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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Xeque-Mate- Notícias: No frigir dos ovos, se Levy os tiver... Veremos o ...

Leia o bom texto do Marcel Stenner sobre “crise” econômica atual. Gostei das figuras criadas de escada rolante e do omelete para explicar o modelo da casa grande e senzala e a origem da “crise” econômica atual. Estou de acordo com sua visão e abordagem da atual “crise” econômica no Brasil.
Será que Levy tem ovos?
Marcel Stenner

A verdade é que o PT desorganizou a estrutura econômica do país. Bagunçou tudo, transformou em algo que não era. Isso é um fato a ser reconhecido e comemorado. Finalmente algum partido o fez. O PT cumpriu exatamente o que prometeu para o povo brasileiro. O PT quebrou os ovos e fez a omelete.
Durante a década de 90 parecia impossível acreditar que um partido seria capaz de desconstruir a lógica econômica e social do país. A governabilidade do Brasil esteve sempre condicionada a um consenso político que reinava absoluto, pautado por um único e perverso compromisso: jamais quebrar os ovos para fazer omelete. Ou seja, aceitar a incapacidade estatal de atacar simultaneamente os três grandes problemas nacionais: i) garantir a estabilidade monetária, ii) reduzir as desigualdades sociais e iii) implementar um projeto de desenvolvimento nacional.
Em 1996, Ciro Gomes e Mangabeira Unger afirmaram no livro O Próximo Passo, que a sociedade e a economia brasileira podem ser divididas em duas. A primeira representava a economia avançada, cada vez mais integrada na economia e na cultura dos países desenvolvidos. A segunda encontrava-se aprisionada à margem do sistema, sem acesso aos mercados, ao capital e à tecnologia. Parecia impossível nos anos 90 solucionar os conflitos decorrentes dessa dualidade, pois seriam necessárias as gigantescas transferências para reduzir a desigualdade social. As forças que comandam a parte desenvolvida do Brasil jamais permitiriam, nem poderiam permitir, que fossem realizadas as transferências necessárias à equalização do sistema fossem realizadas, sob o risco de desorganizar profundamente a economia nacional. E isso foi exatamente o que aconteceu.
Segundo os autores, nas condições brasileiras, qualquer tentativa realista de redução das desigualdades sociais exigiria a revisão do modelo econômico até então instalado. Tal revisão deveria afetar as instituições econômicas e a relação entre o Estado e cadeia produtiva. Era necessária uma alternativa produtiva que integrasse a maioria dos brasileiros aos centros dinâmicos de nossa economia. Não de uma forma caridosa e compensadora como defendiam os partidários da social democracia, mas estrutural e profunda.
Eis que o PT veio ao poder e nos últimos 12 anos efetivou a transferência de renda necessária. Criou bolsas e programas para tudo e todos que estavam à margem do processo. Os mercados se transformaram. As curvas de demanda foram deslocadas. As políticas de conteúdo local alteraram nossa matriz insumo-produto fortalecendo encadeamentos produtivos descartados pelos governos anteriores. Empreendimentos de porte inimagináveis foram instalados em locais fora do eixo tradicional. Novos marcos regulatórios foram criados ou modificados, sofisticando as instituições econômicas e a transformando a forma de se fazer negócios no Brasil.
Tantas mudanças, em um curto período histórico, naturalmente criaram atritos, fazendo que alguns segmentos da economia se entrincheirassem. Afinal de contas, é justo reconhecer que um ambiente de estabilidade econômica é necessário para garantir a realização de investimentos privados. Entretanto a maioria dos agentes econômicos tendem a confundir estabilidade econômica com absoluta ausência de mudanças nas regras e relações vigentes.
Obviamente que mudanças estruturais dessa magnitude tem um custo. É claro que no curto prazo não é eficiente instalar atividades econômicas complexas onde não há tecnologia e infraestrutura. Assim também o é quando se decide por realizar pesados investimentos em infraestrutura onde não há atividade econômica, com o objetivo de induzí-la. Ou seja, o PT substituiu o paradigma tecnocrático do que era economicamente viável para o que era necessário ou desejável para a população brasileira à margem do sistema. Foi a recusa do pecado original que condiciona países a serem eternamente exportadores de insumos e importadores de bens industrializados. Ou seja, a recusa de que as vantagens e desvantagens comparativas são imutáveis e que devem ser respeitadas. O Brasil decidiu que queria ser outro. Como bem colocaram Mangabeira e Ciro em 1996, trair o Brasil é aceitá-lo como é. Assim, a ordem social da Casa Grande e da Senzala foi colocada em cheque.
Ainda que dá boca pra fora, até os partidos mais à direita sempre defenderam a necessidade de promover transformações sociais no país. No entanto divergiam substancialmente quanto à forma. Assim, o conceito elitizado de transformação social era vendido como um processo no qual "o importante não é dar o peixe, mas ensinar a pescar". Mas por trás dessa ideia barata escondia-se a preocupação dos setores conservadores com o bom funcionamento da escada rolante, historicamente instalada no Ministério da Fazenda.
Mas que porra de escada rolante é essa? A escada rolante é a única condição que importa para as elites brasileiras quando o assunto é desenvolvimento econômico. Segundo essa condição, o governo pode fazer o que quiser desde que a escada não pare de funcionar. A lógica é simples: há uma fila, e para que o de baixo suba , o que está mais alto tem que subir também. Assim, suas distâncias e privilégios se mantém constantes e proporcionais. As classes mais abastadas alimentam um dogma quase religioso de que merecem subir, acima das classes mais baixas, pelo simples fato de que, em tese, pagam maior volume de impostos. Mas a verdade é que se a escada rolante parar de funcionar o sistema Casa Grande - Senzala entra em colapso.
No primeiro mandato Lula comprometeu-se a prezar pela estabilidade econômica e, assim conseguiu convencer as temerosas forças que comandam a parcela desenvolvida a permitir que as transferências necessárias para o desenvolvimento social fossem feitas. No entanto, não teve como garantir que os mais altos degraus da escada subissem na mesma velocidade que os de baixo. O cenário econômico tornou-se menos favorável e escada rolante passou a funcionar mal para as classes médias e altas, que passaram a sentir as classes baixas mais próximas, quase fungando em seu cangote.
A regra centenária entrou em colapso. Pobre andou avião, comprou carro popular e foi para o exterior. Mas a classe média não comprou Ferrari, yatch, perdeu a empregada que foi pra universidade e ainda teve que continuar voando na classe econômica. Se os pobres estivessem na classe econômica e eles tivessem alcançado a classe executiva, estaria tudo em paz. Eu costumo dizer que o problema não é o capitalismo, mas a fúria dele. E a quebra da escada rolante é a coisa mais capaz de enfurecer a elite brasileira.
Hoje estamos em um momento de transição histórica. Uma transição entre o Brasil social que fomos e o que ainda seremos. Alguns chamam de crise. Mas há uma diferença substancial entre crise e transformação. A Revolução Francesa também foi chamada de crise durante algum tempo. O Brasil não está passando por uma crise sistêmica, mas sim por uma crise construtiva, necessária ao processo de maturação de um país desenvolvido. Os maus resultados da economia representam a fatura das profundas transformações socioeconômicas. Os indicadores econômicos expressam uma quebra de paradigma e uma reestruturação da organização política e econômica do Brasil. Este é o preço do sucesso das políticas desenvolvimentistas. Não havia como promover essas transformações sem arcar com seus pesados custos. Não há lanche grátis, como dizem os economistas ou, em nosso caso tupiniquim, não deveria ter omelete grátis. A oposição alimenta a ilusão de que é possível desfazer a omelete e retornar para o sistema Casa Grande-Senzala. Para isso, apostaram todos os seus ovos na cesta de Joaquim Levy. O competente economista assumiu seu cargo com uma missão fortemente política, mas que parece muito técnica: ou conserta a escada rolante ou pare de quebrar os ovos.
Será que Levy tem ovos para isso?

Xeque-Mate- Notícias: No frigir dos ovos, se Levy os tiver... Veremos o ...: Xeque - Marcelo Bancalero Pois bem... Antes de criticar,  é preciso uma visão clara do cenário econômico. Existem problemas? C...

CLAUDICANDO: A direita e a falácia do caviar

quinta-feira, 4 de junho de 2015


A direita e a falácia do caviar



O nível da direita brasileira já há tempos vinha em franco declínio. Primeiro abandonaram os argumentos para contentar-se com o ódio. Agora, acrescentam ao ódio o fuxico da vida alheia. Tornaram-se patrulhadores dos costumes da esquerda em nome de uma lógica bastante curiosa. 

Para eles, se você defende posições de esquerda, não pode comprar coisas no mercado, está proibido de viajar, frequentar botecos, restaurantes e deve repartir seu salário com os vizinhos. Se te pegam falando no telefone, esteja pronto para ouvir, em tom de triunfo: "Aha! É contra o capitalismo, mas usa celular!". 

Nas páginas do Manifesto Comunista, de 1848, Marx já havia debochado do tacanho pensamento elitista sobre a defesa da socialização: "Para o burguês, a mulher nada mais é do que um instrumento de produção. Ouvindo dizer que os instrumentos de produção serão explorados em comum, conclui naturalmente que o destino de propriedade coletiva caberá igualmente às mulheres". É socialista? Então socialize sua mulher! –diziam os direitistas do século 19. Quase duzentos anos depois, o nível parece o mesmo. 

Raciocínios como esse são mais velhos que o capitalismo. Revelam um primitivismo da razão, sem mediações nem conceitos. Aristóteles, já no século quatro antes de Cristo, dedicou seus Elencos Sofísticos a denunciar essa lógica manca. Dá exemplos: "Cinco é dois mais três. Dois é par e três é ímpar. Logo, cinco é par e ímpar". O argumento sofístico abusa da ambiguidade e da confusão, produzindo falácias racionais. 

É o que faz a direita de hoje. Confunde intencionalmente duas questões distintas: defender o capitalismo e viver no capitalismo. Vivemos em uma sociedade capitalista, com tudo o que isso implica. Viver nela não significa defendê-la, aliás para criticá-la e combatê-la é preciso estar nela. 

O argumento bronco considera tudo isso uma sutileza metafísica e diz, com a argúcia da Idade da Pedra: "Se é contra o agronegócio, então não coma!", "denuncia a privatização, mas usa energia elétrica da AES em casa!", "é socialista, mas tem computador!", e outras pérolas mais. Enfim, a esquerda de verdade deve se alimentar por fotossíntese, usar velas e mimeógrafo. 

Imaginem as mesmas sandices aplicadas do outro lado: "Aha! Vi você dando um pedaço de pão para o seu filho, seu socialista! Não dê o peixe, ensine a pescar!", "Bill Gates é comunista: tem fortes investimentos na China comandada pelo PC.", "pegou crédito imobiliário na Caixa? Seu petralha sem-vergonha! Vai pagar juros para o PT!". 

Recentemente, os bisbilhoteiros de plantão fotografaram o jornalista Leonardo Sakamoto em Nova York. Como pode? É de esquerda e vai para Nova York! Deixando de lado a questão das intrigantes motivações dessa Dona Fifi globalizada, que se dedica a perseguir e fotografar alguém em outro hemisfério, o nível do raciocínio é o mesmo denunciado por Aristóteles: "Sakamoto é de esquerda. Nova York é uma cidade capitalista. Logo, Sakamoto não pode pisar em Nova York". 

Não sabem talvez que o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, é considerado comunista pela direita de lá por ser admirador de Cuba e ter apoiado os sandinistas. Mas aí já fica complexo demais para o Tico e o Teco. 

O que essa turma não entende –e possivelmente nunca entenda– é que defender posições de esquerda não significa voto de pobreza, viver a pão e água. Quem impõe a vida a pão e água a bilhões de pessoas ao redor do planeta é o capitalismo e é exatamente por isso que a esquerda o combate. Não se trata de defender a socialização da miséria, mas sim das riquezas. Algo, aliás, profundamente atual num mundo onde elas estão concentradas em 1% da população.
CLAUDICANDO: A direita e a falácia do caviar: Via Esquerda Caviar Por  Guilherme Boulos O nível da direita brasileira já há tempos vinha em franco declínio. Primeiro abandon...

O CORREIO DA ELITE: Memória: Governador Schwarzenegger condenou à mort...

Mesmo que fosse culpado pelos crimes pelos quais era acusado, sua produção literária dirigida aos jovens exortando-os a adotarem a cultura da paz e do protagonismo político, no mínimo era uma demonstração de reabilitação. No entanto, foi para o cadafalso alegando inocência. Alegação essa que, segundo o Conan, teria sido o motivo de não conceder-lhe a clemência. É melhor para Arnold manter seu barbarismo intacto, pois se a razão um dia apossar-se de sua natureza, certamente a consciência o torturará de maneira bastante atroz até às raias da loucura. Tudo pode acontecer;



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Memória: Governador Schwarzenegger condenou à morte indicado aos Nobéis da Paz e da Literatura

 



 ( Reproduzido do Hora do Povo, 16 de Dezembro de 2005 )

EXECUÇÃO DE STANLEY WILLIAMS E COVARDIA DE SCHWARZENEGGER CAUSAM INDIGNAÇÃO GERAL

Stanley Tookie Williams, indicado ao Nobel da Paz por sua luta contra a desigualdade social nos EUA e a violência, foi executado dia 13, terça-feira, na penitenciária de San Quentin, depois de ter seu pedido de clemência negado pelo exterminador que ocupa o governo da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

O ator-governador acovardou-se diante da pressão de seu partido, o republicano, que é a favor da pena de morte. O apoio do partido ao governo está perdendo força depois de sua estrondosa derrota nas urnas em um referendo sobre o seu plano de 'reformas'. O objetivo era fugir da derrota na câmara onde não tinha o apoio democrata.

No documento, Scharzenegger disse que negou a clemência porque Williams não se declarou culpado e, portanto, não "poderia levar a sério sua reabilitação". Condenado à morte em 1981 acusado de assassinato, Williams sempre reafirmou sua inocência durante os 26 anos em que esteve preso. "Nunca vou admitir crimes capitais que não cometi - nem mesmo para salvar a minha vida", afirmou Williams em sua autobiografia lançada no ano passado.

O julgamento, assim como boa parte dos júris em que negros estão no banco dos réus, constatou-se que todas as testemunhas de acusação eram de indivíduos que tinham processos pendentes, levando o próprio Tribunal de Recursos a declarar em 2002 que estes poderiam ser facilmente levados a mentir, em busca de qualquer perdão ou atenuante para os seus casos.

Mas o Supremo Tribunal recusou o pedido de investigação. No julgamento, o promotor do ministério público retirou três jurados afro-americanos do júri. E, durante as alegações finais, comparou Williams a um tigre de bengala, declarando que a comunidade negra de South Central, bairro onde Williams morava, era o equivalente ao habitat natural de um Tigre de Bengala. O mesmo promotor foi censurado duas vezaes pelo Supremo Tribunal da Califórnia por comportamento semelhante.

Nascido em Nova Orleans sem a presença do pai e distante da mãe, Williams cresceu num bairro da periferia de Los Angeles. Com 17 anos, fundou o "Crips", uma gangue de rua que praticava a violência. Esses grupos surgiram como uma resposta a política de segregação racial que impera nos estados com maior população negra. Williams enfatiza que apesar de ser reflexo desse processo marginalizador, esses grupos não podem ser vistos como algo positivo.

Na prisão, sua indignação às injustiças se converteu em luta dirigida aos jovens contra as causas e consequências da violência urbana. "São os jovens os que necessitam de algum modelo em que se possam inspirar e são eles que ainda podem fugir aos caminhos que percorri".

Neste sentido, lançou uma série de livros dirigida aos estudantes do ensino básico mostrando as consequências da violência e contando suas experiências. Seu trabalho levou à indicação por cinco vezes [ destaque deste blog ] ao Prêmio Nobel da Paz e quatro para o Nobel da Literatura.

"O Estado da Califórnia acaba de assassinar um inocente", afirmou sua editora, Barbara Becnel, assim que Williams foi declarado morto.

Do lado de fora da penitenciária, milhares de pessoas realizaram vigília em protesto à execução. "Terminou, mas não terminou", disse o reverendo Jesse Jackson referindo-se ao seu combate contra a violência. Outras dezenas de personalidades, entre eles Jamie Foxx e Danny Glover manifestaram seu repúdio à atitude de Schwarzenegger.




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O CORREIO DA ELITE: Memória: Governador Schwarzenegger condenou à mort...:  ( Reproduzido do Hora do Povo, 16 de Dezembro de 2005 ) EXECUÇÃO DE STANLEY WILLIAMS E COVARDIA DE SCHWARZENEGGER CAUSAM INDIG...

Governador Beto Richa “afrouxa a tanga” e procura a APP-Sindicato | Esmael Morais

Governador Beto Richa “afrouxa a tanga” e procura a APP-Sindicato

03 JUN 2015 - 14:01 13 Comentários
alep_appA valentia do governador Beto Richa (PSDB) durou menos de 24 horas, pois o tucano voltou atrás da intenção de não negociar com professores e servidores em greve. No meio político, prevaleu a opinião de que o tucano estaria intransigente devido ao ego, vaidade, birra de piá pançudo, vaidade, dentre outros adjetivos mais cabeludos.
Enquadrado pela realidade política, Richa mandou o líder do governo na Assembleia, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), e o presidente da Casa, Ademar Traiano, apresentarem nova proposta de pagamento da data-base à APP-Sindicato.
Assista ao vídeo
O governador Beto Richa “afrouxou a tanga” porque a Assembleia, por meio do deputado Péricles Mello, deu um ultimato: ou ele negocia e encerra a greve de quase 40 dias ou o parlamento irá atropelá-lo aprovando um novo substitutivo; também pesou a ameaça da Justiça bloquear R$ 1,3 bilhão das contas do tesouro estadual.
Daqui a pouco, às 14 horas, os governistas irão se reunir com os deputados oposicionistas. A ideia é bater o martelo — ou não — para encerrar a greve na educação
Governador Beto Richa “afrouxa a tanga” e procura a APP-Sindicato | Esmael Morais

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Para terminar greve na educação, Assembleia “suprapartidária” ameaça atropelar intransigência de Beto Richa | Esmael Morais

Para terminar greve na educação, Assembleia “suprapartidária” ameaça atropelar intransigência de Beto Richa

02 JUN 2015 - 16:36 75 Comentários
Pericles-MelloO deputado Péricles Mello (PT) anunciou nesta terça-feira (2), da tribuna da Assembleia, a elaboração de um substitutivo ao projeto do governador Beto Richa (PSDB) concedendo 8,17% de reajuste na data-base de professores e servidores do Paraná. A proposta seria “suprapartidária” teria a assinatura de 32 dos 54 parlamentares.
Péricles leu nomes de colegas de parlamento e partidos que subscreverão o novo substitutivo, que na prática significa atropelar e impor uma fragorosa derrota à intransigência do governador tucano.
O objetivo da Assembleia é resolver o imbróglio da greve, sobretudo na educação básica, que hoje completou 36 dias.
Segundo o anúncio, os 32 deputados seriam distribuídos nos seguintes partidos: PMDB, PSC, PT, PDT, PSD, PSB, PRB, PPL, PV e PPS.
Os grevistas reivindicam reposição inflacionária de 8,17%, mas o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, interventor nacional do PSDB nas finanças do Paraná, como governador de facto, joga duro
Para terminar greve na educação, Assembleia “suprapartidária” ameaça atropelar intransigência de Beto Richa | Esmael Morais

Diga-me com o que fazes metáforas e direi quem és: “Padrão Fifa”, CBF e slogans nas manifestações | Cinegnose

CORRUPÇÃO PADRÃO FIFA


Diga-me com o que fazes metáforas e direi quem és: “Padrão Fifa”, CBF e slogans nas manifestações


Por Wilson Roberto Vieira Ferreirajunho 3, 2015 16:17
Diga-me com o que fazes metáforas e direi quem és: “Padrão Fifa”, CBF e slogans nas manifestações
“O gigante acordou”, “Vem pra rua”, “Padrão Fifa” e a camiseta da CBF escolhida como símbolo da Pátria. Tantas vezes slogans publicitários e clichês midiáticos foram apropriados pelas manifestações anti-Governo Federal na ruas desde 2013 que chegou-se a uma situação irônica: após as prisões efetuadas pelo FBI em Zurique de cartolas do futebol mundial é irônico manifestações fazerem alusões a instituições notoriamente corruptas em protestos contra a corrupção.  Nas redes sociais simpatizantes desses movimentos respondem: foram apenas “leves metáforas”. Mas temos que admitir: diga-me com o que fazes metáforas e direi quem és. Há um fato semiótico novo – slogans e palavras de ordem deixaram o campo exclusivo da propaganda política para entrar no pastiche das apropriações de criações publicitárias. Porém, é da natureza do slogan publicitário interpelar muito mais o indivíduo do que o coletivo. Estamos acompanhando uma tendência de despolitização?  
“Não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um determinado efeito” 
(Joseph Goebbels)
O escândalo da Fifa que resultou na prisão de sete cartolas, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin, sob acusação de manterem um sistema corrupto de propinas e lavagem de dinheiro com direitos de transmissão e comercialização de jogos criou uma inusitada ironia: desde as grandes manifestações de rua de 2013, passando pelos protestos contra a Copa em 2014 para os atuais panelaços e mobilizações anti-Dilma, palavras de ordem como “Padrão Fifa” (reivindicação por saúde e educação alusiva ao mesmo padrão dos estádios construídos para a Copa) e manifestantes em massa vestindo camisetas amarelas da CBF se transformaram em inesperada “piada pronta” – por que manifestações po transparência e combate à corrupção constroem slogans e palavras de ordens alusivas a instituições notoriamente corruptas?
Nas redes sociais os militantes e simpatizantes dos protestos respondem que essas analogias eram “leves metáforas” – o padrão exigido pela Fifa aos organizadores da competição deveria ser o mesmo para Saúde e Educação e as camisetas da CBF por conta da cor amarela, para representar a Pátria, sem partidarismos.
Desde 2013 a escalada das manifestações de rua foi recebida por cientistas e comentaristas políticos como um fato novo, a expressão dos jovens de um descontentamento contra a Política e os partidos. Diante dos lentos canais representativos, os jovens responderam com flexibilidades e rapidez na logística, desde as manifestações do Movimento Passe Livre contra o aumento das tarifas do transporte público.
Mas por outro lado arrisco em observar que há também um fato novo de natureza semiótica: os slogans e palavras de ordem dessas manifestações também deixaram de ter uma natureza de propaganda política para assumirem um aspecto publicitário. Explicando melhor: os slogans abandonaram o velho campo das figuras de linguagem e da retórica aristotélica para ingressar no pastiche da apropriação de slogans publicitários ou midiáticos.

Pastiches e clichês publicitários

A essa “coincidência” entre slogans de campanhas publicitárias que se transformaram em palavras de ordem de manifestações, muitos analistas apontam como “reflexo de um mundo conectado” ou “processos virais de contaminação de redes”.
Porém, acredito que associar demandas políticas a criações publicitárias ou virais de redes sociais iniciados por clichês jornalísticos como “Padrão Fifa” vai mais além do que evidências tautológicas de que “o mundo está mais conectado” -  é como se dissesse: o slogan viralizou porque as redes são virais. Há por trás desse fenômeno um movimento de despolitização: a Política e a esfera pública são absorvidas pela linguagem publicitária que, pela sua própria natureza, interpela muito mais o indivíduo do que o coletivo.
Se não vejamos alguns exemplos:
a) “Vem pra rua”: canção criada para ser jingle publicitário da Fiat para a Copa das Confederações de 2013 no Brasil. Composta em apenas 3 horas por Henrique Nicolau, levou a assinatura da produtora S de Samba que produz canções para o mercado publicitário desde 1988. Virou hino das manifestações nos protestos do mesmo ano.
b) “O Gigante Acordou”: criada para o uísque Johnnie Walker por Alexandre Gama (diretor de Criação da Neogama/BBH), a campanha foi uma resposta ao desafio lançado pela equipe internacional da Diageo. Otimistas com o Brasil, queriam uma campanha específica do produto para a importância do País para a Diageo e para o mundo. De repente cartazes e faixas na manifestações estamparam esse slogan, popularizado em vídeos na TV e YouTube. É claro que esse slogan já tinha sido utilizado no passado em manifestações políticas como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade que antecedeu ao Golpe de 1964. O ex-presidente Nixon também se referiu aos EUA em 1980 usando esse slogan. Mas, no caso, a inspiração foi claramente da campanha do uísque escocês.
c) “Desculpe o Transtorno, estamos mudando o Brasil”: uma paráfrase das indefectíveis placas que atormentam motoristas no trânsito, avisos de blogs ou sites da Internet fora do ar em manutenção ou em áreas de shoppings ou supermercados em reformas. A mensagem não é propriamente midiática – pertence ao anódino mundo das placas de sinalização. Mas a sua apropriação por um movimento de protesto revela uma característica importante da apropriação dos slogans publicitários: assim como no mundo publicitário, no mundo semiótico das placas de sinalização o destinatário da mensagem é sempre o indivíduo e não o coletivo.

d) “Padrão Fifa”: expressão jornalística que surgiu na cobertura sobre os preparativos da Copa do Mundo no Brasil, principalmente pelos pitacos que o Secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, dava ao criticar aos supostos atrasos e imperfeições nas obras dos estádios e infra-estrutura. A cada pitaco de Valcke, era como se aumentassem ainda mais os custos da Copa para o Governo. A expressão virou um mantra para a grande mídia, que queria ver o circo pegar fogo.
e) Camisetas amarelas da CBF: o uniforme é do Brasil ou da Confederação? CBF é uma instituição pública ou privada? Representa a Pátria ou uma instituição desgastada por denúncias de corrupção que culminaram com a ação do FBI em Zurique? Pela primeira vez se utilizou a camiseta da seleção brasileira de futebol como vestimenta em um protesto político. Isso é muito mais do que uma novidade: pode representar um ato falho que revela a verdadeira natureza por trás dessas apropriações de slogans e clichês midiáticos pelas manifestações, como veremos abaixo.

Slogans políticos versus slogans publicitários

A existência do slogan antecede à Publicidade. Sempre esteve no campo da propaganda política, até ocorrerem as mudanças estruturais da esfera pública no século XIX e a discussão político-ideológica ser aos poucos substituída pela competição de marcas e produtos pela relevância de um suposto interesse público – até a própria Política ser absorvida e se tornar também uma competição por imagens e produtos.
O especialista em retórica e filosofia da educação Olivier Reboul (1925-2002) em seu livro clássico O Slogan discutia as diferenças entre o slogan político e o publicitário que podemos sintetizar da seguinte forma: 
a)     o slogan político: 
a.     parte de uma causa, partido ou país que almeja o poder;
b.     faz um apelo a interesses coletivos (Nação, Pátria etc. e sacrifício de interesses individuais, passando-se com uma caráter de “desinteressado”;
c.     por isso, cria um laço horizontal entre os receptores; 
d.     tira o receptor da passividade – o “diz-se” cede lugar ao “dizemos”. 

b)     o slogan publicitário:
a.     tem o objetivo de vender por meio de prestígio e imagem de marcas diferidas;
b.     faz apelo a interesses do indivíduo – indivíduo anônimo definido de maneira estatística;
c.     por isso, dissocia os indivíduos ao invés de integrá-los horizontalmente;
d.     deixa o destinatário passivo – de forma subliminar baseia-se no “diz-se” e não no “dizemos”; anuncia uma suposta novidade que não foi compartilhada ou discutida anteriormente.

                 Ao contrário do passado onde slogans político e publicitários mantinham-se em campos distintos, a novidade dessas manifestações de rua anti-Governo Federal é que se apropriaram dos slogans da Publicidade como pastiche – não como paródia ou subversão do sentido original, mas explorando uma familiaridade de conhecimento que associa o slogan ao estilo de vida individualista de classe média. 
Carros, uísque, futebol e placas em congestionamentos de trânsito fazem parte do ethos das classes médias. Como um pastiche ou patchwork, são signos recortados do dia-a-dia da cultura midiática das classes médias, para serem colados em palavras de ordem das manifestações públicas.

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