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terça-feira, 12 de maio de 2015

Lewandowski: 'Negros encontram dificuldades que exigem atuação do Estado e da sociedade' — Rede Brasil Atual





Lewandowski: 'Negros encontram dificuldades que exigem atuação do Estado e da sociedade'

Para presidente do STF, ações afirmativas, como as cotas raciais, devem ter continuidade 'para conseguirmos a integração social, étnica e cultural no país'
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 09/05/2015 11:25, última modificação 09/05/2015 11:29
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FELLIPE SAMPAIO/STF
lewandowski
Ministro Lewandowski não quis comentar a Operação Lava Jato, pois não teve acesso
São Paulo – O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, disse na noite de ontem (8), em São Paulo, que as dificuldades encontradas pelos negros no Brasil não serão vencidas “espontaneamente”, sem ações afirmativas do Estado. “Eu não diria que existe um sentimento de racismo, que opõe brasileiro contra brasileiro, mas acho que os afrodescendentes encontram dificuldades muito grandes, que precisam ser superadas, e não serão superadas espontaneamente, sem atuação do Estado e da sociedade”, afirmou à imprensa, ao ser perguntado se existe racismo no país, em solenidade em que foi homenageado com a medalha do Mérito Cívico pela Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio Cultural (Afrobras) e pela Universidade Zumbi dos Palmares.
A homenagem, segundo as entidades, tem a “finalidade agraciar personalidades de destaque em sua área de atuação que tenham contribuído com os valores do respeito à diferença, tolerância e igualdade de oportunidades”.  O reitor da Zumbi dos Palmares, José Vicente, justificou a homenagem pelo fato de Lewandowski ter assinado, no dia 18 de abril, a resolução que institui cotas para negros nos concursos públicos do STF e do Conselho Nacional de Justiça.
Para o presidente do STF, as cotas raciais nas universidades “foram um primeiro passo importante”, mas ações afirmativas devem ter continuidade “para conseguirmos a integração social, étnica e cultural no país”. Nesse sentido, ele lembrou o estabelecimento das cotas nos concursos para o serviço público e também o ato, assinado por ele próprio, para introduzir as cotas nos concursos do STF e do Conselho Nacional de Justiça, como "passos" mais recentes.

Lava Jato

Lewandowski não quis comentar as críticas que diversos advogados e juristas vêm fazendo a violações de direitos individuais e abusos de prisões preventivas nos processos relativos à Operação Lava Jato. “Isso tem que ser perguntado ao relator da Lava Jato, o ministro Teori Zavascki. Eu, como presidente do Supremo, até o momento não examinei nenhuma peça desse processo, e portanto não tenho nenhuma informação sobre isso.”
Ele também não quis falar sobre a chamada PEC da Bengala, transformada na Emenda 88. “Se foi ajuizada uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, eu vou participar do julgamento, e não posso me pronunciar.”
A Associação dos Magistrados Brasileiros entrou com uma ADI ontem, pedindo a inconstitucionalidade da Emenda 88, promulgada na quinta-feira (7) pelo Senado.
Lewandowski: 'Negros encontram dificuldades que exigem atuação do Estado e da sociedade' — Rede Brasil Atual

Democracia & Política: NACIONALISMO E PETRÓLEO

terça-feira, 12 de maio de 2015

NACIONALISMO E PETRÓLEO





Nacionalismo e petróleo


"O momento requer uma modificação no modelo econômico, ampliando os direitos dos trabalhadores e nacionalizando os recursos necessários à economia nacional.

Por Wladmir Coelho, em "Política Econômica do Petróleo"

"A campanha contra a Petrobras revela em seus fundamentos uma série de preconceitos repetidos desde o final do século 19.

Esses preconceitos apresentam-se nos meios de comunicação revestidos de números, exemplos e vocabulário refinado, sempre condenando as iniciativas nacionalistas, confundidas ou transformadas em “populismo”, esse entendido como sinônimo de irresponsabilidade política e econômica.

O vocabulário e as práticas econômicas defendidas na grande mídia originam-se do pensamento liberal radicalizado no modelo neoliberal de nossos dias. Nesse discurso, é negada a existência de um sistema econômico nacional e considerado pecado mortal a intervenção do Estado na economia.

Nacionalismo econômico

No século 19, o economista alemão Friedrich List observou como mola do crescimento econômico dos Estados Unidos exatamente a forte presença do Estado na economia, subsidiando ou protegendo a iniciativa nacional. List, ao contrário dos liberais clássicos, entendeu e defendeu a existência do sistema econômico nacional como base do crescimento econômico.

Este sistema econômico nacional seria amparado no conceito de nação ideal, defendido por List, cujo princípio aplicava-se perfeitamente aos Estados Unidos, segundo as observações do economista alemão. Nação ideal, entendia List, seria aquela com pleno controle das fontes de energia, alimentação e existência de um mercado interno em condições de manter a economia.

Acrescentava List a necessidade de apoio dos países mais desenvolvidos aos mais atrasados como forma, inclusive, de garantir a paz. O neoliberalismo de nossos dias defende exatamente o contrário ao dividir o mundo entre fornecedores de matéria prima e consumidores de tecnologia.

A ficção neoliberal

No caso do petróleo, devemos observar, inclusive, a conversão de países considerados desenvolvidos, vide o caso do Canadá, em fornecedores de matéria-prima. A situação do Canadá é assustadora, aumentando sua dependência dos Estados Unidos em função da venda de petróleo bruto.

A negativa da existência do sistema econômico nacional criou a verdade neoliberal, que entende qualquer alternativa ao modelo vigente como falsa economia ou não-ciência.

Reforçou-se a ficção na qual existe um mercado controlado por forças naturais ou mágicas, cujo motor encontra-se na livre concorrência. Elegeram-se sábios com total conhecimento da economia de ficção, cuja função diária é reforçar a superstição e punir os eventuais hereges.

Um exemplo: decorrente do sistema econômico nacional, temos o nacionalismo econômico na base do chamado "Estado de bem-estar social". Esse modelo econômico ganhou força na Europa do pós-guerra, principalmente na França, Inglaterra, Alemanha.

Todavia, desde o agravamento da crise econômica em 2008, esse modelo recebe ataques em nome da manutenção da ficção econômica neoliberal, preocupando-se os governos com o pagamento dos juros aos banqueiros em detrimento dos interesses dos trabalhadores.

Para o pagamento desses juros, determinam-se as chamadas "políticas de austeridade" representadas no corte de benefícios sociais, no consumo e aumento do desemprego. Nesse ponto, podemos observar que o Estado de bem-estar social não resultou na derrota ou desaparecimento dos interesses do poder econômico.

Nesse modelo, a iniciativa privada continuou existindo e foi claramente permitida uma ampliação do poder do sistema financeiro através das múltiplas fusões e desregulamentação dos chamados mercados. Entre a ampliação do lucro e manutenção de direitos sociais, optaram os governos europeus pelo primeiro. Temos aqui uma clara distinção entre Estado de bem-estar social e socialismo.

Políticas nacionalistas na América do Sul

Na América do Sul, não foram poucas as tentativas de implantação de políticas econômicas nacionalistas. Sempre combatidas com violência pelos grandes grupos internacionais, essas iniciativas não conseguiram implantar as transformações sociais verificadas na Europa.

No Brasil, a partir de 1930, inicia-se a modernização do Estado ao se priorizar a regulamentação de setores da economia e oficializar direitos trabalhistas. Nesse período, o petróleo recebeu especial atenção através da criação de uma legislação própria – a partir de 1934 –, efetivando-se o pleno controle estatal desse mineral quase duas décadas depois – 1953 –, com a criação da Petrobras.

A tentativa de aprofundamento de uma política econômica nacionalista nos anos 60, durante o governo João Goulart, resultou na oposição dos Estados Unidos e consequente introdução de uma ditadura militar, cujo principal objetivo foi desnacionalizar a economia, incluindo a quebra do monopólio do petróleo, através da introdução do "contrato de risco" e desvio da Petrobras para o chamado "mundo do mercado".

Durante o mesmo período, vamos verificar exemplos semelhantes na Argentina, Venezuela e Bolívia, sempre seguidos de golpes de Estado financiados através de empresas e governo dos Estados Unidos.

O Bolivarianismo

Atualmente, a Venezuela, através do Bolivarianismo, representa um modelo de nacionalismo econômico direcionado para a implantação de um Estado de bem-estar social.

O modelo econômico venezuelano encontra-se embasado no maior controle estatal do bem econômico petróleo, utilizado para o financiamento dos programas de assistência social, educação, pesquisa, defesa e criação de empresas públicas ou privadas nos diferentes setores da economia.

A Bolívia possui um modelo semelhante e consegue, igual à Venezuela, elevar determinados índices sociais, notadamente aqueles relativos à pobreza absoluta, alfabetização e assistência médica.

Romper com o modelo neoliberal não constitui tarefa fácil. As elites políticas e econômicas da América Latina sobrevivem, desde o século 15, associadas aos interesses exportadores.

A base colonial de nossa economia possibilita a vida de luxo dos "senhores de terras", eufemisticamente tratados por "empresários do agronegócio", e dos executivos de multinacionais diversas, que condenam os países à condição de montadores, em prejuízo do desenvolvimento de uma tecnologia própria.

Esses senhores adotam, inclusive, o discurso do auxílio do mais rico ao mais pobre através da mitificação e mistificação do termo "investimento externo", confundido com a necessidade de ampliação da exploração da mão de obra (incluindo a escravidão) e pleno acesso aos recursos da natureza, sem a mínima preocupação com as consequências, a exemplo da falta d’água e destruição do meio ambiente.

Nacionalismo à brasileira

Enquanto a grande imprensa condena as ações sociais dos últimos 12 anos no Brasil, os governos Lula e Dilma Rousseff tornaram-se mestres em manipular o vocabulário nacionalista e esconder as reais intenções neoliberais.

No discurso, frases em defesa da Petrobras, incluindo a falsa afirmativa da manutenção de sua condição estatal. Na prática, provoca-se a asfixia da empresa e força-se uma associação em desvantagem com os oligopólios de sempre.

Dessa encenação, a Petrobras tornou-se a principal vítima ao manter, o governo, a fórmula iniciada durante a ditadura e aprofundada no governo Fernando Henrique Cardoso/PSDB.

Lula e Dilma Rousseff não recuperaram a Petrobras para a sua função de garantir a autossuficiência nacional, mantendo o mito da “oitava irmã”, iniciado durante a ditadura. A imprensa, com sua linguagem neoliberal, utiliza a velha e corroída luta moralista e aproveita para acabar de vez com qualquer possibilidade de a Petrobras assumir o seu verdadeiro papel.

Quem está dentro não quer sair, quem está fora quer entrar

A Petrobras vai seguindo o seu caminho em meio aos ataques. Nenhuma novidade. Esforça-se o governo em seu discurso nacionalista e sua prática neoliberal, defendendo a austeridade do jeitinho que ensinou o guru da ditadura Delfim Netto.

A oposição parlamentar, em sua maioria defensora do neoliberalismo, apropria-se do discurso moralista contra a corrupção e ressuscita o perigo comunista, clama pela volta da ditadura. Parece que estamos vivendo naquele samba do Sérgio Porto.

De forma indecente, a grande imprensa divulga os “perigos” da ditadura bolivariana, mas incentiva o culto aos tempos da ditadura militar. Todavia, associam-se imprensa, governo e oposição parlamentar neoliberal quando o assunto é austeridade econômica.

Defendem governo, oposição neoliberal e grande imprensa a “necessidade” do aumento no valor da energia elétrica, da água, gasolina e os cortes nos direitos dos aposentados, viúvas e desempregados.

Escondem, todos eles, que essas empresas de energia, água, comunicação e petróleo foram construídas com dinheiro do povo para atender o povo. A privatização [ou melhor, a estrangeirização, por PSDB/FHC], total ou parcial dessas empresas, não implicou, para seus proprietários, novos investimentos. Receberam tudo a preço de banana. Não admitem, todavia, uma queda em seus lucros, que devem ser direcionados aos acionistas confortavelmente instalados nos Estados Unidos e Europa.

Vejam: os donos do poder desejam apagar qualquer vestígio de combate à ficção neoliberal e transformam a crise econômica em "crise moral" cujo final seria o impeachment...

Essa palavra mágica, impeachment, reúne toda espécie de oportunistas interessados em manter o Brasil em sua condição colonial. Procuram iludir o povo percorrendo as ruas, gastam horas na internet atacando os patriotas e divulgando vídeos de militares aposentados defendendo a ditadura ou delirando com a invasão do Brasil por forças cubanas e venezuelanas. Alguns, mais honestos, aproveitam para aumentar a renda familiar vendendo kits com camisetas e bonés.

O povo, apesar do bombardeio midiático, pergunta aos oportunistas:e depois do impeachment? Saindo a Dilma, vamos direto ao paraíso? Conquistaremos de imediato aumentos salariais, redução nas tarifas de ônibus, energia elétrica, e a água vai voltar a jorrar?

Em termos objetivos não oferecem, os oportunistas, uma resposta clara. Apenas vendem ilusões a serviço dos entreguistas e inimigos do povo, com reforço da ficção neoliberal.

O trabalhador tem plena consciência da não existência de palavras mágicas. A crise não é moral. O momento requer uma profunda modificação no modelo econômico, incluindo a ampliação de direitos dos trabalhadores e nacionalização dos recursos necessários à manutenção econômica nacional."

FONTE: escrito por Wladmir Coelho, no blog "Política Econômica do Petróleo". O autor é mestre em Direito, historiador e membro do Conselho Curador da Fundação Brasileira de Direito Econômico. Artigo transcrito no portal "Carta Maior"    (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Nacionalismo-e-petroleo/4/33466). [Trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].
Democracia & Política: NACIONALISMO E PETRÓLEO

Democracia & Política: DILMA DESCARTA MUDANÇAS NAS REGRAS DO PRÉ-SAL

segunda-feira, 11 de maio de 2015

DILMA DESCARTA MUDANÇAS NAS REGRAS DO PRÉ-SAL




DILMA DESCARTA MUDANÇAS NAS REGRAS DO PRÉ-SAL

"A Presidente Dilma Rousseff rebate autoridades do governo e não admite flexibilizar o sistema de partilha e a exigência de que a Petrobras seja sócia de pelo menos 30% de cada bloco de exploração do pré-sal. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, um dos defensores de revisão das regras, confirmou que Dilma está "totalmente" comprometida com o status quo vigente. Em artigo recente, o deputado federal pelo PT-CE e líder do governo na Câmara, José Guimarães, criticou o projeto de concessão também sustentado pelo PSDB e defendeu um regime de partilha, no qual o Estado recebe um porcentual do produto explorado, e não apenas a remuneração monetária pela exploração.

Do "Brasil 247"


Diante de declarações recentes de autoridades do governo sobre o pré-sal, a presidente Dilma Rousseff descartou qualquer flexibilização das regras atuais.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, a presidente não admite mudança no sistema de partilha e na exigência de que a Petrobras seja sócia de pelo menos 30% de cada bloco de exploração do pré-sal.

Um dos defensores de revisão da exigência imposta à estatal, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, admite que Dilma está "totalmente" comprometida "com o status quo" vigente.

Em artigo recente, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, criticou a proposta de concessão também defendida pelo PSDB – “para que riqueza gerada pelo petróleo seja abocanhada pelas grandes petrolíferas mundiais”. Ele sugere o regime de partilha, no qual o Estado recebe um porcentual do produto explorado, e não apenas a remuneração monetária pela exploração."

FONTE: do portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/economia/180349/Dilma-descarta-mudan%C3%A7as-nas-regras-do-pr%C3%A9-sal.htm).
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Democracia & Política: CORRUPÇÃO SÓ A ALHEIA

A CORRUPÇÃO ALHEIA

Por WASHINGTON LUIZ DE ARAÚJO

No pediatra, o prefeito petista pede a conta pela consulta de seu filho e ouve: "Bem, se o senhor aceitar me pagar sem nota fiscal, concedo 15% de desconto"

"Prefeito petista leva o filho a uma clínica pediátrica. Feita a consulta, o médico, que é muito bem conceituado na cidade, passa a discorrer sobre a corrupção que ouve no noticiário, dizendo que é uma vergonha o que vem acontecendo com governo federal e a Petrobrás. Que não tem dúvida de que todos estão se locupletando.

O político ouve e explica que as investigações ainda estão em curso e que, embora o judiciário venha politizando o caso, tendendo somente para um lado, espera que tudo seja apurado para que não haja deturpações. Mesmo considerando que grande parcela da mídia já tenha condenado o seu partido e integrantes dele.

O médico não se conforma e reitera as acusações.

Uma hora de conversa depois, o prefeito pede a conta pela consulta, e ouve:

"Bem, se o senhor aceitar me pagar sem nota fiscal, concedo 15% de desconto".

O político responde: "Deixa eu ver se entendi: o senhor veio para cima de mim falando em corrupção como se tudo já tivesse sido julgado e condenado, como se com isso a corrupção generalizada no Brasil fosse debelada, e agora me vem com uma proposta de sonegação [roubo de dinheiro público] para que eu seja corrupto juntamente com o senhor?"

O médico, se mostrando ofendido, responde: "Espere um pouco, assim o senhor está me ofendendo, pois isso não tem nada a ver com o que vínhamos falando antes. Isso não é corrupção".

O político exige nota fiscal, paga, e sai do consultório já pensando em arrumar um novo pediatra para o seu filho."

FONTE: escrito por WASHINGTON LUIZ DE ARAÚJO no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/180445/A-corrup%C3%A7%C3%A3o-alheia.htm). 


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Fundadora do Dia das Mães lutou para abolir a data, após perceber que utilizavam-na apenas para ganhar dinheiro - Geledés

Fundadora do Dia das Mães lutou para abolir a data, após perceber que utilizavam-na apenas para ganhar dinheiro - Geledés

Lamento dos Afro-descendentes: treze de Maio | Leonardo Boff

Lamento dos Afro-descendentes: treze de Maio

12/05/2012
                                   
Hoje, 13 de maio, é o dia das mães. Mas não esqueçamos a mães negras, especialmente as “amas-de-leite”, as mucamas. Quantas crianças brancas não foram por elas  amamentadas e salvas?
Agora, finalmente a Justiça fez justiça aos afrodescentendes, pagando uma dívida histórica que pesava em nossa consciência branca coletiva. Foram-lhes concedidas as cotas de acesso às universidades federais. Mas a nossa dívida começou apenas a ser paga. Há tantas reparações e compensações ainda por fazer.
Enquanto isso  a Paixão de Cristo continua pelos tempos afora no corpo destes crucificados. Jesus agonizará até o fim do mundo, enquanto houver um único destes seus irmãos e irmãs que estejam ainda pendendo de alguma cruz.
Assim pensa também o budismo tibetano. O  bodhisattwa (o iluminado) pára no umbral do Nirvana e suplica retornar ao mundo da dor – samsara – para viver solidariamente  com quem sofre no reino humano, animal e vegetal. Nesta mesma convicção, a Igreja Católica, na liturgia da Sexta-feira Santa, coloca na boca do Cristo estas palavras pungentes:
”Que te fiz, meu povo eleito? Dize em que te contristei! Que mais podia ter feito, em que foi que te faltei? Eu te fiz sair do Egito e com maná de alimentei. Preparei-te bela terrra, e tu, a cruz para o teu rei”.
Rememorando a abolição da escravatura a 13 de maio, nos damos conta de que ela não foi completada ainda. A paixão de Cristo continua na paixão do povo afrodescendente. Falta a segunda abolição, da miséria e da fome, como postula o senador Cristovam Buarque. Ouvem-se ainda os ecos dos lamentos de cativeiro e de libertação, vindos das senzalas, hoje das favelas ao redor de nossas cidades:
“Meu irmão branco,  minha irmã branca, meu povo: que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!
Eu te inspirei a música carregada de banzo e o ritmo contagiante. Eu te ensinei como usar o bumbo, a cuíca e o atabaque. Fui eu que te dei o rock e a ginga do samba. E tu tomaste do que era meu, fizeste nome e renome, acumulaste dinheiro com tuas composições e nada me devolveste.
Eu desci os morros, te mostrei um mundo de sonhos, de uma fraternidade sem barreiras. Eu criei mil fantasias multicores e te preparei a maior festa do mundo: dancei o carnaval para ti. E tu te alegraste e me aplaudiste de pé. Mas logo, logo, me esqueceste, reenviando-me ao morro, à favela, à realidade nua e crua do desemprego, da fome e da opressão.
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!
Eu te dei em herança o prato do dia-a-dia, o feijão e o arroz. Dos restos que recebia, fiz a feijoada, o vatapá, o efó e o acarajé: a cozinha típica da Bahia. E tu me deixas passar fome. E permites que minhas crianças morram famintas ou que seus cérebros sejam irremediavelmente afetados, infantilizando-as para sempre.
Eu fui arrancado violentamente de minha pátria africana. Conheci o navio-fantasma dos negreiros. Fui feito coisa, “peça”, escravo. Fui a mãe-preta para teus filhos e filhas. Cultivei os campos, plantei o fumo para o cigarro e a cana para o açúcar. Fiz todos os trabalhos. E tu me chamas de preguiçoso e me prendes por vadiagem. Por causa da cor da minha pele me discriminas e me tratas ainda como se continuasse escravo.
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!
Eu soube resistir, consegui fugir e fundar quilombos: sociedades fraternais, sem escravos, de gente pobre mas livre, negros, mestiços e brancos. Eu transmiti, apesar do açoite em minhas costas, a cordialidade e a doçura à alma brasileira. E tu me caçaste como bicho, arrasaste meus quilombos e ainda hoje impedes que a abolição da miséria que escraviza, continue como realidade cotidiana e efetiva.
Eu te mostrei o que significa ser templo vivo de Deus. E, por isso, como sentir Deus no corpo cheio de axé e celebrá-lo no ritmo, na dança e nas comidas sagradas. E tu reprimiste minhas religiões chamando-as de ritos afro-brasileiros ou de simples folclore. Não raro, fizeste da macumba caso de polícia.
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!
Quando com muito esforço e sacrifício consegui ascender um pouco na vida, ganhando um salário suado, comprando minha casinha, educando meus filhos e filhas, cantando o meu samba, torcendo pelo meu time de estimação e podendo tomar no fim de semana uma cervejinha com os amigos, tu dizes que sou um negro de alma branca, diminuindo assim o valor de nossa alma de negros, dignos e trabalhadores. E nos concursos em igual condição quase sempre tu me preteres em favor de um branco. Porque sou negro.
E quando se pensaram políticas públicas para reparar a perversidade histórica, permitindo-me o que sempre me negaste, estudar e me formar nas universidades e assim melhorar minha vida e de minha família, a maioria dos teus grita: é contra a constituição, é uma discriminação, é uma injustiça social. Mas finalmente a Justiça agora nos fez justiça e nos abriu as portas das universidades federais.
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: Que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!”
“Responde-me, por favor”.
E nós brancos, os que dispomos do ter, do saber e do poder, geralmente calamos, envergonhados e cabisbaixos. É hora de escutar o lamento destes nossos irmãos e irmãs afro-descendentes, somar forças com eles e construir juntos uma sociedade inclusiva, pluralista, mestiça, fraterna, cordial onde nunca mais haverá, como ainda continua havendo no campo, pessoas que se atrevem a escravizar outras pessoas.

Oxalá possamos gritar: “escravidão nunca mais”. E enxugando as lágrimas podemos dizer como no Apocalipse:”Tudo isso passou”.

Lamento dos Afro-descendentes: treze de Maio | Leonardo Boff

O PENSADOR DA ALDEIA: Como fabricar e envenenar coxinhas: campanha do portal MSN/HOTMAIL contra Dilma, Lula e o PT é vergonhosa e cínica

SEGUNDA-FEIRA, 11 DE MAIO DE 2015

Como fabricar e envenenar coxinhas: campanha do portal MSN/HOTMAIL contra Dilma, Lula e o PT é vergonhosa e cínica


por Paulo Jonas  Lima de Piva

Tenho uma conta de e-mail do Hotmail há muitos anos. Infelizmente.

Toda vez que saio do Hotmail minha tela é tomada pelo site de notícias do MSN. E no assunto política a panfletagem anti-Lula, anti-Dilma e anti-PT é escancarada e revoltante. Revoltante porque não é assumidamente anti-Lula, anti-Dilma e anti-PT como manda a honestidade. O MSN e muitos outros órgãos da grande mídia comercial ficam subestimando a inteligência do leitor com esse marketing de quinta, com essa máscara ridícula da neutralidade, da isenção e do apartidarismo. O MSN, que reproduz notícias do ESTADÃO em tom ainda mais escandaloso, de revista de fofoca de celebridades, também é parte da campanha sórdida em operação da pior direita brasileira, dos setores oligárquicos e neoliberais mais inescrupulosos do país e do estrangeiro, para destruir junto à opinião pública a reputação de Lula e assim inviabilizá-lo como candidato em 2018. As piores fotos de Dilma e Lula, as piores chamadas e manchetes contra o PT e o governo federal. Já em relação ao PSDB, tudo é comedido e amenizado.

Vou trocar de e-mail, já que a democratização da comunicação no Brasil via regulação e desconcentração da mídia ainda vai demorar ou talvez nunca ocorra.


O PENSADOR DA ALDEIA: Como fabricar e envenenar coxinhas: campanha do portal MSN/HOTMAIL contra Dilma, Lula e o PT é vergonhosa e cínica

Nações Unidas no Brasil se posicionam contra a redução da maioridade penal | ONU Brasil

Nações Unidas no Brasil se posicionam contra a redução da maioridade penal

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Segundo a ONU, se as infrações cometidas por adolescentes e jovens forem tratadas exclusivamente como uma questão de segurança pública e não como um indicador de restrição de acesso a direitos fundamentais, a cidadania e a justiça, “o problema da violência no Brasil poderá ser agravado, com graves consequências no presente e futuro”.
Foto: Chris Devers (flickr.com/cdevers)
Foto: Chris Devers (flickr.com/cdevers)
O Sistema ONU no Brasil divulgou nesta segunda-feira (11) uma nota em que demonstra “preocupação” com a tramitação, no Congresso Nacional, de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 171/1993) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade e o debate nacional sobre o tema.
Segundo a ONU, se as infrações cometidas por adolescentes e jovens forem tratadas exclusivamente como uma questão de segurança pública e não como um indicador de restrição de acesso a direitos fundamentais, a cidadania e a justiça, “o problema da violência no Brasil poderá ser agravado, com graves consequências no presente e futuro”.
As Nações Unidas destacam, entre outras informações, que as estatísticas mostram que a população adolescente e jovem, especialmente a negra e pobre, está sendo assassinada de forma sistemática no País. “Essa situação coloca o Brasil em segundo lugar no mundo em número absoluto de homicídios de adolescentes, atrás da Nigéria”, afirma a nota, lembrando quem, dos 21 milhões de adolescentes que vivem no Brasil, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida. “Os adolescentes são muito mais vítimas do que autores de violência”, diz a ONU no Brasil.
Confira a nota na íntegra (abaixo) ou em formato PDF clicando aqui.

NOTA DO SISTEMA ONU NO BRASIL SOBRE A PROPOSTA DE REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Sistema ONU no BrasilO Sistema ONU no Brasil acompanha com preocupação a tramitação, no Congresso Nacional, de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 171/1993) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade e o debate nacional sobre o tema.
O Sistema ONU condena qualquer forma de violência, incluindo aquela praticada por adolescentes e jovens. No entanto, é com grande inquietação que se constata que os adolescentes vêm sendo publicamente apontados como responsáveis pelas alarmantes estatísticas de violência no País, em um ciclo de sucessivas violações de direitos.
Dados oficiais mostram que, dos 21 milhões de adolescentes que vivem no Brasil, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida1. Os adolescentes são muito mais vítimas do que autores de violência. Estatísticas mostram que a população adolescente e jovem, especialmente a negra e pobre, está sendo assassinada de forma sistemática no País. Essa situação coloca o Brasil em segundo lugar no mundo em número absoluto de homicídios de adolescentes, atrás da Nigéria2.
Os homicídios já são a causa de 36,5% das mortes de adolescentes por causas não naturais, enquanto, para a população em geral, esse tipo de morte representa 4,8% do total. Somente entre 2006 e 2012, pelo menos 33 mil adolescentes entre 12 e 18 anos foram assassinados no Brasil3. Na grande maioria dos casos, as vítimas são adolescentes que vivem em condições de pobreza na periferia das grandes cidades.
O Sistema ONU alerta que, se as infrações cometidas por adolescentes e jovens forem tratadas exclusivamente como uma questão de segurança pública e não como um indicador de restrição de acesso a direitos fundamentais, a cidadania e a justiça, o problema da violência no Brasil poderá ser agravado, com graves consequências no presente e futuro.
O sistema penitenciário brasileiro já enfrenta enormes desafios para reinserir adultos na sociedade. Encarcerar adolescentes jovens de 16 e 17 anos em presídios superlotados será expô-los à influência direta de facções do crime organizado. Uma solução efetiva para os atos de violência cometidos por adolescentes e jovens passa necessariamente pela análise das causas e pela adoção de uma abordagem integral em relação ao problema da violência4.
Investir na população de adolescentes e jovens é a chave para o desenvolvimento. Dificilmente progressos sociais e econômicos poderão ser alcançados nos próximos anos sem os investimentos certos nesta que é a maior população jovem da história: no mundo, são mais de 1,8 bilhão de adolescentes e jovens (10 a 24 anos), e no Brasil esse número ultrapassa 51 milhões5. Essa quantidade sem precedentes de adolescentes e jovens no Brasil e no mundo – propiciada pelo chamado “bônus demográfico” – constitui uma oportunidade única para que a consecução do desenvolvimento em todas as suas dimensões seja sustentável. Para isso, Estados e sociedades devem reconhecer o potencial desses adolescentes e jovens e assegurar os meios para que as contribuições presentes e futuras desses segmentos tenham impactos positivos para suas trajetórias, suas famílias, comunidades e países.
Há inúmeras evidências de que as raízes da criminalidade grave na adolescência e juventude no Brasil se desenvolvem a partir de situações anteriores de violência e negligência social. Essas situações são muitas vezes agravadas pela ausência do apoio às famílias e pela falta de acesso destas aos benefícios das políticas públicas de educação, trabalho e emprego, saúde, habitação, assistência social, lazer, cultura, cidadania e acesso à justiça que, potencialmente, deveriam estar disponíveis a todo e qualquer cidadão, em todas as fases do ciclo de vida.
Várias evidências apontam que o encarceramento de pessoas, em geral, agrava sua situação de saúde e o seu isolamento, representando uma grande barreira ao desenvolvimento de suas habilidades para a vida. A redução da maioridade penal e o consequente encarceramento de adolescentes de 16 e 17 anos poderia acentuar ainda mais as vulnerabilidades dessa faixa da população à violência e ao crime6.
No Brasil, adolescentes a partir de 12 anos já são responsabilizados por atos cometidos contra a lei, a partir do sistema especializado de responsabilização, por meio de medidas socioeducativas, incluindo a medida de privação de liberdade, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Se tal sistema não tem conseguido dar respostas efetivas, é preciso aperfeiçoá-lo de acordo com o modelo especializado de justiça juvenil, harmonizado com os padrões internacionais já incorporados à Constituição Federal de 1988.
Além de estar na contramão das medidas mais efetivas de enfrentamento da violência, a redução da maioridade penal agrava contextos de vulnerabilidade, reforça o racismo e a discriminação racial e social, e fere acordos de direitos humanos e compromissos internacionais historicamente assumidos pelo Estado brasileiro.
Um dos compromissos fundamentais que o Brasil assume ao ratificar um tratado internacional é o de adequar sua legislação interna aos preceitos desse tratado, tal como assinala a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados7. Assim, a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), ratificada pelo Estado brasileiro no dia 24 de setembro de 1990, reconhece as crianças e os adolescentes como sujeitos e titulares de direitos, estabelecendo em seu artigo primeiro que criança é “todo ser humano com menos de dezoito anos de idade”8.
Em relação às responsabilidades das pessoas menores de 18 anos, a CDC estabelece claramente, em seus artigos 1, 37 e 40, que: (i) nenhuma pessoa menor de 18 anos de idade pode ser julgada como um adulto; (ii) deve se estabelecer uma idade mínima na qual o Estado renuncia a qualquer tipo de responsabilização penal; (iii) seja implementado no País um sistema de responsabilização específico para os menores de idade em relação à idade penal, garantindo a presunção de inocência e o devido processo legal, e estabelecendo penas diferenciadas, onde a privação da liberdade seja utilizada tão só como medida de último recurso.
O Sistema das Nações Unidas no Brasil reconhece a importância do debate sobre o tema da violência e espera que o Brasil continue sendo uma forte liderança regional e global ao buscar respostas que assegurem os direitos humanos e ampliem o sistema de proteção social e de segurança cidadã a todos e todas.
O Sistema ONU no Brasil reitera seu compromisso de apoiar o trabalho do País em favor da garantia dos direitos de crianças, adolescentes e jovens e convoca todos os atores sociais a continuar dialogando e construindo, conjuntamente, as melhores alternativas para aprimorar o atual sistema de responsabilização de adolescentes e jovens a quem se atribui a pratica de delitos.
Brasília, 11 de maio de 2015
NOTAS
1  Estimativa do UNICEF Brasil com base em dados do Levantamento SINASE 2012 e PNAD 2012.
2  Ocorreram aproximadamente 11 mil assassinatos de brasileiros de 0 a 19 anos em 2012. In: UNICEF. Hidden in plain sight: a statistical analysis of violence against children. 2014. P. 37. Disponível em: http://goo.gl/O3uhzE
3  Dados do SIM/DATASUS. In: UNICEF. Homicídios na Adolescência no Brasil. IHA, 2012. P. 12 e 57. Disponível em: http://goo.gl/U6odLu
4 UNITED NATIONS. Fact Sheet on Juvenile Justice, p.5. Vide http://goo.gl/ZPqCJT
5  Dados provenientes do relatório Situação da População Mundial 2014 (UNFPA, 2014). Vide http://goo.gl/FnP2Gq
6  UNODC. Da Coerção à Coesão (2010). Disponível em: http://goo.gl/MmxJt7
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