

“O Estado não deve se manter a margem desses acontecimentos daninhos, e por isso deveria pedir a intervenção judicial na empresa TyC”, declarou o ministro Aníbal Fernández, um dos homens fortes do gabinete de Cristina.

A justiça estadunidense pediu à Argentina a prisão dos três executivos acusados de pagamento de subornos para a compra de direitos de transmissão e comercialização de vários eventos futebolísticos, como a Copa América que se disputará a partir deste mês de junho, no Chile.

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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Lava Jato tem na sua mira Dirceu e Palocci | Brasil 24/7

Lava Jato tem na sua mira Dirceu e Palocci | Brasil 24/7

"Votação deve ser anulada" | Paulo Moreira Leite

Enquanto Eduardo Cunha faz o possível para mudar de assunto, a natureza inconstitucional da decisão sobre financiamento político exige uma resposta rapida e eficaz, explica jurista Luiz Moreira

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A revelação, na sexta-feira passada, que a PEC sobre financiamento privado de campanha só foi aprovada através de um atalho constitucional, criou uma situação nova para os próximos dias. Ouvido pelo 247, o jurista Luiz Moreira, que até abril de 2015 foi integrante, em dois mandatos, do Conselho Nacional do Ministério Público, diz que “a mesa diretora da Câmara deve anular a votação, comprometida por um vício incontornável. Caso contrário, o próprio STF deve declarar sua inconstitucionalidade.”
Só para recordar. O debate não envolve o mérito da discussão. O problema está no procedimento. Derrotado numa primeira votação, o financiamento privado foi reapresentado por Eduardo Cunha para uma segunda decisão dos parlamentares, quando o placar se inverteu: 66 deputados mudaram de lado e o projeto foi aprovado por 330 a 141. Mas ficou um problema fundamental e intransponível: a Constituição Federal define, no artigo 60, que “a matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.”
Assim, se a Constituição tivesse sido respeitada, o assunto só poderia ser levado a discussão no ano que vem. Não é difícil imaginar as consequências disso. Para começar, a nova legislação de financiamento não poderia valer para as eleições de 2016, quando o país irá enfrentar aquilo que muitos analistas definem como um ensaio geral para 2018. Em segundo lugar, ninguém sabe qual será a conjuntura do país no ano que vem: será que Eduardo Cunha teria a mesma facilidade para arrebatar os 330 votos reunidos na semana passada?
Considerando que ocorreu, no Congresso, um caso de delito flagrante, na opinião de diversos juristas, o melhor a ser feito, do ponto de vista de Eduardo Cunha, é mudar de assunto. Isso explica a tentativa de colocar em pauta, de qualquer maneira, a discussão sobre redução da maioridade penal. Você pode ter qualquer opinião sobre a maioridade. Sou inteiramente contra mas a discussão não é esta. Do ponto de vista da agenda política, a maioridade representa, hoje, uma tentativa de mudar a agenda, escondendo que a Constituição foi alterada por um método nulo.
A entrevista de Luiz Moreira:
247 — O que se deve fazer com a PEC de financiamento de campanha, agora?
LUIZ MOREIRA: Cabe à Mesa Diretora da Câmara reconhecer que há um vício incontornável no processo constitucional, que deve ser sanado, e anular a votação. Se há consenso da maioria dos deputados federais sobre a necessidade de financiamento privado aos partidos políticos, eles devem aguardar a próxima sessão legislativa para aprovar essa matéria. Caso contrário, o Supremo Tribunal Federal deve suspender a proposição aprovada, a Emenda Aglutinativa 28/2015, declarando sua inconstitucionalidade, pois a espécie financiamento de empresa restou prejudicada com a reprovação do gênero financiamento privado aos partidos e aos candidatos.
247 — Há uma disputa jurídica em torno das votações ocorridas na semana passada, na Câmara dos Deputados, sobre financiamento de campanha. Qual a perspectiva constitucional da questão?
LUIZ MOREIRA — Surgiram dois problemas importantes próprios ao Processo Constitucional. Na terça, a Câmara dos Deputados rejeitou o financiamento privado, contido na emenda aglutinativa 22/2015.
Na quarta, a Câmara votou proposta trazida à colação como emenda aglutinativa 28/2015. Alega-se que, para tramitar sem vícios, a emenda aglutinativa deve ser subscrita por 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados, conforme prevê o art. 60, parágrafo primeiro da CF 1988. Outra objeção diz que a Câmara não podia apreciar matéria que restou prejudicada com a rejeição do gênero financiamento privado tanto aos partidos quanto aos candidatos, violando assim a segunda parte do parágrafo quinto do art. 60, da Constituição. Frise-se que a emenda aglutinativa 22, rejeitada na terça-feira, 26 de maio, continha proposta de financiamento privado por cidadãos e empresas tanto aos partidos políticos quanto aos candidatos. Em suma, a Câmara dos Deputados rejeitou a proposta de financiamento privado como gênero do qual o financiamento de empresas é espécie.
247 — Diz-se que há menos assinaturas que as necessárias para que seja válida a emenda aglutinativa. Esse argumento procede?LUIZ MOREIRA — A questão envolve técnica legislativa. A emenda aglutinativa diz respeito ao modo pelo qual se chega a uma decisão legislativa. É um procedimento, portanto. A emenda aglutinativa resulta de uma fusão de propostas tidas por válidas. Se há em discussão matérias que cumpriram os requisitos constitucionais (o número de deputados que a subscrevem é um deles), então não há vicio na emenda aglutinativa.
No entanto, há uma peculiaridade nas emendas aglutinativas: por serem dependentes de uma matéria anterior que lhes vincula (daí a significação de aglutinar: fundir-se, juntar-se) a emenda se liga a outras matérias ou a um texto da matéria principal sob análise. Ocorre que a matéria principal (financiamento privado) foi derrotada com a rejeição da emenda aglutinativa 22/2015, prejudicando, nessa sessão legislativa, a apreciação de PEC sobre financiamento privado de campanha a partidos e a candidatos.
247 — Líderes podem assinar PEC em nome dos deputados por ele liderados, como ocorreu na quarta-feira?LUIZ MOREIRA: Líderes representam as bancadas de seus partidos na respectiva casa legislativa. Podem apresentar emendas aglutinativas, mas suas assinaturas não suprem a exigência de quórum quando a votação é nominal, nos casos em que o quórum é qualificado (Leis Complementares, Proposta de Emenda à Constituição, aprec
"Votação deve ser anulada" | Paulo Moreira Leite

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QUINTA-FEIRA, 4 DE JUNHO DE 2015

Rússia: soberania, sedição e as velhas e detestáveis ONGs

31/5/2015, [*] F. William Engdahl, New Eastern Outlook – NEO
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Vladimir Putin assina lei das ONGs


Dia 23 de maio de 2015, o presidente Vladimir Putin da Rússia sancionou nova lei, proposta pelo Parlamento, que dá aos Procuradores de Justiça o direito de declarar “indesejáveis” na Rússia, e mandar fechá-las, organizações estrangeiras e internacionais que se intrometam na política russa. Como se podia prever, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Marie Harf, disse que os EUA estariam “profundamente perturbados” ante a nova lei, a qual, na opinião dela, seria “mais um exemplo dos ataques crescentes do governo russo contra vozes independentes, para isolar o povo russo, do resto do mundo”.
 
A nova lei dá poderes às autoridades russas para banir do país ONGs declaradas indesejáveis e para processar os empregados e responsáveis, que correm risco de serem condenados a seis anos de cadeia ou a serem expulsos do país, para não mais voltar. A União Europeia fez coro ao Departamento de Estado dos EUA, e disse que a lei seria “preocupante passo numa série de restrições contra a sociedade civil, a imprensa independente (sic) e a oposição política”.
A ONG mantida por George Soros, Human Rights Watch (HRW), condenou a lei. E a Amnesty International, idem.
Com tanta coisa no mundo em que vivemos, em que impera o duplo-falar, é conveniente compreender o contexto da nova lei. Longe de ser salto na direção de converter a Rússia em estado fascista, a nova lei pode ajudar a proteger a democracia e a soberania da nação russa, num momento em que está em estado de guerra de facto contra, em primeiro lugar, os EUA, mas contra, também, vários porta-vozes, como Jens Stoltenberg, novo comandante civil russofóbico da OTAN.
A Rússia tem sido atacada por ONGs políticas que operam a serviço do Departamento de Estado e da inteligência dos EUA e, isso, desde que a URSS se autodissolveu, no início dos anos 1990s. Houve que financiaram e treinaram figuras selecionadas na oposição, como Alexei Navalny, membro de um grupo chamado Conselho de Coordenação da Oposição Russa [orig. Russian Opposition Coordination Council]. Navalny foi mantido com dinheiro de uma ONG de Washington, Dotação Nacional para a Democracia [orig. National Endowment for Democracy (NED)], conhecida como instrumento da CIA para executar ações políticas sujas demais para que o estado norte-americano as possa assumir, no projeto de “armar e militarizar direitos humanos e democracia”.
CIA - Central Intelligence Agency
Antes da nova lei, as leis russas para ONGs eram muito mais suaves – de fato baseada numa lei vigente nos EUA, a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros [orig. Foreign Agents Registration Act (FARA)], que exige que ONGs ativas na Rússia, mas financiadas do exterior apenas registrassem seus funcionários como agentes de governo estrangeiro. Chamada de “Lei Russa dos Agentes Estrangeiros” passou a valer em novembro de 2012, depois que ONGs norte-americanas foram apanhadas organizando protestos anti-Putin. Essa lei exige que organizações sem finalidade de lucro que recebam doações do exterior e operem como instrumentos a serviço de governo de outro país sejam registradas como organizações e agentes estrangeiros. Essa lei permitiu auditar as finanças e as atividades de cerca de 55 ONGs operantes na Rússia, mas mantidas com dinheiro recebido do exterior, mas até agora não tivera grande efeito sobre as operações de ONGs como Human Rights Watch [Observatório dos Direitos Humanos] ou Anistia Internacional.
Dotação Nacional para a Democracia
[orig. National Endowment for Democracy, NED]
O caso da NED é ilustrativo. A Dotação Nacional para a Democracia é uma gigantesca operação global; seu criador, Allen Weinstein, que redigiu também a legislação que criou a NED, disse numa entrevista, em 1991, que:
(...) muito do que hoje fazemos já era feito, clandestinamente, pela CIA, há 25 anos.
De fato, a ONG que hoje se conhece como NED nasceu dos miolos criativos de Bill Casey, diretor da CIA no governo de Ronald Reagan, como parte de uma ampla “privatização” da CIA. O orçamento da NED vem do Congresso e de outras ONGs amigas do Departamento de Estado, como as Fundações Open Society, de George Soros.
A NED tem subunidades: National Republican Institute, cujo presidente é o senador John McCain, que teve papel chave no golpe de Estado que os EUA deram na Ucrânia, em 2014. O National Democratic Institute, ligado ao Partido Democrata dos EUA, cuja presidenta é a ex-Secretária de Estado de Clinton e bombardeadora-em-chefe da Sérvia, Madeline Albright. No Conselho Diretor da ONG NED estão, dentre outros, todos os neoconservadores mais empenhadamente belicistas do governo Bush-Cheney, como Elliott Abrams; Francis Fukuyama; Zalmay Khalilzad, ex-embaixador dos EUA no Iraque e no Afeganistão e arquiteto da guerra afegã; e Robert Zoellick, íntimo da família Bush e ex-presidente do Banco Mundial.
Em outras palavras, essa EUA-ONG “para promoção da democracia” é item integrante de uma nefanda agenda global de Washington, que usa essa ONG armada, pseudo promotora de Direitos Humanos e Democracia, para livrar-se de governos e regimes e autoridades que se recusem a obedecer os comandos de Wall Street ou Washington. A NED esteve no coração de todas as Revoluções Coloridas que Washington promoveu pelo mundo desde o golpe bem-sucedido para derrubar Slobodan Milosevic na Sérvia em 2000.
Quatro principais satélites da NED
Foram também golpes dessa EUA-ONG que instalaram presidentes pró-OTAN na Ucrânia e na Geórgia em 2003-4, tentaram desestabilizar o Irã em 2009, comandaram operações da Primavera Árabe para redesenhar o mapa político do Oriente Médio depois de 2011, e, mais recentemente, criaram e sustentaram a “Revolução dos guarda-chuvas” em Hong Kong para criar embaraços à China. A lista é longuíssima.
A NED na Rússia hoje
Dentro da Rússia, apesar da lei dos agentes estrangeiros, a sempre bem financiada ONG NED continua a operar. Desde 2012, a NED não divulga a lista das organizações que financiam dentro da Rússia, coisa que a ONG fazia antes. Só fazem indicar os setores e, raramente, as atividades que financiam.
Mais importante, não há relatório anual das atividades da ONG no ano de 2014, ano crítico, depois do golpe da CIA na Ucrânia, quando Washington escalou nos truques sujos contra Moscou, e de fato declarou estado de guerra contra a Federação Russa, impondo sanções financeiras que visavam a “incapacitar” a economia russa.
Em todas as Revoluções Coloridas geradas pelos EUA até hoje, as instituições norte-americanas, bancos de Wall Street e fundos hedge sempre tentam gerar o máximo de caos econômico e usá-lo para insuflar atos de agitação política, como se vê em ação hoje no Brasil, contra a presidenta Dilma Rousseff, figura de destaque no grupo BRICS.
O modo como a EUA-ONG NED está consumido milhões, do dinheiro dos contribuintes norte-americanos, na Rússia, é altamente revelador. No relatório abreviado do ano de 2014, a ONG NED revela que, dentre vários projetos na Rússia, gastou US$ 530.067 numa rubrica “Transparência na Rússia”, para “ampliar a consciência da corrupção”.
Como assim? A EUA-ONG NED apropriou-se das funções da Polícia ou dos Procuradores de Justiça russos? Como é que descobrem e comprovam a tal “corrupção” cuja “consciência”, depois, eles trabalham para “ampliar”?
Claro que a “operação” aí gera lucros colaterais, sob a forma de detalhes íntimos de corrupção na Rússia e da vida de corruptos russo, que são encaminhadas às autoridades russas para providências: são encaminhadas às autoridades norte-americanas para chantagem. Há treinamento especializado nos EUA para ONG-ativistas em outros pontos do mundo (como os grupos Navalny).
E há uma EUA-ONG financiada pelo Congresso dos EUA, ligada à CIA e ao Departamento de Estado de Victoria Nuland, que decide quais as empresas russas são “corruptas”? Tenham a santa paciência!
ONGs que corroem a democracia
Outra categoria na qual essa EUA-ONG NED consome somas consideráveis de dinheiro na Rússia hoje aparece sob a rubrica “Ideias e Valores Democráticos”: US$ 400 mil, para algo que leva o nome de “Encontrar pontos de confluência de Direitos Humanos e História – Para ampliar a consciência do bom e do mau uso da memória histórica, e estimular discussões públicas de questões políticas e sociais prementes”. O quê?!
A coisa soa muito parecida com recentes tentativas, pelo Departamento de Estado dos EUA, de negar o significado e a importância da participação do Exército Soviético – que foram realmente decisivos para a derrota do IIIº Reich, na IIª Guerra Mundial.
É preciso perguntar também: quem decide quais são as tais “questões políticas e sociais prementes”? A NED? A CIA? Os neoliberais de Victoria Nuland no Departamento de Estado?
Outros pés nos mesmos sapatos
Imaginemos outros pés nesses mesmos sapatos. Vladimir Putin e o serviço secreto de inteligência da Rússia decidem montar em New York uma “operação’ que chamarão de Nossa Empreitada “Futura Democracia nos EUA” (NoFuDemEUA).
Essa operação NoFuDemEUA financia, com milhões e milhões de dólares, o treinamento de jovens ativistas afro-americanos, em técnicas de “arrastões”, tumultos, vandalismo, manifestações de brutalidade contra policiais, ensinam a preparar coquetéis Molotov, a usar as mídias sociais para desmoralizar o estado, a Polícia. O objetivo da operação NoFuDemEUA será denunciar todos os abusos de direitos humanos cometidos pelo governo dos EUA, FBI, Polícia, governo instituições da ordem pública. Esse pessoal assim treinado, saberá colher um incidente ambíguo em Baltimore, Maryland ou Chicago ou New York e disparar vídeos por Youtube para todo o mundo, tuítos, mensagens sobre a violência policial, real ou falsificada. Ninguém se preocupa com determinar o que fez a Polícia, se agiu bem ou mal. Mas multidões reagem, tomam as ruas contra a Polícia, eclodem tumultos, morre gente.
Caros leitores, alguém aí supõe que o governo dos EUA admitiria que uma ONG russa se intrometesse nos assuntos internos soberanos dos United States of America? Alguém acha que o FBI hesitaria um segundo para prender todo o pessoal da ONG NoFuDemEUA, fechar o escritório, acabar com a “operação”?
EUA - Ilusão de democracia
Pois o que essa ONG NoFuDemEUA estaria fazendo é exatamente o mesmo que a ONG National Endowment for Democracy, NED, financiada pelo Congresso dos EUA e apoiada pela CIA, faz na Rússia. O pessoal dessa ONG não tem absolutamente nada a fazer em lugar algum da Rússia, que é nação soberana. Nem, é claro, essas ONGs têm algo a fazer em qualquer lugar do mundo. Elas só existem para semear confusão, criar tumultos. O governo russo faz muito bem em mostrar-lhes a porta de saída, como organizações realmente indesejáveis.
Em outubro de 2001, dias depois do choque dos ataques contra as torres do WTC e o Pentágono, o governo Bush conseguiu aprovar uma lei que, na prática, rasgou a Lei dos Direitos da Constituição Norte-Americana, das melhores constituições que o mundo conheceu. A “Lei Patriótica”, como é cinicamente chamada pelos seus patrocinadores, dá poderes ao governo dos EUA para, dentre outras violências
(...) vigiar terroristas suspeitos, todos os suspeitos de praticar fraudes ou abusos por computador (sic!), e agentes de potência estrangeira engajado em atividades clandestinas nos EUA.
Outra sessão dessa Lei Patriótica permite que o FBI confisque
(...) produto tangível de qualquer tipo (livros, gravações, papeis, documentos e outros itens) para investigação necessária para proteger contra terrorismo internacional ou atividades clandestinas.
Essa lei, que é lei do estado policial que passou a haver nos EUA, provocou apenas gotas de ultraje; agora está para ser renovada pelo Congresso. O fato de a ONG NED ter parado de declarar a quem dá dinheiro na Rússia é prova de que tem algo a esconder. Essa ONG NED é o coração das operações da CIA e do Departamento de Estado dos EUA para
(...) militarizar e armar os Direitos Humanos [orig. “Weaponization of Human Rights”], para provocar “mudança de regime pelo mundo, de modo a verem-se livres de governos que “não cooperam”.
ONG = Espionagem
Como eu já disse em recente entrevista na Rússia sobre a NED, pouco depois de a nova lei russa ter sido aprovada, o que me surpreendia é que a Rússia não tivesse criado lei semelhante há muito tempo, porque era evidente que as ONGs norte-americanas não estavam lá para qualquer serviço positivo. A NED é realmente uma ONG “indesejável” – como o são Human Rights Watch, Freedom House, as fundações Open Society e toda a escória das falsas ONGs de Direitos Humanos patrocinadas pelo governo dos EUA.
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[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pelaPrinceton University; autor consagrado e especialista em questõesenergéticas e geopolítica da revista online  New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência na Princeton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em New York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.
Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.

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Xeque-Mate- Notícias: A sentença a Jato de Cerveró desqualificada na mesma rapidez - Habeas Corpus que pode derrubar Moro, atinge também sua atuação na AP 470

A sentença a Jato de Cerveró desqualificada na mesma rapidez - Habeas Corpus que pode derrubar Moro, atinge também sua atuação na AP 470

Xeque - Marcelo Bancalero

Talvez você não esteja nem ai com o Nestor Cerveró e o destino deste...
Talvez ache até que isso já é noticia velha...
Mas a importância do  que meu amigo Mauricio Ramos Thomaz  fez com  o envio desse habeas corpus pró Cerveró, é que nele se percebe que existem algo mais que motiva  o juiz Moro. Só isso para explicar a velocidade do andamento da Operação Lava Jato, com suas delações a jato, vazamentos para imprensa a jato, e agora com sentenças a jato.
E cada vez mais que o justiceiro do PIG ( Partido da Imprensa Golpista), se afunda na lama do próprio  buraco que cava com seus pés... Convido a ver estes dois links para entender http://goo.gl/IW0QOm e http://goo.gl/q3oSNO
A ousada atitude do meu amigo Maurício, também nos ajuda, a questionar a fatídica AP 470, o MENTIRÃO, onde também atuou nas coxias do supremo. Veja aqui http://goo.gl/SRbeS1  e http://goo.gl/UBS38k



Em 65 páginas em pouco mais de duas horas, numa sentença claramente pré-fabricada. O justiceiro do PIG, pode ter sentença derrubada por habeas corpus que destrói a sentença.


Direito é lógica e não o que se acha que é Direito. A lógica diz: a sentença não poderia ser redigida no tempo que foi. Logo não é sentença. Não existem palavras inúteis na lei e habitualidade, reiteração e continuidade delitiva são coisas diversas, o que causa a nulidade da AP 470 do STF onde ele atuou. 



Leia na íntegra o habeas corpus que destrói a sentença do juiz Moro


HABEAS CORPUS a favor de Nestor Cerveró

Sentença de Moro sobre Cerveró

Xeque-Mate- Notícias: A sentença a Jato de Cerveró desqualificada na mesma rapidez - Habeas Corpus que pode derrubar Moro, atinge também sua atuação na AP 470