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quarta-feira, 18 de março de 2015

Zé Dirceu | A crise do capitalismo, a polarização com a direita conservadora e a construção de uma nova orientação socialista para o PT

Por Bruno Roger e Tássia Rabelo
“De repente, a história se revela diante dos rebentos de uma nova geração. Os jovens considerados apáticos e indiferentes revestem-se de coragem e ousadia. Uma sensação de esgotamento e saturação aflige a destreza do conformismo. As ruas se transformam em espaço de interação e desabafo. Esbravejo contra as velhas formas de opressão capitalista. Uma vontade ensandecida de mais direitos e de radicalizar numa rebeldia declarada. Rebelar-se contra o destrato em relação à dignidade humana. Rebelar-se contra aquele incomodo comum. Rebelar-se diante de si mesmo e manifestar-se diante de todos. Uma geração desacreditada das velhas formas de fazer política. Inconformada ante os privilégios de classe e suas arrumações rídicas. Uma geração que nega politicamente a política.”
 
1. A crise internacional e a polarização ideológica
A crise internacional do capitalismo que se explicitou a partir do estouro da bolha imobiliária (1) nos EUA em 2008, se espraiou para a Europa e atingiu duramente a China.
Na Europa, a elevada destinação de recursos do Tesouro Nacional para socorrer bancos privados em muitos países, gerou agravamento dos recursos públicos disponíveis aprofundando o desmonte do Estado de Bem-Estar Social no Continente. As medidas impostas pela União Européia desencadearam uma onda de desemprego (atingindo 45% da mão-de-obra jovem da Espanha, por exemplo), desabastecimento (300 mil famílias tiveram a energia elétrica cortada por falta de pagamento na Grécia) e despejos por falta de pagamento de hipotecas (2). A retração da economia chinesa em 2012 foi mais uma peça do efeito dominó que, por sua vez, afetou duramente o Brasil (3).
A crise do capitalismo polarizou ideologicamente o mundo. Partidos de centro ou centro-esquerda que não conseguiram propor alternativas para além do sacrifício dos mais pobres foram tragados em virtude da incorporação de pressupostos econômicos ortodoxos e da política de austeridade. Nos EUA, a adoção de alguns mecanismos keynesianos assumidos pela gestão Obama, impulsionou a radicalização ideológica tendo à frente o discurso raivoso do TeaParty. Obama, a partir de então, foi acusado de socialista e destruidor dos valores de autonomia individual do seu país.
Na Europa, a polarização foi ainda maior e evidente. A extrema direita – conservadora, racista e xenofóbica – emergiu tendo à frente a perseguição de imigrantes que estariam supostamente “roubando seus empregos”. Tal conjuntura nos remete a Europa da década de 1930 em que discursos nacionalistas, também xenófobos e racistas, levaram à ascensão de regimes totalitários como o Nazismo e o Fascismo .
Na outra ponta da “régua ideológica” partidos de tipo novo surgiram na Espanha (Podemos), Portugal (Bloco de Esquerda) e Grécia (Syriza), envolvendo antigos militantes comunistas e socialistas, mas também a juventude que saiu às ruas em protestos gigantescos (como o 15M, da Espanha; greve de 48 horas e manifestações gigantescas em outubro de 2011 na Grécia; além da Revolução das Panelas da Islândia, em 2008, entre outros). Deles se ouviu, desde então, uma profunda crítica à relação promíscua entre grandes empresas e grandes partidos. Tudo foi resumido à denominação de “castas” (políticas e econômicas) que viraram as costas aos cidadãos. A velha polarização entre partidos liberal-conservadores e socialdemocratas europeus foi se desmanchando no ar com muita rapidez e dinamismo. Caso do PP/PSOE na Espanha, PS/PSD/PPD em Portugal, e assim por diante.
2. O fantasma da instabilidade ronda o Brasil
A instabilidade econômica, reflexo da crise internacional, também atingiu o Brasil e afetou as bases em que a política brasileira vinha se firmando. Em 2010, a eleição presidencial já havia emitido sinais. No final do primeiro turno, a candidatura de Marina Silva, pelo Partido Verde, projetou-se e criou a sensação de que parte considerável dos eleitores procurava uma alternativa à polarização PT-PSDB.
Entre os eleitores jovens esse desejo de mudança ficou ainda mais evidente. Na última pesquisa de intenção de voto realizada pelo Datafolha nos dias 01 e 02 de outubro de 2010, Marina aparecia com 16%, mas entre os jovens (16-24 anos) este percentual subia para 20% enquanto representava apenas 11% das intenções de votos de eleitores com 60 anos ou mais, demonstrando um nítido corte geracional nas escolhas eleitorais. Na simulação de segundo turno a negação à continuidade por parte da juventude ficava ainda mais pulsante. Na média, os cenários com Dilma e Serra e Dilma e Marina apresentavam o mesmo resultado: 52% de Dilma a 40% de seus possíveis adversários. Entre os mais jovens, porém, enquanto a diferença entre Dilma e Serra se matinha quase idêntica a média (variação de um ponto percentual), os dados apresentavam empate técnico entre Dilma (49%) e Marina (46%). Nas eleições municipais de 2012, este fenômeno reapareceu com muita força em algumas localidades.
O cenário que se apresenta atualmente é ainda mais duro e complexo. A crise internacional fez ruir também parte dos recursos que financiaram as políticas de inclusão social dos governos petistas. Para citar um único exemplo, vale lembrar que a China investiu diretamente (além das importações) 13,6 bilhões de dólares no Brasil em 2010. Fomos o país que recebeu maior volume de recursos produtivos da China naquele ano. Pois bem, em 2013 o volume de investimentos chineses no Brasil foi apenas 10% do realizado em 2010. Os brasileiros sentiram a instabilidade e a percepção da crise foi se instalando. Em maio de 2013, um mero boato do fim do Bolsa Família estimulou 920 mil beneficiários do programa a sacar todo saldo das suas contas na Caixa Econômica Federal, em apenas três dias. Algo que revelava que o segmento do eleitorado mais fiel ao aos nossos governos já pressentia as dificuldades econômicas em curso.
Finalmente, as eleições 2014 revelaram com nitidez a insatisfação com o sistema político brasileiro em sua totalidade, bem como o sentimento de mudança insuflado na população brasileira. No primeiro turno, as intenções de votos das candidaturas oposicionistas do PSB e PSDB oscilaram drasticamente, bem como o total de indecisos, ou que votariam branco e/ou nulo. Nesta ocasião, a discrepância entre a opinião dos jovens e de eleitores de gerações anteriores também ficou evidente.
Durante parte considerável do primeiro turno Marina se diferenciou de seus adversários na juventude. Sua entrada na corrida eleitoral reduziu as intenções de votos brancos e nulos (mais alta entre os mais jovens) (4), e na faixa etária entre 16 e 24 anos a candidata chegou a apresentar até oito pontos percentuais acima de sua média de intenção de votos geral, empatando tecnicamente com Dilma novamente, mas nesta eleição, já no primeiro turno (5).
Apesar dos ataques constantes que sofremos, o profundo processo de mobilidade social que fez com que mais de 40 milhões de brasileiros deixassem uma vida de penúria, gerou uma avaliação positiva sobre o Governo e, em certa medida, sobre o PT. Essa ruptura com trajetórias e histórias familiares de pobreza e marginalidade teve efeitos políticos que permitiram o estabelecimento de uma credibilidade que impediu que o partido que governa o Brasil há 12 anos fosse imediatamente jogado na mesma situação que os partidos social democratas da Europa. A questão é que a história mostra que todo capital eleitoral não é imutável, e o presente nos indica que seu resultado não é o mesmo entre os jovens.
Aqueles e aquelas que não tiveram a vivência material da fome, do desemprego em massa e da completa ausência de perspectiva já demonstraram que não empregam seu voto e sua lealdade política apenas com base no que já foi realizado.
3. Uma perspectiva geracional
As manifestações de junho de 2013, embora envolvesse jovens que em sua maioria não tinha nenhuma identidade partidária ou posicionamento ideológico (ver pesquisa Datafolha sobre perfil dos manifestantes), acabou por contaminar parte significativa do eleitorado que não saiu às ruas. O efeito imediato foi a corrosão de 50% da popularidade do governo federal e de vários governos estaduais e municipais. Neste ponto, vale ressaltar que a inclusão social e o início do rompimento do ciclo intergeracional de pobreza proporcionados pelos governos Lula e Dilma, implicou no empoderamento dos filhos das classes mais pobres. Estes que são os primeiros de suas famílias a ocupar os bancos das universidades, ou a exercer um trabalho bem remunerado em função de sua mão-de-obra qualificada, tornaram-se formadores de opinião. Sua percepção sobre a política passou a influenciar a daqueles que os rodeiam.
A campanha de Dilma em 2014 iniciou a virada na juventude quando acertadamente incorporou a avaliação que fazíamos há tempos: para disputar e conquistar os jovens que não viveram sob a égide do neoliberalismo é insuficiente resgatar e apresentar nossas realizações. Ou seja, neste caso, a tática plebiscitária de comparação de nossos governos com governos anteriores, torna-se inóspita. A militância passou a ter munição para dialogar com a juventude a partir do momento em que a campanha passou a falar de futuro, quando propôs agendas progressistas e novos direitos que demarcaram claramente as diferenças entre os dois projetos em disputa. Foi com a reafirmação da defesa dos direitos trabalhistas, do emprego, do investimento em educação, da necessidade da reforma política, do acesso à banda larga, enfrentamento ao extermínio da juventude negra e à homofobia, que trouxemos muitos jovens para a trincheira de luta que permitiu a recondução de Dilma ao Palácio do Planalto.
Após o momento de ascensão política que se deu no segundo turno das eleições 2014, a insegurança em relação à sustentabilidade do novo patamar de qualidade de vida conquistado por tantos brasileiros e brasileiras na última década, volta a alimentar um potencial sentimento de mudança. Assim, após a inflexão da classe média – principalmente da região centro-sul do país -, setores menos abastados da sociedade brasileira começam a revelar a intenção de procurar alternativas ao PT, e a juventude a confirmar sua suspeita de que nosso partido está esgotado enquanto projeto político. O PT, enquanto idéia, está se diluindo.
Se não há polarizações tão profundas como as que envolvem a Europa e parte dos EUA (como a ascensão da ultra direita TeaParty e das reações autonomistas do Occupy) em nosso país, deve-se à falta de alternativa no sistema partidário (quase sempre pendendo à direita e com plataformas que sugerem mais controle de gastos e enxugamento do Estado, o que assusta o eleitorado pobre), à credibilidade que a inserção social dos últimos anos trouxe e à crise econômica que ainda não atingiu os patamares dos outros continentes.
Contudo, o pacote econômico anunciado pela Presidenta Dilma Rousseff em janeiro deste ano (6) e as Medidas Provisórias nº 664 e 665 que alteram as regras do seguro desemprego, defeso e das pensões, podem criar as condições para que o grau de confiança popular em nosso governo degenere. Tais medidas de cortes e ajustes emanam dos princípios da austeridade e de pressupostos econômicos ortodoxos que, para tanto, lançaram o mundo na mais profunda e terrível crise dos últimos tempos. Pois, baseiam-se, fundamentalmente, na eliminação dos recursos destinados para as políticas sociais e o fortalecimento do Estado em detrimento da rentabilidade lucrativa do grande capital global, especulativo e financeiro.
Além disso, há que se atentar para os sinais de esgotamento no sistema político partidário; os graves efeitos da crise de representação; o surgimento e afloramento de uma nova direita reacionária e conservadora; a correlação de forças no congresso nacional que, por sua vez, não favorece aprovação de medidas mais avançadas; a oposição da grande mídia cada vez mais agressiva aos nossos governos; a criminalização do PT e dos movimentos sociais; a sucessão de escândalos e a banalização da corrupção como forma de detonar ainda mais a credibilidade da política e dos políticos; a crise hídrica e energética que afeta praticamente todo o país; a potencial recessão econômica, gerada pela queda do consumo, aumento da taxa de juros, inflação acima da meta, diminuição do crédito popular, contenção dos investimentos públicos e privados, apreciação cambial, redução da demanda externa, queda no preço das commodities, déficit comercial, dentre outros aspectos da política macroeconômica que influem diretamente na vida do povo.
Tais fatos alimentam o insaciável apetite pelo poder e despertam a plântula golpista da direita brasileira, corroborando ainda mais com os rumores de um aspirado processo de impeachment da presidenta Dilma.
4. A fonte do poder transformador está nas ruas
Estamos atravessando um momento de fortes turbulências em nosso país. Depois de 12 anos a frente do governo federal, ou avançamos de maneira decisiva ou recuamos de forma leniente. Entretanto, para avançarmos faz-se necessário a realização das grandes reformas estruturais, especialmente a reforma política, agrária e tributária. Precisamos impulsionar ainda a democratização das mídias e da comunicação.
No entanto, como conseguiremos tais feitos em um cenário amplamente desfavorável e contando com um dos congressos mais conservadores da história brasileira? Somente com muita mobilização social e unidade no campo popular e da esquerda. Definitivamente, não será o atual congresso nacional que criará a correlação de forças necessária para enfrentarmos a crise sem penalizar os mais pobres e avançar na realização das reformas estruturais que o Brasil tanto necessita. Para que isso seja possível o PT precisa assumir a tarefa de pressionar o governo, de mostrar para a sua base e para a sociedade como um todo, que nossos princípios são inegociáveis. É hora de avançarmos na construção de uma nova hegemonia cultural, disputando os valores e opiniões da sociedade, deslocando a disputa política também para o campo simbólico.
A polarização ideológica ocupará a centralidade da agenda política nacional no próximo período. Faz-se urgente, portanto, um processo de recomposição das forças políticas de esquerda que sustentaram este grande projeto de transformações em curso, mas para que isso seja possível o PT precisa de coragem e ousadia.
Precisamos alterar o modo e o jeito de fazer política no Brasil, sem incorrer no erro de ignorar todo processo histórico que resultou e gerou esta cultura política ateada. Não podemos deixar de dizer que nosso governo combateu e combate de forma decisiva, corajosa e aberta, a corrupção, mas que para prosseguirmos efetivamente na sua superação é necessário fazermos a reforma política com voto em lista pré-ordenada, proibição do financiamento privado e das coligações proporcionais, e paridade de gênero. Apenas assim democratizaremos a democracia, e criaremos mecanismos que coíbam a influência do poder econômico nas eleições, atacando a promiscuidade mórbida que existe entre a elite econômica financeira e a elite política.
Indo adiante, a esquerda precisa resguardar-se do voluntarismo impulsivo que tende a contaminar e putrificar a ação política de determinados agentes. Se estamos construindo uma nova sociedade dentro da perspectiva do materialismo dialético, torna-se pressuposto inarredável compreendermos e potencializarmos as contradições inerentes a cada etapa histórica. Não podemos perder de vista a disputa política ideológica que deve ser travada através de uma incessante e permanente batalha de idéias. A disputa de hegemonia e a formação de uma maioria popular capaz de incorporar um novo e avançado conteúdo programático apresentam-se como condição indispensável para vencermos os desafios históricos que estão colocados.
Neste sentido, vale renovarmos as estruturas partidárias e o modo de fazer política, adotarmos uma nova postura diante da sociedade e concretizar o sonho de construirmos um partido de massas que atue em total sintonia com os anseios do povo brasileiro. Nós queremos um PT com o rosto novo, mas que este novo rosto tenha forma definida e própria, não sendo apenas uma bela produção de maquiagem e pó de arroz.
5. O PT está se diluindo enquanto idéia
Os governos do PT mudaram os rumos da história do Brasil. O PT é um partido que nasceu da esperança de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, artistas, militantes das organizações de esquerda que combateram a ditadura, estudantes, militantes das CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base), dentre outros agrupamentos e setores progressistas que defendiam a retomada da democracia. Um partido que surgiu na contramão da via prussiana. Que nasceu de baixo para cima. Um partido que cresceu em consonância com o sentimento popular, fruto de muitas lutas sociais e políticas.
Durante tempos ostentamos a volição da mudança. Não podemos admitir que o PT seja, hoje, percebido ou reconhecido como o partido da conservação do status quo. É necessário que revigoremos o espírito de lutas da militância, reafirmando nosso compromisso histórico com o projeto socialista. Para isso, precisamos de uma analise correta da atual conjuntura e uma ação capaz de nos reposicionar no cenário político, fortalecendo a idéia de que ainda somos a alternativa concreta e possível de mudança da realidade lamuriosa que aflige o povo brasileiro.
Não podemos admitir que o PT seja decomposto em uma maquina eleitoral e tenha seu papel histórico reduzido ao de uma legenda qualquer. Assim, cabe um vertiginoso processo de autocrítica a fim de reafirmar veementemente as dimensões estratégica, histórica e revolucionária de nosso projeto.
Durante os 35 anos de existência do partido, vale reconhecer o quanto evoluímos e crescemos, contudo, vale também reconhecer que é necessário reposicionarmos estrategicamente o PT ante a nova conjuntura e seus elementos que formam um mosaico de perspectivas, desafios e oportunidades. Se estamos a pouco mais de uma década liderando um governo de coalização que transformou profundamente a vida do povo brasileiro e mudou os rumos do país, é chegada a hora de refletirmos sobre os limites e esgotamento da estratégia adotada e da tática colaboracionista, bem como avaliarmos os impactos deste processo no interior da organização partidária.
A situação de muitos diretórios do PT país a fora é deplorável e já percebemos os efeitos cogentes do estapafúrdio mal da degeneração burocrática e da decadência ideológica. Existe uma diferença substancial entre fazermos opção tática pela via institucional, como meio para atingirmos determinadas metas estratégicas, e, por outro lado, ficarmos restritos à luta institucional, uma vez que seus riscos são eminentes e historicamente comprovados. Por isso, nós não podemos permitir que os rumos do PT repousem absortos nas mãos de certos agentes que carecem de visão estratégica e perspectiva histórica.
Fazemos parte de uma geração politicamente estigmatizada. Uma geração que convive com a pecha do desinteresse e da desmotivação pelas formas tradicionais de participação política. A maior geração de jovens que o Brasil já teve, mais de 50 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos. O que significa uma série inesgotável de possibilidades políticas e econômicas, mas também de desafios.
Fazemos parte também de uma geração que precisa retomar a identidade política e ideológica de esquerda. Que tenha capacidade de buscar na fonte da história inspiração para a luta cotidiana e elementos para interpretação da realidade. Nós precisamos resgatar o sonho de uma nova sociedade, disputando valores e opiniões no campo simbólico e no imaginário popular.
Há que se preocupar com os rumos do PT, do Brasil e do mundo. Que se questionar se o PT está cumprindo, tal como afirmava Gramsci, o papel básico de um partido de esquerda: o de contribuir para a elevação da consciência de classe, superando marcos dos interesses puramente imediatos, economicistas, corporativos, para o nível da visão global da realidade, forjando uma “vontade coletiva nacional-popular”, capaz de hegemonizar um projeto político nacional de construção de uma sociedade socialista.
6. O tempo não pára
Não há dúvidas de que as primeiras gerações do PT foram vitoriosas e cumpriram tarefas históricas centrais para a retomada e construção da democracia brasileira, mas para darmos o passo seguinte será necessária uma efetiva e profunda ruptura geracional, capaz de reoxigenar as estruturas partidárias, dinamizar os processos internos e, acima de tudo, retomar nossa relação com a sociedade brasileira, especialmente com a juventude.
Ao longo dos últimos anos distanciamo-nos por demais da própria evolução dos tempos. Não podemos ficar estancados. Precisamos compreender as grandes transformações inerentes ao século XXI. O mundo mudou e o Brasil não é mais o mesmo. A mudança é uma constante na história e acontece de forma cada vez mais rápida, fluida e dinâmica. Evidentemente, que o PT teve papel central nas transformações que incidiram em nosso país, no entanto, estamos vacilando diante de um processo de agudização das contradições intrínsecas à sociedade brasileira.
A atuação do PT somente será efetiva se não abandonar o contato com as massas, construindo de maneira coletiva, horizontal e colaborativa, respostas para os atuais problemas que demudam a realidade. Nós precisamos impedir que o partido descole-se da vida prática e caia em um governismo estéril e de gabinete.
Não podemos nos eximir da responsabilidade histórica de nossa geração. A geração que fundou o PT cumpriu, cumpre e, certamente, continuará cumprindo um papel importante na condução do Partido. No entanto, já percebemos sinais que apontam para a necessidade urgente de um processo de reformulação-renovadora da concepção, modelo, forma, conteúdo e, especialmente, das idéias.
Precisamos transformar o PT em um partido verdadeiramente de massas e das massas. Um partido que consiga restabelecer o dialogo com a sociedade e incendiar corações e mentes. Um partido que acumule forças e seja propulsor da disputa de hegemonia. Precisamos disputar as opiniões da sociedade. Precisamos devolver ao PT à condição de patrimônio popular, forjando uma nova utopia revolucionária. Sermos intransigentes na busca pela reforma intelectual e moral do povo, construindo novos valores, contrários aos valores do capitalismo global, pavimentando, desta forma, o caminho para a realização do socialismo em nosso país.
Um socialismo com a cara do Brasil. Que contemple a diversidade do nosso povo e da nossa gente, levando em consideração a tradição histórica e cultural que tanto enrijece as raízes brasileiras. Um socialismo que transforme o Brasil no pólo irradiador de outro mundo possível. A começar pela América Latina e Caribenha, mas a espalhar-se pelo mundo.
Deste modo, transformar o PT em um partido de massas e das massas, não apenas com milhões e milhões de filiados e filiadas, mas formando uma combativa militância identificada com nosso programa e com nossas lutas, é condição necessária para avançarmos na disputa real da sociedade brasileira e modificarmos definitivamente a correlação de forças historicamente arraigada nas instituições anacrônicas do Estado e também na sociedade.
O PT deve ser também um lugar de reflexão ideológica, atuando de maneira educativa e pedagógica no sentido de aumentar substancialmente a influencia política dos “de baixo” nas tomadas de decisões. O PT não deve lutar apenas pelo poder, mas também por uma revolução cultural, pela criação e desenvolvimento de uma nova cultura, baseada em outros valores e outras perspectivas históricas. Nesta linha, dispomos de uma energia geracional acumulada e concentrada em nosso país que, por sua vez, deve ser inexoravelmente canalizada na luta contra hegemônica, a fim de criar as condições materiais e simbólicas para o surgimento do novo.
O que está em jogo é um novo ciclo na política nacional e mundial. Estamos diante de um processo histórico de transformação que incidirá nos rumos do Brasil e do mundo, por isso é fundamental disputarmos os caminhos estratégicos do PT, pois este deve continuar sendo a ferramenta dos “de baixo” para intervir nas grandes decisões e fazer a disputa contra os “de cima”. Não podemos pensar e construir o futuro a partir do presente, mas, ao contrário, temos que pensar e construir o presente a partir do futuro. Pois, o horizonte estratégico que orienta e motiva nossa caminhada – para aqueles que fazem a disputa política na perspectiva do materialismo histórico e dialético – é a sociedade sem opressores e oprimidos, a sociedade livre e igual, a sociedade SOCIALISTA.
Bruno Roger e Tássia Rabelo são membros da direção nacional da Juventude do PT.

Notas:
[1] A crise norte-americana ficou conhecida tecnicamente como “subprime”, ou seja, hipotecas de alto risco. Os bancos dos Estados Unidos financiaram a compra de casas a juros baixos para pessoas com histórico de crédito ruim, tendo o próprio imóvel como única garantia. Muitas vezes, os bancos ofereciam refinanciamento, ou seja, financiavam a quitação da dívida anterior e abriam novo empréstimo. Era comum que o beneficiado gastasse parte do novo financiamento em outras aquisições, criando uma bola de neve. Mas veio a queda nos preços dos imóveis e os bancos ficaram ameaçados de não reaver os empréstimos feitos.
 
[2] Em outubro de 2011, foi imposto o pacote econômico anticrisena Europa. Em seguida, o FMI e Banco Central Europeu assumiram a orientação para controle da crise a partir de maior austeridade nos gastos públicos. O caso mais agudo foi o da Grécia, que sofreu redução do PIB em 5% redução do PIB em 2010 e mais 4% em 2011. As ações de combate à crise são coordenadas, principalmente, por França e Alemanha. A retração da economia européia afetou a economia chinesa, destino de muitas exportações asiáticas. Como ilustração, podemos indicar a queda de importações chinesas de açúcar. Em 2013, a China foi o maior importador do produto em todo planeta. Em 2014, as importações de açúcar pela China caíram 23%.
 
[3] A China já é nosso principal país importador, tendo ultrapassado os Estados Unidos no final de 2009, depois da crise financeira. Mas quando o destino a ser comparado é a União Européia, ou seja, a reunião de 27 países, a Europa ainda leva vantagem sobre a China. Essa dianteira dos europeus, entretanto, diminuiu em 2013, como mostram os números do Ministério do Desenvolvimento. Entre janeiro e novembro deste ano, a UE importou do Brasil o equivalente a 44 bilhões de dólares, ou 19,93% de tudo que saiu do Brasil. Em 2012 essa participação era de 20,24%.
 
[4] O principal indicativo de que Marina aproximou os indecisos e insatisfeitos jovens, com alto índice de escolaridade ou renda, é que dentre os indecisos, brancos e nulos, a maior redução se deu exatamente dentre esses eleitores com a entrada de Marina.
 
[5] A pesquisa do Datafolha de agosto 2014 registrava, num possível segundo turno entre Dilma e Marina, empate técnico no limite da margem de erro, com a candidata do PSB obtendo 47% das intenções de voto e Dilma 43%. Em 2010, Marina já empatava tecnicamente com Dilma entre os mais jovens, e perdia para a então candidata do Partido Verde entre os eleitores com nível superior e mais de dez salários mínimos.
 
[6] Projeta-se, incluindo análises do Partido dos Trabalhadores (ver último boletim de conjuntura a Fundação Perseu Abramo) cenário de desaceleração econômica brasileira em função da crise internacional e queda do valor das commodities. Em 2014, o preço do minério de ferro retraiu em 49%. O principal fator é aumento da produção. A Vale, maior empresa privada do país, reduziu em 40% os gastos de manutenção.  A USIMINAS decidiu no início do ano se dividir em duas. Em virtude das medidas econômicas adotadas pelo governo federal no início deste ano, projeta-se no mercado (consultorias em investimentos e analistas econômicos) recessão da economia brasileira de 1% a 1,5% negativo.O cenário de queda de investimentos e aumento do custo de produção (pacotes anunciados pelo governo federal) podem afetar duramente a arrecadação e, com isto, a projeção de investimentos na educação. O monitoramento sobre as contas da Petrobrás passou a ser diário. A participação do segmento de petróleo e gás natural no PIB do país é de 13%. O plano de investimentos para o período 2014-2018 previa US$ 220,6 bilhões.
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Para entender o imbróglio do FIES — CartaCapital

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La unión de Rusia y América Latina, una bomba de tiempo para EE.UU.

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MinhaLapaMinhaVida: Os laços do Governo Alckmin com as manifestações p...

O Jornal GGN postou a matéria que republicarei logo abaixo, que apresenta Janaína Carla de Lima, uma das “apresentadoras” e propagadoras do movimento do dia 15/03 é funcionária comissionada de empresa ligada ao Governo Paulista.

E os canalhas dizem que são “apartidários”. Os mesmos canalhas, que hipocritamente dizem não ter partido, também dizem que vivem de doações. Leia sobre as tais “doações no post Lemann, os bilionários brasileiros, a Globo e os atos golpistas de domingo.

Descaradamente vendem gato por lebre e são ostensivamente apoiados pela mídia, em especial a Rede Globo, e como é possível constatar na matéria do GGN, mais ostensivamente ainda apoiados pela Polícia Militar do Alckmin, o que parece se confirmar nos superestimado número de manifestantes presentes no evento. 

Segundo a Polícia do Alckmin, eram um milhão de pessoas presentes, quando na verdade a mais gentil da estimativas, feita pelo data folha, diz que foram só 20% disto. Financiamento de bilionários brasileiros, servidores comissionados pelo Governo Paulista, catraca livre no metrô para manifestantes e ampla cobertura midiática são o caldo para eventos como este de domingo, que não apresenta uma proposta sequer, diz que protesta contra tudo, mas que tudo é culpa da Dilma, e por isto é preciso derrubá-la e ao PT e instaurar a Ditadura Militar. 
Enquanto manifestam-se como sem ligações a partidos políticos, o movimento Vem Pra Rua Brasil tem membros ligados ao PSDB do Estado de São Paulo

Uma denúncia enviada pelo grupo denominado GolpismoLeaks mostra que o movimento Vem Pra Rua Brasil, autointitulado suprapartidário e endossado pela grande imprensa como sem ligações a partidos políticos, e que convocou a população a participar do ato de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, neste domingo (15), não é tão imparcial quanto se apresentam.

Um dos vídeos compartilhados para convidar as pessoas a participarem do protesto deste domingo é apresentado por Janaína. Na gravação, seu crédito aparece como “Janaína, direto da Comunidade do Jardim Ângela”, chamando a presença de todos em nome do grupo Vem Pra Rua Brasil, informando, inclusive, que o ato contaria “com o apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar”.
O GolpismoLeaks descobriu que a apresentadora é Janaína Carla de Lima, assistente administrativa da Prodesp, empresa de tecnologia vinculada ao Governo do Estado de São Paulo. Trabalhando na Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional, ela recebe um salário “que não corresponde ao informado pela Prodesp”, segundo a denúncia.

Em novembro de 2014, ela teria recebido uma bonificação de R$1.637,59, que deveria ser paga apenas a funcionários públicos da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Na época, entretanto, Janaína era coordenadora de Programas para Juventude da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do governo paulista.

De acordo com os cálculos realizados pelo GolpismoLeaks, Janaína recebe cerca de R$ 15 mil, ao ser comparada a sua bonificação com a de outros servidores estáveis da mesma secretaria e os respectivos salários. Os dados confirmados pelo GGN na Tabela de Cargos e Salários da Prodesp mostram um valor de R$ 2.752,94 até R$ 19.604,71, a depender de bonificações, tempo de serviço, e outros, para a função que desempenha Janaína. Por outro lado, o grupo aponta que Janaína passou de um cargo comissionado de Coordenadora de outra seção para a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional do governo estadual, em pouco tempo.

“Vamos dizer um basta à corrupção e o início de um Brasil justo e ético”, disse Janaína na convocação do movimento Vem Pra Rua Brasil.

O GolpismoLeaks denuncia a falta de transparência no esquema de contratação dos funcionários da Prodesp, apesar de os dados sobre remunerações estarem disponíveis no site da empresa. “A investigação a partir das poucas informações disponíveis no site da companhia aponta ao menos 52 pessoas que foram contratadas sem concurso público, com salários não divulgados, assim como não estando claras também quais funções desempenham nas Secretarias citadas”, denunciou o grupo.


Jornal GGN

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Página 13 » Porque o financiamento empresarial é indispensável para os empresários (e a compra de votos)

Porque o financiamento empresarial é indispensável para os empresários (e a compra de votos)

17 de março de 2015
dinheiro.campanha_1Por Milton Pomar*, do Sul 21

Tudo o que está sendo divulgado sobre valores recebidos por candidatos e candidatas, e as suas respectivas prestações de contas oficiais ao Tribunal Eleitoral, portanto públicas, omite porque é inevitável grandes recursos empresariais em campanhas eleitorais: para comprar votos massivamente, e assim conseguir eleger quem represente as classes dominantes (“os donos de tudo”): latifundiários rurais e urbanos, banqueiros, industriais, comerciantes, empreiteiros etc.
Chega-se a essa conclusão através das despesas reais de uma campanha – por exemplo, para deputado federal, com propaganda, equipe, veículos etc., nos 90 dias de duração da atividade (5 de julho a 5 de outubro). Por mais que se gaste nesses itens, não passará de R$2 milhões. Quem gastou mais do que isso, gastou com o quê? – Comprando votos. O cálculo é direto: a R$50,00 por voto, 100 mil votos exigiram R$5 milhões. Que são gastos via “cabos eleitorais”, tradicional esquema capilar da compra de votos, de maneira direta (em dinheiro) ou indireta (produtos e serviços).
Quando houver interesse do Tribunal Superior Eleitoral em acabar com a compra de votos, ele poderá começar pelo básico: a conferência dos preços de mercado de despesas das prestações de contas oficiais. Constatará a enorme quantidade de dinheiro que “sobra”. A distância entre o mundo real e a ficção das prestações de contas é tão grande, que não deixa dúvida sobre o desinteresse do Judiciário em acabar com a compra de votos.
Isso explica inclusive porque o “caixa dois” continuará existindo – o que é realmente gasto nas campanhas, em decorrência da compra massiva de votos, não cabe nas prestações de contas fictícias, porque não há como justificar o gasto de tanto dinheiro somente em veículos, combustível, material de propaganda e pessoal.
Há indicadores indiretos que também comprovam a compra massiva de votos. Por exemplo, as grandes votações obtidas, por candidatas e candidatos desconhecidos, de partidos pelos quais o eleitorado não tem nenhuma preferência. Aliás, que nem sabe que eles existem. O aumento da quantidade de votos desses candidatos, de uma eleição para outra, e o aumento dos valores recebidos, declarados nas prestações de contas oficiais.
Há candidatos e candidatas com votações enormes, obtidas sem compra de votos, por se tratarem de fenômenos eleitorais, mais ou menos espontâneos, que ocorrem em todas as eleições. Esses poucos casos são as exceções à regra. Há também os que “suaram” muito para conseguir os votos e os recursos para as suas campanhas. Somados, não passam de 30% dos totais da Câmara de Deputados, assembleias legislativas e câmaras municipais. Todos os demais foram eleitos comprando votos, parcialmente ou na quase totalidade.
Essa é a razão pela qual o financiamento empresarial é indispensável, em primeiro lugar, aos próprios empresários. Eles investem em parlamentares e em executivos, nos três níveis, para obter, através deles, seus espaços no Estado, nas compras e prestações de serviços e em todo tipo de negócios (renúncias/incentivos fiscais, cessões de áreas e obras públicas, direcionamento do desenvolvimento urbano, subsídios diversos).
Há uma pequena parcela do empresariado, constituída por donos e executivos de grandes empresas, que faz política em tempo integral. Seja por meio das entidades tradicionais dos setores agrícola, industrial e comercial, e/ou por entidades de segmentos específicos, ou ainda por entidades de caráter ideológico, disfarçadas sob denominações patrióticas, como o “Movimento Brasil Competitivo”, e muitas outras do gênero.
Acontece que a maioria desses grandes empresários não tem o menor interesse em se expor, em ser figura pública, como por exemplo, os senadores Tasso Jereissati, do Ceará, e Blairo Maggi, do Mato Grosso. A maioria deles prefere o anonimato, possível graças à representação que obtém através dos seus “eleitos”.
Isso explica porque tantas empresas doam tanto dinheiro para alguns candidatos, que se elegem com votações expressivas, apesar de não serem líderes populares ou possuírem bases sociais amplas. Esse sistema só funciona, porque na sua base há a compra de votos.
Por isso o financiamento empresarial não pode acabar. Se ele acabar, como que o setor empresarial continuará tendo a gigantesca representação política, como a que tem hoje, inversamente proporcional às suas dimensões, com mais de dois terços do Congresso, das assembleias legislativas e câmaras municipais?
Quem não quiser acreditar nisso, ao menos se dê ao trabalho de checar os valores doados a candidatas e candidatos nas eleições de 1998 a 2014. Nesse período, a legislação eleitoral aumentou a exigência da declaração das receitas e despesas das campanhas eleitorais, levando a inevitável aumento da ficção nas prestações de contas. E, ao mesmo tempo, a um aparente “aumento extraordinário” das contribuições empresariais. Na verdade, as empresas se viram forçadas, por outros mecanismos de controle (COAF, por exemplo), a legalizarem parte do que doavam via “caixa dois” para as campanhas, que por sua vez tinha que ser contabilizado também como “caixa dois”. Ou seja, os valores não mudaram muito, o que mudou mais foi que parte deles passou a ser oficial, pública.
Outra coisa que mudou nesse período foi a política empresarial de doação. Antes restrita a candidatos(as) de seus partidos de preferência ideológica, a partir de 1998 começaram aos poucos a “distribuir os ovos em várias cestas”, mantendo a concentração nos que lhes são iguais, mas tomando o pragmático cuidado de agradar aos diferentes – em especial os do PT, quando foi ficando evidente o crescimento eleitoral do partido.
O que atrapalhou essa lógica dominante foram as políticas públicas dos governos federais do PT, a partir de 2003, e por isso a gritaria contra o Bolsa Família e outros programas, que reduziram a quantidade de pessoas tradicionalmente dispostas a vender o voto. Resultado: o aumento das bancadas do PT e de outros partidos de esquerda e centro-esquerda no Brasil, e a redução das bancadas dos partidos de direita e centro-direita. Os números sobre essas alterações, a partir das eleições de 2004, são públicos e notórios.
Essas mudanças todas resultaram em enorme inflação das campanhas eleitorais, o que praticamente inviabilizou, em 2014, a eleição de dezenas de candidatos e candidatas não-representantes do empresariado, ainda que alguns deles tivessem obtido recursos dos donos do dinheiro – migalhas, se comparadas às doações milionárias (declaradas, imagine-se o total real, “caixa dois” e oficiais) de algumas empresas para algumas campanhas para deputados. Estes fizeram sua parte, comprando votos para se eleger, deixando na poeira quem se elegia sem comprar votos, porque dessa vez “faltou voto livre no mercado”.
A compra de votos no Brasil nunca será objeto de CPI, evidentemente, a não ser que o objetivo da maioria que compra votos seja provar que não há compra de votos. Nem objeto de investigação da Polícia Federal, como não foi até hoje, sabe-se lá porque. Justamente por se beneficiar dela, o empresariado que tanto clama contra a corrupção dos políticos também não moverá uma palha para eliminar a compra de votos, base de todo o sistema que lhes beneficia, e em sim mesma extrema corrupção. Sobre o Judiciário, a prática dele revela de que lado está. Igualmente a Mídia, que tanto escândalo faz com tudo que lhe interessa, mas nunca se deu ao trabalho de investigar e denunciar a compra de votos.
Aos que pretendem eliminar a corrupção de milhões de pobres por centenas de ricos, resta-nos como única possibilidade a Reforma Política.

* Milton Pomar é geógrafo e profissional de marketing, trabalha em campanhas eleitorais desde 1986.


Página 13 » Porque o financiamento empresarial é indispensável para os empresários (e a compra de votos)

Documentos provam que Aécio, Alckmin, Serra e FHC receberam R$39,9 milhões na Lava Jato

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terça-feira, 17 de março de 2015

EUA SE BORRAM!! ALEMANHA, FRANÇA E ITÁLIA ADEREM A BANCO DA CHINA. BRICS!!!

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DOMINGO DO ÓDIO

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Crença nos valores da democracia não está internalizada na população, adverte pesquisadora - Sul 21

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Auge de la extrema derecha en Europa:



A História não se repete, mas plagia-se



Auge de la extrema derecha en Europa:

Foi se no rumo do inefável...Um grande mestre















Poema Se
Hermógenes
Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.

Porto Alegre: A foto da verdade e as mentiras golpistas da Globo e da mídia tupiniquim | Luizmuller's Blog

Assim como bombaram os números do 15 podaram os do 13





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Obra do educador Paulo Freire, atacado em faixa de protesto contra Dilma, está disponível para download

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Polícia Federal ficha autores de preconceito na internet. Centenas sofrem inquérito | Nota Crítica

Muito bom quando o MP cumpre com seu papel republicano

O Ministério Público Federal identificou mais de 100 pessoas responsáveis por publicações e ofensas contra nordestinos após a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, no fim de outubro do ano passado.
Os autores das ofensas foram identificados após quebra de sigilo de e-mails. O próximo passo, após a identificação, é convocar todos os envolvidos para prestar depoimento na Polícia Federal.
Nas redes sociais, logo após a divulgação do resultado das eleições, foi possível localizar as mais diversas mensagens discriminatórias. A jornalista Deborah Albuquerque Chlaem, moradora de São Paulo, gravou um depoimento raivoso no qual chamava de “miseráveis, imbecis e burros” aqueles que votaram em Dilma.
O deputado estadual eleito por São Paulo, coronel Paulo Telhada (PSDB), também publicou mensagem com ofensas e defendeu a independência do Sudeste do Brasil. “Chegou a hora de São Paulo se separar do resto desse país”, declarou, no Facebook.
Em pouco tempo, internautas também ressuscitaram movimentos separatistas, movidos por demonstrações de preconceito contra nordestinos.
A publicação de mensagens discriminatórias, mesmo em redes sociais, é passível de punição. De acordo com a lei do racismo (Lei nº 7.716/89), qualquer tipo de preconceito, insinuação de cunho discriminatório para tentar diminuir, por em uma situação desigual ou tentar ofender determinado grupo pode ser considerado crime.
O código vale para quem publicar ou reproduzir mensagens de viés preconceituoso na internet. A pena pode variar de um a três anos de prisão, além de multa, podendo ser agravada por ser em ambiente virtual, pelo maior alcance que as agressões podem gerar.
Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do jornal “Estado de S. Paulo”

Polícia Federal ficha autores de preconceito na internet. Centenas sofrem inquérito | Nota Crítica