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sábado, 16 de maio de 2015

ISTOÉ Independente - Comportamento

|  N° Edição:  2372 |  15.Mai.15 - 20:00 |  Atualizado em 16.Mai.15 - 16:24


A guerra invisível

Estudos da ONU traçam um cenário de extrema violência no Brasil, pior do que os países em conflito armado. Os índices de mortes por armas de fogo são alarmantes e, as vítimas, jovens negros e pobres

Fabíola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)
Rogério da Silva, 29 anos, saiu cedo de casa no Dia das Mães e foi encontrado morto nas proximidades de sua rua, em Santos, litoral sul de São Paulo, para desespero de sua mãe, Débora Maria. O vendedor Thiago Vieira da Silva, 22, saiu para se divertir com os amigos e foi executado com dez tiros na zona sul de São Paulo. O garoto Alan de Souza Lima, 15, foi brincar com os amigos, também no Rio de Janeiro, levou um tiro e morreu. A dolorosa realidade dessa invisível parcela da sociedade brasileira foi colocada à mostra num relatório divulgado na quinta-feira 14, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz. O Mapa da Violência de 2015 trouxe à tona um dos maiores problemas do Brasil, a elevada taxa de mortalidade por disparos de armas de fogo. Segundo o estudo, o número de mortos chegou a 42.416 pessoas em 2012. Isso significa dizer que o País registra 116 mortes por dia. O trabalho conclui ainda que 94,5% dessas mortes são classificadas como homicídios – uma média de quatro assassinatos por hora. Desde o início da pesquisa, de 1980 até hoje, o número de mortes causadas por armas de fogo aumentou 387%. Quando o recorte se restringe à população jovem, de 15 a 29 anos, o crescimento é ainda maior, 460%. “Trata-se de uma omissão por parte do Estado e da sociedade”, afirma Renato Sérgio de Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Estamos perdendo nossos jovens que fazem parte da força de trabalho e, ao invés de construir um país mais justo, estamos assistindo uma nação com mais mortos e boicotando nossa sobrevivência como um país soberano. Essa conta vai chegar para as futuras gerações”, diz.
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CONFRONTO
Protesto na UPP de Manguinhos, Rio de Janeiro, após a morte
de um morador por policiais militares
O Brasil possui uma realidade tão ou mais impressionante do que países que vivem cenários de guerra e conflitos armados. A taxa de mortes por armas de fogo é de 21,9 para cada 100 mil habitantes, a segunda mais alta já registrada, perdendo apenas para 2003, de 22,2 mortes para cada 100 mil habitantes. O ranking também comparou o índice de mortalidade por armamento em 90 países, no qual o Brasil ocupa a 11ª posição. Dados do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) comprovam esse panorama. De cada 10 homicídios que ocorrem no mundo, um deles é no Brasil. O índice foi alavancado de forma quase exclusiva pelos homicídios que, desde a década de 1980, aumentaram 556,6%. Outro relatório da ONU, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), coloca o País em sexto lugar no mundo na taxa de homicídios de crianças e adolescentes de zero a 19 anos em 2012. O documento mostra que o Brasil registrou 17 homicídios por 100 mil habitantes nessa faixa etária, atrás apenas de El Salvador, Guatemala, Venezuela, Haiti e Lesoto. “Falta acesso às políticas públicas. Com isso, a arma de fogo acaba se tornando um instrumento de poder e o crime, uma opção tentadora nas mãos de uma parcela invisível”, diz Carolina Ricardo, assessora do Instituto Sou da Paz.
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Esse número poderia ser ainda maior caso o Estatuto do Desarmamento não tivesse sido aprovado no Congresso, há 12 anos. A lei regulou o comércio de armas, instituiu requisitos mínimos para a compra, maior controle sobre a venda de munições e estabeleceu a proibição de porte para civis nas ruas. Foram mais de 160 mil vidas poupadas desde que o estatuto passou a vigorar. Desse total, 113 mil foram de jovens. No entanto, a juventude brasileira continua sendo o alvo mais vulnerável da violência e dos homicídios. A última edição do Mapa da Violência mostra que, do total de mortes por disparo de arma de fogo, 59% equivalem à população na faixa de 15 a 29 anos. “A juventude negra que reside na periferia tem duas saídas trágicas: ser morta ou ser presa”, diz Lima. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, jovens negros correm 30% mais riscos de serem assassinados e têm 18% mais chances de serem presos. Na mesma linha, o estudo da ONU revela que em 2012 as armas de fogo mataram 10.632 brancos e 28.946 negros, ou seja, morreram 142% mais negros. E a idade crítica das vítimas é 19 anos.
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No Brasil, segundo o estudo recém-lançado, o número de mortes aumentou 11,7% de 2002 a 2012. Enquanto a região Sudeste teve queda puxada pelos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, as demais regiões registraram aumento significativo. Alagoas é o estado com a maior taxa de mortalidade por armas de fogo, 55 óbitos para cada 100 mil habitantes e o Maranhão foi o estado que apresentou o maior aumento, 273,2%. “Os fatores que proporcionaram esse aumento estão relacionados à baixa qualidade do ensino, à baixa renda e ao acelerado crescimento demográfico”, afirma Ignácio Cano, coordenador do Laboratório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Os governos federais e estaduais, segundo ele, deveriam desenvolver um plano de redução de homicídios, com diagnósticos de cada região para diminuir fatores de risco e aumentar fatores de proteção. Uma pesquisa realizada pelo laboratório revelou que a violência e a alta taxa de mortalidade por armas de fogo podem continuar a comprometer seriamente as futuras gerações se nada for feito: 40 mil jovens entre 12 e 18 anos morrerão nos próximos sete anos. “Como podemos nos tornar um país avançado com essas taxas de impunidade, violência e assassinatos?”, diz Cano.
Fotos: Bruno Gonzalez/EXTRA/Ag. O Globo, Jefferson Souza/Sigmapress/Folhapress; Ronaldo Bernardi/Ag. RBS/Folhapress
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Beatriz Cerqueira responde a colunista: acordo em Minas enterra choque de gestão tucano que destruiu educação pública - Viomundo - O que você não vê na mídia

Beatriz Cerqueira responde a colunista: acordo em Minas enterra choque de gestão tucano que destruiu educação pública

publicado em 16 de maio de 2015 às 12:33
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Fernando Pimentel, lideranças políticas e sindicais anunciam o acordo (foto Décio Junior); já no Paraná do tucano Beto Richa…
por Beatriz Cerqueira, especial para o Viomundo
Quando os colunistas da revista Veja escrevem sobre educação pública, eles sabem do que estão falando? Conhecem a nossa realidade? Sabem de fato o que está nos nossos contra-cheques? Abandonariam a escola particular de mensalidades superiores aos nossos salários e colocariam seus filhos na escola pública?
Acabo de ler artigo do colunista Reinaldo Azevedo sobre o acordo assinado pelo Sind-UTE MG e o Governo do Estado no último dia 15 de maio.
Para ele tudo não passa de estratégias petistas que nada têm a ver com a educação e só tem o objetivo de constranger bons gestores como Beto Richa e Geraldo Alkmim.
Vou ajudá-lo a conhecer a realidade.  E começo convidando-o a vir a Minas Gerais, entrar numa escola estadual e conversar com um professor, qualquer escola, qualquer professor.
Vai descobrir que o PSDB, com o seu modelo de choque de gestão, destruiu a educação mineira, que os indicadores de qualidade divulgados dando a idéia de que Minas Gerais tem a melhor educação do país eram manipulados, o sistema de registro dos alunos impedia que o professor registrasse a verdade sobre o aluno em função do seu desempenho.
Vai descobrir também que os alunos não tem onde comer, porque a maioria das escolas não têm refeitório.
Faço o convite para que os colunistas que escrevem sobre escola pública matriculem seus filhos em escola que funciona em motel desativado ou em posto de gasolina. Podem escolher.
Lutamos para receber um salário, que deve ser o valor que suas esposas gastam com bolsas de marca. Embora seja lei federal, lutamos há 7 anos para receber os reajustes do Piso Salarial Profissional Nacional.
Os governadores Aecio Neves e Antonio Anastasia poderiam ter cumprido a lei, mas não o fizeram.
Receberemos isso pela primeira vez a partir do acordo que assinamos. Por aqui, quem tem mestrado recebe como se tivesse apenas licenciatura curta e quem é pós-graduado recebe como se tivesse apenas nível médio de escolaridade.
Apresentamos, incansavelmente, a reivindicação para que isso se modificasse. Conseguimos agora descongelar a carreira.
Estávamos proibidos de comer na escola, mas tenho certeza que nunca faltou aos colunistas o cafezinho e o biscoito amanteigado!
Na rede estadual são 2/3 de profissionais com vínculo precário, embora a constituição do estado determine que o ingresso no serviço público se dê por concurso público.
Começamos a mudar isso com 60.000 mil nomeações. Com a grande experiência que devem ter, os colunistas devem acreditar que esse negócio de concurso é coisa do passado, que o legal é terceirizar e contratar professor como pessoa jurídica!
Mas, na verdade, o artigo tem o propósito de defender o indefensável: Beto Richa do Paraná e a forma como trata os professores!
Mas se serve de consolo, aqui em Minas já respiramos gás lacrimogêneo. Aqui, policiais militares já despejaram gás de pimenta em nossos corpos. Por aqui também já fizemos meses de greve por uma miséria de Piso salarial cujo valor deve ser o de um jantar de fim de semana nos bons restaurantes que frequentam!
Ficamos 4 meses com corte de salários, sobrevivendo da solidariedade alheia, sendo humilhados e achincalhados por pessoas que, como você, acham que educação não é direito, é bem de consumo.
Pode ser qualquer coisa porque é para a classe trabalhadora.
A elite não se contenta em ter, precisa impedir que os trabalhadores disputem o orçamento público, a prioridade de gestão.
Se fosse um acordo com a Fiemg ou com as empreiteiras ou mineradoras estaria tudo na devida ordem, mas acordo com trabalhador? Que vai significar mais de 70% de mudança salarial?
Enquanto os “bons governadores” espancam professores e destroem a escola pública.
Parece impensável mesmo!
Também deve incomodar a nossa luta contra a invisibilidade que os governos tentam nos impor, a nossa memória de não esquecer a mão que segura o chicote e a nossa rebeldia de não aceitarmos ficar restritos à senzala e sempre incomodarmos a casa grande.
Aí o sindicato, que é a forma de organização do trabalhador, merece especial atenção para ser atacado e a luta coletiva desqualificada. A alienação do trabalhador serve bem ao sistema.
Na crítica somos meros coadjuvantes, desconhecendo os anos de lutas que travamos no estado para mudarmos a realidade! Estas críticas mostram que estamos no caminho certo. O dia que formos elogiados por vocês, será motivo para que a classe trabalhadora fique preocupada com os rumos da luta!
Por fim, faço o convite a todos que gostam de escrever sobre escola pública. Venham a Minas Gerais e vivam por um mês com os salários pagos, herança maldita do PSDB. Façam a grande descoberta de suas vidas: descubram o que é escola p’blica!
E o que assinamos no dia 15 de maio, não foi por bondade de governo, foi resultado de anos de luta. E continuamos mobilizados! Este documento foi o começo da recuperação do que perdemos na última década.
Aqui em Minas a pauta da educação se transformou na pauta dos movimentos sociais! Não lutamos sozinhos. E isso causa ainda mais medo na casa grande!
**



Detalhes do acordo em Minas, da página do deputado Rogério Correia:
O Governo de Minas assinou nesta sexta-feira (15), acordo com os trabalhadores da educação, em dia histórico para a categoria, que teve sua carreira defasada em 12 anos de governo tucano no estado. O acordo vai possibilitar o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional para os professores e demais profissionais da educação, entre outras conquistas. Com diálogo, transparência, sensibilidade e vontade política, o acordo é fruto de um imenso esforço do governo para valorizar os servidores da educação, reafirmando os compromissos assumidos com a sociedade e construindo as bases para o aprimoramento das políticas educacionais, com a efetiva participação de pais e alunos, trabalhadores e Governo.
Pelo acordo, será concedido reajuste de 31,78% na carreira do Professor de Educação Básica, a ser pago em dois anos, ficando assegurado o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional para uma carga horária de 24 horas semanais. O reajuste será implementado em três parcelas que serão incorporadas ao salário. A primeira delas, de R$ 190,00, corresponde a um aumento de 13,06% para o Professor de Educação Básica, e será paga mensalmente a partir de junho de 2015.
A coordenadora-geral do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, falou sobre o momento histórico para os servidores da educação no estado, que lutam pelo piso a anos. “A Assembleia da Educação aprovou a assinatura de acordo com o Governo. Conquistamos as mesmas condições para trabalhadores e aposentados. Tudo isso é resultado de muita luta, de nós não termos desistido do piso salarial”, destacou a sindicalista.
As principais conquistas da educação também foram apresentadas pela coordenadora do Sind-UTE. “Nós acabamos com o subsídio como forma de remuneração, mantivemos os níveis de percentuais da carreira, de promoção e progressão, conquistamos a garantia de reajustes anuais para todas as carreiras, não apenas os profissionais de magistério, 60 mil novas nomeações de concurso público, aprovação de perícia médica para aposentadoria de trabalhadores da lei 100, ou para os que estão em ajustamento funcional”, ressaltou.
Para o Deputado Estadual Rogério Correia, a aprovação da proposta do Governo de Minas é um feito histórico. O Deputado não deixou de falar sobre o modo petista de governar, a eficiência e o respeito com os trabalhadores. “Felizmente, depois de 12 anos de Choque de Gestão, onde os professores viam em assembleia e depois saiam em passeata pelas ruas infelizes, descontentes, reprimidos muitas vezes pela PM, isso teve fim, agora estabelece um processo de negociação”, afirmou.
As gestões tucana em outros estados não são exemplo para ninguém, segundo Rogério. “É importante ressaltar a diferença do que está acontecendo, no Paraná, com professores espancados, pela PM, a mando do governo do PSDB, a greve que já dura 60 dias em São Paulo, a greve no Pará e em Goiás, com exemplos que não devem ser seguidos”, enfatizou o parlamentar.
O deputado, ainda relembrou a época em que outros governos maltratavam a educação em Minas. “Professores recebendo Jato D’água na época do governo Francelino, lideranças ficarem presas do Dops, assisti governadores dizerem que professoras eram mal casadas, vi impedirem passeatas até a praça Sete e, por último, 12 anos desse maldito Choque de Gestão, que ficaram marcados como tragédia. Aliás, era Azeredo, Aécio e Anastasia os três ‘as’ de azar do professor”, relembrou.
A assembleia que definiu o fechamento do acordo ocorreu na quinta-feira (14), no hall das bandeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, trabalhadores e trabalhadoras em‪ educação‬ votaram e aceitaram a proposta de Governo. Após a assinatura, o documento será encaminhado em regime de urgência para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais para apreciação. Para sua aplicação, o acordo deve ser aprovado pela Casa e transformado em lei. ”Como líder do Bloco do Governo na Almg, vou trabalhar com os demais deputados, para no início de junho já estar aprovado na ALMG, os professores têm pressa. E não podem esperar mais”, finalizou o deputado.
Saúde também fecha acordo com Governo
Na terça-feira (12), servidores da Saúde assinaram, também na ALMG, um acordo com Governo do Estado. Participaram da reunião representantes da Secretaria de Estado de Planejamento de Gestão (SEPLAG), Secretaria de Estado da Saúde (SES), Associação dos Trabalhadores da Fhemig (Asthemg), Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde-MG) e parlamentares.
A proposta do Governo do Estado engloba um aumento de R$ 190 para todos os trabalhadores da Saúde e a criação de um grupo de trabalho para discutir o plano de carreira da categoria, com a primeira reunião marcada para 18 de maio. Entre os pontos que serão estudados pelo grupo – formado por representantes do governo e das entidades sindicais – está a redução da carga horária, uma das principais reivindicações da categoria.
Até agosto deste ano, o grupo deverá formular um cronograma de implementação da revisão dos planos de carreira a partir de 2016. “Fizemos várias reuniões com os trabalhadores reforçando a disposição do governo de valorizar o servidor como parte essencial para a gestão eficiente do Estado. Vamos continuar buscando o diálogo, o respeito e a transparência”, afirmou a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPLAG), Lígia Maria Alves Pereira.
Para o diretor do Sind-Saúde, Renato Barros, as negociações avançaram nesse governo e vêm atendendo às reivindicações dos trabalhadores. “Antes, era impossível negociar com o governo. Essas reuniões não aconteciam”, diz Barros, acrescentando que o próximo passo da categoria é acompanhar a aprovação do projeto de lei que será enviado à Assembleia Legislativa.
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Hei de vencer, mesmo sendo professor



Professor_Hei_de_VencerDever de casa com o vampiro de CuritibaXico Sá, lido no Esquerda Caviar em 1º/5/2015
Hei de vencer, mesmo sendo professor. O mantra do adesivo que circulava em muitos fusquinhas dos anos 70 e 80 está mais em voga do que nunca. Hei de vencer, vejo aqui no retrovisor da infância, Grupo Escolar Virgílio Távora, o mantra dos mestres estampado em uma faixa gigante na praça dos Ourives, Juazeiro do Norte.
Hei de vencer, mesmo sob as bombas e as porradas do governo Beto Richa ou Rixa (PSDB) na capital paranaense. Hei de vencer, mesmo depois de uma longa greve, uma quaresma, que o tucano Geraldo Alckmin define simplesmente como novela —parte da imprensa também lista o protesto no gênero ficção, acredite sem-querer-querendo, meu brother Jack Palance.
Hei de vencer, mesmo que pancadaria braba e covarde seja chamada tecnicamente de “confronto” nas emissoras de rádio e tevê. Hão de pensar: se o cão, mesmo policial, mordeu o homem, no caso o cinegrafista Luiz Carlos de Jesus (TV Band), ainda não é lá essas notícias. Afinal de contas, o conceito clássico de notícia, como aprendemos na faculdade, é quando o homem morde o cachorro.
Hei de vencer, mesmo sendo professor em qualquer ponto desta terra que já foi a pátria de chuteiras e agora se propõe, ainda somente no slogan publicitário, uma pátria educadora. Hei de vencer, ilustríssimo Paulo Freire, mesmo sendo terceirizado e não mais dono do meu próprio suor para vendê-lo sem atravessadores, como tu já discutias, método por método, ti-jo-lo por ti-jo-lo, ainda em tempos mobrais.
Hei de vencer, professor Darcy Ribeiro, mesmo copiando, como em um antiditado construtivista, a sua lição de coisas mais conhecida:
“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.
Vampiro de Curitiba
Hei de vencer, mesmo que tenha que convocar o “vampiro de Curitiba”, o perverso Nelsinho, personagem clássico do escritor Dalton Trevisan, para explicar como o senhor Rixa pode ser tão sádico com a turma do pó de giz. Só o vampiro, vagando pela madruga fria do Centro Cívico, é capaz de reconstituir o crime e explicar, tintim por tintim, miúdo humano por miúdo humano, a sanguinolenta pedagogia aplicada.
Hei de vencer, mesmo sendo professor em qualquer ponto desta terra que já foi a pátria de chuteiras e agora se propõe, ainda somente no slogan publicitário, uma pátria educadora
Estava escrito nos contos de Trevisan, curtos como os salários professorais, todo esse Boletim de Ocorrência. Um B.O. à maneira de Nelsinho talvez explicasse tudo, afinal de contas o vampiro, na sua ambivalência permanente, sempre fica entre o estranho e o familiar. É familiar que um governo tipo Rixa trate assim os professores: é estranho, mas necessário, que a gente ainda se espante e rejeite enxergar com a lente fumê da banalidade.
Hei de vencer, mesmo sob a tonfa de uma gestão “desgracida”. Até parece frase, embora este cronista seja um péssimo aluno de redação e estilo, do professor Dalton, mestre dos meninos e velhos contistas. Donde tonfa – “ai que saudade da professorinha que me ensinou o beabá” –, venha a ser o popularíssimo cassetete, pedagogia de quem força na marra o ajoelhamento no milho da humilhação política.
Agora de forma mais didática, repare como começa essa história de tonfa, na boca de um dos comandantes da PM paranaense:
“Se precisar usar a tonfa, é por baixo! Nada de sair girando por cima”, deu ordens aos espartanos.
Problema é que, no “confronto”, sabe cumequié, meu caro vampiro de Curitiba, a tonfa acaba atingindo os elementos docentes em partes indesejadas da anatomia e não apenas nos membros inferiores, conforme orientação inicial à tropa.
Hei de vencer, mesmo dando a cara a bater aos corretos portadores de tonfa. Hei de vencer, mesmo que chova bombas de helicópteros.
Tonfa neles
Quem essa professorada pensa que é, só porque dá aulas neste país de analfas, só por ensinar alguma coisa… Sabe-se lá o que passa em sala, deve ensinar um comunismo medonho às pobres criaturas indefesas. Coitada das criancinhas. Eu poderia estar por ai protestando, bando de vagabundo, cada abusadinho desses ganha muito mais que eu, no entanto sigo na lida, na trabalheira, com farda ou na base do bico… Desço a tonfa mesmo, sem dó nem piedade, quem manda vandalizar o coreto?
Hei de vencer, mesmo diante do pensamento reto de qualquer soldado PM anônimo que vira herói imediato dos comentaristas de portais da Internet.
Hei de vencer, mesmo que pancadaria braba e covarde seja chamada tecnicamente de “confronto” nas emissoras de rádio e tevê
Exclamações sangrentas nas manchetes dos jornais clamam por “confronto”. Hei de vencer, mesmo eu entrando com a face e o PM com a tonfa, hei-de.
Tonfa neles, por baixo, por cima… Hoje a tonfa vai comer solta. Não foi por falta de aviso. Vai protestar, que deixe sua cabeça em casa. Hoje não tem selfie policial, só tonfa na confa —o mesmo que porrada, correria e confusão—, como o Nelsinho, o vampiro de Curitiba, sempre ele, descreveria o ocorrido no seu distrito.
Por pouco a confa não sobra mesmo até para o vampiro. Conhecendo o cara minimamente, deveria estar na área do “confronto”, na cobiça de uma normalista linda, óbvio. O vampiro tarado busca alimentar seu desejo nos lugares mais impróprios, independentemente das ordens expressas dos sangues de barata de todas as patentes, ideologias, religiões e credos.
O próprio criador, seu Dalton, reza a lenda, flanou, sob a proteção de um boné abaixado e com passadas largas do velho pisante Vulcabrás, no meio da carnificina. No seu raro passeio anual pela cidade, como o mais anônimo dos curitibanos, ninguém deu conta do vencedor do Prêmio Camões de literatura. Seu Dalton afina a surdina existencial todas as manhãs com o canto das corruíras. De tão discreto, seu Dalton nem chorou com gás lacrimogênio.
E por falar em testemunhas oculares da história, quem também deu pinta na área do “confronto” foi o escriba Guilherme Caldas. Saiu para investigar comidinhas de baixa gastronomia, especialidade do seu blog na “Gazeta do Povo”, e voltou com o melhor retrato do sanguinolento ocorrido:
“Gente ferida e assustada, um governador, digamos assim, desonesto, muita sujeira espalhada, incluindo cápsulas de escopeta e de invólucros de bombas molhados pela chuva do começo da noite. No meio daquele final de confusão, encontrei um amigo indignado com, entre outras coisas, a pipoca a R$5: “até o pipoqueiro metendo a mão na gente!”.
Hei de vencer, mesmo diante do pensamento reto de qualquer soldado PM anônimo que vira herói imediato dos comentaristas de portais da Internet
Calma, amigos do vampiro, o cronista que combate o raio gourmetizador, ali no meio da confa da tonfa, topou também, graças a Deus, com o Donizete, o Rei do Espetinho, que, alheio às pressões econômicas do momento, vendia seus sapecados de carne, linguiça, frango e coração a R$2. Donizete, autêntico habitante daquela Daltolândia, disse mais: só vai ao Centro Cívico em dias de bafafás, greves e protestos. No que o Caldas, safo, se saiu:
“Pedi um de frango, paguei e tomei rumo. Num dia com tantas coisas ruins, o tempero do Rei do Espetinho estava bom”.
Hei de vencer. Não me pergunte como. Hei de vencer, mesmo sendo o professor, naturalmente, um para-raio de tonfas e vampiros.
Xico Sá, jornalista e escritor, publicou Big Jato (Editora Companhia das Letras), dentre outros livros.
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Imprensa e corrupção: Ao som de Roberto Carlos | bloglimpinhoecheiroso

Imprensa e corrupção: Ao som de Roberto Carlos



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Em outubro de 2014, a doleira Nelma Kodama, presa com dinheiro na calcinha, foi condenada a 18 anos de prisão.
Luciano Martins Costa, via Observatório da Imprensa em 13/5/2015
Os jornais da quarta-feira, dia 13/5, tratam como comédia o depoimento da doleira Nelma Kodama, parceira de crimes e ex-mulher de Alberto Youssef, o principal protagonista na Operação Lava-Jato, que investiga a corrupção dos últimos dez anos na Petrobras. O noticiário da televisão, na noite anterior, já havia explorado o desempenho circense da mulher, que se levantou da cadeira para mostrar os bolsos traseiros de suas calças ao indicar onde havia escondido o dinheiro quando foi presa tentando fugir do País com €200 mil.
Ela também demonstrou como pode ser relaxante um acordo de delação premiada, ao responder a uma pergunta sobre sua relação com Youssef: questionada sobre a mistura de negócios ilícitos com a vida conjugal, ela levantou os braços e cantarolou um trecho da música “Amada amante”, sucesso do cantor Roberto Carlos. A pândega já estava estabelecida, com alguns deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito entrando no coro, quando o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB/PB), pediu silêncio, lembrando que aquilo não era um teatro.
Pois estava equivocado o presidente da Comissão: aquilo era, sim, um teatro, no qual a doleira desempenhou o papel mais sincero entre todos os que compareceram ao palco montado pelo Parlamento em Curitiba para produzir sua versão do inquérito que segue no sistema da Justiça. Condenada pelo juiz Sérgio Moro a 18 anos de prisão por liderar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ela confirmou que está negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
Nelma Kodama, que costumava se apresentar como a “dama do mercado”, está tão confiante em ganhar, como o ex-amante, os benefícios da colaboração com a Justiça, que chegou a elogiar o juiz que a condenou a uma pena tão rigorosa, e usou a CPI para fazer uma declaração de arrependimento. No circo em que a imprensa transformou o inquérito, e diante dos parlamentares que conduzem uma versão própria do caso, ela teve a ousadia de fazer um discurso contra a corrupção, dizendo que está arrependida de ter dedicado quase toda a vida adulta ao comércio ilegal de moedas e ao crime financeiro.
Cadê os outros?
Dos três principais diários de circulação nacional, apenas O Estado de S.Paulodeu maior destaque a esse trecho do depoimento da doleira. O Globo e a Folhapreferiram apostar na pantomima protagonizada pela depoente, tendo deputados como coadjuvantes. Basicamente, o Estado registra que Nelma Kodama relacionou a crise política e as dificuldades econômicas deste começo de ano à Operação Lava-Jato. “O Brasil é movido a corrupção. Uma vez que parou a corrupção, parou o Brasil. Faltou água, é a Lava-Jato. Subiu a energia, foi a Lava-Jato”, afirmou.
Talvez inadvertidamente, a doleira tocou no ponto comum e mais importante dos grandes casos de corrupção, quase sempre ausente da cobertura jornalística. O que os jornais não contam, e que pode ser ouvido no depoimento, é que a doleira está confiante na obtenção da delação premiada porque prometeu relatar como se dá, por dentro, o envolvimento do sistema financeiro na movimentação de dinheiro originado em atividades criminosas.
A propósito, que fim levou a lista do HSBC da Suíça?
Essa é, segundo especialistas como o desembargador aposentado Walter Maierovitch, a pedra de toque no combate ao crime organizado de todas as naturezas, pois é nas fraturas da legislação sobre trânsito de valores que as quadrilhas legalizam seus ganhos. Ao evitar expor o sistema financeiro, que muitas vezes faz vistas grossas a movimentações milionárias entre empresas de fachada, a imprensa também contribui para a perpetuação da corrupção como método de negociação política.
A cobertura parcial das investigações, preservando os operadores ocultos, produz a condenação geral da atividade política e ameaça a governabilidade, criando obstáculos à execução dos planos de recuperação das contas públicas encaminhados pelo Executivo ao Parlamento. A crise política resultante estimula o chamado “baixo clero” do Congresso, majoritariamente conservador, a um protagonismo que ameaça algumas importantes conquistas da sociedade brasileira.
Ainda que involuntariamente e pensando em salvar sua própria pele, a doleira tocou na questão que pode fazer com que a Justiça corte com profundidade as estruturas da corrupção, rompendo os limites de perfil partidário em que a imprensa tenta conter os escândalos. Se a moda pega, talvez ainda possamos testemunhar o depoimento de um banqueiro na CPI, quem sabe cantando outra música de Roberto Carlos: “Esse cara sou eu”.
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Diário do Centro do Mundo » Piketty: Uma dívida deve sempre ser paga?

Por Thomas Piketty. Publicado na Carta Maior.

Para alguns, a resposta é óbvia: dívidas devem sempre ser reembolsadas, não havendo alternativas à penitência, especialmente quando gravadas no mármore dos tratados europeus. No entanto, basta olhar para a história das dívidas públicas, assunto fascinante e injustamente negligenciado, para notar que as coisas são bem mais complexas.
Primeira boa notícia: houve, no passado, dívidas públicas maiores que as de hoje e, de diversas maneiras, sempre foi possível superá-las. Podemos distinguir, de um lado, o método lento, que visa a acumular pacientemente excedentes orçamentários para, gradualmente, pagar os juros e o principal da dívida. Por outro lado, há uma série de métodos que visam a acelerar o processo: inflação, impostos excepcionais, ou anulação pura e simples.
Um caso particularmente interessante é o da Alemanha e da França em 1945, quando os dois países encontram-se com dívidas públicas da ordem de dois anos de produto interno bruto (200% do PIB), ou seja, níveis maiores de endividamento do que os da Grécia ou da Itália hoje. No início dos anos 1950, porém, aquela dívida havia caído para menos de 30% do PIB. Evidentemente, uma redução tão rápida jamais teria sido possível com o acúmulo de excedentes orçamentários. Ambos os países utilizaram, em vez disso, todo o conjunto de métodos rápidos.
A inflação, muito alta dos dois lados do Reno entre 1945 e 1950, desempenha o papel central. Com a liberação, a França também institui um imposto excepcional sobre o capital privado, de até 25% sobre os grandes patrimônios, e de até 100% sobre os maiores casos de enriquecimento ocorridos entre 1940 e 1945.
Os dois países também utilizam diversas formas de “reestruturação da dívida”, nome técnico dado pelo mercado para a anulação pura e simples da totalidade ou de parte da dívida (também chamada, de forma mais prosaica, de haircut). Como, por exemplo, nos famosos acordos de Londres de 1953, quando foi anulada a maior parte da dívida externa alemã. Foram estes métodos rápidos de redução da dívida – incluindo a inflação – que permitiram à França e à Alemanha iniciar a reconstrução e retomar o crescimento no pós-guerra, sem o fardo da dívida.
Foi assim que estes dois países puderam, nos anos 1950 e 1960, investir em infraestrutura pública, educação e desenvolvimento. E são estes mesmos dois países que explicam hoje ao sul da Europa que as dívidas públicas devem ser pagas até o último euro, sem inflação e sem medidas excepcionais.
Atualmente, a Grécia estaria com um leve superávit primário: os gregos pagam um pouco mais de impostos do que recebem em gastos públicos. De acordo com os acordos europeus de 2012, a Grécia deverá destinar um enorme superávit de 4% do PIB ao longo de décadas para pagar suas dívidas. Trata-se de uma estratégia absurda, que a França e a Alemanha nunca aplicaram a si mesmas.
Nesta amnésia histórica extraordinária, a Alemanha tem, obviamente, uma enorme responsabilidade. Mas suas decisões nunca teriam sido adotadas sem a aprovação da França. Os sucessivos governos franceses, de direita e depois de esquerda, provaram-se incapazes de reconhecer a complexidade da situação e propor uma refundação democrática verdadeira da Europa.
Com seu egoísmo míope, Alemanha e França maltratam o sul da Europa e, dessa forma, maltratam a si mesmas. Com dívidas públicas se aproximando de 100% do PIB, inflação zero e baixo crescimento, os dois países também levarão décadas para recuperar a capacidade de agir e investir no futuro. O mais absurdo é que, em 2015, as dívidas europeias são essencialmente dívidas internas, assim como em 1945.
As detenções cruzadas entre os países atingiram de fato proporções inéditas: os poupadores dos bancos franceses detêm uma parte das dívidas alemã e italiana, e as instituições financeiras alemãs e italianas possuem uma boa parte da dívida francesa, e assim por diante. Mas se considerarmos a área do euro como um todo, nós possuímos a nós mesmos. E mais: os ativos financeiros detidos por nós fora da zona euro são maiores do que detidos pelo resto do mundo na zona euro.
Mais do que continuar a reembolsar nossas dívidas a nós mesmos durante décadas, depende apenas de nós começarmos a nos organizar de forma diferente.
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Diário do Centro do Mundo » Piketty: Uma dívida deve sempre ser paga?

IMAGES&VISIONS: B. B. King (1925-2015)

IMAGES&VISIONS: B. B. King (1925-2015): B.B. King aos 23 de anos de idade. Memphis, EUA, 1948.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Semana de História UFC 2015 | GT's

CLAUDICANDO: Procurador narra dificuldades enfrentadas pela Ope...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Procurador narra dificuldades enfrentadas pela Operação Zelotes



A RBS, uma das principais afiliadas da Globo, agora é acusada, enquanto a Nave Mãe sonega informação…

Zelotes precisa de maior interesse do Judiciário, defende procurador da República

Justiça indeferiu todos pedidos feitos pelo Ministério Público

O Procurador da República Frederico Paiva, responsável pela Operação Zelotes no Ministério Público Federal, entende que o indeferimento por parte do Poder Judiciário dos pedidos de prisão de 26 investigados, da prorrogação do monitoramento telefônico e o não acolhimento de pedidos de buscas e apreensões prejudicaram as investigações do episódio que é considerado o maior caso de sonegação fiscal do país. A afirmação foi feita na manhã desta quarta-feira (13) em audiência pública na subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha os desdobramentos da Operação Zelotes, esquema de manipulação de julgamentos ocorridos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O prejuízo estimado aos cofres públicos é superior a R$ 19 bilhões.

Em um paralelo com a Lava-Jato, o procurador apelou à “necessária contribuição” da Justiça para que todos os fatos sejam de conhecimento da sociedade. “É preciso que a Zelotes tenha, por parte do Poder Judiciário, uma acolhida. Assim como está acontecendo em Curitiba [Lava-Jato], que todos os fatos venham à tona, com transparência”, defendeu Paiva, lembrando que também solicitou a quebra do sigilo das investigações, outro pedido negado pela Justiça.

O procurador informou que o Ministério Público entrou com uma representação na Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, contra o juiz que atua no caso da Zelotes. Segundo o MP, o juiz Ricardo Leite tem descumprido prazos de forma recorrente e injustificada, levando, muitas vezes, à prescrição de casos. Da mesma forma, o relator da subcomissão, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), adiantou que fará uma representação ao Conselho Nacional de Justiça solicitando providencias referentes à demora injustificada em processos que investiguem crimes contra a ordem tributária que estão na 10ª Vara Federal, sob responsabilidade do juiz Ricardo Leite.

Mesmo contra todos os obstáculos, o procurador diz que, dentro de 60 dias, o Ministério Público deve oferecer denúncias envolvendo processos de R$ 5 bilhões de 15 empresas que aturaram para alterar a decisão dos conselheiros do Carf. “São casos em que os indícios são mais veementes, de um total de cerca de 60 empresas investigadas”, declarou Paiva.
Esquema

De acordo com o procurador Frederico Paiva o núcleo da organização criminosa emitia sinais às empresas que teriam seus casos julgados como forma de mostrar que possuía influência no Carf. “Era oferecido um pedido de vistas aos empresários. Era dito o dia, a hora e qual conselheiro iria solicitar vistas”, relatou o procurador. Diante dessa garantia, era firmado um contrato. “Na maioria dos casos, era forjado um contrato de assessoramento empresarial, de consultoria, para depois legitimar o repasse da propina”, explicou Paiva.
Críticas ao Carf

Para o procurador, o Carf não é uma estrutura eficiente nem transparente. De acordo com Paiva, um processo leva em média 8 anos para ser julgado pelo Conselho. O procurador defendeu modificações no atual sistema de composição e funcionamento do Carf, que segundo ele, da maneira funciona hoje, propicia à corrupção, o tráfico de influência e ao crime de advocacia administrativa.

CLAUDICANDO: Procurador narra dificuldades enfrentadas pela Ope...: Via Contexto Livre A RBS, uma das principais afiliadas da Globo, agora é acusada, enquanto a Nave Mãe sonega informação… Zelotes...

Prestes A Ressurgir: Sobre a questão da moradia

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sobre a questão da moradia

Friedrich Engels

Da Coleção Marx e Engels

 "O capital não quer eliminar a escassez de moradia, mesmo que possa."

O problema da habitação, suas razões e soluções são os temas abordados em Sobre a questão da moradia, de Friedrich Engels. Escrito no final do século XIX, o livro mantém sua atualidade ao ser publicado num momento em que a luta dos sem-teto e as ocupações urbanas ganham cada vez mais força no Brasil.

Com esta obra, 19º volume da coleção Marx-Engels, a Boitempo dá continuidade à publicação das obras completas dos filósofos alemães e contempla pela terceira vez um livro de autoria exclusiva de Friedrich Engels.

Sobre a questão da moradia é composto por novas traduções, feitas diretamente dos originais em alemão, de três artigos publicados por Engels no jornal Der Volksstaat, nos quais coloca em xeque a teoria de Pierre-Joseph Proudhon e questões levantadas pela burguesia da época sobre os problemas de habitação dos trabalhadores alemães.

Com sua clássica erudição, somada à ironia fina e ao senso de urgência revolucionária que o caracterizavam, Engels desconstrói um a um os “achismos” da burguesia para erguer, em seu lugar, uma análise teórica de linhas firmes e precisas. O filósofo mostra como o processo de formação dos grandes aglomerados urbanos provoca o aumento de aluguéis, a concentração de famílias em uma única moradia e, no limite, desabrigados. Engels explica que o problema não está na pouca quantidade de moradias, mas em sua distribuição: “já existem conjuntos habitacionais suficientes nas metrópoles para remediar de imediato, por meio de sua utilização racional, toda a real ‘escassez de moradia’”. Era a Europa do século XIX, mas poderia ser o Brasil do século XXI.

A bandeira dos movimentos populares, em defesa da expropriação desses imóveis para destiná-los aos trabalhadores sem-teto, já é levantada por Engels nos textos escritos entre 1872 e 1873. De acordo com sua tese, o problema da moradia não poderá ser definitivamente solucionado nos marcos do capitalismo. As reestruturações urbanas pelo capital não eliminam o infortúnio, fazem apenas com que reapareça em outro lugar. Engels, na ocasião, falava de Georges-Eugène Haussmann em Paris, mas poderia estar falando de São Paulo ou do Rio de Janeiro na última década. As favelas retiradas do centro renascem nas periferias.

Além disso, o livro apresenta outra particularidade interessante: por ter sido concebido originalmente como uma série de artigos de jornal, nele o autor se permite revelar aos leitores, como em uma conversa informal, os meandros de sua relação de trabalho com Karl Marx: “Em consequência da divisão do trabalho acordada entre mim e Marx, cabia-me defender nossas concepções na imprensa periódica e principalmente, portanto, na luta contra opiniões adversárias, para que Marx dispusesse de tempo para elaborar sua grande obra principal. Desse modo, encontrei-me na posição de expor nossa maneira de ver as coisas geralmente de forma polêmica, em contraposição a outras visões”. Um método de trabalho que o passar dos séculos comprova ter sido frutífero e duradouro.

[A partir da nota da editora e do texto de orelha assinado por Guilherme Boulos]


 Ficha técnica

título Sobre a questão da moradia
autor Friedrich Engels
orelha Guilherme Boulos
ilustrações Gilberto Maringoni
tradução Nélio Schneider
título original Zur Wohnungsfrage  
páginas 160  
ano de publicação 2015 
 isbn 978-85-7559-435-3

FONTE: Boitempo Editorial

Prestes A Ressurgir: Sobre a questão da moradia: Friedrich Engels Da Coleção Marx e Engels  "O capital não quer eliminar a escassez de moradia, mesmo que possa." ...