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sexta-feira, 20 de março de 2015

Uma vítima da “luta contra a corrupção”?

Uma vítima da “luta contra a corrupção”?

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Casco da sonda "Urca", a primeira das 29 que a Sete montaria no Brasil. Parlamentares aproveitam-se das denúncias de corrupção para inviabilizar políticas que desenvolveriam tecnologia no país
Casco da sonda “Urca”, a primeira das 29 que a Sete montaria para a Petrobras. Parlamentares aproveitam-se das denúncias de corrupção para inviabilizar políticas que desenvolveriam tecnologia no país
Possível desmonte da Sete, empresa que construiria sondas marítimas no Brasil, revela: governo está paralisado, mas país não pode continuar sem projeto estratégico
André Garcez Ghirardi
1. Aniversário
Há um ano, em 17 de março, foi desencadeada uma operação da Polícia Federal. O objetivo inicial era investigar um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 10 bilhões. O dinheiro em espécie era fornecido por um posto de gasolina em Brasília. Daí o nome: Lava-Jato. Para surpresa geral, as investigações revelaram muito mais que lavagem de dinheiro. Desvendaram um complexo esquema de propinas na contratação de empreiteiras pela Petrobras. Um esquema que envolveria também contribuições para campanhas eleitorais. Até agora, a operação policial resultou na prisão de três ex-diretores da Petrobras, e da cúpula gerencial de seis das maiores empreiteiras brasileiras. Resultou também na abertura de inquérito sobre 49 parlamentares de todos os grandes partidos políticos.
Além das perdas de patrimônio e reputação, pode haver uma perda estratégica para o país. As denúncias da Lava-Jato ameaçam inviabilizar a maior iniciativa da política de conteúdo local no setor petróleo: a Sete Brasil, uma empresa recém-criada para construir navios-sonda. Se concretizada essa ameaça, haverá uma perda para a capacitação técnica da indústria nacional. Haverá também perda de centenas de milhares de empregos no setor de construção naval, agravando ainda mais a situação crítica em que se encontra a economia brasileira.
2. Conteúdo local
Conteúdo local significa a parcela de bens e serviços nacionais usados numa atividade de produção realizada no Brasil. No caso da produção de petróleo e gás natural, o aumento do conteúdo local é uma importante condição que o Brasil se propôs alcançar desde a reforma do setor, em 1997. É claro que essa busca foi ainda mais estimulada pela descoberta do pré-sal em 2007, e pela perspectiva de que o Brasil se torne um grande exportador de petróleo.
TEXTO-MEIO
A exigência de um percentual de conteúdo local é uma estratégia secular dos estados nacionais para desenvolver conhecimento técnico próprio, expandir a atividade das empresas do país e também para preservar ou ampliar o mercado interno de trabalho. Consiste em definir, para um setor escolhido (no caso, petróleo e gás), a parcela mínima de mão-de-obra e de componentes locais que as empresas operadoras devem utilizar na produção. Com isso, o país se apropria de conhecimento técnico e espaço no mercado, porque as empresas nacionais têm oportunidade para expandir atividade num ramo em que já operam, ou para adquirir conhecimento técnico em novos ramos de atividade. Na medida em que qualifica as empresas nacionais, a política de conteúdo local é uma forma de combater a “doença holandesa”, isto é, a desindustrialização causada pelo excesso de exportação de um bem primário, no caso, petróleo. Essa estratégia favorece também a criação de novos postos de trabalho no Brasil, com efeitos benéficos gerais para o nível de emprego e renda.
A exigência de conteúdo local nos investimentos para produção de petróleo é definida nos editais de licitação das áreas exploratórias. Seu controle é atribuição legal da Agência nacional de Petróleo (ANP)1. Cláusulas de conteúdo local existem desde a primeira rodada de licitações no Brasil, em 1999. Nos quatro leilões ocorridos entre 1999 e 2002, a parcela de conteúdo local era definida pelos próprios concorrentes, como parte de suas ofertas para adquirir os blocos exploratórios. A oferta de conteúdo local era um dos critérios de classificação. Para as rodadas de 2003 e 2004, foram fixadas parcelas mínimas de conteúdo local conforme o bloco disputado estivesse em terra ou no mar. A partir de 2007, foram fixados limites mínimos e máximos específicos para cada etapa de trabalho. Essas regras permanecem em vigor.
3. Navios-Sonda
Sondas marítimas são navios com equipamentos para perfurar poços para exploração e produção de petróleo no mar. As sondas são equipamentos de grande porte (embarcações de alto mar), tecnicamente sofisticados e, por isso, muito caros: o preço de cada uma é da ordem de 700 milhões de dólares (equivalente ao valor de sete aviões Boeing 737, do tipo usado para voos domésticos no Brasil). Ao perfurar poços no mar, a Petrobras usa algumas sondas próprias e outras alugadas (afretadas). Isso porque o uso de sondas varia muito conforme o investimento em produção e, caso a Petrobras usasse somente sondas próprias, haveria uma sobrecarga de investimento, além do risco de períodos ociosos desse equipamento tão caro. Por esse motivo, são muito usadas sondas afretadas. Ao final de 2013, por exemplo, a Petrobras usava 61 sondas alugadas e sete sondas próprias2.
Tanto as sondas próprias quanto as afretadas são contratadas pela Petrobras no exterior, isto é, têm baixo ou nenhum conteúdo local brasileiro. Os estaleiros brasileiros não produzem navios-sonda, embora tenham experiência na produção de barcos de apoio, navios-tanque, e na adaptação de unidades flutuantes de produção.
A descoberta do pré-sal deu oportunidade para mudar esse cenário, devido ao salto na demanda de equipamentos de exploração e produção no Brasil. Esse salto é fruto de uma política de conteúdo local inserida na lei que rege os recursos do pré-sal3. A lei exige que a Petrobras seja a companhia operadora em todos os blocos do pré-sal, com participação mínima de 30% na sociedade que explora o bloco. Com essa garantia de mercado, e dada a grande extensão do pré-sal, passaram a ser necessárias dezenas de novos navios-sonda para a Petrobras. Uma grande demanda que abriu a possibilidade de se viabilizar a produção desses sofisticados equipamentos no Brasil, e aumentar o conteúdo nacional na exploração e produção de petróleo. Para construir e operar esses novos navios-sonda, foi constituída uma empresa brasileira, a Sete Brasil.
4. Sete Brasil
A Sete Brasil foi constituída em dezembro de 2010 para construir 28 sondas marítimas que seriam em seguida afretadas pela Petrobras para operar nos campos do pré-sal. É uma companhia de capital fechado, propriedade de dois acionistas: a Petrobras, com 5% do capital, e o FIP Sondas, com 95%. O FIP Sondas é um fundo de participações com onze quotistas, inclusive bancos de investimento brasileiros, quatro dos cinco maiores fundos de pensão do país, o FGTS, e outros fundos de investimento (nacionais e estrangeiros) com parcelas menores do capital.4
O investimento total previsto até 2020 para a Sete seria de 26 bilhões de dólares, com conteúdo nacional projetado de 60%. Considerando as construções dos estaleiros e dos navios, e a posterior operação das sondas, estima-se que os investimentos da Sete Brasil criariam 149 mil empregos diretos e indiretos.5
A carteira inicial de negócios da Sete Brasil consiste de construir 29 navios-sonda: 28 para afretamento pela Petrobras, e um para livre afretamento no mercado. A construção das sondas foi contratada com cinco estaleiros brasileiros: sete com o Atlântico Sul (Pernambuco), seis com o BrasFels (Rio de Janeiro), seis com o Enseada do Paraguaçu (Bahia), sete com o Jurong-Aracruz (Espírito Santo), e três com o Rio Grande (Rio Grande do Sul). Dois desses estaleiros (Aracruz e Enseada) estão em construção, enquanto que o Rio Grande está em expansão para atender às novas demandas. A construção das sondas está planejada para ocorrer em três lotes: o primeiro, de nove unidades, para entrega em 2015 e 2016; o segundo, de doze unidades, para entrega em 2017 e 2018; e o terceiro, de oito unidades, para entrega em 2019 e 2020. Quando concluídas, cada uma dessas sondas será propriedade da Sete Brasil, em sociedade com a companhia que vai operar a sonda.
Hoje, a Sete Brasil é a maior contratante individual da indústria naval brasileira. As encomendas em carteira dos estaleiros nacionais somam 110 bilhões de reais, dos quais, 54 bilhões são encomendas da Sete Brasil.6
5. Expectativa de Financiamento
A Sete Brasil é muito dependente de endividamento (muito “alavancada”) desde sua criação. Apenas 20% do capital para financiar seus investimentos viriam de recurso próprio dos acionistas. Os restantes 80% viriam de financiamentos.7 O prazo para construção de um navio-sonda é da ordem de dois anos. Portanto, para ser viável, a Sete depende de financiamentos de longo prazo. Estes viriam inicialmente do BNDES.
Imaginando que seria rápida a negociação com o BNDES, a Sete assumiu financiamentos de curto prazo com bancos em 2011 e 2012, para fazer as primeiras contratações junto aos estaleiros fornecedores.8 O balanço financeiro de 2013 já denunciava fragilidades. As dívidas de curto prazo (até um ano) com os estaleiros contratados excediam os recursos de curto prazo em 8,5 bilhões de reais. Diziam os auditores: Essa situação indica a existência de uma incerteza material que pode suscitar dúvidas significativas sobre a continuidade operacional da Companhia”.
Para quitar essas dívidas de curto prazo, a Sete contava concluir em 2014 as captações de longo prazo com o BNDES. De fato, a diretoria do BNDES tinha aprovado em dezembro de 2013 o empréstimo para o primeiro lote de sondas, no valor de até US$ 3,7 bilhões. Mas a assinatura do contrato de financiamento e o desembolso de dinheiro estavam condicionados a que, até dezembro de 2014, fossem atendidas certas condições prévias para limitação dos riscos do negócio.
6. Frustração
As condições prévias não foram cumpridas e, até o momento (março de 2015), não há financiamento de longo prazo para a Sete Brasil. Pelo contrário, surgiram vários obstáculos para o financiamento do BNDES, e a companhia está à beira da insolvência. O principal obstáculo são as denúncias da operação Lava-Jato.
Um dos principais delatores da Lava-Jato é um ex-gerente de Engenharia da Petrobras, que foi posteriormente Diretor de Operações da Sete. Em novembro de 2014, nos momentos finais da negociação entre Sete e BNDES, esse ex-gerente confessou ter recebido desde 1997 propinas pagas por empreiteiras e outras fornecedoras para assinatura de contratos com a Petrobras. Pior, confessou ter recebido propina nos contratos das 28 sondas da Sete Brasil. De sobra, incriminou também o então presidente da Sete Brasil. É claro que, tanto a Petrobras quanto o BNDES tiveram que se precaver com salvaguardas adicionais contra sobrepreços. A partir daí, a negociação para financiamento da Sete travou de vez.
7. O papel central das empreiteiras
Para além da Sete, essa confissão travou toda a indústria de construção do Brasil. A Petrobras bloqueou cautelarmente a contratação e pagamento de 23 empreiteiras acusadas de irregularidades (todas as maiores do país). As consequências foram imediatas. Em novembro, a agência Fitch rebaixou a classificação de risco de crédito das empreiteiras Mendes Jr, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão, restringindo severamente o acesso a crédito. As grandes empreiteiras estão sufocadas e paralisando suas operações.
Ocorre que as grandes construtoras brasileiras são essenciais para a viabilidade da Sete Brasil. Elas têm um duplo papel no negócio: atuam na construção e, posteriormente, na operação de sondas. No primeiro papel, as empreiteiras são sócias proprietárias dos estaleiros. Dos cinco estaleiros contratados, três são sociedades entre empreiteiras brasileiras e estaleiros japoneses. A Queiroz Galvão e a Camargo Correa são sócias da JMU9 no Estaleiro Atlântico Sul. A Engevix é sócia da Mitsubishi no Estaleiro Rio Grande. O Estaleiro Enseada é uma sociedade entre as brasileiras Odebrecht, OAS, e UTC, e a japonesa Kawasaki.10
No segundo papel, as empreiteiras atuam como operadoras, enquanto controladoras das companhias que serão responsáveis por “pilotar” os navios-sonda. Das 28 sondas destinadas à Petrobras pela Sete, treze deverão ser operadas por subsidiárias de empreiteiras: Odebrecht Oil and Gas (5), Queiroz Galvão Oil and Gas (3), e Etesco/OAS (5).
Esses dois papéis centrais significam que o sucesso da Sete Brasil depende diretamente de que as empreiteiras desfrutem de perfeita saúde financeira. A Sete se encontra sem financiamento de longo prazo com o BNDES, e sem aporte de capital dos sócios em três dos cinco estaleiros (as empreiteiras implicadas). A própria sobrevivência da Sete Brasil está comprometida pelas denúncias da Lava-Jato.
8. Política Industrial: Controvertida e Ameaçada
A operação Lava-Jato e seu efeito sobre a Sete Brasil fortalecem a posição daqueles que são contrários à política de conteúdo local, como uma forma supostamente indesejável de protecionismo comercial. Fortalecem o argumento de que a reserva de mercado favorece o privilégio de alguns fornecedores e a cobrança de sobrepreços. Vão nesse sentido as acusações contra as empreiteiras, que se veriam numa posição de força, já que uma ou mais dentre elas seriam necessariamente contratadas pela Petrobras para cumprir as exigências de conteúdo local. Daí a formação do “cartel” denunciado pelo ex-Diretor de Abastecimento da Petrobras.
As denúncias da Lava-Jato criaram a oportunidade perfeita para um contra-ataque dos que são contrários ao conteúdo local. Em dezembro de 2014, o líder do PSDB no Senado apresentou projeto de lei (PLS 417/2014) que extingue o regime de partilha de produção para as áreas do pré-sal. Para os críticos, esse regime, instituído em 2010, é a raiz do protecionismo, pois garante à Petrobras a condição de operadora única no pré-sal, com participação mínima de 30%. Sem essa garantia, não seriam possíveis as encomendas à Sete Brasil. O caminho para aprovação do PLS 417 ainda é longo, mas a política de conteúdo local está em risco de um sério revés.
—–
1
 ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural, e Biocombustíveis. Despesas operacionais não estão sujeitas aos critérios de conteúdo local.
2 Petrobras, Form 20F 2014, Ano Base 2013.
3 Lei 12.351 de 2010.
4 BTG Pactual, Petros, Funcef, FGTS, Santander, EIG Holdings, Luce Venture, Fundo Strong/Bradesco, Valia, Previ, Lakeshore.
5 Sete Brasil – Apresentação Institucional, Dezembro de 2014.
6 Goldberg, Simone – “Aguas agitadas”. Valor Econômico 12.8.14
7 Sete Brasil – Balanço Completo de 2013, publicado em 27 de março de 2014.
8 Banco do Brasil, Bradesco, Itau, Santander, Sumitomo, Scotia Bank, Citibank. Dívida em dólares no total de US$ 8,5 bilhões, com vencimento em fevereiro, abril, maio, e setembro de 2014.
9 JMU- Japan Marine United Corporation é resultado da fusão das operações navais da Ishikawagima, Sumitomo, Hitachi, e NKK.
10 Sete Brasil – Apresentação Institucional, Dezembro de 2014.



Uma vítima da “luta contra a corrupção”?

Democracia direta na restauração de Havana Velha

Democracia direta na restauração de Havana Velha

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Orçamento Participativo, vivido intensamente em Porto Alegre nos anos 1990, é adaptado para para obras de restauração na capital cubana. Renda do turismo ajuda a financiar trabalhos
Por Clarissa Pont | Fotos de Eduardo Seidl, no Sul21
Desde outubro de 2014, qualquer pessoa maior de 14 anos que viva ou trabalhe no centro histórico da capital cubana pode se credenciar e participar da definição de prioridades de restauro em reuniões na sede do Conselho Popular, na movimentada Calle Obispo, entre Havana e Compostela. É a primeira experiência do chamado Presupuesto [Orçamento] Participativo em Cuba. Embora recente, espera-se que cada vez mais as decisões tomadas no restauro de um pedaço da cidade declarado Patrimônio Cultural da Humanidade estejam nas mãos da população.
O Orçamento Participativo é um processo pelo qual a população decide, de forma direta, a aplicação dos recursos em obras e serviços que serão executados pela gestão pública. A experiência surgiu e tomou força em Porto Alegre em 1989, durante a gestão de Olívio Dutra. Devido à longevidade e à importância adquirida por seus resultados, o Orçamento Participativo de Porto Alegre – embora hoje tenha perdido muito de seu vigor – ganhou projeção nacional e internacional, gerando novos paradigmas da participação cidadã institucionalizada por governos municipais.
Em Havana Velha, a ideia chegou através de uma campanha que explicava o processo político e chamava a população a participar. Por tu barrio – Presupuesto Participativo: Decide y transforma diziam os panfletos, adesivos e outdoors espalhados pela cidade. A iniciativa é resultado da colaboração entre o governo cubano, através da Oficina do Historiador, e da Agencia Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação. A partir das experiências das cidades de Porto Alegre e Montevidéu, e de um intenso intercâmbio entre as localidades, a equipe da Oficina e outras instituições cubanas aproximaram-se do que consideram uma ferramenta inovadora. A primeira rodada direcionou capital para o restauro de uma escola, junto a um plano de recuperação social e econômica do entorno.
A Oficina do Historiador foi fundada em 1938 dentro da Prefeitura de Havana para manejar o processo integral de restauro e revitalização cultural e social do centro histórico. Chamado de Plano Mestre, esse alicerce guia todas os trabalhos que partem da Oficina e atua de forma autogestionada, manejando um orçamento próprio — que sai de cada restaurante, bar ou hotel situado na Habana Vieja. Além do capital que o governo destina diretamente para a Oficina e passa a ser gerido por urbanistas, sociólogos e outros especialistas em cada uma das áreas que envolvem o trabalho com o centro histórico. O turismo, principal atividade econômica da Cuba atual, auxilia na possibilidade de conservação.
TEXTO-MEIO
Foto Eduardo Seidl
É a partir da identificação de temas prioritários para a população que os especialistas da Oficina, os conselhos populares, as entidades municipais, o setor empresarial e os projetos socioculturais participam da atualização do plano estratégico de desenvolvimento do centro histórico. Ou seja, o orçamento participativo é uma das ferramentas utilizadas neste processo, que pretende desenvolver até 2020 o restauro completo das principais edificações e residências ali localizadas.
Os temas debatidos são variados e dão um bom exemplo da amplitude de preocupações que cercam a vida no centro histórico: meio ambiente, vitalidade urbana, equipamentos comunitários, gestão residencial, desenvolvimento econômico, mobilidade, acessibilidade e segurança.
Segundo Maidolys Iglesias Pérez, socióloga da Oficina e responsável por projetos desenvolvidos através do Plano Mestre, a aplicação da experiência tem sido exitosa por permitir que a população decida sobre os investimentos e também crie os projetos que vão pouco a pouco tendo influência na comunidade. “É um espaço para propor e decidir alternativas de solução aos problemas territoriais. As reuniões contribuem para a organização e para o sentimento de pertencimento e unidade entre vizinhos ou entidades. O resultado é um bairro mais confortável e mais seguro – para o morador e para o turista”, explica.
Funcionárias da limpeza pública em Habana Vieja | Foto Eduardo Seidl
Hoje, a Havana Velha conta com mais de 500 edifícios de alto valor arquitetônico e histórico. “A área é intensamente habitada, calcula-se que possui hoje 66 mil habitantes e conta com cerca de 22 mil edificações residenciais”, explica Maydolis. É esta densidade demográfica que dá ao centro uma movida distinta de outras capitais. Ali não está apenas o principal pólo turístico e cultural da cidade, mas também as casas, escolas, os pequenos mercados e uma ampla atividade social e econômica da população local. “Bem por isso, um projeto que não seja pensado e realizado pelas pessoas nunca vai se parecer a suas necessidades e sonhos”, conclui Maydolis.
O primeiro processo de escolha está encerrado, mas o projeto prevê o acompanhamento de todas as obras decididas de forma participativa. A partir de junho deste ano será criado um grupo de seguimento, que monitorará a execução das obras até o fim de 2016.
Entardecer em Habana Vieja | Foto: Eduardo Seidl






Democracia direta na restauração de Havana Velha

Doleiro diz que Aécio operava diretoria de Furnas "em comum acordo" com o PP; ex-diretor da Petobras diz que foi achacado por Sérgio Guerra - Viomundo - O que você não vê na mídia

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SUS ontem e hoje: Perdemos a luta por um sistema de saúde universal? - Carta Maior

SUS ontem e hoje: Perdemos a luta por um sistema de saúde universal?

A solução da saúde enquanto direito universal não está em planos privados: temos de lutar contra o subfinanciamento do SUS e seus problemas de gestão.


Manuelle Matias e Clédisson Júnior

EBC
O SUS (Sistema Único de Saúde) surge como principal expressão do ideário do Movimento de Reforma Sanitária Brasileira. Tal movimento nascido em contraposição aos anos de chumbo trazia consigo o desejo por um outro projeto de sociedade, mais justa, fraterna, igualitária. Era o sonho do socialismo que se implantaria a partir da reforma da saúde.
 
Embora até hoje o Movimento de Reforma Sanitária não se reduza à luta pelo SUS, este certamente significou sua mais sublime expressão de luta. A partir de 1988 proclamava-se constitucionalmente a saúde como direito de todos e dever do Estado, a maior e mais importante conquista política e social do povo brasileiro da contemporaneidade. Tal conquista, entretanto, não esteve livre de disputas que mesmo à época e até hoje imprimem significativas derrotas à plena efetivação do direito universal à saúde do nosso povo.
 
Não é possível desconsiderar o fato de que o SUS já tenha surgido com importantes derrotas. Não conseguimos efetivar o sonho de um Sistema de Saúde 100% estatal tal como almejavam os sanitaristas à época e como previa o Relatório da 8ª Conferência Nacional de Saúde. O esforço em fazer passar o texto constitucional e a correlação de forças naquela conjuntura permitiram a inclusão da iniciativa privada no interior do SUS. Herdamos, pois, um sistema que se intitula “único”, mas na verdade é misto já que é complementado pela iniciativa privada.
 
Apesar desse fato crucial que para muitos até hoje significou o calcanhar de Aquiles e principal razão de todo o processo de desmonte que hoje vivenciamos, a conquista do SUS tal como proclamada pela Constituição de 1988 significou uma grande vitória do movimento sanitarista na luta pela garantia do direito à saúde pública.
 
O fato é que sempre existiu uma distância considerável entre o chamado SUS legal e o SUS real. Aliado a isso uma série de fatores que contribuem para a criação de uma imagem negativa do sistema, o que compromete em grande medida sua credibilidade entre a população em geral.
 
Feitas tais considerações, gostaríamos de destacar o que consideramos ser a questão central no debate da saúde desde a constituição do SUS e que muito nos inquieta enquanto militantes, que tem a ver com a idéia do direito universal à saúde.
 
Parece-nos que o conceito do direito universal à saúde enquanto direito social não se tornou uma bandeira de luta e engajamento do conjunto da sociedade brasileira. À época e mesmo hoje não vemos um movimento popular massivo que reivindique a saúde enquanto direito primordial do ser humano.
 
Ora, o movimento sanitarista desde muito antes da constituição do Sistema Único foi alvo de ataques e graves constrangimentos que até hoje resultam em dificuldades encontradas para a consolidação do SUS.
 
Restringimos esta análise a um aspecto que consideramos de grande importância que é a nossa incapacidade em constituir uma ampla frente social de sustentação política ao SUS, em especial, junto a classe trabalhadora e à direção do movimento sindical.
 
À época, e em paralelo a todo este processo de construção de luta pela reforma sanitária e garantia de direitos sociais no campo da saúde, iniciava-se uma dinâmica de reorganização do movimento sindical que buscava romper com os vícios corporativistas e de atrelamento à instituição governamental.
 
No final dos anos 70 e inicio dos anos 80 surge um movimento de trabalhadores que, além de lutar por melhores salários e condições de trabalho, exigia uma democratização e independência de suas entidades de representação e, com o apoio de diversos segmentos da sociedade, faziam frente de oposição ao sistema político e econômico do regime ditatorial do governo brasileiro. Esse sindicalismo “de novo tipo” à época, que culminou na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), estava predominantemente associado à defesa da liberdade de formação e atuação sindical, ao fim da contribuição compulsória e ao sindicalismo estruturado pela base, com ênfase nas comissões de fábrica.
 
Ao longo dos anos 1980, houve um grande incremento no número de greves e também foram organizadas várias greves gerais, em especial contra os sucessivos planos econômicos. Ao mesmo tempo, o movimento sindical desempenhou um papel fundamental no processo de redemocratização do país, tendo participado ativamente do processo de elaboração da nova Constituição, promulgada em 1988, através de mobilizações e de emendas populares. Essa pressão garantiu conquistas importantes para as trabalhadoras e para os trabalhadores na nova Constituição, e também possibilitou algumas mudanças na vida sindical.
 
Com a implantação do SUS a saúde passou a ser entendida como um direito social, abrangendo em sua competência a saúde do trabalhador. Mas o fato é que, devido a uma longa tradição histórica, a saúde do trabalhador sempre foi vista, inclusive por sindicatos, como um direito trabalhista, uma ação de segurança individual ou coletiva e não como um direito social.    
 
Os trabalhadores brasileiros têm protagonizado importantes lutas em defesa dos direitos sociais e isso é inegável. Entretanto em relação à saúde enquanto direito social, apesar de as resoluções políticas das principais centrais sindicais enaltecerem a defesa do sistema único de saúde, posição assumida nos conselhos e fóruns de gestão de políticas públicas de saúde, por outro lado, os sindicatos também incorporaram em suas negociações coletivas a demanda por melhoria da assistência médico-hospitalar através de planos e seguros privados de saúde contratados pelas empresas.
 
Nos anos mais recentes, se cristalizou a idéia sobre a capacidade dos trabalhadores (por serem grandes consumidores de planos privados de saúde) e de suas organizações sindicais em se converterem em força social não interessada na melhoria e ampliação do SUS, apesar de considerados essenciais para seu fortalecimento.
 
Recentemente tornou-se motivo de preocupação por aquelas e aqueles que integram o movimento em defesa do SUS a pauta da Proposta de Emenda Constitucional nº 451 de 2014, que prevê como direito trabalhista o provimento de planos privados de saúde a trabalhadores.
 
Preocupa-nos sobretudo o fato de que a saúde seja vista como direito trabalhista (e portanto - em tese - concedida somente àqueles que trabalham) e não como direito social nato e portanto de todo(a) cidadã/cidadão.
 
É nítida a manobra de seccionar a sociedade com o objetivo de que não haja uma luta conjunta e uníssona pela efetivação do direito universal à saúde. A perda da “solidariedade de classe” seria responsável em grande parte por comprometer os direitos de cidadania conquistados até aqui.
 
Reconhecemos as sucessivas tentativas de ressignificação de conceitos nevrálgicos como é o de “direito universal à saúde” e “universalidade”, por exemplo, os quais tem sido apropriados pelos detentores do grande capital numa tentativa de dar sequência ao processo de mercantilização da saúde.
 
A disputa política que deve ser feita principalmente nas dimensões política, intelectual e social não tem a ressonância que desejamos. A impressão que temos a julgar pelos últimos acontecimentos desastrosos em relação ao SUS (ver artigo recente do sanitarista Nelson Rodrigues dos Santos onde ele aponta os inúmeros ataques sofridos pelo SUS desde sua constituição até os dias atuais) é que boa parte daqueles que estão na gestão do Sistema não acreditam no SUS tal como ele foi proposto na Carta Constitucional.
 
A Academia por sua vez, completamente subserviente a um modelo mercadológico de construção do conhecimento, afunda-se em um mar de acriticidade e alienação em busca da sonhada “excelência acadêmica” e tira do horizonte de lutas a perspectiva de formação de novos quadros em defesa do Sistema. A cada dia que passa perdemos o apoio popular na defesa ao SUS, processo amplamente corroborado pela mídia empresarial do país que insiste em vincular tudo o que é público à completa ineficácia e objeção.
 
Lidamos hoje com duas frentes de atuação que são antagônicas e disputam o ideário sobre o papel da saúde publica no país, uma frente que defende a ampliação e radicalização dos investimentos públicos no sistema universal e uma frente que aposta no desgaste deste modelo e que busca uma lacuna que possa ser preenchida pelos planos privados. Estamos diante de uma possibilidade concreta de desmonte do SUS. Neste cenário o sistema privado vai oferecendo formas complementares e tende a se expandir.
 
Compreendemos a necessidade de resgatarmos frente aos desafios da atualidade o "espírito" da Reforma Sanitária que surgiu de um projeto civilizatório articulado à luta pela radicalização da democracia na perspectiva do socialismo democrático.
 
Muitos são os desafios para a real efetivação de um Sistema universal de saúde com a proporção continental e populacional que tem o Brasil. O SUS é o único sistema de saúde no mundo que se pretende universal para mais de 100 milhões de pessoas. Essa aposta audaciosa esbarra diretamente em vários limites como o subfinanciamento do sistema, desafios de gestão dentro de um modelo federalista com várias especificidades locais, falta de apoio popular e vontade política entre outros.  
 
É hora de nos interrogarmos: perdemos a luta por um sistema de saúde universal, integral, equânime e de qualidade?





*Manuelle Matias é mestranda em Saúde Coletiva do IMS/UERJ integra o Núcleo Cebes-RJ e o Fórum Nacional de Pós-graduandos em Saúde


**Clédisson Júnior é membro do Diretório Nacional do PT e integra o Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador de Minas Gerais.
 
 


Créditos da foto: EBC


SUS ontem e hoje: Perdemos a luta por um sistema de saúde universal? - Carta Maior

Jornal popular de massas, urgente! | Brasil de Fato

Jornal popular de massas, urgente!

Quando em 2003 a Globo em dificuldades financeiras solicitou ajuda estatal, foi sugerido que ao invés de empréstimos, o BNDES se tornasse acionista da empresa de comunicação. Proposta desprezada. Alimentou-se uma ilusão de que haveria ampla reforma de mídia, com aprovação por um Congresso notoriamente hostil a esta tese. Hoje, com Cunha, o impasse é evidente.
17/03/2015
Por Beto Almeida
Há 12 anos o PT no governo vem desprezando insistentes e reiteradas propostas para esta alternativa de comunicação, um jornal impresso e digital, popular, distribuição gratuita ou a preços módicos, modalidade que não depende de mudanças na Constituição! Hoje observa-se o PT tendo caído em sua própria armadilha.
Quando em 2003 a Globo em dificuldades financeiras solicitou ajuda estatal, foi sugerido que ao invés de empréstimos, o BNDES se tornasse acionista da empresa de comunicação. Proposta desprezada. Alimentou-se uma ilusão de que haveria ampla reforma de mídia, com aprovação por um Congresso notoriamente hostil a esta tese. Hoje, com Cunha, o impasse é evidente.
Mas, medidas concretas podem ser tomadas sem depender do Congresso, entre elas redistribuição da publicidade oficial para alcançar também TVs e Rádios Comunitárias e Universitárias, para fortalecer a mídia educativa, regional, popular, sindical.
Hoje, Dilma, Lula e o PT são acusados, em forma de telenovela diária, sem resposta, da prática daquilo que mais combateram, a corrupção. Ou se organiza um jornal de massas, cooperativo, tiragem de milhões, como faz a esquerda na Grécia, Venezuela, Argentina, Bolivia, Equador, ou petistas serão crucificados, exatamente por suas qualidades. E pior, em silêncio, sem voz!
Jornal popular de massas, urgente! | Brasil de Fato

Jornal popular de massas, urgente! | Brasil de Fato

Jornal popular de massas, urgente!

Quando em 2003 a Globo em dificuldades financeiras solicitou ajuda estatal, foi sugerido que ao invés de empréstimos, o BNDES se tornasse acionista da empresa de comunicação. Proposta desprezada. Alimentou-se uma ilusão de que haveria ampla reforma de mídia, com aprovação por um Congresso notoriamente hostil a esta tese. Hoje, com Cunha, o impasse é evidente.
17/03/2015
Por Beto Almeida
Há 12 anos o PT no governo vem desprezando insistentes e reiteradas propostas para esta alternativa de comunicação, um jornal impresso e digital, popular, distribuição gratuita ou a preços módicos, modalidade que não depende de mudanças na Constituição! Hoje observa-se o PT tendo caído em sua própria armadilha.
Quando em 2003 a Globo em dificuldades financeiras solicitou ajuda estatal, foi sugerido que ao invés de empréstimos, o BNDES se tornasse acionista da empresa de comunicação. Proposta desprezada. Alimentou-se uma ilusão de que haveria ampla reforma de mídia, com aprovação por um Congresso notoriamente hostil a esta tese. Hoje, com Cunha, o impasse é evidente.
Mas, medidas concretas podem ser tomadas sem depender do Congresso, entre elas redistribuição da publicidade oficial para alcançar também TVs e Rádios Comunitárias e Universitárias, para fortalecer a mídia educativa, regional, popular, sindical.
Hoje, Dilma, Lula e o PT são acusados, em forma de telenovela diária, sem resposta, da prática daquilo que mais combateram, a corrupção. Ou se organiza um jornal de massas, cooperativo, tiragem de milhões, como faz a esquerda na Grécia, Venezuela, Argentina, Bolivia, Equador, ou petistas serão crucificados, exatamente por suas qualidades. E pior, em silêncio, sem voz!
Jornal popular de massas, urgente! | Brasil de Fato

“O Estado não pode perder a hegemonia do projeto educacional e entregá-lo ao mercado” | Brasil de Fato

O Estado não pode perder a hegemonia do projeto educacional e entregá-lo ao mercado”

Foto: Divulgação/Instituto Paulo Freire
Professor Moacir Gadotti lembra legado de Paulo Freire e aponta acirramento de projetos antagônicos de sociedade no país atualmente

18/03/2015
Por Bruno Pavan,
De São Paulo (SP)
"Contra a corrupção", pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff e a volta dos militares ao poder foram algumas palavras de ordem proclamadas pelas ruas no último domingo (15). Mas poucos cartazes chamaram tanta atenção quanto um em especial que dizia: “Basta de Paulo Freire”.
Em um país onde se queixa da baixa oferta de educação de qualidade, Paulo Freire foi um educador que pensou a realidade do ponto de vista dos mais pobres. Em uma célebre passagem de seu livro a “Pedagogia do Oprimido”, Freire explica a importância do processo educacional para a emancipação dessa população. “Quando a educação não é transformadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”, diz o trecho.
Para Moacir Gadotti, professor titular aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e presidente de honra do Instituto Paulo Freire, o que está acontecendo hoje no Brasil é um acirramento de projetos antagônicos de sociedade, em que os mais ricos “procuram impedir qualquer avanço que não seja na direção de mais exploração econômica e dominação política”.
“Em 2012, a presidenta Dilma Rousseff declarou Paulo Freire ‘patrono da educação brasileira’. Essa declaração, que consagra sua concepção de educação, mesmo que o seu ethos pedagógico ainda esteja longe da maioria das nossas escolas, desagradou os defensores da educação ‘bancária’ e domesticadora”, explicou.
A importância da educação política
Muitos do que saíram às ruas no domingo traziam, além de um discurso de mudança, uma série de ataques contra pautas e grupos progressistas, como a reforma agrária, o Bolsa Família e os movimentos sociais.
Gadotti destaca que, muitas vezes, esse discurso vem de quem também foi beneficiado por programas sociais, como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Financiamento Estudantil (Fies). Ele lamenta que parte dessas pessoas, incluídas no ensino superior, tenha recebido uma educação domesticadora, e não conscientizadora. Ele defende o fortalecimento da educação política e da presença maior do Estado para conter o mercantilismo em diversas áreas do ensino.
“Fala-se muito pouco de política nas nossas escolas e Paulo Freire sustentava que toda educação é política, porque supõe um projeto de sociedade. A educação capitalista procura vender o sonho de que todos podemos ser capitalistas com seu mote preferido e ardiloso: ‘estude, arrume um emprego e fique rico’. É assim que a educação tem contribuído para a reprodução das desigualdades. Houve avanços nos últimos anos, mas a educação continua hegemonizada por um pensamento educacional mercantilista. O Estado não pode perder a hegemonia do projeto educacional e entregá-lo ao mercado”, afirmou.
“O Estado não pode perder a hegemonia do projeto educacional e entregá-lo ao mercado” | Brasil de Fato