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domingo, 10 de maio de 2015

Seminário com Moro é boicotado por advogados | Brasil 24/7

Seminário com Moro é boicotado por advogados | Brasil 24/7

Blog do Sinei: CUT conclama trabalhadores para greve geral em 29 de maio

CUT conclama trabalhadores para greve geral em 29 de maio

Com informações do site da CUT
A Direção Executiva da Central Única dos Trabalhadores ( CUT), reunida em São Paulo na terça-feira (5), aprovou Resolução reafirmando sua posição contrária à política de ajuste adotada pelo governo para enfrentar a crise econômica e conclama suas bases para uma greve geral em 29 de maio de 2015.

Reprovando a atual política econômica do governo por ser incoerente com o projeto que os/as trabalhadores apoiaram e que foi vitorioso nas últimas eleições, por levar o país à recessão e por penalizar a classe trabalhadora com o desemprego, a retirada de direitos, a precarização das relações de trabalho e a regressão de políticas públicas.

Posiciona-se radicalmente contra as medidas 664 e 665, no lugar de penalizar os setores menos favorecidos da população, as medidas de ajuste deveriam incidir sobre os setores mais abastados da sociedade que concentraram renda e poder sonegando impostos e se beneficiando de uma política tributária regressiva.

Leia a Resolução da Executiva Nacional da CUT, na integra pelo link, abaixo:


Resolução da Executiva Nacional da CUT

A Direção Executiva da CUT, reunida em São Paulo no dia 05 de maio de 2015, reafirmou sua posição contrária à política de ajuste adotada pelo governo para enfrentar a crise econômica, assim como reiterou a luta que a Central vem desenvolvendo, junto com centrais sindicais e movimentos sociais parceiros, para defender os direitos, a democracia, a reforma política, a democratização dos meios de comunicação, a Petrobrás e para combater, com igual peso, a corrupção.

A CUT reprova a atual política econômica do governo por ser incoerente com o projeto que os/as trabalhadores apoiaram e que foi vitorioso nas últimas eleições, por levar o país à recessão e por penalizar a classe trabalhadora com o desemprego, a retirada de direitos, a precarização das relações de trabalho e a regressão de políticas públicas. Considera inaceitáveis as perdas de direitos contidas nas MPs 664 e 665 e posiciona radicalmente contra sua aprovação no Congresso Nacional. No lugar de penalizar os setores menos favorecidos da população, as medidas de ajuste deveriam incidir sobre os setores mais abastados da sociedade que concentraram renda e poder sonegando impostos e se beneficiando de uma política tributária regressiva.

A CUT questiona igualmente a eficácia da elevação da taxa de juros como medida de combate à inflação e seu efeito deletério na economia, ao provocar a elevação da dívida pública, limitar o investimento do Estado em infraestrutura e políticas públicas e inibir o investimento privado na produção. Reafirma a posição, explicitada na Plataforma da CUT, a favor de uma política que promova o crescimento econômico com inclusão social, proteja o emprego e a renda, preserve e amplie os direitos dos/as trabalhadores/as.

A CUT é radicalmente contra o PL 4330, repudia a forma truculenta como foi submetido à votação na Câmara Federal e denuncia os parlamentares que votaram a favor do projeto como traidores da classe trabalhadora e ladrões de direitos. Questiona sua constitucionalidade e continuará a luta contra a terceirização nas ruas, nas redes sociais e no próprio Congresso Nacional, pressionando pelo seu arquivamento no Senado.

A CUT questiona também a aprovação das PECs (PEC 215 na Câmara Federal e PEC 38 no Senado), que transferem a demarcação das terras indígenas do Executivo para o Legislativo, favorecendo os interesses do capital internacional e das empresas nacionais na apropriação dessas terras para o agronegócio, acentuando, dessa forma, a já impressionante concentração fundiária e de poder por parte de setores minoritários da sociedade brasileira. Reivindica também a abertura de diálogo para discutir os investimentos públicos nos portos e em transporte. Exige a aprovação da PEC das domésticas e a ampliação de seus direitos.

A direção da CUT manifesta irrestrita solidariedade aos servidores públicos em greve, particularmente os professores, e repudia a forma brutal como suas legítimas manifestações foram reprimidas, como no Paraná, considerando essas ações um atentado aos direitos humanos e à democracia. Denuncia a degradação do ensino e das condições de trabalho na rede pública estadual e exige que essas condições sejam revertidas, assegurando-se a prioridade constitucional dada à educação. Reitera a necessidade de regulamentação da Convenção 151 da OIT que reconhece e regula a negociação coletiva no serviço público, assim como considera fundamental o reconhecimento do direito de greve no setor público. Questiona, da mesma forma, os cortes federais na educação e as restrições impostas ao FIES, decorrentes da política de ajuste, que frustram as expectativas e interrompem a formação de milhares de estudantes universitários pobres.

Finalmente, a CUT conclama suas bases a darem continuidade às lutas, ao lado dos movimentos sociais, no local de trabalho e nas ruas, em defesa dos direitos, da democracia e do projeto de desenvolvimento vitorioso nas últimas eleições. Essa luta ganhará intensidade com o Dia Nacional de Paralisação, em 29 de maio, rumo à greve geral.

DIREITO SE AMPLIA, NÃO SE DIMINUI!

PÁTRIA EDUCADORA SE FAZ COM INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO!

PELA REFORMA POLÍTICA E PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA!

CONTRA A CORRUPÇÃO E EM DEFESA DA PETROBRAS!

29 DE MAIO: DIA NACIONAL DE PARALISAÇÃO E MANIFESTAÇÃO CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO, AS MPs 664-665 E EM DEFESA DOS DIREITOS E DA DEMOCRACIA!

RUMO À GREVE GERAL!

SOMOS FORTES, SOMOS CUT!

São Paulo, 07 de maio de 2015.


EXECUTIVA NACIONAL DA CUT
Blog do Sinei: CUT conclama trabalhadores para greve geral em 29 de maio

Depois de alguns anos de hibernação, a retomada neoliberal — Rede Brasil Atual

MARCIO POCHMANN

Depois de alguns anos de hibernação, a retomada neoliberal

Depois de autorizar entrada de dinheiro estrangeiro na saúde e a formação de oligopólios no ensino privado, Legislativo tenta, com a lei da terceirização, fazer o país andar para trás
por Marcio Pochmann publicado 09/05/2015 10:23
TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL
Manifestação
Projeto da terceirização seria a maior e mais profunda reforma neoliberal do trabalho
Após sua hibernação por mais de uma década, o neoliberalismo vem registrando sinais recentes de seu reaparecimento. Para ser introduzido ainda no início dos anos 1990, durante a passagem do governo Sarney para o de Collor de Mello, o neoliberalismo contou com três condições fundamentais. A primeira, provocada pela recessão econômica no início da década de 1990, que buscou enfraquecer seus opositores, como os sindicatos, diante da inexorável elevação do desemprego e da redução no poder aquisitivo dos salários.
A segunda condição foi revelada pelos constrangimentos impostos pela revisão do papel do Estado através das transferências de funções públicas ao setor privado viabilizadas pela privatização de empresas estatais e corte generalizado no gasto público. A terceira condição ocorreu constituída pela implementação de várias medidas de flexibilização das regras nas áreas financeira, comercial, produtiva e trabalhista.
Essas três condições estruturadoras do neoliberalismo dos anos 1990 no Brasil encontram-se, guardada a devida proporção, retomadas no período recente, o que pode contribuir, ao que parece, para a reversão da posição governamental que até então se movia majoritariamente contrária. Inicialmente, pelo reaparecimento de um novo quadro recessivo, capaz de alterar a trajetória positiva de elevação no nível de emprego e de ampliação salarial. Na sequên­cia, a abertura para o crescimento da presença do setor privado em paralelo à contenção do Estado em ­algumas atividades.
Exemplo disso pode ser observado pela aprovação da legislação que incentiva a entrada de capital estrangeiro na saúde, responsável, até o momento, pela aquisição de quase meia centena de hospitais no país. Um movimento comparável localiza-se também na educação, com o estabelecimento de oligopólios privados no ensino superior e participação importante do capital estrangeiro. A contenção no gasto público em todos os níveis imposta pela retomada do programa de austeridade fiscal permanente, assim como a possibilidade de haver novas rodadas de concessões no serviço público, pode apontar para uma nova fase de apequenamento do Estado no Brasil.
Por fim, o atual vigor legislativo expresso pelo rápido avanço da pauta patronal e antilaboral estabelecida pela condução de votações sobre a terceirização e o Simples trabalhista. De um lado, o projeto de lei da terceirização tal como apresentado poderá representar o rebaixamento das condições de trabalho e remuneração dos empregados não terceirizados ao precarizado já vigente entre os terceirizados.
Em síntese, o trabalhador terceirizado no Brasil recebe remuneração que equivale, em média, à metade da percebida pelo empregado não terceirizado. Além disso, a rotatividade do terceirizado é duas vezes maior que a do empregado não terceirizado. De outro lado, o encaminhamento das proposições estabelecidas em torno do projeto do Simples trabalhista poderá permitir redução sensível na proteção que o empregado assalariado possui por meio da Consolidação das Leis do Trabalho. Ou seja, a maior e mais profunda reforma neoliberal do trabalho que o Brasil conhecerá.
Depois de alguns anos de hibernação, a retomada neoliberal — Rede Brasil Atual

'Estamos partindo para um autoritarismo do Judiciário', diz criminalista — Rede Brasil Atual

DIREITO

'Estamos partindo para um autoritarismo do Judiciário', diz criminalista

Mariz de Oliveira, que defendeu acusada no 'mensalão' e defende executivo na Lava Jato, diz que, apesar de o STF relaxar prisões, é preocupante que ministros tenham votado a favor de manter detenções provisórias
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 09/05/2015 10:54
Comments
JOSÉ CRUZ/ABR
Mariz_de_Oliveira
No STF, em 2012, Mariz de Oliveira defendeu ex-vice-presidente de suporte operacional do Banco Rural, que foi absolvida
São Paulo – O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira foi defensor da ex-vice-presidente de suporte operacional do Banco Rural Ayanna Tenório Tôrres de Jesus, na Ação Penal 470 (o mensalão), e atualmente defende o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, no âmbito da Operação Lava Jato.
Mariz de Oliveira, como outros advogados criminalistas, manifesta preocupação com os rumos do Direito Penal e o endurecimento do sistema penal no Brasil. Apesar de seu cliente ter sido beneficiado e cumprir, desde março passado, prisão em regime domiciliar após acordo de colaboração com o Ministério Público Federal, o advogado não se diz otimista sobre o sistema. “Acho que estamos partindo para um autoritarismo do Judiciário que vai atentar contra o Estado democrático de Direito”, disse, em entrevista à RBA.
Para o advogado, as autorizações do Supremo Tribunal Federal (STF), no final de abril, para que executivos pudessem ir para prisão domiciliar ainda devem ser vistas com cautela. “Me preocupa o fato de, entre os cinco ministros, dois terem votado pela manutenção das prisões. Na minha ótica, isso deveria ter sido feito por unanimidade”, avalia, sobre a decisão da Segunda Turma do STF que autorizou o regime domiciliar a nove executivos no fim do mês passado por 3 votos a 2.
Votaram pela autorização à prisão domiciliar os ministros Teori Zavascki (relator), Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Cármen Lúcia e Celso de Melo manifestaram-se contra.
No julgamento do mensalão, em agosto de 2012, sua cliente Ayanna foi absolvida do crime de gestão fraudulenta por 9 votos a 2. Em sua defesa oral, no STF, Mariz de Oliveira afirmou que a acusação contra Ayanna era “kafkiana”, em alusão ao livro do escritor Franz Kafka O Processo, que mostra uma situação surrealista em que o réu não sabe os motivos nem de estar sendo acusado, nem do quê.
Leia a entrevista:
Advogados manifestam preocupação com a forma pela qual a delação premiada está sendo utilizada no país. Como o sr. avalia a questão?
Eu avalio no sentido de que a delação, como instituto, está sendo utilizada, não só pelo juiz (Sérgio) Moro, como chave de entrada e de saída das cadeias. Chave de entrada, porque se prende não mais tendo em vista a necessidade da prisão preventiva, mas se decretam as prisões preventivas para que o preso delate. E chave de saída porque ele, delatando, sai da cadeia.
Ou seja, se o réu não disser o que o juiz quer ouvir ele não sai, e a prisão preventiva está sendo usada de maneira abusiva...

Pois é, a prisão preventiva não tem mais critério de necessidade, é um instrumento para a delação, foi isso que tentei falar. E por outro lado o conteúdo das delações nem sempre é digno de confiança. Porque está-se delatando, as consequências são obtidas, quer em relação ao delator, quer em relação a terceiros que foram delatados, sem se verificar se o que foi delatado é verdadeiro ou não. Está havendo uma verdadeira leviandade por parte das autoridades em relação ao que se diz na delação. Podem ser confissões verdadeiras como podem ser levianas, apenas para que o delator saia da cadeia.
Como ficam nessa conjuntura os direitos individuais que estão na Constituição?

Estão sendo constantemente violados, não só os direitos individuais, como a dignidade pessoal, como todos os princípios do direito penal e do direito processual penal.
As pessoas leigas em Direito têm questionado: como pode uma pessoa só, no caso o juiz Sérgio Moro, ter tanto poder pessoalmente no Judiciário?
Na verdade, não é bem isso, porque quando Moro profere uma sentença, uma decisão, normalmente essa decisão é questionada perante tribunais superiores. Em regra, esses tribunais têm ratificado essas decisões dele. Então você tem o Judiciário, de modo geral, pelo menos o Judiciário que está participando dessas ações, com essa postura punitiva, não é só o Moro. Você recorre ao Tribunal Regional Federal, eles mantêm a decisão; vai para o STJ, eles mantêm; por vezes o Supremo concorda, por vezes discorda. Então não é só o juiz Moro comandando tudo isso. Ele tem uma postura que está sendo seguida por outros juízes.
Nas últimas semanas decisões do Supremo têm permitido a progressão de pena de réus da Lava Jato para a prisão domiciliar. Isso pode ser um freio a alguns abusos?

Houve um habeas corpus julgado por uma turma do tribunal, o ministro Teori participou como relator, as decisões foram obtidas por 3 a 2. Na quarta-feira (6), o ministro Teori estendeu essa decisão para mais um (o diretor-presidente do Grupo Galvão, Dario de Queiroz Galvão Filho). O que me parece é que o tribunal chegou a essa conclusão, de que as prisões já estavam decretadas há algum tempo, a maioria desde novembro, havendo portanto um excesso de prazo, e não havia mais necessidade para a manutenção das prisões.
Do ponto de vista jurídico, isso pode significar uma “correção de rumo”, em relação a alegados abusos?
Pior seria se eles tivessem negado os habeas corpus. Mas me preocupa o fato de, entre os cinco ministros (da Segunda Turma), dois terem votado pela manutenção das prisões. Na minha ótica, isso deveria ter sido feito por unanimidade.
Na sua opinião, existem semelhanças entre o desenvolvimento da AP 470, o mensalão, e a Operação Lava Jato?
A comparação factual não dá, porque são aspectos completamente diferentes. O que há de comum é o endurecimento do sistema penal. Lá nós tivemos alguns ministros abordando teses que também feriram direitos individuais, e aqui estamos vendo decisões no mesmo sentido, decisões que não estão usando o direito penal como direito de garantia da pessoa humana, e sim como instrumento de punição, apenas.
O sr. considera isso preocupante?
Extremamente preocupante. Acho que estamos partindo para um autoritarismo do Judiciário que vai atentar contra o Estado democrático de Direito.
Existe alguma solução para isso?
Não. Não tem solução no sentido de mudar a consciência dos juízes, a não ser uma resistência por parte daqueles legalistas – magistrados e advogados – que queiram que o Direito Penal retorne aos seus trilhos. O Direito Penal é um instrumento de punição, mas de garantia das liberdades individuais também.
Alguns juristas e advogados acham que, apesar de a Operação Lava Jato ser positiva, ela corre o risco de ser invalidada, devido aos abusos em algumas operações da PF, do MP e do próprio juiz Moro. Na sua opinião, ela pode ser mesmo invalidada?

Em tese, pode. Há algumas irregularidades que, se forem reconhecidas pelos tribunais, levarão à invalidação das operações. O que é preciso que se diga é que, mesmo que essas operações venham a ser invalidadas, o mal desses excessos e dessas irregularidades já foi feito. Nada vai apagar isso para as pessoas que sofreram esses males.
Como o sr. avalia a chamada PEC da Bengala?

É claro que toda composição de um tribunal merece elogios e críticas. Então você tem, compondo os tribunais, o STF e o STJ, juízes excelentes, outros controvertidos, mas de modo geral eu aprovo a PEC da Bengala. Acho que há juízes extremamente lúcidos, cuja lucidez não vai terminar aos 70 anos. Acho que esses homens são muito bem aproveitados, poderão prestar grandes serviços à nação ainda.
'Estamos partindo para um autoritarismo do Judiciário', diz criminalista — Rede Brasil Atual

Jornal Nacional atua como assessor de imprensa de Eduardo Cunha — Rede Brasil Atual

O INFORMACÍDIO DA GLOBO CONTINUA IMPUNE



TV GLOBO

Jornal Nacional atua como assessor de imprensa de Eduardo Cunha

Presidente da Câmara é acusado de arquitetar requerimentos de informações sobre empresa contratada pela Petrobras que teriam sido feitos como forma forçar pagamento de propinas; jornal 'esconde' a notícia
por Helena Sthephanowitz publicado 10/05/2015 11:19
REPRODUÇÃO YOUTUBE
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Apresentador William Bonner leu a notícia sem a ênfase tradicional dada às notícias que envolvem o PT
Um dos fatos jornalísticos importantes na quarta-feira (6) foi o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A diligência foi pedida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e autorizada pelo ministro do STF Teori Zavascki, dentro do inquérito que investiga o suposto envolvimento de Cunha na Operação Lava Jato.
Cunha esta sendo acusado de ter arquitetado a elaboração de dois requerimentos de informações sobre uma empresa contratada pela Petrobras que, segundo delação do doleiro Alberto Youssef, teriam sido feitos como forma de pressão para o pagamento de propinas. Os pedidos foram apresentados na Câmara em 2011 pela hoje prefeita de Rio Bonito (RJ), Solange Pereira de Almeida, na época suplente de deputado. Mas registros eletrônicos mostram Cunha como autor desses requerimentos.
Durante delação premiada, o doleiro Alberto Youssef afirmou que Cunha receberia propinas sobre um contrato de aluguel de navio-plataforma das empresas Samsung e Mitsui com a Petrobras. Disse que quem intermediaria o pagamento ao PMDB seria Júlio Camargo, representante das empresas. E que as empresas suspenderam o pagamento da comissão a Camargo, o que interrompeu os pagamentos ao PMDB. Youssef disse que Eduardo Cunha pediu “a uma comissão do Congresso para questionar tudo sobre a empresa Toyo, Mitsui e sobre Camargo, Samsung e suas relações com a Petrobras, cobrando contratos e outras questões (...) este pedido à Petrobras foi feito por intermédio de dois deputados do PMDB”. Segundo o doleiro, seria para fazer pressão sobre as empresas para retomar os pagamentos.
O que reforçou as suspeitas do Ministério Público Federal foi o fato de que os requerimentos mencionados por Youssef de fato foram apresentados na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara por  Solange Almeida. Ela assumiu ser a autora do requerimento, mas demonstrou não dominar o assunto, parecendo não ser ela a mentora do requerimento. Tanto Solange como Cunha admitiram que assessores do atual presidente da Câmara ajudaram a elaborar e redigir o documento.
As propriedades digitais do arquivo com o texto do requerimento que estava no site da Câmara, onde aparecia o nome do autor do documento: Eduardo Cunha. Esta notícia levou Cunha a demitir o diretor do Centro de Informática da Casa, Luiz Antonio Souza da Eira. Já ex-diretor, Eira prestou depoimento ao Ministério Público, que teria sido a gota d'água para pedir o mandato de busca e apreensão.
Essa é a notícia, e seria salutar que o Jornal Nacional, depois de narrar os fatos, objetivamente ouvisse a versão de Cunha. Mas o jornal inverteu as bolas. Colocou como protagonista da notícia não o fato, mas a defesa de Cunha, a começar pelo título "Presidente da Câmara classifica busca de documentos desnecessária". O texto sucinto, bastante ameno, foi apenas lido batido pelo apresentador William Bonner, sem infográficos explicativos que contextualizem os fatos, sem imagens da operação de busca, sem declarações de viva voz de Cunha, nem de nenhum membro do Ministério Público. Completamente diferente de como são noticiadas outras ações da Operação Lava Jato quando os alvos foram pessoas ligadas ao PT.
Na prática, o jornal minimizou a notícia e praticamente fez o texto que a assessoria de imprensa do deputado faria. Um vexame jornalístico.
A diferença de tratamento no noticiário para fatos idênticos – e que teriam maior dimensão pelo cargo que Cunha ocupa –, conforme o alinhamento político com os interesses da emissora, demonstra a clara parcialidade do jornalismo. Persegue os "desafetos" que pensam e agem diferente dos interesses da emissora, enquanto protege os "amigos", alinhados com os interesses empresariais, econômicos e de poder.
Cunha tornou-se "amigo" da mídia oligárquica ao declarar-se contrário a qualquer marco regulatório para democratizar as comunicações. Tem colocado em votação a pauta conservadora e reacionária pedida em editoriais do jornal O Globo, como o Projeto de Lei 4.330, da terceirização ilimitada, que precariza os direitos do trabalhador. E promoveu uma sessão solene na Câmara para bajular os 50 anos de fundação da TV Globo, apesar de a emissora ter apoiado a ditadura, que chegou a fechar o Congresso por mais de uma vez. Além disso, volta e meia, tem espezinhado o governo Dilma com uma pauta oposicionista bem ao agrado do jornalismo que a Globo vem praticando.
Não é a primeira vez que o JN protege Cunha de desgastes políticos, minimizando uma notícia desfavorável a ponto de praticamente retratá-lo como vítima acima de qualquer suspeita. Na noite do último dia 28, quando a Folha de S.Paulo publicou o documento citado acima, o telejornal deu vexame semelhante em uma matéria com o título "Cunha nega autoria de requerimento sob suspeita na Operação Lava Jato".
Em entrevista ao programa Fantástico no ano de 2011, a então entrevistadora Patrícia Poeta perguntou à presidenta Dilma Rousseff sobre "toma-lá-dá-cá" nas relações com parlamentares. Talvez encontrasse respostas nas atuais relações fraternas de Eduardo Cunha com a emissora em que trabalhou.


Jornal Nacional atua como assessor de imprensa de Eduardo Cunha — Rede Brasil Atual

CLAUDICANDO: Ricardo Lewandowski: prisões e civilização

domingo, 10 de maio de 2015

Ricardo Lewandowski: prisões e civilização

presos
Há quem defenda que o estágio de civilização de uma nação pode ser medido pela qualidade de suas prisões. A deterioração dos ambientes carcerários e o mínimo investimento em ações sociais para os que ali se encontram reforçam a incitação à criminalidade desses espaços, em que direitos são considerados artigos de luxo e regalias.
A expectativa de transformação das pessoas recolhidas aos presídios do país é certa: contudo, para pior, o que, seguramente, se dará em detrimento de todos nós.
A sociedade é a principal vítima dessa desordem institucional que domina as carceragens do Brasil; locais onde se cultua a multiplicação das violações, das ilegalidades e dos abusos. Ninguém se dá conta de que o Estado perde a legitimidade do direito de punir ao patrocinar essas atrocidades. Admitir-se que a superpopulação dos presídios é algo tolerável também não é cômodo.
Aliás, pouco se pensa no custo do preso para o Estado. Levantamentos indicam que os quase 580 mil presos que ocupam os presídios, ao custo médio mensal de R$ 2.500 por preso, consomem todos os meses mais de R$ 1,4 bilhão. É um gasto excessivo que pouco colabora para “recuperar” essas pessoas.
Outra questão precisa de resposta: quem estamos prendendo? As estatísticas desnudam algo estarrecedor: aproximadamente 42% do contingente de presos que temos não são de condenados definitivos.
Estudos do Ipea sinalizam que 37% desses presos provisórios acabam absolvidos ou recebendo outro tipo de pena, que não a de prisão. Assim, prendemos mal e antecipamos a punição como prática corriqueira de Justiça. E, pior que isso, fazemos ao sabor de um instrumento que sempre foi tido como exceção. Desde a abertura democrática do país, aliás, nunca se prendeu tanto.
Não há mais como suportar esse modelo de administração de Justiça e de tolerância com condições infra-humanas de acautelamento prisional, sem qualquer comprometimento com a tão esperada “ressocialização” dos que experimentam o cárcere e sua aspereza.
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) está em sintonia com essa realidade. Tem buscado, desde o primeiro dia de minha presidência, rediscuti-la com propostas de resultados, disseminando novas formas de funcionamento da Justiça criminal.
As audiências de custódia estão para demonstrar que o contato do juiz com aqueles que são autuados em flagrante faz a diferença na maneira de prender e manter presa uma pessoa provisoriamente.
Números da experiência modelo do projeto que nasceu no CNJ mostram, até agora, que aproximadamente 45% de prisões virtualmente desnecessárias foram evitadas.
O fomento e o incentivo à utilização de medidas cautelares alternativas, tornozeleiras eletrônicas e formas de mediação confirmam que é possível manter em liberdade pessoas que não representam perigo à sociedade, sem comprometer o ideário da segurança ou agravar o sentimento de impunidade.
O projeto “Cidadania nos Presídios”, lançado na semana passada em Brasília, é mais ambicioso. A partir do cultivo de um diálogo entre atores que interagem na execução da pena e na administração das prisões, pensa-se em um conceito de justiça penal mais humana, valorizando a dimensão da pessoa submetida à presença do juiz.
Não haverá paz social para ninguém se não fizermos da dignidade e do respeito a todos, fora ou dentro de presídios, uma forma de atuação valorizada institucionalmente. É hora de avançarmos nesse plano.
RICARDO LEWANDOWSKI, 66, é presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (Folha de S. Paulo)
CLAUDICANDO: Ricardo Lewandowski: prisões e civilização

“A mídia está substituindo o juiz no ato de julgar” | Portal Fórum

Criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira analisa criticamente a atuação da imprensa na cobertura da Operação Lava Jato; segundo ele, há uma relação intrínseca entre as decisões do juiz Sergio Moro e a condução dos jornais na divulgação do caso
Por Patricia Faermann, do Jornal GGN
“Todos os tribunais superiores estão trabalhando em coro com o doutor Moro [juiz que comanda a Lava Jato]. Todos. O Tribunal Regional Federal, o Superior Tribunal de Justiça, e o Supremo trabalhando de acordo com ele”, disse o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do vice-presidente da Camargo Correa, em entrevista exclusiva ao GGN.
Mariz de Oliveira, que se vê como um quixotesco na defesa dos direitos constitucionais, analisa criticamente a atuação da imprensa no caso jurídico sob holofotes. E mais. Para ele, há uma intrínseca relação entre a condução dos jornais para divulgar o caso com a tomada de decisões de Sergio Moro.
O criminalista explica que a mídia tem sido “porta voz da cultura punitiva” que, segundo ele, domina hoje a sociedade brasileira. “De repente surge um caso emblemático, surge um juiz que está sendo o trompetista dessa cultura, ele que espalha essa cultura, a mídia divulga”, afirma, contando que o risco é a propagação, já verificada, dessa linha de julgamento para as demais Cortes, incluindo as instâncias superiores.
Como exemplo, lembrou o Habeas Corpus deferido pela liberdade de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, em dezembro de 2014. “Houve uma liminar deferida para soltar um dos acusados, nós todos pedimos a extensão desse Habeas Corpus, uma vez que a situação era idêntica e o despacho era um só que determinou a prisão. Ele [Teori Zavascki, ministro do STF] soltou um e não soltou os demais”, explicou.
“Essa vinculação [das demais Cortes] com o juiz de primeira instância, se dá de forma muito clara”, alertou Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. “Agora, qual é o papel da mídia nisso?”, questionou, referenciando a omissão da imprensa para alguns episódios da tramitação da Lava Jato.
“A mídia está ajudando, ou até substituindo, um juiz no ato de julgar”, afirmou o criminalista, sem fazer menção direta a Sergio Moro.
“O juiz mais fraco, o juiz preocupado com a sua imagem, que não tem a coragem de enfrentar a opinião pública, ele se deixa levar pela mídia. A influência da mídia hoje é uma das coisas mais preocupantes”, completou.
Ao ser questionado sobre os limites e regulamentações para que não haja excessos por magistrados e juízes, Mariz, com mais de 50 anos de experiência na Justiça disse: “controle nenhum. Ninguém fiscaliza o Judiciário. A pior ditadura é a do Judiciário, muito pior do que a ditadura das armas, porque com ela, você eventualmente pode ter armas e lutar. Contra a ditadura do Judiciário não existe arma”.
Explica que existem meios de reclamar e denunciar, mas “nada que impeça que eles continuem” a praticar abusos.
Somando-se a isso, alertou para o vício de a magistratura utilizar a imprensa como fonte de denúncia e de acusação. Segundo ele, isso preenche um cenário de expectativa da sociedade pela condenação e culpabilização, acima dos direitos individuais. O resultado, explica, é a inversão da lógica de que o ônus da prova é de quem acusa: o acusado tem que provar que é inocente, sem a presunção de que já seria, garantida pela Constituição Federal.
Acordo com empresas para melhorar sistema prisional
Para explicar como as tramitações de todos os réus denunciados no esquema de corrupção da Petrobras estão sob o controle estrito da Justiça Federal do Paraná, guiada por Sergio Moro, Mariz recordou que o posicionamento anterior do Ministério Público Federal era de firmar acordos com as empresas denunciadas, em prol de colaborarem nas investigações, e em troca a punição seria investir no sistema prisional brasileiro.
Entretanto, procuradores do MPF do Paraná, membros da Força Tarefa criada para investigar o caso, interferiram no objetivo.
“Havia um interesse do Procurador-Geral da República [Rodrigo Janot] em fazendo um acordo, que implicasse pagamento substancial de multas, e esse dinheiro fosse revertido para a construção de presídios, pelas próprias empreiteiras, que assumissem o compromisso para melhorar o sistema penitenciário. Soube que esta ideia sofreu uma objeção por parte dos integrantes dos procuradores de Curitiba, que constituem a Força Tarefa. E a partir desta objeção deles, o procurador [Janot] deixou de mexer com isso”, contou.
A explicação encontrada por Mariz de Oliveira foi que “esse acordo não ia dar à sociedade essa satisfação que as prisões dão”.
Assista aqui ao vídeo da íntegra da entrevista.
“A mídia está substituindo o juiz no ato de julgar” | Portal Fórum

Mandato maior para o Supremo é muito mais que uma derrota do PT | Brasil | EL PAÍS Brasil

O GOLPE CONJUNTO DO STF E DO CONGRESSO CONSERVADOR APROVANDO A PÉC DA BENGALA, NÃO AFETARÁ SOMENTE A AUTORIDADE DA PRESIDENTA E O ARCABOUÇO JURÍDICO NACIONAL; ESTÁ DADO O SINAL VERDE PARA A PROPOSTA DE REFORMA PREVIDENCIÁRIA AMPLIANDO A IDADE MÍNIMA PARA APOSENTADORIA AOS 75 ANOS, JOSÉ SERRA JÁ ANUNCIOU PROPOSTA NESSE SENTIDO.



Mandato maior para o Supremo é muito mais que uma derrota do PT | Brasil | EL PAÍS Brasil