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terça-feira, 26 de maio de 2015

"Democracia na África avança", diz ex-ministro Celso Amorim

Brasil

"Democracia na África avança", diz ex-ministro Celso Amorim

Na próxima terça (26), o Conselho África do Instituto Lula promoverá o quinto “Conversas sobre África”, uma série de palestras com especialistas e pessoas de atuação destacada no continente. O encontro servirá também como comemoração ao "Dia da África", celebrado mundialmente em 25 de maio. O convidado da vez é o embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa durante os governos Lula e Dilma Sua palestra terá como tema “Um balanço das relações Brasil-África". O Sindicato dos Bancários e o Programa Mundial de Alimentos da ONU no Brasil também são parceiros do Instituto para a organização do evento.
Saiba mais sobre outros eventos em comemoração ao Dia da África: http://www.institutolula.org/brasil-celebra-dia-da-africa-com-atividades-culturais-e-debates-politicos
Farão parte da mesa de trabalhos, Eugênia Pereira Saldanha Araujo (embaixadora de Guiné-Bissau no Brasil), Ivone Maria da Silva (secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo), Daniel Balaban (diretor do Centro de Excelência Contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos no Brasil da ONU), Suhayla Khlalil (professora de Relações Internacionais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo) e Celso Marcondes (diretor do Instituto Lula).
Em entrevista ao site do Instituto Lula, Celso Amorim falou sobre o avanço da democracia no continente, a ameça do terrorismo islâmico e como programas de proteção social desenvolvidos no Brasil servem de referência para ações de combate à exclusão social na África.
No imaginário de muitos brasileiros, a África ainda é vista como um continente tomado por ditaduras. Esta percepção retrata a realidade política do continente?
Os anos que se seguiram à independência de muitos países foram turbulentos. Às sequelas deixadas pelo colonialismo somaram-se estruturas de poder centralizadas, frequentemente com um viés militar, em um ambiente de pobreza e de disputas tribais, fomentadas geralmente por interesses externos. Em alguns casos, essas disputas chegaram a provocar cruentas guerras civis. Mas assiste-se a um progresso em direção à democracia, ajudado pelo surgimento de regimes mais estáveis e pela ação da União Africana, que tem condenado as tentativas de golpe de Estado. A alternância de poder já tem sido a regra em países como Zâmbia, Tanzânia, África do Sul, Gana e muitos outros. O crescimento econômico contribuirá, na minha opinião, para fortalecer essa tendência positiva.
Como o senhor vê o avanço do terrorismo islâmico no continente?
O avanço do terrorismo na África é muito preocupante. É importante observar que, embora haja fatores endógenos que ajudam na sua propagação, a fragmentação de Estados como a Líbia, devida em grande parte à intervenção estrangeira, tem provocado a disseminação de movimentos fundamentalistas, além de facilitar o tráfico de armas e a movimentação de grupos armados extremistas.
Qual o potencial da cooperação do Brasil com a África na área de proteção social?
Gosto de citar a frase de um professor africano, radicado nos Estados Unidos, Calestous Juma, para quem. "para cada problema africano existe uma solução brasileira". Programas desenvolvidos em nosso país como o Bolsa Família e os relativos à agricultura familiar seriam de grande valia, com as devidas adaptações, a muitos países do continente africano. Fonte: Instituto Lula.
"Democracia na África avança", diz ex-ministro Celso Amorim

Empreiteiras estrangeiras começam a ocupar mercado brasileiro | GGN

O EFEITO MORO SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA



Enviado por Odonir Oliveira
Do Tijolaço
Por Fernando Brito
O sempre atento Nilson Lage nos avisa pelo Facebook: as empreiteiras estrangeiras já estão tomando o mercado das empresas brasileiras.
Ontem à noite, o insuspeito Lauro Jardim, da Veja, publica uma nota informando que a Duro Felguera, mineradora e empreiteira de obras espanhola, abocanhou um “contratinho” de de 6,5 bilhões de reais para a construção de duas usinas termelétricas – – uma no Rio Grande do Sul e outra em Pernambuco.
O preço é salgadíssimo, embora os empreendimentos sejam de grande porte, com capacidade de 1,2 MW de potência máxima, já que usinas termelétricas  são plantas industriais relativamente simples e rápidas de construir  – pouco mais que um ano, seis, sete e até oito vezes mais rápido que uma hidrelétrica – exigem pouca movimentação de terra, muito menos obras civis e materiais.
Basicamente, uma usina termelétrica a gás é uma turbina como a dos aviões, acompanhada de estruturas de reaproveitamento do calor (ciclo compinado) para mais geração e dutos para circulação e resfriamento de vapor e água. Neste caso, haverá terminais para manejo de gás importado, liquefeito, por navios e regaseificado. Certamente está aí a diferença de custos para as que usam gás trazido via dutos.
Mas o mais interessante – ou trágico – é que a razão de ter sido escolhida uma empreiteira é, segundo Jardim, o fato de que a contratação da Felguera “é o efeito da Lava-Jato: as empresas estão fugindo de construtoras que são alvo de investigação da Polícia Federal.”.
Parabéns, Dr. Sérgio  Moro.
O senhor é mesmo merecedor do Prêmio Faz Diferença.
Para as empreiteiras estrangeiras, já está fazendo.

Contrapolítica | Brasil de Fato

Contrapolítica

Vivemos uma situação típica de esvaziamento da política em razão de sua perversão rumo aos resultados imediatos e aos interesses privados.
25/05/2015
Por João Paulo Cunha*

Nos anos 1970, o pensador austríaco Ivan Illich, um dos mais radicais críticos da sociedade industrial, propôs o termo contraprodutividade para explicar a contradição que regia nosso modelo de civilização. Para ele, as instituições criadoras de valor, como a medicina e a escola, por exemplo, em determinado momento, para manter sua forma doentia de desenvolvimento, passam a confrontar com seus próprios objetivos. Para provar sua tese, ele escreveu livros de grande impacto que defendiam que a escola pode deseducar e a medicina, com seus excessos, adoece as pessoas.
Podemos utilizar essa regra para vários momentos da vida do homem na sociedade contemporânea. Depois de determinado limiar, tudo que foi criado para facilitar e melhorar a existência começa a jogar contra o patrimônio. Assim, quanto mais velozes os carros, mais parado o trânsito; quanto maior a produtividade agrícola, menos qualidade nos alimentos com seu sobrepeso de veneno; quanto mais moderna a tecnologia da informação, menor contato entre as pessoas. A contraprodutividade é o limite real dos nossos sonhos, prova de nossa insensatez e fracasso explícito do desejo de onipotência.
A ideia de Illich vale também para as instituições e formas de convivência. Como a política. O caso brasileiro, neste sentido, é exemplar. O atual momento de conflagração, ainda que pareça à primeira vista uma exacerbação da política, parece ter gerado sua sombra mais desmobilizadora e negativa. Não há nada menos político que a política no Brasil. As pessoas que sempre se sentiram “diferenciadas”, e por isso isentas de se manifestar sobre questões públicas, chegam às ruas com camisas da Seleção ou vão às varandas bater panelas com um ressentimento vazio e incapaz de diálogo. E, com ares toscos de La Pasionaria, acham que estão dando lições de cidadania.
Já os políticos, que deveriam ter experiência nesse campo, deixam de lado a história, a ideologia e os programas para operar uma oposição mecânica e automática. Não há disputa responsável de projetos, mas um jogo de tudo ou nada, que parte das questões de comportamento e direitos humanos para chegar às políticas públicas e à economia. Vivemos uma situação típica de contrapolítica, de esvaziamento da política em razão de sua perversão rumo aos resultados imediatos e aos interesses privados. Assim como a medicina moderna criou doenças, a política atual é responsável uma capa de alienação arrogante. Não é um acaso que a presidência da Câmara e do Senado estejam nas mãos do mais contrapolítico dos partidos, o PMDB (uma frente de grandes achaques e pequenos negócios), e dos mais contrapolíticos dos políticos, Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
No âmbito da economia, o excesso também se transformou em sintoma de escassez: quanto mais riqueza, mais injustiça e concentração de renda; quanto mais abonado o cidadão, menos responsável pela dívida social; quanto maior a empresa, maior a desoneração. Os debates em torno do ajuste fiscal são vitrines dessa inversão de valores. Os custos da crise recaem prioritariamente sobre os trabalhadores; o ajuste retira direitos e aumenta juros para preservar o sistema financeiro. No campo do trabalho, em vez da expansão do emprego, ameaça-se com a terceirização. Não se fala em cobrar dos mais ricos, taxar fortunas e heranças, estimular o crescimento, completar a espiral do consumo com bens mais valiosos, como serviços públicos de qualidade. O remédio é sempre o corte.
A contraeconomia é a tradução da crise em forma de austeridade que penaliza a vítima, para manter o ambiente florescente para o capital especulativo. Se a economia é a ciência da riqueza do homem e da distribuição da riqueza entre os homens, Joaquim Levy é um contraeconomista de mão cheia. E é por isso que foi escolhido para a função de condutor do ajuste fiscal. Ele faz exatamente o que se esperava dele.
Assim como a tecnologia em suas várias dimensões pode gerar retrocesso e barbárie, a contrapolítica e a contraeconomia desaguam na desmobilização, ódio de classe, empobrecimento do trabalhador, autoritarismo e injustiça social. E, o que é pior, com fumos de modernidade e avanço. Em pouco tempo o desempregado passou do posto de exército de reserva para o de incompetente. Em breve vai ser descartado da humanidade. A terceirização, neste contexto, pode ser lida como uma forma perversa e operativa de prescindir das pessoas para preservar o lucro: um capitalismo ideal, sem trabalhadores.
É o cenário que nos ameaça na esquina do tempo. Illich chega até aqui. Daí para frente, haja Marx e Freud.

João Paulo Cunha é jornalista.
Contrapolítica | Brasil de Fato

Perfil elitizado de médicos é um dos desafios ao atendimento básico da saúde, avaliam especialistas | Brasil de Fato

Perfil elitizado de médicos é um dos desafios ao atendimento básico da saúde, avaliam especialistas

USP Imagens

Médicos populares e professor acreditam que, para democratizar a medicina brasileira, é preciso mudar o currículo das universidades. Eles criticam a formação voltada para mercado.
25/05/2015
Por José Coutinho Júnior,
Da Redação
Mulheres, jovens, brancas, que moram com os pais, nunca trabalharam e sempre estudaram em escola privada. Este é o perfil da maioria dos recém-formados em medicina no estado paulista, segundo levantamento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). A pesquisa ainda está sendo finalizada, mas dados preliminares foram divulgados pelo presidente do conselho, Bráulio Luna Filho, em seminário sobre saúde organizado pelo jornal Folha de S. Paulo.
 
  Faculdade de Medicina da USP | Foto: USP Imagens
Os dados relativos à São Paulo correspondem à realidade do perfil dos médicos em todo país. Um questionário do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2013 constatou que 56,1% dos que fizeram a prova eram mulheres, com 33,9% tendo entre 25 e 29 anos.
Do total de estudantes, 73,6% se declararam como brancos. Os que se declararam pardos/mulatos corresponderam a 21,3%. Já os que disseram ser negros representavam 2,3% do universo. Além disso, 2,3% dos estudantes se declararam amarelo (de origem oriental) e 0,4% se declarou como indígena ou de origem indígena.
A pesquisa do Enade também aponta que a faixa de renda familiar mensal mais comum para os estudantes de medicina foi a de dez a 30 salários mínimos (R$ 6.780,01 a R$20.340,00). Além disso, 84% dos estudantes marcou a seguinte afirmação no questionário: “não tenho renda e meus gastos são financiados pela minha família ou por outras pessoas”.
Brasil de Fato conversou com profissionais de saúde para entender os desafios resultantes desse perfil elitizado dos médicos formados no Brasil.
Na avaliação do professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP), o perfil corresponde à elitização do ensino superior como um todo. “Outros cursos muito concorridos apresentam perfis similares. O agravante é que a medicina é um curso muito caro, que pessoas de renda mais baixa não conseguem acessar via Fies [Financiamento Estudantil] ou Prouni [Programa Universidade para Todos] na mesma proporção dos outros por conta dos preços da mensalidade”, apontou.
O médico da família e supervisor do Programa Mais Médicos, Renato Penha, diz não se surpreender com os números. “É pouco comum encontrar pessoas que trabalham e fazem cursos de medicina ao mesmo tempo, porque a carga horária do curso é pesada, o que limita o acesso dos mais pobres. Outros perfis, como indígenas ou negros, mesmo com a política de cotas, são pouco comuns por conta da concorrência”, avaliou.
Scheffer faz a ressalva de que esse perfil de formandos, apesar de centralizar a medicina em um determinado extrato social, não é único responsável pela elitização da área. “Não podemos generalizar. Cerca de 75% dos médicos que se formam trabalham no Sistema Único de Saúde (SUS), que continua sendo o maior empregador de médicos do país. É óbvio que há médicos que trabalham apenas na estrutura privada, mas muitos se revezam nas duas estruturas”, ponderou.
Formação mercadológica
O tipo de formação oferecida nos cursos de medicina brasileiros, no entanto, segue um viés técnico, voltado para o mercado, na qual as especialidades que dão mais dinheiro acabam sendo as escolhas principais dos formados. É o que avalia Joana Carvalho, médica da família no Rio de Janeiro e orientadora na especialização de Saúde da Família.
“O currículo médico hoje nas universidades tem pouco contato com a atenção primária à saúde, que é a estratégia de Saúde da Família. Os estudantes nem conhecem e tem um discurso do senso comum e dos próprios médicos de que a saúde pública é inferior, para pobre, que não tem condição de pagar serviço de saúde de qualidade. Isso precisa aparecer de uma forma mais presente na graduação dos médicos, para que os preconceitos desapareçam”, declarou.
Penha acredita que é preciso também regular a influência que a iniciativa privada exerce na saúde pública. “O cerne é conseguirmos concretizar uma política pública de saúde de qualidade e regular o mercado. Para termos um sistema público e universal, precisamos de pessoas que trabalhem nele, que sejam voltados a ele. Hoje temos a formação na esfera pública, mas o discurso privado é muito forte, priorizando especializações que fogem da área social”, criticou.
Scheffer concorda que o currículo dos cursos deve estar referenciado na sociedade. “Vinte mil médicos são formados todo ano. Os cursos precisam formar profissionais com perfil adequado para a área social, para levar a lugares distantes onde não há médicos. E isso só vamos conseguir com políticas publicas de saúde, remuneração e valorização desses médicos”, afirmou.
Mais Médicos
O Programa Mais Médicos, além de levar médicos para áreas carentes e remotas, propõe medidas que pretendem mudar a lógica da formação de medicina no país. Um alvo dessas mudanças são as diretrizes curriculares dos cursos de medicina, dando um foco maior à atenção primária e a abertura de novos cursos e vagas.
Renato acredita que as ações do Mais Médicos podem ser um começo para estruturar um sistema público eficiente. “Há dificuldades de estruturar nosso sistema público de saúde, para que além de formado nele, o profissional seja ativo nele. Por mais que façamos todas iniciativas possíveis e imagináveis, se não mudarmos isso, não vamos avançar”, aposta.
O programa tem como meta, de acordo com o Ministério da Saúde, a criação de 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência médica, nas áreas prioritárias para o SUS até 2018.
Seguindo essas diretrizes, o Ministério da Educação (MEC) lançou edital no início de abril para abrir mais de 1.800 vagas em cursos de medicina, em universidades particulares de 22 cidades de oito estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Desta forma, prevê o edital, locais com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e detentores de altas taxas de desigualdade social serão contemplados.
Scheffer aposta na mudança no currículo como meio para que mais profissionais pratiquem medicina social. “Fixar médicos em locais remotos é uma dificuldade em todos os países, não há uma formula para resolver o problema. Outros países ja tentaram de tudo, como oferta de salários altos, contratação de médicos estrangeiros, bônus financeiro. Mas os países que tiveram maior sucesso foram os que mudaram a formação, para que os médicos se interessassem por esse perfil social da medicina”, apontou.
Para Joana, a medida é positiva. “A ação imediata de trazer os médicos é importante, mas a ação a longo prazo, que é formar mais médicos e mudar o tipo da especialização, tornando a residência obrigatória a todos estudantes, pode regular essa lógica de especializações que são feitas a partir dos interesses da categoria, sem levar em conta as necessidades da população”, conclui.
Interiorização
Para Scheffer, as vagas novas, por serem em universidades particulares, não vão democratizar o acesso aos cursos de medicina para os mais pobres, mantendo o mesmo perfil elitizado de estudantes na universidade. “A política de abertura de novos cursos e expansão de vagas em medicina não dá sinais de que isso vá ser acompanhado de uma democratização do acesso, por afastar a maioria dos beneficiários do Fies e Prouni, por conta das mensalidades caras e do vestibular concorrido nas universidades públicas”.
O MEC informou, por meio de nota à reportagem, que o edital de chamada para abertura de novos cursos de medicina buscou garantir critérios para que se tenha uma maior inclusão social, como a seleção dos municípios em regiões carentes e que sejam desprovidas de cursos de medicina. Para selecionar essas áreas, serão oferecidas pontuações extras, por exemplo, para aqueles que apresentarem um Plano de Ofertas de Bolsas para alunos com base em critérios socioeconômicos.
"O programa objetiva oportunizar às populações destes municípios a acessarem estas vagas, tanto pelo programa de bolsas que obrigatoriamente deverá ser ofertado pelas IES [Instituições de Ensino Superior] selecionadas, como considerando, complementarmente, os demais programas de financiamento e inclusão já existentes no MEC, como o Prouni [Programa Universidade Para Todos], o Fies [Financiamento Estudantil] e a política de cotas que deve ser obedecida nos termos da lei”, assinala a nota.
Perfil elitizado de médicos é um dos desafios ao atendimento básico da saúde, avaliam especialistas | Brasil de Fato

PSDB quer votar projeto que tira a Petrobras do pré-sal | Brasil de Fato

ENFIM A QUESTÃO DE FUNDO!



PSDB quer votar projeto que tira a Petrobras do pré-sal

Tomaz Silva/ABr

No Senado, o tucano José Serra manobra para atropelar debates sobre o tema. Além da proposta do senador, outros dois Projetos de Lei do PSDB também correm em paralelo na Câmara dos Deputados, com o objetivo de abrir o pré-sal para as multinacionais.
22/05/2015
Por Alessandra Murteira,
Do Rio de Janeiro (RJ)
No momento em que a Petrobras se recupera da crise gerada pela operação Lava Jato, um projeto de lei de autoria do senador José Serra (PSDB/SP) ameaça acabar com a obrigatoriedade legal que garante a exploração do pré-sal à empresa. A petrolífera já produz diariamente cerca de 800 mil barris de petróleo e gás. Em março deste ano, o parlamentar tucano ingressou no Senado com o Projeto de Lei 131, que se encontra na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), aguardando parecer do relator.
Para agilizar a tramitação desse projeto, José Serra vem tentando articular uma votação conjunta com outras duas comissões do Senado: a de Assuntos Econômicos e a de Serviços de Infraestrutura. Se isso acontecer e o texto for aprovado em consenso, a decisão será terminativa. Ou seja, ele sequer será submetido ao plenário da Casa e seguirá direto para a Câmara dos Deputados.
 
 Petroleiros são contra a privatização da Petrobras | Foto: Tomáz Silva/ABr
Por lei, a Petrobras tem a exclusividade na exploração do pré-sal e participação mínima de 30% em cada bloco licitado. O PSDB, no entanto, quer alterar essas regras e acabar com o regime de partilha de produção, em que o Estado brasileiro fica com parte do petróleo do pré-sal, gerando um Fundo Social Soberano para investimentos em saúde e educação. Além da proposta do senador José Serra, outros dois Projetos de Lei do PSDB também correm em paralelo na Câmara dos Deputados, com o objetivo de abrir o pré-sal para as multinacionais.
"Mexer no regime de partilha é retirar do povo brasileiro a garantia de que a riqueza produzida pelo pré-sal seja investida no Brasil", afirma o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel. "O pré-sal garantiu ao nosso povo uma importante fronteira para a educação e a saúde e está consolidando a Petrobras como uma grande empresa de energia, fortalecendo a indústria nacional, para que possamos ter empregos e renda aqui no nosso país", ressalta Rangel, declarando que os petroleiros continuarão se mobilizando, junto com os movimentos sociais para garantir essas conquistas.
Petrobrás divulga resultados
No último dia 15, a Petrobras divulgou os resultados do primeiro trimestre de 2015. Os números mostram a força da empresa para superar as dificuldades que atravessa. Além de ter apresentado um lucro de R$ 5,3 bilhões em plena crise, a Petrobras aumentou em 12,7% a produção em relação ao mesmo período de 2014. Com uma média diária de 2 milhões e 785 mil barris de óleo e gás, a estatal brasileira já é a maior produtora de petróleo no mundo entre as empresas de capital aberto.
Só no pré-sal, a Petrobras produz 800 mil barris diários, o que seria suficiente para abastecer países como Chile, Peru, Equador, Uruguai, Paraguai e Bolívia juntos. Há apenas cinco anos, a produção no pré-sal era de 42 mil barris. A capacidade técnica dos trabalhadores da Petrobrás para explorar petróleo a mais de sete mil metros de profundidade rendeu recentemente à empresa o prêmio OTC Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations and Institutions, o maior reconhecimento internacional do setor.
"Essa empresa competente e compromissada com o Brasil não interessa ao PSDB, que sempre quis privatizar a Petrobras e nos anos 1990 entregou suas ações e petróleo para as multinacionais. Agora, eles querem fazer o mesmo com o pré-sal, mas nós não vamos deixar", ressaltou o coordenador da FUP.
PSDB quer votar projeto que tira a Petrobras do pré-sal | Brasil de Fato

Moto - contínuo e o open source (só para crianças)

]Talvez algumas crianças nunca tenham ouvido falar em moto-contínuo, ou em moto-perpétuo, ou em open source, e nunca tenham assistido ao filme nacional Kenoma de Eliane Caffé, com magistral atuação de José Dumont, Matheus Nachtergaele e Jonas Bloch.

Mas nunca é tarde para assistir e para refletir sobre "verdades" que a ciência e a tecnologia  dizem e que consideram imutáveis, assim como o tele transporte, por exemplo, que ainda dizem ser impossível! disse AINDA!! (risos) o senso popular ou outros nem tão populares, continuam tentando criar coisas com este tal de moto - contínuo. No filme Kenoma, o protagonista artesão, torna-se quase um doido tentando criar esta "máquina" que no fim mais parecia ser um monstro perigoso!
O curioso é que este tema sempre esteve presente na minha vida, sou filha de um engenheiro mecânico, que tinha grande brilho nos olhos quando falava sobre isto e meu filho quando criança ficava matutando sobre este tema. Na web podemos encontrar vídeos que mostram experimentos a este respeito e são muito acessados.
O moto - contínuo e o open source  resolveriam grandes questões relativas a energia, a tecnologia... coisas que para nós seres humanos são muito importantes!

O que este filme nos trás de significativo é que precisamos nos considerar capazes de criar coisas de todos os tipos, e que criações não podem só serem coisas de grandes cientistas, ou de grandes empresas de tecnologia e ai então, quem sabe num futuro próximo possamos compreender e expandir o open source :http://opensourceecology.org/
http://www.ecointeligencia.com/2012/09/open-source-ecology/
http://www.ted.com/talks/marcin_jakubowski?language=pt

Nadia Gal Stabile - 25 05 15  









http://www.filmesbrasileiros.net/kenoma/


http://pt.wikipedia.org/wiki/Moto-cont%C3%ADnuo

Moto - contínuo e o open source (só para crianças)

No México, Dilma buscará alianças para reavivar economia - BBC Brasil





NÃO É CUBA!


No México, Dilma buscará alianças para reavivar economia

  • 25 maio 2015
Enfrentando uma recessão e uma crise com o Congresso, a presidente Dilma Rousseff viaja nesta semana ao México em busca de parcerias para reavivar a economia nacional.
Segundo diplomatas, Dilma pretende ampliar as exportações de produtos brasileiros para a segunda maior economia latino-americana e atrair mais investimentos mexicanos ao Brasil.
A visita ocorre durante uma rara maratona diplomática da presidente: na semana passada, ela recebeu em Brasília líderes da China e do Uruguai, e no fim de junho viajará aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Barack Obama.
A presidente chega à Cidade do México nesta segunda à noite e volta ao Brasil na quarta. Será a primeira visita de Estado - modalidade mais formal no linguajar diplomático - de um líder brasileiro ao México desde 2007, embora nesse intervalo Dilma e o ex-presidente Lula tenham viajado ao país para encontros multilaterais.
A viagem será ainda uma retribuição à visita do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, ao Brasil após sua eleição, em 2012.

Onipresença mexicana

Embora jamais tenham sido aliados muito próximos e nutram certa rivalidade regional, Brasil e México vêm se acercando nos últimos anos, num movimento liderado por empresários dos dois lados.
Segundo o governo brasileiro, o México é hoje o quarto maior investidor do Brasil, atrás da União Europeia, Estados Unidos e Japão. Empresas mexicanas já injetaram US$ 23 bilhões (R$ 71 bilhões) na economia brasileira.
Carros e autopeças respondem por metade das transações entre os dois países, que somaram US$ 9 bilhões (R$ 28 bilhões) em 2014
O embaixador do Brasil no México, Marcos Raposo Lopes, diz que os brasileiros ignoram estar cercados por produtos de empresas mexicanas em seu cotidiano.
Ele lembra que a mexicana Mabe é dona das marcas de eletrodomésticos Bosch, Dako, Continental e GE. A Bimbo, gigante mexicana do setor alimentício, comercializa o pão Pullmann, e a Coca-Cola vendida no Brasil é engarrafada pela mexicana Femsa.
Também são mexicanas a fabricante de canos Amanco, as telefônicas Claro e Embratel (gerida pela América Móvil) e a rede de cinema Cinépolis.
Apesar disso, diz o embaixador, "pergunte a um brasileiro se ele já teve contato com algum produto mexicano e ele provavelmente dirá que não."
"Brasileiros e mexicanos sabem muito pouco sobre o país do outro, e os estereótipos ainda predominam dos dois lados."

Exportações na mira

Já os investimentos brasileiros no México são mais tímidos e somam US$ 2 bilhões (R$ 6 bilhões), embora estejam aumentando.
A brasileira Braskem está construindo com a mexicana Idesa um polo petroquímico no Estado de Veracruz, e a Gerdau ergue um complexo siderúrgico em Hidalgo. Os dois investimentos totalizam US$ 5,6 bilhões (R$ 17 bilhões).
Em sua visita, Dilma deve assinar com o presidente Peña Nieto um acordo para facilitar investimentos entre os dois países. Será a terceira vez que o Brasil firma um acordo desse tipo (os países já contemplados são Angola e Moçambique).
Outra prioridade de Dilma, diz o embaixador Marcos Raposo Lopes, será ampliar as exportações brasileiras para o México.
Fábrica da Honda no México
Eventual acordo bilateral com o México dependeria de aval dos demais sócios do Brasil no Mercosul
Segundo o governo, o comércio entre os dois países dobrou nos últimos dez anos e o México é hoje o décimo primeiro maior importador de produtos brasileiros.
Carros e autopeças respondem por metade das transações, que somaram US$ 9 bilhões (R$ 28 bilhões) em 2014. O México tem saldo favorável de US$ 1,6 bilhão (R$ 4,9 bilhões) na relação.
Dilma tentará reduzir barreiras a produtos brasileiros em outras áreas. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 80% dos setores industriais brasileiros defendem diminuir as tarifas comerciais entre os dois países. A organização cobra o governo a avançar nas negociações rumo a um acordo de livre comércio com o México.
O acerto dependeria de um aval dos demais sócios do Brasil no Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela). O bloco já se comprometeu a negociar um acordo comercial amplo com o México no futuro.

'Alguns passos à frente'

Para João Augusto de Castro Neves, diretor de América Latina da consultoria Eurasia Group, em Washington, as dificuldades econômicas enfrentadas pelo Brasil têm forçado Dilma - tida como mais avessa à diplomacia que seus antecessores - a buscar parcerias no exterior para aliviar a situação.
"Normalmente, líderes de países com problemas domésticos recorrem à política externa, onde têm mais liberdade para atuar."
Nesse cenário, diz Neves, o México é atraente por viver um momento econômico mais favorável que muitos países latino-americanos que têm a China como maior parceiro comercial.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que o país crescerá 3% neste ano. O ritmo é inferior ao que registrou no início da década, mas lhe deixa à frente de Brasil (-1%), Argentina (-0,3%) e Venezuela (-7%), que sofrem com a desaceleração da economia chinesa.
O México, por sua vez, tem se beneficiado da recuperação dos Estados Unidos, de longe seu principal parceiro comercial e investidor.
Por vender poucas matérias-primas à China, Neves diz que o México não viveu a bonança que muitos países latino-americanos tiveram na última década. Para crescer mais, diz ele, o país teve que optar por um caminho alternativo, abrindo-se ao comércio e promovendo reformas estruturais para se tornar mais competitivo.
O país liderou as negociações para a criação da Aliança do Pacífico, bloco criado em 2012 que une quatro nações latino-americanas, e hoje mantém acordos de livre comércio com 45 países.
Essas ações, diz ele, deixaram o México "alguns passos à frente" de outros países vizinhos - entre os quais o Brasil - que, diante da desaceleração chinesa, "se veem agora pressionadas a promover reformas liberalizantes".
Soldados patrulham Villa Purificacio, no Estado de Jalisco, onde houve vários episódios de violência em maio de 2015 Foto AFP
Para analista, tanto Brasil quanto México sofrem os efeitos de suas políticas para as drogas, que enfocaram a proibição e a repressão ao tráfico mas não puseram fim à violência
"É interessante para o Brasil olhar para o México, ver que estão melhores do que nós e aprender com sua trajetória."

Políticas proibicionistas

Se no campo econômico os dois países vêm se aproximando, politicamente ainda há uma grande distância entre ambos, diz Paulo José dos Reis Pereira, professor de relações internacionais da PUC-SP.
Segundo Pereira, por uma "necessidade de sobrevivência", o México sempre se voltou aos Estados Unidos, o que relegou os vizinhos ao sul ao segundo plano.
Há ainda divergências pontuais entre os dois países. O México se opõe ao pleito do Brasil por uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, uma das maiores ambições da política externa nacional. E num sinal de certo distanciamento, o Brasil apoiou a candidatura vitoriosa da francesa Christine Lagarde na última eleição à direção do FMI, embora o mexicano Agustín Carstens estivesse na disputa.
Para Pereira, porém, há espaço e razões para que os dois países também se aproximem politicamente.
Ele diz que tanto Brasil quanto México sofrem os efeitos de suas políticas para as drogas, que enfocaram a proibição e a repressão ao tráfico mas não puseram fim à violência.
Segundo o professor, o México "tem acenado com a possibilidade" de repensar essas políticas, consolidadas por uma convenção da ONU da década de 1960. No ano que vem, a Assembleia Geral das Nações Unidas discutirá o tema numa sessão especial.
Ele diz que, hoje, a cooperação entre Brasil e México nesse campo é "praticamente inexistente" fora de fóruns multilaterais, mas que "os dois países poderiam ter um protagonismo na proposição de novas políticas de regulação das drogas".
"É um caminho possível e, mais do que isso, desejável."
No México, Dilma buscará alianças para reavivar economia - BBC Brasil