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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Paraná: genealogia de um massacre - Carta Maior

05/05/2015 - Copyleft

Paraná: genealogia de um massacre

Por que o governo do Paraná decidiu impor uma repressão tão violenta e desproporcional? O que estava em jogo?


Gilberto Calil

Giuliano Gomes/PRPress
A violenta repressão policial contra professores, estudantes e servidores públicos do estado do Paraná, no dia 29 de abril de 2015, teve repercussão mundial. O massacre perpetrado por um assustador contingente de policiais militares (1) contra 20 mil manifestantes produziu mais de 200 feridos e cenas de selvageria que correram o mundo. Como chegamos a esta situação? O que estava em jogo? Por que o governo do Paraná decidiu impor uma repressão tão violenta e desproporcional?
 
O Governo Beto Richa e o estelionato eleitoral
Carlos Alberto Richa (conhecido como Beto Richa) é governador do estado do Paraná desde janeiro de 2011. Filho de um ex-governador e integrante de uma família tradicional de políticos, Richa é filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) – partido de centro-direita que conduziu a disseminação de políticas neoliberais no Brasil entre 1995 e 2002 e progressivamente vem se situando mais à direita, chegando a participar recentemente de manifestações junto com organizações de extrema-direita e defensores de um golpe militar.
 
Em outubro de 2014 Beto Richa lançou-se à reeleição, reunindo em torno de sua candidatura 17 partidos (2). Em sua campanha eleitoral, anunciou que as finanças do estado do Paraná estavam saneadas, prometeu “melhorar a qualidade do ensino” (3), garantiu que “o melhor está por vir” e que “vai ter dinheiro no caixa, porque nós saneamos as finanças” (4). Com este discurso, venceu a eleição com 55% dos votos válidos. Poucas semanas depois, Richa anunciou que o estado atravessava grave crise financeira e impôs a aprovação de um pacote de aumento das tarifas, reajustando o imposto de circulação de 95 mil produtos e aumentando o imposto sobre licenciamento de veículos em 40% (5).
 
Ao assumir seu segundo mandato, em 1º/1/2015, Richa atrasou o pagamento de compromissos do estado, demitiu 29 mil professores com contratos temporários sem pagar os valores devidos e deixou de pagar o terço de férias de todo o funcionalismo público estadual (6). No início de fevereiro, encaminhou à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) um conjunto de medidas que ficou conhecido como “Pacotão de Maldades”, para revogar direitos estabelecidos na carreira dos servidores públicos e atacar seu fundo previdenciário.
 
O Pacotão de Maldades e a Batalha de Fevereiro
O “Pacotão de Maldades” tornou-se público no dia 4 de fevereiro. Era constituído de um conjunto de 13 medidas, incluindo-se a redução do número de professores nas escolas, do montante de verbas destinadas à Ciência e Tecnologia, do auxílio transporte e das possibilidades de progressão na carreira dos professores (7). Na versão inicial do pacotão, previa ainda a imposição de uma “autonomia financeira” que debilitaria profundamente as universidades estaduais (8).
 
A intenção do governo era que fosse aprovado através de um procedimento peculiar, apelidado de “tratoraço”: de acordo com este procedimento, o plenário da Alep era transformado em “comissão geral” e considerava-se como se ao mesmo tempo estivesse tramitando em todas as comissões e no plenário simultaneamente. Três dias depois, mais de 10 mil professores e funcionários de escolas reunidos em assembleia em um estádio de futebol decidem entrar em greve, sendo seguidos pelos docentes e funcionários das sete universidades estaduais.
 
O ponto central do Pacotão era a Reforma Previdenciária. Por meio dela, o governo pretendia apropriar-se de R$ 8 bilhões do Fundo Previdenciário constituído com a contribuição previdenciária dos servidores estaduais. Com isto, criou insegurança no funcionalismo público em relação à efetivação futura do direito de receber suas aposentadorias, e ainda instituiu um limite para seu recebimento, no valor de R$ 4.600,00.
 
No dia 10 de fevereiro, mais de vinte mil servidores públicos reuniram-se em manifestação de protesto em frente à Alep, e no final da tarde ocuparam o Plenário, impedindo a votação do Pacotão em rito sumário (9). Três dias depois, com o Plenário ainda ocupado e com a presença de milhares de manifestantes em frente à Alep, os deputados da bancada governista (ampla maioria do Parlamento) ingressaram na Alep dentro de um blindado da Polícia de Choque conhecido como “Caveirão”, pretendendo realizar a sessão nas instalações do restaurante da Assembleia (10). O translado dos deputados dentro do “Caveirão” foi objeto de imediata ridicularização e, em um contexto de forte mobilização e revolta popular, os deputados viram-se forçados a aprovar a retirada do projeto. Naquele momento, 90% dos paranaenses apoiavam a greve na educação e 80% manifestavam-se favoráveis à ocupação da Alep (11).
 
No dia 9 de março, depois de 29 dias de greve, os professores e funcionários das escolas encerram a greve, obtendo em troca a retirada de parte dos ataques impostos por Richa e a garantia de que a previdência dos servidores não seria atacada. Na mesma semana, o governo comprometeu-se também com os docentes das universidades em greve a revogar o decreto que instituía uma comissão para elaborar o projeto de “autonomia financeira”, e descartava “a hipótese de extinção do fundo previdenciário”, garantindo que “os recursos do fundo previdenciário serão utilizados exclusivamente para o pagamento de aposentadorias e pensões, garantida a sustentabilidade financeira” (12). Com base neste Termo de Acordo, também nas universidades foi suspensa a greve.
 
A Reforma Previdenciária e a retomada das greves
No entanto, poucos dias depois, o governo Richa descumpriu o acordo e reapresentou a proposta de Reforma Previdenciária, sob novo formato, mas com conteúdo muito semelhante. Ao invés de pretender se apropriar de uma vez dos R$ 8 bilhões, na nova versão da proposta, o governo pretendia apropriar-se dos recursos gradativamente, e através de uma operação engenhosa: a transferência de 33 mil servidores que se aposentaram antes da constituição do Fundo Previdenciário, e que, portanto, deveriam ter suas aposentadorias pagas pelo caixa do governo.
 
Esta transferência (retroativa a janeiro de 2015) – eufemisticamente chamada de “segregação de massas” – causaria um prejuízo de R$ 143 milhões por mês ao Fundo Previdenciário. Até o final do governo Richa seriam mais de R$ 7 bilhões de prejuízo, inviabilizando a sustentabilidade do Fundo Previdenciário.
 
Com esta proposta, o governo claramente descumpria o acordo. Em resposta, as greves que tinham sido suspensas foram retomadas a partir do dia 22 de abril. Desta vez, a greve reuniu professores e funcionários das escolas, docentes e técnicos das universidades, agentes penitenciários e servidores da saúde.
 
A Batalha de Abril
No dia 15 de abril, a Alep aprovou “Regime de Urgência” para a tramitação da Reforma Previdenciária. Com isto, definia-se um calendário que indicava o período entre 27 e 29 de abril como decisivo para a aprovação do projeto. No sábado, dia 25 de abril, foi montada a maior operação policial da história do Paraná, envolvendo 4.500 policiais militares para o cerco da Alep, visando não apenas impedir nova ocupação, mas também intimidar e limitar as manifestações populares.
 
Esta operação envolveu Tropa de Choque, Batalhão de Operações Especiais, cães adestrados (inclusive pitbulls), mas também grandes contingentes policiais militares trazidos de todo o estado – como, por exemplo, o Batalhão de Fronteira, sediado a mais de 700 quilômetros de Curitiba. Por cinco dias, o interior do Paraná permaneceu praticamente desguarnecido de força policial miliar (13)! O caráter intimidatório ficava evidente pela presença ostensiva dos militares já no sábado, quando era sabido que as manifestações se iniciariam apenas na segunda-feira, e também pelas inúmeras barreiras, pela limitação da liberdade de circulação e proibição de acampamento nas proximidades.
 
No dia 27, reuniram-se aproximadamente 5 mil manifestantes, agrupando delegações em sua maioria provenientes de universidades e escolas do interior do estado. O principal momento de tensão deu-se com a proibição de aproximação do caminhão de som na área da manifestação, até que o impasse fosse resolvido com o ingresso de dois caminhões de pequeno porte. Também foram montadas algumas barracas na Praça Nossa Senhora da Salete, nas proximidades da Alep, confrontando a arbitrária e ilegal interdição imposta pelo comando militar. Neste dia, deu-se a primeira votação do projeto, aprovado com 31 votos contra 21.
 
Na madrugada do dia 28, uma violenta operação policial promoveu o rebocamento forçado dos caminhões de som e o deslocamento das grades, reduzindo ainda mais o espaço destinado às manifestações, deixando 8 manifestantes feridos (14). No decorrer do dia, aumentou o contingente de manifestantes, chegando a aproximadamente 8 mil, incluindo-se então maior participação de outras categorias, como agentes penitenciários e servidores da saúde.
 
Por volta das 11 horas da manhã, deu-se um novo ato repressivo, como um ensaio para o massacre que seria perpetrado no dia seguinte. Quando manifestantes acompanhavam a tentativa de reingresso de um dos caminhões de som, foram surpreendidos por violenta repressão, com lançamento de bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta, jatos d’água e o disparo de balas de borracha. O caminhão permaneceu mais distante do que se encontrava no dia anterior, tendo sua chave sido confiscada pelo comando da Polícia Militar.
 
29 de abril: o massacre anunciado se efetiva
Todos estes acontecimentos aumentavam a tensão para o dia 29 de abril, dia decisivo para o qual se previa a votação final do projeto, e também a maior manifestação. Efetivamente, chegou-se a 20 mil manifestantes, com clima de crescente indignação e revolta, o que progressivamente aumentava com a aproximação do início da votação. O presidente da ALEP determinou que a sessão ocorresse a portas fechadas, e uma liminar que possibilitava a presença de 400 pessoas no interior da Alep foi revogada no final da manhã.
 
Por volta das 14h30min, enquanto um helicóptero dava voos rasantes, levantando várias barracas, a movimentação da polícia de choque anunciava a disposição de produzir o massacre. Às 14h50, quando manifestantes tentavam empurrar uma das grades que bloqueava sua aproximação em relação à Alep, iniciou-se uma extraordinária operação repressiva, que durou mais de 2 horas com disparos ininterruptos de balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta, jatos d’água, bombas de efeito moral e utilização de cães. Em poucos minutos, os manifestantes já tinham recuado ao menos 50 metros.
 
Entre a linha de frente da manifestação e os policiais, inúmeros feridos permaneciam caídos no asfalto, sendo impedido seu atendimento. Atiradores postados no alto dos prédios disparavam bombas de gás por toda extensão da Praça Nossa Senhora da Salete, e os disparos frontais de bala de borracha impediam o resgate dos que haviam tombado e multiplicavam o número de feridos. Um deputado estadual foi atacado por um cão pastor alemão, e na sequência um cinegrafista foi alvo de um cão pitbull, e por muito pouco este ataque não atingiu uma região vital (15). A intensidade dos disparos e bombardeios começou a diminuir apenas em torno das 17h. Enquanto isto, dentro da Alep, a bancada governista recusou-se a interromper a votação e aprovou o projeto enquanto prosseguia o massacre, o que foi simbolizado na frase de seu presidente Ademar Traiano: “A bomba não é aqui dentro. Então vamos votar” (16). Mais uma vez, o projeto foi aprovado com 31 votos favoráveis.
 
Não houve “confronto” como afirmaram as manchetes de diversos veículos de comunicação. O que ocorreu no dia 29 de abril foi um massacre minuciosamente planejado, que envolveu extraordinário contingente policial e a utilização de enorme quantidade de bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta, de efeito moral e balas de borracha. O governo anunciou que vinte policiais ficaram feridos, mas desconhece-se a comprovação de um único policial ferido, tendo se tornado motivo de piada as postagens de alguns policiais pintados com tinta cor de rosa como se fosse sangue (17).
 
Da parte dos manifestantes, mais de 200 feridos, alguns em estado grave, grande parte deles atingida por balas de borracha. A enorme repercussão nacional e internacional do massacre, o descrédito das tentativas do governo Richa de atribuir o confronto aos “black blocs” (18), a reafirmação da greve por parte de diversas categorias e a solidariedade de centenas de movimentos e organizações para com os manifestantes massacrados deixam a esperança de que este crime não ficará impune.
 
Uma última observação: a perpetuação deste massacre parece evidenciar que a imposição de contrarreformas neoliberais já não pode se dar através da manipulação e da produção de consenso: não é mais possível neutralizar as crescentes resistências populares sem recorrer à repressão em larga escala, típica de uma democracia de baixa intensidade.
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Gilberto Calil é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Este artigo foi originalmente publicado em língua inglesa no sítio Brasil Wire.
 
Notas:
1)  policiamento responsável pela Segurança Pública no Brasil é subordinado aos governos estaduais e organizado em bases militares.
2) http://www.eleicoes2014.com.br/beto-richa/
3) https://www.youtube.com/watch?v=t7UWRtG6qXw
4) https://www.youtube.com/watch?v=48PfTL3u_KM
5) http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/com-tratoraco-assembleia-aprova-aumento-do-ipva-e-icms-proposto-por-richa-eh7j3ila01874yehh7jx4hcum
6) https://www.youtube.com/watch?v=3w_zLw0VbtM
7) http://pr.ricmais.com.br/dia-a-dia/noticias/novo-pacote-de-medidas-do-governo-do-estado-afeta-funcionalismo-publico/
8) Em virtude de uma negociação com os reitores das sete universidades estaduais, esta medida foi excluída do pacotão, mas em troca o governo pretendia criar uma comissão com a participação dos reitores para elaborar projeto específico de “autonomia financeira”.
9) http://cspconlutas.org.br/2015/02/assembleia-legislativa-do-parana-e-ocupada-por-servidores-publicos-que-lutam-para-barrar-pacote-de-maldades/
10) http://gotropanews.blogspot.com.br/2015/02/em-meio-protestos-deputados-paranaenses.html
11) http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/greve-dos-professores-tem-o-apoio-de-90-dos-paranaenses-c2vttyx33gmztbrf8xhvgx9kh 
12) Informativo 17/2015, disponível em http://adunioeste.net.br/informativos.php?pg=2#page
13) O efetivo policial militar do Paraná é de aproximadamente 15.000 soldados. Portanto, estavam diretamente envolvidos na operação aproximadamente um terço do efetivo total. Cf. http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/parana-tem-um-pm-a-cada-669-pessoas-ax8as3agul4vxb4feq59n5hla
14) http://www.parana-online.com.br/editoria/cidades/news/874661/?noticia=OITO PROFESSORES FICAM FERIDOS EM CONFRONTOS COM PMS NA MADRUGADA
15) http://noticias.terra.com.br/brasil/cinegrafista-atacado-por-cao-da-pm-diz-que-escapou-da-morte-por-3-cm,9b425da47bffee6ff3b71b4d0ad97408wwv3RCRD.html
16) http://blogdoraoni.com.br/a-bomba-nao-e-aqui-dentro-entao-vamos-votar-diz-deputado-traiano-2/
17) http://www.buzzfeed.com/alexandreorrico/policiais-feridos-por-tinta-rosa#.cyWdPjayka
18) http://www.bandab.com.br/jornalismo/beto-richa-defende-acao-da-pm-e-culpa-black-blocks-por-confronto/
 

Créditos da foto: Giuliano Gomes/PRPress
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Opinião: A democracia no estado de São Paulo está em risco | Portal Fórum

Para presidenta da Apeoesp, governo Alckmin partidariza o movimento grevista. “A greve dos professores não faz parte de uma disputa partidária, mas é uma forma de luta legítima e legal para a conquista de nossas reivindicações”, defende
Por Maria Izabel Azevedo Noronha, presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp)
A greve dos professores estaduais fez novamente vir à tona a vocação truculenta e autoritária do Governo do Estado de São Paulo, por vezes disfarçada com o auxílio de parte dos meios de comunicação.
O Governador, o Secretário da Educação e outros membros do Governo insistem em tentar desqualificar o movimento, ora dizendo ser a greve inexistente, ora classificando-a de “inoportuna”, “intempestiva” ou “partidária”.
Quem partidariza a greve?
Quem partidariza a greve é o Governo Estadual, que aplica o projeto político do PSDB e pretende criminalizar todos aqueles que pensam de forma diferente. A greve dos professores não faz parte de uma disputa partidária, mas é uma forma de luta legítima e legal para a conquista de nossas reivindicações.
Acordão do Supremo Tribunal Federal já estabeleceu um entendimento sobre a legalidade da greve no serviço público. Parecer emitido pela Consultoria da Secretaria Estadual da Educação, em resposta a consulta formulada pela Chefia de Gabinete da Pasta, acompanha esse entendimento. Desta forma, são inaceitáveis e autoritárias as medidas coercitivas tomadas pelo Secretário da Educação contra a greve.
O autoritarismo está enraizado no Governo do Estado
Logo nos primeiros dias da greve, a SEE proibiu a entrada dos comandos nas escolas para conversar com os professores. A APEOESP ingressou com ação judicial para que fosse assegurada a liberdade dos professores dialogarem nas unidades escolares sobre o movimento, obtendo liminar. O Governo Estadual, denotando sua dificuldade em conviver com a democracia e com o livre debate de ideias, recorreu da decisão e conseguiu derrubar a liminar. O sindicato também recorreu e o julgamento da causa ocorrerá no dia 13 de maio no Tribunal de Justiça, mesma data da reunião da APEOESP com o Secretário da Educação.
Embora se considere que não existe mais a “lei da mordaça” no estado de São Paulo, na prática ela vem sendo praticada pelo Governo Estadual, mediante a proibição – velada ou não – de que se converse sobre a greve nas escolas e, também, que professores e professoras deem declarações à imprensa sobre essa questão.
Outra medida autoritária deste Governo foi o corte do ponto e consequente desconto dos dias parados. Já houve o desconto dos dias de greve do mês de março, mas a greve segue forte e tem apoio social.
A APEOESP havia ingressando, ainda em março, com uma ação para que não houvesse descontos, não tendo obtido liminar. A partir de novos argumentos, ingressou com outra ação no final de abril, que foi remetida ao Ministério Público para análise.
No afã de tentar ludibriar a opinião pública, a Secretaria da Educação encaminhou à imprensa nota na qual reproduz a decisão judicial de abril de uma forma tal que induziu alguns jornalistas a considerar que se tratava de decisão sobre a mais recente ação da APEOESP. Um procedimento antiético que não deveria ser adotado por nenhuma instância de governo.
O Governo não está nem aí para os direitos de professores e estudantes
O Governo do Estado de São Paulo continua fugindo da negociação e se recusa a apresentar propostas aos professores em greve. Entretanto, terá que se posicionar diante do Tribunal de Justiça no dia 5 de maio, às 15 horas, quando haverá audiência de conciliação marcada por nossa solicitação.
O comportamento do Governador Alckmin muitas vezes lembra o General Pinochet, baixando medidas sem considerar os prejuízos que causa à sociedade. Como no caso da determinação para que as escolas atribuam notas aos alunos cujos professores estão em greve, independentemente de seu aprendizado.
A APEOESP recorreu ao Ministério Público contra essa medida, que retira o caráter pedagógico da avaliação, reduzindo-a a um ato administrativo e burocrático, no seu pior sentido. O que o Governo faz é retirar do aluno o direito de aprender, punindo-os, talvez pelo apoio que prestam à luta de seus professores.
Dizendo defender os direitos dos estudantes, a Secretaria da Educação os prejudica, enquanto nós, professores, nos comprometemos a repor os conteúdos não ministrados durante a greve, mediante negociação. O Governo Estadual não quer a reposição das aulas; não está preocupado para os direitos dos estudantes.
Ato de desagravo
Existem muitas formas de truculência. A truculência policial no Paraná e a sistemática truculência do Governo de São Paulo e de outros estados contra os professores. Por isso, realizaremos no dia 7 de maio, quinta-feira, a partir de 13h30, na Praça da Sé um Ato de Desagravo aos Professores em Greve. Convidamos toda a sociedade, pois a democracia no estado de São Paulo está em risco.
Foto: Inácio Teixeira/ Coperphoto/ Apeoesp

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Penalista mais respeitado da América Latina critica as delações premiadas


Martín Granovsky, Carta Maior
Sua casa, no bairro de Flores, setor de classe média, tranquilo, a meia hora do centro de Buenos Aires, parece uma velha casona da Toscana. Sua mesa de trabalho fica no meio de uma sala enorme. Tem as dimensões de uma biblioteca pública. Perto das estantes, pode-se ver belas peças de artesanato latino-americanas, como um retábulo peruano de Ayacucho. Sobre essa mesa, ao lado do computador, uma pilha de livros de Direito, muitos deles em alemão, sobre a tipologia dos delitos políticos e econômicos, ou sobre o nazismo. Raúl Zaffaroni completou 75 anos no passado dia 7 de janeiro. Ao assumir como juiz da Corte Suprema da Argentina, em 2003, indicado pelo presidente Néstor Kirchner, prometeu se aposentar quando alcançasse essa idade. Honrou sua promessa. Mas Zaffaroni, um dos penalistas de maior prestígio no mundo, não se distanciou do mundo. Viaja, escreve, dá palestras, recebe doutorados honoris causa, estuda, dá aulas em universidades públicas da Grande Buenos Aires. Também participa da discussão pública sobre os acontecimentos argentinos e latino-americanos. Nesta entrevista para Carta Maior ele demonstra seu vigor intacto, respondendo perguntas dos jornalistas e inquietudes levantadas por importantes juristas do Brasil.
Tarso Genro, ex-ministro da Justiça no governo de Lula e ex-governador do Rio Grande do Sul, pergunta o que acontece com o Estado de Direito quando a grande imprensa influi tanto no processo penal, como vem sucedendo ultimamente.
Penso que a invenção da realidade por parte dos meios de comunicação, especialmente os televisivos, está afetando a base do Estado de Direito. E cria um perigo grave para a sua sobrevivência.
Transmito a você uma pergunta do professor da UERJ Juarez Estevam Xavier Tavares. Que medidas podem ser tomadas para diminuir a irracionalidade do poder punitivo e evitar a destruição do Estado de Direito?
A primeira medida teme que ser a proibição constitucional dos monopólios ou oligopólios televisivos. Sem pluralidade midiática não podemos ter democracia. O que os meios monopólios ou oligopólios estão fazendo na América Latina é trágico. Nos países onde existem altos níveis de violência letal, eles a naturalizam. Sua proposta se reduz a atentar contra as garantias individuais. Nos países onde a letalidade é baixa, eles buscam exacerbá-la. Clamam pela criação de um aparato punitivo altamente repressivo e, definitivamente, também letal.
É a vez do professor da USP Alysson Leandro Mascaro. Os meios de comunicação de massa cada vez mais formam e moldam perspectivas da compreensão do jurista. Em face disso, qual sua leitura sobre o horizonte ideológico do jurista hoje? O mesmo do capital e dos grandes meios de comunicação de massa? Qual sua percepção da ideologia como constituinte do afazer do jurista na atualidade?
Não tenho a menor dúvida de que a Televisa, no México, ou a Rede Globo, no Brasil, entre outros exemplos, são conglomerados, formam parte indissociável do capital financeiro transnacional. Logo, também são parte desse modelo de sociedade, que é uma sociedade com uns 30% de incluídos e 70% de excluídos. Um modelo de sociedade excludente. Daí nasce uma necessidade, querem moldar um jurista que se mantenha nessa lógica formal e não perceba que está legitimando um processo de genocídio a conta-gotas. Temos esse tipo de genocídio, em grande parte da América Latina, em circunstância em que o Estado já não é mais o que mata, senão o que fomenta a violência letal entre esses 70% que o modelo quer excluir. Não nos esqueçamos que dos 23 países que superam a taxa anual de 20 homicídios a cada 100 mil habitantes 18 são da América Latina e do Caribe, os outros cinco são africanos. Tampouco esqueçamos que também somos campeões de coeficientes de Gini, ou seja, má distribuição da renda. Esse é o modelo de sociedade que os meios massivos concentrados querem reafirmar. O pior que pode acontecer na América Latina é continuar assimilando assepticamente as teorias importadas como se não tivessem conteúdo político, e nos perdermos nas doutrinas vinculadas a teorias presas a meros planteamentos normativistas. Se, ideologicamente, a doutrina jurídica latino-americana não evolui em direção ao realismo, lamentavelmente não fará nenhum favor nem ao Estado de Direito nem às nossas democracias.
Agora quem pergunta é o presidente do Movimento do Ministério Público Democrático, Roberto Livianu. Qual a importância dos acordos de leniência para o controle da corrupção e qual a importância da intervenção do Ministério Público fiscalizando a celebração desses acordos?
Pessoalmente, acho que a delação premiada é perigosa em qualquer caso. Especialmente em casos de corrupção. Hoje, na Alemanha, estão tentando elaborar um novo conceito de crime político-econômico para os piores casos de destruição econômica. Por exemplo, para as terríveis crises bancárias que determinaram que os Estados Unidos tivessem que gastar 500 bilhões de dólares e a Europa 460 bilhões de euros para salvar um sistema financeiro havia provocado, grosseiramente, sua própria ruína, diante da indiferença dos órgãos de controle bancário. Não acredito que, em casos assim, se possa aplicar, nem minimamente, um acordo no estilo da delação premiada. O mais trágico nesses casos é depender da boa vontade dos próprios delinquentes, que ofereçam suas informações para se chegar às soluções. Há um livro muito interessante sobre o tema, do professor Wolfgang Naucke, que se refere a algo que merece uma reflexão: o título é O Conceito de Delito Político-econômico.
Quem pergunta agora é o presidente da Associação Brasileira dos Juízes pela Democracia, André Augusto Bezerra. Do ponto de vista da estrutura interna do Judiciário, há alguma peculiaridade do sistema de justiça argentino que o tornou mais sensível às violações aos Direitos Humanos da época da ditadura do que o sistema de justiça brasileiro?
Não vejo uma diferença notória, em termos de estrutura interna, de cada Judiciário. A política argentina para casos de direitos humanos avançou por iniciativa dos poderes Executivo e Legislativo. Num primeiro momento, ela chocou com algumas resistências dentro do Poder Judiciário.
Depois dos juristas, a pergunta do jornalista. É possível comparar a Operação Lava Jato, no Brasil atual, com a Operação Mãos Limpas, na Itália dos Anos 90, quando os juízes começaram a descobrir os grandes subornos nas obras públicas?
Não acho que a Mãos Limpas tenha a ver com a Lava Jato. A Mãos Limpas não foi uma tentativa de golpe de Estado. Não nos esqueçamos que, se analisamos todos os golpes de Estado militares que aconteceram na região, eles se agarraram em duas bandeiras para se legitimar. Uma era a de supostamente descontrolada criminalidade. Outra era a da corrupção. Lamentavelmente, o que verificamos, no final de um século de tristes experiências, é que os maiores casos de corrupção tiveram lugar sob amparo das forças reacionárias. Ao dizer isso, não nego que em tal administração possa haver personagens corruptos que devem ser punidos. Digo que em nenhum caso pode ser um pretexto para que se legitime a desestabilização democrática. A magnificação de casos individuais de corrupção através dos meios massivos de comunicação é um velho recurso golpista, que conhecemos por tristes experiências. Em definitivo, não é mais que o uso de formas estruturais de corrupção para desarmar o potencial produtivo e as relações econômicas das nossas sociedades.
No Brasil, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, pretende alterar o Código Penal, para colocar na prisão os réus condenados em primeira instância, independentemente dos recursos para instâncias superiores, ou seja, é quase um tribunal de exceção.
Na América Latina, mais de 60% da população carcerária chegou à prisão sem ser condenado em nenhuma instância. Ou seja, estão presos só como medida cautelar, em forma de prisão preventiva. É uma realidade que já é estrutural, se arrasta ao longo de anos e que implica numa inversão do sistema penal. Primeiro alguém é detido, depois é condenado, a pena vem antes da condenação.
Penalista mais respeitado da América Latina critica as delações premiadas

O PENSADOR DA ALDEIA: O que era o Brasil antes do PT no governo federal?...

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Professores do Paraná lotam estádio e decidem manter greve

O QUE VEM ACONTECENDO NOS DIAS DE HOJE NO CONSERVADOR PARANÁ É DEMAIS INTRIGANTE. ATÉ ALGUNS DIAS ATRÁS, ESTAVA SE DESTACANDO POR SER O LUGAR DE ONDE PODERIA SAIR O TÃO ALMEJADO GOLPE CONTRA O GOVERNO PETISTA. COM ESTREITA COLABORAÇÃO DA PF, MP, PSDB, IMPRENSA, O JUIZ SÉRGIO MORO NA PROMOÇÃO DE UMA INVESTIGAÇÃO PARA LÁ DE ESCABROSA EM SEUS MÉTODOS E OBJETIVOS, A LAVA JATO. FOI DE LÁ TAMBÉM QUE INICIOU-SE  O APAGÃO QUE AFETOU O CENTRO SUL DO PAÍS NO ANO ELEITORAL PASSADO, O GOVERNADOR REELEITO, BETO RICHA (PSDB), GOZAVA DE RELATIVO CONFORTO NO COMANDO DO ESTADO., COMO TODO TUCANO QUE SE PREZE, CONTANDO SEMPRE COM BLINDAGEM DE MÍDIA, CUMPLICIDADE DO JUDICIÁRIO E NO SEU CASO, COM AMPLO APOIO PARLAMENTAR, PARTIU PARA A OFENSIVA CONTRA OS SERVIDORES DO ESTADO E ENTRE ELES, OS PROFESSORES, QUE REAGIRAM PRONTAMENTE,  SE ANTES GRITAVAM DILMA, AGORA É FORA RICHA.



Redação Pragmatismo
EDUCAÇÃO05/MAY/2015 ÀS 18:50
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Professores do Paraná lotam estádio e decidem manter greve

Professores do Paraná aprovam continuidade da greve em assembleia que reuniu cerca de 15 mil docentes. Além do repúdio ao ParanáPrevidência, professores reivindicam reajuste de 13,1% retroativo à data-base, a realização de concurso público e melhores condições de trabalho

professores greve paraná
Professores do Paraná decidiram se manter em greve (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Agência Estado)
Reunidos em assembleia nesta terça-feira (5), os professores estaduais do Paraná decidiram pela manutenção da greve contra o projeto de lei que altera a ParanáPrevidência, fundo previdenciário dos servidores públicos paranaenses. A assembleia contou com cerca de 15 mil professores no estádio Vila Capanema.
Mais cedo, 25 mil docentes e servidores de diversas categorias, segundo a Guarda Municipal, se concentraram em frente à Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) e saíram em caminhada em direção ao estádio na Vila Capanema.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP) disse durante a assembleia que irá lutar pela anulação da sessão na Assembleia Legislativa (Alep) que aprovou o projeto de lei. A proposta foi transformada em lei pelo governador Beto Richa (PSDB) no dia 30 de maio, um dia após a violenta repressão da Polícia Militar contra os professores em frente à Alep.
Com a aprovação do projeto, o Estado deixa de colocar 142 milhões de reais por mês na ParanáPrevidência, valor que serviria para custear 33 mil aposentadorias. A proposta estabelece ainda que os atuais servidores públicos paguem as contribuições para a aposentadoria desses 33 mil, que antes era de responsabilidade do Estado.
Os professores também reivindicam reajuste de 13,1% retroativo à data-base, a realização de concurso público e melhores condições de trabalho.
Violência no 29 de abril
Durante a votação da matéria (ParanáPrevidência) na Assembleia Legislativa, na última quarta-feira (29), a Polícia Militar reprimiu protesto da categoria, com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e cães. Centenas ficaram feridos.
com EBC
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Centenário da seca de 1915 no Ceará

Essa matéria foi publicada na Edição 478 do Jornal Inverta, em 30/04/2015

Centenário da seca de 1915 no Ceará
Foto da seca de 1915 no Ceará mostra os flagelados.
Neste ano completa-se um século da mais traumática seca que castigou o Ceará, a seca de 1915. As marcas dessa seca foram muito profundas em todo o estado, permanecendo até hoje no imaginário popular.
Apesar do cenário de 100 anos atrás parecer diferente, as contradições sociais que geraram essa tragédia continuam as mesmas.
O que diferencia 1915 de outras secas é que naquele ano o governo do Ceará encontrou uma “solução final” e construiu um campo de concentração no Alagadiço, zona oeste de Fortaleza, para conter os milhares de sertanejos que vinham de todas as regiões.
Estima-se que por lá passaram cerca de oito mil “mulambentos”, forma depreciativa como eram chamados. A fuga desesperada desses sertanejos nos períodos de grande estiagem era encontrar condições de vida melhor, com trabalho e dignidade, migrando para os grandes centros.
Fortaleza, como outras cidades brasileiras, passou por um amplo processo de reordenamento urbano e social impulsionado pelo crescimento econômico vivido entre o final do século XIX e início do XX – período da Belle Epóque fortalezense.
Assim, a iniciativa do governo de construir os campos de concentração foi louvada pela alta sociedade, horrorizada com os sertanejos maltrapilhos e enfermos pela fome em praças e locais públicos da cidade. Na prática, os campos de concentração foram tão dramáticos quanto a própria seca.
Este é o cenário de terror provocado não só pelo fenômeno climático da seca, mas também pela ausência de políticas públicas efetivas e, principalmente, o impacto das contradições sociais gerado entre a recém-formada burguesia e uma imensidão de sertanejos pobres.

Além da tragédia da grande seca de 1915, como se não bastasse, dezessete anos depois do desastre do Campo de Concentração do Alagadiço, em 1932, o governo com apoio federal do Estado Novo “aprimorou” a experiência e desta vez não só na capital, mas também em outras sete cidades do interior.
Em uma sociedade de classes injusta, períodos de grande estiagem atingem diretamente o agricultor pobre que depende do próprio cultivo diário para sobreviver. O Ceará possui 92% de seu território inserido no semiárido, sendo uma área de vulnerabilidade.
Esse elemento aprofunda as questões sociais e econômicas, gerando cada vez mais um fosso entre ricos e pobres. Esse quadro ficou cada vez mais explícito quando o Estado entrou no modo de produção capitalista.
Em meados do século XIX, Europa e EUA estavam em plena Revolução Industrial. O avanço da indústria têxtil no mercado internacional gerou uma demanda crescente de algodão e foi aí que o Ceará transformou-se em um polo exportador de algodão.
Data-se dessa época a construção do porto do Mucuripe e outras províncias também passaram a escoar sua produção por lá, dando início ao crescimento econômico de Fortaleza, a concentração de riquezas a partir da integração do Ceará na divisão internacional do trabalho como exportador de algodão.
Nascia uma elite econômica e política na capital. A euforia dominava a jovem burguesia cearense no final do século passado e foram inaugurados a iluminação pública e calçamento.
No início do século XX, teve início a operação de cabo submarino do sistema telefônico e telégrafo e dos serviços postais. A cidade passou então por um período de prosperidade. Começaram a funcionar os primeiros cursos superiores - Direito, Farmácia, Odontologia e Agronomia.
Também nesse período foram inaugurados o primeiro cinema (1910) e o Theatro José de Alencar (1910).
A primeira grande seca que explode nesta “eufórica” Fortaleza é em 1877, demonstrando um grandioso problema social. A cidade é ocupada por sertanejos em número quase quatro vezes maior que a população.
É nesta seca que o desenvolvimento do capitalismo se defronta pela primeira vez com o fenômeno. Os saques eram constantes, a polícia era convocada para intervir nos tumultos.
As ruas da cidade de repente ficaram cheias de pedintes e doentes.
Rodolfo Teófilo, farmacêutico e escritor, publicou no livro A Fome o relato de Fortaleza no final do século XIX, o prelúdio do desastre ainda maior em 1915: “A peste e a fome matam mais de 400 por dia! O que te afirmo é que, durante o tempo em que estive parado em uma esquina, vi passar 20 cadáveres: e como seguem para a vala! (...) E as crianças que morrem, como são conduzidas! Pela manhã, os encarregados de sepultá-las vão recolhendo-as em um grande saco; e, ensacados os cadáveres, é atado aquele sudário de grossa estopa a um pau e conduzido para a sepultura”.
O dia 10 de dezembro de 1878 ficou conhecido na história do Ceará como “Dia dos Mil Mortos”, quando o antigo cemitério do Lazareto da Lagoa Funda, a noroeste de Fortaleza, recebeu 1004 cadáveres.
Alguns anos depois o cemitério foi fechado em razão do alto índice de impregnação infecciosa que ameaçava a saúde pública.

Campo de concentração do Alagadiço

No inicio de 1915, Fortaleza recebeu assustadoramente um número quatro vezes maior que a população existente, provocando epidemias, crimes, assassinatos, suicídios, saques, loucuras e, segundo alguns historiadores, até mesmo antropofagia por causa da fome.
Os sertanejos que não tinham mais local pra se instalarem, se amontoavam nas ruas da cidade, ocupavam as calçadas e 3 mil pessoas se abrigavam no Passeio Público, até então área nobre de sociabilidade da elite na Belle Epóque fortalezense. Muitas vezes a força policial foi empregada para conter a realidade que incomodava o ideal burguês.
A seca de 1915 acontece justamente em meio ao processo de inserção da cidade na economia capitalista.
Assim, o então presidente (governador) do estado, Benjamin Liberato Barroso, pressionado pela elite local, propôs construir um campo para concentrar refugiados e necessitados em um único local dentro da capital, em desesperada fuga, e “facilitar” o “socorro”.
O terreno era quase 500 metros quadrados no Alagadiço, onde hoje compreende os bairros São Gerardo e Otávio Bonfim. As casas eram pequenas e apinhadas uma as outras, construídas com placas de zinco.
Em pouco tempo, o número de sertanejos cresceu muito e o governo não pode manter em boas condições de alimentação e higiene.
A situação se agravou quando chegaram as chuvas de setembro e outubro - as chuvas do caju - somando todo o tipo de descaso, de tal forma que em dezembro já apresentava incontáveis mortes.
Os cadáveres empilhavam-se à espera de transporte, ao longo da linha de bonde que passava ao lado do campo.
A política de Estado de segregação dos sertanejos chegou em uma média de 150 mortes diárias.  O governo então traçou uma nova estratégia contra a situação que só piorava e passou a oferecer passagens para outros estados aos sertanejos, primeiramente à região Amazônica, trabalhar nos seringais.
A propaganda inicialmente adotada pelo governo, igreja e jornais da época estimulava a migração fazendo falso apelo ao orgulho pessoal dessas pessoas, enquanto na verdade a elite se livraria do “estorvo”.
Quem “se entregava” e padecia do flagelo da seca nos campos de concentração eram os flagelados; quem “superava as dificuldades” e se retirava do estado para buscar melhores condições de vida eram os retirantes.
Foi o início da saga de enormes contingentes de retirantes em todas as regiões do Brasil no século XIX. O campo de concentração do Alagadiço foi desativado em 18 de dezembro de 1915.

Os currais do governo em 1932

Em 1932, outra grande estiagem iria devastar o semiárido nordestino e resgatou-se o projeto de 1915. O interventor do Estado Novo, governador Roberto Carneiro de Mendonça, atendia aos interesses da elite econômica e coronelista que deu apoio ao movimento que conduziu Getúlio Vargas ao governo em 1930.
Mas agora, os campos de concentração tinham apelo nacionalista e o projeto contava com o apoio maior de governantes, técnicos e jornalistas.
Desta vez, o governo instala novos campos de concentração, cercados por arames farpados e vigiados por soldados que detinham aqueles que tentavam fugir.
As estatísticas oficiais apontam quase 84 mil distribuídos entre Senador Pompeu (Patu), Ipu, Quixeramobim, Cariús(São Mateus), Crato (Buriti, o maior, com 65.000 pessoas), além do já conhecido campo do Alagadiço (bairro Otávio Bonfim) e o novo campo a noroeste da capital, o Campo do Urubu (Pirambu).
Os flagelados confinados nestes campos ficavam em condições desumanas e resultou em inúmeras mortes. Registros oficiais contabilizam mais de 60 mil cearenses mortos nesses campos.
Nessa época tornou-se conhecido o termo indústria da seca: as oligarquias econômicas e políticas da região que usavam recursos do governo em benefício próprio, com o pretexto de combater as mazelas do fenômeno climático.
Em 1933, as chuvas voltaram a cair e os campos foram desativados. Os sobreviventes deveriam ser encaminhados de volta aos locais de origem. Nem todos, porém, retornaram. Em Fortaleza a maioria permaneceu, originando as comunidades de Moura Brasil e Pirambu.
Outras secas atingiriam o Nordeste nas décadas seguintes. A mais abrangente delas teve início em 1979 e durou quase cinco anos. Fome e saques se espalharam pela região.  Dados oficiais indicam que morreram 3,5 milhões de pessoas por conta das pestes e desnutrição.
A seca é um fenômeno climático, mas o desastre é um problema político. Os campos de concentração, tendo 1915 como partida, levou a que muitos sertanejos morressem mais em função do confinamento e isolamento do que pela seca em si.
Essa tragédia até hoje insiste em permanecer na memória do homem do sertão, apesar de não ser matéria que se veja nas escolas. Na verdade, o silêncio é dirigido, pois os avós das oligarquias tradicionais, na política, jornais e setores da igreja foram coniventes com a tragédia.
O silêncio dos que estão hoje encobre a luta do pobre por dignidade e a violência contra ele praticada. Quinze por quinze, o que realmente mudou?


José Carapinima
inverta.org/jornal/edicao-impressa/edicao-478/especial/centenario-da-seca-de-1915-no-ceara

G1 - Professores de Brasília fazem ato em apoio a docentes do Paraná - notícias em Distrito Federal

DO PONTO DE VISTA DO MOVIMENTO SINDICAL DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO BRASILEIROS, É CERTO QUE CRESCE A CONSCIÊNCIA DO CARÁTER NACIONAL DA CATEGORIA E DE QUE SUAS DEMANDAS EXIGEM SOLUÇÕES IGUALMENTE.

05/05/2015 13h56 - Atualizado em 05/05/2015 13h56

Professores de Brasília fazem ato em apoio a docentes do Paraná

Manifestação aconteceu em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Além de apoiar professores do PR, sindicato protestava contra censura.

Do G1 DF
Professores da rede pública fazem manifestação em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal (Foto: Gabriela Berrogain/G1)Professores da rede pública fazem manifestação em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal (Foto: Gabriela Berrogain/G1)
Professores da rede pública de educação do Distrito Federal fizeram uma manifestação em  apoio aos professores do Paraná nesta terça-feira (5) em frente à Câmara Legislativa. Os alunos foram liberados mais cedo. Atos de apoio aos docentes do Paraná ocorreram em  várias cidades do país.
Segundo o sindicato dos professores, a manifestação reuniu mil pessoas. A Polícia Militar calculou em 300 o número de manifestantes. Os manifestantes usavam camisas pretas com frases como "a educação não se calará em defesa da democracia" na frente e "todos juntos contra a truculência, a censura e a mordaça" atrás.
O protesto contra a censura era uma referência à circular que veda aos servidores e gestores repassar à imprensa informações sem autorização. Os manifestantes também protestavam contra projeto de lei que, segundo o sindicato, limita os conteúdos e a forma de ensino dos educadores. O grupo pedia ainda a aprovação do plano distrital de educação que tramita na Câmara Legislativa.

"Como educadora, o recado mais importante é a luta dos professores contra os ataques à democracia. Temos um papel fundamental para os alunos, repassamos a dimensão de respeito. Queremos que a população assuma nossas bandeiras também", disse a diretora do Sinpro, Rosilene Correa.
Paraná
No dia 29 de abril a Polícia Militar entrou em confronto com professores da rede pública do Paraná que protestavam contra o projeto de lei que promove mudanças no custeio do Regime Próprio da Previdência Social dos servidores estaduais.
Segundo a prefeitura de Curitiba, 213 pessoas e 20 policiais ficaram feridos em mais de duas horas em conflito, que teve o uso de bombas e balas de borracha.
Professores da rede pública estendem bandeira do Brasil durante manifestação em Brasília (Foto: Gabriela Berrogain/G1)Professores da rede pública estendem bandeira do Brasil durante manifestação em Brasília (Foto: Gabriela Berrogain/G1)


G1 - Professores de Brasília fazem ato em apoio a docentes do Paraná - notícias em Distrito Federal

Careca reaparece e confirma delação forçada | Brasil 24/7

SE OS DELATADOS FOSSEM DO PT...CERTAMENTE NÃO HAVERIAM CERTAS CONSIDERAÇÕES.



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Petrobras. Tecnologias pioneiras do Pré-Sal

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