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domingo, 17 de maio de 2015

II Guerra: o conflito visto em pôsters soviéticos | Outras Palavras – blog da Redação

II Guerra: o conflito visto em pôsters soviéticos

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Em dezenas de cartazes — muitos deles ricos esteticamente — uma narrativa que ficou esquecida após o fim do socialismo primitivo e da URSS 
Por Cauê Seignemartin Ameni
Às 2 da manhã, horário de Moscou, em 9 de maio de 1945, o locutor de rádio Yuri Levitan declarava: “A Alemanha foi totalmente vencida”. Completam-se hoje setenta anos da derrota nazista na II Guerra Mundial — um conflito em que a antiga URSS exerceu papel crucial. Para se ter uma noção, suas baixas foram 30 vezes maiores que as dos EUA e Grã-Bretanha, somados. A URSS perdeu 25,5 milhões de pessoas, enquanto Inglaterra e EUA, cerca de 450 mil cada (num total de 55 milhões de mortes em toda a guerra).
Até meados dos anos 60, ainda se lembrava do papel fundamental do “exército vermelho” na vitória sobre as tropas do III Reich. O esquecimento é tido por historiadores como reflexo da parceria entre o Pentágono e Hollywood. No final do mandato, o presidente Franklin Roosevelt institucionalizou essa relação com a criação do Office of War Information e convidou os cineastas John Ford e Frank Capra a colocarem seus talentos a serviço das ambições militares norte-americanas, traçando uma linha estratégica para disputar a narrativa simbólica no pós-Guerra. Mas se os alemães dominavam o rádio e os Estados Unidos a sétima arte, a URSS era a rainha dos pôsters. Seguem alguns deles:
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Deixem voar a bandeira da vitória sobre Berlim
zashchitim_rodnuiu_moskvu
Defenderemos a “mãe” Moscou
zakhvatchikov_podlykh
Aniquilando os invasores
rodina_mat_zovyot
A pátria mãe chama!
nemetckyi_tank_zdes_ne_proidet
Os panzers alemães não passarão!
ty_zapisalsia_dobrovoltcem
Já se voluntariou?
na_moskvu_hokh_ot_moskvy_okh
Marchando para Moscou e se arrastando de volta
moi_papa_geroi_a_ty
Meu pai é um herói, e o seu?
da_zdravstvuet-ediny_front_god
Sim para a Frente Unida
smert_fashistskoi_gadine
Matando os vermes nazistas
besslavnyi_konetc_fashistskikh
Um fim para os ignominious e os invasores nazistas
v_nebesakh_na_zemle
Sobre a terra, ar e mar
krasnoi_armii_metla
O exercito vermelho varrerá os alemães para longe
my_bili_vraga_kopem
Nós matamos eles com arma de aço
evropa_budet_svobodnoi
Europa será libertada
tak_bylo_tak_budet
Lá vem eles… lá vão eles
voin_krasnoi_armii_spasi
Salve eles, guerreiros do exercito vermelho
litco_gitlerizma
A face do Hitlerismo
bey_fashistkogo_gada
Enxotando o verme nazista
vrag_kovaren_bud_na_cheku

II Guerra: o conflito visto em pôsters soviéticos | Outras Palavras – blog da Redação

Manipulações ideológicas do Facebook: muito além da omissão | Outras Palavras – blog da Redação

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Pesquisadores desmentem alegações da rede de Zuckerberg e afirmam: ela estimula bolhas de opinião que excluem pensamentos diversos
Por Rafael Evangelista

MAIS:
Internet: a sombra de um grande retrocesso
Rede está ameaçada por novos monopólios. Facebook manipula fluxo de informações e experimenta influir no estado emocional das populações. Há saída?
Na última quinta, dia 7, pesquisadores do Facebook publicaram um artigo na revistaScience analisando os efeitos de seu polêmico algoritmo de seleção, aquele pedaço de código que roda nas redes sociais e seleciona os amigos cujas publicações você vê ou não, quais aparecem primeiro e mais frequentemente e quais vão lá pra baixo da tela. Outros pesquisadores rapidamente apelidaram o artigo de “não é minha culpa”, dado o viés complicado na análise dos dados coletados. A conclusão principal do estudo é, basicamente, que a razão de vermos na nossa linha do tempo textos cuja tendência política é mais parecida com a nossa deriva de seleções feitas por nós mesmos.  Quanto mais diversos ideologicamente os nossos amigos, mais conteúdo diverso receberíamos. O Facebook só apimentaria um pouco isso, fazendo uma retirada, em tese mínima, do que é diverso. Entre 5 a 10% do que não se alinha à visão política do usuário é omitido pelo sistema.
Os portais e jornais brasileiros rapidamente repetiram a fala oficial, provavelmente seguindo algum release.
Mas, como mostra, Zeynep Tufecki, socióloga ligada ao Berkman Center, de Harvard, o estudo tem coisas bem mais interessantes escondidas. Coisas inclusive que complicam bastante as conclusões contidas no artigo original. (Além de Tufeck muitos outros pesquisadores comentaram o artigo, o texto dela é um bom ponto de partida para outros links).
 Em primeiro lugar, a amostra usada para o estudo é problemática.  Foram tomados dados de um pequeno subgrupo de usuários, aqueles que se auto-identificam como liberais ou conservadores (o que na língua política brasileira corresponde mais ou menos a esquerda e direita, respectivamente). Ora, presume-se que esses que se auto-identificam claramente são mais propensos a criarem uma bolha informativa em torno de si, estão politicamente bem definidos.
Além disso, o estudo meio que esconde coisas bem interessantes – que ficam fora também do release.  Uma delas é que há uma brutal variação entre a probabilidade de um link ser clicado se ele está disposto no topo da página ou lá embaixo. Ou seja, o Facebook não precisa sumir com um determinado link, basta dispô-lo no fim da linha do tempo (que “do tempo” não tem mais nada) que a chance de ser realmente visto será menor. Por exemplo, um link tem 20% de chance de ser clicado, por um conservador, se estiver no topo da página. Esse número cai para menos de 10% se estiver na décima posição e e vai a quase 5% se, além de estar em décimo, não for ideologicamente alinhado a esse leitor.
A supressão automática de posições políticas diversas à nossa, somada às regras utilizadas para o ordenamento das postagens são dois elementos que se complementam e não podem ser analisados em separado.
O fato de que evitamos de ler algo que não está politicamente alinhado a nossa visão de mundo não é exatamente uma novidade. É por isso que, idealmente, deveria haver uma variedade ideológica entre os meios de comunicação, refletindo os diferentes setores da sociedade.
O elemento novo trazido pelos algoritmos das redes sociais é que essa escolha não é mais transparente, não se trata mais de comprar o jornal A ou B, ou ver a TV B ou C. Os próprios pesquisadores, que são do Facebook e têm acesso aos códigos que rodam lá, não fizeram uma análise do algoritmo, do código, para mostrar seus efeitos. Eles trabalharam com a interação entre usuários e código, tentando ver o que emerge dali. O algoritmo em si mostra pouco, seria como tentar entender o futebol apenas lendo as regras do jogo.
Isso indica que a análise do consumo de notícias tem um problema técnico e de difícil compreensão pela frente. Um problema que envolve poder e que é agravado pela centralização da distribuição das notícias em poucas redes sociais, cuja propriedade é privada. Mais complicado ainda, em sua análise, para quem nem pode ler as regras, como nós. Um abacaxizão cibernético.
——
No próxima semana, entre os dias 13 e 15 de maio, acontece no Rio de Janeiro o III Simpósio Lavits, encontro da Rede Latino Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade. Em pauta estarão assuntos diversos como redes sociais e big data, criptografia, drones, o mundo pós Snowden, entre outros. É gratuito e aberto, com o objetivo de conectar o que há de mais novo na pesquisa com a sociedade e os movimentos sociais. Mais detalhes no link http://lavitsrio2015.medialabufrj.net/
Manipulações ideológicas do Facebook: muito além da omissão | Outras Palavras – blog da Redação

Hedonismo alienante - Wall Street International

Hedonismo alienante

Desejos e barganhas

Tapeçaria de uma gueixa
Tudo que se quer ou que não se quer é passível de ser desejado ou rejeitado pelo outro. Este é um dos contextos onde as trocas e relacionamentos ocorrem. A comercialização de bens, de mercadorias é sempre uma troca, geralmente viabilizada pelo dinheiro. A moeda, os padrões de aquisição permitem a circulação de produtos e idéias nas sociedades.
A comercialização foi ampliada, atingindo também os relacionamentos humanos. É cada vez mais frequente trocar afetos e experiências sexuais, transformá-las em objeto de consumo, onde o preço varia em função de habilidades e enganos admitidos. É uma prática existente no dia a dia das sociedades, evidente entre prostitutas e michês, menos explícita ou não rotulada em outros relacionamentos. Muitos casamentos, uniões estáveis, amizades inabaláveis, compromissos seculares são acertos estabelecidos em barganhas não explicitadas.
O mundo moderno, no século XXI, facilita o que antes era problemático, quebra tabus, mas possibilita distorções: o prazer, o desejo podem ser realizados em uma rápida discagem ou digitação, conseguindo o que se precisa, na hora que se quer. Esta facilitação, frequentemente, impede a vivência autêntica, a vivência legítima. Tudo é produzido, até mesmo o desejo. Ao indivíduo só resta administrar e criar recursos: desde o dinheiro, às motivações para ter desejos e para realizá-los. São máquinas desejantes, como falavam Guattari e Deleuze, só que não mais resultantes de traumas e experiências anteriores, mas sim, guiadas por selos de garantia, slogans de felicidade, de liberdade sem preconceitos. Estes paraísos anunciados criam demandas, motivam. Os protagonistas não são apenas os considerados pervertidos, são, principalmente, curiosos motivados por ter experiências sem continuidade, sem compromisso, quase anônimas, apenas marcadas por prazer, onde o outro é transformado em um objeto, um produto a ser consumido, mesmo que isto implique em sua destruição após descarte.
O ser humano conseguiu encurtar a distância entre a fonte de produção e o consumo do produto, ao virar ele próprio, produto, produzido para produzir. Vivendo para o prazer que satisfaz, consequentemente apenas para realizar o que dá prazer, se autoconsome pelo posicionamento autorreferenciado, criado pela perda da dinâmica, pela inexistência do outro, reduzido a uma única dimensão: fonte de prazer. É o equivalente da síndrome autoimune, onde o próprio organismo se devora. Mercantilizar afetos, negociar relacionamentos e desejar satisfação é paradoxal, esvazia a própria barganha, cria autômatos dependentes do outro, assim como, automatizados dependentes da aleatória cotação de mercadorias: qualquer coisa serve e torna-se necessária. Uniões que acontecem em função de acertos, são, por definição, contingentes, consequentemente, flutuantes, e assim, para mantê-las, suge a necessidade de contratos, compromissos e ilusões. É uma perversão que também cria pontos de resistência, como por exemplo: esperar consideração, esperar ter prazeres no que é dado, no que é disponibilizado, mesmo que tudo seja realizado através de engano. Entrar neste processo requer constante verificação, requer garantias para assegurar novas barganhas; não há liberdade, não há amor, só existe ansiedade e compromisso.
Não se pode dar o que não se tem; não se pode ligar quando não existem elos; não é possível continuidade na dispersão; não é possível humanidade quando esta foi perdida nas trocas aliviantes, nas sedações alienantes dos desejos e possibilidades. É o império da automação, que dirige a maneira alienada, coisificada de se situar em relação ao outro. As drogas lícitas e ilícitas, as dependências afetivas, as insatisfações sexuais, o medo e o desespero são os sintomas resultantes e denunciadores de todo este processo de desumanização.
Hedonismo alienante - Wall Street International

UM RISCO QUE RONDA O PT - Breno Altman

LÚCIDO E DIDÁTICO



UM RISCO QUE RONDA O PT

Bandeira PT
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Não é verdade, ao contrário do que muitos afirmam, de que o problema do PT é estar disposto a fazer qualquer coisa por eventual projeto de poder.
Qual partido do mundo, com projeto de poder, deixa de operar como sua máxima prioridade a mudança estrutural do sistema judiciário, dos aparatos policiais e de inteligência, das forças armadas, dos meios de comunicação?
Qual partido com projeto de poder se verga diante de um conceito mamão-com-açúcar como o de “republicanismo”, renunciando à tentativa de reforma radical das instituições por conta de sua fantasiosa neutralidade?
O PT tem e sempre teve projeto de governo, o que é outra coisa: um compromisso de melhorar profundamente as condições de vida e trabalho dos mais pobres, dos trabalhadores, defendendo a democracia e respeitando a Constituição.
Como qualquer força política que se preze, não quer deixar de ser governo. Mas isso é muito diferente de ter um projeto de poder. Ou de hegemonia, o que dá no mesmo.
Partidos burgueses não têm problemas por apresentarem apenas projeto de governo. Afinal, atuam nos marcos do Estado e das instituições moldados por sua classe, estão alinhados com estes fundamentos e não pretendem transformar a sociedade. Jogam o jogo dentro de limites pré-estabelecidos, pois comungam todos a mesma ordem das coisas.
Mas agremiações de esquerda, se não têm projeto de poder, fenecem ou se adaptam à hegemonia das velhas classes dominantes, domesticando-se.
Isso foi o que ocorreu com a social-democracia europeia.
Esse é o risco que ronda o PT.
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UM RISCO QUE RONDA O PT - Breno Altman

Oposição & partidos-abutre | Paulo Moreira Leite

DIFÍCIL COMPREENDER COMO DA NOITE PARA O DIA, PETISTAS HISTÓRICOS COMO TARSO GENRO, PERDERAM A CAPACIDADE DE PERCEBER ISSO.




OPOSIÇÃO & PARTIDOS-ABUTRE

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Quem cobra coerência da oposição desconhece a natureza perversa de nossos partidos conservadores

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O último grito da moda política consiste em cobrar coerência dos partidos de oposição. Em sua coluna de hoje, na Folha, Vinícius Torre Freire escreve sobre a mudança nas regras da aposentadoria:
“A MUDANÇA das regras da aposentadoria foi, claro, uma derrota do governo.” Referindo-se ao comportamento da oposição, que votou pela fórmula 95-85, que cria regras mais favoráveis aos trabalhadores, ele acrescenta: “Mais importante, foi uma vitória do populismo, da ignorância, da pequenez e, francamente, do espírito de porco político.”
O colunista diz ainda:
“O PSDB no Congresso faz apenas chacrinha, avacalha de modo oportunista e aproveitou para dar mais um tiro no avariado governo Dilma 2.
Ontem, foi a vez de Carlos Alberto Sardenberg escrever no Globo:
“Viram a última propaganda do Democratas? Só faltou chamar o MST para invadir a fazenda da ministra Katia Abreu. O PSDB ainda tem um certo pudor em atacar Joaquim Levy — que estava ao lado até pouco tempo — mas vota contra e atrapalha o programa do ministro, que é claramente tipo tucano.”
Nossos observadores ficariam um pouco mais chocados, ontem, se tivessem assistido aos debates sobre as emendas à Medida Provisória 664.
“Caiu a máscara do PT,” berrava, na tribuna, um orador da oposição. No texto da proposta original, o governo admitia que as perícias médicas para fins de aposentadoria fossem terceirizadas e, conforme emenda apresentada pelos adversários do governo, essa tarefa deveria ser única e exclusivamente realizada por médicos do Estado. Esquecendo por um minuto o conteúdo dessa discussão, o importante é a denúncia: dizer que a máscara do PT está caindo. Não é necessário pensar muito para compreender por que é crucial tentar convencer os brasileiros de que o Partido dos Trabalhadores — apesar da crise de hoje, não custa lembrar que foi o único capaz de vencer quatro eleições presidenciais consecutivas — não passou de uma “máscara”, certo?
Ontem, tucanos de primeiro escalão justificavam o apoio ao 95-85, criado justamente para alterar o fator previdenciário nascido no governo Fernando Henrique Cardoso, baseados num lugar-comum típico dessas horas — a diferença entre momentos econômicos. O argumento é que era incomum: se FHC teve razão em apertar os cintos dos aposentados numa hora difícil, por que a oposição, que vive fazendo a denúncia de que Dilma criou um caos na economia, não apoiou o governo nessa hora?
Na semana anterior, o líder tucano Marcos Pestana (PSDB-MG), um dos mais ativos da oposição, personagem importante no círculo de Aécio Neves, foi à tribuna acusar o governo Dilma de jogar a crise “nas costas dos trabalhadores” quando deveria mandar a conta para o “capital especulativo”. Isso mesmo, meus amigos.
Embora as medidas do ajuste tenham saído de um laboratório econômico conservador, e sem dúvida nenhuma estariam sendo aplicadas com rigor ainda maior caso Aécio Neves tivesse sido vitorioso em 2014 — eram as célebres “medidas impopulares” que não foi possível esconder na campanha — a acusação do líder tucano não reflete “populismo, pequenez,” como diria um de nossos colunistas.
Partindo de onde vem, referências desse tipo só têm valor se o ponto de partida é uma autocrítica histórica. Os gastos sociais do período Lula-Dilma cresceram 50% em relação à gestão Fernando Henrique Cardoso, passando de R$ 11,2 bilhões anuais para R$ 16,8 bi. A taxa média de juros, que ficou em 33% no primeiro mandato de FHC, manteve-se em 9,8% nos primeiros quatro anos de Dilma e, apesar de altas recentes, está longe, muito longe mesmo, da média tucana.
O conflito permanente entre teoria e prática constitui um elemento consistente da cultura e da política conservadora, neste Brasil das ideias fora do lugar, como observou o professor Roberto Schwartz num ensaio famoso, onde registrava o drama de liberais brasileiros que eram europeus e modernos até a medula — mas capazes de conviver alegremente com a escravidão brasileira até o fim do século XIX.
Este comportamento envolve um drama de origem da oposição, que enfrenta uma dificuldade essencial para oferecer propostas políticas dirigidas a melhorar o bem-estar da maioria da população.
Seu único programa real consiste em desmanchar direitos e desfazer benefícios conquistados ao longo dos anos. Num país desigual como o Brasil, onde sobrevivem carências gigantescas, apesar do progresso relativo em anos recentes, a ideologia do mercado capitalista é uma utopia muito mais difícil do que em outros lugares — como se comprovou toda vez que se tentou, por exemplo, questionar o Bolsa-Família, a lei do Salário Mínimo, e, especialmente, a Consolidação das Leis do Trabalho, experiência amarga enfrentada nos dias de hoje pelos profetas da terceirização ampla, geral e irrestrita.
Embora copie, cada vez mais, o discurso do Partido Republicano norte-americano, a oposição brasileira não possui um Abraham Lincoln em sua árvore genealógica e jamais poderá reivindicar uma luta comparável a qualquer coisa que lembre a abolição da escravatura.
Com frágeis compromissos com a democracia, guarda um armário recheado de esqueletos golpistas, que de vez em quando aparecem sob a luz do dia. Quando fala em reforma política, pretende questionar a soberania popular, aprofundar a força do poder econômico, e não ampliar as prerrogativas do cidadão comum. Se promete combater a impunidade e a corrupção, o compromisso é perseguir adversários, sempre seletivamente, poupando e reforçando amigos e aliados. A liberdade de expressão é para fazer aquilo que nós podemos ler todos os dias nos jornais e assistir na TV.
(Imagine, só para exercitar os neurônios, em qual cemitério estaria enterrado qualquer partido político brasileiro — e qualquer outro partido do mundo — se tivesse sido submetido, durante um ano, ao massacre midiático que o Partido dos Trabalhadores enfrenta desde a década inaugurada pelas denúncias da AP 470.)
E é assim que chegamos à situação brasileira atual. Não é para fazer escândalo.
Num fenômeno que tem causas internas reais mas nem de longe pode ser desligado de uma ofensiva permanente que tem como meta a destruição do Partido dos Trabalhadores vivemos o momento dos partidos-abutre, dos políticos-abutre. São uma versão política de criaturas muito comuns no mercado financeiro, onde adquirem papéis de empresas à beira da morte, pagando um nada por ações que podem se transformar num tesouro. A Argentina é ameaçada hoje por um fundo assim. As Organizações Globo se encontravam na mesma situação na década passada. Seu universo é especulação, seu alimento é carniça, seu hálito é de morte.
Deu para entender a discussão, certo?

Oposição & partidos-abutre | Paulo Moreira Leite

Estimulada pelo PAC, indústria de defesa emprega 30 mil - PAC 2

NÃO VER ISSO É MIOPIA AGUDA

Estimulada pelo PAC, indústria de defesa emprega 30 mil

13 de Maio de 2015
A indústria de defesa no Brasil atualmente gera uma receita de US$ 3 bilhões por ano, é responsável por 30 mil empregos diretos e tem um grande potencial de crescimento. Essas informações são destacadas no vídeo abaixo, produzido pelo Ministério da Defesa sobre o setor que conta com R$ 100,4 bilhões de investimentos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A maior e mais sofisticada aeronave já projetada e fabricada no Brasil, por exemplo, tem investimentos do PAC previstos até 2022 de mais de R$ 12 bilhões. O projeto envolve o desenvolvimento - através da Embraer e a partir dos requisitos estabelecidos pela da Força Aérea Brasileira (FAB) - e a aquisição de 28 cargueiros militares KC-390. O primeiro vôo do KC-390 aconteceu em fevereiro deste ano.
Foto: Divulgação / FABFoto: Divulgação / FAB
Já o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) conta com R$ 28,6 bilhões para, até 2025, implantar o Estaleiro e Base Naval, a construir o primeiro submarino de propulsão nuclear do Brasil e outros quatro submarinos convencionais. O Estaleiro de Construção (ESC), no Complexo Naval de Itaguaí/RJ,foi inaugurado em dezembro do ano passado.
Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), orçado em R$ 1,7 bilhão, é outro projeto financiado pelo PAC com intuito de aprimorar a comunicação dos órgãos de Defesa Nacional e também levar internet banda larga a municípios com menos de 50 mil habitantes. 
A indústria de defesa nacional também recebe recursos do PAC para o desenvolvimento e aquisição de 50 helicópteros EC-725; aquisição de 36 caças Gripen NG; implantação de foguetes e mísseis guiados do Sistema de Defesa Estratégico Astros 2020; implantação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron); e desenvolvimento e produção pela indústria nacional de viaturas blindadas Guarani.
Ministério do Planejamento
Estimulada pelo PAC, indústria de defesa emprega 30 mil - PAC 2